Caviar

A estranha história e o futuro incerto da iguaria mais cobiçada do mundo

Inga Saffron
  • Formato(s) de venda: livro, e-book
  • Tradução: Adalgisa Campos da Silva
  • Páginas: 320
  • Gênero: Gastronomia e Culinária
  • Formato: 14 x 21 cm
  • Lançamento: 26/07/2004

Quando trabalhava como correspondente do jornal Philadelphia Inquirer em Moscou na década de 1990, a autora degustou um pouco de caviar contrabandeado e diz ter sentido em cada pequena ova todo o universo perdido dos salões literários de São Petersburgo. Ela se viciou na delícia ao conhecer Magomed, misterioso contrabandista da cidade de Mahachkala, no mar Cáspio, sul da Rússia, habitat da quase totalidade dos peixes produtores de caviar: os esturjões.

Inga Saffron revela os mais incríveis requintes dessa história, a começar pelo esturjão e suas 27 espécies, peixes mais antigos do que os dinossauros, que já existiam 250 milhões de anos antes do surgimento do ser humano. Considerados fósseis vivos, são grandes e lentos. As fêmeas carregam milhões de ovos na barriga, mas apenas um costuma sobreviver até a idade adulta. O sobrevivente empreende então uma saga nostálgica para se reproduzir. Sobe o rio no mesmo curso percorrido pelos pais, em busca do lugar exato onde nasceu, percorrendo 32 quilômetros por dia, durante semanas, nessa jornada genealógica. Daí a raridade, o preço alto - e o mito.

O livro explica a inserção do caviar na História, remontando a Ovídio, que chamava o esturjão de "peregrino das ondas mais ilustres". Apesar de já ter recheado o pão de camponeses russos, a partir da Revolução Industrial o caviar caiu no gosto aristocrático e pouco a pouco se tornou a delícia dos tzares. A fama das ovas espraiou-se até a Europa, levada pela aristocracia russa que freqüentava Paris e Berlim.

Após a Revolução, os comunistas, em vez de ignorarem o capricho nobre, estatizaram o negócio e monopolizaram o mercado internacional. Somente com a abertura política da União Soviética nos anos 1990 o cartel foi desfeito, deixando uma brecha para o Irã construir o império que hoje domina esse setor do mundo gastronômico. Caviar impressiona pela macroscópica pesquisa, que inclui ainda reportagem sobre a viagem realizada pela autora até a cidade de Astracã, no auge da corrida dos esturjões do mar Cáspio até o rio Volga para depositar os ovos. Descrições do funcionamento do mercado negro e mafioso em torno do caviar conferem uma emocionante atmosfera policial à obra.

Inga Saffron

Inga Saffron

Inga Saffron é repórter do Philadelphia Inquirer e foi correspondente do jornal em Moscou de 1994 a 1998. Atualmente é crítica de arquitetura do Inquirer e mora na Filadélfia.

Resenhas

São 317 páginas contando deliciosos casos sobre a ova do esturjão, dissecando o passado e revelando o difícil futuro do delicado maná.

Jornal do Brasil,

Pode-se contar a história econômica da civilização, e especialmente aquilo que Karl Marx definiu como luta de classes, por meio da delícia. É o que faz a jornalista americana Inga Saffron no saboroso livro Caviar - A estranha história e o futuro incerto da iguaria mais cobiçada do mundo, lançado no Brasil pela editora Intrínseca. São 317 páginas que misturam mitologia e economia.

Isto É Dinheiro

O livro Caviar - A estranha história e o futuro incerto da iguaria mais cobiçada do mundo é antes de tudo uma boa obra de jornalismo, mais do que de gastronomia. (...) Saffron combina informação histórica com personagens atuais e o depoimento do que viu in loco nas unidades de produção (e também de contrafação) das preciosas ovas de esturjão às margens do rio Volga, na costa russa do mar Cáspio, lar de quase todos os peixes desta espécie que ainda povoam o mundo.

Folha de São Paulo,

Fascinante... não apenas nos contempla com a mitologia e o romance em torno dessa delicada iguaria, mas também transforma a fábula de um peixe e de suas ovas numa parábola moderna sobre ganância e prejuízo.

The New York Times

Um livro encantador sobre um tema deliciosamente misterioso.

The Baltimore Sun