testeLançamentos de fevereiro

Confira as sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

Paris para um e outros contos, de Jojo MoyesCom mais de 20 milhões de livros vendidos em todo o mundo, Jojo Moyes se consagrou autora de grandes romances. Paris para um e outros contos apresenta um novo lado da criadora de Como eu era antes de você com dez histórias divertidas e apaixonantes.

No conto que dá título ao livro, a jovem Nell planeja um final de semana romântico em Paris com o namorado e fica sabendo, já na estação, que ele desistiu de acompanhá-la. Sozinha em um país estrangeiro, Nell descobre uma nova versão de si mesma, independente e corajosa. Já em “Lua de mel em Paris”, que fecha a coletânea, Jojo Moyes brinda os leitores com um reencontro com as personagens do best-seller A garota que você deixou para trás, Liv e Sophie, que, separadas por algumas décadas, acreditam que o casamento é apenas o início de suas histórias de amor. [Leia +] [Leia um trecho]

A viúva, de Fiona BartonUm marido amoroso ou um assassino cruel? Em seu celebrado romance de estreia, a jornalista Fiona Barton reconstrói um crime imperdoável por meio de três perspectivas diferentes (a viúva do suspeito, o detetive que lidera a investigação e a jornalista que cobre o caso) ao mesmo tempo em que faz uma análise impiedosa de um relacionamento complexo.

Na trama, Jean Taylor deixou de contar, ao longo dos anos, muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar o papel de esposa perfeita.

Leitura indicada para quem gosta de thrillers como Garota exemplar, de Gillian Flynn. [Leia +] [Leia um trecho]

Pequenas grandes mentiras — edição especial com capa inspirada na série, de Liane MoriartyA história de três mulheres, cada uma diante de sua encruzilhada particular, chegará às livrarias em uma edição especial com capa inspirada no cartaz da nova série da HBO: Big Little Lies.

A adaptação do romance de Liane Moriarty tem estreia na TV marcada para 19 de fevereiro e conta com a produção de Reese Witherspoon e Nicole Kidman que, com Shailene Woodley, também interpretam as protagonistas. A direção é de Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas e Livre). [Leia +] 

A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro, de Míriam Leitão Com 25 anos de colunismo diário em O GloboMíriam Leitão está acostumada a ver além dos acontecimentos. Para a jornalista, a crise pela qual o Brasil passa hoje já estava anunciada havia muito tempo, pois o governo fechou os ouvidos a todos os alertas e a todas as críticas, enquanto fazia escolhas desastrosas.

Em seu novo livro, A verdade é teimosa, Míriam apresenta 118 textos produzidos desde 2010, quando falar em crise econômica parecia um verdadeiro atrevimento, até novembro de 2016, quando o governo Temer atravessava momentos de grande instabilidade política. Com uma linguagem clara, a obra examina os antecedentes que levaram à recessão, à desordem fiscal e à inflação, bem como aos momentos mais agudos da crise em si. [Leia +] 

Matéria escura, de Blake Crouch Você é feliz com a vida que tem? Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca. Neste novo mundo, ele leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que este é mesmo seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que ele conhece por realidade?

Com ritmo veloz e muita ação, Matéria escura é uma criação de Blake Crouch, também autor da trilogia Wayward Pines, que deu origem à série de TV exibida pela FOX.  [Leia +] [Leia um trecho]

Às urnas, cidadãos!, de Thomas PikettyAutor do impactante O capital no século XXI, Piketty revolucionou para sempre o pensamento econômico contemporâneo. Nas mais de cinquenta crônicas que compõem Às urnas, cidadãos!, ele analisa de modo incisivo assuntos de extrema relevância para a economia mundial, como as dívidas nacionais, a redistribuição de recursos e a fragmentação do bloco europeu.

Diante de países que pouco se importam com seus vizinhos, qual seria a solução? Para responder a essa e a outras perguntas, Piketty critica os egoísmos nacionais, lança um amplo olhar sobre a economia global e acompanha a escalada da desigualdade além da Europa, ao discutir a situação de Estados Unidos, África do Sul, Brasil, Índia, Oriente Médio e China. [Leia +] 

Eu e você no fim do mundo, de Siobhan VivianEnquanto alguns se preocupam com o presente, fazem planos para o futuro e passam os dias empacotando suas coisas para mudar de cidade, Keeley e seus colegas do ensino médio decidem aproveitar ao máximo o tempo que ainda têm juntos em Aberdeen. Para ela, é o momento perfeito para tomar coragem e se declarar para o garoto que sempre amou, Jesse Ford.

A vida de Keeley está prestes a virar de cabeça para baixo, e a sensação de que não há nada a perder é perfeita para dar a ela a coragem de fazer o que normalmente não faria. Ou falar o que não falaria. E o risco quase sempre vale a recompensa. Quase sempre. [Leia +] [Leia um trecho]

testeO que gera a desigualdade?

Conheça os tópicos centrais de O capital no século XXI, obra de Thomas Piketty

Rennan da Rocha *

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[Fonte: Social Europe]

Há dois anos, O capital no século XXI emergia no Brasil como o mais improvável dos best-sellers. Lançado com pouco destaque na França em 2013, a obra de Thomas Piketty causou grande repercussão no ano seguinte graças à tradução para o inglês. Em poucos meses vieram edições em diversas línguas — como a publicada pela Intrínseca em novembro de 2014, traduzida pela economista Monica Baumgarten de Bolle —, o que transformou o texto em fenômeno global.

