testeEntre o real e o imaginário

Por Elisa Menezes*

“Não quero escutar as histórias de terror do bairro, que são todas inverossímeis e críveis ao mesmo tempo e que não me dão medo, pelo menos de dia.”

 

O trecho acima pertence ao conto “O menino sujo”, o primeiro dos doze que compõem o livro As coisas que perdemos no fogo, da jornalista e escritora argentina Mariana Enriquez. Não deixa de ser também uma espécie de síntese da obra dessa autora tão habilidosa em mesclar o crível e o inverossímil, extraindo aquilo de aterrorizante que existe no cotidiano. Suas histórias se desenrolam com naturalidade, fluidez e altas doses de humor ácido, mas o que provoca calafrios e tira o sono do leitor é justamente o que existe de real nelas. Voltando-se para situações banais — e banalizadas —, ela prova que a violência urbana, a ditadura militar, a recessão econômica e os feminicídios podem ser muito mais cruéis e assustadores do que qualquer monstro ou distopia.

Nascida em 1973 em Lanús, subúrbio a quinze quilômetros de Buenos Aires, Mariana cursou Comunicação Social em La Plata e se mudou para a capital portenha já adulta. A cidade é um personagem constante nas histórias da autora, que se interessa, contudo, pela faceta marginalizada, e não pelos cartões-postais. Com seu “realismo horror” — termo usado pela própria escritora —, Mariana expõe feridas históricas, ainda abertas e visíveis. São bairros cortados por rios contaminados por dejetos industriais, casas abandonadas em zonas violentas que um dia foram habitadas por famílias abastadas, edifícios onde presos políticos foram torturados, mortos ou “desaparecidos”.

A escritora já tinha oito livros publicados quando As coisas que perdemos no fogo foi editado na Espanha, tornando-a conhecida internacionalmente. Desde então o livro foi traduzido para mais de vinte idiomas e em 2017 recebeu o prêmio Ciutat de Barcelona na categoria “literatura castellana”.

Em sua obra mais recente, o romance Este é o mar, que a Intrínseca acaba de lançar no Brasil, a escritora deixa de lado seu terror moderno e investe na fantasia. Em entrevista à Televisão Pública Argentina, ela contou que sentiu vontade de escrever algo mais terno, aproximar-se dos personagens, e de ambientar uma história fora de seu país. Talvez por isso tenha escolhido falar sobre a relação de êxtase e amor que existe entre fãs e ídolos do rock, algo que ela mesma viveu na juventude.

Fascinada por mitologia desde a infância, a escritora se perguntou o que estariam fazendo hoje as musas, sereias e deusas, essas entidades atraentes e perigosas que inspiram e rodeiam artistas e navegantes. Em Este é o mar descobrimos que existem seres femininos que vivem em movimento perpétuo, nunca dormem e se alimentam da devoção das fãs reais por rock stars. Helena, a protagonista, é uma dessas criaturas que fazem parte do Enxame e que tomam forma humana para se misturar às groupies de carne e osso e incentivar a histeria.

Todas as noites iam gritar em algum show, geralmente em países diferentes. Todos os dias tinham de fazer vigília diante de um hotel, da porta de um teatro ou de um estádio, com o rosto pintado com corações e logomarcas, as mãos agarradas a pôsteres, chorando e esperneando. Deviam ler todas as entrevistas e decorar as respostas, repeti-las, citá-las. Tinham de entrar nas redes sociais, nos fóruns e tumblrs e facebooks e snapchats e instagrams e youtube e twittar e postar, deixar comentários, criar boatos, ameaças de suicídio. Deviam fazer amizade com as fãs reais e conseguir para elas objetos valiosos, discos e fotos autografadas, algum RT ou, melhor ainda, um follow, até uma DM.

Como se vê, o trabalho das herdeiras mitológicas é exaustivo. Por isso Helena deseja evoluir à Luminosa, deixar o Enxame e ganhar o direito de viver na Costa, de ter uma Casa. Antes, porém, precisa fazer uma Estrela e transformar essa Estrela em Lenda. Seu escolhido é o jovem e belo James Evans, vocalista da banda Fallen. No que depender dela, James será o próximo Kurt Cobain, o ícone belo, talentoso e de morte prematura (e misteriosa, para quem aprecia teorias da conspiração). Afinal, por trás de cada lenda do rock — Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones —, há uma Luminosa responsável por seu estrelato e por seu fim.

