testeDa Vinci é pop!

Em 1519, o mundo perdia Leonardo da Vinci, um de seus maiores gênios. Morto há quase 500 anos, o multitalentoso artista continua vivo até hoje através de seu legado. Além da reverência que temos por suas obras clássicas, sejam pinturas, projetos de engenharia ou desenhos anatômicos perfeitos, Leonardo permanece relevante por suas aparições na cultura pop. Confira!

A principal obra de Da Vinci é também a mais referenciada. Basta procurar por versões alternativas da Mona Lisa para descobrir que ela já foi reimaginada de todas as formas que você consiga pensar. Seja em Star Wars, Lego ou até mesmo por outro gênio das artes, Salvador Dalí, existe uma Mona Lisa no seu estilo preferido na internet.

Outra participação incomum de Leonardo foi na série de jogos Assassin’s Creed, que reconstrói períodos históricos misturando-os com ficção científica. No jogo, vemos um Da Vinci jovem e espontâneo ajudando o protagonista com suas máquinas de guerra impressionantes.

Falando em juventude, a série Da Vinci’s Demons recria a juventude de Leonardo, o transformando praticamente em uma versão renascentista de um super-herói de quadrinhos. Não por acaso, a produção é de David S. Goyers, mesmo roteirista de Homem de Aço e Batman: O Cavaleiro das Trevas

Leonardo foi pano de fundo para o sucesso dos cinemas O Código Da Vinci, que acompanha um professor em busca de um dos maiores segredo da humanidade, escondidos em códigos na obra de Da Vinci.

E os próximos anos prometem ainda mais novidades para Leonardo da Vinci. Depois da biografia best-seller de Walter Isaacson, foi anunciado recentemente que o livro será inspiração para um filme sobre o gênio renascentista protagonizado por ninguém menos que Leonardo DiCaprio. Saiba mais sobre o filme clicando aqui.

teste14 livros para as férias

Confira nossa seleção com 14 livros imperdíveis!

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Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr — Nesse romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção de 2015, você vai conhecer Marie-Laure, uma garota que ficou cega aos seis anos e que vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural, e Werner, um menino alemão, órfão, que se encanta por um rádio encontrado em uma pilha de lixo e cuja trajetória o leva a uma escola nazista. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver é um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst — Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e o diretor do último episódio de Star Wars, apresenta um quebra-cabeça literário. Resultado de sua parceria com Doug Dorst, S. vem em uma caixa lacrada, repleta de códigos. Além do enigmático romance O Navio de Teseu, a obra contém, em suas margens, as anotações e investigações de dois leitores sobre V. M. Straka — um escritor cuja biografia nebulosa é repleta de boatos que envolvem conspirações, sabotagens e assassinatos.

História do futuro: O horizonte do Brasil no século XXI, de Míriam Leitão — Em um cenário de crise, a premiada jornalista Míriam Leitão é categórica: em vez de nos abatermos pelo pessimismo, temos que fazer um balanço racional dos muitos acertos e dos vários erros para construir um futuro melhor para o país. Em seu terceiro livro de não ficção, a vencedora do Jabuti apresenta tendências que não podem ser ignoradas em áreas como meio ambiente, demografia, educação, economia, política, saúde, energia, agricultura e tecnologia. Leitura fundamental para entendermos o presente e planejarmos o futuro do Brasil.

A espada do verão, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada a fim de encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta uma nova série, agora sobre mitologia nórdica. Mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor!

Elon Musk: Como o CEO bilionário da SpaceX e da Tesla está moldando nosso futuro, de Ashlee Vance — Se você quer ter alguma ideia de como será o futuro, precisa conhecer Elon Musk. O empreendedor mais ousado de nosso tempo, que inspirou o Homem de Ferro dos cinemas, decidiu investir sua fortuna gerada em empresas digitais para mudar o mundo. Com a SpaceX, o inventor sul-africano está revolucionando os voos espaciais. Com a Tesla Motors, está trabalhando para popularizar os carros elétricos. Musk, que também está investindo em energia sustentável por meio de painéis solares, é um CEO diferente de todos os outros. Ao apostar em empreendimentos de alto risco, tem se dedicado a criar um futuro ao mesmo tempo magnífico e próximo de uma fantasia de ficção científica.

