testeMomento nostalgia: livros e filmes que marcaram a infância da nossa equipe

 

Que belo momento, a infância! É difícil encontrar alguém que não tenha ótimas lembranças relacionadas a essa fase da vida. Com mais um 12 de outubro se aproximando, fomos tomados pela nostalgia e convidamos as pessoas da nossa equipe para compartilhar o livro ou o filme que marcou a vida delas quando eram pequenas (com fotos fofíssimas de brinde)! Confira:

 

(Marina – Marketing)

Um dos livros que mais marcaram a minha infância se chama O peixe arco-íris. O personagem principal é um peixinho que tem umas escamas holográficas lindas e eu sei que amava passar a mão nas ilustrações. O problema é que os outros peixinhos não enxergavam essa diferença como algo legal e achavam que ele era estranho demais. No final, spoiler alert, tudo termina bem e ele descobre que aquilo que o torna diferente é, na verdade, muito especial. Fico feliz que esse livro tenha sobrevivido à minha fase pré-adolescente conhecida como “Eu sou uma adulta e não preciso mais disso” na qual joguei muita coisa fora. No final das contas, a gente sempre precisa lembrar dessa lição.

 

(Luana – Editorial)

A minha mãe sempre leu muito, então lá em casa tinha muito livro – os dela e os nossos. Mas a fase de leitura que mais me marcou foi a das enciclopédias para crianças que ela comprava de um vendedor que batia de porta em porta. Eu adorava as que falavam sobre o reino animal e territórios específicos, como a Antártida. O negócio me envolveu tanto que, apesar de ter ido trabalhar com texto e livros, eu ainda curto muito biologia (quase gabaritei no vestibular) e gosto muito de fazer livros de não ficção. Em um Carnaval, a minha mãe fez fantasias de vampiro pra ela, pra mim e pro meu irmão, mas eu teimei que queria sair vestida de um animal. Fui de onça e minha prima ficou com a de vampira.

 

(Talitha – Aquisições)

Quando tinha 9 anos, entrei em uma escola nova e queria muito fazer amizade com uma menina da turma que parecia muito legal. Um dia, ouvi a conversa dela com um menino sobre um livro. Anotei e corri para pedir para a minha avó de Dia das Crianças. Li correndo, focada em prestar atenção para, no dia seguinte, puxar conversa com minha nova amiguinha (na minha cabeça, já éramos melhores amigas que leriam livros incríveis e discutiríamos durante o recreio). O livro era Harry Potter e a Pedra Filosofal. Li em dois dias, e li mais um milhão de vezes depois. A amizade não vingou, mas ficou a gratidão por ela ter me apresentado a esse livro que mudou a minha vida. Harry Potter pautou muitos caminhos pelos quais minha vida seguiu, inclusive o profissional. Se não fosse por ele, não estaria aqui hoje.

 

(Viviana – Comercial/Marketing)

Em 1996, uma editora publicou Eloise, de Kay Thompson, a história de uma garotinha de 6 anos cheia de energia e que nunca deixava o tédio invadir sua vida. Anos depois, vieram os filmes Eloise no plaza e O Natal de Eloise, que marcaram minha Sessão da Tarde para sempre. Já adolescente, assistia ao filme e dizia: se eu tiver uma filha vai se chamar Eloise. Muitos anos depois, a minha Eloise nasceu.

 

(Joyce – Marketing)

Quando era criança, eu amava Pokémon. Lembro de assistir ao desenho todos os dias com o meu irmão enquanto almoçava e me preparava para ir à escola. Eu jogava Pokémon sempre que podia, colecionava as miniaturas que vinham dentro da pokebola da Caçulinha do Guaraná Antarctica e me sentia a própria Misty, torcendo para que um dia eu pudesse me tornar uma verdadeira mestre Pokémon – sonho que consegui realizar aos 20 anos, percorrendo a cidade jogando Pokémon GO.

 

(Sheila – Editorial)

Meu livro preferido quando eu era pequena era um bem fininho e simpático sobre uma formiga que se chamava Gertrudes. Não tenho esse livro há muito tempo e não lembro o título nem o autor. Era todo ilustrado, mostrando o interior do formigueiro, cheio de formiguinhas em fila, trabalhando. A história era sobre a tal Gertrudes, que não gostava do nome dela. Em algum momento, é claro, ela percebia que não deveria se preocupar com isso e começava até a achar legal o nome, porque era diferente. Não lembro se eu achava feio ou não o nome, mas eu tinha uma professora chamada Gerusa na época e ela era muito legal, e Gertrudes parece um pouco Gerusa, então acho que eu devia gostar de Gertrudes também.

