testeProdução de série inspirada em A Roda do Tempo começará em setembro

Inspirada na saga de fantasia épica de Robert Jordan, a adaptação de A Roda do Tempo está mais perto do que nunca de se tornar realidade! Desenvolvida pela Amazon Prime, a série ainda não tem previsão de lançamento, mas já estamos superansiosos!

Entre os produtores da adaptação estão Rick Selvage, Larry Mondragon, Ted Field (Jumanji), Mike Weber (Jumanji: Bem-vindo à Selva), Darren Lemke (Shrek para sempre) e Harriet McDougal, viúva de Jordan. Já Rafe Judkins (Agentes da SHIELD) aparece como produtor-executivo e showrunner. A produção está prevista para começar em setembro deste ano e será filmada em Praga, na República Tcheca.

O primeiro livro, O Olho do Mundo, acompanha três jovens camponeses, Rand, Mat e Perrin, que se veem em uma grande aventura após a chegada de uma mulher misteriosa em seu vilarejo. Atacados por Criaturas das Trevas, os três são obrigados a fugir de um perigo que ainda não compreendem. A partir daí, a história toma proporções inesperadas e, à medida que os personagens se multiplicam, intrigas se entrelaçam umas nas outras e os destinos desses três heróis involuntários tomam rumos inesperados.

Ao todo, a série de Jordan contém catorze livros, com seis publicados pela Intrínseca. Estão animados?

testeO sexto livro de A Roda do Tempo chega às livrarias em abril

O senhor do caos, sexto livro da aclamada série de fantasia A Roda do Tempo, chega às livrarias a partir do dia 18 de abril. A saga apresenta um universo mágico detalhado e rico em personagens. A história se passa após uma guerra tão grandiosa que destruiu o mundo, transformando nossa existência em mera lenda. Há uma crença de que, quando o Tenebroso se reerguer, o poder para combatê-lo renascerá com o Dragão, que destruirá o mundo outra vez.

Em O senhor do caos, as tramas intrincadas continuam a se desenrolar. Egwene planeja prosseguir por conta própria em seus estudos sobre o Mundo dos Sonhos enquanto se recupera de seus ferimentos, mas o código de honra Aiel pode atrasar suas lições. Em Salidar, a lealdade de Elayne e Nynaeve às dissidentes da Torre Branca as coloca em uma posição difícil: elas devem tentar proteger as Aes Sedai de si mesmas.

Mat e Perrin, por sua vez, precisam arriscar a pró­pria vida para seguir Rand. Enquanto isso, o Dragão se divide entre governar Cairhien e Caemlyn. Além disso, precisa lutar contra a voz de Lews Therin, que ameaça enlouquecê-lo. No novo volume de A Roda do Tempo, a ordem e as antigas instituições desmoronam e abrem caminho para o senhor do caos.

testeLivros para uma Comic Con épica!

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Entre os dias 1 e 4 de dezembro a Intrínseca estará na CCXP – Comic Con Experience, o maior evento geek da América Latina! Além do Papo Nerd ao vivo no sábado, 03/12, nosso estande terá uma decoração especial (que vocês podem ver os bastidores em nosso Snapchat: ed.intrinseca) e livros que todo tipo de geek vai adorar. Confira a nossa seleção para o evento:

1. Deuses americanosde Neil Gaiman:Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução. [Leia +]

2. Alerta de risco, de Neil Gaiman: Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Composto de 25 contos repletos de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor. [Leia +]

3. Lugar Nenhum, de Neil Gaiman: Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta Edição Preferida inclui um texto de introdução assinado por Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo. [Leia +]

4. História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang: Ícone da ficção científica contemporânea é publicado pela primeira vez no Brasil em coletânea que inclui o conto que inspirou o filme A Chegada. Os oito textos reunidos em História da sua vida e outros contos ganharam no total nove importantes prêmios, dentre eles Nebula, Hugo, Locus, Sturgeon, Sidewise e Seiun. [Leia +]

5. Unidos somos um, de Pittacus Lore: O aguardado desfecho da série Os Legados de Lorien, repleto de surpresas e reviravoltas de tirar o fôlego. A guerra entre a Garde e os mogadorianos, que por tanto tempo ocorreu em segredo, tornou-se um conflito global. [Leia +]

6. Nimona, de Noelle Stevenson: Protagonizada pela anti-heroína mais surpreendente, Nimona é uma graphic novel fora dos padrões. Uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu. Mas Nimona não sabia que seu herói possuía escrúpulos. Menos ainda uma deliberada missão. [Leia +]

7. Legado,de Hugh Howey: No último volume da série Silo, as escolhas de Donald e Juliette podem mudar o mundo… ou extingui-lo de vez. Em Legado, Juliette se torna prefeita do Silo 18, que está se recuperando de uma rebelião. Seu governo encontra grande resistência por causa da controversa escavação para resgatar os supostos sobreviventes do Silo 17, uma empreitada vista com desconfiança que está espalhando o medo entre os moradores do Silo 18. Como se isso não fosse um desafio grande o bastante, Juliette também recebe transmissões de Donald, a voz que alega ser líder do Silo 1 e está disposta a ajudar — mas é capaz de fazer ameaças horríveis. [Leia +]

8. As Chamas do Paraíso, de Robert Jordan: Antigas instituições caem por terra e novas alianças se formam, pois o Dragão Renascido provoca mudanças por onde passa. Heróis lendários se juntam à história no novo volume de A Roda do Tempo, uma das mais extraordinárias séries já escritas. [Leia +]

9. Faca de água, de Paolo Bacigalupi: Num futuro árido e tumultuado, acontece uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo para conseguir água. Nesse cenário surge Angel, um mercenário com a missão de cortar e desviar o fornecimento de água a mando de quem paga mais. Lucy é uma jornalista premiada que decidiu revelar para o mundo a realidade da Grande Seca. Maria é uma jovem cuja vida foi destruída pelos efeitos das mudanças climáticas. Quando o direito de usar a água significa dinheiro para alguns e sobrevivência para outros, o que esses três personagens não sabem é que seu encontro é um marco que poderá mudar tudo. [Leia +]

10. Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor: O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas da pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, vire de cabeça para baixo. [Leia +]

11. Aceitação, de Jeff Vandermeer:  É inverno na Área X, a misteriosa região selvagem que há trinta anos desafia explicações e repele pesquisadores de expedição após expedição, recusando-se a revelar seus segredos. Enquanto sua geografia impenetrável se expande, a agência responsável por investigar e supervisionar a área — o Comando Sul — entra em colapso. Uma última e desesperada equipe atravessa a fronteira, determinada a alcançar uma remota ilha que pode conter as respostas que eles tanto procuram. Último livro da trilogia de ficção científica Comando SulAceitação conecta os dois livros anteriores, Aniquilação e Autoridade, em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências e as implicações dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes. [Leia +]

12. O universo numa casca de noz, de Stephen Hawking:Nesse que é um dos maiores clássicos do pensamento científico moderno, Stephen Hawking utiliza ilustrações, fotos e esquemas detalhados para mostrar grandes descobertas no campo da física teórica. Tudo isso, é claro, com sua reconhecida clareza, elucidando temas complexos por meio de conceitos e ideias do dia a dia, como inflação, cartas de baralho e linhas ferroviárias, e permeado com seu peculiar senso de humor. [Leia +]

teste14 coisas que você precisa saber antes de começar a ler A Roda do Tempo

Por Flora Pinheiro e Rayssa Galvão*

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Os livros de Robert Jordan compõem uma das maiores séries de fantasia de todos os tempos, literalmente: são 14 volumes que narram uma jornada cheia de reviravoltas, em que heróis e anti-heróis enfrentam um grande desafio — parar de brigar entre si e se unir para salvar o mundo. Aqui estão 14 coisas que você precisa saber antes de começar a leitura:

 

1) George Martin é fã

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Martin fez várias homenagens a Jordan em seus livros. A mais conhecida é a Casa Jordayne, cujo brasão é uma pena de escrever em um fundo verde. O nome de seu lorde é Trebor, ou seja, “Robert” ao contrário.

 

2) Está entre as dez séries de fantasia mais populares de todos os tempos

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A Roda do Tempo vendeu mais de 80 milhões de exemplares ao redor do mundo. Apesar de ser considerado “o Tolkien americano”, Jordan criou seu próprio universo, sem reaproveitar elfos, anões e dragões, além de não se limitar a influências da mitologia europeia. Se tiver receio de encarar uma série tão longa, lembre-se: não é à toa que Jordan é referência em literatura fantástica.

 

3) Foge do eurocentrismo

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É verdade que a série tem muitos elementos que lembram a Idade Média europeia, inclusive cavaleiros, inquisição religiosa e outras analogias, mas dá para notar a influência de muitas outras culturas e religiões. Diversas palavras e nomes foram tirados da cultura árabe e da religião hebraica — como um dos nomes do vilão principal, Shai’tan —, e o próprio conceito de tempo cíclico, a tal roda do tempo, vem do hinduísmo.

4) Não é só descrição de paisagem

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Nós amamos fantasia, mas quem nunca suspirou de exaustão diante de um longo parágrafo descrevendo toda a flora de um continente imaginário que atire a primeira pedra. Para nossa sorte, Jordan traz personagens interessantes que quebram a monotonia das descrições. Um queridinho dos fãs é Mat, que prefere se manter longe dos conflitos. Durante um discurso dramático, com um de seus amigos tentando mergulhar de cabeça em uma situação perigosa, Mat aparece ao fundo com dois cavalos, gesticulando, desesperado, para que o amigo monte no animal e fuja com ele.

 

5) Lugar de mulher é… no livro de fantasia

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Jordan não limita as personagens femininas a papéis secundários e donzelas indefesas. Apesar de o primeiro livro ter sido lançado há 26 anos, não faltam mulheres fortes. Um dos reinos, por exemplo, é governado exclusivamente por rainhas, e há também uma sociedade de mulheres guerreiras.

 

6) Não é só mais uma fantasia medieval

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Sim, A Roda do Tempo tem aspectos parecidos com a série de TV Game of Thrones e a trilogia O Senhor dos Anéis. Mas também possui inúmeras diferenças marcantes. Uma delas é que o universo não corresponde à Idade Média. Segundo Jordan, é como se a história se passasse no fim do século XVII, mas a pólvora jamais tivesse sido inventada.

 

7) É uma distopia

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Como a história se passa num mundo aparentemente medieval, é fácil pensar que se refere ao passado, mas os acontecimentos de A Roda do Tempo na verdade se passam no futuro! O tempo da roda se divide em 7 Eras, que passam em ciclos. Nossa Era já passou, e tudo o que resta dela são resquícios e ruínas. Ao longo dos livros, é possível encontrar várias dicas de “objetos mitológicos”, de lâmpadas a usinas nucleares. Dá até para brincar de caçar referências!

 

8) É muito mais que uma história

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Como todo bom gênio da fantasia, Jordan criou mais do que uma história: ele construiu um mundo. As complexidades são tantas e seu universo é tão bem-feito que existe até um sistema de RPG baseado na série. Os povos são muito diversos, e você vai se divertir aprendendo as particularidades de cada um ao longo dos livros.

 

9) Apesar da fantasia, nem tudo tem solução mágica

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Jordan não quis criar saídas fáceis, e representou muito bem temas realistas e polêmicos, como a loucura, a escravidão e o preconceito. A falta de comunicação e a demora em enviar mensagens nesse mundo praticamente medieval afetam a política, as guerras e o humor das pessoas ao redor.

 

10) A magia não funciona da forma que estamos acostumados

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Uma das coisas mais legais da série é o uso do Poder Único: a força que alimenta a magia nos livros. Existem diferenças no uso para homens e mulheres (e o uso por homens é considerado tabu). Além disso, o mecanismo é mais complexo que simplesmente decorar feitiços: as Aes Sedai aprendem a “tecer” fios de elementos do Poder Único de forma a criar uma trama que traga os resultados desejados.

 

11) As intrigas políticas vão ganhando destaque

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Com o passar dos livros, o universo da obra se amplia e as maquinações aumentam. O Jogo das Casas, porém, nem sempre tem um final sangrento. Enquanto a política do mundo real nos faz chorar, a do universo de Jordan muitas vezes é motivo de riso, com críticas veladas muito bem-humoradas.

