testeConheça a nova edição de Bird Box

Inspiração para um dos filmes de maior sucesso da Netflix e com mais de 200 mil exemplares vendidos no Brasil, Bird Box: Caixa de pássaros é um verdadeiro fenômeno. O thriller de Josh Malerman conta a história angustiante de Malorie, que busca sobreviver em um mundo pós-apocalíptico tomado por misteriosas criaturas. Alternando entre presente e passado, podemos acompanhar todos os sacrifícios, medos e dores de viver em um lugar onde abrir os olhos pode ser fatal.

Agora, o livro ganha uma edição especial para a Amazon, repleta de novidades exclusivas. Confira:

  1. Capa dura e metalizada

De cara nova, Bird Box: Caixa de pássaros está ainda mais luxuoso. A capa dura com acabamento metalizado tem uma ilustração incrível de Vincent Chong.

  1. Pintura trilateral

O livro tem também pintura trilateral na cor azul, combinando com a capa nova!

  1. Ilustrações de tirar o fôlego

As dez ilustrações impressionantes de Glenn Chadbourne deixam a trama de Bird Box: Caixa de pássaros ainda mais perturbadora.

  1. Conto inédito

Josh Malerman escreveu especialmente para essa edição o conto Bobby bate à porta, ambientado no mesmo universo de Bird Box.

testeCinco casos de crimes bizarros não solucionados

Casos de investigação criminal são altamente explorados pelo entretenimento e dão origem a livros, filmes, séries de TV e podcasts. Em alguns deles, os acontecimentos são acompanhados em todas as etapas, desde simulações dos momentos que precederam o crime até a prisão dos responsáveis; em outros, porém, os culpados nunca foram encontrados e o mistério permanece. Inspirados pelo terrível caso de triplo homicídio não resolvido nas montanhas do livro A essência do mal, montamos uma lista com cinco crimes reais que permanecem um mistério até hoje.

Confira:

O remédio envenenado

Em 1982, na cidade de Chicago, sete pessoas morreram após ingerirem pílulas envenenadas. Entre as vítimas, três eram da mesma família. Durante a investigação, os detetives perceberam que as embalagens dos remédios de todas as vítimas eram do mesmo lote e cheiravam a amêndoas (um possível sinal de cianeto), embora tenham sido compradas em lojas diferentes. O resultado da autópsia comprovou a presença de altas doses de cianeto, e as autoridades chegaram à conclusão de que as mortes foram provocadas por envenenamento intencional.

Uma onda de pânico varreu os Estados Unidos e muitas pessoas lotaram os hospitais, preocupadas e com medo. Surgiram muitos casos de criminosos tentando imitar o envenenamento original, usando veneno de rato e até ácido clorídrico.

Apesar de terem surgido três suspeitos ao longo da investigação, a polícia não conseguiu comprovar ou descobrir quem realmente foi o responsável pelos crimes.

Uma curiosidade: o lacre de alumínio presente em todos os medicamentos que encontramos à venda hoje em dia foi criado por causa desse crime.

 

Michelle Von Emster

Michelle Von Emster foi encontrada morta por dois surfistas na praia de Sunset Cliff, em San Diego, nos Estados Unidos, em 1994. A princípio, acreditou-se que a causa da morte fosse ataque de tubarão. Após uma segunda análise, contudo, um especialista em tubarões-brancos contestou o resultado, alegando que a fratura na perna de Michelle não lembrava em nada o resultado da mordida de um desses animais.

Com isso, começaram a surgir diversas teorias sobre o que realmente teria acontecido com a vítima. Uma delas seria a de que ela foi nadar e se afogou sozinha, enquanto outra diz que ela pode ter caído de um pequeno precipício que existe na beira da praia. Existe ainda uma terceira teoria que fala sobre um possível assassinato. No fim, nunca se descobriu o que de fato aconteceu com ela.

 

O assassinato nas montanhas

Em 1959, nove esquiadores foram encontrados mortos em um acampamento perto da montanha Otorten, na Rússia. Primeiro, encontraram cinco corpos. Apesar do frio, dois deles estavam vestindo somente roupas de baixo. Segundo a autópsia, as mortes foram causadas por hipotermia, embora umas das vítimas apresentasse uma fratura no crânio.

Dois meses depois, outros quatro corpos foram achados: crânios fraturados, costelas quebradas e até uma língua decepada! E o mais estranho de tudo: eles estavam vestindo as roupas das primeiras vítimas. Para deixar a situação ainda mais esquisita, foram encontrados sinais de radiação nas roupas e no acampamento. Além disso, não havia indícios de que a barraca tinha sido invadida, mas de que tinha sido rasgada de dentro para fora.

Surgiram algumas teorias: uma possível avalanche, um teste de míssil soviético, um ataque do Yeti e até aliens! Por fim, o caso nunca teve solução…

 

A Dália Negra

Um dos casos de assassinato mais conhecidos da história dos Estados Unidos, Dália Negra foi a forma como passaram a chamar a jovem de 23 anos Elizabeth Short, encontrada morta em um terreno baldio em Los Angeles em 1947. Seu corpo estava repartido em dois – na altura da cintura –, possuía diversas escoriações, fraturas no crânio, um corte à lâmina na altura dos lábios e o sangue fora totalmente drenado. As únicas pistas eram marcas de pneu saindo do local, pegadas de botas e um saco de cimento com sangue dentro.

Apesar dos esforços da polícia, a limitada tecnologia forense da época dificultou a identificação do assassino. Cerca de 60 pessoas confessaram o crime em busca de atenção da mídia, mas apenas 25 foram interrogadas e ninguém foi condenado. A história deu origem a filmes, livros e apareceu em diversos programas de TV, porém, mais de setenta anos depois, permanece sem solução.