 

(Naotto – Marketing)

Lembro até hoje quando pedi para minha mãe comprar um gibi do Chico Bento enquanto esperávamos a barca para Niterói. Eu devia ter 7 anos na época. Nunca entendi por que gostava do personagem já que eu detestava todas as viagens que fazia com meus pais para uma área rural, mas sabia, de alguma forma, que o Chico era muito rico. A vida daquela criança, uma criança que poderia ser eu, com um cenário completamente diferente e questões completamente diferentes das que eu vivia, me fascinava. Talvez tenha sido o Chico Bento que me ensinou a ler.

 

(Rebeca – Editorial)

Um dos meus livros favoritos quando eu era criança era O menino que espiava para dentro, de Ana Maria Machado. Esse livro me ensinou a nunca deixar de sonhar que outro mundo é possível. Desde então, o que mais gosto de fazer é transformar sonhos em ideias e ideias em realidade.

 

(Ana – Marketing)

Com pernas enormes para abraçar o mundo, com macaquinhos no sótão, o Menino Maluquinho sabia de tudo, só não sabia ficar quieto. Não me lembro quantas milhares de vezes pedi para minha mãe, para meu pai ou para qualquer adulto que passasse por mim para ler a história do garoto que se vestia de fantasma, de cientista, que alargava o tempo, que era capaz de criar o sol, o riso e a alegria só com lápis de colorir. Essa história me marcou tanto que foi com ela que aprendi a ler. Li, reli, pintei e rabisquei por anos aquele livrinho. Guardado na estante, naquele lugar de honra, essa história me emociona até hoje. No fim, mesmo sabendo manejar o tempo como ninguém, mesmo pegando todas as bolas, o menino que não queria deixar de ser menino cresceu — e se tornou um cara muito legal. Pois como disse o genial Ziraldo, ele não tinha sido só um menino maluquinho, ele tinha sido uma criança feliz.

 

(Taila – Marketing)

Eu devia ter uns 6 anos quando li É proibido miar, do Pedro Bandeira. É sobre um filhotinho de uma família tradicional de cachorros chamado Bingo. Ele faz amizade com um gato e começa a miar. Mas, assim que sua família ouve o miado, se enfurece e chama a carrocinha para levar o filhotinho dali. Afinal, o que os cachorros da vizinhança iriam pensar se soubessem que o filho do senhor Bingão não era um cachorro decente? Nessa época, o maior preconceito que eu vivia era quando os meninos me proibiam de jogar bola porque eu era menina. Mas, mesmo criança, eu sabia que aquilo não estava certo. Eu carrego É proibido miar comigo até hoje e brinco que esse livro foi o começo de tudo, afinal, uma década depois de lê-lo, eu me vi na pele (pelo?) do Bingo: miando em um mundo que exigia que eu latisse.

 

(Vanessa – Comunicação)

Apesar de muitas vezes retratada como uma pequena Dora Aventureira (descamisada, descalça e na rua), passei incontáveis dias e noites dentro das cabaninhas de lençol, com uma lanterna, lendo. Minha família sempre incentivou a leitura e lembro de sempre ter comprado livros desde que comecei a ganhar qualquer dinheiro de mesada ou presente. Consigo facilmente pensar meu crescimento lembrando dos títulos que eu li. Na vida eu era a menina que levava até 8 títulos pro clube do livro semanal.

 

(Clara – Influenciadores)

O meu filme favorito na época era Tigrão – O filme, em que o Tigrão buscava a família porque ele se sentia sozinho. Meus pais fizeram a minha festa de 3 anos com o tema do filme, então eu estava completamente alucinada com o Pooh, o Tigrão e o Leitão gigantes na festa. No final da fita cassete com o registro da festa, tem um clipezinho da música tema do filme, chamada “Basta ouvir seu coração”, em que eles mesclaram fotos minhas e cenas do filme. Juro que choro até hoje quando vejo o DVD (convertemos a fita cassete). 

 

(Suelen – Editorial)

Minha relação com o universo dos livros começou com as revistinhas da Turma da Mônica. Ainda muito pequena, comecei a ter contato com as HQs por conta do meu irmão, quatro anos mais velho. Virei fã de toda a turminha e queria muito a boneca da Mônica. Quando ganhei uma, no aniversário de 2 anos, ela virou minha melhor amiga e ia comigo para todo canto. Acredito que ter contato com a leitura desde cedo nos ajuda a gostar mais dos livros e nos motiva a mergulhar em muitas histórias diferentes. Até hoje às vezes dou uma olhadinha no que está acontecendo com a Turma da Mônica. Afinal, não se abandona um melhor amigo, né?

