testeO fascínio de um hotel 5 estrelas

Por Vanessa Corrêa*
 
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Poucos lugares são capazes de materializar os conceitos de luxo e sofisticação de forma tão eficiente quanto um hotel cinco estrelas. Com ambientes requintados e serviço impecável, esses hotéis exercem um verdadeiro fascínio sobre as pessoas, sejam elas celebridades ricas que têm condições de bancar longas temporadas em endereços caríssimos ou meros mortais que podem apenas suspirar imaginando como seria passar uma noite em meio a tanta opulência.

untitledLocalizado em uma das cidades mais elegantes do mundo, o Ritz, em Paris, é considerado por muitos o símbolo máximo dos hotéis de luxo, com uma fama que, desde sua inauguração, ultrapassou os limites da França, atraindo a nata da sociedade internacional.

A história desse ícone do glamour é contada no livro O hotel da Place Vendôme, escrito por Tilar J. Mazzeo. Na obra, a autora traça um panorama dos principais acontecimentos de Paris na primeira metade do século XX, sobretudo a ocupação nazista da capital francesa durante a Segunda Guerra Mundial, e mostra como o Ritz sempre esteve envolvido nos grandes fatos históricos da cidade, por meio da ação de funcionários e hóspedes ilustres.

Assim como o Ritz marcou a história de Paris, outros hotéis já fazem parte do imaginário popular de importantes cidades, atraindo personagens ricos e famosos e mexendo com a imaginação de turistas do mundo inteiro.

 

 

HOTEL CHELSEA

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O hotel Chelsea, em Nova York, não era exatamente um cinco estrelas, mas ficou conhecido por abrigar diversas celebridades ao longo dos anos. O prédio de tijolos avermelhados localizado na rua 23, entre a 7ª e a 8ª avenidas, foi residência de nomes como Stanley Kubrick, Iggy Pop, Madonna, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Uma Thurman, Tennessee Williams, Gore Vidal e Jack Kerouac, que teria escrito seu livro mais famoso, On the Road, em uma suíte do Chelsea.

Construído entre 1883 e 1885, o hotel aparece ou é citado em dezenas de filmes, livros e músicas e foi o cenário de alguns finais infelizes no mundo artístico. Em 1953, o escritor Dylan Thomas morreu de pneumonia no quarto em que morava e, em 1978, Nancy Spungen, namorada de Sid Vicious, dos Sex Pistols, foi encontrada morta a facadas em uma das 250 suítes do Chelsea.  

O Chelsea foi fechado para reformas em 2011 e não retomou as atividades desde então.

 

COPACABANA PALACE

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Diferente do Ritz em seus tempos áureos, o hotel mais famoso do Brasil não costuma ter muitos moradores ilustres, mas recebe hóspedes renomados desde a inauguração, em 1923.

Além de ser um dos locais de hospedagem preferidos de celebridades internacionais em visita ao Brasil, o hotel é o sonho de consumo de noivas, que adorariam fazer suas festas de casamento em um dos luxuosos salões do Copa. Localizado na avenida Atlântica, em Copacabana, o hotel também é palco de caras e concorridas festas de Ano-Novo, com vista mais do que privilegiada para os fogos de artifício do maior réveillon do Brasil.

O hotel foi construído pelo empresário Octávio Guinle, membro da rica família de empreendedores que foi tema do livro Os Guinle: a história de uma dinastia, de Clóvis Bulcão. Viveu sua época mais glamorosa até a década de 1960, quando começou a ser preterido por hotéis mais modernos.

Na década de 1980, cogitou-se até mesmo a demolição do Copacabana Palace, mas o hotel foi declarado patrimônio histórico e cultural e, em 1989, foi vendido pela família Guinle para um grande grupo hoteleiro internacional.

 

THE DORCHESTER

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Inaugurado em Londres em 1931, o Dorchester continua sendo um dos mais sofisticados e caros hotéis do mundo, e sua história também está ligada a hóspedes ricos e famosos.

Por conta de sua sólida construção, durante a Segunda Guerra Mundial o hotel ficou conhecido como um dos prédios mais seguros de Londres, capaz de resistir aos frequentes bombardeios enfrentados pela capital britânica. A fama fez com que o Dorchester fosse escolhido como residência por diversas autoridades políticas e militares naquele período.