De uma hora para outra, todos pareciam estar lendo e discutindo a mais importante obra do professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales. Façanha notável para um tratado econômico de mais de 600 páginas que discorre sobre o aumento da desigualdade global e cujo título faz referência direta a Karl Marx. Além das virtudes de um texto didático e elegante, o sucesso da obra de Piketty se deve sobretudo à situação do mundo que o lia: deprimido pelo colapso financeiro de 2008, chacoalhado por movimentos como o Occupy Wall Street e escandalizado pelo poder e pela riqueza detidos pelo 1% mais rico da população. Como afirmou o Nobel de Economia Paul Krugman na New York Review of Books, “O capital no século XXI mudará tanto a forma como pensamos a sociedade quanto como praticamos economia.”

Confira alguns dos tópicos centrais sobre esse divisor de águas no debate do pensamento econômico contemporâneo.
 

Do que fala O capital no século XXI?

O livro reconstitui a evolução da distribuição de renda e de riqueza nos últimos duzentos anos, sobretudo em países desenvolvidos, onde há mais dados disponíveis, como Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha. A obra não menciona o Brasil, pois Piketty e seus colaboradores não conseguiram convencer a Receita Federal a divulgar dados anônimos sobre os contribuintes daqui.

A partir dessa análise, o autor conclui que a desigualdade tem crescido em ritmo acelerado nas últimas décadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, os 10% mais ricos abocanharam praticamente metade da renda distribuída no país entre 2000 e 2010, contra uma parcela abaixo de 35% na década de 1970. Mas Piketty ressalta que não se trata apenas de um fenômeno de desigualdade salarial, exposta pelos bônus nababescos de banqueiros e CEOs na chamada “Corporate America”. O avanço da renda extraída do capital é muito mais acelerado do que o dos salários, e essa riqueza está sendo distribuída de forma cada vez mais desigual. Na França, por exemplo, 70% da riqueza disponível hoje foi herdada, em oposição a menos de 50% em 1970.  

 

Como a pesquisa para o livro foi feita? 

O principal diferencial da obra é o método de investigação usado para entender como se dava a distribuição de riquezas séculos atrás. Piketty e seus colaboradores, economistas como Anthony Atkinson e Emmanuel Saez, foram pioneiros na combinação de informações de declarações de imposto de renda com outros tipos de dados para estudar a desigualdade. A utilização de informações tributárias permitiu a Piketty analisar a concentração de riquezas nas mãos de um número muito restrito de pessoas (o 1% ou até o 0,1% mais rico a população, por exemplo) que acabava ignorado em pesquisas tradicionais.

Como cereja do bolo, O capital no século XXI também recupera no cânone literário vestígios de uma desigualdade ancestral. “Os romances de Jane Austen e de Honoré de Balzac nos oferecem um retrato impressionante da distribuição da riqueza no Reino Unido e na França de 1790 a 1830. Os dois escritores possuíam um conhecimento íntimo da hierarquia da riqueza em suas sociedades”, observa o autor. 

 

O que gera a desigualdade?

A análise histórica dos dados permitiu a Piketty desenvolver a teoria que é central em seu livro. Segundo ele, a acumulação de riquezas é resultado da relação entre a taxa de remuneração do capital (como o lucro obtido por uma empresa ou o aluguel de um imóvel) e o crescimento econômico. Quando o retorno do capital é maior do que, digamos, a expansão do PIB, a riqueza herdada cresce mais rápido que o surgimento de patrimônio novo, pronto para ir para as mãos de outras pessoas.

“Basta então aos herdeiros poupar uma parte limitada da renda de seu capital para que ele cresça mais rápido do que a economia como um todo. Sob essas condições, é quase inevitável que a fortuna herdada supere a riqueza constituída durante uma vida de trabalho e que a concentração do capital atinja níveis muito altos, potencialmente incompatíveis com os valores meritocráticos e os princípios de justiça social que estão na base de nossa sociedade democrática moderna”, explica o livro, que resume essa dinâmica em outro trecho: “Uma vez constituído, o capital se reproduz sozinho, mais rápido do que cresce a produção. O passado devora o futuro.”

A análise de Piketty apresenta que, desde 1700, o retorno sobre capital tem sido de 4% ou 5% — ou seja, quem investe R$100 costuma lucrar de R$4 a R$5 em um ano. Durante os séculos XVIII e XIX, esse ritmo foi muito maior do que o crescimento econômico. Por isso, esses períodos foram tão marcados pela desigualdade, como mostra o estilo de vida dos personagens de Jane Austen. A industrialização proporcionou maior crescimento produtivo e de renda para os trabalhadores, mas não foi capaz de reequilibrar a equação da desigualdade.

A situação melhora, ironicamente, com as duas guerras mundiais e a Grande Depressão, que, além de estimular a produção, aniquilaram uma parcela significativa da riqueza que estava pronta para ser herdada. Pense, por exemplo, no destino que os imóveis da Berlim nazista teria. A reconstrução europeia no pós-guerra e a adoção de medidas fiscais extremas para financiar esse esforço proporcionaram os chamados Trinta Gloriosos. Nesse ciclo inédito de prosperidade, a geração de novas riquezas foi maior do que o retorno sobre o capital já existente. Por isso, a desigualdade diminuiu no período de 1945 a 1975, argumenta Piketty.     

 

Por que a desigualdade está aumentando hoje?