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Lugares escuros, de Gillian Flynn — Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem criada por Gillian Flynn, autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. A história chegou aos cinemas no ano passado, protagonizada por Charlize Theron, e recentemente ganhou uma nova edição, com capa seguindo o padrão dos livros da autora.

Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus  Um dos artistas mais visionários da atualidade — diretor, produtor e roteirista que assina sucessos como A Espinha do Diabo, O Labirinto do Fauno e Hellboy —, Guillermo del Toro conta em Caçadores de trolls como o medo pode tomar conta das pessoas. Repleto de monstros assustadores e do encanto de um jovem com um mundo novo, o livro, que tem 10 belíssimas ilustrações de Sean Murray, será adaptado para uma série produzida pelo Netflix.

Crepúsculo/Vida e morte, de Stephenie Meyer — Publicado inicialmente nos Estados Unidos em 2005, o livro que originou a série best-seller mundial e uma franquia de filmes que bateu recordes de bilheteria, completou 10 anos! Para comemorar o aniversário da inesquecível história de amor entre Bella e Edward, Stephenie Meyer presenteou os leitores com uma edição dupla. Além de Crepúsculo, a edição especial contém quase 400 páginas de conteúdo extra que inclui Vida e morte, versão em que a autora inverte o gênero dos protagonistas.

A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas.

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Grey, de E L James — Christian Grey controla tudo e todos a seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio — até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Conheça a história que dominou milhares de leitores ao redor do mundo agora sob um novo e apaixonante ponto de vista.
Mosquitolândia, de David Arnold — Mim Malone não está nada bem. Após o inesperado divórcio dos pais, a apaixonante protagonista de Mosquitolândia é obrigada a ir morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em uma jornada de mais de mil quilômetros até Ohio e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

O clique de 1 bilhão de dólares, por Filipe Vilicic — O Instagram, aplicativo de compartilhamento de fotos, é uma febre mundial desde seu lançamento em 2010. Comprado pelo Facebook em 2012 pela estonteante quantia de 1 bilhão de dólares, hoje em dia já mobiliza mais de 400 milhões de usuários ativos. O que poucos sabem é que Mike Krieger, um de seus idealizadores, é brasileiro, nascido em São Paulo. A trajetória meteórica do aplicativo e de Krieger, que se tornou milionário aos 26 anos, são detalhadas em O clique de 1 bilhão de dólares pelo jornalista Filipe Vilicic, editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site de Veja.

Para todos os garotos que já amei, de  Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, elas são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, sua vida amorosa se transforma. Se você ainda não conhece Lara Jean, é melhor correr: a continuação do romance, P.S.: Ainda amo você, chega às livrarias nas próximas semanas.

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. Um livro fascinante sobre a guerra que mudou o futuro dos video games e o mercado de entretenimento.

testeJ.J. Abrams me proporcionou suspiros editoriais, mas fez com que eu acordasse uma vizinha idosa

Por Victor Almeida*

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Maio de 2015. Três da manhã. Papéis rabiscados em volta da mesa. Gatos dormindo. O código do capítulo 6 do livro está quase desvendado, mas alguma coisa deu errado no fim. Não faz sentido. É a décima tentativa sem solução. Acabou o café. O revisor berra de frustração. A senhora idosa da casa da frente também… e acorda… e não está nem um pouco feliz.

Hum. Não, acho que estou adiantando demais esse relato. Preciso voltar um pouquinho.

***

Quando eu era criança, a biblioteca do bairro era minha loja de brinquedos preferida. Era a amiga que eu visitava regularmente depois do almoço. Ela me apresentou a muitos dos meus ídolos de infância: H. G. Wells, Júlio Verne, Mary Shelley, Tolkien, Monteiro Lobato, Asimov, Pedro Bandeira, Stephen King, Úrsula K. Le Guin… Enfim, era uma boa amiga.