Nas décadas seguintes, o Dorchester se tornou um dos preferidos de celebridades como Elizabeth Taylor e Richard Burton, que se hospedaram numerosas vezes no endereço da Park Lane entre os anos 1960 e 1970.

 

BEVERLY HILLS HOTEL 

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Construído em 1912, o hotel é tão glamoroso quanto os hóspedes que o frequentavam. A lista de habitués inclui nomes como Marilyn Monroe, John Wayne, Grace Kelly e Elizabeth Taylor.

Localizado no famoso Sunset Boulevard, o hotel leva o nome da rica cidade de Beverly Hills, em Los Angeles, Califórnia, e foi erguido na região antes que a cidade sequer existisse (Beverly Hills foi fundada somente em 1914). Entre as décadas de 1930 e 1960, o Beverly Hills Hotel foi o endereço preferido de grandes estrelas de Hollywood, que gostavam de aproveitar o clima ensolarado da Califórnia à beira da piscina do hotel.

Além de seus 208 quartos e suítes, o hotel possui 23 luxuosos bangalôs. Na década de 1940, o famoso diretor Howard Hughes comprou seis bangalôs e passou boa parte das décadas seguintes vivendo ocasionalmente nessas propriedades. A fama do Beverly Hills Hotel era tão grande que, em 1976, seu famoso edifício cor-de-rosa estampou a capa do disco Hotel California, da banda Eagles.

 

 

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

testePor que visitar Lugar Nenhum

Bem-vindo à Londres de Baixo!

Por Larissa Helena*

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Ilustração de Juliette Arda (Fonte)

Se você está morrendo de vontade de tirar férias e precisa de ideias para uma viagem fantástica, pode parar de procurar: seu próximo destino está aqui! Quer dizer, na livraria mais próxima.

O que dá para garantir: emoção, aventura e surpresas em todas as paradas.

O que não dá para garantir: sua segurança. Ou sua antiga vida de volta.

Acontece que Lugar Nenhum é uma daquelas jornadas sem retorno: depois de passar pelas portas secretas que levam à Londres de Baixo, de conhecer o Mercado Flutuante e descobrir o verdadeiro perigo que se esconde entre o trem e a plataforma do metrô, fica muito, muito difícil voltar à superfície como se nada tivesse acontecido. Mesmo que você se esforce bastante.

Veja o caso de Richard Mayhew. Ele tem um emprego. Um apartamento. Uma noiva. Talvez seja meio esquecido, mas sua vida parece perfeitamente nos eixos: ocasionais visitas indesejadas ao museu para acompanhar sua alma gêmea, cervejas para discutir assuntos burocráticos com os colegas de trabalho… Tudo bem, talvez ele também tenha um coração mole. Mole demais para morar numa capital em que há pedintes em cada esquina, e “se você dá atenção, eles se aproveitam”, como bem lhe lembra a noiva. Mas ele não consegue fazer como todo mundo e simplesmente fingir que não os vê.

Tudo isso é razoavelmente perdoável, até o dia em que uma menina ensanguentada brota de uma parede bem na frente dele, a minutos de um jantar crucial. O que Richard pode fazer senão ajudá-la, contra a vontade da noiva e o próprio bom senso? Para ele, é assim que tudo começa.

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Lugar Nenhum, aliás, também começou como uma espécie de rebeldia. Neil Gaiman era jornalista, já publicara algumas histórias em quadrinhos e começava a realizar seu sonho de escrever ficção para várias plataformas quando foi convidado pela BBC para desenvolver o roteiro para uma série para a TV. Só que muitas de suas ideias foram cortadas ou alteradas para caber no orçamento e no formato do programa e ele resolveu escrever este livro, “para manter a sanidade mental”.

O resultado foi uma espécie de “versão do diretor” (só que, no caso, do roteirista). Controle total: quando uma cena não entrava na série, ia parar no livro, e, ao longo de muitos anos, ele ainda pôde cortar e acrescentar informações, até culminar na edição definitiva, que chega pela primeira vez às prateleiras brasileiras — com direito a uma introdução do autor, um prólogo original e um conto inédito. Além disso, parte do motivo para Neil Gaiman gostar bem mais desta versão é que o texto funciona tanto para os que estão familiarizados com o mapa do metrô de Londres quanto para quem não sabe nada sobre a capital.