Se em As coisas que perdemos no fogo os contos são narrados de forma distanciada e às vezes cruel, explorando o terror do cotidiano, em Este é o mar Mariana Enriquez dedica um olhar generoso, compreensivo, às fãs adolescentes, essas musas contemporâneas que inspiram os artistas e os elevam à categoria de deuses. Há ironia, mas também um desejo de mostrar os laços formados entre essas meninas, como eles geram senso de pertencimento, desdobrando-se em experiências coletivas intensas de afeto.

Novamente, a autora costura com maestria o real e o imaginário, jogando com o que existe de surreal nesses sentimentos tão exacerbados e apontando a humanidade que reside no inusitado universo sobrenatural que ela criou. Helena precisa matar o músico escolhido, torná-lo Lenda, para garantir a sobrevivência de sua espécie. Porém, ao conhecê-lo melhor, perceberá que não está imune às emoções que julgava exclusivamente humanas.

O resultado é um romance curto e ágil, repleto de referências mitológicas e da cultura pop, povoado por personagens femininas fortes — com espaço para uma história de amor. Este é o mar é um livro que fala do fim de uma era em vários sentidos. É uma espécie de adeus da autora à sua juventude e também ao tempo em que os ídolos eram universais.

 

*Elisa Menezes traduziu Este é o mar. É jornalista, editora e tradutora.

testeOblivion Song, HQ do criador de The Walking Dead, ganhará filme

Preparem-se para mais uma aventura de Robert Kirkman! A sua mais nova HQ, Oblivion Song, ilustrada pelo incrível Lorenzo De Felici, ganhará uma adaptação em breve. A HQ conta a trajetória de Nathan Cole, que arrisca sua vida buscando sobreviventes em Oblivion, uma dimensão assombrada por criaturas ameaçadoras.

Dez anos atrás, uma nova e misteriosa dimensão surgiu, sugando 300 mil habitantes da Filadélfia para um local sombrio com raros momentos de calmaria. Depois de algum tempo, o governo americano encerrou suas buscas e desistiu de resgatar outras pessoas. Mas Nathan Cole não desistiu. Qual será a verdadeira motivação dele? O que tanto procura em Oblivion?

Segundo o autor, o filme de ficção científica será produzido pela Universal Pictures e pela Skybound Entertainment, ainda sem previsão de lançamento.

Estão animados para ver mais uma história de Robert Kirkman ganhar vida?

testeHora de embarcar no novo livro de Clara Savelli

O lançamento de As férias da minha vida, primeiro livro de Clara Savelli pela Intrínseca, está cada vez mais perto, e nós já começamos a contar os segundos para o dia 16 de julho, quando ele chega às livrarias! No livro, vamos conhecer Ísis, uma garota de dezessete anos tímida e um tanto atrapalhada, que embarca em uma viagem com duas amigas e a tia hilária delas. As quatro estão prontas para curtir todas as maravilhas que Punta Cana, na República Dominicana, tem a oferecer. Mal sabem elas que esse lugar paradisíaco e cheio de encantos lhes reserva muitas surpresas, aventuras, e talvez até um novo amor.

Para preparar nossos corações para esse grande lançamento, Clara escreveu um conto exclusivo de Dia dos Namorados, ambientado no mesmo universo de As férias da minha vida! O spin-off está disponível gratuitamente na plataforma Wattpad. Confira a sinopse:

Angélica tem 27 anos e finalmente vai se casar com o amor da sua vida. Depois de namorar Marcos por uma década, eles resolveram juntar as escovas de dentes. Mas nem tudo são flores. Ela não tem a menor dúvida de que vai surtar durante a organização do casamento, ainda mais diante das altas expectativas da família para que o evento seja grandioso e inesquecível. Por isso, os dois pombinhos decidem… fugir! Eles procuram uma agência de viagens para realizar o casório secreto. Quando tudo começa a sair do controle, Angélica se dá conta de que nenhuma de suas listas de tarefas será suficiente. Mas talvez o melhor caminho para a felicidade não precise de roteiro.

Preparados para essa viagem? Confira o conto aqui ou leia no Wattpad.

teste130 anos de República: Uma perspectiva geral

Por Pedro Malan*

Os textos reunidos em 130 anos: Em busca da República tratam da trajetória da República brasileira desde seus primeiros momentos, 130 anos atrás. São 13 décadas, 12 economistas, 14 advogados, 12 historiadores e cientistas sociais, cada qual responsável por uma década na sua área de especialidade. Os organizadores esperam que o inédito mosaico resultante, com suas lições e “teimosas permanências”, possa ser visto pelo leitor como mais que a soma das partes.