Só que uma coisa me intrigava no lugar: estava sempre vazio. Aquele espaço lotado de histórias e personagens era ironicamente desabitado. Meia dúzia de gatos pingados apareciam de vez em quando. A mesma meia dúzia de gatos pingados. Um deles era realmente um gato. O Asdrúbal.

Ao mesmo tempo, contrariando minha percepção de que o lugar era tão povoado quanto Plutão num dia de inverno, eu sorria quando descobria, ao abrir um livro, uma anotação, um nome, uma observação. Cada uma daquelas caligrafias, tão diferentes da minha, indicava que aquele livro tinha uma história. Era único. Passara de mão em mão, fora reescrito, rabiscado, sublinhado, emprestado (e nunca devolvido), pintado com canetinha por uma criança que hoje podia já ser pai ou mãe.

Acrescente vinte anos ao guri dessa história. Ele agora tem barba. Seus ídolos não mudaram, mas a lista definitivamente aumentou. Natal de 2013. Ele abre um pacote dado pela esposa e lá está… S., essa obra de arte de Doug Dorst e J.J. Abrams. Capa dura dentro de uma caixa lacrada. Papel amarelado pelo tempo, marcas de leitura, caligrafia nas margens, carimbo de biblioteca, páginas contendo recortes de jornais, papéis, cartões-postais… Eu era uma criança de novo, sentado na mesa da biblioteca.

O leitor em mim passava as páginas, cheirava o livro e admirava a beleza narrativa daquilo. E o editor em mim, num momento ímpar de erudição, exclamou:

— São tantos detalhes… Nem CENSURADO este livro será publicado no Brasil! Seria um trabalho louco de tradução, produção gráfica, impressão…

Minha língua foi queimada como Anakin Skywalker depois de duelar com Obi-Wan Kenobi. Porque a Intrínseca anunciou que ia fazer. E fez. E o mais interessante: por obra do destino, para consagrar quão errado eu estava, recebi o convite de fazer a última revisão do livro. Ou seja, eu leria a obra diagramada, revisada, selada, registrada, carimbada, avaliada e rotulada, um pouco antes de voar. E ela é linda, meus caros.

untitledAchou estranho eu ter iniciado o texto num período de tempo, voltado muuuitos capítulos da minha vida e depois retornado para o começo? Pois bem, isso não é nada se comparado com a viagem narrativa que S. vai proporcionar a você.

J.J. Abrams, que, entre outras coisas, foi responsável por Lost e dirigiu filmes das franquias Star Trek e Star Wars (isso provavelmente deve ferir a lei de algum planeta e ele deveria ser preso), uniu-se ao escritor americano Doug Dorst para criar o livro, uma mescla de história, experiência narrativa e jogo. Como assim?

Vamos lá: pegue o seu exemplar de S. (Sim, é imprescindível que você compre a obra para executar esse passo de maneira apropriada. Do contrário, um livreiro ficará muito, muito zangado com você). Lá dentro, você encontrará um livro intitulado O Navio de Teseu, de V. M. Straka. Mas quem raios é Straka? Ninguém sabe. A verdadeira identidade do autor é um mistério que ainda não foi solucionado. Se estiver disposto a tentar, abra a primeira página.

A boa notícia é que você não estará sozinho. Eric e Jennifer, dois apaixonados pesquisadores, estarão lá para ajudá-lo(a). Lembra que mencionei que livros com marcações têm uma história particular? Pois são exatamente as marcações e a troca de mensagem entre os dois que você deve seguir. Pistas valiosíssimas encontram-se nas notas de rodapés e nas anotações nas margens do livro. Se quer ser bem-sucedido em sua missão, é melhor decifrá-las.

A má notícia? Bem, a má notícia é que certos segredos são perigosos demais. Quanto mais perto estiver de desvendá-los, mais perigos encontrará. Se isso não o amedronta ou preocupa, então está à altura do desafio. Boa leitura e boa sorte.

