testeLugares bizarros que poderiam estar num livro do Josh Malerman

Josh Malerman é o mestre em escrever histórias cheias de mistérios e com toques bizarros. Seus livros nos deixam olhando por cima do ombro e com medinho das sombras. Afinal, depois de ler Caixa de pássaros, quem não fez aquela manobra corajosa (só que não) de sair correndo pela casa no meio da madrugada só para pegar um copo d’água?

No seu mais recente lançamento pela Intrínseca – Uma casa no fundo de um lago –, Josh nos apresenta um local sombrio e inimaginável, que existe nas profundezas de um lago aparentemente tranquilo. Dessa vez, os protagonistas são James e Amelia, dois adolescentes de dezessete anos que decidem passear de canoa no seu primeiro encontro. O que eles não esperavam era encontrar uma casa embaixo d’água. Poderia ser só estranho, mas é pior que isso: apesar de submersa, nada da casa – móveis ou objetos de decoração – flutua e nela há até uma piscina! Será que existe alguém – ou algo – vivo na casa?

Uma ambientação incrível como essa nos fez pensar: quais lugares esquisitos poderiam servir de cenário para as histórias sinistras do Josh? Por isso, reunimos cinco lugares em que pensaríamos duas vezes antes de entrar. Confira:

 

Ilha das Bonecas – México

Em meio às paisagens lindas e paradisíacas do México, existe um lugar aterrorizante chamado Ilha das Bonecas. A lenda que envolve o local diz que Don Julián, o único morador da ilha, encontrou o cadáver de uma menina que havia se afogado. Depois disso, ele passou a ser assombrado por vozes e gritos, atribuídos à menina falecida. Por isso, ele começou a pendurar bonecas de vários tipos por toda a ilha, como forma de apaziguar o sofrimento do espírito. O resultado é um cenário assustador!

 

Floresta torta – Polônia

(KILIAN SCHÖNBERGER)

Cercado por uma floresta de pinheiros normais, perto da cidade de Gryfino, na Polônia, existe um lugar muito peculiar: uma área com cerca de 400 árvores que nascem com a base torta, rente ao chão. Os estudiosos acreditam que elas foram plantadas por volta da década de 1930 e existem diversas teorias para explicar essa anomalia. Uma das mais bizarras diz que ali existe um campo gravitacional único, capaz de entortar as árvores.

 

A cidade fantasma de Kolmanskop – Namíbia

No começo do século XX, a cidade de Kolmanskop era um local próspero onde viviam os funcionários de uma mina de diamantes. O país estava sob o controle da Alemanha e acredita-se que mais de uma tonelada de diamantes foi extraída de lá. Por volta de 1930, entretanto, as minas começaram a se esgotar e a cidade foi abandonada. Atualmente, Kolmanskop é uma cidade-fantasma, na qual as construções estão sendo tomadas pelas areias do deserto. Parece um cenário pós-apocalíptico!

 

Lago Hillier – Austrália

Parte de uma reserva natural em uma região isolada da Austrália, o lago Hillier é famoso por sua cor extremamente exótica: rosa. Por mais esquisito que pareça, não é edição ou parte do cenário de um filme de ficção científica. A cor é resultado da presença de micro-organismos, principalmente algas e bactérias. Esses organismos ficam agregados às crostas de sal do lago, o que permite uma coloração forte e uniforme. Você teria coragem de mergulhar?

 

Shoppings abandonados – Estados Unidos

Shoppings são sinônimos de lugares alegres e sempre muito movimentados. Mas não se engane. Existe um canal na internet famoso por produzir a série Dead Mall Series, na qual Dan Bell faz pequenas expedições por shoppings abandonados. O resultado são vídeos um pouco sinistros, que poderiam ser fonte de inspiração para muitas histórias assustadoras.

testeTreze thrillers para curtir em uma sexta-feira 13

Olá! Sejam muito bem-vindos, amantes do suspense e do terror. Em uma data popularmente conhecida por ser um dia de azar, acontecimentos estranhos e demonstrações do sobrenatural, listamos treze livros para te deixar desconfiado e nervoso. Supersticiosos, estejam avisados: os títulos aqui listados podem te deixar com insônia e outras perturbações mentais.

Ainda dá tempo de desistir e resistir à escuridão. Aos corajosos que decidirem prosseguir: continuem por sua conta e risco.

Mindhunter

Os bastidores de alguns dos casos reais mais terríveis, fascinantes e desafiadores do FBI em detalhes assustadores.

Durante as mais de duas décadas em que atuou no FBI, o agente especial John Douglas tornou-se uma figura lendária. Em uma época em que a expressão serial killer, assassino em série, nem existia, ele foi um agente exemplar na aplicação da lei e na perseguição aos mais conhecidos e sádicos homicidas de nosso tempo. Ele confrontou, entrevistou e estudou dezenas de serial killers. Com a força de um thriller, ainda que terrivelmente verdadeiro, esse é o relato da vida e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A obra serviu de inspiração para a série homônima da Netflix. [Leia um trecho]

Por trás de seus olhos

Uma trama com tantos jogos mentais que você vai se questionar se esse triângulo tem mesmo três lados.

