testeComo sobreviver em um quarto de hotel sem enlouquecer

Por João Lourenço*

O interior do Hotel Metropol (Fonte)

Algo bacana que o jornalismo oferece é a oportunidade de ficar hospedado em quartos de hotéis pelo mundo. Muitos não curtem, eu sim. Sempre me senti confortável nesses lugares. Nenhum outro local é mais íntimo e perigoso. E, sei lá por que, acho que o isolamento desse ambiente evoca o melhor e o pior do ser humano.

Quartos de hotel têm história. Algumas, macabras. Michael Jackson pendurou o filho de 9 meses na sacada de uma suíte em Berlim. James Dean quase pulou do telhado do famoso Chateau Marmont, em Los Angeles — mesmo hotel que inspirou o longa Um lugar qualquer, de Sofia Coppola. Lendas e histórias não faltam. Há certo misticismo nesses lugares, uma aura de magia e urgência. E, para mim, é quase impossível não pensar na vida daqueles que se hospedaram no mesmo quarto que eu e em todos aqueles que ainda passarão por ali.

OK, estas são divagações de um viajante que “pensa demais”. Vamos logo ao que interessa.

Disse que curto quartos de hotel. Mas e se eu fosse obrigado a permanecer hospedado no quarto de um mesmo hotel pelo resto da vida? Será que continuaria curtindo? Foi essa pergunta que inspirou Amor Towles a escrever Um Cavalheiro em Moscou.

Na lista de mais vendidos do The New York Times há mais de um ano, o segundo livro do autor acompanha a vida de Aleksandr Ilitch Rostov, mais conhecido como “O Conde” pelos corredores do Hotel Metropol, famoso ponto de encontro de artistas, políticos e estrelas de cinema. Rostov sempre se hospedara nas melhores suítes. Mas depois de passar por um tribunal bolchevique, é condenado à prisão domiciliar e deve viver no pequeno sótão do hotel. Do tipo otimista, o Conde não muda de comportamento, mesmo com o revés. É um cavalheiro — cortês, gentil, culto — tentando sobreviver em uma sociedade pós-Revolução Russa, marcada por mudanças sociais e culturais, em que condes e czares saíam de cena para abrir passagem a generais e ditadores.

O convívio com Nina, menina de 9 anos, filha de um burocrata viúvo, começa a transformar a vida do Conde. É a menina quem lhe apresenta um Metropol que ele não conhecia, cheio de mistérios e passagens secretas. Em troca, o Conde compartilha com a garota sua sabedoria, e assim nasce uma amizade para a vida toda.

Além de Nina, o Conde conhece no Metropol pessoas vindas de vários lugares do mundo. Tem um caso com uma atriz famosa, dá aulas para um ex-coronel do Exército Vermelho — e é através desses e de outros personagens que circulam pelo hotel que o leitor, sem nem perceber, começa a entrar na complexa história da Rússia pré e pós Revolução.

Um dos maiores talentos de Amor Towles é criar personagens e narrativas que soam reais, de fácil identificação. Por mais estranha que possa parecer a amizade de um Conde com uma menina de 9 anos, jamais duvidamos dos relatos do autor. O segredo? Towles não faz pesquisas exaustivas para os livros que publica. Escreve como se estivesse relatando uma história para um amigo.

O processo criativo do autor funciona assim: só depois de finalizar o primeiro rascunho ele começa a pesquisa de datas e acontecimentos para inserir na narrativa. Essa técnica resulta em um tom fluido e realista. Seus livros são feitos de capítulos curtos e rápidos que, apesar de não oferecem grandes cliffhangers, mantêm a atenção do leitor. O vasto conhecimento de Towles sobre a Rússia e o Metropol, hotel onde se hospedou por diversas vezes, traz ao leitor uma perspectiva histórica diferente. “Em geral, nas décadas de 1910, 1920 e 1930, sinto que houve momentos de emoções palpáveis, de que algo profundo estava acontecendo no mundo das ideias e das artes. Se pudesse voltar no tempo, seria para essa época”, Towles revelou por e-mail.