Só tenha cuidado para não acordar nenhuma vizinha idosa, ok?

 

Victor Almeida, 28 anos, é nerd, editor de ficção estrangeira da editora Arqueiro e acha códigos muito 14 24 51 15 42 44 24 14 34 43.

testeDe volta a uma galáxia muito, muito distante

Por Bruno Machado*

[O texto NÃO contém spoilers de O despertar da força. Não se preocupe.]

Quando a Disney anunciou que o sétimo episódio de Star Wars seria dirigido por J.J. Abrams, confesso que fiquei com receio. Adepto do que ele mesmo chama de Mystery Box, suas produções sempre foram marcadas pelas perguntas incessantes para captar a atenção do público. Ainda que ache que Lost não terminou assim tão mal, outras produções como Cloverfield – monstro e Super 8 acabavam perdendo alguma coisa com tantos questionamentos não respondidos. Mas todo o meu receio se dissipou durante os primeiros minutos de O despertar da Força.

Assistir ao filme em si já foi uma experiência. Apesar de fã da série, a ausência de uma forma comercial de viagem no tempo me impediu de assistir à trilogia clássica nos cinemas, e não vamos entrar no mérito de o que o público sentiu após aqueles filmes (caso você não tenha assistido a nada da série, uma dica: pule qualquer número abaixo de IV.). Foi uma sensação diferente sair do cinema pensando que jedis, lado negro e a força eram parte da minha geração, e não só partes de um clássico de 30 anos atrás.

Ao ver o Episódio VII, é fácil perceber a paixão de Abrams pelo primeiro filme de George Lucas. Com influências de spaghetti western e do cinema oriental, Star Wars (Que depois ficou conhecido como Episódio IV – Uma nova esperança) revolucionou o cinema e a cultura pop em geral, sendo um dos responsáveis por abrir as portas para histórias com monstros, super-heróis e sagas épicas de fantasia. Com o incomum fato de ser o sétimo filme tanto na cronologia quanto na confusa numeração, O despertar da Força não reinventa a roda, mas é uma bela homenagem ao primeiro filme.

Estão ali as mesmas influências do Monomito, ou a Jornada do herói, de Joseph Campbell. O aspecto quase paradoxal de um universo ao mesmo tempo moderno e antigo, com tecnologias futuristas convivendo com duelos de espadas. Tudo aquilo que os fãs tanto reclamaram dos filmes da década de 2000, como o uso criminoso de computação gráfica, parece ter sido repensado. É como se de repente um torcedor se tornasse técnico da seleção e fizesse tudo que o resto da torcida grita ao longo de um jogo.

Não é uma revolução no mundo, mas é um recomeço. Como muita gente na sala de cinema às três da madrugada, eu saí do filme querendo que Episódio VIII começasse logo em seguida. Apesar de seus momentos mais irregulares, O despertar da Força é um filme que transporta o público para uma galáxia muito, muito distante.

É como Han Solo fala em um dos trailers: Nós estamos em casa.

E é muito bom voltar para casa.

 

Leia também:

As primeiras pistas de S.

Perdidos no mundo de J.J. Abrams

 

* Bruno Machado é assistente de mídias sociais no departamento de Marketing. Acha muito estranho que não entendam que a ordem certa dos episódios de Star Wars é IV, V, VI e, agora, VII. Ir ao cinema para assistir aos episódios I, II e III causou um trauma feliz que o fez esquecer do enredo desses filmes.

testeO quebra-cabeça literário de J.J. Abrams

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Quem foi V. M. Straka? O misterioso escritor, autor de romances que derrubaram governos, envergonharam industriais impiedosos e anteciparam a ascensão de regimes totalitários, nunca revelou seu rosto. Sua biografia nebulosa é repleta de boatos que envolvem conspirações, sabotagens e assassinatos. Há apenas uma única certeza sobre ele: até estudar sua obra pode ser perigoso.