Em uma rara saída à noite, Louise conhece um homem no bar e fica muito animada por ter encontrado alguém. Ela só não esperava que este homem fosse seu novo chefe. E, apesar de ele logo esclarecer que o beijo foi um equívoco, em pouco tempo os dois passam a ter um caso. Em uma terrível sequência de erros, Louise acaba ficando amiga da esposa do amante. Se você acha que sabe como essa história termina, pense de novo, porque Por trás de seus olhos não se parece com nenhum livro que já tenha passado pelas suas mãos. [Leia um trecho]

Five Nights at Freddy: Olhos prateados

Baseado em um conhecido caso real de assassinato ocorrido em uma pizzaria em 1993, a história mexe com um grande medo infantil: bonecos de pelúcia gigantes e macabros.

O primeiro livro da trilogia baseada no famoso videogame criado por Scott Cathon explora o terror da Freddy Fazbear’s Pizza. Charlie é uma adolescente que volta para sua cidade natal quando é convidada a participar de uma homenagem a um amigo de infância, morto dez anos antes em circunstâncias misteriosas em uma pizzaria. Agora abandonado, o fast-food se torna o local de investigação de Charlie e seus amigos — e os bonecos animatrônicos responsáveis pela animação do local anos antes não ficam nada felizes com isso. [Leia um trecho]

Baseado em fatos reais

L. é o pesadelo de todo escritor. O tipo de pessoa que ninguém desejaria que cruzasse seu caminho.

Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê tomada pelo bloqueio criativo, o sentimento de impotência e o isolamento. A instabilidade emocional da autora é agravada, e é então que ela conhece L., uma mulher que é tudo que ela sempre desejou ser. As duas logo se tornam amigas inseparáveis. A conexão entre elas parece inacreditável, mas pouco a pouco L. passa a dominar todas as esferas da vida de Delphine. Nessa história, a linha tênue entre verdade e mentira oscila para enriquecer uma poderosa reflexão sobre o fazer literário e questionar as fronteiras entre real e ficção, razão e loucura, público e privado. [Leia um trecho]

Objetos cortantes

O livro que deu origem à série da HBO estrelada por Amy Adams.

A repórter Camille Preaker é mandada de volta a sua cidade natal para investigar o brutal assassinato de uma menina e o desaparecimento de outra. Mas retornar a Wind Gap também significa lidar novamente com a mãe neurótica, o padrasto e a meia-irmã que cresceu sem sua presença. À medida que as investigações avançam, Camille passa a desvendar segredos tão macabros quanto seus problemas pessoais. [Leia um trecho]

Matéria escura

Você é feliz com a vida que tem?

Essas são as últimas palavras que Jason Dessen ouve antes de acordar num laboratório, preso a uma maca.  Raptado por um homem mascarado, ele é levado para uma usina abandonada e deixado inconsciente. Quando acorda, um estranho sorri para ele, dizendo: “Bem-vindo de volta, amigo.”

Neste novo mundo, Jason leva outra vida. Sua esposa não é sua esposa, seu filho nunca nasceu e, em vez de professor numa universidade mediana, ele é um gênio da física quântica que conseguiu um feito inimaginável. Algo impossível. Será que este é seu mundo, e o outro é apenas um sonho? E, se esta não for a vida que ele sempre levou, como voltar para sua família e tudo que conhece por realidade? [Leia um trecho]

O Homem de Giz

Quem é o Homem de Giz?

Nos anos 1980, Eddie e seus amigos inventam um código secreto para se comunicarem: homenzinhos rabiscados com giz no asfalto. Certo dia, ao seguirem desenhos por uma trilha, se deparam com um corpo na floresta e tudo muda. Em 2016, todos tentam seguir com a vida e esquecer o passado, mas os desenhos voltam misteriosamente para a vida deles e todos passam a correr perigo. Alternando entre o passado e o presente, o livro nos presenteia com o melhor do suspense e do mistério. [Leia um trecho]

Tony e Susan

O que você faria se recebesse uma mensagem sombria em forma de livro?

Vinte e cinco anos depois de deixar o primeiro marido, Susan recebe um manuscrito do ex pedindo para que ela leia seu livro. Mas, ao iniciar a leitura, Susan percebe que o protagonista, um professor de matemática que leva sua família para uma viagem, tem muito do seu antigo marido. E, naquela história, o capítulo final é violento e desastroso. Mera coincidência? A obra deu origem ao filme Animais Noturnos estrelando Amy Adams (Objetos Cortantes) e Jake Gyllenhaal (O Segredo de Brokeback Mountain). [Leia um trecho]

Caixa de pássaros

Há algo lá fora… Algo aterrorizante e que não deve ser visto. Basta uma olhadela e a pessoa é levada a cometer atos de violência mortal.