Quando você lê Amor Towles, é difícil acreditar que ele passou mais de duas décadas trabalhando no mercado financeiro. “Ter uma carreira assim me permitiu escrever sem aquela sensação de urgência para ser publicado”, conta. “Entre histórias que abandonei e manuscritos que nunca tive coragem de compartilhar com ninguém, tive tempo suficiente para encontrar uma voz com que me identificasse”.

 

*João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York escrevendo seu primeiro romance.

testeA obsessão norte-americana pela fama

Fascinada pelo estrelato, a jovem Esther Blodgett Victoria fará de tudo para ter seu lugar ao sol. A aspirante a atriz é protagonista do clássico Nasce uma estrela, filme lançado em 1937 que é apontado pela premiada jornalista Nancy Jo Sales como uma das primeiras narrativas norte-americanas envolvendo a busca pela fama. No livro Bling Ring: a gangue de Hollywood, Jo Sales vai além da história real sobre a audaciosa gangue que furtou o equivalente a três milhões de dólares das casas de jovens celebridades para investigar uma das maiores obsessões de seu país.

Leia também: A Bling Ring, por Sofia Coppola

O sucesso de Nasce uma estrela, produção vencedora de dois Oscars, rendeu dois remakes ao filme. A terceira versão, hit na década de 1970, consagrou as canções de Barbra Streisand — a escolhida para entoar os anseios por notoriedade de Esther. “Esse tipo de enredo tem raízes profundas na cultura popular americana”, defende Jo Sales. No entanto, a jornalista que se especializou em perfilar celebridades ressalta que nunca se enfatizou tanto a glória quanto na nossa época. Um cenário que pode ser facilmente ilustrado pelos inúmeros reality shows e programas de competição exibidos na TV, como The X Factor, America’s Got Talent, The Voice, America’s Next Top Model e Project Runway.

Sofia Coppola e o elenco de Bling Ring: a gangue de Hollywood durante as filmagens na casa de Paris Hilton

Rachel Lee, apontada como uma das mentoras da Bling Ring, era espectadora assídua desse tipo de programa. Assim como os demais integrantes da gangue, Lee morava em Calabasas, uma pequena e endinheirada cidade do Valley. Repleto de celebridades entre seus habitantes, o local também se revelara um terreno fértil para os reality shows. Lá foram gravados Newlyweds: Nick and Jessica, um dos primeiros programas a apresentar uma pessoa (mais ou menos) famosa, Jessica Simpson, com seu então marido, Nick Lachey; Britney and Kevin: Chaotic, com flagrantes da intimidade de Britney Spears e Kevin “K-Fed” Federline; e Keeping Up with the Kardashians, considerado por Jo Sales como a “mãe de todos os reality shows”.

Leia também: Conheça os integrantes reais da gangue

Também há outro tipo marcante de celebridade, forjado graças aos milagres da autodivulgação por meio de vídeos na internet. Ao explicar o sucesso do YouTube em 2007, Chad Hurley, um dos criadores do site, disse: “No fundo, no seu íntimo, todo mundo quer ser uma estrela.”

Os alvos da Bling Ring pertenciam a esse universo. Muitos eram famosos pelo simples fato de serem famosos, e quase todos haviam aparecido em produções de cinema ou programas de TV sobre pessoas que queriam ser ricas e famosas. Na lista estão Paris Hilton, Lindsay Lohan, Audrina Patridge (uma das garotas do programa The Hills), Rachel Bilson (The O.C.), Megan Fox (Confissões de uma adolescente em crise) e seu atual marido Brian Austin Green (Barrados no baile).

