Clube de Leitura

Clube de leitura: A visita cruel do tempo

10 / agosto / 2016

Por Bruno Leite*

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Depois de um ano de clube de leitura, já conversamos sobre várias obras que aguçaram, de muitas formas, nossas percepções do que consideramos “leitura” e do que é “ser leitor”. Muitos livros nos deixaram alucinados, torcendo, chorando, com o coração sangrando e até nos levaram a produzir fanfics — como descobrimos nos nossos encontros sobre os romances de Jojo Moyes, O leitor do trem das 6h27 e A verdade sobre o caso Harry Quebert. Quebramos a cabeça com as intrincadas tramas de Até você ser minha, S., e A febre. Rimos e nos deleitamos com Alucinadamente feliz… Mas acredito que nada nos fará refletir tanto quanto A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan.

Mediar um bate-papo sobre o romance de Egan (uma vencedora do Pultizer de Ficção!) será um salto muito grande para mim: engasgo toda vez que tento descrever este livro, as palavras me escapam… Mas vamos lá! Simplificando: A visita cruel do tempo apresenta, por meio de inúmeros pontos de vista, as histórias de um grupo de pessoas que têm algum tipo de ligação com o produtor musical Bennie Salazar. Cada capítulo é narrado por um desses personagens, com uma linguagem e em um tempo diferentes, formando assim um grande painel de relatos e de situações ao longo de quase 50 anos. (Esse cálculo é só um chute. Desculpem-me. Sou de humanas.)

Bennie-Salazar-Mixtape

Existe na obra uma unidade musical e, obrigado, Bennie, por isso! O punk, o post punk, o hardcore, está tudo lá, e a trilha sonora vai permeando o livro de som e fúria, fazendo com que as máculas de cada personagem se transformem em combustível para que eles mesmos façam o romance avançar. E vocês: o que vocês acham da trilha? Foi apropriada? Já conheciam alguns dos artistas citados? Tem algum outro a indicar? Aliás, se vocês ainda não ouviram, eu compilei (quase) todos eles nessa playlist:

>> Leia mais sobre Bennie Salazar

Outra força muito importante do livro são as memórias, que nada mais são do que uma maneira orgânica de trazer o tempo passado para o presente e mostrar seus desdobramentos no futuro. Vocês enxergam isso como um recurso da autora para manifestar o estilhaçamento dos sonhos dos personagens? Vale acreditar que as memórias são cruéis com os personagens por fazer com que eles se conscientizem de suas fraquezas?

>> Leia também: Grandes pausas do rock’n’roll, por Jennifer Egan

Notei que a síndrome de impostor tem sido bem divulgada — a saber, aquela pressão que todo mundo sente ao pensar que talvez os outros não nos considerem tão bons, ou, pior, que na verdade somos pura mentira e carão, o que nos força a fazer mais e melhor — e, no linguajar corporativo, ela faz todo sentido. Mas, transpondo isso para a personagem que mais amo nesse livro, a Sasha, vocês acham que o baú de guardados dela, as pressões e as sabotagens a que ela se presta representam isso? O que vocês acharam da Sasha?

No tarô de Marselha, temos a carta do Juízo Final, que, por mais que tenha esse nome medonho, significa que você terá exatamente aquilo que cultivou, que é a hora de colher os frutos da terra. Vocês acreditam que essa carta representa com perfeição o destino de todos os personagens? Houve pessoas que não mereceram a implacável visita do tempo? Para quem ela foi mais generosa?

Essas e outras impressões serão discutidas com muito pó de ouro — sim, providenciaremos! — no dia 11 de agosto, no auditório da Livraria Cultura do Shopping Bourbon. Para se inscrever, vocês já sabem: basta mandar um e-mail para o renato.costa@livrariacultura.com.br informando nome e colocando logo em baixo a palavra SARDAS, com três exclamações.

 

Bruno Leite é estudante de Letras, trabalha há oito anos no mercado editorial e é colaborador no blog O Espanador.

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Comentários

2 Respostas para “Clube de leitura: A visita cruel do tempo

  1. Olá, não entendemos sua pergunta. Você pode fazer resenhas de quaisquer livros. 😉

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