testeOs melhores verões da vida

 

Os verões são repletos de histórias inesquecíveis. E Aconteceu naquele verão é o livro ideal para mostrar como a estação mais quente do ano pode ser única. Seja em um cinema em vias de fechar, em um loop temporal, ou em um acampamento com os amigos, o livro mostra, em doze histórias apaixonantes de escritores queridos pelo público jovem, como Stephanie Perkins, Cassandra Clare e Veronica Roth, que o amor não escolhe hora nem lugar para acontecer.

Para listar algumas das histórias incríveis do livro, pedimos a ajuda de nossos blogueiros parceiros. Confira:

 

Amor é o último recurso – Jon Skovron

Jon Skovron criou um narrador que engana o leitor de tal maneira que, ao terminar o conto, é impossível não ficar com um sorriso no rosto.

A grande lição de “Amor é o último recurso” é destinada às pessoas que acham que o amor é baboseira, inútil, fútil, quando, na realidade, é ele o responsável por ligar tantas culturas diferentes e tornar nosso mundo e nossa existência mais fáceis de suportar. E se estar apaixonado é tolice, que sejamos tolos, “porque se formos todos tolos, talvez haja alguma sabedoria nisso que chamamos de amor”.

(Fonte: De cara nas letras)

 

Em noventa minutos, vá em direção a North – Stephanie Perkins

Marigold e North, protagonistas do conto, também aparecem em O presente do meu grande amor, e eu fiquei supercuriosa para saber o início da história desses dois. A intensidade dos sentimentos deles é cativante, e o modo como a autora consegue mostrar, pelos olhares e gestos de cada um, o quanto eles se gostam me tocou profundamente. Eu compreendi toda a insegurança de Marigold e fiquei com o coração apertado durante toda a leitura. Depois de sentir tudo o que senti ao ler esse texto, fui obrigada a colocá-lo na lista.

(Fonte: Conjunto da obra)

 

Inércia – Veronica Roth

“Inércia” se passa em um mundo distópico onde as pessoas que estão prestas a morrer têm a chance de reviver suas memórias com algum ente querido escolhido por ele. Mais especificamente, quando alguém vai passar por um procedimento cirúrgico e tem grandes chances de morrer, o paciente escolhe uma pessoa e, momentos antes da cirurgia, se conecta à ela através das memórias. Essa tecnologia é chamada de Última Visita.

Esse conto me encantou principalmente por dois motivos: o primeiro deles é a questão do pano de fundo distópico, mesmo que sendo apenas um detalhe no romance principal. Faz muito tempo que não leio distopias, mesmo sendo um dos meus gêneros favoritos. O segundo ponto é o fato de falar sobre doenças psicológicas.

Não é segredo pra ninguém que qualquer livro que traga visibilidade aos neuroatípicos entra fácil na minha lista de indicações, e esse conto é um deles. Mais uma vez me vi muito na personagem da Claire e nos conflitos que ela passou quando se descobriu depressiva, e também na aceitação que foi rolando aos poucos.

(Fonte: Poesia destilada)

 

Nova atração – Cassandra Clare

Meu conto preferido foi “Nova atração”, escrito por Cassandra Clare. Podem me julgar, mas eu nunca tinha lido nadinha dela nessa vida. E, meu Deus, que experiência maravilhosa!

A história desse conto se passa em um parque de terror itinerante, com atrações bem peculiares e uma pequena variedade de brinquedos. Nesse parque vive Lulu, filha do dono do parque. Porém, o pai dela some misteriosamente, e como o lugar estava passando por problemas financeiros, Walter, tio da jovem, passa a administrar o negócio da família. Lulu acaba se aproximando de Lucas, enteado de Walter, e juntos eles vivem as mais diversas aventuras.

O que mais gostei nessa história foi o fato de se passar em um parque de terror. Sou extremamente medrosa, mas mesmo assim eu tenho vontade de conhecer um parque desses. Além disso, Cassandra escreveu seu conto com maestria, nos mostrando que às vezes os monstros são mais reais do que a gente imagina.

 (Fonte: Procurei em sonhos)

 

O mapa das pequenas coisas perfeitas – Lev Grossman

Fechando o livro com chave de ouro, temos “O mapa das pequenas coisas perfeitas”, de Lev Grossman. Começando de maneira clichê, fazendo inclusive alusão a um dos meus filmes favoritos, Feitiço do Tempo, nesta história conhecemos Mark, um adolescente que está preso em um loop temporal em que todo dia é 4 de agosto.

Não tenho palavras para descrever esse conto, que me deu um soco no estômago. Foi golpe baixo mencionar um filme que tanto amo, e ainda por cima inserir no enredo essa busca por momentos perfeitos, que foi incrível demais. Adorei os questionamentos levantados pelos personagens sobre o que acontece no resto do mundo todo santo dia, a cada minuto, enquanto levamos a nossa vida. Além disso, eles também refletem sobre o que é possível fazer quando se tem tempo de sobra e quando as nossas ações não geram consequências. Certamente uma trama para nos fazer pensar e que irá conquistar todos vocês.