M. Straka é o autor de O Navio de Teseu, romance examinado à exaustão por Eric. Nas páginas do antigo exemplar de uma biblioteca universitária, ele anota as pistas deixadas pelo escritor desaparecido. Até que o livro cai nas mãos de Jen, uma estudante de Literatura. É assim que dois desconhecidos iniciam uma conversa frenética nas margens da obra e se unem em busca de respostas.

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O Navio de Teseu e a aventura desenvolvida em paralelo por Eric e Jen, que vai além das margens e inclui bilhetes, fotos, cartões-postais, entre outros documentos, compõem S., um quebra-cabeça literário criado por J.J. Abrams e Doug Dorst.

Diretor, roteirista e produtor de dezenas de filmes e séries, Abrams assina sucessos como Lost, Alias e Felicity — além da direção de dois filmes da franquia Missão Impossível e do sétimo episódio da saga Star Wars, O Despertar da Força. Já o premiado escritor Doug Dorst concorreu ao Hemingway Foundation/PEN em 2009 por Alive in Necropolis e venceu o Jeopardy! — tradicional programa de perguntas da TV norte-americana — por três vezes.

Dessa parceria incomum nasceu uma celebração à cultura analógica e ao livro como objeto. Em entrevista concedida à revista The New Yorker, Abrams explica: “Na era do e-mail e das mensagens instantâneas, quando tudo é enviado para a nuvem e torna-se intangível, S. é intencionalmente tangível. Queríamos incluir coisas que você pode segurar nas mãos: cartões-postais, fotocópias, documentos jurídicos, páginas de jornais, um mapa desenhado em um guardanapo.”

Lançado em 2013 nos Estados Unidos, S. chega em dezembro às livrarias brasileiras após dois anos de trabalho de uma equipe formada por cerca de 15 pessoas. Além da complexidade na adaptação e na tradução da narrativa repleta de códigos e pistas escondidas, a conversa desenvolvida pelos personagens nas margens e os textos dos anexos foram totalmente escritos à mão para depois ser digitalizados.

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A inspiração para este projeto ambicioso surgiu quando Abrams encontrou um livro em um banco no aeroporto. Ao abri-lo, deparou-se com a seguinte mensagem: “Para quem encontrar esse livro: por favor, leia-o, leve-o a algum lugar e deixe-o para que outra pessoa o encontre.”

Aos leitores que encontrarem S., enviamos outra mensagem: não há regras para a leitura da obra. Aproveitem a experiência única e íntima de ler, ao mesmo tempo, um livro e as anotações deixadas por seus outros leitores, de encontrar documentos e cartas que foram trocados e de desvendar grandes mistérios.

anexos

testeO grande livro do cinema: extras

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Durante a confecção de Operação Impensável, algumas resenhas de filmes foram cortadas para poupar a paciência dos leitores e as despesas com papel pólen soft de 80 g/m2. Algumas pessoas, porém, manifestaram o desejo de ler mais entradas de O grande livro do cinema, e quem sabe assistir aos filmes na ordem em que foram vistos por Lia e Tito, como aqueles fãs de The Rocky Horror Picture Show que repetem todos os diálogos de cor e vestem sungas douradas. (Se você não sabe do que estou falando, sorte sua.)

Sensibilizada pelo clamor popular, decidi publicar aqui a faixa de extras desse importante registro cinematográfico, redigido e editado por Lia e Tito, e estrelado por palhaços assassinos, detetives, robôs, pessoas vestidas de bebê, madrastas e a Audrey Hepburn. Esses filmes não constam da edição final do livro, mas foram diligentemente resenhados e chacoteados pelo casal durante o Período de Paz.

Uma última revelação: em posse de O grande livro do cinema, a historiadora Lia fez um pequeno levantamento estatístico e constatou que a lista completa possui 71 títulos, e que o ano de lançamento vai de 1942 (A incrível Suzana) a 2007 (Transformers), sendo a média: 1983.

Justamente o ano em que Lia nasceu.

