Listas

Livros para celebrar a representatividade LGBTQI+

17 / maio / 2021

Por Taila Lima*

 

Lutar contra a homofobia é uma tarefa diária que abarca desde atos gigantes até os pequeninos. Desde participar de manifestações até corrigir aquele comentário preconceituoso de um amigo ou colega de trabalho. Todo pequeno ato é, em si, um grande gesto. 

Na lista de pequenos-grandes movimentos está a representatividade, um assunto que vem sendo cada vez mais cobrado e discutido nos últimos anos. A luta por representatividade vem abrindo espaço não só para a comunidade LGBTQI+, mas para todos os grupos que passaram tempo demais sendo oprimidos e apagados. Um dia quero voltar aqui e escrever “Não precisamos mais cobrar representatividade LGBTQI+ em produções culturais porque tudo foi resolvido!!!!”, mas infelizmente esse dia não é hoje e ainda vamos enfrentar um longo caminho até chegarmos lá. Tudo bem, porque, além de lésbica, nasci otimista e brasileira, então esperança é o que não falta aqui. 

Cresci tentando me encontrar em filmes, livros e séries. Não foi uma tarefa fácil, já que, apesar de termos poucas produções LGBTQI+ atualmente, as opções eram ainda mais escassas alguns anos atrás. Assim, passei minha adolescência em uma longa busca por filmes B de baixo orçamento que retratassem qualquer tipo de personagem queer, me emocionando com as dores e lutas que eu compartilhava com cada um. Me ver nas telas, nas páginas ou nos palcos foi essencial para entender quem eu era e todas as possibilidades que eu poderia abraçar. Por isso, grito e repito aos quatro ventos a importância da representatividade para a formação de uma sociedade mais compreensiva. E agora, no Dia Internacional Contra a Homofobia, tenho a oportunidade de recomendar algumas histórias LGBTQI+ que eu gostaria de ter conhecido antes. 

Vou começar com o meu queridinho, Me chame pelo seu nome. Na trama, Elio fica instantaneamente atraído pelo americano com quem passará o verão em sua casa na Itália. Ao longo das semanas seguintes, crescem o desejo e a paixão um pelo outro, como também o medo e a hesitação. O livro de André Aciman e a adaptação de Luca Guadagnino são histórias de como o primeiro amor nos consome e sobre as cicatrizes deixadas por ele. Se permitir amar é assustador e doloroso, mas profundamente recompensador.

A sequência Me encontre, que narra a vida dos personagens anos depois dos acontecimentos do primeiro livro, e Variações Enigma, do mesmo autor, possuem um fio condutor parecido que explora a poesia da incerteza de amar e ser amado. 

Já que estamos falando de livros emocionantes, Boy Erased narra a história real de Garrard Conley, que cresceu em uma comunidade religiosa conservadora e, aos 19 anos, foi enviado a um acampamento de “conversão sexual”. As torturas psicológicas praticadas no retiro são desoladoras, mas Garrard conseguiu se recuperar, se tornou ativista e hoje luta para que esse tipo de instituição seja banida no mundo. 

Principalmente quando se trata de um caso real, é importantíssimo olharmos para essas dolorosas histórias de luta. Mas às vezes precisamos de algo leve e fofo para recuperar nossas energias. Então, vamos falar de Com amor, Simon, que acompanha um adolescente se apaixonando por um menino anônimo de sua escola e que precisa decidir como sair do armário para seus amigos e familiares. Quando li esse livro, fiquei com vontade de dá-lo de presente a todos os jovens do mundo. A obra foi adaptada para os cinemas e se tornou o primeiro filme teen de um grande estúdio a focar em um relacionamento LGBTQI+. Quando sentei naquela sala de cinema, senti que meu eu do passado, aquela que precisava cavar em lugares obscuros da internet para assistir a um filme que me representasse, explodia de orgulho. Ainda estamos caminhando a passos lentos, mas hoje já é possível encontrar algumas produções (felizes) focadas em romances LGBTQI+ (sem mortes desnecessárias).  

Além de preconceitos pelo mundo afora, LGBTQI’s também precisam enfrentar desigualdades dentro da própria comunidade porque, quando somos representados em produtos culturais, o protagonismo normalmente recai nos homens gays (principalmente os brancos). Um dos mil e um benefícios de termos histórias mais diversas ganhando espaço é também ver o foco se dividir entre as outras letras da sigla. 

Leah fora de sintonia, sequência de Com amor, Simon, acompanha o crush secreto de Leah por uma menina. Esse livro é para todas as sáficas que se apaixonaram por suas amigas (supostamente héteros) e ficaram se perguntando se aquele olhar era realmente só amizade ou se tinha algo mais por trás (spoiler: tem algo mais por trás!!!!). 

Chegando na letra T da sigla, Apenas uma garota narra a trajetória de Amanda, que, após uma agressão, muda de cidade e começa a sair com o menino mais popular do novo colégio. Mas Amanda esconde um segredo: ela é trans. A história inspirada na vida da autora retrata o delicado processo de ressignificação sexual de uma adolescente. 

Sabe outra vantagem de mais produções LGBTQI+? Ver histórias que vão além da descoberta e da saída do armário. Por muito tempo esse foi o foco principal das tramas, mas tenho um segredo para contar: a gente faz muita coisa depois de sair do armário. Temos uma diversidade de questões que ainda não são muito bem exploradas nas telas ou nas páginas. 

 É aí que entra Laura Dean vive terminando comigo. Freddy namora Lara Dean, a menina mais bonita e popular do colégio. Mas o que Lara Dean tem de carisma, também tem de crueldade, e o namoro acaba afastando Freddy de seus amigos e família. O belíssimo quadrinho vencedor do Eisner aborda um assunto pouco falado, o relacionamento tóxico entre mulheres. 

A próxima dica é especial para quem curte Glee e/ou grandes gestos de amor. Da parceria de Becky Albertalli com Adam Silveira nasceu E se fosse a gente, o livro mais musical e boiolinha que você vai encontrar nas prateleiras. Imagina um adolescente inocente e deslumbrado passando o verão em Nova York. Esse é o Arthur. Agora imagina um cara de coração partido completamente desacreditado no romance. Esse é o Ben. Os dois se encontram por acaso e sentem uma faísca, mas seguem caminhos opostos sem nem mesmo saber o nome um do outro. Como eles poderão se encontrar novamente? Essa é a comédia romântica que você precisa para renovar as esperanças na humanidade. <3 

Por último, mas não menos importante, temos Leopardo Negro, Lobo Vermelho, do premiado Marlon James. Na trama, o Rastreador embarca em uma missão com um único propósito: descobrir o paradeiro de um menino que pode ser o herdeiro legítimo de um poderoso império. A obra de fantasia é bem diferente dos livros anteriores dessa lista, não só por seu gênero, mas também pela forma como os personagens queer são retratados. Em suas pesquisas, o autor encontrou exemplos de antigas sociedades africanas que eram bastante abertas à homossexualidade. Por isso, os personagens LGBTQI+ em Leopardo Negro, Lobo Vermelho são apresentados de forma muito natural, sem nunca serem questionados ou reprimidos pela comunidade ao redor.

Pode até parecer pequeno para alguns, mas, quando olho para essa lista, penso na luta de milhares de pessoas LGBTQI+ ao redor do mundo, em todos os pequenos e grandes gestos, em todo o caminho percorrido até agora e em toda a estrada que temos pela frente. E me encho de orgulho. 

 

*Taila Lima é publicitária, podcaster do Sem Shrink nas horas vagas e até hoje vasculha a internet em busca de histórias que a representem.   

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