Pedro Diniz tem um desafio e um problema pela frente. O desafio: filmar um roteiro magnífico capaz de surpreender o público e conquistar o maior prêmio do cinema brasileiro. O problema: não ter ideia de como fazer isso.

Aos 25 anos, recém-formado, Pedro está convencido de que é um sujeito muito especial, que tem a missão de usar o cinema como instrumento para melhorar o mundo. Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. Enquanto comanda o último cineclube de São Paulo e trabalha em uma videolocadora na periferia, Pedro planeja seu próximo filme, a obra que vai consagrá-lo. E, para animar as coisas, conhece a intrigante Cristal, uma ruivinha decidida, garçonete e estudante de física nuclear, que mexe com seu coração.

A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos Fit, Mayla e Cristal numa longa viagem até Pirenópolis, em Goiás, a bordo de um Opala envenenado. Com câmeras nas mãos e espírito de aventura, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade na filmagem feita na estrada ao sabor de encontros inesperados e de sentimentos imprevisíveis. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amigos.

O autor

Maurício Gomyde nasceu em São Paulo e desde os três anos de idade vive em Brasília – “disparado a cidade mais bonita do mundo”. Surpreendente! é seu sexto romance. Além de escritor, ele também é compositor e baterista.

Colunas

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Maurício Gomyde na Bienal

O autor estará no encontro de blogueiros da Intrínseca na Bienal do Livro, no Rio, dia 12/09

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Jogo da velha

A vida é como um jogo da velha. Quando os jogadores aprendem seus segredos, o resultado sempre dá velha.

Personagens

Pedro Diniz

Jovem cineasta plenamente convencido de que possui a missão de ajudar pessoas por meio de sua arte. Mesmo quase cego, ele produz filmes divertidos e apresenta obras inspiradoras no Subcultural, o último cineclube de São Paulo. Também aluga do próprio bolso, para os clientes mais humildes da videolocadora onde trabalha, clássicos que podem "fazer alguma diferença" em suas vidas. Seu grande sonho é vencer o maior prêmio do cinema brasileiro.

Fit

O melhor montador de filmes que Pedro conhece e a única pessoa que ele pode chamar de amigo de verdade. É fanático por animações antigas e quase todas as suas frases de efeito são baseadas nesses grandes clássicos, como Pernalonga, Hardy e Dick Vigarista. Se for necessário aprontar loucuras para realizar o maior road movie de todos os tempos, ele sempre estará a postos.

Cristal

A ruiva dos olhos de cor chartreuse. É garçonete do Cultural. Estudante de física nuclear, está se especializando em determinar a idade de fósseis e de obras de arte antigas. Acha que se passamos toda a vida sem fazer algo excepcional por alguém, viver não terá valido a pena.

Mayla

"A menina mais criativa de toda a região." Fit acha que ela é uma coisinha fofa, e Pedro considera um absurdo alguém, em pleno século XXI, chamar uma menina linda de "coisinha fofa". Trabalha como caixa no Cultural, mas nunca bebeu. É engraçada, acabou de fazer dezoito anos e não se lembra do nome de quase nenhum filme.

Quarto do pedro

O lugar mais colorido do mundo

Meu escritório é o lugar mais colorido do mundo. Um jardim de objetos. Há quase todas as cores possíveis e imagináveis. E acho que sou capaz até de lembrar o nome de cada uma delas, mesmo as mais raras: azul-ardósia, água-marinha, borgonha, ferrugem... Vou considerar o escritório completo quando encontrar objetos com as cores que são “meus três santos-graais”: carmesim, chartreuse e azure. Chamem-me de louco, mas a loucura é feita, em sua grande maioria, de coisas belas e difíceis de encontrar.

Fiz isso porque existe a possibilidade de algum dia eu não mais ver cores. É a vida, não dá para lutar contra a natureza. Nesse caso, nada melhor do que também guardar na mente cores além daqueles tons puros de azul, vermelho e amarelo. Tapetes, quadros, móbile, poltronas, prateleiras, cada qual em uma tonalidade. Nada muito pensado, não entendo de decoração. É colorido? Então entra.

Os itens mais importantes nessa profusão de cores são aqueles que chamo de “os instrumentos da santíssima trindade para salvar o ser humano da derrota como espécie: os livros, os discos e os filmes. O Pai é a música. O Filho, a literatura. E o Espírito Santo tem uma câmera na mão e uma ideia na cabeça.

Os livros, arrumo na prateleira por cor. Se não é o método mais eficiente para encontrar um título, ficam sempre muito bem na foto. Os discos, de vinil em sua maioria e empilhados no canto com partes de suas capas à mostra, trazem-me saudade de um tempo que não vivi: aquele em que as pessoas entendiam o conceito de álbum, como o trabalho completo e coerente de um artista. E, por fim, os filmes. Ah, os filmes! Os pôsteres e DVD’s de meus prediletos, algumas capas até em preto e branco, mas que trazem à memória cenas coloridas e cheias de ação, drama, romance ou diversão. Todas experiências que transcendem a visão por si só incríveis.