“Porém, culpar a cultura pop e a mídia por ‘valorizarem’ a fama pode ser uma saída muito cômoda. Acredito que, ao falarmos sobre a obsessão pela fama, também estamos falando sobre a obsessão pela riqueza. Ricos e famosos, famosos e ricos — as duas coisas parecem estar associadas enquanto aspirações. Ao longo de muitos anos entrevistando adolescentes, muitas vezes ouvi-os falando sobre como queriam ficar famosos, porém sempre no contexto de serem também ricos e adotarem o ‘estilo de vida’ proporcionado pela fama. ‘Estilo de vida’ é uma expressão mencionada com frequência”, ressalta Nancy Jo Sales.

Leia um trecho de Bling Ring: a gangue de Hollywood

Uma pesquisa realizada pela Pew Research Center em 2007 revelou que 51% dos jovens entre 18 e 25 anos afirmaram que seu mais importante objetivo na vida, ou o segundo mais importante — depois de se tornarem ricos —, era serem famosos. Em 2005, outro levantamento indicava que, entre estudantes americanos do ensino médio, 31% dos entrevistados afirmaram que “esperavam” alcançar a fama algum dia.

Em Bling Ring: a gangue de Hollywood, Nancy Jo Sales destaca outra investigação, empreendida em 2007 por Jake Halpern e uma equipe de pesquisadores com 650 adolescentes na área de Rochester, Nova York. Entre suas descobertas estavam as seguintes conclusões: se colocados diante da opção de se tornarem mais fortes, mais inteligentes, mais famosos ou mais bonitos, os garotos se dividiram praticamente entre serem famosos e inteligentes; e a maioria das meninas assinalou a fama. Cerca de 43% das jovens disseram que prefeririam, quando adultas, ser “uma assistente pessoal de uma cantora ou atriz muito famosa” — número três vezes maior do que a quantidade de gente que escolheria ser “uma senadora dos Estados Unidos” e quatro vezes maior do que as que gostariam de ser “executiva de uma grande empresa, como a General Motors”. Ao serem perguntados sobre com quem prefeririam jantar, mais adolescentes preferiram Jennifer Lopez a Jesus. Entre meninas com problemas de autoconfiança, a maioria optou por jantar com Paris Hilton.

Ouça a trilha Sonora de Bling Ring: a gangue de Hollywood, novo filme de Sofia Coppola

testeOs integrantes da Bling Ring

Aos 14 anos, Nick Prugo sentiu como se caísse em um abismo. Ansioso e deprimido, o adolescente tímido passou por algumas escolas até desembarcar em Indian Hills, um colégio em Calabasas com reputação de lugar para desajustados. Lá, em 2006, fez sua primeira grande amiga: a estilosa Rachel Lee. Apaixonados por moda, os dois se tornaram inseparáveis até pararem no tribunal. A acusação: pertencerem à Bling Ring, gangue que violou e roubou dos domicílios de ícones pop como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom o equivalente a três milhões de dólares em roupas, joias e obras de arte.

Leia também: A Bling Ring de Sofia Coppola

Na versão de Sofia Coppola para a história, Nick Prugo recebeu o nome de Marc e é interpretado pelo ator Israel Broussard.

Em seu depoimento, Nick Prugo (18) afirma que Lee — filha de uma imigrante norte-coreana proprietária de algumas franquias da rede de ensino Kumon — sempre foi a mentora do grupo. E ele era capaz de tudo por ela. Se Rachel, que fora presa em 2009 por furtar uma loja Sephora, gostaria de ter o guarda-roupa de seus ídolos preferidos, Nick a ajudaria.

A verdadeira Rachel Lee e a personagem Rebecca, vivida por Katie Chang.

Para realizar os roubos, a dupla procurava os endereços de seus alvos na internet. Uma pesquisa breve nas redes sociais e em sites de fofocas era o suficiente para descobrir quando os astros estariam fora de casa. Mas quem facilitaria o acesso, deixando uma porta destrancada, por exemplo? Se houvesse alguma celebridade capaz de tamanha “estupidez”, os dois acreditavam que seria Paris Hilton. Deu certo. Ao chegarem à casa da jovem herdeira descobriram que ela guardava a chave embaixo do capacho da porta de entrada.