Quatro anos depois de as mortes terem começado, existem poucos sobreviventes em Michigan. Vivendo em uma casa abandonada, Malorie e seus dois filhos tentam resistir nesse mundo no qual abrir os olhos pode ser fatal. Quando uma neblina atinge a região, ela decide fugir de casa em um barco a remo na esperança de encontrar um lugar longe do surto que matou todos em sua cidade. De olhos vendados, os três encaram uma viagem assustadora rumo ao desconhecido. O romance de estreia de Josh Malerman, eleito um dos melhores livros de estreia e uma das melhores obras de 2014, vai ganhar uma adaptação cinematográfica pela Netflix estrelada por Sandra Bullock (Oito Mulheres e Um Segredo) e Sarah Paulson (American Horror Story). [Leia um trecho]

A essência do mal

Nas montanhas há uma força impossível de entender. Ele a chama de A Besta.

Jeremiah Salinger ganha a vida fazendo documentários, até que se muda com a família para uma região remota da Itália. Lá, ele ouve falar sobre um crime ocorrido em 1985, no qual três jovens foram mortos, e seus corpos, desmembrados por um assassino que nunca foi descoberto. Jeremiah então mergulha em um quebra-cabeça macabro e fascinante para tentar solucionar esse mistério. [Leia um trecho]

Quem era ela

Uma história de duplicidade, morte e mentiras.

A casa nº 1 da Folgate Street é linda e minimalista, uma obra-prima da arquitetura em Londres. Mas há um preço a se pagar para viver no lugar perfeito: é preciso passar por uma seleção rigorosa. Jane busca um recomeço depois de uma terrível perda e se vê incapaz de resistir aos encantos da casa. Mas, com tantas regras a cumprir, tantos fatos estranhos acontecendo ao seu redor e uma sensação constante de estar sendo observada, o que parecia um ambiente tranquilo na verdade se mostra ameaçador. [Leia um trecho]

Eu sou o peregrino

Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável.

Peregrino é o codinome de um homem que não existe. Alguém com tantas identidades que mal consegue lembrar seu verdadeiro nome. Adotado ainda jovem por uma família rica, ele se tornou um importante profissional da espionagem que agora tenta descobrir o ponto exato em que diversos assassinatos pelo mundo se cruzam. O romance de estreia de Terry Hayes tem uma narrativa ágil e uma construção psicológica primorosa de seus personagens. [Leia um trecho]

A verdade sobre o caso Harry Quebert

Nada é o que parece.

Marcus Goldman é um jovem escritor que sofre de bloqueio criativo. Certo dia ele é surpreendido pela descoberta do corpo de uma jovem de quinze anos ── desaparecida sem deixar rastros em 1975 ──, enterrado no jardim de Harry, seu ex-professor de faculdade e um dos mais renomados escritores americanos, com o original do romance que o consagrou.

Harry admite ter tido um caso com a garota e ter escrito o livro para ela, mas alega inocência quanto ao assassinato. Decidido a ajudar seu mentor, Marcus se lança em uma investigação, esbarrando em antigos segredos da pequena cidade de Aurora ao mesmo tempo que reconstrói os acontecimentos do verão de 1975, quando Harry e Nola viveram um amor proibido. [Leia um trecho]

 

Se todas essas histórias terríveis de infortúnios e angústia não te assustaram, caro leitor, talvez eu o tenha subestimado.

testeAumente o volume, se tiver coragem!

Por Pablo Amaral Rebello*

1, 2, 3, 4…

A primeira nota invade o vazio, dissonante, repleta de energia e de uma eletricidade maligna. Ela traz as nuvens negras que se acumulam no céu, prenúncio da tempestade que está por vir. Uma mente sã buscaria abrigo, mas algo no estranho som nos leva a seguir os acordes, procurando descobrir aonde eles nos levarão, sem percebermos a armadilha em que estamos entrando até que seja tarde demais para nos salvarmos.

Do mesmo modo que uma boa música de rock te pega pelo ouvido, o novo livro de Josh Malerman, Piano vermelho, agarra a atenção do leitor desde as primeiras palavras e o deixa petrificado, eliminando qualquer possibilidade de fuga. Não há escapatória. Apenas um Caminho (assim mesmo, com C maiúsculo) a seguir. Pelas ruas sórdidas de Detroit ou pelos vastos desertos da África. Por alas sombrias de hospitais suspeitos ou por labirintos subterrâneos onde habitam as trevas e coisas que não deveriam existir.

Josh Malerman é um autor que gosta de mexer com as sensações dos leitores. Em Caixa de pássaros, ele nos trancou com seus personagens em um mundo repleto de sombras onde o menor vislumbre do que acontecia ao redor poderia provocar uma morte terrível. É um livro cheio de sutilezas e de sugestões sinistras, como a tensão de acompanhar uma mãe e seus dois filhos descendo um rio de olhos vendados, em que o suspense cresce a cada virar de página.