 

12) Você vai passar a entender um monte de referências espalhadas por aí

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A série é tão querida pelos amantes de fantasia que George Martin não é o único a incluir referências em sua obra. Isso acontece em vários jogos, como o primeiro da série Dragon Ages, e a Blizzard já incluiu referências em World of Warcraft e Diablo. Além disso, algumas bandas já fizeram músicas em homenagem à série. A mais famosa é do Blind Guardian:

13) Nem todos os livros foram escritos por Robert Jordan

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Após a morte de Jordan, Brandon Sanderson assumiu a série. Com a ajuda da viúva de Jordan, Harriet Ridgney, que trabalhava como editora do marido, Sanderson escreveu três livros a partir das anotações do autor. Sanderson já era fã convicto da série e afirma que cresceu lendo e relendo os livros lançados até então. Ele é mais conhecido pela série Mistborn, mas não decepcionou os fãs de A Roda do Tempo.

 

14) Vai ter série!

Harriet Ridgney, viúva de Jordan, anunciou este ano que os direitos de adaptação de A Roda do Tempo foram vendidos e a obra será transformada em uma série de TV. Para quem acha que “o livro é melhor porque tem mais detalhes”, a hora de começar a ler é agora. Afinal, A Roda do Tempo gira, e as Eras vêm e vão, mas a internet continua cheia de spoilers.

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Flora e Rayssa se conheceram através do amor mútuo por livros de fantasia. Para editar a série A Roda do Tempo, as duas abriram mão do contato com amigos e família. Elas trocam GIFs quando sentem falta de conviver em sociedade.

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Por Samara Maia Mattos*

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Vocês se lembram de 2001, quando Frodo se aproximou da entrada de Mordor, olhando toda a devastação que ainda teria que enfrentar, e o filme A Sociedade do Anel terminou?

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Ou quando, em 2005, os sobreviventes de Lost encontraram e explodiram uma escotilha sinistra no último episódio da primeira temporada?

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Ou ainda, em 2010, como foi esperar os seis meses que separaram os lançamentos de A Batalha do Labirinto e O Último Olimpiano?!

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Pois é… Todos os meus exemplos giram em torno de dois sentimentos em comum: expectativa e ansiedade! Nosso envolvimento com os personagens de uma obra, com a trama e a responsabilidade em ser mais um integrante “virtual” no salvamento do mundo, cria toda uma expectativa por um próximo filme, episódio ou livro.

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Desde que me entendo por “gente” gosto muito de livros de fantasia. Contrariando muitos leitores, minha aproximação com o gênero não aconteceu por meio das obras de Tolkien, mas sim das de Marion Zimmer Bradley, com as séries Darkover e As brumas de Avalon.

O problema é que, durante muito tempo, o mercado literário brasileiro não investiu muito nesse gênero, e era difícil encontrar autores ou séries nas estantes das livrarias. Ainda bem que, de alguns anos para cá, depois de sucessos como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Gelo e Fogo a fantasia ganhou mais espaço e, ousando dar um chute estratosférico, passou a ser mais rentável.

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Depois dessa pequena introdução, vocês vão entender quando digo que um dos dias mais felizes de 2013 foi quando a Intrínseca anunciou que lançaria a principal obra de Robert Jordan!

06_Depois-dessa-pequena-introdução

A série de 14 volumes (é isso mesmo, você leu certo, são qua-tor-ze) começou a ser publicada pela Intrínseca há três anos e a expectativa para o quinto livro era muito grande. Vocês não têm ideia do meu nível de ansiedade com essa espera. Levem em consideração que A Ascensão da Sombra, o quarto livro, foi lançado há um ano… Em tempos de lançamentos quase simultâneos com as edições estrangeiras, uma espera de UM ANO pode ser assustadora para uma leitora apaixonada!

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Você começa a se preocupar em como vai ser o seu futuro como leitor e fã de uma série “infinitamente gigante” de fantasia. Será que o aumento exponencial da quantidade de páginas entre os livros é um obstáculo?

08_Você-começa-a-se-preocupar

Só que a melhor notícia do ano veio no dia 25 de julho, quando, navegando pelo site da Intrinseca e conferindo os futuros lançamentos de agosto, vi que o livro estava lá! ESTAVA LÁ! Uma capa lindamente roxa, as rodas do tempo e o oroboros, e a certeza que as 912 páginas de As Chamas do Paraíso vão estar nas livrarias a partir do dia 15 de agosto! QUINZE DE AGOSTO!

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Convenhamos que depois de descobrir que o quinto volume tem o delicioso tamanho de 912 PÁGINAS (esses números me surpreendem sempre que me lembro deles), obviamente é super compreensível que o livro tenha demorado um ano para sair. Sério, pessoal da Intrínseca: vocês estão perdoados de todo o nervoso, roer de unhas e angústia que sofri ao longo dos últimos meses.

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Agora é ler esse tijolo assim que ele estiver em minhas mãos para depois e sofrer mais um pouquinho esperando notícias do próximo. E aí? Já tem previsão? ^.~

 

Samara Maia Mattos é designer, blogueira nas horas vagas e viciada em vários gêneros literários, embora seja totalmente apaixonada por livros de fantasia.

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Confira sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

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Coleção Como Lidar, de J. A. Hazeley e J. P. Morris – Explicando desde questões clássicas da vida adulta (Os encontros, A ressaca) até as mais incompreendidas tendências (O hipster), incluindo volumes especialmente didáticos chamados “Manual do usuário” (Manual do usuário – O marido, Manual do usuário – A esposa), a Coleção Como Lidar ironiza os percalços da maturidade, seus estereótipos e absurdos, com muito sarcasmo e sem pena. Imagens e textos não poderiam ser mais apropriados para colocar – ou tirar de vez – você do eixo. Porque, convenhamos: a vida adulta não precisa ser tão adulta assim.