 

O mistério Paulette Gebara

Paulette Gebara era uma menina de quatro anos que sofria com limitações físicas e de fala. Ela desapareceu em 2010 em Huixquilucan, no México, e toda a família e o departamento de polícia se mobilizaram nas buscas pelo apartamento e nos arredores. Não havia vestígio de entrada forçada ou roubo e não havia testemunhas. Os pais da menina utilizaram os meios de comunicação para fazer apelos aos supostos sequestradores para que a devolvessem. 

O caso começou a ficar estranho quando a polícia fez uma segunda busca na casa. Após uma queda de luz que durou alguns minutos, o corpo da menina foi finalmente encontrado enrolado em um lençol no vão entre a cama e o colchão. A causa da morte foi definida como acidental, em decorrência de uma asfixia mecânica, porém algumas controvérsias fizeram com que a hipótese não fosse amplamente aceita: as babás da menina afirmaram que o corpo não estava no local no momento da primeira busca; em uma gravação, a mãe de Paulette pedia à filha mais velha que não comentasse o caso do desaparecimento para evitar que elas fossem consideradas culpadas; e o pijama que a menina usava no momento em que o corpo foi encontrado era o mesmo que apareceu na cama da mãe em uma entrevista que ela deu para a TV falando sobre o desaparecimento.

Diante desses fatos, a opinião pública se voltou contra a mãe, Lizette; todos estavam certos do envolvimento da família na morte da criança. Contudo, o caso permaneceu encerrado como acidente.

No thriller A essência do mal, um crime terrível acontece na região dos Alpes italianos e o caso é encerrado sem que o responsável seja encontrado. Anos depois, um documentarista americano se muda para o local e fica obcecado pela história, determinado a descobrir o que aconteceu nas montanhas naquele fatídico 28 de abril de 1985.

testeCrimes de paixão: a construção de Por trás de seus olhos

Entrevistamos a autora de Por trás de seus olhos, o livro mais surpreendente do ano.

Por André de Leones*

 

Sarah Pinborough

Jornalistas adoram rótulos. Ainda que Rebecca, romance de Daphne Du Maurier, tenha sido lançado em 1938 (e adaptado para o cinema dois anos depois por ninguém menos que Alfred Hitchcock, em um longa que faturou o Oscar de Melhor Filme), deram um jeito de apelidar os recentes thrillers psicológicos, narrados por personagens femininas nada confiáveis e coroados por reviravoltas incríveis, de Grip-Lit (ou gripping psychological thrillers). É onde se encaixam obras como Garota exemplar, de Gillian Flynn, e Por trás de seus olhos, romance de Sarah Pinborough que vem cativando muito leitor calejado com sua narrativa escorregadia, cujo desfecho, mais do que imprevisível, é fantasticamente perturbador — aliás, escrevemos sobre o livro aqui.

Nascida em 1972, na pequena cidade de Milton Keynes, a uns setenta quilômetros de Londres, Pinborough já tinha uma carreira estabelecida como autora de ficção young adult, fantasia e terror antes de investir no (vá lá) gênero Grip-Lit. Deu muito certo: Por trás de seus olhos chegou sem demora às listas dos mais vendidos e vem sendo traduzido e lançado em dezenas de países. Uma adaptação para cinema ou TV não deve demorar. Foi com simpatia e bom humor que ela cedeu a entrevista que se segue, na qual fala um pouco sobre a escrita do livro, as circunstâncias em que bolou seu desfecho marcante, os próximos planos e outras coisas.

 

Li que Por trás de seus olhos tem elementos autobiográficos. Isso é verdade? Se for, em que sentido?

Sarah Pinborough: Não há tantos [elementos autobiográficos] assim! Mas, como mulher solteira na casa dos quarenta, fui estúpida o bastante para ter aquele caso equivocado e estranho (no romance, a personagem Louise se envolve com seu chefe, David, um homem casado). E eu bebo vinho branco e tenho um cigarro eletrônico. Mas as semelhanças param por aí!

 

A primeira coisa que chamou a minha atenção foram as vozes dos personagens. Você realmente fez um ótimo trabalho ao distinguir essas vozes, o que é imprescindível para que o romance funcione apropriadamente. Como foi o processo?

SP: Ah, obrigada! Eu realmente não levo as vozes tão em conta, mas, considerando que havia duas narradoras principais em primeira pessoa, ambas mulheres, quis diferenciá-las da melhor maneira possível. Adele é uma pessoa bastante meticulosa e controlada e eu tentei fazer com que sua linguagem refletisse isso, enquanto que Louise, que Deus a abençoe, é mais dispersa, bagunçada, então seus pensamentos expressam isso. Mas, acima de tudo, assim que você conhece o personagem, a voz dele simplesmente aparece — ainda que isso soe um pouco pretensioso.

 

Além de ser um thriller psicológico, o romance explora temas importantes como atração, infidelidade, ciúmes etc. Na verdade, se esses temas não fossem abordados de forma realista, o suspense e as reviravoltas não seriam tão impactantes. Você tinha a intenção de abordar esses temas desde o começo?

SP: Sim, sem dúvida. Eu realmente queria escrever sobre um caso amoroso e todos os pormenores e emoções que vêm à tona, e quis brincar com o estereótipo da amante mais jovem e bonita, por isso era importante Adele ter uma beleza mais padrão. Acho que, no mundo moderno, com todos tão conectados via redes sociais, celulares e e-mail de uma forma que não éramos há vinte anos, é bem mais fácil sermos atraídos pela infidelidade. A maioria dos relacionamentos começa com as pessoas dizendo que jamais voltarão a trair e quase sempre termina porque alguém fez isso, e então eu quis explorar esse mundo.

Você também escreve para a televisão. Esta experiência influencia seu trabalho como romancista?