(Fonte: Recanto da Mi)

 

E você? Qual o seu conto favorito de Aconteceu naquele verão?

testeVerões emocionais

18 de janeiro de 1985, Rio de Janeiro. Segundo e último show do Queen. Como havia chovido muito nos dias anteriores, a estradinha de terra para a Barra da Tijuca ficara esburacada e o ônibus balançava sem parar. Lauro vomitou pela janela. Não foi o único. Todo mundo estava meio doido, carregando garrafas de Smirnoff (a turma dos ricos) e de Velho Barreiro (a nossa, dos pobres). A diferença é que Lauro, que me ensinara a beber, não dera sequer um gole. Quando chegamos à Cidade do Rock, não sei se estávamos ansiosos para ver o Freddie Mercury ou só aliviados porque aquela viagem — que fedia a comida velha, bebida barata, suor e lama — terminara.

O calor infernal de verão, as chuvas incessantes — que finalmente haviam dado uma trégua, o que só podia ser uma pequena prova da existência de Deus — e minha excitação por termos conseguido os ingressos para o festival pareciam ter feito com que eu e Lauro trocássemos de corpo. O amigo que me tirara de uma vida de morno torpor e me jogara num grande verão emocional nos últimos dois anos se calara. Já eu estava eufórico; uma gana de vida havia tomado conta de mim e parecia que jamais se esgotaria. Íamos ver Freddie Mercury. Lauro não aceitou quando me ofereci para lhe pagar um sanduíche nem quis um copo de Limão Brahma.

Eram 250 mil pessoas. Eu acabara de completar vinte e um anos e tinha um metro e sessenta e sete. Ainda não sabia, mas cresceria muito, em todos os sentidos, ao longo daquele ano. Haveria dias intermináveis e cruéis e eu rezaria para que eles terminassem, só para, bem mais tarde, desejar tê-los de volta. Todo verão acaba um dia. Enquanto eu me lamentava por causa da multidão, que provavelmente me impediria de ver o palco, Lauro voltou, por um instante, a ser ele mesmo. Recuperando aquele brilho nos olhos que desaparecera o dia todo, olhou para um andaime alto, com um banner enorme da Malt 90, a cerveja com gosto de mijo, e propôs que subíssemos. Era a nossa chance de termos uma experiência única. Começamos a escalar e nos instalamos, sentados, a uma altura suficiente para sofrer uma queda mortal.

Os seguranças começaram a gritar para que descêssemos e mostramos o dedo do meio para eles. Ficaram por ali para evitar que mais gente resolvesse nos seguir. O som estava alto, e acho que isso foi providencial. Lauro não estava a fim de conversar. Toda vez que eu tentava dizer algo, ele fazia sinal de que não estava me ouvindo. Nos shows em que não estava interessado ou nos intervalos, ele até se deitava entre um andaime e outro, segurando-se pelos ombros e pelos joelhos, como se descansasse.

De repente, assim que os primeiros acordes de “Tear it up” começaram a tocar, todo o nosso ensaio foi recompensado — gritamos as letras do álbum The Works, que havíamos decorado, com toda a força que tínhamos nos pulmões. Pendurados nos andaimes, fazíamos performances de rockstar, na esperança de que Freddie nos avistasse. Muitas vezes, a gente só se dá conta de que alguns momentos foram muitos especiais anos mais tarde, depois que eles passaram. Esse não foi o caso. Fomos extremamente felizes por aquelas duas horas e quinze minutos — tínhamos plena consciência disso.

Ficamos até o bis. Os seguranças já haviam desistido de nós, pois boa parte do público se cansara antes do fim do espetáculo. Descemos com calma de nosso camarote improvisado. Súbito, Lauro perdeu de novo o ânimo. Estava branco, pálido, cansado. Disse apenas que era hora de ir, que devíamos nos apressar. Começou a andar, deixando-me para trás. Reuni coragem, exigi que me esperasse e gritei para ele:

— O que está acontecendo?

Ele me contou, bem ali, no meio daquelas pessoas que esbarravam em nós, trôpegas e felizes, que pareciam puxar pela memória o rumo de casa. O que ele me disse era exatamente o que eu mais temia. Eu queria que ele me dissesse qualquer outra coisa, mas ele falou justamente o que eu esperava ouvir. A diferença entre um negativo e um positivo que transformava tudo, colocava o mundo sob uma nova perspectiva. Sentença, veredicto, sina. Ele olhou para mim e eu simplesmente o abracei, talvez por um minuto inteiro. Então Lauro disse:

— Lembre-se deste momento.

— Vou lembrar — respondi.

— O show das nossas vidas — afirmou.

Meu melhor amigo tinha razão. Aquele havia sido o show das nossas vidas. Não importava se morreríamos amanhã ou dali a sessenta anos.