De acordo com a teoria de Piketty, um rápido crescimento é essencial para frear uma acumulação desigual de riquezas. O problema é que o mundo enfrenta hoje um período de baixo crescimento, não só por causa da crise recente mas também por razões como a estagnação populacional e a ausência de novos saltos tecnológico de produtividade semelhantes aos proporcionados por adventos como a eletricidade ou a linha de montagem. O resultado disso, segundo Piketty, é a volta a um capitalismo patrimonial, com níveis de desigualdade próximos daqueles da Belle Époque europeia e no qual a meritocracia é suplantada, pouco a pouco, por uma dinastia de poucos herdeiros. 

 

O que Piketty propõe para resolver esse problema?

A teoria do economista francês implica uma ideia indigesta (e daí a polêmica envolvendo o livro) para os defensores da famosa “mão invisível” dos mercados: nos últimos séculos, o capitalismo liberal estimulou, salvo em poucos períodos excepcionais, uma concentração desigual de riquezas. A manutenção das democracias, das classes médias e do bem-estar social depende, então, de intervenções que corrijam esse processo. A principal proposta de Piketty é a criação de um imposto global e progressivo sobre capital, a ser implementado por vários países em um esforço coordenado. Ele propõe que as alíquotas iriam de 0,1% a, no máximo, 10% (para fortunas bilionárias, por exemplo). 

“Com ele, é possível evitar a espiral desigualadora sem fim e ao mesmo tempo preservar as forças da concorrência e os incentivos para que novas acumulações primitivas se produzam sem cessar”, concluiu o economista. 

Alguns anos após o lançamento de O capital no século XXI, o argumento de Piketty ganha novo impulso no momento em que um herdeiro bilionário, que observa o mundo do alto do 58º andar de um arranha-céu na Fifth Avenue, se instala no posto que deveria representar o ápice da democracia.    

 

Rennan da Rocha é jornalista.

testeA economista Monica de Bolle analisa o mergulho brasileiro na crise

Rennan da Rocha*

debolle_preview-54Foto: Leo Aversa

O título já dá o tom do novo livro da economista Monica Baumgarten de Bolle. Como matar a borboleta-azul: uma crônica da era Dilma é uma história de fôlego jornalístico contada ao sabor da sucessão dos fatos na qual recursos da narrativa, como metáforas e fábulas, têm ascendência sobre a análise econômica. É uma escolha, claro. Aos 44 anos, a professora da Universidade Johns Hopkins, em Washington, prefere falar para além do círculo de colegas economistas, profissão que, admite, sofre de certa crise existencial desde o colapso financeiro de 2008 e é dada hoje à pirotecnia técnica. Monica optou por escrever para o leitor que não faz ideia do que significa “quantitative easing” (ela explica no livro, a propósito), mas que se pergunta cotidianamente por que, em apenas cinco anos, o Brasil deixou de ser um farol emergente para submergir em recessão traumática. É desse tombo surpreendente que trata o livro.

A narrativa começa quando Dilma Rousseff assume a Presidência, em 2011, e termina quando sofre impeachment, em 2016. Para a autora, o calor de fatos tão recentes, em vez de impor a necessidade de mais tempo e distanciamento, inspirou a missão de esclarecer desentendimentos “que ainda são fonte de rancores e de visões apaixonadas”.

“Por esses motivos, ela (a história) fascina. Eu sabia que, ao publicá-la, correria o risco de ser rotulada de golpista, ou de ultradireita, ou de neoliberal, ou de tantas outras coisas que tenho dificuldade de entender e definir”, conta Monica.  “Entendo que, para alguns, essa história é ferida aberta, e que eu estou colocando o dedo nessa ferida. Para esses leitores, em especial, quero dizer que esse livro não é um tratado político anti-PT, nem é a favor de qualquer partido ou posicionamento ideológico. Eu teria escrito fosse Dilma petista ou não”, esclarece na entrevista a seguir.

 

capa_comomataraborboletaazul_webSeu livro conta como a ex-presidente Dilma Rousseff chegou ao poder disposta a fazer tudo de um modo diferente para alcançar resultados também inauditos: civilizar os juros, erradicar a pobreza etc. A história sobre a morte da borboleta-azul fala justamente disto: ideias mirabolantes, aparentemente bem-intencionadas, que resultam em desastre. Depois de mergulhar nessa trajetória, que motivos você aponta como os principais para a debacle dos anos Dilma? 

Há duas maneiras de refletir sobre o desastre econômico da gestão Dilma, complementares e não substitutas. A primeira é que Dilma, ao contrário de seu antecessor, enfrentou ambiente internacional absolutamente hostil. Tudo o que havia ajudado o Brasil ao longo dos anos Lula — matérias-primas em alta, China pujante, comércio global galopante, forte impulso do crescimento mundial — mudara.

Quando assumiu a Presidência, os preços das matérias-primas começavam a resfolegar em razão da perda de tração da China; os países afetados pela crise de 2008 davam sinais alarmantes; o crescimento mundial estava na berlinda. Diante desse quadro, Dilma mirou alto demais. Tentou o impossível, que era manter a economia brasileira crescendo e gerando empregos, no mesmo ritmo dos anos anteriores, sem adequá-la à nova realidade. A outra reflexão é que Dilma realmente tinha ideias diferentes sobre como promover o desenvolvimento do Brasil. E algumas de suas ideias já haviam sido tentadas no passado com resultados desastrosos. Exemplo: a ideia de que para crescer é preciso tolerar um pouco mais de inflação. A inflação ascendente foi para nós como a grama que cresceu, dizimando as formigas que protegiam os ovos da borboleta. A inflação, a grama. As formigas, os trabalhadores. A inflação, a queda da renda dos trabalhadores, a morte do crescimento.