SP: Por certo me ajudou nos diálogos. Além disso, na televisão e no cinema cada cena tem um propósito a cumprir — tem que conduzir a história de alguma forma —, então eu continuo tentando trazer isso para a escrita dos meus romances. Nem sempre funciona — é muito mais fácil pesar a mão num romance que num roteiro para a TV.

 

Adele e Louise são fascinadas uma pela outra. É justo dizer que esse fascínio transcende o personagem masculino, de tal forma que David é meramente instrumental? Ele, por exemplo, não tem uma voz.

SP: Sem dúvida. Descobri pela minha própria experiência e pelas experiências de amigos que, se uma mulher dorme com um homem casado, ela quase sempre fica fascinada pela esposa, e a esposa, pela amante, e o homem se torna quase irrelevante. Mulheres foram condicionadas por séculos a competir umas com as outras, e todas pensamos que as outras são melhores nisso de “ser mulher”. Nós constantemente nos comparamos com outras mulheres e nos achamos inferiores. Sobretudo quando somos jovens. Eu quis explorar esse fascínio. É um livro mais sobre elas do que sobre ele, ainda que seja ele quem as aproxime.

 

Como você vê o desenvolvimento e o protagonismo de personagens femininos na literatura contemporânea, especialmente em thrillers?

SP: É realmente incrível como personagens femininas passaram ao primeiro plano e deixaram de ser algo mais do que apenas calculistas ou vítimas. Amo Rebecca, de Daphne Du Maurier, e penso que Amy, de Garota exemplar, abriu a porta para que nos thrillers as mulheres possam ser mulheres, boas e más, e assumam o lugar central. Não sei quanto tempo a bolha Grip-Lit vai durar, há tantos livros desse gênero já publicados, mas estou curtindo, e espero que ela tenha mudado para valer a maneira como escrevemos sobre mulheres na literatura policial.

 

Você poderia, por favor, falar um pouco sobre como surgiu a ideia para o final? Quer dizer, você já começou a escrever o romance sabendo como ele terminaria?

SP: Eu com certeza já tinha o final em mente antes de começar. Sabia que queria escrever um thriller sobre um affaire, algo claustrofóbico e com uma pegada Polanski/Hitchcock, mas não conseguia encontrar algo, uma ideia, que não parecesse corriqueira. Comecei a me sentir bastante frustrada, então fui a um bar, pedi uma taça de vinho, abri o notebook e passei a rascunhar meus personagens: quem eram, o que acontecia com eles – e então foi como se uma lâmpada se acendesse, o momento em que pensei “E se?”, e foi isso. O fim estava lá.

 

Li que você mora em Milton Keynes. Não sei se você curte futebol (caso não curta, apenas ignore isto), mas, como torcedor do Liverpool, gostaria de agradecer o Milton Keynes Dons por destroçar o Manchester United na Copa da Liga anos atrás. Aquilo foi quase tão emocionante quanto Por trás de seus olhos.

SP: (Risos.) Vai, Dons!

 

Para terminar, você poderia dizer o que vem a seguir? Está trabalhando em algum novo projeto?

SP: Estou trabalhando em outro thriller que se concentra em personagens femininas e tem uma reviravolta, mas é bem diferente de Por trás de seus olhos. Estou bastante satisfeita com ele, que será lançado em maio do ano que vem. Não sei ao certo se posso dizer qual é o título, então não vou revelar!

 

*André de Leones é autor do romance Abaixo do paraíso, entre outros. Página pessoal: andredeleones.com.br.

testeAntes e agora: os mistérios de Quem era ela

No thriller Quem era ela, Emma e Jane queriam uma nova vida e viram na mudança para uma casa inusitada em Londres a possibilidade de tê-la. Elas se depararam com inúmeros segredos por trás daquelas paredes e viveram situações ameaçadoras até desvendarem todos os mistérios escondidos ali.

Carol e Nina são duas meninas de setores diferentes da Intrínseca que trabalharam no livro. Elas se uniram para dividir suas experiências e comentar sobre os processos de antes e depois da publicação dessa obra.

 

ANTES: NINA
Oi, gente! Eu sou a Nina, trabalho no departamento editorial da Intrínseca e adoro ler romances e thrillers. Quanto mais amor e mistério melhor! E fui a pessoa responsável por cuidar da preparação do texto do mais novo thriller da editora: Quem era ela.

AGORA: CAROL
Oi! Sou a Carol, trabalho no marketing e, assim como a Nina, adoro thrillers! Eu participei da elaboração da campanha de divulgação do livro, depois que ele já estava quase pronto para ser distribuído nas livrarias.

Kit de divulgação. [Foto: Leitora Compulsiva]

ANTES: NINA
Eu lembro que, quando recebemos a informação da compra do livro pela Intrínseca, o pessoal do setor de aquisições estava muito animado. Mas eu não me convenço assim tão fácil! Quando comecei a trabalhar no texto traduzido, fui com pouca expectativa, mas, ó: se me pedissem para recomendar um único livro de suspense para alguém, com certeza seria esse! A história é tão surpreendente e bem construída, que é preciso ler de cabo a rabo. Não seja o apressadinho que pula algumas páginas aparentemente pouco importantes: há revelações em cada parte do livro, inclusive no prefácio e nos agradecimentos. #ficaadica

AGORA: CAROL
Verdade! Depois que o livro é traduzido, revisado e entra na programação de lançamento, nós, do marketing, sempre fazemos uma reunião mensal para decidir quem ficará responsável por cada campanha. Quando li a sinopse e vi o booktrailer de Quem era ela, logo pedi para ler e participar. A história me intrigou muito! Conforme ia avançando na leitura, fiquei encantada com a criação e o desenvolvimento das duas personagens principais, Emma e Jane.