 

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19 de abril de 2007
It: Uma obra-prima do medo (It, 1990, Tommy Lee Wallace)

Após protagonizar este filme para a televisão, Pennywise, o palhaço dançarino assassino, foi visto pela última vez no apartamento 141, nas dependências do lavabo. Embora Tito duvide da veracidade desta afirmação, Lia se encontrava no banheiro na ocasião e ouviu claramente o palhaço feroz perguntando se alguém queria balões.

“Que medo desgraçado”, disse ela, que durante a exibição do filme falou em “trauma irreversível”, “xixi na cama” e “mais medo ainda de palhaços”.

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12 de maio de 2007
Star Wars Episódio iii: A vingança dos Sith (Star Wars Episode iii: Revenge of the Sith, 2005, George Lucas)

O grande problema é o título. Seria a vingança de um Sith ou dos dois? E de quem exatamente eles querem se vingar? Afinal de contas, até pouco tempo ninguém sabia que eram Sith, então não havia nada que pudessem ter feito que causasse qualquer tipo de represália por parte dos Jedi. Será então que todo o ataque era direcionado a R2-D2? Será ele, o escolhido, que trará equilíbrio para a Força? É possível que os dois Sith tenham se confundido e que, se apenas tivessem conversado com os Jedi, tudo poderia ter sido evitado. Eles só queriam maior reconhecimento para os pequenos da galáxia, coisa que o Conselho Jedi estava mais que disposto a ceder.

É um filme sobre as relações entre a Força e os diversos seres do universo, e entre os Wookies e suas pulgas.

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13 de maio de 2007
Star Wars Episódio iv: Uma nova esperança (Star Wars Episode iv: A New Hope, 1977, George Lucas)

Agora sim. Este pequeno e despretensioso pedaço de película consegue deixar no chinelo seus três irmãos mais novos. A diferença de qualidade (no roteiro, nos diálogos, nos personagens e na ausência de pradarias) é tanta que ficou até chato para a nossa era.

Peter Mayhew ganhou o Oscar de melhor ator pela expressividade cativante do peludo Chewbacca. Lia se identificou com o velho Chewbee. Também C-3PO atinge o ápice da chatice neste filme e é desligado compulsoriamente devido ao excesso de zelo. Lia se identificou com o androide. O miúdo e atarracado R2-D2, além de ser protagonista da saga, dá um show de interpretação ao próprio Hayden Christensen. Lia se identificou com o robô. E, por fim, Mestre Yoda joga tralhas pra trás como um transtornado e faz o papel de uma pulguinha verde. Identificou-se com Yoda a pequena Lia.

Disso se pode concluir que, na saga, a referida senhora se identifica com todas as criaturas cabeçudas, metálicas e/ou anormais — e não com a princesa Leia ou a rainha Amidala. Isso diz tudo sobre Lia.

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20 de maio de 2007
Star Wars Episódio vi: O retorno do Jedi (Star Wars Episode vi: Return of the Jedi, 1983, Richard Marquand)

Segundo TITO (2007), “nem esses ursinhos nefastos chegam a comprometer O retorno do Jedi, mesmo já sendo tarde da noite de domingo, quase treze horas depois do início da maratona”. Encerrando a hexalogia nerd, temos o filme em que Darth Vader morre de asma e a princesa Leia é presa por uma corrente aos pés do funcionário de uma loja de quadrinhos. Felizmente, na nossa versão, o abominável Hayden Christensen não aparece ao lado de Yoda no fim. Mais uma vez, um filme de 25 anos de idade deixa no chinelo seus primos mais novos. E encerra com louvor a história de R2-D2, um herói de nosso tempo, embora Chewbacca novamente roube a cena com seu focinho expressivo e grunhidos em dó maior.