 Em Piano vermelho, o autor mantém sua pegada sensorial ao mesmo tempo que apresenta uma trama muito mais alucinada e carregada de adrenalina, como em um bom show de rock. A trama gira em torno de Philip Tonka, um músico que sobreviveu milagrosamente a uma experiência traumática e assombrosa, deixando médicos e especialistas atônitos, sem respostas para o que lhe aconteceu. E, mesmo se lembrando, o rapaz permanece no escuro sobre o que realmente ocorreu e o que se esconde embaixo das areias do deserto.

No passado, a história segue os passos da banda The Danes, que após uma curta temporada nos braços da fama está de volta ao ostracismo, encalhada em um estúdio de Detroit, sem criar nada de novo, apenas gravando os sons de novas bandas. Tudo muda quando os músicos recebem uma visita do Exército dos Estados Unidos. Ao que parece, existe um som bizarro, de alto poder destrutivo, escondido em algum lugar do sudoeste da África. Os militares acreditam se tratar de uma arma poderosa, capaz de vencer qualquer conflito armado, e querem recrutar os músicos como especialistas para localizá-la. Sem nada melhor para fazer, e sentindo o gosto de aventura no ar, os rapazes aceitam a missão. E, claro, alguma coisa dá muito errado e só o assombrado Philip Tonka pode descobrir a verdade.

 

 

A divisão do livro entre passado e presente segue a fórmula utilizada pelo autor em Caixa de pássaros e serve tanto para atiçar a curiosidade do leitor quanto para aprofundar os tormentos do protagonista, perseguido pelo que aconteceu na África e pelas perguntas que ficaram sem resposta depois da malfadada missão. Onde estão os outros Danes? Foi tudo real? Ou uma alucinação? No entanto, o ritmo da história é acelerado, com menos sutilezas e mais pirotecnias do que se poderia esperar em um primeiro momento. E não seria para menos, uma vez que o livro pode ser lido como uma carta de amor para o rock’n’roll e a vida desregrada de seus músicos.

Para quem não sabe, além de escritor, Josh Malerman é vocalista da banda The High Strung, o que demonstra que seu conhecimento a respeito do estilo de vida musical é muito mais prático do que teórico. Talvez por isso seja possível enxergar Philip Tonka, Duane Noles, Larry Walker e Ross Robinson como mais do que peças rodando nas engrenagens azeitadas do Exército americano. Eles são músicos, de espírito libertário, e ingênuos o bastante para caírem na armadilha do Tio Sam. Daí vem a importância que a banda adquire ao longo da trama, sempre presente na mente do protagonista e de personagens coadjuvantes, como a enfermeira Ellen.

 

 

Piano vermelho apresenta um autor mais solto, disposto a abraçar a anarquia da Criação (sim, com C maiúsculo também) e a se perder pelo Caminho, com o ouvido sempre atento aos menores ruídos e pistas capazes de levá-lo às respostas que procura. Pode ser que nada dê certo no final. Pode ser que tudo seja em vão. Mas existe a certeza de que, no meio de toda cacofonia e dos acordes estridentes, seja possível encontrar aquela poesia suja e fugidia que produz as melhores canções.  

Mas se você ainda não está convencido da capacidade de Josh Malerman em surpreender os leitores, aqui vai uma pequena história da passagem do autor pelo Brasil. E, não, não é algo que aconteceu com um amigo de um amigo meu. Foi um fato que presenciei em primeira mão, quando trabalhava na Intrínseca e dei a sorte de assessorá-lo durante a Bienal do Livro Rio, em 2015. “Terminei de escrever hoje a primeira versão do meu novo livro”, confidenciou Josh na porta da editora. Os olhos dele brilhavam como os de uma criança que acabou de aprontar e está louca para ver no que aquilo vai dar. “Acredito que esse vai fazer barulho!”

Achei bacana, conversamos um pouco sobre Piano vermelho (embora o livro ainda não tivesse um título definido na ocasião), mas não muito. Não estávamos ali para isso. O autor decidiu fazer uma visita de cortesia à editora e conhecer as pessoas que trabalharam em Caixa de pássaros. Todos o adoraram. Tiraram fotos, pegaram autógrafos, contaram piadas. Apenas outro dia de trabalho. Pelo menos, até a hora em que ele entrou no elevador e nos deixou. Passaram-se menos de cinco minutos e todas as luzes do prédio se apagaram, assim como a maioria dos computadores. Queda de energia total. Fomos deixados no escuro.

Alguém lembrou que Josh poderia ter ficado preso no elevador e me pediram para checar se estava tudo bem com ele. Mandei uma mensagem para o autor: “Cara, as luzes se apagaram assim que você saiu. Você não ficou preso no elevador, ficou?” Poucos minutos depois, veio a resposta, “Não”, seguida de “Caramba” e para concluir “Não imagino maneira melhor de sair de cena. ;)” Como disse antes, às vezes a realidade é mais estranha do que a ficção. E não tenho dúvidas de que, de vez em quando, as duas trabalham numa sintonia fina.