ANTES: NINA
E o que mais me encantou na história foi a duplicidade dessas mulheres. Duas personagens com personalidade e estilo de vida tão diferentes que acabam enfrentando os mesmos fatos inusitados no mesmo lugar: a casa minimalista e cercada de mistério de um arquiteto renomado em Londres. Jane, a atual moradora, precisa correr contra o tempo para descobrir a verdade sobre o destino trágico de Emma, a antiga residente, antes que tenha um desfecho similar. É preciso montar as peças de um grande enigma para saber quem era ela e ter a chance de escapar.

AGORA: CAROL
Nina só se esqueceu de dizer que o arquiteto e proprietário da casa, Edward, parece bastante com um personagem que ela adora, né?! (Christian Grey, gente!)

Ele é controlador e, além de fazer os candidatos a inquilino preencherem uma ficha com um monte de perguntas bizarras, os moradores que passassem pela avaliação dele teriam que abdicar de inúmeros objetos, como livros, móveis e todo tipo de decoração para viver a experiência de morar naquela casa da Folgate Street.

ANTES: NINA
Menina, é aí que mora o charme da história. Imagina colocar alguém parecido com Christian Grey numa casa misteriosa com mulheres cheias de segredos? Melhor ideia de todas! Só lendo para descobrir o que pode acontecer.

Além disso, nossa edição está linda, quebramos muito a cabeça para pensar no melhor título para esse livro, a Carol e a equipe do marketing criaram uma campanha incrível e agora estou doida para saber a opinião dos leitores!

AGORA: CAROL
Nós queríamos tanto aguçar a curiosidade de vocês, que criamos um questionário, bem semelhante ao do livro, com perguntas para verificar se os leitores estavam aptos a encarar nosso novo thriller. Todo mundo ficou enlouquecido e deu super certo! Depois que divulgamos a resposta de “Que livro é esse?!”, a recepção foi LINDA nas redes sociais e com nossos blogueiros! <3 Também, né? Como não amar e se envolver com Quem era ela?

Agora resta só saber a opinião de vocês. Contem pra gente! Eu e Nina vamos amar saber.

Beijos e até a próxima!

>> Conheça o nº1 da Folgate Street

testeO que aconteceu na Freddy’s?

A Pizzaria Freddy Fazbear’s era um dos maiores sucessos de Hurricane, cidade do interior do estado americano de Utah. Com seus memoráveis animatrônicos Bonnie, Chica, Foxy e, o principal, Freddy, o lugar estava sempre repleto de crianças comendo, brincando e se divertindo com os personagens. Até o fatídico mês de julho de 1985.

Michael Brooks tinha sete anos e passava mais um dia na pizzaria, acompanhado do seu grupo de amigos: John, Lamar, Marla, Jessica, Carlton e Charlie, filha do dono do local. Durante uma pane inesperada nos bonecos, Michael desapareceu sem deixar vestígios, chocando a cidade inteira. O trauma marcou para sempre a vida de todos os envolvidos, a maioria das famílias foi embora de Hurricane e as crianças se distanciaram.

Dez anos depois, Charlie retorna à cidade junto do grupo de ex-amigos para uma cerimônia em homenagem a Michael. E lá a garota vai desenterrar os terríveis mistérios em torno da Freddy’s.

Em Olhos prateados, Scott Cawthon, criador da série de jogos de terror Five Nights at Freddy’s, extrapola o universo que conquistou fãs no mundo todo e traz à tona os medos mais obscuros que só brinquedos sinistros são capazes de provocar. O livro chega às livrarias a partir de 03 de março.

testeO livro que ganhou minha prateleira e meu coração

Por Nina Lopes*

Eu tenho dois tipos preferidos de história: as românticas, que afloram todo o amor que carrego, e as de suspense, que despertam o detetive que mora dentro de mim. Quando um livro é capaz de juntar as duas coisas, pronto, já vai para a minha prateleira de preferidos. E nessa prateleira não pode faltar A verdade sobre o caso Harry Quebert. O combo romance arrebatador com fim trágico, investigação policial, passado repleto de mistério e o processo de escrita de um autor só poderia se tornar um fenômeno mundial. E não é todo dia que um escritor jovem, formado em Direito, de um país pequeno como a Suíça, que escreve em francês, mas situa sua história nos Estados Unidos, consegue agradar a exigente crítica francesa e a do resto do mundo e também um público igualmente rigoroso.

Hoje em dia a dinâmica do leitor é outra. Não basta ser fã do livro, é preciso seguir os ídolos nas redes sociais. Como não sou boba, fui logo curtindo a página do Joël Dicker e ao longo desse tempo fui acompanhando sua rotina de divulgação do livro, suas viagens e as fotos do seu dia a dia. Até que no ano seguinte, como um bom autor de thriller, ele criou um suspense dizendo que ia anunciar uma novidade em alguns dias. Marcou, inclusive, data e horário com os fãs. Lá fui eu calcular o fuso horário, marcar a data na minha agenda e apertar F5 enquanto a página não atualizava. Depois da espera, da ansiedade e de várias suposições, Dicker anunciou que lançaria um novo livro. E mais: o personagem emblemático da história anterior, Marcus Goldman, voltaria.

E aí você se pergunta: como inovar trazendo o mesmo personagem outra vez em busca de uma história para contar? E o mais difícil: como superar um sucesso mundial? Mas Joël Dicker não foi tão aclamado à toa. A história do seu novo livro começa em 2004, com o chamado “dia do Drama” (Drama em caixa alta para ficar mais impactante, do jeito que a gente gosta), em que um dos primos de Marcus Goldman é condenado a cinco anos de prisão. Somos introduzidos ao passado do personagem, que cresceu feliz ao lado dos tios endinheirados, dos primos e de um grande amor de juventude, mas o destino de todos eles acabou marcado por uma tragédia inesperada.