 

Seu livro também usa, como apoio, alguns textos contemporâneos aos fatos, como posts e artigos seus publicados em jornais. Ao contrário de outras crises, em que economistas e a própria imprensa são acusados de falhar em prevê-las, essa parece ter sido documentada como um folhetim, não?

Por isso trata-se de uma grande crônica. Comecei a escrever com regularidade para jornais e para meu blog na segunda metade de 2010. Durante todo o governo Dilma, fui fazendo artigos, anotações, paralelos com a literatura, com filmes e músicas. Isso permitia que juntasse meus interesses pessoais com os profissionais — aliás, a grande liberdade da escrita. Sempre trabalhei com crises. Minha tese de doutorado foi sobre crises; minha experiência no FMI [Fundo Monetário Internacional] foi em resolvê-las — a da Argentina e a do Uruguai; hoje leciono sobre crises na Johns Hopkins. Crises são fascinantes, têm suspense, clímax, ambiente, personagens interessantes. São, enfim, trama para ninguém botar defeito.

A ideia de escrever um livro sobre os anos Dilma que trouxesse essa essência das crises vem, portanto, de muito tempo. Esse livro começou a ser elaborado em 2014, mas naquele ano eu já havia juntado tanto material de minhas análises que não foi difícil transformá-lo em uma narrativa com tom jornalístico.

Vejo essa forma de contar a história dos anos Dilma como o ponto forte do livro, que é sobre economia, mas sobre economia como coisa da vida, de todos os dias.


Trata-se também de um livro publicado no calor dos fatos. Por que contar essa história enquanto ela ainda está “quente”?   

Exatamente porque ela ainda pulsa, ainda provoca muitos desentendimentos, ainda é fonte de rancores e de visões apaixonadas. Por esses motivos, fascina. Eu sabia que, ao publicá-la, correria o risco de ser rotulada de golpista, ou de ultradireita, ou de neoliberal, ou de tantas outras coisas que tenho dificuldade de entender e definir. Hoje moro em Washington, mas escrevi a maior parte do livro enquanto morava no Brasil. Vivi as angústias e frustrações de cada momento, vivi a deterioração do debate entre as pessoas, a rixa entre “direita” e “esquerda”, que turva visões, dilacera corações, acaba com longas amizades.

Entendo que, para alguns, essa história é ferida aberta, e que eu estou colocando o dedo nessa ferida. Para esses leitores, em especial, quero dizer que esse livro não é um tratado político anti-PT, nem é a favor de qualquer partido ou posicionamento ideológico. Eu teria escrito fosse Dilma petista ou não. Digo a esses leitores: eu não votei em Dilma, mas um dia já votei no PT. Agora, que venham as pedradas do outro lado, como já as tomei quando traduzi o livro de Thomas Piketty!

 

Há alguns dias você escreveu sobre os “vitupérios internáuticos” que tem recebido por causa do livro. Por que nos anos Dilma o Brasil parece ter passado por um processo apressado de polarização? 

Vemos isso por toda parte. Aqui nos Estados Unidos os vitupérios internáuticos proliferam com a campanha sórdida de Donald Trump. Já fui atacada aqui por apoiar a candidata democrata. Na verdade, já fui atacada por achar Obama um exemplo de líder e de ser humano em um mundo que carece de gente extraordinária. Incomodo-me muito com a facilidade que algumas pessoas têm de atacar as outras sem conhecê-las, sem saber de seu histórico, do que as fez formar certas opiniões. Eu, por exemplo, acredito que o Estado tem um papel a cumprir, mas não pode querer tomar conta de tudo, como fez o governo Dilma. Ao mesmo tempo, também defendo políticas sociais que ajudem a quebrar o ciclo nefando da desigualdade de renda.

Acho que no Brasil, como no mundo, perdemos a capacidade de enxergar o que há de bom naqueles que pensam diferente de nós. Em minhas redes, converso com pessoas que acham que houve um golpe no Brasil, que preferem lembrar-se do Lula que moveu esperanças, ao mesmo tempo que falo com pessoas que vão votar em Trump porque acham Hillary Clinton muito pior. Hoje, esse tipo de postura, a busca por um meio-termo, ganhou conotação para lá de negativa. Trata-se do tal do “isentão”. É triste.

Ninguém cresce intelectualmente sem trocar ideias, refugiando-se em suas tribos. O mundo está tribal, o Brasil não é exceção.

 

Como se deu o seu processo de apuração e escrita? No meio dele você se mudou para Washington. Esse afastamento do Brasil no auge do drama ajudou a olhar a situação mais friamente?  

O livro cobre toda a era Dilma, de 2011 até o impeachment, que chamei de “impeachment de coalizão” pela forma inusitada que tomou. Portanto, vivi a era Dilma quase na sua totalidade. Saí do Brasil em meados de 2014, antes das eleições, quando já havia começado a escrever o livro. Por um momento, em 2015, quase desisti de escrevê-lo, tão profundamente perturbada estava com os acontecimentos e com as pedras que as pessoas atiravam umas nas outras. Mas já tinha dedicado tanto tempo a ele que acabei decidindo seguir em frente depois de uma interrupção de quase um ano. A distância ajudou a escrever sobre o desfecho da era Dilma com olhar mais clínico, menos movido pelas emoções do momento. Confesso que senti tristeza quando Dilma foi reeleita, pois já estava claro para mim que a economia acabaria mal. Mas também confesso ter sentido desalento no seu afastamento definitivo. O trauma e as feridas são muitas para essa nossa democracia ainda tão jovem.