=> Leia um trecho de Piano vermelho

 

*Pablo Amaral Rebello escreve um pouco de tudo e de tudo um pouco. É autor de Os Lugares do Meio (https://youtu.be/UciL67mEJuQ), Deserto dos desejos (https://goo.gl/ssj4iJ) e diversos contos publicados em coletânea. Trabalhou nos jornais O Globo, Correio Braziliense e na Editora Intrínseca.

testePor que o livro de Mariana Enriquez dá palpitações no leitor

Por Mariana Filgueiras*

As coisas que perdemos no fogo transforma personagens comuns e temas contemporâneos em protagonistas de contos magnéticos e sinistros

Num dos contos de As coisas que perdemos no fogo, três jovens amigas se divertem dentro da caçamba sacolejante de um furgão em alta velocidade. “Nós gritávamos e caíamos uma em cima da outra; era melhor que montanha-russa e que álcool. Esparramadas no escuro, sentíamos que cada pancada na cabeça podia ser a última e, às vezes, quando o namorado de Andrea tinha que parar porque algum sinal vermelho o detinha, nos procurávamos no escuro para comprovar se ainda estávamos vivas. E ríamos aos gritos, suadas, às vezes ensanguentadas. O interior do furgão cheirava a estômagos vazios e cebola, às vezes também ao xampu de maçã que compartilhávamos.”

É como nos sentimos ao ler o primeiro livro publicado no Brasil da escritora argentina Mariana Enriquez: esparramados no escuro, suando de nervoso, dando cabeçadas no teto de um carro a toda a velocidade.

O que logo chama a atenção é como a força de sua literatura é física. O livro nos domina, como se o leitor fosse subitamente agarrado pelos calcanhares, depois olhasse para o chão e não visse nada. Impossível atravessar as 192 páginas sem ouvir uma porta ranger, sem checar possíveis feridas nas pontas dos dedos ou sem sentir palpitações no peito. Em algum momento, vai acontecer, é só uma questão de tempo.

A autora usa com habilidade temas muito discutidos atualmente, como o bullying, o crack, os desaparecidos políticos, a violência doméstica, o gaslighting e a crise econômica (caso do conto “Os anos intoxicados”, citado acima), para criar um ambiente magnético e sinistro em seus contos de terror. Os personagens não são monstruosos ou irreais: são pessoas com as quais cruzamos na vizinhança, no pátio da escola, na sala de espera do dentista. A banalidade que introduz as histórias as torna tão factíveis quanto surpreendentes.

E Mariana o faz com o cuidado de não deixar os personagens presos a estigmas ou a lugares-comuns. Num meio-termo bem imaginado entre o realismo e a fantasia, a autora constrói sobre os dramas citadinos um mundo à parte, cheio de reflexão existencial e crítica política.

No conto “O menino sujo”, por exemplo, o terror vivido pela narradora se revela mais na culpa por não ter ajudado uma criança de rua do que na descrição do ambiente repugnante em que vivia ou na própria ação que culminaria no sumiço do menino. “Tive vontade de sacudi-lo e, em seguida, me envergonhei. Ele precisava de ajuda; eu não tinha por que saciar minha curiosidade mórbida. E, mesmo assim, algo no silêncio dele me irritava. Queria que fosse um menino amável e encantador, não aquele áspero e sujo que comia o arroz com frango lentamente, saboreando cada garfada, e arrotava depois de terminar seu copo de Coca-Cola.”

São 12 histórias, numa edição que cresce pouco a pouco em dramaticidade e guarda as mais violentas para o final. A última dá nome ao livro, “As coisas que perdemos no fogo”, e fala sobre mulheres que ateiam chamas ao próprio corpo em protesto coletivo. “Quando de fato as mulheres começaram a se queimar, ninguém acreditou nelas. (…) Achavam que elas estavam protegendo seus homens, que ainda tinham medo deles, que estavam traumatizadas e não podiam dizer a verdade; foi difícil admitir a existência das fogueiras. Mesmo agora, que havia uma fogueira por semana, ninguém sabia o que dizer nem como detê-las, exceto com o de sempre: controles, polícia, vigilância.”

Há uma característica comum a todos os contos: a narração é sempre de mulheres adolescentes ou adultas, o que a autora garante ser mero acaso, um fio condutor espontâneo das narrativas. Pista já presente na epígrafe do livro, tirada do romance O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë: “Queria ser de novo uma menina, meio selvagem e durona, e livre.” Os textos de personagens mais jovens fazem lembrar a delicada tensão de As virgens suicidas (romance de Jeffrey Eugenides adaptado para o cinema por Sofia Coppola em 1999) e os primeiros textos de Stephen King, principal referência literária da autora, principalmente Carrie, a estranha (também levado ao cinema, dessa vez por Brian de Palma, em 1976).

Editora do jornal argentino Página/12, e com textos publicados pela revista The New Yorker, Mariana mostra na sua ficção uma das melhores heranças do jornalismo: o talento para contar boas histórias.