As memórias dessa época voltam quando Marcus resolve passar uma temporada na Flórida e lá reencontra seu amor do passado. Não só a antiga paixão reacende, como também os ressentimentos e as peças soltas de um quebra-cabeça que ele nunca conseguiu montar. Enquanto tenta desvendar o mistério do que aconteceu com as pessoas que ele mais amava e decidir seu futuro, Marcus Goldman resolve escrever um romance sobre a sua família, mas com uma bela intenção por trás: a de perdoar e redimir aqueles que erraram e sofreram.

Dessa vez, Dicker escreveu um livro ainda mais inteligente e maduro e consolidou um estilo narrativo próprio, como todo grande escritor. Sua humanidade na hora de contar a história e sua sensibilidade na construção dos personagens são, para mim, o grande diferencial desse autor. Abordando temas presentes na vida de todos nós, como disputa de ego e poder, o peso da culpa, rivalidade na família e a desagradável responsabilidade de agradar os pais e ser bem-sucedido, O livro dos Baltimore certamente vai fazer sucesso com quem gostou de A verdade sobre o caso Harry Quebert, e também com quem não conhece a primeira obra, pois as duas funcionam de forma separada. Na realidade, certamente vai agradar a todos que gostam de uma boa história.

Ao usar o mesmo personagem, Dicker torna a literatura e os leitores testemunhas da vida de Marcus Goldman. Um romance completo, com mistérios, segredos, amor (obrigada, Dicker!) e um final lindo e tocante que vai emocionar principalmente quem já perdeu alguém especial. Uma leitura que vale a pena, porque, como diz o próprio Marcus, os livros são ainda mais intensos que a vida.

>> Leia um trecho de O livro dos Baltimore

Nina Lopes é editora assistente no setor de ficção da Editora Intrínseca e é dessas que se apaixonam pelos personagens dos livros que lê.

testeAdrenalina em escala global

Eu sou o Peregrino é um épico impressionantemente detalhista e dinâmico sobre política internacional, o mundo da espionagem e terrorismo — e é o primeiro livro do roteirista Terry Hayes, que escreveu os primeiros filmes da série Mad Max entre outros de sucesso

Por Alexandre Matias*

Peregrino

“Escrever um filme é como nadar em uma banheira e escrever um romance é como nadar no oceano.” A diferença de escala entre os dois formatos, uma citação de John Irving presente no início dos agradecimentos de Eu sou o Peregrino, não é apenas o principal diferencial do romance de estreia do roteirista de cinema Terry Hayes em relação aos seus trabalhos anteriores. Conhecido por escrever o roteiro do segundo e terceiro filmes da série Mad Max, nos anos 1980, Hayes escreveu bons thrillers na virada do milênio (como O Troco, com Mel Gibson, Limite Vertical, com Chris O’Donell, e Do Inferno, com Johnny Depp). Mas nenhum desses filmes se compara ao calhamaço que inaugura sua bibliografia.

A ameaça das quase 700 páginas do livro, no entanto, começa a se desfazer logo que começamos a leitura. Hayes puxa o primeiro fio da meada com um assassinato num hotel barato em Nova York, que traça conexões no Oriente Médio, nos Balcãs, em um banco suíço, em Paris, em Veneza, na Turquia e no Afeganistão, numa espiral de acontecimentos inesperados ao redor de dois personagens densos definidos por seus codinomes, Sarraceno e Peregrino. A narrativa da história é ao mesmo tempo detalhista e deliciosa e as páginas são viradas numa compulsão que desafia o leitor não apenas pela complexidade da trama, que mistura política internacional, espionagem, técnicas de tortura, biotecnologia, história da arte, internet e o 11 de Setembro, mas também pela profundidade de seus protagonistas, agentes perfeitos que não deixam rastros, tão motivados quanto determinados — além de extremamente complexos —, colocados um contra o outro em uma conspiração de escala planetária.

“Acho que o público em geral está em busca de experiências mais intensas e mais amplas”, me explicou o autor em entrevista por e-mail. “As prateleiras das livrarias estão cheias de thrillers e de romances policiais. Os cinemas também viviam cheios disso. Mas agora as pessoas já tiveram essas experiências tantas vezes que estão em busca por algo diferente — talvez uma experiência que de alguma forma seja mais abrangente. Percebi que tinha que fazer algo diferente de outros livros em um mercado que é muito disputado — eu tinha que ir rumo a uma experiência mais épica.” Também conversamos sobre a adaptação do livro para o cinema, suas influências narrativas e o que ele achou do novo Mad Max.

Fotos_Peregrino

Quanto você teve de estudar para entrar nas mentes dos dois personagens principais?
Bem, você precisa acreditar nos personagens. Você não pode considerar que só existem mocinhos e vilões. Se fosse óbvio dessa forma, por que se importar em ler um livro? Você tem de misturar — como na vida, suponho. Steven Spielberg, que sabe umas coisinhas sobre como contar histórias, diz que não existem personagens maus — só pessoas com más intenções. Entendo que ele queira dizer que não existe ninguém que acorde de manhã e decida ser mau — são suas experiências e objetivos que os guiam, passo a passo, rumo a um caminho que leva às más consequências. Eu certamente criei meu chamado vilão dessa maneira. De forma similar, o herói também faz coisas assustadoras. Acho que isso os transforma em personagens mais interessantes e levanta uma série de questões morais interessantes.

Eu fico impressionado — e muito agradecido — que tantos resenhistas ao redor do mundo tenham dito que, de alguma forma, simpatizaram com o vilão. Mesmo que ele tenha um plano horrível para colocar em ação. Esse elogio me prova que eu criei um personagem com motivações convincentes e que eu pelo trilhei um caminho no sentido de criar um ser humano real e não um vilão de papel. As histórias estão repletas desse tipo de personagem e acho que não precisávamos de mais um deles.

Por isso, se você trabalha desse ponto de partida — que ambos os personagens principais devem ser escritos de forma bem positiva —, você apenas prossegue cada vez mais fundo e tenta garantir que tudo que eles façam seja lógico. Para os dois, você tem que continuar dizendo: “E se fosse comigo, o que eu faria?”. O único problema é que isso parece mais fácil de fazer do que acaba sendo quando você está sentado na frente da tela vazia do computador.