Eu era justamente do grupo dos novatos quando tudo começou para mim. Uma adolescente fascinada pela Inglaterra, e também obcecada por ordens cronológicas, por isso Lugar Nenhum foi o primeiro livro do Neil Gaiman que li. Eu esperava embarcar num livro, e acabei numa viagem a Londres. Mas não era bem a Londres que eu sonhava conhecer; aquela era excêntrica, sombria e convidativa, e ao mesmo tempo perigosa e fascinante como uma besta.

Tudo começa com portas.

Tudo começa com portas. (Fonte: BBC)

E ficou retida no meu imaginário de um jeito tão vívido que mais tarde, quando fui de fato a Londres (à de cima, afinal, vocês ainda conseguem ler o que eu escrevo… né?), encarava as estações me perguntando o que haveria ali embaixo, por trás e ao redor, invisível sob o nevoeiro da cidade.

Foi quando entendi a dimensão do que o Gaiman tinha feito. Andando por Londres, é difícil não misturar ficção e realidade, caminhar sem evocar fantasmas de Sherlock Holmes, da Alice ou do Doctor Who pairando sobre a paisagem. Em seu primeiro romance, ele chegou já com o pé na porta, inscrevendo seu nome no rol dos notáveis que adicionaram mais uma camada de significado inteirinha, original e fresca (modo de falar, porque a Londres de Baixo é bolorenta e tem cheiro de esgoto) a uma cidade que já parecia saturada de referências. Gaiman provou que sempre há espaço para mais.

Além de tudo isso, Lugar Nenhum é uma épica fantasia urbana com pitadas de contos de fadas, surpreendentemente adulta e ao mesmo tempo capaz de evocar o sentimento de fascinação infantil de quando fomos apresentados pela primeira vez a histórias fantásticas. Guiados pela história de Richard, conseguimos vislumbres pontuais de um universo de infinitas possibilidades, que se expande para muito além dos limites do livro, na tradição dos clássicos como os de Lewis Carroll ou C. S. Lewis.

No que diz respeito à obra de Gaiman, Lugar Nenhum serve ao mesmo tempo como introdução e relicário. Para quem não conhece outros livros dele, é a oportunidade para desvendar a especialidade do autor: construir um mundo extraordinário curiosamente coerente e sinistramente próximo do nosso, reconhecível através de indícios e que deixa uma impressão clara e duradoura na mente do leitor. Para os que já são fãs do autor, a experiência é gratificante por outros motivos: vasculhando bem, dá para encontrar referências claras a Will Eisner, um humor com gostinho de Douglas Adams e uma infinidade de temas que voltam a aparecer nas histórias de Shadow ou dos Perpétuos, para citar alguns exemplos.

Para mim, quando a Londres de Baixo entrou em cena de novo, muitos anos depois que tudo começou, fiquei tão fascinada quanto da primeira vez. E novamente, na vida real como na história de Richard, foi a cidade de cima que ficou invisível para mim: enquanto eu lia, percorrendo nas páginas os caminhos subterrâneos de Londres, passei reto várias vezes da estação de metrô em que precisava saltar.

>> Leia um trecho de Lugar Nenhum

 

*Larissa Helena teve certeza de que queria trabalhar com literatura há dez anos, quando começou sua pesquisa acadêmica sobre Neil Gaiman. Hoje ela é editora, e já teve o prazer de negociar e editar livros do autor. Também é tradutora e pesquisadora especializada em literatura fantástica ou voltada para o público jovem adulto.

testeRio, esporte e turismo

Foto do Grande Prêmio Carlos Guinle (Fonte)

Foto do Grande Prêmio Carlos Guinle (Fonte)

Com a aproximação da abertura dos Jogos Olímpicos, em 5 de agosto, tenho me lembrado muito de Carlos Guinle. Talvez ele tenha sido o primeiro carioca a vislumbrar o potencial turístico e esportivo do Rio de Janeiro. Os irmãos Guinle sempre foram ligados ao mundo dos esportes, tanto que ele, Guilherme e Arnaldo presidiram o Fluminense Football Club. Curioso é que o sonho de Carlos de transformar a cidade em uma praça de atividades não nasceu associado ao futebol.

Carlos começou a organizar corridas de automóveis pelas ruas do Centro na década de 1920. A primeira foi em 1922, nos festejos do centenário da Independência do Brasil. Depois, os eventos automobilísticos começaram a ser realizados entre os bairros do Leblon e da Lagoa. Nos anos 1930, um novo trajeto, conhecido como Circuito da Gávea, ganhou dimensões internacionais, com participação de pilotos de nacionalidades diversas e transmissão radiofônica para o continente.