Os autores conhecem, por certo, a necessidade de perspectiva. De entender o presente como história e esta como um infindável diálogo entre passado e futuro. Um passado que está sempre sendo revisitado, reinterpretado, por vezes reescrito, à luz das exigências interrogativas do presente, bem como de sonhos e temores sobre o futuro. Um futuro que antes de converter-se em passado realiza ensaios sob a forma de sonhos e desejos, os quais, quer se realizem, quer não, constituem, no presente, conforme escreveu Jorge Luis Borges, a “memória do futuro”.

Ao longo destes 130 anos de República, não sabíamos (como não sabemos hoje) se ao caminhar estávamos pisando nas cinzas do passado ou nas sementes do futuro (Musset, 1835), juntas e misturadas, como sempre, sob nossos pés e em nossas memórias. Sempre conviveremos com o peso do passado e a promessa do futuro — e ambos têm traços de teimosa permanência. Como, entre nós, a ideia de República, aí incluídos seus “pecados originais” (Carvalho, 2017).

Na longa busca de sua República, o Brasil procurou incorporar, pragmaticamente, as duas concepções de “republicanismo”: a concepção unitária e centralizadora de uma só República; e a concepção federalista, a favor de estados (repúblicas) unidos em uma única federação. Contudo, resguardando certas autonomias no âmbito local, através de um pacto federativo que foi assumindo formas constitucionais variadas ao longo dos últimos 130 anos.

Cabe nesta Introdução um breve comentário sobre a relação entre democracia e República, já que a busca a que se refere o título deste livro foi— e continua sendo — a busca pela construção de um país republicano e democrático. Todavia, a busca da democracia e a busca da República não querem, necessariamente, dizer a mesma coisa. A democracia é — na frase imorredoura de Churchill — “o pior de todos os regimes, com exceção de todos os outros que foram experimentados de tempos em tempos”. Por quê?

Porque apenas em um regime democrático são possíveis a aceitação e o elogio da diversidade; o reconhecimento da legitimidade e da fecundidade dos conflitos de razão e de interesse; a absoluta liberdade de opinião; o ideal da tolerância (em oposição a crenças cegas na própria verdade e na capacidade de impô-la); o ideal da não violência — apenas em democracias é possível livrar-se de governantes sem derramamento de sangue e resolver conflitos sem o recurso à força. Apenas em democracias é possível a renovação gradual da sociedade pelo livre debate de ideias e pela mudança de mentalidades. Apenas em democracias é reconhecida a necessidade de antepor limites ao poder, mesmo quando esse poder é o da maioria que o conquistou pela força do voto (Bobbio, 2000).

Um dos organizadores deste livro refere-se ao que escreveu um religioso que vivia no Brasil em meados do século XVII — “nenhum homem desta terra é repúblico, nem vela ou trata do bem comum, senão cada um de seu bem particular” — para apresentar uma breve lista de exemplos do que é ou seria “ser republicano”. Vale citar alguns: “é crer na igualdade civil de todos, sem distinção de qualquer natureza; é crer na lei como garantia de liberdade; é saber que o Estado não é uma extensão da família, um clube de amigos, um grupo de companheiros; é repudiar práticas patrimonialistas, clientelistas e corporativistas; é acreditar que o Estado não tem dinheiro, que ele apenas administra o dinheiro pago pelo contribuinte; é saber que quem rouba o dinheiro público é ladrão do dinheiro de todos; é considerar que a administração eficiente e transparente do dinheiro público é dever do Estado e direito seu” (Carvalho, op. cit.). Essa lista, não exaustiva, talvez possa ajudar o leitor em sua própria avaliação, permitindo-lhe compreender por que o título dado a este livro por seus organizadores traz a expressão “em busca da República” após seus primeiros “130 anos”. A busca continua.

Nessa busca, lembremos que as interações — na prática, ainda que não na teoria — entre os mundos da economia, da política, do direito (e da psicologia social) nunca deixaram de existir. Afinal, são todas “disciplinas contíguas”, como afirmou Ronald Coase (1994), prêmio Nobel de Economia em 1991, durante muitos anos professor de Direito na Chicago Law School e autor do clássico The Problem of Social Cost (1960), um dos mais citados artigos sobre economia em todos os tempos. A relevância dos trabalhos interdisciplinares, como em Albert Hirschman, por exemplo, é cada vez mais amplamente reconhecida.