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Baseado em fatos reais, de Delphine de Vigan – Em uma obra em que o leitor é levado constantemente a questionar o que lhe é apresentado, Delphine de Vigan constrói um clima confessional, sombrio e opressivo para expor a obsessão do mercado editorial e do cinema pelas narrativas baseadas em fatos reais. A linha tênue entre verdade e mentira oscila para enriquecer uma poderosa reflexão sobre o fazer literário e questionar as fronteiras entre aparentes dicotomias, como real e ficção, razão e loucura, público e privado. Um livro brilhante, que joga com os códigos da autoficção e do thriller psicológico. [Leia +]

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Alerta vermelho, de Bill Browder – Ao mesmo tempo uma aventura no mundo financeiro, um thriller criminal e uma cruzada com casos de polícia, Alerta vermelho é a história de um homem que foi contra todas as probabilidades em busca de mudar o mundo. E foi a partir daí que encontrou, mesmo sem esperar, um sentido para a sua vida. [Leia +]

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As mil noites, de E. K. Johnston – É impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre Ali Babá e seus quarenta ladrões, ou sobre Aladim e o gênio da lâmpada. Ou sobre Sherazade, a mulher sagaz e inteligente que se casou com um homem cruel, e, por mil e uma noites, driblou a morte narrando contos de amor e ódio, medo e paixão, capazes de dobrar até mesmo um rei. Em As mil noites, a história se repete, mas com algumas diferenças… [Leia +]

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Os Dois Terríveis ainda piores, de Jory John e Mac Barnett, ilustrado por Kevin Cornell – A dupla mais terrível de Vale do Bocejo está de volta, e agora os dois amigos precisarão ser mais inteligentes e desordeiros do que nunca se quiserem dar fim a um vilão alérgico a brincadeiras e felicidade. [Leia +]

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As Chamas do Paraíso, de Robert Jordan – Antigas instituições caem por terra e novas alianças se formam, pois o Dragão Renascido provoca mudanças por onde passa. Heróis lendários se juntam à história no novo volume de A Roda do Tempo, uma das mais extraordinárias séries já escritas. [Leia +]

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Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs – último volume da celebrada trilogia iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares. Neste terceiro livro, depois de sofrer com a morte do avô, conhecer crianças com habilidades peculiares em uma fenda temporal e partir pelo mar em uma busca desesperada para curar a srta. Peregrine, Jacob vai finalmente enfrentar a inevitável conclusão dessa turbulenta jornada. [Leia +]EstanteIntrinseca_Agosto16_BLOG_Pa¦üginasInternas2

Alerta de risco, de Neil Gaiman – Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Repleto de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor.EstanteIntrinseca_Agosto16_BLOG_Pa¦üginasInternas3

Ilustre Poesia, de Pedro Gabriel – Desta vez, Antônio procura escapulir do confinamento nos quadradinhos de papel dos guardanapos e ganhar a liberdade. Ao mesmo tempo, Pedro Gabriel explora galáxias, as profundezas do mar e os confins da terra em textos de prosa poética que podem ser lidos como uma espécie de correspondência com o personagem. O senso de humor, a irreverência e o gosto pelos trocadilhos são compartilhados pelo personagem e seu poeta. [Leia +]

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Garra: O poder da paixão e da perseverança, de Angela Duckworth – Em um livro obrigatório para todos que desejam alcançar o sucesso, a psicóloga Angela Duckworth mostra para pais, estudantes, educadores, atletas e empreendedores que o segredo para realizações incríveis não é o talento, mas uma mistura de paixão e perseverança que ela chama de “garra” – a capacidade de não desistir e produzir resultados além do puro talento, da sorte ou das eventuais derrotas.

testeLeia um trecho do novo livro da série A Roda do Tempo!

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As Chamas do Paraíso, quinto livro da série de fantasia épica A Roda do Tempo está quase chegando nas livrarias. A partir do dia 15 de agosto, os fãs da saga de Robert Jordan vão poder explorar ainda mais o rico universo criado pelo autor.

No quinto volume, depois de uma perigosa jornada ao Deserto Aiel, Rand se consagrou como Aquele Que Vem Com a Aurora, conforme profetizado por seu novo povo. Ter um exército de homens e mulheres extremamente hábeis na batalha deveria ser uma vantagem, mas, conforme se apega aos novos aliados, o Car’a’carn, chefe dos chefes, se sente cada vez mais vulnerável às tramas de seus inimigos.

Enquanto isso, Nynaeve e Elayne perdem aliadas importantes e ganham uma poderosa inimiga. Após a expulsão de Siuan Sanche da Torre Branca, as duas Aceitas devem tentar encontrar as poucas Aes Sedais que continuam fiéis à sua causa. Porém, Moghedien está à espreita, determinada a capturar Nynaeve em sua teia.

Em As Chamas do Paraíso, Jordan aprofunda ainda mais seu criativo universo. Antigas instituições caem por terra e novas alianças se formam, pois o Dragão provoca mudanças por onde passa. Heróis lendários se juntam à história no novo volume de A Roda do Tempo, uma das mais extraordinárias séries já escritas.

Leia abaixo um trecho do livro inédito ou clique no link.

 

“Com sua chegada, renascem os temidos fogos. As colinas ardem em chamas e a terra se reduz a cinzas. As investidas dos homens minguam, e as horas se tornam exíguas. Transpassa-se a muralha, e ergue-se o véu da divisão. Tempestades ressoam além do horizonte, e as chamas do paraíso purgam a terra. Não há salvação sem destruição, não há esperança deste lado da morte.

(fragmento de As Profecias do Dragão, tradução atribuída a N’Delia Basolaine, Criada-chefe e espadachim de Raidhen de Hoi Cuchone aproximadamente 400 DR)

 

PRÓLOGO

 

Caem as Primeiras Centelhas

Elaida do Avriny a’Roihan, sentada diante da enorme escrivaninha, passava os dedos, absorta, pela estola de sete cores sobre os ombros — a estola do Trono de Amyrlin. À primeira vista, muitos a considerariam bela, mas um olhar mais atento deixava claro que a expressão austera em seu rosto de idade indefinida, típico de uma Aes Sedai, não era passageira. Naquele dia, ainda havia algo mais, um traço de raiva em seus olhos escuros. Ninguém tinha percebido.

