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O lado pop de Stephen Hawking

9 / janeiro / 2019

Por Bruno Grandis*

 

“Eu fui bem popular no meu tempo. Alguns até leram meus livros.”

Esse é um trechinho do que se revelou a última participação pública de Stephen Hawking, como a voz do livro que dá título ao Guia do mochileiro das galáxias em uma adaptação de rádio para a BBC, poucos dias antes de sua morte, em março de 2018. Hawking era assim, aparecia nas notícias ora com uma revelação sobre as engrenagens que movem o nosso universo, ora fazendo aparições constantemente surpreendentes na cultura pop –  e dava a mesma importância para ambos.

No lado pop, Hawking era quase um buraco negro para a atenção de qualquer um quando surgia em cena. Foram incontáveis participações surpresa em desenhos como Futurama e Os Simpsons, e comédias como The Big Bang Theory (no qual era um personagem quase recorrente, de tantas vezes que apareceu na série). O primeiro de seus grandes momentos na televisão foi jogando pôquer com Sir Isaac Newton, Albert Einstein e o androide Data em um episódio de Star Trek: A Nova Geração. Infelizmente, Hawking foi o único cientista-celebridade interpretando a si mesmo:

 

 

 

Breves respostas para grandes questões é provavelmente o melhor ponto de partida para conhecer a obra de Hawking fora da cultura pop. Com capítulos curtos, dedicados a responder cada uma das dez grandes perguntas, fica evidente o conhecido senso de humor, as reflexões otimistas, os conselhos para todos nós. Em uma única obra, Hawking parece nos deixar o caminho que ele acreditava ser o melhor para tomarmos coletivamente rumo a um futuro melhor. Como o próprio fala, “somos uma única espécie, um único planeta”. Do lado científico, o que mais pode ser dito sobre a contribuição de Hawking para o mundo? Seu talento para ensinar está exposto em seus livros sobre astrofísica, sua autobiografia ou mesmo em artigos como os de Amâncio Friaça disponíveis aqui no blog da Intrínseca.

Em seu último livro, Hawking estava analisando interrogações que somente ele seria capaz de tornar compreensíveis: Deus existe? A viagem no tempo é possível? Sobreviveremos na Terra? Em sua argumentação, Hawking parecia de certa forma considerar que seu tempo em nosso pálido ponto azul estava chegando ao fim.

É um grande clichê comparar o legado de uma pessoa com um filme. O inspirado na biografia de Hawking não apenas existe como deu um Oscar de melhor ator a seu intérprete, Eddie Redmayne, que após a produção se tornou amigo da família e assina o prefácio deste que se tornou o último livro do astrofísico. Um filme sobre Hawking, entretanto, é pouco para explicar a importância de seu legado.

Hawking transformou o pesadelo de se ver preso no próprio corpo em um castelo de conhecimento, esperança e sabedoria. Sua partida é um acontecimento não apenas para a astrofísica, mas para o entretenimento, e ainda precisaremos de um tempo até outra figura que mescle o carisma e conhecimento de Hawking, Carl Sagan ou Einstein surja para reestabelecer esta ponte entre ciência e cultura pop.

Até mais, Stephen, e obrigado pelos peixes.

 

*Bruno Grandis é uma dessas pessoas que faz de tudo um pouco nesse mundo, entre podcasts, publicidade, música e redes sociais. Oitenta por cento disso aprendido quando era assistente de mídias sociais na Intrínseca.

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Comentários

2 Respostas para “O lado pop de Stephen Hawking

  1. Neyl DeGrasse Tyson ocupa o posto de porta-voz da ciência na cultura pop.

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