O livro que o leitor terá em mãos, ou em sua tela, é uma tentativa de mostrar que talvez as interações entre economistas, cientistas sociais/políticos, historiadores e advogados possam gerar perspectivas que cada disciplina, por si só, é incapaz de prover. Cabe ao leitor julgar se a tentativa foi exitosa, em especial no sentido de entender um pouco mais a longa e árdua jornada que nos trouxe até onde estamos, após 130 anos de busca por uma República digna desse nome.

 

*Pedro Malan foi ministro da Fazenda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, presidiu o Banco Central na implementação do Plano Real e foi o negociador responsável pela reestruturação da dívida externa brasileira no início da década de 1990. É autor de Uma certa ideia de Brasil: entre passado e futuro e um dos organizadores de 130 anos: Em busca da República.

teste7 vezes em que F*deu geral nos deu um choque de realidade

Mark Manson conquistou os leitores por sua habilidade de tratar com bom humor os grandes dilemas da vida. Seu livro A sutil arte de ligar o f*da-se, que vendeu mais de um milhão de exemplares no Brasil, ensina que quanto menos nos preocuparmos com o que não vale a pena, mais poderemos nos dedicar ao que realmente importa.

Já o novo livro apresenta uma nova e desconfortável ideia: o mundo está um completo caos e precisamos encontrar uma maneira de lidar com isso. Em F*deu geral, Manson mostra que criar estratégias de esperança pode nos ajudar a sobreviver nesse mundo complexo. Selecionamos 7 trechos do livro que são um verdadeiro choque de realidade e vão mudar sua percepção sobre a vida. Confira:

 

  1. A verdade desconfortável

Um dia, você e todos que você ama vão morrer. E com exceção de um pequeno grupo de pessoas por um intervalo extremamente breve de tempo, pouco do que você fizer ou disser vai significar alguma coisa. Esta é a Verdade Desconfortável da vida. Tudo que você pensa ou faz não passa de uma forma elaborada de evitar isso. Somos poeiras estelares irrelevantes, que toparam em um pontinho azul e perambulam sem rumo por ele. Imaginamos nossa própria importância. Inventamos nosso propósito; não somos nada.

 

  1. A suposição clássica

A Suposição Clássica é a crença de que a razão está no controle da nossa vida e de que temos que treinar as emoções para sentarem a bunda na cadeira e calarem a boca enquanto o adulto dirige. E então nos parabenizamos quando raptamos e mantemos as emoções em cárcere privado e elogiamos nosso próprio autocontrole. Mas o Carro da Consciência não funciona assim. Eis a verdade: o Cérebro Sensível (responsável pelas emoções) é quem dirige o Carro da Consciência. Dane-se se você se acha muito científico ou quantos títulos tem: você é gente como a gente, ok? Um robô doido, de carne e osso, conduzido pelo Cérebro Sensível que nem todo mundo.

 

  1. A caixa de Pandora

Existem muitas interpretações do mito da caixa de Pandora; a mais comum é que, embora os deuses tenham nos punido com todos os males do mundo, também nos equiparam com o antídoto para todos eles: a esperança. Pense nisso como o yin e o yang da eterna luta da humanidade: tudo está sempre fodido, mas quanto mais fodidas ficam as coisas, mais temos que mobilizar nossa esperança para sustentar e superar a situação.

 

  1. A esperança

Como um bisturi cirúrgico, a esperança pode salvar e destruir vidas. Pode nos inspirar e também acabar conosco. Assim como há maneiras de ser confiante de forma saudável e de forma destrutiva, e formas saudáveis e destrutivas de amar, o mesmo se aplica no caso da esperança. A diferença entre uma forma e outra nem sempre é óbvia.

 

  1. O heroísmo

Heroísmo não significa só ter coragem ou sagacidade. Esses elementos são comuns e usados muitas vezes de formas não heroicas. Ser heroico significa ter a habilidade de criar esperança onde ela não existe. De acender o fósforo que ilumina o breu. De mostrar a possibilidade de um mundo melhor — não um mundo melhor que queremos que exista, mas um que não sabíamos que poderia existir. De agir frente a uma situação em que tudo parece estar uma merda completa e de alguma maneira transformá-la em algo bom.

 

  1. A dor

A morte é psicologicamente necessária porque faz com que haja coisas em jogo. Algo a perder. Você nunca sabe o valor de alguma coisa até correr o risco de perdê-la. Não sabe pelo que está disposto a lutar, do que está disposto a abrir mão ou o que consegue sacrificar. A dor é a moeda dos nossos valores. Sem a dor da perda (ou da possibilidade de perder), fica impossível determinar o valor de qualquer coisa.