 

Uma das pimentas sobre a derrocada econômica do governo Dilma é o fato de ela própria ser economista. Essa aparente contradição a espanta?  

Não. A Economia com “E” maiúsculo não é uma ciência exata. Às vezes me pergunto se é mesmo ciência, se meu PhD vale alguma coisa. Crises deveriam tornar os economistas mais humildes, capazes de enxergar as limitações de seus modelos. Alguns, como eu, estão passando por um certo tipo de crise existencial, sobretudo depois de 2008. Outros seguem a insistir que tudo o que aprendemos é imutável, que há regras que, se forem descumpridas, criarão problemas. Até certo ponto isso é verdade, mas só até certo ponto. A economia é analítica, rigorosa, possuiu instrumental matemático e quantitativo valioso. Contudo, é, antes de mais nada, ciência social, sujeita a subjetividades e contradições. A base da economia, como de qualquer ciência social, somos nós, as pessoas. Nós, as pessoas, temos viés, somos por vezes irracionais, nos deixamos levar por emoções e instintos equivocados. A economia tal qual é ensinada hoje perdeu essa essência humanista. Por todas essas razões, acho perfeitamente razoável que Dilma economista pense completamente diferente da Monica economista, ou nem tanto assim.

 

Lá fora, existe uma tradição de livros de economia voltados para o público em geral, consolidada por autores como Milton Friedman, Paul Krugman, Joseph Stiglitz e, mais recentemente, o fenômeno Thomas Piketty. Por que o país de economistas de texto tão brilhante como o de um Celso Furtado ainda publica tão pouco sobre o assunto para leigos? 

Não sei, é uma lacuna terrível, porque ajuda a enraizar percepções equivocadas sobre a profissão, sobre os economistas. Os autores americanos que você citou foram ou são todos vencedores do Nobel de Economia (que não é Nobel de verdade). Talvez isso tenha lhes dado o aval pessoal e a envergadura para tratar da economia como ela é, fugindo do excesso de pirotecnia que hoje predomina na profissão. É um pouco assim: como todos têm o selo de grandes acadêmicos, podem descer do pedestal. O erro é achar que existe pedestal. Não são muitos os que não enxergam pedestal algum. Eu jamais o vi, mas sou mulher numa profissão predominantemente masculina, o que ajuda, talvez, a ver a economia como ela é.


>> Leia um trecho de Como matar a borboleta-zul

 

*Rennan da Rocha é jornalista.

testeO Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Terá que ser sempre assim?

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A sociedade brasileira está mudando e vai mudar mais. Nas últimas décadas, vimos um crescimento significativo no poder de consumo do brasileiro. Houve muito debate sobre o que havia permitido esse avanço: se o plano de estabilização ou as políticas de transferência de renda. O debate não faz sentido porque os dois eventos são complementares. O crescimento econômico nas últimas duas décadas, o Plano Real e as políticas públicas de distribuição de renda fizeram com que milhões de pessoas tivessem a oportunidade de consumir mais. Chegou-se a dizer que havíamos criado uma “nova classe média”. Aí veio a recessão e, com ela, o desemprego. Isso mudou tudo? Em ambiente adverso na economia, o país e as famílias vivem retrocessos, mas isso é apenas conjuntural.

A grande questão é mais estrutural: o Brasil se tornou, com as políticas sociais, um país menos desigual? No livro História do futuro: o horizonte do Brasil no século XXI, debato o assunto com detalhes, apresento novos dados e histórias reais que demonstram que existem alguns mitos sobre a melhora na igualdade social nos últimos anos. O maior problema que enfrentamos para um diagnóstico da nossa situação é a fraca base de dados para analisar a questão da desigualdade com a profundidade sugerida pelo economista francês Thomas Piketty.

Os professores da UnB Marcelo Medeiros, Pedro Souza e Fabio Ávila Castro fizeram uma pesquisa que derrubou um pouco a ideia, defendida em anos recentes, de que o país tivesse reduzido a desigualdade. Infelizmente, ainda não. Com base em dados da Receita, analisaram a evolução da distribuição de renda entre 2006 e 2012. A desigualdade no Brasil é muito alta e estável. O 1% mais rico da população adulta concentra mais de 1/4 de toda a renda do país. Os 5% mais ricos detêm quase metade da renda. A concentração é tamanha que um milionésimo das pessoas acumula mais renda do que toda a metade da população junta. Em suma, não houve movimento claro de mudança de desigualdade no período pesquisado.

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Os desafios dos pobres são maiores do que mostram os indicadores econômicos. O racismo dificulta a ascensão dos negros. As mulheres são discriminadas no mercado de trabalho e recebem menos mesmo quando exercem a mesma atividade. E tudo piorou na crise. Quando a recessão se aprofundou, o desemprego afetou mais as mulheres e os negros.

A desigualdade é a pesada herança que trazemos do passado e temos confirmado no presente. Há muito trabalho a fazer para combatê-la. O importante é ter em mente que esse sonho não pertence a um grupo político, tem que ser do país como um todo. Se entendermos assim, o futuro estará mais próximo.

>> Leia um trecho de História do futuro

testeÉ a economia, estúpido. E a educação, a moradia, a saúde…

Por Bernardo Barbosa*

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A profissão de economista pode não ser a mais divertida ou glamorosa do mundo. Mas, se há um deles que tem pinta de popstar, este é Thomas Piketty. Alçado à fama mundial após o best-seller O capital no século XXI, um vasto e polêmico estudo sobre desigualdade, o francês mostra as raízes de sua inquietude — e também de sua veia midiática — em É possível salvar a Europa?, coletânea de mais de oitenta crônicas publicadas no jornal Libération entre 2004 e 2011.