Leia o primeiro capítulo de Bling Ring: a gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales

Nancy Jo Sales — a autora de Bling Ring: a gangue de Hollywood — acredita que, além de deter os guarda-roupas do sonho de muitas adolescentes americanas, as vítimas escolhidas tinham outros pontos em comum. Muitas eram famosas pelo simples fato de serem famosas, e quase todas haviam aparecido em produções de cinema ou programas de TV sobre pessoas que queriam ser ricas e famosas. Na lista de alvos estão Lindsay Lohan, Audrina Patridge (uma das garotas do programa The Hills), Rachel Bilson (The O.C.), Megan Fox (Confissões de uma adolescente em crise) e Brian Austin Green (Barrados no baile).

De acordo com Jeffrey Rubenstein, advogado de Alexis Neiers, eles “estavam fazendo compras. Era como se comprassem on-line. Viam num site a foto de alguma celebridade usando uma bolsa Marc Jacobs e diziam, em vez de ir até uma loja para adquirir uma bolsa como aquela, eu quero aquela bolsa que a Lindsay Lohan está usando. Quero a bolsa Marc Jacobs da Lindsay”.

Após o sucesso das primeiras incursões, o grupo aumentou. Conheça outros integrantes da Bling Ring que serão retratados no cinema:

Alexis Neiers (18), filha de uma ex-coelhinha da Playboy, foi educada segundo os ensinamentos contidos no best-seller O segredo e se apresenta como modelo, atriz e professora de pilates e pole dancing. Ao lado da amiga Tess Taylor, estrela o reality show Pretty Wild, produzido pelo canal E!. No filme de Sofia Coppola, a jovem Nicki, inspirada em Neiers, é interpretada por Emma Watson.

Tess Taylor (19) é a única que não foi indiciada pela justiça. Escolhida a Cybergirl mensal e anual da Playboy, protagonizou com Neiers um vídeo provocante para a grife Issa Lingerie. No cinema ela é Sam (Taissa Farmiga).

Courtney Ames (18), fichada algumas vezes por agressão e por embriaguez ao volante, gostava de bancar a garota durona. Enteada de um ex-boxeador, é conhecida por defender “a supremacia branca”. É interpretada por Claire Julien como Chloe.

Assista ao trailer de Bling Ring: a gangue de Hollywood, que estreia em 16 de agosto nos cinemas.

testeA Bling Ring, por Sofia Coppola

Sofia Coppola e o elenco de Bling Ring: a gangue de Hollywood na première em Cannes. Crédito: Regis Duvignau/Reuters

Em 2010, a jornalista Nancy Jo Sales recebeu um recado ao chegar ao escritório: Sofia Coppola estava interessada em comprar os direitos de filmagem de sua reportagem “The Suspects Wore Loubotins” [Os suspeitos usavam Loboutin], publicada na revista Vanity Fair. Intrigada, Nancy reviu os filmes da cineasta e teve certeza de que “o caso de uma gangue de adolescentes obcecados pela fama que tinham roubado as casas de famosos era para Sofia Coppola o que uma boa história de terror era para Hitchcock.”

A história real dos garotos de Los Angeles que furtaram cerca de três milhões de dólares em roupas, joias e peças de arte de jovens ícones pop como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom chega às livrarias brasileiras em 13 de julho. A versão de Sofia Coppola, estrelada por Emma Watson, Katie Chang, Israel Broussard e Leslie Mann, estreia em 16 de agosto nos cinemas, com distribuição da Diamond Filmes Brasil.

Para Nancy, a história que ela retrata no minucioso livro-reportagem Bling Ring: a gangue de Hollywood contém temas recorrentes na obra da cineasta, como narcisismo, a obsessão com celebridades, a arrogância dos jovens ricos e o vazio que cerca a fama.

Em seu primeiro longa-metragem, As virgens suicidas (1999), baseado no romance de Jeffrey Eugenides, as protagonistas de Coppola são cinco irmãs com tendências suicidas que são objeto de adoração dos garotos da vizinhança. Sua Maria Antonieta (2010) é uma adolescente mimada, irresponsável e festeira. A constatação do vazio e da falta de sentido na fama também compõe as reflexões dos personagens interpretados por Bill Murray em Encontros e desencontros (2004) — vencedor do Oscar de melhor roteiro original — e por Stephen Dorff em Um lugar qualquer (2010).