=> Leia um trecho de As coisas que perdemos no fogo

 

Mariana Filgueiras é jornalista cultural e mestranda em Literatura na Universidade Federal Fluminense (UFF).

testeNovo livro do autor de Caixa de pássaros chega às livrarias em 5 de julho

 

Piano vermelho, novo thriller de Josh Malerman, chega às livrarias em 5 de julho. Na história, os Danes, ex-ícones da cena musical de Detroit, estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder.

Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração.

Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e o organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir.

Piano vermelho é o segundo livro de Josh Malerman. Publicado originalmente em março, a obra já tem conquistado leitores e críticos de veículos como The New York Times.

testeAs histórias reais dos jogos de terror

 

It's me

Assim como filmes e séries, videogames podem ter estilos completamente diferentes. Seja em uma partida de futebol, em um reino destruído, abrindo portais ou preso em uma pizzaria abandonada, cada jogo é único em suas inspirações, mecânicas e enredos.

Muitas vezes, as histórias podem ter origens em acontecimentos do mundo real, e os jogadores podem nem saber disso. Separamos alguns games que, assim como a série Five Nights at Freddy’s e o livro Olhos prateados, foram baseados em histórias assustadoramente reais.

A história real que inspirou Five nights at Freddy’s: Olhos prateados

Five Nights at Freddy’s é uma das maiores séries de jogos de terror de todos os tempos. Com cinco jogos e milhões de cópias vendidas, será adaptada para os cinemas pela mesma produtora de Atividade Paranormal. O jogo é um sucesso em todo o mundo, incitando os fãs a investigarem e criarem teorias da conspiração.

A pizzaria do jogo e do livro, com seus robôs animatrônicos, pode parecer improvável para os leitores brasileiros, mas é relativamente comum nos Estados Unidos. A Chuck E. Cheese, assim como a Freddy Fazbear, era uma franquia de restaurantes famosa pelos personagens que alegraram os jantares das crianças durante a década de 1990. Mas as semelhanças não param por aí. Nas duas histórias, os restaurantes tinham como atração principal uma banda formada por quatro animais. O principal – Chuck E. Cheese no mundo real e Freddy Fazbear em Olhos prateados – era considerado o dono do estabelecimento. O visual dos restaurantes também é muito parecido. E, por último, um item importante na lista de semelhanças: assim como na Freddy’s, crimes horríveis aconteceram na Chuck E. Cheese.

Em dezembro de 1993 na cidade de Aurora, cinco pessoas trabalhavam depois do fechamento do restaurante. Sem que eles soubessem, uma sexta pessoa estava escondida na Chuck E. Cheese. Um ex-funcionário, com histórico de distúrbios psicológicos e em busca de vingança, apareceu e assassinou quatro funcionários. O quinto milagrosamente sobreviveu, se fingindo de morto após um tiro não letal.

Segundo a mais famosa teoria sobre Five Nights at Freddy’s, os quatro animatrônicos do jogo – Freddy, Bonnie, Foxy e Chica – teriam relação com as vítimas, suas posições no primeiro jogo da série inclusive seriam equivalentes aos locais das mortes. O sobrevivente seria o quinto animatrônico, o misterioso Freddy Dourado.

A teoria foi criada pelo canal americano do Youtube The Game Theorists e ganhou uma versão traduzida pelo canal brasileiro HueStation:

Slender: The Eight Pages (2012)

Em junho de 2012, um jogo independente de terror começou a fazer muito sucesso na internet: em Slender: The Eight Pages, o jogador controla uma pessoa perdida em uma floresta à noite e precisa recuperar oito páginas de um diário. Tudo seria muito tranquilo, se não houvesse uma figura alta, vestindo um terno e com um rosto assustadoramente pálido e sem olhos sempre atrás de você, o Slender Man. O jogador nunca pode chegar perto dele.

O jogo supostamente era adaptado de uma lenda da região da Romênia – mas tudo não passava de um grande boato na internet. O que deveria ser apenas um meme se tornou uma tragédia no mundo real. Em 2014, duas meninas de 12 anos que acreditavam ter entrado em contato com a criatura pálida em carne e osso acabaram cometendo um crime terrível. A perturbadora história virou um documentário da HBO.

 

A conspiração MK Ultra e Outlast (2013)

A terceira teoria talvez seja a mais maluca de todas.

No jogo Outlast, um jornalista recebe uma denúncia anônima de que experimentos ilegais estão sendo feitos com pacientes de um hospital psiquiátrico que foi dominado pelos pacientes mais perigosos. Ao entrar no hospital (não pergunte, em histórias de terror os personagens tomam decisões horríveis), o jogador se vê preso no local e, para sobreviver, precisa escapar de todas as loucuras e psicopatas.