No prefácio da obra, Piketty diz: “Alguns textos envelheceram um pouco; outros, menos.” Seu livro está longe de ser uma coletânea de textos velhos; funciona como uma coleção de artigos de um estudioso que sabe quais são vários dos grandes temas dos nossos dias, e os trata de forma crítica e propositiva.

E possível salvar a europa - capa 3.inddPiketty não enrola. Mostra logo aonde quer chegar com textos diretos e rascantes, por vezes irônicos, sem fazer uso gratuito do economês e desmontando discursos políticos, à direita (o ex-presidente Nicolas Sarkozy é um dos alvos preferenciais) e à esquerda (sobram críticas ao Partido Socialista, do qual já foi assessor econômico e hoje se distancia). Artigos de cunho local sobre aposentadorias e impostos na França ressoam no Brasil de novas fórmulas previdenciárias e ajustes fiscais.

No Libération — um jornal de esquerda fundado na década de 1970, entre outros, por Jean-Paul Sartre —, Piketty não falou só de economia. Teve espaço para se lançar sobre educação, habitação, sistema público de saúde, eleições (as francesas e as americanas), meio ambiente e até imigração, assunto na ordem do dia da Europa atual. As crônicas ainda abordam salários, heranças, regimes trabalhistas, crises financeiras, entre outros assuntos que marcam o debate sobre que sociedade queremos. Ainda há espaço para surpresas, como um elogio à competência acadêmica de Milton Friedman, economista liberal americano, cujas ideias não escapam da crítica do esquerdista Piketty.

Pode-se questionar a propriedade de um economista para abordar tantos assuntos diversos, mas o francês sabe como atrair a atenção do público com seu olhar agudo sobre o mundo ao seu redor. Talvez um dos maiores méritos de Piketty seja dar a cara à tapa, saindo da academia para debater suas ideias em praça pública. Ao longo de anos, a cada vez, deu aos leitores do Libération — e agora aos brasileiros — material para concordar, discordar e principalmente refletir. As crônicas de É possível salvar a Europa? já apontam o destemor em abraçar grandes temas e marcar posição que Piketty mostra no Capital e que o levou a ter críticos que vão de Bill Gates — para quem o Capital apresenta um retrato incompleto sobre a criação de riqueza — a um doutorando americano, passando pelo próprio Libération, segundo o qual o Capital não foi suficientemente de esquerda.

Mesmo depois de explodir mundialmente, Piketty mantém-se inquieto, como se estivesse em busca da próxima boa briga. Em janeiro, numa atitude que caberia mais a um rockstar rebelde dos anos 1960, recusou a mais alta condecoração francesa, sob o argumento de que não é o governo quem deve “decidir quem é digno de honra”. Em setembro, aceitou fazer parte de um conselho de pesos pesados da economia, montado para aconselhar o Partido Trabalhista britânico, e topou também assessorar o programa econômico do Podemos, legenda espanhola criada em 2014 no rastro dos protestos antiausteridade no país e que hoje causa sensação na esquerda mundial. Ninguém passa ileso por Piketty; resta saber qual a próxima trincheira em que ele vai aparecer.

 

Bernardo Barbosa é jornalista, com passagens por O Globo e Agência Efe, e gostaria de ver um Thomas Piketty em português para colocar fogo nos grandes temas brasileiros.

testeLançamentos de outubro

 

 

EstanteIntrinsecaOut_600x442Magnus Chase, de Rick Riordan — A vida de Magnus Chase nunca foi fácil. Desde a morte da mãe, em um acidente misterioso, ele vive nas ruas de Boston, até que um dia descobre um segredo improvável: Magnus é filho de um deus nórdico. Os deuses de Asgard estão se preparando para a guerra. Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo Magnus deve empreender uma importante jornada até encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. [Leia +]

Aliança do crime, de Dick Lehr e Gerard O’Neill — Inspiração para o filme homônimo estrelado por Johnny Depp, Aliança do crime narra a vida do lendário gângster James “Whitey” Bulger, um dos criminosos mais cruéis e notórios da história dos Estados Unidos, que  na década de 1980 aterrorizou a cidade de Boston praticamente sem ser importunado pela lei. Após anos foragido, o segredo de Bulger finalmente foi revelado: ele era um protegido do FBI. [Leia +]

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A redenção de Johnny Depp

Operação Impensável, de Vanessa Barbara — Neste romance, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura em 2014, Vanessa Barbara acompanha os cinco anos de relacionamento entre Lia e o programador Tito, um amor pontuado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro. Com humor ácido, ela desvenda a lenta desintegração de um casamento. [Leia +]

Primatas da Park Avenue, de Wednesday Martin — Em um mergulho inusitado em um dos endereços mais charmosos e cobiçados do mundo, o livro descreve a vida das mães ricas e glamorosas do Upper East Side. Usando seus conhecimentos de antropologia e primatologia, a autora busca entender o comportamento, a migração sazonal, o culto ao corpo e o desejo avassalador de consumo nos personagens dessa região privilegiada de Nova York. [Leia +]

Um cão chamado Jimmy, de Rafael Mantesso — Com o fim de seu casamento, Rafael Mantesso se viu num apartamento vazio, exceto pela presença de seu cão, Jimmy Choo. Espantou a melancolia e redescobriu o prazer de desenhar, transformando o parceiro  em modelo para fotos bem-humoradas, cheias de referências pop. As imagens foram parar no Instagram e conquistaram milhares de fãs no mundo inteiro, incluindo veículos como The Huffington Post, USA Today e Daily Mail. [Leia +]