 

  1. A liberdade fake

Quanto mais opções nos dão (isto é, quanto mais “liberdade” temos), menos satisfeitos ficamos com qualquer das opções que escolhermos. Variedade não é liberdade. Variedade não passa de diferentes combinações da mesma merda insignificante. Esse é o problema de exaltar a liberdade em detrimento da consciência humana. Ter mais coisa não significa ser mais livre, e sim mais aprisionado pela ansiedade de termos escolhido ou não a melhor alternativa. Quanto mais opções temos, mais propensos ficamos a tratar a nós mesmos e aos outros como meios e não fins. Essa condição nos torna mais dependentes de ciclos infinitos de esperança.

testeA exuberante Cingapura e os traumas do passado

Em Ponti, Sharlene Teo passeia por três décadas da relação conturbada de Szu, Amisa e Circe para mostrar as marcas que as três mulheres deixaram umas nas outras. Através delas conhecemos a exótica cidade-Estado de Cingapura, uma região caracterizada por paisagens exóticas e contrastes culturais. Com seu livro de estreia, Sharlene foi elogiada por Ian McEwan.

 Dona de uma beleza estonteante, Amisa achou que seu papel no filme Ponti! iria alçá-la ao estrelato. Porém, longe de ser um sucesso de bilheteria, o filme tornou-se um clássico trash e Amisa nunca mais atuou. Anos mais tarde, sua filha adolescente Szu vive à sua sombra, intimidada por sua aparência e por sua falta de afeto. Sem amigos e mergulhada em inseguranças, Szu tenta impressionar quem estiver disposto a escutá-la, sem muito sucesso até conhecer Circe. Deslocadas, Szu e Circe se unem e constroem uma amizade intensa, um alívio para o ambiente tóxico controlado por Amisa. Mas não demora muito para que Circe fique fascinada pela intocável ex-atriz e as três estabeleçam uma dinâmica que irá marcá-las para sempre. Dezessete anos depois, Circe é obrigada a encarar o passado e lembrar dos erros que cometeu.

Contado pela perspectiva das três mulheres em momentos distintos de suas vidas, Ponti é uma história original sobre amizade e memória no breve espaço de algumas décadas. Um retrato generoso da avassaladora solidão da adolescência e um vislumbre de como pequenas e grandes tragédias podem nos tornar monstros.

O livro chegou primeiro para os assinantes do clube intrínsecos, que o receberam em uma edição especial com brindes que complementam a leitura! Saiba mais sobre o clube de assinatura da Intrínseca aqui e não perca nenhuma história.

testeCinco casos reais com crianças assustadoras

Histórias de assassinatos e assombrações são assustadoras por si só, mas quando os casos envolvem crianças, tudo se torna ainda mais apavorante. 

Em O que aconteceu com Annie, novo livro da autora de O Homem de Giz, Joe Thorne recebe um e-mail que o leva de volta para o passado: “Eu sei o que aconteceu com sua irmã. Está acontecendo de novo”. Obrigado a desenterrar segredos de décadas atrás, ele vai descobrir que algumas feridas não se fecham. 

Inspirados na pequena e não-tão-meiga Annie, separamos cinco casos reais de crianças macabras. Mas avisamos: não nos responsabilizamos pelos pesadelos que você pode ter após ler essa lista.

 

1. Beth Thomas, a menina psicopata

Ainda pequena, Beth e seu irmão foram adotados por um casal amoroso, pronto para dar todo o carinho possível para as crianças. Poucos meses depois, porém, ela apresentou indícios de que queria matar sua família. A criança de aparência angelical batia a cabeça do irmão no concreto, esfaqueava animais de estimação e se masturbava em público compulsivamente.

Um trecho de uma entrevista de A Ira de um Anjo, documentário de 1992 feito sobre a garotinha, mostra sua falta de remorso:

Dr. Ken: Seus pais têm medo de você?
Beth: Sim.
Dr. Ken: O que você quer fazer com eles?
Beth: Esfaqueá-los.

O casal não sabia, mas, antes de serem adotadas, as crianças foram abusadas pelo pai biológico. Beth tinha sonhos constantes em que um homem estranho caía em cima dela ou escalava seu corpo. Assim que os pais perceberam o comportamento agressivo, a internaram em um clínica especializada e iniciaram o tratamento. Beth cresceu, se recuperou, e hoje em dia é enfermeira, ajudando pessoas que passaram pela mesma situação que ela.