Seria ótimo se fosse apenas um episódio fictício, mas até mesmo neste caso existe um (possível) fundo de verdade. A lenda urbana diz que na década de 1950, o governo americano (!!!) testou o impacto de substâncias alucinógenas em pessoas comuns, no que ficou conhecido como operação MK Ultra. Os “voluntários” desses testes se tornaram pessoas psicóticas e, sem capacidade de viver em sociedade, acabaram transferidas para hospícios no qual ficavam soltas, sem esperança de melhora ou qualquer forma de tratamento.

testeConheça a coletânea com doze contos de terror da aclamada Mariana Enriquez

Histórias curtas, sombrias e perturbadoras: assim são os doze contos de As coisas que perdemos no fogo, da aclamada Mariana Enriquez. Com cenas fortes que não saem da cabeça, o livro mistura terror e suspense em narrativas que parecem normais no primeiro momento, mas são macabras e emocionantes.

Na coletânea, o leitor encontra histórias sobre um menino assassino, uma garota que arranca as unhas e os cílios na sala de aula, amigos que parecem destinados à morte, mulheres violentadas que ateiam fogo em si mesmas, casas abandonadas, magia negra e sumiços inexplicáveis. Os personagens e os lugares enganam o leitor o tempo todo ao se mostrarem comuns, mas revelam o horror do cotidiano.

Os contos também abordam temas como desigualdade e violência com um forte teor político. Nascida e criada em Buenos Aires, na Argentina, Mariana Enriquez não ignora fatos do passado — como a ditadura militar no país — e o contexto local em suas obras.  

Considerada uma das principais jovens autoras contemporâneas da América Latina, Mariana vem conseguido destaque internacional. Além de As coisas que perdemos no fogo, traduzido para mais de vinte países, já publicou outros setes livros que conquistaram o público e a crítica. Veículos internacionais como New Yorker, Granta e Electrice Literature já a elegeram como uma das escritoras mais corajosas e surpreendentes da atualidade.

Em entrevistas, Mariana costuma afirmar que suas inspirações vêm de autores como Henry James, Lafcadio Hearn, Emily Brontë e Stephen King, mas também das experiências que vivencia como jornalista. Por isso suas obras mesclam elementos de horror e sobrenatural com o cotidiano.

=> Veja também 31 livros incríveis que você precisa conhecer 

testeAs fases do medo com Five Nights at Freddy’s: Olhos prateados

Por Marcela de Oliveira Ramos *

Acho que sou a pessoa mais medrosa do mundo: tenho pavor de trem fantasma, passo longe de filmes de terror (quando vou ao cinema, as pessoas se assustam mais com meus gritos do que com os monstros), e quando fico em casa sozinha deixo todas as luzes acesas. Então, é claro que fui a escolhida para cuidar da produção de Five Nights at Freddy’s: Olhos prateados.

Até que fiquei animada com toda essa ideia de testar meus limites, confrontar meus medos e rir na cara do perigo. Embarquei com tudo! Eu sabia que tiraria de letra, afinal, o que poderia haver de tão aterrorizante em uma história sobre uma pizzaria abandonada com bonecos animatrônicos do tamanho de pessoas de verdade?????

Tudo começou com o jogo, Five Nights at Freddy’s. A princípio parece tranquilo, são apenas câmeras de segurança filmando a pizzaria vazia, à noite. O design é retrô, e o jogador não tem muito o que fazer, apenas fechar a porta e acender a luz. Mal sabia eu que essa combinação era mais assustadora do que um psicopata com uma serra elétrica. Essa coisa de ficar parada só olhando, o silêncio, o escuro… quando eu menos esperava…

Olar.

Sem contar todas as teorias da conspiração por trás do jogo… Que história é essa de assassinatos misteriosos dentro da pizzaria? Crianças desaparecidas? Mas como assim os clientes começaram a sentir cheiro podre vindo dos bonecos??????

Já vi que vai ser ótimo!

Comecei o livro! Logo na primeira cena tem perseguição, sangue, fliperamas velhos e um golpe de gancho.

Mas tudo bem! Aquilo foi só um sustinho pra criar um clima. A história mesmo começa com um grupo de adolescentes se reunindo para a cerimônia em homenagem ao amigo que morreu dez anos antes num incidente dentro da Pizzaria Freddy Fazbear’s. E o que esses jovens bonitos, estilosos e inteligentes resolvem fazer? Voltar à pizzaria abandonada para investigar, claro.

Também achei uma ótima ideia!

Lá dentro, vocês acham que os amigos encontram o quê? Pizza de calabresa saindo do forno?

Eles encontram terror, escuridão, poeira, mofo, brinquedos quebrados e… bonecos assassinos.

E aí começou meu verdadeiro desespero. A pizzaria escondia vários mistérios. Cada porta trancada era um susto diferente. Aqueles bonecos sinistros me fizeram repensar toda a minha infância. E, claro, o grupo, como bons jovens em perigos, só sossegou quando o completo caos estava instaurado.

Passei todo o período da produção do livro andando assim pela editora:

E cada vez que alguém me chamava para falar qualquer coisa, meu coração parava. 

“Marcela, vamos almoçar?”