 

Você conhece pessoalmente os lugares e tem noção dos procedimentos descritos com tantos detalhes no livro?
Conheço muito dos lugares mencionados no livro porque tive a sorte de viver em muitos países diferentes e viajei para um número ainda maior deles. Há passagens num banco privado em Genebra que, como morei na Suíça por anos, tirei da minha experiência pessoal. O mesmo pode ser dito de Santorini, Paris, Londres e por aí vai. Fui correspondente internacional em Nova York e em Washington, então compreendo bem como funcionam o governo norte-americano e suas agências de inteligência. Escrevi muitas matérias sobre grupos de inteligência e conversei com vários dos seus integrantes de alto escalão, por isso eu sei onde como buscar informações e o tipo de detalhes que não são necessariamente conhecidos de todos.

 

Quais foram suas principais influências narrativas — tanto filmes quanto livros — para este romance?
Gosto de boas histórias, com uma linguagem clara e precisa. Você precisa de personagens com motivações convincentes e ter algo correndo risco que faça com que o público se importe. Por isso, naturalmente, amo os filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood. Casablanca, Uma Aventura na África, Núpcias de Escândalo e vários outros que foram adaptados de livros muito bons. Isso continua até os anos 1970 e até mesmo depois, filmes como A Ponte do Rio Kwai, O Poderoso Chefão, A Primeira Noite de um Homem. São muitos! Infelizmente, os filmes dependem menos de livros bem escritos e mais de histórias em quadrinhos hoje em dia e por isso é difícil encontrar narrativas fortes que não dependam apenas de explosões e eventos que desafiam as regras da física. No que diz respeito à literatura, eu tive a sorte de, ainda criança, ler bastante e de ter um pai que me encorajava a ler o melhor que o mundo podia me oferecer. Por isso fui de Hemingway e F. Scott Fitzgerald para Herman Hesse, Cervantes e, claro, a Bíblia. Afinal, se há uma coleção melhor de ótimas histórias, eu ainda tenho que encontrá-la. Talvez As Mil e Uma Noites. Deixando as conexões religiosas do Novo Testamento de lado, a história de Jesus ainda é a melhor história de herói já contada. Melhor que a de Luke Skywalker, que pegou muita coisa emprestada dali.

untitledTerry Hayes

Eu sou o Peregrino será adaptado para o cinema? Quando você escrevia pensava no livro como um filme?
Ele está se transformando em um filme enquanto conversamos — então essa é uma resposta fácil. Será um bom filme? Isso é uma resposta mais difícil de dar, afinal, não há muitos deles hoje em dia, não? Mas eu tenho a esperança de que será, sim! Acho que quando estava escrevendo pensei nisso porque costumo pensar em cenas e momentos impactantes. Escrevi filmes por tanto tempo que agora meio que está no meio DNA. Óbvio que escrever um romance é algo bem diferente, mas foi um ponto de partida — bem útil, na minha opinião.

 

Como autor da história de dois dos três primeiros filmes da franquia Mad Max, o que você achou do quarto filme da série, lançado no ano passado?
Eu gosto muito do novo, Mad Max: Estrada da Fúria. Uma das coisas que eu mais gosto dele é que George Miller —um amigo muito querido — não apenas reciclou os velhos; ele o levou para um rumo novo e ainda mais empolgante. É claro que é um tour de force de direção e ele mereceu, de verdade, a indicação para o Oscar. Na minha opinião imparcial, ele devia ter ganhado. Parte do problema com continuações é que as pessoas ficam muito tentadas a apenas duplicar o que consideram que foram os elementos bem-sucedidos. Não é o caso de George, ele ainda está lá explorando os próprios limites e a si mesmo. Ele não é mais jovem, por isso é incrível ver um cineasta e roteirista querendo fazer isso.

 

E o que você está fazendo atualmente? Trabalhando em algum filme ou em seu segundo romance?
Finalizei o roteiro para Eu sou o Peregrino, que vai ser produzido pela MGM, e agora estou trabalhando em como vou lidar com a realização do filme. E estou escrevendo também outro romance, The Year of the Locust [ainda sem título em português, será publicado pela Intrínseca], que é uma espécie de cruzamento entre O Exterminador do Futuro, O Planeta dos Macacos e um thriller de espionagem. Eu sei, parece maluco, e provavelmente é mesmo, mas eu realmente gosto dele e acho que será uma história arrebatadora, então já é um bom começo! Não há nada pior, imagino, do que tentar escrever sobre algo que você não gosta. Espero que os leitores compartilhem esse meu entusiasmo!

>> Leia um trecho de Eu sou o Peregrino

 

Alexandre Matias, 41 anos, é jornalista e cobre cultura e tecnologia há vinte anos, com base em seu site, o Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br).

testeO mundo cão de Nic Pizzolatto

Por Pablo Rebello*

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A primeira temporada de True Detective ia pela metade quando descobri o universo criado por Nic Pizzolatto. Não esbarrei com a série por acaso. Fui atraído até ela por seus laços com uma obra obscura da literatura: O Rei de Amarelo, de Robert W. Chambers, personagem que também aparece em diversos contos de H. P. Lovecraft, de quem sou fã. A possibilidade de assistir a influências lovecraftianas na televisão foi o que me atraiu a princípio, mas o texto cru e filosófico de Pizzolatto acabou me segurando. Por isso fiquei muito interessado quando descobri que a Intrínseca lançaria Galveston, o primeiro romance do autor.