 

(Heloiza – Marketing)

Um dos filmes que mais marcou minha infância foi o VHS de A Bela Adormecida. Eu e meus irmãos assistíamos todos os dias ao filme de 1h15 minutos e me lembro de cada parte como se fosse hoje: o início com a Malévola de quem eu morria de medo, a disputa da cor do vestido pelas fadas Fauna, Flora e Primavera e aquela roca bizarra na qual ela espetava o dedo. Gostava tanto da história que meu aniversário de 7 anos foi da Bela Adormecida com direito ao vestido confeccionado pela minha avó e bolo metade azul e metade rosa. Eu, meus irmãos e meus amigos tínhamos tanta segurança acerca do enredo (assistíamos todos os dias, repito) que resolvemos presentear os convidados da festa com uma interpretação exclusiva da história. Na foto sou eu, #PrincesaReflexiva, na coxia/varanda, esperando para entrar em cena.

 

(Márcia – Produção Gráfica)

Meu filme favorito era Os Fantasmas se Divertem (Beetlejuice).

 

(Marcela – Editorial)

Sempre fui macaca de imitação do meu irmão, como mostra a foto! Meu sonho era ser rock’n’roll que nem ele, mas meu gosto musical estava mais inclinado para Sandy & Junior e pop dos anos 90. Até que um belo dia ele trouxe da locadora uma fita aterrorizante que apelidei de “filme das caveirinhas”, mas que também é conhecido como O Estranho Mundo de Jack. Virou o meu filme preferido, e depois disso o sossego do meu irmão acabou porque passei a pedir o tempo todo: “Fabio, aluga o filme das caveirinhas!” Depois de muitos anos, ele me deu de presente o dvd e nunca mais precisou alugar para mim! 

 

(Pedro – Editorial)

O primeiro filme que eu me lembro de ter visto no cinema foi A Bela e a Fera, em 1992. Eu tinha 5 anos e fiquei impressionado. Saí do filme amando o castiçal e odiando o relógio, e confesso que fiquei um pouco decepcionado quando todos voltaram à forma humana (olha o spoiler!). Cheguei em casa e tentei ser amigo de um candelabro da minha mãe, mas ele vivia me deixando no vácuo. Apesar do meu ressentimento com os objetos inanimados lá de casa, o filme ficou na minha cabeça e eu sei quase todas as músicas até hoje.

 

(Martinho – Clube Intrínsecos)

Com 23 anos na cara, A Princesa e o Robô ainda é meu filme preferido de todos os tempos.

 

(Maria de Fátima – E-books)

Meu filme preferido da infância é ET. Vi na época, no cinema. Uma das poucas idas ao cinema que minha mãe me proporcionou. Eu adorava o ET, achava fofo e me identificava muito com ele. O desamparo de estar perdido longe dos seus. O sufocamento causado por quem não compreende aquilo que não conhece e tenta destruir e conter. Amor que se encontra onde não esperamos, mas pelo qual vale a pena enfrentar os mais difíceis territórios para deixar viver e ser livre.

Inspirados por essas histórias da infância que nos acompanham por toda a vida, lançamos a Coleção Pipoquinha, que reapresenta os clássicos dos anos 80 e 90 em lindos livros ilustrados, as edições perfeitas para apresentar E.T. – O extraterreste, De volta para o futuro e Esqueceram de mim para a geração que não precisa mais rebobinar.

E aí, consegue adivinhar quem é quem nas fotos? 😉 

testeNimona, uma vilã que me ajudou a ser mais feliz

Por Rayssa Galvão*

foto-nimona

Quando eu era mais nova e a internet não era tão comum, sempre matava aula para ir à livraria atrás de tudo o que eu pudesse encontrar em matéria de quadrinhos. Eu amava aquelas edições de HQs mais literárias, com ilustrações tão lindas que dava dor no coração de virar as páginas. Edições tão difíceis de encontrar (e caras) e tão lindas que ficavam junto com os livros de artes.

A escola acabou, mas o amor pelas histórias em quadrinhos, não. Hoje em dia eu procrastino o trabalho, em vez de matar aula (que o pessoal da Intrínseca não leia isso). E, poxa, tem muita coisa boa de todas as nacionalidades e de todos os gêneros literários.

Quando a gente fala em história em quadrinho, pensa logo em super-herói. E, realmente, hoje em dia não tem nada mais evidente na nossa mídia pop do que a velha guerra Marvel versus DC. E, mesmo que essas histórias existam há bastante tempo e tenham um público fiel (quem me emprestou o primeiro volume de Elektra foi o meu pai!), aqui no Brasil o que fazia mais sucesso eram as tirinhas de jornal, que foram evoluindo para periódicos — e assim nasceu a maravilhosa Turma da Mônica, que não demorou a virar revista e fazer o maior sucesso. Com a internet, esse formato das tirinhas e charges no jornal foi ganhando uma cara nova, e hoje em dia é o que mais faz sucesso aqui no Brasil, em termos de HQ. Sua timeline (se você for uma pessoa feliz) deve estar cheia deles!