Esse é meu universo. E todos estão convidados a entrar e se surpreender.

Clube da Luta
de Chuck Palahniuk

Tanto o livro quanto o filme são um soco na boca do estômago do consumismo, da sociedade fútil, da vida vazia.

Trilogia Senhor dos Anéis
de J. R. R. Tolkien

Os três filmes são muito bons. O universo de Tolkien foi magistralmente levado à tela e a quantidade de Oscars obtida pela trilogia (17) não foi à toa.

A culpa é das estrelas
de John Green

Quando terminei este livro, torci para que não fizessem um filme, pois me parecia bom demais e certamente iam enterrar sua magia. Mas fui obrigado a me render, porque o filme é realmente muito bom.

Um sonho de liberdade
de Frank Darabont

Baseado numa novela de Stephen King, chamada Rita Hayworth and Shawshank Redemption. É meu filme favorito.

O poderoso chefão
de Mario Puzo

Esse dispensa apresentações. Tudo o que foi dito a respeito já indica a importância da obra. O livro é perfeito. Quem não leu, faça o favor de ler.

A menina que roubava livros
de Markus Zusak

Admito, admito. Neste caso, assisti primeiro ao filme e só depois fui para o livro. Foi um caso reverso de constatação, de que o livro era tão bom quanto o filme.

As vantagens de ser invisível
de Stephen Chbosky

Se eu fosse escritor, queria ter escrito este livro e composto o personagem Charlie — que personagem! —. O filme é muito bom, podem assistir sem medo.

Garota Exemplar
de Gillian Flynn

Foi um caso único em que fui lendo o livro e assistindo ao filme ao mesmo tempo — sim, isso é possível! —. Eu não tinha terminado ainda o livro e comecei a assistir ao filme. Quando chegou a parte em que eu estava lendo, parei de assistir e voltei ao livro. Li até o fim e depois terminei o filme. A atuação de Rosamund Pike é memorável e arrepiante, em todos os sentidos.

Mesmo se nada der certo

Keira Knightley e Mark Ruffalo
Uma compositora toma um passa-fora do namorado ("quase" um Adam Levine, do Marron 5), no momento em que ele começa a fazer sucesso. Então ela é descoberta por um produtor musical decadente em um bar, onde dá uma canja com uma de suas canções. A cena memorável: aquela em que o produtor "ouve e vê" o arranjo completo da música cantada apenas no violão e descobre, ali, um tesouro artístico. Os dois decidem gravar um disco nos lugares mais inusitados de Nova York. Terminei o filme querendo ser o produtor. Podia ser a Keira também, sem problemas.

Tudo acontece em Elizabethtown

Kirsten Dunst e Orlando Bloom
Um designer bola um tênis futurista que é um fracasso tremendo e dá o prejuízo de quase um bilhão de dólares a uma empresa. Ele então recebe a notícia de que seu pai morreu e deseja ser cremado em Elizabethtown. No caminho até lá, conhece uma aeromoça que vai mudar sua vida. A cena memorável: a festa em homenagem ao pai, em que a banda toca Free Bird, do Lynyrd Skynyrd, tudo pega fogo e a banda continua tocando. Terminei o filme querendo fazer a viagem de carro que o personagem principal faz no fim da história.

Questão de Tempo

Rachel McAdams e Domhnall Gleeson
Adoro filmes britânicos, essa é a verdade. Imagine que todos os homens de uma determinada família conseguem viajar no tempo. O filme é belíssimo e cheio de pequenas lições. A cena memorável: quando pai e filho voltam juntos para reviver um momento perdido no tempo, numa praia. Terminei o filme querendo ter o dom de viajar no tempo. Simples assim.

Noite de Ano Novo

Tantos atores que nem dá para citar aqui, como Michelle Pfeiffer, Robert De Niro e Jon Bon Jovi
Várias histórias entrelaçadas pelo evento da virada do ano. Quase todas são muito boas e o filme é bem divertido. A cena memorável: a dança final, com todos os personagens ao som de “Raise your Glass” (Pink). Terminei o filme amaldiçoando algumas das minhas festas de fim de ano e desejando um dia fazer parte de uma assim.

Se enlouquecer, não se apaixone

Emma Roberts, Keir Gilchrist e Zach Galifianakis
Esse filme pouca gente viu (ou pelo menos ouvi pouco falar dele). Um garoto tenta se matar e é internado em uma clínica psiquiátrica por uma semana, para cumprir um programa de reabilitação. Lá ele conhece pessoas com problemas muito maiores do que os dele e acontecem cenas divertidas e emocionantes, intercaladas por trechos em quadrinhos. A cena memorável: quando os internos cantam, juntos, "Under Pressure", do Queen + David Bowie. Terminei o filme desejando ter amigos como aqueles, por mais "loucos" que parecessem.