O Circuito da Gávea, que se chamava Grande Prêmio Carlos Guinle, acabou se consagrando como G.P. Rio de Janeiro. A largada era dada na rua Visconde de Albuquerque, no Leblon, e os carros seguiam pela avenida Niemeyer, em São Conrado, depois pela estrada da Gávea (atual favela da Rocinha), voltando ao ponto de partida pela Marquês de São Vicente. Um circuito sinuoso e muito perigoso que provocou inúmeros acidentes fatais, por isso as autoridades passaram a questioná-lo.

Carlos tinha total convicção de que a dobradinha turismo-esportes era a vocação natural da cidade. Sem conseguir concretizar essa ideia, esforçou-se para oferecer aos cariocas um autódromo, o que não chegou a acontecer. Acreditava que o local ideal para a sua construção seria a Zona Sul, no entanto, sempre admitiu a possibilidade de erguê-lo na Zona Oeste.

Agora, as Olimpíadas acontecerão basicamente nessas duas partes da cidade. Na era da imagem, as belas paisagens cariocas realçam as atividades esportivas. Carlos Guinle talvez já imaginasse que um dia o Rio de Janeiro conseguiria ser, de fato, a moldura para um congraçamento esportivo de grande porte. Mas, talvez, nem em seu maior sonho ele tenha pensado que esse evento reuniria os maiores atletas do mundo.

testeMapas afetivos de Buenos Aires, parte 2

Buenos Aires é não só cenário, mas também personagem do meu livro. Por isso foi importante escolher a dedo os locais onde se passam as histórias. Aqui, a segunda parte do meu guia particular da cidade que inspirou O amor segundo Buenos Aires.

 

1. Orquestra El Afronte

Em frente à Igreja Nossa Senhora de Belém, em San Telmo

Quem já visitou a feira de antiguidades de San Telmo em seu dia mais movimentado, o domingo, provavelmente já se deparou com a orquestra que dá um toque moderno às tradicionais músicas argentinas. Minha recomendação é fazer como Hugo, personagem central de O amor segundo Buenos Aires: prestar atenção ao que dizem as canções e se deixar levar por elas (uma gorjeta na canequinha é fundamental para fomentar a sobrevivência dos artistas). De quebra, o tango ainda embala os casais que dançam em uma esquina próxima, também em troca de um dinheirinho.

 

2. Manzana de las Luces

Esquina das ruas Perú e Moreno

O local onde Hugo finalmente redescobre que o amor é – apesar de tudo – sempre possível pode ser uma boa pedida para aprender um pouco mais sobre as origens de Buenos Aires. A Manzana de las Luces é um conjunto de galerias subterrâneas que começou a ser construído no século XVIII como um atalho em direção às igrejas do Centro. A visita guiada tem um pequeno custo, mas é bastante informativa. O mais interessante é conhecer um pouco desses labirintos sob a terra, que acabaram ligando os principais pontos da capital argentina, com saídas para o rio da Prata. Gosto de pensar que muitas das delícias vindas da Europa, degustadas pelos milionários no auge econômico da cidade, chegavam clandestinamente por essas passagens secretas.

 

3. Milonga de La Glorieta

Barrancas de Belgrano

Os espetáculos de tango da avenida 9 de Julho, superproduções no estilo Broadway (mas nem tanto…), nunca me atraíram. Acho o tango tão bonito e tão complicado que para mim é quase impensável que pessoas comuns possam dançá-lo. Assim como Martín e Carolina, muitos casais da região de Belgrano arriscam os primeiros passos na milonga de La Glorieta, realizada em um coreto no meio de uma grande praça. Há mulheres e homens que vêm sozinhos – e os pares acabam se formando ali mesmo, com toda a naturalidade. As milongas acontecem no finzinho da tarde. As luzes azuladas que se acendem quando a noite cai dão um toque especial à experiência.

