testeQual vinho você é?

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O universo do vinho é muito mais legal quando se tem conhecimento. Para saber qual tipo de vinho combina mais com a sua personalidade, criamos um teste divertido que vai ajudar a entender se você está mais para Cabernet Sauvignon ou para Prosecco.

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testeEcos de uma pesquisa no sul do Brasil

O Nome da Rosa e Vinho - por Maurício Gomyde

O Nome da Rosa e Vinho – por Maurício Gomyde

Fiz, semana passada, uma viagem de pesquisa para o novo romance que estou escrevendo. Como um diário de bordo, levei o notebook para registrar sutilezas e impressões acerca das descobertas. Tinha mais de vinte perguntas anotadas e tentaria responder a todas, com observações e entrevistas, algumas agendadas. Quarta-feira era dia de mandar a coluna, e eu já tinha boas coisas anotadas sobre sons, imagens e cheiros da viagem. Mas, bendita e maldita tecnologia, fui traído por uma placa de memória fajuta, que resolveu parar de funcionar. Sou uma pessoa tecnológica, mas escrever e revisar um texto no celular está muito além da minha paciência e habilidade. E, ainda que eu tenha perdido os relatos iniciais e não tenha conseguido escrever a coluna, pensando bem, não foi de todo mal. Enquanto houver papel, caneta e minha memória ainda funcionar — chore, memória RAM: um a zero para mim —, nenhum fato ficará esquecido.

Estive na Serra Gaúcha, região de vinhedos. Na verdade, a história vai se passar num lugarejo fictício, minúsculo e isolado. Como um dos protagonistas é recluso, achei necessário ambientar a trama num local onde as possibilidades de interação fossem reduzidas. Saí de Brasília com boa parte da história pronta (acho que uns 70%), certo de que minhas pesquisas pela internet já haviam suprido muito das dúvidas que surgiram ao longo do caminho. Era uma questão apenas de confirmar o que eu já sabia.

Ledo engano.

A primeira pessoa que entrevistei, enóloga de uma das gigantes do setor de vinhos e espumantes, me disse: “Ainda bem que você veio, porque está cheio de bobagem na internet. Tem que ver para não errar.”

Como ouvi isso logo no primeiro dia, fiquei animado pela decisão de ter ido até lá. E ela tinha toda a razão: muito do que eu havia pesquisado não era exatamente como “na vida real”. Tentei ser o mais minucioso possível, daqueles que perguntam três vezes a mesma coisa só para ter certeza de ter entendido. Provei tanto espumante que devo ter extrapolado o nível mínimo de chatice em alguns momentos. O que se há de fazer? Se escolhi que meu personagem é dono de uma vinícola e se a pesquisa deve ir às entranhas do tema, um porre a mais ou a menos não fará grande diferença. Tratemos como brainstorming.

Ainda durante a viagem, acabei tomando um porre em homenagem à passagem de Umberto Eco para o plano superior, no dia 19, em jantar com um grupo num restaurante em frente a um vinhedo, daqueles saídos das páginas de um livro. Decidimos, ali, tomar uma garrafa para cada um dos sete romances dele. Do que me lembro, no Baudolino eu já estava chamando Jesus de Genésio e gritando no vale para ver se voltava algum eco. Vexame total.

Mais um dos grandes escritores que se vai, um dos últimos da safra do século XX. Como um bom vinho, sua escrita era refinada, com textura, aroma pronunciado e cheia de surpresas. Um teórico da comunicação de massa, das técnicas de escrita e dos que aplicavam com absoluta propriedade o hábito da pesquisa em seus livros. Lembrei-me, ali, da primeira experiência que tive com O nome da rosa, no fim dos anos 1980. Tenho um exemplar da primeira edição do livro, de 1983: as minuciosas descrições do monastério, na Itália medieval, onde aconteciam os crimes; as citações em latim, que eu pulava (ah, se houvesse internet nos anos 1980…); a argúcia de Guilherme de Baskerville para resolver os enigmas; a riqueza da descrição dos costumes, do linguajar e dos posicionamentos da Igreja; a envolvente e poderosa escrita, daquelas que a gente aprende algo novo a cada parágrafo…

Assim que cheguei de viagem, resgatei da minha estante o velho exemplar e comecei a reler. Obviamente, essa releitura foi completamente diferente da leitura daquele jovem que não sabia de nada — e que se tornou o adulto que sabe só um pouco mais. O sabor é outro; as percepções, também. A raiva que senti das longas descrições, à época, hoje saboreio com vontade e pedindo mais.

Pesquisando, vivendo e aprendendo… Um brinde a Eco. Tim-tim.