Esses temas também são caros a Nancy Jo Sales, que escreve sobre as desventuras de jovens ricos desde 1996. A partir de uma reportagem sobre uma gangue formada por estudantes de escolas particulares em Nova York, ela diz que acabou “enveredando por esse filão, que me conduziu a histórias sobre jovens baladeiros, modelos, socialites, DJs e garotos ricos apaixonados. Ao mesmo tempo, eu escrevia perfis exatamente sobre as mesmas pessoas que esses garotos e garotas — loucos por fama — desejavam ser: Puffy, J-Lo, Tyra, Leo, Jay-Z e Angelina, assim como duas das famosas vítimas da Bling Ring, Hilton e Lohan. (Fui autora da primeira matéria de revista sobre Hilton, para a Vanity Fair, em 2000)”.

Reproduzimos abaixo um trecho de Bling Ring: a gangue de Hollywood em que Nancy Jo Sales se encontra, pela primeira vez, com Sofia Coppola. Na entrevista a cineasta, que cresceu cercada por celebridades, explica seu fascínio por essa história.

***

Encontrei Sofia pela primeira vez num café do Soho, o bairro nova-iorquino onde na época ela morava com o marido, Thomas Mars, vocalista da banda francesa de rock alternativo Phoenix, e sua filha Romy, de três anos. Sofia estava grávida da segunda filha (Cosima, que viria a nascer em maio de 2010) e dava os últimos retoques na sala de edição em seu filme Um lugar qualquer. Era um dia quente, ensolarado, e Sofia, num vestido lilás de algodão, estava linda, com seus olhos castanhos amendoados e pele sedosa. Sua voz era tranquila e suave, e seu jeito sonhador de algum modo me fez lembrar a delicadeza expressa em seus filmes. Sentamos numa mesa nos fundos do restaurante e tomamos um café da manhã, chá para ela, café para mim. Perguntei o que a interessara na reportagem a respeito da Bling Ring, que ela disse ter lido num voo entre Los Angeles e Nova York.

— Pensei “alguém devia fazer um filme sobre isso” — contou ela. — E pensei que provavelmente alguém já estaria fazendo. Nunca me passou pela cabeça que aquilo era algo que eu pudesse vir a fazer. Então, volta e meia tornava a pensar no assunto, talvez porque a história abordava todas essas coisas na nossa cultura com que tenho me preocupado ou sobre as quais venho pensando. Não sei se “microcosmo” seria a palavra certa, porém de algum modo ela destila toda a angústia cultural dos dias de hoje. Sinto como se essa história de certa forma resumisse tudo isso.

“Para mim é toda a ideia em torno do narcisismo e dos reality shows da TV e da obsessão com as redes sociais, tudo pelo qual os jovens dessa geração se mostram obcecados — seguiu ela — e do modo como são mimados. Eles — os garotos da Bling Ring — não viam problema em entrar naquelas casas e pegar o que quisessem. Penso que todos esses temas estão presentes nessa história, e foi isso que me atraiu nela antes mesmo de me dar conta. Acho que algo sobre o que a nossa cultura é hoje, é tão diferente da época em que eu era jovem…”

Nancy Jo Sales por Jayne Wexler

Sofia cresceu em Napa Valley, para onde seu pai, Francis Ford Coppola, o diretor de O poderoso chefão (1972), se mudou com a família ao deixar Nova York nos anos 1970.

— Sempre soube que atraíamos atenção e que essa atenção era toda por causa dele — contou sorrindo, quando lhe perguntei se na infância ela percebia que seu pai era uma pessoa famosa. — Mas vivíamos em Napa, onde não mora muita gente ligada ao show business, de modo que lá éramos “o pessoal de Hollywood”. Acho que isso deve ter contribuído para o fato de me sentir sempre atraída por esse mundo alternativo, esse metamundo, das pessoas que vivem com algum tipo de fama.

