Ao ilustreportador do nome que minha sanidade se recusa a pronunciar

Ao ilustreportador do nome que minha sanidade se recusa a pronunciar

Querido evento canônico da minha adolescência
Acho que você nunca vai ler isso.
Na verdade...
espero que nunca leia.

Porque existem sentimentos que só sobrevivem enquanto permanecem escondidos.
E talvez você seja um deles.
Em maio eu percebi que alguma coisa mudou.
Você sorriu para mim no corredor.
Foi um sorriso simples.
Provavelmente automático.
Mas eu passei o resto do dia inteiro tentando entender por que ele resolveu morar na minha cabeça.

É ridículo.

Você é só um homem

Mimado.

Convencido.

Insuportavelmente bonito.

E, contra toda lógica possível...
eu comecei a gostar de você.
E isso é um problema enorme.

Você lembra da escada do segundo andar?

Provavelmente não.

Mas eu lembro.

Eu lembro de cada degrau.
De cada segundo.
Da distância entre nós ficando cada vez menor.
Eu realmente achei que você ia me beijar.
Por um segundo...
o mundo pareceu prender a respiração.

Aí a professora apareceu.
E o universo resolveu rir da minha cara.
Passei o resto daquele dia convencendo a mim mesma de que tinha imaginado tudo.
Só nas férias eu percebi que talvez aquele momento tivesse sido real.

E desde então...

toda vez que passo por aquela escada,
ela deixa de ser concreto.
Ela vira memória.
Ela vira você.

Depois veio o trabalho

Você nunca vai saber disso.

Mas eu chorei.

E a culpa foi sua.

Eu vi você carregando uma menina no colo.
Me recuso a te dar mais detalhes.
Achei que vocês estavam juntos.
Achei que tinha perdido alguma coisa que, na verdade...

eu nunca tive.

Saí da sala.
Fui para o banheiro.
E chorei.
Chorei como eu nunca tinha chorado por ninguém.

Um dia inteiro.

Eu odeio chorar.

Principalmente por alguém que nem fazia ideia da guerra acontecendo dentro de mim.

Quase 1 ano depois perguntei para ela.
Ela disse que não existia nada entre vocês.
Eu acreditei sinceramente acreditei.
Mas algumas dores continuam existindo mesmo quando a verdade chega.

Foi então que eu tomei uma decisão naquela quarta - feira tenebrosa.
Decidi que te odiava.
Você é convencido.

Egocêntrico.

Lerdo.

Sonso.

Irritantemente sonso.

Só não te chamo de burro porque inteligência definitivamente não é um problema seu.

E quem beija + de seis pessoas numa única noite?
isso não é normal.
Tenho quase certeza de que você deve carregar alguma maldição.

Ou herpes.

Talvez os dois.

Naquele dia prometi que nunca mais olharia para você.
Mentira.
No dia seguinte eu já estava procurando você pelos corredores.

Você virou esse hábito ridículo que eu nunca consegui abandonar.

Até que aconteceu de novo.

Eu estava rindo com a abby.
A gente ria sem conseguir respirar.
Então eu virei.
E dei de cara com você.

Você me olhou.

Eu olhei para você.

E o universo inteiro resolveu apertar o botão de pausa.
Você me abraçou.
E, naquele abraço,

eu descobri uma coisa terrível.

Eu não tinha superado absolutamente nada.
Meu coração continuava exatamente onde eu o deixei:nas suas mãos.
Mesmo que você nunca tenha percebido.
Depois eu fiz a coisa mais corajosa da minha vida.

Te mandei mensagem.

Passei quase quarenta minutos encarando o botão "Enviar".
Achando que você ia responder com duas palavras.
Ou talvez nem responder.

Mas você respondeu.

Não...

você escreveu uma redação.

Li uma.

Depois outra.

Depois todas de novo.

Perdi as contas de quantas vezes reli cada palavra.
Nunca imaginei que uma conversa sobre estágio pudesse aquecer tanto um coração.
Você respondeu dúvidas que eu nem sabia que tinha.
Respondeu com cuidado.

Com tempo.

Com atenção.

E, pela primeira vez,

você destruiu a pior imagem que eu tinha criado de você.

Eu respondi.

E então...

silêncio.

Você nunca respondeu de volta.
Olha, eu até te dei um passe livre para demorar.
Mas não para desaparecer, seu bocó.
Talvez você tenha esquecido.
Talvez estivesse ocupado.
Talvez simplesmente a conversa tenha acabado para você.

Só que, para mim,

ela nunca terminou.

Ela ficou ecoando aqui dentro.
Mesmo assim...
pela primeira vez,
eu resolvi parar de correr atrás.
Não porque deixei de gostar de você.

Infelizmente,

isso nunca aconteceu.
Mas porque algumas pessoas precisam ser amadas de longe.
E talvez você seja uma delas.
Estou escrevendo isso porque sentimentos também precisam de um lugar para morar.
E eu cansei de obrigar o meu peito a carregar tudo sozinho.
Então deixo você viver aqui,
nessas palavras.

Se, por algum milagre impossível,

você estiver lendo isso...
eu só espero que seja feliz.
Mesmo que não seja comigo.
Mesmo que nunca tenha sido.
E obrigada.
Você nunca soube.
Mas conseguiu ser, ao mesmo tempo,
um dos capítulos mais bonitos
e também um dos mais dolorosos
da minha adolescência.

Com carinho,

A menina que tentou te esquecer tantas vezes...

e nunca conseguiu.

Isobel

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