 

2. Os assassinos de 10 anos de idade

Em 1993, James Bulger, de três anos, passeava com a mãe no shopping da cidade.  Dois meninos, Jon Venables e Robert Thompson, o viram brincando sozinho afastado dos adultos e o levaram para longe. De mãos dadas, os três caminharam por 40 minutos, se distanciando do shopping. Quando adultos perguntavam o que estavam fazendo sozinhos, os mais velhos respondiam que eram irmãos voltando para casa. Chegando a uma estação de trem abandonada, Jon e Robert jogaram tinta, pedras e tijolos, chutaram, bateram e até a acertaram uma barra de ferro de mais de 10 quilos na cabeça do mais jovem. Mais de 42 lesões foram encontradas no corpo. O pequeno cadáver foi amarrado aos trilhos do trem, onde foi decepado ao meio.

Reconhecidos por testemunhas, os dois estão na lista de pessoas mais jovens a ir para cadeia, onde ficaram até atingir 18 anos, quando foram libertados e ganharam novas identidades. Em 2010, Jon Venables foi preso novamente, dessa vez por posse e distribuição de pornografia infantil, sendo condenado a dois anos de cadeia. Em 2018, ele foi preso mais uma vez pelo mesmo motivo.

 

3. A menina com 7.000 baratas de estimação

Desde que aprendeu a falar, Shelby Counterman pedia por insetos de estimação. Quando completou três anos, sua mãe finalmente atendeu ao pedido e a presenteou com cinco baratas.

Após Shelby secretamente misturar os machos e as fêmeas, a coleção cresceu e hoje conta com mais de 7.000 espécimes, que ficam em potes especiais e aquários com vaselina, para impedi-las de escapar e andar pela casa. Algumas baratas até dormem no quarto com a menina, que já está com 12 anos de idade. Ela tem tantos insetos que alguns servem de alimento para seu lagarto e sua tarântula.

 

 

4. A vida passada de James Leininger

 O pequeno James começou a ter pesadelos frequentes em que se encontrava preso em um avião em chamas. Após meses do mesmo pesadelo, relatou para seus pais que seu avião Corsair foi abatido perto de Iwo Jima em uma base militar chamada Natoma, ao sul do Japão, e que seu colega se chamava Jack Larsen.

Curiosos, os pais pesquisaram sobre a Segunda Guerra Mundial e o local mencionado. Ao passar por imagens de Iwo Jima, o menino apontou e afirmou que aquele era o local em que havia morrido. Pesquisando mais, descobriram que em 3 de março de 1945, um homem morreu na base Natoma: James M Hudson teve seu avião atingido, pegando fogo e caindo no Pacífico quando tinha apenas 21 anos. O jovem fora fotografado pilotando um Corsair e combateu ao lado de Jack Larsen.

Além dos pesadelos, a criança tinha um conhecimento avançado sobre aviões, estranho para um menino que só assistia desenhos animados. Quando a mãe lhe deu um avião de brinquedo, apontou e falou “aqui fica a bomba”, e o menino respondeu “Isso não é uma bomba, mamãe. É um tanque”. Além de estar correto em sua observação, ele sabia nomes específicos de aviões de guerra americanos e japoneses utilizados na época. Os pais levaram o garoto a um encontro de veteranos de guerra, durante o qual o menino reconheceu cada um dos ex-soldados pelo nome, sem nunca ter encontrado com eles.

A família entrou em contato com Anne Barron por telefone, a irmã do falecido James Hudson. Durante a conversa, a criança contou detalhes da vida pessoal do soldado, que Anne confirmou serem verdadeiros, como brinquedos de infância e o alcoolismo do pai. Depois de falar com James, ela ficou convencida de que ele era seu irmão renascido.

 

5. A verdadeira história do boneco Chucky

Poucos sabem, mas o filme Chucky – Brinquedo Assassino foi inspirado em um caso real. Em 1906, uma família endinheirada tinha o costume de maltratar suas empregadas. Uma delas, que entendia de magia negra e vodu, presenteou um dos membros da família, um garotinho de seis anos, com um boneco amaldiçoado. Logo os dois se tornaram inseparáveis. A criança deu seu primeiro nome – Robert – para o boneco, e pediu para o chamarem apenas de Gene, seu apelido.