Sofia foi criada num lar cheio de celebridades que, para ela, não eram celebridades — eram apenas sua família. Sofia não seria Sofia se não tivesse crescido entre cineastas. Sua mãe, Eleanor Coppola, é diretora de documentários; seu irmão, Roman Coppola, é roteirista e diretor; sua tia Talia Shire e os primos Jason Schwartzman e Nicolas Cage são atores; e seu avô, Carmine Coppola, foi compositor de trilhas sonoras premiado com um Oscar. (Seu irmão mais velho, Gio, que despontava como um cineasta promissor, morreu num acidente de lancha em 1985.)

Os amigos de seus pais eram cineastas e escritores, atores e artistas. Uma de suas primeiras lembranças é a de estar sentada no colo de Andy Warhol. Marlon Brando, Werner Herzog, Steven Spielberg e George Lucas eram convidados habituais nos jantares na casa da família. O tom era ditado pelo pai italiano, que se mostrava caloroso e acolhedor, de modo que as crianças sempre ouviam adultos falarem sobre produção cinematográfica.

— Acho que estava aprendendo muito sobre todas essas coisas, porém meio que sem me dar conta disso — disse Sofia.

E quando ela e o resto da família acompanhavam o pai nas locações — eles passaram meses nas Filipinas durante as filmagens de Apocalypse Now (1979) — ela via em primeira mão como se fazia cinema. (Sua mãe codirigiu o inesquecível documentário Francis Ford Coppola — O apocalipse de um cineasta, de 1991, no qual aparece a pequena Sofia.)

— Quando era menina, para mim aquilo era apenas entrar num helicóptero e voar sobre a floresta — disse Sofia.

Na adolescência ela ficou fascinada pelo mundo da moda; aos quinze anos, estagiou na Chanel.

— Quando eu era pequena, ninguém da minha idade tinha bolsas de grife — lembrou ela. — Na escola não havia toda essa obsessão pela marca. O assunto não era tanto uma norma cultural naquela época. Eu me lembro de ir a desfiles de moda e nunca ver celebridades na primeira fila. Agora as celebridades dão seus nomes a linhas de roupas, e até Alexis [Neiers] — diz, referindo-se a um dos arrombadores da Bling Ring — também quer ser uma estilista.

Vários outros jovens da quadrilha queriam o mesmo. À medida que fui conhecendo Sofia, me chamou a atenção o fato de que ela também nutria algumas das aspirações daqueles jovens da Bling Ring — a diferença, é claro, é que ela era o artigo legítimo, a It Girl que eles desejavam ser. Depois de deixar o Instituto de Artes da Califórnia, onde estudou fotografia e design de moda, ela deu início à sua própria linha de roupas, a Milkfed, que ainda é vendida exclusivamente no Japão.

***

Assista ao trailer de Bling Ring: a gangue de Hollywood:

 Ouça a trilha sonora de Bling Ring: A gangue de Hollywood

testeEstante Intrínseca: lançamentos de julho

Bling Ring: A gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales — Obcecado por celebridades, um grupo de adolescentes nascidos em um endinheirado subúrbio de Los Angeles seguia seus ídolos bem de perto: arrombava suas casas e roubava objetos íntimos, preferencialmente aqueles que estampavam marcas como Chanel, Gucci, Tiffany, Cartier e Marc Jacobs. Entre 2008 e 2009, a gangue furtou o equivalente a 3 milhões de dólares em roupas, joias e obras de arte de jovens ícones pop como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Audrina Patridge.

A história real da audaciosa gangue de Hollywood, retratada pela premiada jornalista norte-americana Nancy Jo Sales inspirou o novo filme de Sofia Coppola. Estrelado por Emma Watson, Katie Chang, Israel Broussard e Leslie Mann, a produção chegará aos cinemas brasileiros em 16 de agosto, com distribuição da Diamond Films Brasil.
[Leia um trecho.]