Mas se você me perguntar o que achei de tudo isso, vou responder apenas:

MANDA MAISSS

As revelações finais são surpreendentes e a história toda é muito emocionante!

Principalmente para quem ficou com a pulga atrás da orelha com os mistérios do jogo. 

Se virei fã de histórias de terror? Vamos dizer apenas que fiquei fascinada por essa pizzaria aterrorizante e pelo que esses bonecos monstruosos são capazes de fazer!

 

*Marcela de Oliveira Ramos é editora assistente de livros jovens da Intrínseca, adora gifs e, curiosamente, desde que trabalhou em Five Nights at Freddy’s: Olhos prateados nunca mais pôs os pés numa pizzaria.

 

testeO que aconteceu na Freddy’s?

A Pizzaria Freddy Fazbear’s era um dos maiores sucessos de Hurricane, cidade do interior do estado americano de Utah. Com seus memoráveis animatrônicos Bonnie, Chica, Foxy e, o principal, Freddy, o lugar estava sempre repleto de crianças comendo, brincando e se divertindo com os personagens. Até o fatídico mês de julho de 1985.

Michael Brooks tinha sete anos e passava mais um dia na pizzaria, acompanhado do seu grupo de amigos: John, Lamar, Marla, Jessica, Carlton e Charlie, filha do dono do local. Durante uma pane inesperada nos bonecos, Michael desapareceu sem deixar vestígios, chocando a cidade inteira. O trauma marcou para sempre a vida de todos os envolvidos, a maioria das famílias foi embora de Hurricane e as crianças se distanciaram.

Dez anos depois, Charlie retorna à cidade junto do grupo de ex-amigos para uma cerimônia em homenagem a Michael. E lá a garota vai desenterrar os terríveis mistérios em torno da Freddy’s.

Em Olhos prateados, Scott Cawthon, criador da série de jogos de terror Five Nights at Freddy’s, extrapola o universo que conquistou fãs no mundo todo e traz à tona os medos mais obscuros que só brinquedos sinistros são capazes de provocar. O livro chega às livrarias a partir de 03 de março.

testeO terror psicológico de Loney por uma semana

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Foto: Pausa para um café

Convidamos os nossos blogueiros parceiros para embarcar em um desafio: mostrar os diferentes aspectos de Loney para os leitores. A obra apresenta uma história de suspense e horror gótico que já encantou o mestre Stephen King e Josh Malerman, autor de Caixa de pássaros.

O livro acompanha a família Smith durante uma peregrinação católica numa região no interior da Inglaterra, conhecida como Loney, onde eles acreditam que podem encontrar a cura do filho mudo.

Nesse desafio, nossos parceiros tinham a missão de comentar sobre o terror psicológico, os personagens, a construção do cenário, as influências do autor Andrew Michael Hurley, além de publicar fotos e resenhas sobre o livro.

Para @queriaseralice, o terror de Loney é interessante porque está escondido nas entrelinhas. A ausência de cenas explícitas, de sangue, de assombrações foi destacada no post de Além do livro que também considerou a capa fundamental para entrar na atmosfera sombria da história.

“Durante toda a leitura, senti como se a névoa e a chuva me impedissem de ver o que seria claro à luz do sol, e o clima certamente era um elemento crucial para manter o suspense da trama”, conta Julia, do Conjunto da Obra.

O terror psicológico criado pelo autor também foi um dos pontos que chamaram a atenção do blog Entrando numa fria. Para ele, isso “acaba deixando o leitor visualizar em sua mente algo terrível ou ensejar por algo que pode a vir acontecer.”

A construção dos personagens e as narrativas que influenciaram o autor, que buscou inspiração na sua criação católica, também são importantes para o livro. O blog Vai lendo destacou esse lado da história em sua resenha. Para Daniel Lanhas, Andrew Michael Hurley fez uso da religiosidade com muito cuidado e talento. A página Sobre livros e traduções acredita que o jogo entre fé e descrença é a melhor parte de Loney.

Na trama, acompanhamos personagens enigmáticos e complexos como os padres, os peregrinos e os vizinhos excêntricos. “Loney possui personagens intrigantes e reais, o que deixa a trama ainda mais interessante. Logo de cara temos o narrador, Smith, um homem que carrega o peso de ter que cuidar de Hanny, seu irmão deficiente. Smith sempre foi um garoto bondoso e ao crescer se torna um homem misterioso e isso fica claro logo no início do livro”, explica o blog Claquete Literária.

05 personagens

Cada integrante da família Smith tem características únicas que são apresentadas com muita riqueza na obra. A relação entre os irmãos também foi destacada por muitos leitores durante a semana especial. Para o blog My book lit, Andrew construiu a trama com “maestria surpreendente em se tratando de uma obra de estreia. Ele soube como inserir todos na narrativa, sem que nenhum sobressaísse ao outro”.

Seja pela riqueza de detalhes da história ou pelo terror psicológico, Loney é daquele tipo de livro que deixa os leitores angustiados para chegar à última página.

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