Obviamente, a linguagem televisiva não poderia ser mais diferente da literária. A transposição de uma mídia para outra muitas vezes não é satisfatória. Além disso, alguns autores se dão melhor na página escrita enquanto outros brilham por trás das câmeras. Embora a longa investigação de Rust Cohle (Matthew McConaughey) e Marty Hart (Woody Harrelson) se assemelhasse na apresentação a um romance policial, eu ainda tinha dúvidas se Pizzolatto seria capaz de repetir o truque na mídia impressa. No entanto, a leitura do primeiro capítulo de Galveston sanou esse problema. E também me pegou de jeito, levando-me para outro passeio pelo submundo americano.

Galveston - CAPA E LOMBADA.inddTodos os elementos que me impressionaram no seriado estão lá. As vidas despedaçadas dos protagonistas, o rolo compressor da rotina esmagando os dias em busca de um sentido, a ausência de saídas fáceis e a violência desmedida para alcançar objetivos imediatos. Até mesmo os bonequinhos metálicos feitos com latas vazias de Lone Stars estão em Galveston. Enfim, não faltam detalhes para agradar tanto aos fãs da série como a quem nunca assistiu ao programa. Tudo pontilhado por uma narrativa crua e visceral, com uma pegada noir preocupada em não perder a verossimilhança com a realidade.
À primeira vista, Roy Cody parece ser só mais um matador de aluguel durão, sem nada a perder, como tantos outros que encontramos em thrillers policiais. Uma consulta ao médico confirma que ele não está nada bem: câncer espalha-se por seus pulmões. Roy Cody é um homem marcado para morrer. E não é só a doença que ameaça levá-lo. Seu chefe, Stan Pitko, ordena que ele faça um serviço desarmado que logo se revela uma armadilha mortal.

link-externoOuça a playlist de Galveston, por Marcelo Costa

Como um bom matador de aluguel, Roy consegue escapar das garras dos inimigos e despachá-los para o além em um confronto breve e violento. Quando os sons pneumáticos dos revólveres se calam e o cheiro de pólvora se dissipa, ele se vê em uma casa repleta de cadáveres e sangue espalhado pelo chão. Pior: ele não está sozinho. Uma garota de programa sobreviveu à chacina e viu o seu rosto. Sem estômago para eliminar a última testemunha, Roy decide levá-la em sua fuga de Nova Orleans para Galveston, no Texas. E é a partir daí que a história se desenvolve de verdade.

Com o cenário montado, Pizzolatto dedica-se a nos apresentar os infortúnios de Roy e de sua nova cúmplice, Raquel “Rocky” Arceneaux. O relacionamento conflituoso do matador de aluguel com a prostituta foge do convencional, revelando a riqueza dos personagens que vivem às margens da sociedade, perdidos em hotéis de beira de estrada e que alimentam sonhos pueris de um amanhã melhor. Roy não aceita as mentiras de Rocky, que, por sua vez, aproveita-se da proteção oferecida pelo matador para cometer seus próprios pecados.

O livro é marcado pela tentativa dos dois personagens de escapar do passado e dar um novo rumo para suas vidas. No entanto, por mais que tentem, por mais que se esforcem, ambos conhecem bem demais a realidade para se enganarem por muito tempo. Galveston é um romance de partir corações, escrito com maestria e frieza por um autor que merece o destaque que tem. Não espere por finais felizes. Ilusões não sobrevivem debaixo do sol abrasador do Texas. Só as memórias amargas de tudo que foi e do que poderia ter sido resistem para contar a história até o final.

link-externoLeia um trecho de Galveston

Cena de "True Detective"

Cena de “True Detective”

 

Pablo Rebello é assistente de Comunicação na Intrínseca e escritor nas horas vagas. Tem histórias publicadas nas coletâneas Contos da Confraria (Ed. Bookmakers) e Dragões (Ed. Draco) e é autor do e-book Deserto dos desejos (disponível na Amazon).

testeOs lugares escuros de Gillian Flynn ou Não apague a luz

Por Bruno Capelas*

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Quando Libby Day tinha sete anos, um massacre arrasou sua família. Com requintes de crueldade e toques de satanismo, sua mãe, Patty, e as duas irmãs mais novas, Debby e Michelle, foram assassinadas. O irmão mais velho da garota, Benjamin Day, foi acusado pelo crime. Única sobrevivente daquela noite de 1985 além dele, Libby tinha tudo para se tornar uma menina (e mulher) indefesa, superprotegida pelo mundo. Mas ao conhecermos a protagonista de Lugares escuros, segundo romance de Gillian Flynn, nos deparamos com um cenário bem diferente.

Na abertura do livro (e também do filme homônimo, que estreou na última semana nos cinemas brasileiros), Libby tem mais de 30 anos, não trabalha nem demonstra propensão para qualquer profissão. Rebelde, vive às custas de um fundo de doações que recebeu após o crime parar nas páginas dos jornais. Mas seu tempo está acabando: depois de mais de duas décadas, seus recursos estão chegando ao fim e ela precisa arranjar dinheiro. É nesse ponto que a trama de Flynn — sempre cheia de reviravoltas — começa a se desenrolar. Em vez de procurar um emprego, Libby aceita se envolver (e até extorquir) com um grupo de aficionados por crimes que quer entender melhor o passado de sua família.

CAPA_LugaresEscuros_MAIN (2)Mesmo antes dos assassinatos a família Day já era protagonista de uma grande tragédia. É o que Gillian Flynn deixa claro ao estruturar o romance, dividindo os capítulos entre o presente de Libby Day e o ponto de vista da mãe e do irmão nos momentos que antecederam o crime. Com obsessão pelos detalhes, a autora conta sobre a infância pobre de Libby, seu pai ausente e explorador e as brigas entre a mãe e o irmão mais velho da garota, além da devoção do rapaz por bandas de black metal e o namoro quase doentio com uma garota rica e mais velha. A força dos detalhes nas relações pessoais afirmam a todo momento que, às vezes, crimes hediondos se constroem não apenas com armas e sangue, mas também com palavras e falta de afeto. Mais do que isso, mostra como todos nós temos lugares escuros em nossa memória.