Endgame: A Chave do Céu  (Série Endgame – Vol. 2), de James Frey e Nils Johnson-Shelton — No segundo livro da série, o Jogo continua, e agora os nove Jogadores remanescentes precisarão ser mais ágeis, inteligentes e cruéis, se quiserem salvar suas linhagens e a si mesmos. A Chave do Céu — onde quer que esteja, o que quer que seja — é a próxima meta. [Leia +]

É possível salvar a Europa?, de Thomas PikettyReunião de crônicas mensais publicadas no jornal Libération de setembro de 2004 a dezembro de 2011, o livro traz as análises e os pensamentos de Thomas Piketty sobre o continente europeu durante um período profundamente marcado pela crise financeira mundial desencadeada em 2007-2008. [Leia +]

Miniaturista, de Jessie Burton — Após um casamento arranjado com um ilustre comerciante de Amsterdã, Nella Oortman recebe um extraordinário presente: uma réplica de sua nova casa em miniatura,  capaz de ajudá-la a desvendar os segredos — e perigos — da família. Eleito o melhor livro de 2014 pelo Observer e traduzido para 32 idiomas, Miniaturista é uma magnífica história de amor e obsessão, traição e vingança, aparência e verdade. [Leia +]

Frank Einstein e o Eletrodedo (Série Frank Einstein -Vol. 2), de Jon Scieszka — Neste segundo livro, Frank está trabalhando para criar o “eletrodedo”, um dispositivo que pode fornecer energia solar de graça para a cidade. Mas isso não está nos planos de T. Edison, que deseja controlar toda a eletricidade de Midville monopolizando as fontes de energia e ficar ainda mais rico. Em uma corrida contra o tempo, Frank e seus amigos são os únicos que podem impedir Edison e seu astuto chimpanzé, o sr. Chimp!

A última viagem do Lusitania, de Erik LarsonEm 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, um luxuoso transatlântico saiu de Nova York com destino a Liverpool, com um número recorde de bebês e crianças a bordo. Era uma surpresa que os passageiros estivessem tão tranquilos, já que a Alemanha declarara os mares ao redor da Inglaterra como zona de guerra e havia meses os U-boats alemães levavam terror ao Atlântico Norte. Com um trabalho minucioso, o livro se baseia em documentos oficiais, recortes de jornal, diários e obras escritas pelos sobreviventes sobre um dos maiores desastres marítimos da nossa história. [Leia +]

testeQual livro combina com o seu amor?

 

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Assim como na literatura, tudo pode acontecer em uma história de amor. Suspense, comédia, drama, intrigas e reconciliações. Para celebrar o Dia dos Namorados, listamos 15 livros para todos os gostos e queremos saber: que tipo de história combina mais com o seu par?

 

Toda luz que não podemos ver, de Anthony DoerrMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver, premiado com o Pulitzer de Ficção de 2015, narra um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Confira no Skoob]

link-externoConheça Anthony Doerr

 

Um mais um, de Jojo Moyes — O novo livro da autora de Como eu era antes de você conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida que precisa levar a filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. [Confira no Skoob]

 

Lugares escuros, de Gillian Flynn Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem de Gillian Flynn, autora de Garota exemplar, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. [Confira no Skoob]
link-externoGillian Flynn em defesa das vilãs

 

O capital no século XXI, de Thomas Piketty Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por esse estudo do francês Thomas Piketty sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade. [Confira no Skoob]

 

A arte de pedir, de Amanda Palmer Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. No livro, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda. [Confira no Skoob]
link-externoA arte de ser Amanda Palmer

 

Cidades de papel, de John Green Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certo dia, ela invade o quarto dele pela janela, convocando-o a fazer parte de um plano de vingança. E ele, é claro, aceita. [Confira no Skoob]
link-externoO capitão John Green

 

Nós, de David Nicholls Douglas é um bioquímico de 54 anos, casado com Connie e pai de Albie, um jovem que acabou de entrar para a faculdade. Certa noite, ele é acordado pela esposa, que decide pedir o divórcio. Porém, eles estão prestes a embarcar em uma viagem em família pela Europa. Do mesmo autor de Um diaNós traz uma irresistível reflexão sobre relacionamentos. [Confira no Skoob]
link-externoDia de fã: um encontro com David Nicholls

 

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011. [Confira no Skoob]
link-externoA metáfora de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

 

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, a vida amorosa de Lara Jean se transforma. [Confira no Skoob]

 

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman Embrenhando-se no território da mitologia africana, a narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis e divindades vingativas. Nova edição do clássico do autor com conteúdo extra e orelha assinada por Fábio Moon. [Confira no Skoob]
link-externoSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil

 

Salinger, de David Shields e Shane Salerno — A biografia de Salinger foi produzida ao longo de nove anos por David Shields e Shane Salerno, que colheram relatos de mais de 200 pessoas. A personalidade multifacetada do autor do clássico O apanhador no campo de centeio é relatada nas vozes de amigos, colegas do exército, parentes, editores, críticos literários etc. [Confira no Skoob]

 

Navegue a lágrima, de Leticia Wierzchowski Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Ao entrelaçar as lembranças da editora Heloísa à trajetória dos antigos moradores da casa, Leticia Wierzchowski expõe o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo até nas relações mais sólidas. [Confira no Skoob]
link-externoLeia as colunas de Leticia Wierzchowski

 

