Breve ensaio sobre a espera

Por Maurício Gomyde

18 / junho / 2015

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Passamos a vida esperando. Esperamos para nascer, então crescemos e vivemos tudo ali, só na espera, que é 2/3 de um dos sentimentos mais nobres de que se tem notícia: Esperança. E como essa última é a que morre por último, até a morte há tempo de esperar.

Pedros Pedreiros esperando, esperando…

A criança espera pelo presente, beijo da mãe, pai-super-herói chegando ao fim do dia, conto de fadas antes de dormir. O adulto, pelo futuro, aumento, romance de cinema, pela promoção, viagem dos sonhos. E o velho, pela morte, esperando que do outro lado o estejam esperando, de braços abertos, pessoas queridas que se foram antes.

O escritor espera pelo sopro de ideia que começará uma história. Em seguida, que suas páginas cheguem ao leitor com a força de um tufão. O músico, pelo lampejo de melodia que puxará a letra que desembocará no refrão inesquecível, cantado por multidões, cada qual em seu chuveiro. O mágico, pelo espanto; o palhaço pela gargalhada ao fim de seus novos números. E todo mundo gasta tempo na espera pelo dia em que finalmente terá tempo de sobra e a vida, enfim, vai ficar perfeita.

Esperando, esperando…

Saber esperar, dizem, é ato de sabedoria. Mas acho que não se conformar com a demora, também. Porque a vida pode ser uma só, e é melhor não esperar demais. Pois aquele 1/3 que sobra da Esperança há de ser feito de ação, de emoção, de antecipação dos desejos e sonhos. E se eles por acaso não se realizarem, tudo bem, paciência. Espera-se, então, um plano maior que explique por que não.

Hoje, só espero até setembro, quando a ação vai recomeçar. A emoção, por outro lado, nunca pausa. Casa nova, livro novo, novas ondas, letras, sons e histórias.

Vida nova. Primavera.

Assim espero.

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Maurício Gomyde é autor de Surpreendente!. Paulista de nascimento, mas considera que a paixão pelo céu mais belo do mundo alterou seu DNA para brasiliense. Tem música no sangue, é baterista, cinco romances publicados e uma mochila cheia de histórias para contar. O primeiro livro pela Intrínseca sai em 2015.
Maurício escreve, quinzenalmente, às quartas.

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Comentários

14 Respostas para “Breve ensaio sobre a espera

  1. Como eu adoro o jeito deste menino em escrever! Sempre tão simples e direto.

  2. E eu espero ansiosamente pelo novo livro. Muuuita vontade de conhecer a nova historia. Sou apaixonada pelas historias dele.

  3. E que venha setembro! E ao chegar, a certeza que a espera valeu muito pena! !

  4. Amei, amei, ameiiii!
    Estou muitoooooooo ansiosa por esse livro! Meu Deus, cadê setembro??
    Maurício, parabéns por essa nova estrada! Admiro demais o seu trabalho e fico muito feliz em ver o seu sucesso!
    Beijooos!

  5. Emocionante seu artigo Maurício! !!!! Você continua se superando!!!!!! Parabéns! !!!! Abçs

  6. Uma pena que esse breve ensaio tenha sido tão breve mesmo! Adoro qualquer coisa que você escreve! Sabendo que vem novidade por aí, já estou desenvolvendo a sabedoria da espera até setembro (mas juro que não vai ser nada fácil rs)…

    Parabéns por todas as novas conquistas e sucesso sempre Maurício!

  7. Sentada aqui lendo suas palavras, percebi que “O fio de esperança” pode ser atrelado a outros fios . Ao fio da amizade, do carinho, da tolerãncia, da solidariedade, da família e do amor. E atrelados ao fio da esperança torna-se mais forte, podendo resistir por longo tempo, até que o dia D aconteça, ou não. Mas, acima de tudo, ter pessoas ao nosso lado, nos apoiando e alegrando, faz com que essa espera seja menos tortuosa. Nunca esqueço o versículo: Quero trazer à memória aquilo que me dá esperança. E por mais dificil que a vida seja, são das coisas boas que tiro um tantinho de força.
    Linda mensagem Maurício, espero poder guardar ela em minha memória para atrelar-=se aos meus fios e fortalecer a minha esperança.

  8. Meu nobre amigo …
    Já esperava esse caminho …
    Onde as palavras que se destacam são ispiração , talento , esforço e sucesso!!

  9. O Maurivio domina com maestria a dificilima arte de ser sucinto e profundo.

  10. Parabéns Gomyde que texto lindo, você como ninguém sabe como nos emocionar, resta esperar até setembro pelo seu novo Best – Seler abraco.

  11. Como sempre, um texto emocionante e belo. Então vamos gastar o nosso 1/3 tendo Esperança do verbo Esperançar, que é buscar, agir pelo q almeja e pelos sonhos, ao contrário de só esperar. Meu avô materno dizia q qdo acaba a esperança, acaba o homem, e ele morre vivo. Esperançar nos dá força! Enquanto aguardamos setembro, proveitaremos os 1/3!!! Um brinde a ele!

  12. Foi bom esperar pelo seu artigo… pra lembrar que quanto menos esperamos parados, mas agindo, mais a espera nos recompensa com novas esperanças: de sonhos alcançados, de novos sonhos. Já estou esperando pelo próximo!

  13. Qual a previsão de lançamento do novo livro do Maurício? Durante a bienal do Rio? Já tem título? Ansiedade define.

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