Veja também: Os bastidores de Bling Ring: A gangue de Hollywood
 Ouça a trilha sonora


Sal,
de Leticia Wierzchowski — Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um.

Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

Leia também: Perfil de Leticia Wierzchowski
Os personagens de Sal

 

O substituto, de David Nicholls — Nova comédia do escritor e roteirista David Nicholls, autor do inesquecível romance Um dia — sucesso absoluto de público e crítica, que teve mais de 300 mil exemplares vendidos no Brasil.

Para Josh Harper, ser ator significa ter dinheiro, fama, mulheres aos seus pés e o papel principal nos palcos de Londres. Para Stephen C. McQueen (que não é parente de Steve McQueen), trata-se de uma longa e desastrosa carreira como figurante e substituto de Josh Harper, o 12º Homem mais Sexy do Mundo. [Leia um trecho]

A garota que eu quero, de Markus Zusak — No novo livro de Markus Zusak, autor de A menina que roubava livros, conhecemos Cameron, o caçula e o mais quieto entre os três irmãos Wolfe. Ele não é nada parecido com Steve, o mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e com uma garota nova a cada semana.

Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem — especialmente a mais recente namorada de Rube, Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele? [Leia um trecho] Leia também: Notas do set de A menina que roubava livros

O Mar de Monstros, de Rick Riordan (edição especial com capa inspirada no filme) e O Mar de Monstros: Graphic novel, de Rick Riordan, Robert Venditti, Attila Futaki e Tamás Gáspár

Na segunda aventura da série Percy Jackson e os olimpianos, Percy e seus amigos estão em busca do Velocino de Ouro, único artefato capaz de restaurar as fronteiras mágicas do Acampamento Meio-Sangue, até então, o lugar mais seguro do mundo para os semideuses. [Leia mais]

testeDivulgado novo vídeo com os bastidores de Bling Ring: A gangue de Hollywood

Assista ao novo vídeo de Bling Ring: A gangue de Hollywood, com cenas inéditas e entrevistas com o elenco e a diretora Sofia Coppola:

Estrelado por Emma Watson, Katie Chang, Israel Broussard e Leslie Mann, a produção chegará aos cinemas brasileiros em 2 de agosto, com distribuição da Diamond Films Brasil. O quinto longa da cineasta — vencedora do Oscar de melhor roteiro original por Encontros e desencontros (2004) — é baseado na história real de um grupo de jovens especializado em roubar artigos de luxo da casa de celebridades. O caso, retratado pela jornalista Nancy Jo Sales no artigo “The Suspects Wore Louboutins“, publicado na revista Vanity Fair, originou também o livro que será publicado no Brasil em julho.

Ouça a trilha sonora de Bling Ring: A gangue de Hollywood

Para Nancy Jo Sales a história verídica dos garotos de Los Angeles contém temas recorrentes na obra de Coppola: narcisismo, a obsessão com celebridades e o vazio da fama. Em seu artigo publicado na Vanity Fair, Sales reproduz o curioso depoimento prestado por Alexis Neiers, 18 anos, à justiça. Enquanto negava seu envolvimento com a série de roubos, Neiers explicou: “Eu realmente acredito em carma. E acho que essa situação entrou em minha vida para que eu pudesse aprender uma importante lição para crescer e me desenvolver espiritualmente. Posso me ver me transformando em alguém como a Angelina Jolie.”

testeBling Ring: A gangue de Hollywood chega aos cinemas em 2 de agosto [atualizado]

Cartaz nacional de Bling Ring: A gangue de Hollywood

O novo filme de Sofia Coppola, estrelado por Emma Watson, Katie Chang, Israel Broussard e Leslie Mann, chegará aos cinemas brasileiros em 16 de agosto, com distribuição da Diamond Films Brasil. O quinto longa da cineasta — vencedora do Oscar de melhor roteiro original por Encontros e desencontros (2004) — acaba de estrear no Festival de Cannes e é baseado na história real de um grupo de jovens especializado em roubar artigos de luxo da casa de celebridades. O caso, retratado pela jornalista Nancy Jo Sales no artigo “The Suspects Wore Louboutins“, publicado na revista Vanity Fair, originou também um livro que será lançado no Brasil em julho.