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26 de maio de 2007
Alta sociedade (High Society, 1956, Charles Walters)

Como todos sabem, Alta sociedade retrata a luta de Grace Kelly contra os impostos abusivos de suas dezessete propriedades rurais. O mocinho da história é Bing Crosby, embora Lia sempre se esqueça disso e torça pelo Frank Sinatra. Ela sabe de cor todas as músicas do filme, mas faz uma cara blasé quando o cronópio Satchmo aparece todo pimpão com sua cornetinha. E também quando Crosby e Sinatra fazem um dueto em homenagem aos nossos jantares no apartamento 141: “What a swell elegant party this is” [“Mas que festa batuta e elegante”, em tradução ridiculamente livre].

A historiadora de plantão bem que tenta não ficar sentimental quando o sr. C. K. Dexter Haven canta “Little One” e “True Love” no barquinho, mas é difícil. A certa altura do filme, Grace Kelly parece uma marmotinha ao acordar de ressaca no dia do casamento. Nesta película, ela saracoteia pra lá e pra cá de luvinhas e com quinze saias por baixo do vestido, o que obviamente tem seu preço.

Tracy: “Você gosta do meu vestido?”
Tio Willie: “Claro, é muito bonito.”
Tracy: “E terrivelmente pesado.”

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28 de maio de 2007
A roda da fortuna (The Band Wagon, 1953, Vincent Minnelli)

Nada como um filme de duas horas em que Fred Astaire irrita a mocinha, sapateia engraxando os sapatos e parte corações em “Dancing in the Dark”. A história é o de menos. Cyd Charisse é uma bailarina clássica e Astaire é um dançarino de jazz. Eles estrelam juntos uma adaptação moderna de Fausto, que obviamente dá errado porque o que dá certo mesmo é uma peça bizarra com quatro números compridos sem a menor coerência. E adultos vestidos de bebês. Sim, um dos números mais chocantes do filme é aquele em que os três protagonistas dançam de joelhos com roupas de bebês, logo após uma canção sobre uma garota pobre da Luisiana rolando no feno. Muito mais chocante do que as cenas mais pesadas de Team America: World Police e os diálogos cínicos de Felicidade, do Todd Solondz.

De qualquer forma, o filme vai muito bem até a cena dos bebês. Erguendo o caneco, Fred Astaire diz que ama cerveja, mas gosta mais de Louisa. O diretor picareta faz o papel de Mefistófeles. Há explosões no cenário, atores de colante e diálogos ridículos, apenas para ressaltar a simplicidade e o talento de Astaire, que já está velhinho neste filme. A historiadora-mor do apartamento 141 sapateou vigorosamente na última música do filme, “That’s Entertainment”, um final mega-ultra-super-feliz que conta com os atores marchando de braços dados e Cyd Charisse com uma flor enorme no vestido. Tito desceu pela escada de emergência e correu sem olhar pra trás.

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10 de agosto de 2007
A rainha (The Queen, 2006, Stephen Frears)

“Quando eu for rainha”, declara a historiadora titular, “prometo lançar bombas de chocolate em todas as capitais do mundo.” Com esse nobre propósito, a Sociedade de Cinema Ucrão encerrou o debate após a exibição do filme A rainha, que provocou grande impressão nos participantes. Lia fez o anúncio do Nescau Batido Oficial da Rainha, o Bolo Oficial da Rainha e o Repolhinho Oficial da Rainha. Como monarca, ela só se ocupará com questões dessa ordem.

Durante a sessão, cogitou-se a hipótese de que Helen Mirren agora está em Buckingham e a rainha estrela um musical da Broadway.

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12 de agosto de 2007
A vida íntima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes, 1970, Billy Wilder)

Deus sabe que muito se especulou sobre a vida privada de Sherlock Holmes. Livros e mais livros não foram suficientes para saciar a curiosidade crescente de um público que, não satisfeito em usar muitas palavras com a letras “s” numa mesma sentença e em esmiuçar cada um dos casos do célebre investigador da rua do Padeiro 221B — onde hoje há uma loja de óculos e outra de pneus —, desejou ainda saber de seus hábitos, das suas opiniões sobre as coisas em geral e de quantas palavras com “s” conseguiríamos usar até o final do parágrafo.