Turma da Inbonha

Meu amor por quadrinhos começou trocando revistinhas da Mônica no sebo. 2 por 1. (Fonte)

Foi revirando a internet atrás de coisa boa para ler enquanto procrastinava algum trabalho que eu descobri a Noelle Stevenson.

Quando li Nimona pela primeira vez, acho que por volta de 2012, a série ainda não estava completa (mas já tinha um pedação). A Noelle publicava uma página por semana no Tumblr, e eu ficava para morrer esperando a continuação. E o legal de ler Nimona é que era uma coisa totalmente diferente dos quadrinhos a que eu estava acostumada.

Veja bem, o legal das HQs é que elas não precisam se restringir a um gênero. Tem coisa de tudo que é tipo: pequenas tiradas e críticas políticas, crônicas da vida cotidiana, sagas de heróis com superpoderes (valeu, Batman, te amo para sempre), histórias de fantasia. Tem uma vertente das histórias em quadrinhos que é mais literária — é como um livro desses de fantasia do nosso top 10 de todos os tempos, só que já pensado no formato dos quadrinhos. A mais famosa é a série Sandman, do Neil Gaiman, mas tem títulos fenomenais que viraram filmes lindíssimos, como 300, Persépolis e Sin City — além de livros fenomenais que viraram HQ, como a maravilhosa série A Roda do Tempo! Só que, mesmo com toda essa variedade, eu nunca tinha encontrado uma HQ com uma personagem principal feminina como a Nimona.

O mundo anda meio carente de modelos femininos no poder, né? É verdade que a gente tem histórias com super-heroínas, mas essas revistas mais comerciais, apesar de maravilhosas, têm uma necessidade de agradar o público masculino (como se o público masculino só fosse ficar feliz com uma mulher de corpo magnífico, poucas “frescuras” e dependência crônica de homens).

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Elektra mostrando a que veio (e que também precisa agradar o público masculino) na capa da edição número 1, uma das revistas mais maravilhosas que eu já li.

Além disso, o mundo dos autores de histórias em quadrinhos é muito masculino. Parando para pensar, a maioria dos autores que me vêm à cabeça são homens: Neil Gaiman, Stan Lee, André Dahmer… O mesmo acontece com nomes de protagonistas, tanto nas revistinhas de heróis quanto nas mais ~obscuras~: Sandman, Homem-Aranha, Constantine. Os poucos personagens femininos mais fáceis de lembrar ou são parte de um grupo (como a Tempestade, de X-Men), ou são coadjuvantes (como a Morte, de Sandman), ou são protagonistas mais “delicadas”, como em Persépolis.

Foi aí que a Noelle Stevenson inovou, criando a Nimona, e foi com isso que eu me encantei, tantos anos atrás. A Nimona é uma protagonista feminina que, além de não seguir os padrões de beleza típicos das protagonistas dos quadrinhos (mesmo as vilãs), não precisa de uma justificativa para ser má. Ela não precisa ser louca, não precisa viver um relacionamento abusivo, não precisa querer vingança. Uma protagonista que pode ser o que ela quiser (tanto porque é metamorfa, quanto porque é dona de si). Uma protagonista multifacetada, que não precisa de justificativas para suas ações ruins, mas que também pode ser boa sem a necessidade de um longo flashback explicativo (porque não é uma ação que vai contra a “construção do personagem”). E uma mulher que não deixa de ser amada e querida por ser quem é — pelo contrário, a gente acaba a história querendo mais Nimona na nossa vida!

Quando conheci essa personagem que pode ser o que quiser, eu meio que me senti autorizada a ser assim também. Não preciso explicar todo o meu passado para justificar alguma ação contrária à norma ou ao que as pessoas esperam de mim. E ninguém vai deixar de me amar se eu for imperfeita.

Amei ler Nimona e amei trabalhar em cada pedacinho desse livro — inclusive voltando no tempo, até minha infância de leitora da Mônica, para improvisar onomatopeias. E acho que você vai amar também, porque é sempre muito bom encontrar um livro que quebra padrões e vai além do que a gente esperava. Uma dessas histórias que fazem a gente se sentir compreendida.  Porque, às vezes, a gente só quer tocar o terror e matar inocentes, sem precisar de justificativa.

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Agora é que a Intrínseca para de me mandar trabalho!

 

* Rayssa Galvão já nasceu meio nerd. Hoje em dia procrastina o trabalho – de revisar livros de fantasia e quadrinhos – lendo outros livros de fantasia e quadrinhos.