 

As marcas de Gillian Flynn

Em livro ou na telona, Lugares escuros tem tudo para agradar não só a quem já leu os outros livros da autora (Garota exemplar e Objetos cortantes) como também aos iniciantes em sua obra. Gillian Flynn — que começou a carreira como jornalista da Entertainment Weekly, uma das mais importantes revistas de cultura dos Estados Unidos — dispõe de três ingredientes interessantes: tramas carregadas de suspense, o tempo e as relações pessoais como condutores da narrativa e a presença de personagens femininas marcantes.

O suspense talvez seja a característica mais evidente da obra de Flynn: em Garota exemplar, o foco está no desaparecimento (sequestro?) de Amy Dunne, enquanto em Objetos cortantes, a trama gira em torno da jornalista Camille Preaker, que se vê obrigada a voltar a sua cidade natal para investigar um suposto serial killer. Mas, ao contrário do que costuma acontecer na maioria dos romances policiais, os crimes nem sempre são as questões mais terríveis. Em Garota exemplar, por exemplo, o casamento de Amy com o jornalista Nick Dunne é tão suspeito quanto o próprio sumiço da protagonista. Já Camille Preaker tem que lidar não só com a busca pelo assassino de duas garotas, mas também com o reencontro com sua mãe arrogante, exigente e ardilosa.

link-externoLeia também: Desconstruindo Amy

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de “Garota exemplar”

Rosamund Pike e Ben Affleck em cena de “Garota exemplar”

Boa literatura de suspense escrita por mulheres não é novidade (um abraço, Agatha Christie!), mas é raro ver protagonistas (e antagonistas) mulheres tão bem-construídas como as de Gillian Flynn. Em seus três livros, podemos ver homens costumeiramente relegados ao segundo plano — é o que acontece com Benjamin Day em Lugares escuros e com o padrasto de Camille Preaker em Objetos cortantes.

Com perspicácia, a escritora não deixa suas personagens femininas se transformarem em donzelas em perigo ou em damas imersas em martírios pessoais. Cheias de ambivalências, elas são praticamente anti-heroínas — Camille Preaker gosta de retalhar o próprio corpo e Amy Dunne cultiva uma relação repleta de mentiras. Já Libby Day é cleptomaníaca — algo que, quando descrito pela própria personagem, ganha um tom trivial e até mesmo irônico.

Essas características, somadas aos trunfos de Flynn — como a ambientação de suas histórias em cidades aparentemente pacatas do interior dos Estados Unidos e a riqueza de descrições psicológicas —, fazem de seus romances ótimos objetos para adaptações cinematográficas. Foi o que aconteceu com Garota exemplar (dirigido por David Fincher, de Seven – Os sete crimes capitais e Clube da luta), e com o recente Lugares escuros, dirigido pelo francês Gilles Paquet-Brenner (de A chave de Sarah).

Charlize Theron em "Lugares escuros"

Charlize Theron em “Lugares escuros”

Enxugando a obsessão da autora pelos detalhes sem perder a profundidade da trama, o filme se mostra uma rara adaptação no cinema contemporâneo, buscando ser bastante fiel à obra em que é baseado. Junto ao ótimo trio de atuações — Christina Hendricks (Patty Day, a mãe de Libby), Nicholas Hoult (Lyle Wirth, do grupo de aficionados por crimes) e Charlize Theron (a Libby do presente) — Paquet-Brenner leva o romance de Flynn para outro lugar, fazendo-o ganhar ritmo e dramaticidade.

Para quem se acostumou a ver Christina Hendricks como a independente Joan Harris em Mad Men, a atriz surpreende ao aparecer como a frágil mãe da história. Nicholas Hoult, por sua vez, tem o tom perfeito para o pálido e esquisito Lyle, com direito a todas as manias que um fã de serial killers deve ter. Charlize Theron está ainda mais crua e propensa a ações intempestivas que em seu último filme, Mad Max, e foi a escolha certa para o papel de protagonista de Lugares escuros: uma mulher chocante, sempre à beira de um ataque de nervos. Na penumbra do quarto, ao ler antes de dormir, ou no escurinho do cinema, as histórias de Gillian Flynn têm tudo para deixá-lo ligado por dias. Só tome cuidado ao apagar a luz.

link-externoLeia também: Em defesa das vilãs

link-externoLeia também: Sonhamos com Hollywood quando a vida, na verdade, é Galveston 
Bruno Capelas é repórter do IGN Brasil, a versão brasileira do maior site de games do mundo. Formado em jornalismo pela USP, já foi repórter do portal iG e do Link, a editoria de tecnologia do jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, edita o blog Pergunte ao Pop e colabora desde 2010 com o Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país.

testeMensagens subliminares

A ciência do comportamento humano, os experimentos sobre consumo e o uso desse conhecimento pela indústria, pelo marketing e até pelo cinema são assuntos caros a Franck Thilliez, autor dos thrillers policiais que viraram fenômeno na França, com dois milhões de exemplares vendidos. Durante uma pesquisa sobre a história da psiquiatria, Thilliez se deparou com testes comportamentais realizados nos orfanatos do Canadá, nos anos 1950, em que crianças foram bombardeadas por imagens violentas. O caso verídico serviu de inspiração para o autor escrever A síndrome E, primeiro volume de uma trilogia, que aborda o funcionamento da mente humana e o que ela é capaz de fazer a partir de estímulos visuais.

Em A síndrome E, Franck relaciona cinema e ciência — mais especificamente a neurologia — para tratar da influência das mensagens subliminares no comportamento humano. À medida que a trama se desenrola, o que parecia inexplicável vai se descortinando para o leitor. Até que ponto podemos ser manipulados para o bem e para o mal?