Ela mal dava ouvidos às mulheres sentadas nos bancos à sua frente, mulheres com vestidos de todos os tons, do branco ao vermelho mais escuro, de seda ou de lã, conforme ditasse o gosto de cada uma. Mesmo com a variedade, apenas uma não trajava o xale formal com a Chama Branca de Tar Valon bordada nas costas e a franja colorida que indicava a Ajah, como se aquela fosse uma reunião no Salão da Torre. Discutiam as notícias e os rumores sobre os acontecimentos do mundo e tentavam separar a realidade da ficção para decidir como a Torre deveria agir, mas raramente olhavam na direção da mulher atrás da escrivaninha, a quem tinham jurado obedecer. Elaida não conseguia se concentrar nelas. Aquelas mulheres não sabiam o que era realmente importante. Ou melhor, sabiam, mas tinham medo de tocar no assunto.

— Parece que tem alguma coisa acontecendo em Shienar — disse Danelle, uma mulher franzina que vivia perdida em devaneios, a única irmã Marrom presente. Também só havia uma irmã Verde e uma Amarela, e nenhuma das três Ajahs parecia contente com isso. Não havia Azuis. Os grandes olhos azuis de Danelle pareciam pensativos. Havia um leve borrão de tinta em sua bochecha, e o vestido cinza-escuro de lã estava amarrotado. — Há rumores de conflitos.

Não com Trollocs e nem com os Aiel, embora os ataques em Passos de Niamh pareçam estar mais frequentes. Entre os próprios shienaranos. Algo incomum para as Terras da Fronteira. É raro eles lutarem entre si.

— Se o que eles querem é guerra civil, escolheram a hora certa — opinou Alviarin, com voz tranquila. Alta, esbelta e toda vestida de seda branca, ela era a única sem xale. A estola de Curadora em seus ombros era da mesma cor, indicando que a mulher provinha da Ajah Branca, e não da Vermelha, antiga Ajah de Elaida, como ditava a tradição. As Brancas eram sempre frias. — Parece que os Trollocs sumiram. A Praga está tão calma que dois fazendeiros e uma noviça dariam conta de vigiá-la.

Os dedos ossudos de Teslyn folheavam um maço de papéis em seu colo, embora ela mal os olhasse. Era uma das quatro irmãs Vermelhas presentes — mais do que de qualquer outra Ajah —, e quase tão austera quanto Elaida, apesar de jamais ter sido considerada bela por ninguém.

— No caso, talvez essa calmaria seja mau sinal — opinou Teslyn com seu sotaque illianense carregado. — Recebi uma mensagem hoje de manhã informando que o exército do Marechal-General de Saldaea foi posto em marcha. Nem é para a Praga, no caso, mas na direção oposta. Sudeste. Ele nunca faria isso sem achar que a Praga está hibernando.

— Então a notícia sobre Mazrim Taim vazou. — Alviarin parecia estar discutindo o clima ou o preço dos tapetes, e não um desastre em potencial. Muito esforço fora feito para capturar Taim, e as Aes Sedai tentaram com o mesmo empenho ocultar as notícias de sua fuga. Não seria nada bom para a Torre se o mundo inteiro ficasse sabendo que elas não haviam conseguido manter um falso Dragão preso após sua captura. — E parece que alguém do reino; a Rainha Tenobia, Davram Bashere, ou ambos; crê que não se pode confiar na Torre para lidar com ele de novo.

À menção a Taim seguiu-se um silêncio sepulcral. O homem era capaz de canalizar e estava a caminho de Tar Valon para ser amansado e apartado de vez do Poder Único quando fora resgatado, mas não foi isso que calou aquelas bocas. No passado, a existência de homens capazes de canalizar fora o pior dos anátemas, e caçá-los era o principal objetivo das Vermelhas, que recebiam toda a ajuda possível das outras Ajahs. Naquele momento, porém, a maioria das mulheres em torno da escrivaninha se remexia, inquietas, evitando contato visual, já que falar de Taim trazia à tona outro assunto no qual não queriam tocar. Até Elaida sentiu o estômago se revirar.

Aparentemente, Alviarin não se sentia tão relutante em falar. O canto de sua boca se curvou em um rápido movimento que poderia ser tanto um sorriso quanto uma careta.

— Vou redobrar os esforços para recapturar Taim e sugiro que uma irmã seja enviada para servir como conselheira de Tenobia. Alguém acostumada a lidar com a teimosia das mulheres jovens.

As outras logo ajudaram a preencher o silêncio.

Joline ajeitou o xale de franja verde nos ombros magros e sorriu, ainda que o gesto parecesse um tanto forçado.

— Sim, a Rainha precisa de uma Aes Sedai a seu lado. Alguém que consiga dar conta de Bashere. Ele exerce uma influência enorme sobre Tenobia. E precisa deslocar seu exército de volta para um local onde possa ser útil caso a Praga desperte. — A abertura em seu xale exibia um decote mais revelador do que o apropriado, e a seda verde clara era muito justa, bem colada ao corpo. Além disso, ela sorria demais para o gosto de Elaida, em especial para os homens. As Verdes eram sempre assim.

— A última coisa de que precisamos é outro exército em marcha — apressou-se a dizer Shemerin, a irmã Amarela. Ela era um pouco rechonchuda, e jamais havia conseguido dominar a placidez típica das Aes Sedai. Seus olhos sempre transmitiam certa ansiedade, ainda mais ultimamente.

— E temos que mandar alguém para Shienar — completou Javindhra, outra Vermelha. Apesar das maçãs do rosto robustas, a expressão na face angulosa era dura o bastante para martelar pregos, e a voz, áspera. — Não gosto desse tipo de problema nas Terras da Fronteira. A última coisa de que precisamos é que Shienar se enfraqueça a ponto de permitir a invasão de um exército Trolloc.

— Talvez — concordou Alviarin, pensativa. — Mas há agentes em Shienar. Vermelhas, certamente, mas talvez também de outras Ajahs. — As quatro irmãs Vermelhas assentiram, relutantes, mas ninguém as acompanhou. — Elas podem nos alertar caso esses pequenos conflitos se tornem mais preocupantes.

