testeO lado pop de Stephen Hawking

Por Bruno Grandis*

 

“Eu fui bem popular no meu tempo. Alguns até leram meus livros.”

Esse é um trechinho do que se revelou a última participação pública de Stephen Hawking, como a voz do livro que dá título ao Guia do mochileiro das galáxias em uma adaptação de rádio para a BBC, poucos dias antes de sua morte, em março de 2018. Hawking era assim, aparecia nas notícias ora com uma revelação sobre as engrenagens que movem o nosso universo, ora fazendo aparições constantemente surpreendentes na cultura pop –  e dava a mesma importância para ambos.

No lado pop, Hawking era quase um buraco negro para a atenção de qualquer um quando surgia em cena. Foram incontáveis participações surpresa em desenhos como Futurama e Os Simpsons, e comédias como The Big Bang Theory (no qual era um personagem quase recorrente, de tantas vezes que apareceu na série). O primeiro de seus grandes momentos na televisão foi jogando pôquer com Sir Isaac Newton, Albert Einstein e o androide Data em um episódio de Star Trek: A Nova Geração. Infelizmente, Hawking foi o único cientista-celebridade interpretando a si mesmo:

 

 

 

Breves respostas para grandes questões é provavelmente o melhor ponto de partida para conhecer a obra de Hawking fora da cultura pop. Com capítulos curtos, dedicados a responder cada uma das dez grandes perguntas, fica evidente o conhecido senso de humor, as reflexões otimistas, os conselhos para todos nós. Em uma única obra, Hawking parece nos deixar o caminho que ele acreditava ser o melhor para tomarmos coletivamente rumo a um futuro melhor. Como o próprio fala, “somos uma única espécie, um único planeta”. Do lado científico, o que mais pode ser dito sobre a contribuição de Hawking para o mundo? Seu talento para ensinar está exposto em seus livros sobre astrofísica, sua autobiografia ou mesmo em artigos como os de Amâncio Friaça disponíveis aqui no blog da Intrínseca.

Em seu último livro, Hawking estava analisando interrogações que somente ele seria capaz de tornar compreensíveis: Deus existe? A viagem no tempo é possível? Sobreviveremos na Terra? Em sua argumentação, Hawking parecia de certa forma considerar que seu tempo em nosso pálido ponto azul estava chegando ao fim.

É um grande clichê comparar o legado de uma pessoa com um filme. O inspirado na biografia de Hawking não apenas existe como deu um Oscar de melhor ator a seu intérprete, Eddie Redmayne, que após a produção se tornou amigo da família e assina o prefácio deste que se tornou o último livro do astrofísico. Um filme sobre Hawking, entretanto, é pouco para explicar a importância de seu legado.

Hawking transformou o pesadelo de se ver preso no próprio corpo em um castelo de conhecimento, esperança e sabedoria. Sua partida é um acontecimento não apenas para a astrofísica, mas para o entretenimento, e ainda precisaremos de um tempo até outra figura que mescle o carisma e conhecimento de Hawking, Carl Sagan ou Einstein surja para reestabelecer esta ponte entre ciência e cultura pop.

Até mais, Stephen, e obrigado pelos peixes.

 

*Bruno Grandis é uma dessas pessoas que faz de tudo um pouco nesse mundo, entre podcasts, publicidade, música e redes sociais. Oitenta por cento disso aprendido quando era assistente de mídias sociais na Intrínseca.

teste5 fatos que provam que Neil Gaiman está em todos os lugares!

Cena de Os Simpsons com a participação do autor

Cena de Os Simpsons com a participação do autor

É impossível que Neil Gaiman seja apenas uma pessoa. Em 2017, o autor, roteirista, produtor, pai e britânico com um belo corte de cabelo está mais presente na cultura pop do que nunca. Listamos cinco novidades do autor que provam (para quem ainda duvidava) a criatividade aparentemente infinita de Gaiman — e de seus clones.

– Série inspirada em Deuses americanos

Diversas obras do autor já foram adaptadas para a televisão e o cinema, mas nenhuma tão marcante quanto American Gods. A adaptação de Deuses americanos levou anos para ser produzida e chamou atenção ao esbanjar qualidade visual, ação e estilo. A começar pela abertura:

– Série Belas Maldições

Mais uma adaptação para a TV de um livro de Gaiman, escrito em parceria com Terry Pratchett. A série Belas Maldições acompanha um anjo e um demônio nos dias que antecedem o apocalipse e, assim como American Gods, conta com o próprio autor na produção executiva.

Miologia nórdica

Mas nem só de séries vive um escritor, não é mesmo? Em 2017, Gaiman investiu na não ficção e lançou Mitologia nórdica, em que reconta as principais lendas escandinavas, que tanto o influenciaram em sua carreira, mostrando as versões mais próximas dos textos originais, já perdidos ao longo dos séculos. O livro é um sucesso em todo o mundo e, no Brasil, permanece firme e forte na lista de mais vendidos desde o início do ano.

– Vem mais novidade por aí

Como se não bastassem os lançamentos deste ano, Neil Gaiman já anunciou novos livros, entre eles a sequência para dois de seus maiores romances: Lugar Nenhum e Deuses americanos. Sobre estes, tudo que ele contou até o momento é que a continuação de Lugar Nenhum abordará temas como imigração e xenofobia. Vemos um novo clássico a caminho?

Os Simpsons

Os multitalentos do autor ainda vão levá-lo a uma das séries mais famosas de todos os tempos: Os Simpsons! O episódio especial de Halloween vai incorporar elementos de suas obras e muitas referências. Qual será o personagem que será dublado por Gaiman?