O árabe do futuro, de Riad Sattouf Filho de mãe francesa, nascida na Bretanha, e de pai sírio, de uma aldeia próxima a Homs, o premiado quadrinista Riad Sattouf retrata, de forma bem-humorada, o choque cultural experimentado por uma criança criada na França socialista de Mitterrand ao vivenciar os regimes autoritários da Síria de Hafez al-Assad e da Líbia de Kadafi. [Confira no Skoob]
link-externoRevivendo o passado através de O árabe do futuro

 

Caixa de pássaros, de Josh Malerman Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan. [Confira no Skoob]
link-externoPássaros no escuro

 

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [Confira no Skoob]
link-externoComo Chaplin enganou a morte

testeLeituras para o Dia das mães

lista

Preparamos uma lista com sugestões de livros para presentear mães de diferentes estilos: fashion, cult, alternativa, fofa, apaixonada por culinária, louca por cachorros, sensível, cinéfila, nerd, executiva, que gosta de cozinhar, de arrepiar, nerd e que curte séries.

Mãe fashion: Um brinde a isso, de Betty Halbreich

Betty Halbreich é uma figura única no mundo da moda. Há quase quatro décadas comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Em Um brinde a isso, ela fala não só de como construiu a carreira, mas também dos momentos mais difíceis que precisou enfrentar.

link-externoVeja também A Parisiense – O guia de estilo de Ines Fressange

Mãe sensívelToda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr

Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o órfão e curioso Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Anthony Doerr constrói um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

link-externoVeja também Os últimos dias de nossos pais, Navegue a lágrima e Tempos extremos

Mãe cinéfila: A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi

Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com 82 anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida.

link-externoVeja também Alfred Hitchcock e os bastidores de Psicose

Mãe cult: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. A visita cruel do tempo recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011.

link-externoVeja também Circo invisível, Lança-chamas e Max Perkins, um editor de gênios

Mãe apaixonada por cachorros: Filhotes submarinos, de Seth Casteel

O premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida, quando ainda estão começando a descobrir o mundo. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água.

link-externoVeja também Cachorros submarinos e Ache Momo

Mãe fofa: Um mais um, de Jojo Moyes

O livro conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida, que precisa levar sua filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis.

link-externoVeja também Pequenas grandes mentiras

Mãe que curte séries: Orange Is The New Black, de Piper Kerman

Condenada a quinze meses de detenção por um crime que cometeu anos atrás, Piper Kerman é obrigada a trocar a vida com o noivo, a família e os amigos por uma rotina imprevisível e assustadora em uma penitenciária feminina. Orange Is the New Black apresenta a história real que inspirou o popular seriado da Netflix.

link-externoVeja também O mundo de Dowtown Abbey , Homeland: como tudo começou

Mãe que gosta de cozinhar: A pequena cozinha em Paris, de Rachel Khoo

O livro traz versões especiais dos clássicos franceses e vai muito além dos livros de culinária tradicionais. A jovem chefe britânica Rachel Khoo acompanha suas receitas com curiosidades sobre cada prato e detalhes do dia a dia na capital francesa. Do irreverente muffin de croque madame ao frango com limão e lavanda, Rachel celebra e desmistifica a culinária francesa, revelando como é fácil transportar para a nossa casa a beleza e o aconchego parisienses.

link-externoVeja também Cozinhar

Mãe alternativa: A arte de pedir, de Amanda Palmer

Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda.

link-externoVeja também Não sou uma dessas, Listografia e Uma questão de caráter

Mãe de arrepiar: Caixa de pássaros, de Josh Malerman

Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan.

link-externoVeja também Objetos cortantes e Filme noturno

Mãe executiva: O capital no século XXI, de Thomas Piketty

Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por O capital no século XXI, do francês Thomas Piketty. O estudo sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade ganhou manchetes nos principais jornais do mundo e colheu comentários e elogios de diversos ganhadores do Prêmio Nobel.

link-externoVeja também Como o Google funciona e A loja de tudo

Mãe nerd: Uma breve história do tempo, de Stephen Hawking

Qual a origem do universo? Ele é infinito? E o tempo? Houve um começo e haverá um fim? O que vai acontecer quando tudo terminar? Pensadores e cientistas debruçam-se sobre perguntas como essas há séculos, oferecendo teorias nem sempre de fácil compreensão. Em Uma breve história do tempo, o famoso físico Stephen Hawking guia o leitor – em edição revista e atualizada – pelas principais descobertas científicas da humanidade e encanta tanto leigos quanto iniciados.

Vlink-externoeja também Ordem e Os filhos de Anansi

testeDistribuição de renda

Nesta coluna, Monica de Bolle detalha um assunto citado no vídeo da semana passada: a distribuição de renda tratada por Thomas Piketty em O capital no século XXI.

“É comum associar renda a salário, afinal, a maioria de nós tem como fonte principal de proventos o nosso trabalho. Mas volto a esse assunto e o da distribuição da riqueza porque no livro de Piketty a renda é tratada de diversas formas: há aquela advinda do trabalho e a que pode vir da detenção de ativos”, explica Monica.

 

testeLIVRO DO ANO

Piketty

O capital no século XXI, do economista francês Thomas Piketty, ganhou o prêmio mais importante de livro sobre negócios – o Business Book of the Year do Financial Times e McKinsey.

A obra, lançada no Brasil em 1º de novembro, teve a tiragem inicial de 50 mil exemplares esgotada e já se encontra em reimpressão. Mais 30 mil exemplares devem chegar às livrarias em breve.

Confira a notícia completa no Valor Econômico: http://goo.gl/cKWlAo