Não era segredo algum que todas as Ajahs, exceto a Branca, devotada à lógica e à filosofia como era, possuíam informantes espalhados em diferentes esferas por todas as nações, embora a rede da Amarela fosse considerada lastimável. Não havia nada sobre doenças ou Cura que elas pudessem aprender com quem não era capaz de canalizar. Algumas irmãs tinham informantes particulares, talvez mais secretos que os agentes oficiais das Ajahs. As Azuis detinham a maior rede, tanto oficial quanto pessoal.

— Quanto a Tenobia e Davram Bashere — continuou Alviarin —, estamos de acordo que alguma irmã deve tratar deles? — Ela quase não esperou que assentissem. — Ótimo. Assunto encerrado. Memara dará conta disso. Ela não vai aceitar disparates de Tenobia, nem vai deixá-la perceber que está sendo manipulada. Agora… alguém teve notícias de Arad Doman ou Tarabon? Se não agirmos logo, pode ser que Pedron Niall e os Mantos-brancos debandem de Bandar Eban para a Costa da Sombra. Sabe de algo, Evanellein?

Arad Doman e Tarabon tinham sido arrasadas por guerras civis e coisas piores. O caos era generalizado. Elaida ficou surpresa por o assunto ter surgido.

— Só boatos — respondeu a irmã Cinza. Seu vestido de seda, que combinava com a franja do xale, era muito requintado e tinha um decote profundo. Elaida achava que a mulher deveria ter sido Verde, já que se preocupava tanto com roupas e aparência. — Quase todos os habitantes daquelas pobres áreas viraram refugiados, incluindo os que poderiam mandar notícias. A Panarca Amathera parece ter desaparecido, e tudo indica que uma Aes Sedai estava envolvida…

Elaida agarrou a estola a força. Seu rosto nada demonstrava, mas os olhos ardiam feito fogo. O assunto do exército de Saldaea estava encerrado. Ao menos Memara era Vermelha, o que a surpreendera, mas ninguém tinha pedido sua opinião. Assunto encerrado. A possibilidade alarmante de que uma Aes Sedai estivesse envolvida no desaparecimento da Panarca — caso essa não fosse mais uma das milhares de histórias improváveis vindas da costa oeste — não era o bastante para desviar seu pensamento daquilo. Havia Aes Sedai espalhadas desde o Oceano de Aryth até a Espinha do Mundo, e das Azuis, pelo menos, podia-se esperar qualquer coisa. Menos de dois meses antes, todas aquelas mulheres se ajoelharam para jurar fidelidade a Elaida, que representava a Torre Branca, mas aquela decisão fora tomada sem que sequer lhe dirigissem um olhar.

Apesar de ficar em um dos níveis mais baixos da Torre Branca, o gabinete da Amyrlin era o coração do lugar — assim como a própria Torre, com sua cor de osso embranquecido, era o coração da grande cidade-ilha de Tar Valon, circundada pelo rio Erinin. E Tar Valon era, ou deveria ser, o coração do mundo. O aposento emanava o poder exercido pela longa linhagem de mulheres que o havia ocupado, com piso de pedra vermelha polida das Montanhas da Névoa, uma enorme lareira de mármore dourado de Kandori e paredes de uma madeira pálida, com listras exóticas, maravilhosamente entralhada há mais de mil anos com animais selvagens e pássaros desconhecidos. Pedras reluzentes como pérolas emolduravam as altas janelas em arco que davam para a varanda com vista para o jardim particular da Amyrlin. Era o único lugar onde essa pedra podia ser encontrada, resgatada de uma cidade sem nome que fora engolida pelo Mar das Tempestades durante a Ruptura do Mundo. Um aposento poderoso, reflexo de Amyrlins que, por quase três mil anos, tinham feito tronos se curvarem à sua vontade. E sequer fora consultada.

Desrespeitos desse tipo aconteciam com uma frequência grande demais. Pior ainda — e talvez o mais duro de engolir —, as mulheres usurpavam a autoridade de Elaida sem se dar conta. Todas sabiam como obtivera o direito de usar a estola, e sabiam que, sem o auxílio delas, a peça não estaria em seus ombros. A própria Elaida tinha plena consciência disso. No entanto, as mulheres tinham ido longe demais. Em pouco tempo, seria hora de tomar alguma providência. Mas ainda não.

Elaida já dera ao gabinete o máximo possível de seu toque pessoal, acrescentando uma escrivaninha ornada com um entalhe de três anéis entrelaçados e uma cadeira robusta cujo espaldar alto era encrustado com a chama de Tar Valon em marfim. Sobre a escrivaninha, precisamente equidistantes uma da outra, encontravam-se três caixas de laca altarana, e uma delas continha as melhores peças de sua coleção de estatuetas. Um pedestal simples fora disposto diante de uma das paredes, sustentando um vaso branco cheio de rosas vermelhas que perfumavam o ambiente com uma fragrância doce. Não caíra sequer uma gota de chuva desde que ela fora empossada, mas sempre dava para arranjar belas flores por meio do Poder, e Elaida sempre gostara delas. Era bem fácil podá-las e treiná-las para produzir beleza.

Havia duas pinturas posicionadas de maneira que, sentada, bastava Elaida erguer a cabeça para vê-las. As demais mulheres evitavam encarar as obras. Entre todas as Aes Sedai presentes no gabinete, apenas Alviarin atrevera-se a dar uma olhadela.

— Alguma novidade sobre Elayne? — perguntou Andaya, hesitante. Magra feito um passarinho e de aparência tímida, apesar das feições de Aes Sedai, à primeira vista ninguém diria que a Cinza era uma boa mediadora, mas, na verdade, ela era uma das melhores. Seu sotaque ainda tinha resquícios tarabonianos. — Ou sobre Galad? Se descobrir que perdemos o enteado dela, a Rainha Morgase, ela talvez comece a fazer mais perguntas sobre o paradeiro da filha, sim? E se ela souber que perdemos a Filha-herdeira, Andor pode ficar tão fechada para nós quanto Amadícia.

Algumas mulheres balançaram a cabeça. Não havia novidades.