A partir de então, os fenômenos mais bizarros passaram a acontecer. O pai percebeu que Gene falava com o boneco constantemente, e respondia a si mesmo com uma voz completamente diferente. Robert fora encontrado várias vezes em lugares onde não havia sido deixado. Vizinhos relataram avistar o boneco em pé olhando pela janela. Com medo, a mãe trancou o boneco em um quarto, e os vizinhos o avistaram rindo e se movimentando. Quando entraram para verificar, o quarto estava bagunçado, mesmo sem ninguém dentro.

Anos mais tarde, a família faleceu e o boneco permaneceu na casa, sendo encontrado pelos novos proprietários, que tinham uma filha pequena. A menina o elegeu como seu boneco preferido, mas, depois de um tempo, começou a acordar gritando alegando que Robert estava tentando matá-la.

Hoje em dia, o boneco está no Museu East Martello, na Flórida, onde os visitantes precisam pedir sua permissão para tirar foto. A lenda diz que quem tirar uma foto sem a autorização de Robert será amaldiçoado. 

 

BÔNUS: Até onde sabemos, a próxima história não é verdadeira, mas não recomendamos passear por minas abandonadas para comprovar.

 

6. O que aconteceu com Annie, de C. J. Tudor

Certa noite, Joe Thorne saiu escondido de casa para explorar uma mina abandonada com os amigos, sem saber que sua irmã mais nova, Annie, o seguia. Ninguém estava preparado para o que eles iriam encontrar ou para o que aconteceria a seguir.

Annie desapareceu naquela noite e só retornou dois dias depois. Mas estava diferente, não mais a criança risonha e carinhosa que Joe conhecia: era apenas uma casca macabra de quem fora um dia. 25 anos mais tarde, parece que os eventos estão se repetindo, e Joe retorna a sua cidade natal para investigar.

Desvende esse mistério no thriller O que aconteceu com Annie, da mesma autora de O Homem de Giz.

testeFeminista antes do seu tempo: conheça Lee Miller, a primeira fotógrafa de guerra

 

Apesar de ter sido uma figura de vanguarda tanto no meio artístico quando na fotografia, Lee Miler viveu vários anos escondida nas sombras. Muitas de suas obras foram erroneamente creditadas a outros artistas, como Man Ray – o famoso surrealista –, com quem viveu um romance e colaborou por anos. Juntos, inclusive, eles inventaram a técnica fotográfica da solarização.

Apesar das injustiças, Lee fez história ao ser a primeira mulher correspondente de guerra para a revista Vogue. É de sua autoria uma enorme quantidade de fotografias icônicas da Segunda Guerra Mundial, com destaque para a foto em que posa na banheira de Hitler, momentos depois do Führer fugir de Munique.

Whitney Scharer © Sharona Jacobs

Inspirada por sua difícil trajetória – que ainda conversa com os desafios enfrentados por muitas mulheres –, Whitney Scharer percebeu que a história de Lee Miller deveria ser contada em um livro. Certo dia, a escritora foi visitar uma exposição e voltou com uma ideia. Bacharel em História da Arte e Fotografia, professora de escrita criativa em Massachusetts, onde vive com o marido e dois filhos, Scharer já teve contos publicados em revistas especializadas, como a New Flash Fiction Review e Bellevue Literary Review. Mas não imaginava que aquela manhã de 2011 no Peabody Essex Museum lhe daria a melhor das desculpas para pesquisar sobre Paris — além do contrato para a publicação de seu romance de estreia, Tempo de luz.

Confira a entrevista com Whitney Scharer, que revelou seu processo de criação e inspirações:

 

Intrínseca: Por que escrever sobre Lee Miller?

Whitney Scharer: Descobri Lee Miller em 2011, na exposição “Parceiros no Surrealismo”, com obras dela e do Man Ray, no Peabody Essex Museum, em Massachusetts. Conhecia bem o trabalho de Man Ray, mas nunca tinha ouvido falar de Lee Miller, e enquanto caminhava pela exposição fiquei cada vez mais surpresa e incomodada pelo fato de o nome dela não ser tão conhecido. Os dois descobriram juntos a solarização. As fotografias de moda dela estiveram nas páginas da Vogue ao lado de fotógrafos famosos como Cecil Beaton e Edward Steichen. Ela se reinventou como a primeira mulher correspondente durante a Segunda Guerra Mundial e presenciou a abertura de campos de concentração. Quando Hitler fugiu de Munique, ela foi ao apartamento dele e usou sua banheira em uma sessão de fotos.

 

I: O que mais a atraiu nas fotos de Lee?