Em verdade, afora algumas práticas não sadias e pouco ortodoxas de violinismo, dedução avançada e má conduta diante de outros idosos, Sherlock e seu amigo esquentadinho, o Watson, não diferem muito de outros investigadores ingleses de renome internacional, como por exemplo, o próprio Sherlock Holmes e seu ajudante Watson.

Sabe-se que, na velhice, o fascínio de Billy Wilder pelo personagem era tanto que ele passava horas com seu chapéu de detetive e seu cachimbo de bolhas de sabão deduzindo quem havia lhe roubado aquela hora e meia de filme que os ratos de estúdio, assustados diante da duração bondarchukiana da obra, surrupiaram dos telespectadores, deixando para trás buracos na trama e queijo a granel.

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23 de agosto de 2007
Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica (Bill & Ted’s Excellent Adventure, 1989, Stephen Herek)

Estudo seminal sobre os paradoxos temporais, os buracos de minhoca e o rock and roll. Baseado numa tese de doutorado sobre a obra de Van Halen e os paradoxos entre Kiss e Schopenhauer no que tange a política externa de Abraham Lincoln, Bill & Ted foi adaptado para o teatro por Arthur Miller, que mudou o nome dos personagens e o título para Um caixeiro-viajante no espaço. Fala-se muito da história da Mongólia e da influência de Freud nas Guerras Napoleônicas, mas de fato o centro dessa brilhante viagem introspectiva na psique do homem é San Dimas em 1989. A partir dessa chave temporal, o diretor irá analisar o impacto de San Dimas para o ano de 1989, e também como 1989 afetou San Dimas, marcando então grandes figuras históricas com seu legado de shopping centers e madrastas multiculturais.

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27 de agosto de 2007
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard, 1950, Billy Wilder)

“Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”, afirma Norma Desmond, modelo de mulher equilibrada, bem-sucedida e feliz. Neste filme, William Holden faz o papel de um pobre-diabo que não sabe boiar de costas e Buster Keaton é um dos parceiros de pinocle da personagem principal. Ela tem uma piscina, o que naturalmente é o bastante para Joe Gillis encarar qualquer humilhação.

(Lia é capaz de encarar qualquer humilhação por uma piscina.)

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30 de setembro de 2007
Sabrina (1954, Billy Wilder)

Depois de filmar Crepúsculo dos deuses, A montanha dos sete abutres e Inferno n. 17, Wilder decidiu fazer uma comédia para desopilar o fígado. Chamou um ídolo de pedra (Bogie) e uma mocinha pescoçuda (Hepburn) e escreveu um monte de bobagens para os dois, o que naturalmente deu muito certo, como costuma acontecer com o mítico tartarugo. É deste filme a cena em que Audrey Hepburn, com um vestido de lacinhos, senta sozinha na cabeceira de uma mesa de reuniões, e declara solenemente, após encher a cara: “Certo. A reunião da diretoria das Indústrias Larabee será iniciada agora. Como presidente, gostaria de dizer, para começar… Ah, a presidente está tão tonta.”

Como Sabrina também é cultura, nós aprendemos como é cool quebrar ovos com uma mão só. “O segredo está no pulso”, explica a protagonista.

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15 de outubro de 2007
O assalto (Heist, 2001, David Mamet)

O assalto, filme com mais frases de efeito por frame, fala de um ladrão que está prestes a se aposentar, mas é acidentalmente filmado pelas câmeras de segurança de uma joalheria e passa a ser procurado pela polícia. Ele precisa de dinheiro para fugir e aceita um trabalho quase suicida, além de altamente improvável. “Vou ser mais silencioso do que uma formiga mijando em algodão”, promete um dos meliantes a Gene Hackman, que responde: “Não quero que você seja silencioso como uma formiga mijando em algodão. Quero que você seja silencioso como uma formiga que nem sequer pensa em mijar no algodão.” É desse naipe o mocinho da história.

Ainda sobre o personagem de Hackman: “O filho da mãe é tão cool que, quando ele vai dormir, os carneirinhos é que contam ele.”