— Uma irmã Vermelha está a postos no Palácio Real. Como foi elevada há pouco tempo, consegue disfarçar que é Aes Sedai — disse Javindhra, querendo dizer que tal mulher ainda não incorporara a expressão de idade indefinida que se adquiria com o uso prolongado do Poder. Se alguém tentasse adivinhar a idade de qualquer irmã presente no gabinete, a margem de erro giraria em torno de vinte anos, e, em alguns casos, talvez se errasse por até duas vezes mais que isso. — Ela é bem-treinada, muito forte e boa observadora. Morgase está concentrada em levar adiante seu plano de tomar posse do trono de Cairhien.

Várias irmãs se agitaram nos assentos. Como se percebesse que tinha se aproximado demais de um terreno perigoso, Javindhra apressou-se em continuar.

— E parece que o novo amante dela, Lorde Gaebril, a mantém bastante ocupada. — Seus lábios finos se estreitaram ainda mais. — A Rainha está totalmente encantada pelo sujeito.

— Ele a mantém concentrada em Cairhien — afirmou Alviarin. — A situa- ção por lá está quase tão ruim quanto em Tarabon e Arad Doman, com todas as Casas disputando o Trono do Sol e o povo passando fome. Morgase vai restabelecer a ordem, mas deve levar algum tempo para que assegure o trono. Até lá, sobrará pouca energia para ela se preocupar com outros assuntos, até mesmo com a Filha-herdeira. Incumbi uma escrivã de enviar cartas de vez em quando. A mulher imita bem a letra de Elayne. Morgase seguirá assim até termos certeza de que voltamos a controlá-la de maneira adequada.

— Pelo menos ainda temos o filho dela sob nosso controle. — Joline sorriu.

— No caso, é difícil mantermos controle sobre Gawyn — respondeu Teslyn, asperamente. — Ele e aquela Jovem Guarda andam brigando com os Mantos-brancos nos dois lados do rio. Ele, no caso, age tanto por vontade própria quanto por ordem nossa.

— Ele vai ficar sob controle — respondeu Alviarin.

Elaida começava a achar detestável aquela atitude sempre impassível.

— Falando em Mantos-brancos — intrometeu-se Danelle —, parece que Pedron Niall tem conduzido negociações secretas para tentar convencer Altara e Murandy a ceder terras para Illian e evitar que o Conselho dos Nove invada um deles ou até os dois.

Já em terreno seguro, as mulheres do outro lado da escrivaninha discutiam se as ações do Senhor Capitão Comandante aumentariam demais a influência dos Filhos da Luz. Talvez tais negociações devessem ser interrompidas, para que a Torre pudesse assumir as rédeas e substituí-lo.

Elaida apertou os lábios. Ao longo da história, a Torre muitas vezes fora obrigada a ser prudente — muitos a temiam, muitos desconfiavam dela —, mas nunca temera nada nem ninguém. Agora, a Torre temia.

A Amyrlin ergueu o olhar para as pinturas. Uma delas consistia em três painéis de madeira com ilustrações de Bonwhin, a última Vermelha a ser elevada ao Trono, mil anos antes, e razão pela qual nenhuma outra Vermelha usara a estola desde então. Até Elaida. Bonwhin, alta e orgulhosa, dando ordens às Aes Sedai sobre como manipular Artur Asa-de-gavião; Bonwhin, desafiadora, no topo das muralhas brancas de uma Tar Valon sob o ataque das forças de Asa-de-gavião; e Bonwhin de joelhos e submissa perante o Salão da Torre, enquanto retiravam a estola e o cajado por ter quase destruído a Torre.

Muitas se perguntavam por que Elaida retirara o tríptico do depósito onde estivera esquecido, coberto de poeira. Ainda que ninguém falasse abertamente, ela ouvia o burburinho. As irmãs não compreendiam a necessidade de uma lembrança permanente do custo de um infortúnio.

A segunda pintura era mais atual, feita em tela de tecido; uma cópia do esboço de um artista de rua do oeste distante. Aquela obra causava ainda mais desconforto entre as Aes Sedai que pousavam os olhos nela. Dois homens lutavam em meio às nuvens, aparentemente no céu, usando relâmpagos como armas. Um deles tinha o rosto feito de chamas. O outro era alto, jovem e ruivo. Era aquele jovem que despertava medo e fazia até Elaida cerrar os dentes. Só não tinha certeza se era de raiva ou para evitar que eles batessem. Mas medo era algo que podia e devia ser controlado. Controle era tudo.

— Então é isso — disse Alviarin, começando a se levantar. As outras a imitaram, ajustando saias e xales enquanto se preparavam para sair. — Em três dias, espero que…

— Dei permissão para alguma de vocês sair, filhas? — Aquelas eram as primeiras palavras que Elaida dizia desde que pedira para as irmãs se sentarem. Surpresas, todas olharam para a Amyrlin. Surpresas! Algumas voltaram para os assentos, mas sem a menor pressa. E sem qualquer pedido de desculpas. Elaida deixara aquilo ir longe demais. — Já que estão de pé, continuarão assim até eu terminar. — As Aes Sedai que estavam voltando para os bancos ficaram confusas por um momento. Elaida continuou a falar enquanto, hesitantes, elas voltavam a se pôr de pé. — Não ouvi nenhuma menção à busca por aquela mulher e os acompanhantes dela.

Não era preciso citar o nome daquela mulher, a predecessora de Elaida. Todas sabiam a quem ela se referia, e a própria Elaida achava cada vez mais penoso até lembrar o nome da antiga Amyrlin. Todos os seus problemas atuais — todos! — podiam ser atribuídos àquela mulher.

— É complicado — opinou Alviarin, em tom neutro —, já que alimentamos os boatos de que ela foi executada. — A mulher tinha mesmo sangue-frio. Elaida encarou-a com firmeza até ela acrescentar um “Mãe” atrasado que também soou plácido, até casual.

A Amyrlin desviou o olhar para as demais e transformou a voz em aço.