WS: Suas fotografias eram estranhas e íntimas, e ela própria era fascinante — queria viver como um homem em um mundo de homens, sexual, emocional e artisticamente. Quando saí da exposição já estava fascinada. Acho que fui atraída por sua convicção, ambição, modernidade. Meu maior desejo era fazer justiça ao que ela foi: uma feminista antes do seu tempo.

 

I: Por que escolheu a ficção para contar sua história?

WS: Existem ótimos livros de não ficção sobre a Lee — particularmente, adoro a biografia escrita por Carolyn Burke, Lee Miller: A Life. Sempre fui autora de ficção, e minha força como escritora está no lado visual e imaginativo, então nunca me ocorreu fazer um livro de não ficção sobre ela. Eu sabia que imaginando faria um trabalho melhor do que se usasse apenas os fatos.

 

I: Como foi o processo de pesquisa?

WS: Antes de começar a escrever, passei dois anos lendo e reunindo o que pude. Depois abandonei tudo e escrevi. A ficção precisa de espaço para respirar: ficar muito colada na pesquisa pode enfraquecer uma história.

I: Paris é quase uma personagem do seu livro. O que você descobriu sobre a cidade naquela época?

WS: Ter um motivo para estudar Paris foi um presente. Parece inacreditável o quanto de arte e literatura se desenvolveu ali no período entreguerras. Adorei pesquisar sobre as casas de diferentes artistas. Uma das minhas favoritas foi um prédio chamado La Ruche, em Montparnasse. As pessoas o chamavam de “colmeia” porque era um edifício grande e circular, com pequenos ambientes. Foi construído originalmente para ser uma adega durante a Grande Exposição de 1900, e depois transformado em moradia de baixo custo para artistas. Lá viveram Marc Chagall, Modigliani, Brancusi e Diego Rivera. Consegui incluir a descrição do lugar no livro porque fiquei encantada por ele.

 

I: A relação profissional entre Lee Miller e Man Ray nem sempre foi justa. Como você relaciona os desafios dela aos de mulheres no meio artístico hoje em dia?

WS: Infelizmente as mulheres enfrentam hoje muitos dos mesmos desafios da década de 1930. Eventos recentes nos Estados Unidos me fizeram ter certeza disso, e acho que a ascensão de movimentos como o #metoo serviu para mostrar o quanto ainda precisamos caminhar até alcançar a igualdade. Acho que o livro ressoa hoje por esse motivo: vemos nossas próprias lutas nos esforços de Lee para construir sua carreira e sair da sombra de um homem.

 

I: E quais são as principais contradições da personagem?

WS: Um dos aspectos mais interessantes sobre Lee não é sua confiança, mas a fragilidade. Ela esteve na posição de musa por toda a vida: inicialmente do pai, para quem posou nua ao longo da infância e da vida adulta, depois para todos os fotógrafos da Vogue e, em seguida, em Paris, para Man Ray. Esses homens a objetificaram, provocando traumas. Eles dificultaram sua conexão com outras pessoas e a deixaram emocional e sexualmente mais fechada. Acredito que muitas das decisões de Lee podem ser atribuídas a esses traumas.

 

I: Qual foi a reação dos primeiros leitores às personagens do livro?

WS: Os leitores se identificam com Lee e entendem a complexidade de seu relacionamento com Man Ray. Também tem sido interessante ouvir a reação dos que passaram a conhecer figuras históricas como Kiki de Montparnasse e Claude Cahun. Adoraria que Cahun se tornasse mais conhecida. Ela era lésbica e preferia usar pronomes sem inflexão de gênero, foi presa por fazer resistência aos nazistas e seus autorretratos influenciaram fotógrafas como Francesca Woodman e Cindy Sherman. Ficaria feliz se meus leitores procurassem saber mais sobre essas mulheres.

testeSorteio Twitter – Liane Moriarty [Encerrado]

Para celebrar a estreia da segunda temporada de Big Little Lies, série inspirada no livro de Liane Moriarty, vamos sortear 3 livros da autora!

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Atenção:
– Caso a mesma pessoa se inscreva mais de uma vez ela será desclassificada. Atenção: ao terminar de preencher o formulário aparece a mensagem “agradecemos a inscrição”. Espere a página carregar até o final para confirmar a inscrição
– Se você já ganhou um sorteio nos últimos 7 dias no Twitter ,você não poderá participar deste sorteio.
– O resultado será anunciado no dia 10 de junho, segunda-feira, em nosso perfil no Twitter . Boa sorte!

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