 

4. Lumio Café y Delicias

Carlos Calvo, esquina com Bolívar, em San Telmo

O Lumio é um café pequenino, apertado, mas que eu faço questão de visitar sempre que vou a Buenos Aires – fica bem ao lado do mercado municipal de San Telmo, também parada obrigatória. Misto de café arrumadinho de Paris com lojinha de artesanato, o Lumio serve uma variedade incrível de cafés (o melhor é o cappuccino de doce de leite, que nunca esqueço). Dá para fazer como Leonor, uma das personagens centrais de O amor segundo Buenos Aires: usar as mesas de um lugar tão agradável para pensar no sentido da vida.

 

5. Confeitaria Ideal

Suipacha, 384

Essa confeitaria bem próxima à avenida 9 de Julho talvez seja um dos locais que melhor definam Buenos Aires. A atmosfera suntuosa – móveis em madeira de lei, lustres e grandes espelhos – contrasta com o jeito decadente do lugar. Parece que todas as glórias da Ideal ficaram no passado, mas, ainda assim, ela se mantém ali, ereta, como uma senhora de roupas de grife puídas que ostenta na garganta a única joia que sobrou da herança da família. A confeitaria, nos fins de tarde, abriga aulas de tango para novatos. Por um preço modesto, dá para fazer como Marta – outra personagem do livro – e arriscar um ou dois passinhos.

testeOs Guinle: um circuito turístico

Paredes de vidro e interior do Banco Boavista, projeto de Oscar Niemeyer (Foto por Kurt Hutton/Getty Images)

Paredes de vidro e interior do Banco Boavista, projeto de Oscar Niemeyer
(Foto por Kurt Hutton/Getty Images)

No início do século XX, a cidade de Newport, Rhode Island, região praiana na Costa Leste dos Estados Unidos, era a queridinha dos milionários americanos para construir suas casas de verão. Ainda hoje, Newport é conhecida por suas mansões e quem a visita em geral contrata uma excursão para conhecer as principais: Marble House e The Breakers, que pertenceram à família Vanderbilt, The Elms, uma cópia do palácio d’ Asnieres, na França, entre outras.

A partir de 2017, aqui no Rio de Janeiro, será possível organizar algo parecido, apenas com antigas propriedades da família Guinle. O tour, de um dia, ainda agregaria pontos turísticos importantes da cidade: praia de Copacabana, Aterro do Flamengo e baía de Guanabara.

A primeira visita seria à mansão dos Guinle da rua São Clemente, em Botafogo, propriedade em estilo eclético francês, típico da belle époque carioca. Nessa casa moraram os patriarcas Eduardo Palassim Guinle e Guilhermina, e, depois, sua filha Celina.

Na sequência, a excursão seguiria até o Parque Guinle, em Laranjeiras, onde fica o palácio Laranjeiras. Construído para servir de moradia por Eduardo Guinle, o primogênito do casal, foi inspirado no Cassino de Monte Carlo, em Mônaco. Além da beleza de sua arquitetura, abriga uma riquíssima coleção de obras de artes.

Antes do almoço no Copacabana Palace Hotel, obra de Octávio Guinle que simboliza internacionalmente todo o glamour da família, o tour visitaria as instalações da sede do Fluminense Futebol Clube, legado arquitetônico de outro irmão, Arnaldo Guinle, que presidiu o clube.

Após o almoço, o passeio tomaria o rumo da Marina da Glória, no Aterro do Flamengo. Embarcado em uma escuna, o turista veria de perto, além da bela paisagem da baía, a ilha de Brocoió, onde existe uma mansão em estilo normando construída por Octávio Guinle.

Na volta, os turistas passariam por dois prédios no Centro da cidade. O primeiro é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que, no passado, sediou a Companhia Docas de Santos, principal empreendimento dos Guinle. Localizado na avenida Rio Branco, o imóvel, concebido pelos Guinle especialmente para abrilhantar a reforma urbana promovida pelo prefeito Pereira Passos (1902-1904) na cidade, é outro legado da família.

A segunda visita seria à agência do Bradesco, na Candelária. O prédio abrigou a sede do Banco Boavista, idealizado e inaugurado pelo segundo filho do casal, Guilherme Guinle, e foi projetado, em 1946, pelo jovem arquiteto Oscar Niemeyer. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), é uma das joias da moderna arquitetura brasileira.

A criação desse tour só seria possível após 2016, pois tanto o palácio Laranjeiras como a mansão da rua São Clemente estão sendo reformados. O passeio teria grande potencial para agradar tanto a cariocas quanto turistas, pois aliaria história, arquitetura, cultura, natureza, futebol e sofisticação.