Ouça a trilha sonora de Bling Ring: A gangue de Hollywood

Entre roupas, joias e peças de arte, o grupo furtou cerca de 3 milhões de dólares das casas de jovens ícones pop como Lindsay Lohan e Audrina Patridge. No novo clipe do filme, Emma Watson e companhia exploram o closet de Paris Hilton, um dos alvos reais da gangue:

Para Nancy Jo Sales a história verídica dos garotos de Los Angeles contém temas recorrentes na obra de Coppola: narcisismo, a obsessão com celebridades e o vazio da fama. Em seu artigo publicado na Vanity Fair, Sales reproduz o curioso depoimento prestado por Alexis Neiers, 18 anos, à justiça. Enquanto negava seu envolvimento com a série de roubos, Neiers explicou: “Eu realmente acredito em carma. E acho que essa situação entrou em minha vida para que eu pudesse aprender uma importante lição para crescer e me desenvolver espiritualmente. Posso me ver me transformando em alguém como a Angelina Jolie.”

Ouça também:

testeDivulgada a trilha sonora de Bling Ring

Foi divulgada a trilha sonora do novo filme de Sofia Coppola, Bling Ring: A gangue de Hollywood, que estreia na 66ª edição do Festival de Cannes. O quinto longa da cineasta é baseado na história real de um audacioso grupo de adolescentes nascidos em um endinheirado subúrbio de Los Angeles que se especializou em roubar artigos de luxo de celebridades. Entre roupas, joias e peças de arte, foram cerca de 3 milhões de dólares furtados das casas de jovens ícones pop como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Audrina Patridge.

A história real, retratada em um artigo da jornalista Nancy Jo Sales, originou o livro homônimo que será publicado no Brasil, em julho, pela Intrínseca.

Leia mais: Bling Ring e a verdadeira gangue de Hollywood

Confira a trilha sonora do filme, estrelado por Emma Watson, Katie Chang, Israel Broussard e Leslie Mann. Bling Ring: A gangue de Hollywood tem estreia prevista para 16 de agosto no Brasil.

Ouça (aqui) trilha:

Crown on the Ground, Sleigh Bells
Bad Girls, M.I.A.
Big Lights, Sammy Adams
9 Piece, Rick Ross feat. Lil’ Wayne
Live from the Underground, Big K.R.I.T.
Cotton Candy, Brian Reitzell
Ouroboros, Daniel Lopatin
Sunshine, Rye Rye feat. M.I.A.
212, Azealia Banks feat. Lazy Jay
Hell of a Night, ScHoolBoy Q
Gucci Bag, Reema Major
Dans Beat, Brian Reitzell
Drop It Low, Ester Dean feat. Chris Brown
All of the Lights, Kanye West
Arabic Princess, Reema Major
Freeze, Klaus Schulze
Halleluwah, Can
Money Machine, 2 Chainz
Levels (Instrumental), Avicii
Power, Kanye West
Locomotion, Plastikman
Everythang, Jeezy
FML, Deadmau5
Disintegration Part IV, Bassnectar
Showers of Ink, loscil
Bankrupt, Phoenix
Super Rich Kids, Frank Ocean

*** Músicas que não foram incluídas na playlist***

Cotton Candy
, Brian Reitzell
Hell of a Night, ScHoolBoy Q
Gucci Bag, Reema Major
Dans Beat, Brian Reitzell
Arabic Princess, Reema Major
Locomotion, Plastikman

Ouça também:

Trilha sonora de O lado bom da vida
David Nicholls em seis canções
Edição especial de Um dia +mixtape para Emma Morley 
A trilha sonora de Cinquenta tons de cinza
Trilha sonora de Um dia
Mixtape para Bennie Salazar