— Joline, você está responsável por essa busca e pela investigação da fuga dela. Em ambos os casos, só ouço falar de dificuldades. Talvez uma penitência diária ajude você a aumentar a diligência, filha. Ponha no papel o que achar adequado e mande para mim. Caso eu não considere adequado, triplico o castigo. O sorriso constante de Joline desapareceu, para satisfação de Elaida. Sob o olhar fixo da Amyrlin, ela abriu a boca e voltou a fechá-la. Por fim, fez uma longa reverência.

— Como a senhora ordenar, Mãe. — As palavras saíram entredentes, a docilidade soou forçada, mas bastava. Por enquanto.

— E o que me dizem de tentar recapturar as que escaparam? — Desta vez, seu tom de voz foi ainda mais firme.

O retorno das Aes Sedai que haviam fugido quando aquela mulher fora deposta significava a volta das Azuis à Torre. Elaida não sabia se poderia confiar em alguma Azul. Aliás, não sabia se um dia poderia confiar em qualquer uma das irmãs que, em vez de saudar sua subida ao Trono, um dia haviam debandado. Porém, a Torre precisava ficar completa outra vez.

Javindhra ficara incumbida da tarefa.

— De novo, temos dificuldades. — Suas feições permaneciam tão severas quanto antes, mas ela lambeu rapidamente os lábios diante da tempestade silenciosa que viu no rosto de Elaida. — Mãe.

Elaida balançou a cabeça.

— Não quero saber de dificuldades, filha. Amanhã, você me entregará uma lista de tudo o que já fez, incluindo todas as medidas tomadas para evitar que o mundo fique sabendo de qualquer desavença aqui na Torre. — Esse era um ponto crucial. Havia uma nova Amyrlin, mas o mundo deveria ter a imagem de uma Torre mais unida e forte do que nunca. — Caso não tenha tempo para a tarefa que lhe incumbi, talvez devesse abrir mão de sua condição de Votante em nome das Vermelhas. É algo que devo considerar.

— Não será necessário, Mãe — respondeu Javindhra, depressa, com expressão severa. — Amanhã a senhora vai receber o relatório que pediu. Estou certa de que muitas irmãs vão começar a voltar em breve.

Elaida não tinha tanta certeza, por mais que desejasse — a Torre precisa ser forte. Precisa! —, mas dera o recado. Todas as mulheres tinham expressões confusas, exceto por Alviarin. Se Elaida parecia pronta para punir uma irmã de sua própria antiga Ajah e ser ainda mais contundente com uma Verde que estivera ao seu lado desde o primeiro dia, talvez tivessem cometido um erro ao tratá- -la como uma efígie cerimonial. Aquelas mulheres podiam até tê-la colocado no Trono, mas ela era a Amyrlin. Mais alguns exemplos nos dias seguintes deveriam pôr as coisas em ordem. Se fosse preciso, Elaida obrigaria todas as mulheres a pagar penitências até pedirem perdão.

— Há soldados tairenos e andorianos em Cairhien — continuou, ignorando os olhares fugidios. — Soldados tairenos enviados pelo homem que tomou a Pedra de Tear.

Shemerin apertou as mãos gorduchas, e Teslyn se encolheu. Só Alviarin permanecia impassível feito uma lagoa congelada. Elaida ergueu a mão e apontou para a pintura com os dois homens se enfrentando com relâmpagos.

— Olhem aquilo. Olhem! Ou deixarei todas vocês de quatro esfregando o chão! Se não têm sangue-frio nem para olhar para uma pintura, que coragem terão para enfrentar o que ainda temos pela frente? Covardes não têm serventia para a Torre!

Elas ergueram o olhar lentamente, movendo os pés feito garotinhas nervosas, não como Aes Sedai. Apenas Alviarin encarava a pintura parecendo inabalada. Shemerin retorcia as mãos, e lágrimas brotavam em seus olhos. Algo teria que ser feito em relação a ela.

— Rand al’Thor. Um homem capaz de canalizar. — As palavras saíram como um chicote da boca de Elaida, fazendo até mesmo o estômago da própria Amyrlin se revirar até deixá-la com ânsia de vômito. De algum modo, manteve o rosto sereno e seguiu pressionando, despejando suas palavras como um estilingue lançando pedras. — Um homem fadado a enlouquecer e usar o Poder para causar terror, antes de morrer. Porém, mais que isso. Arad Doman, Tarabon e tudo o que existe entre as duas cidades estão se transformando em ruína e rebeliões por causa dele. Apesar de a guerra e a fome em Cairhien não poderem ser diretamente atribuídas a Rand al’Thor, podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que ele precipita uma guerra ainda maior entre Tear e Andor, justamente quando o que a Torre precisa é de paz! Em Ghealdan, algum shienarano sem juízo prega a respeito dele para multidões grandes demais até para o exército de Alliandre conter. O maior perigo que a Torre já enfrentou, a maior ameaça que o mundo já conheceu, e vocês não conseguem nem falar deste homem? Não têm nem coragem de olhar para uma pintura dele?

O silêncio foi a única resposta. Todas, exceto Alviarin, pareciam ter engolido a própria língua. A maioria encarava o jovem na pintura como pássaros hipnotizados por uma serpente.

— Rand al’Thor. — O nome tinha gosto de fel nos lábios de Elaida.

Certa vez, a Amyrlin tivera aquele jovem, de aparência tão inocente, ao seu alcance, mas não percebera o que ele era. A predecessora dela tinha esse conhecimento, e só a Luz sabia desde quando, mas permitira que ele ficasse livre. Aquela mulher revelara muitas coisas a Elaida antes de escapar. Quando pressionada a falar, mencionara fatos em que Elaida não tinha como acreditar — se os Abandonados estivessem mesmo soltos, tudo poderia estar perdido —, mas, de algum modo, conseguira se recusar a responder certas perguntas e acabara escapando antes que pudesse ser interrogada novamente. Aquela mulher e Moiraine. Aquela mulher e a Azul sempre souberam de tudo. Elaida pretendia trazer as duas de volta à Torre. Elas teriam que revelar até a última letra do que sabiam. Implorariam pela morte de joelhos antes de a nova Amyrlin se dar por satisfeita.

Ela se obrigou a continuar falando, ainda que as palavras murchassem em sua boca.

— Rand al’Thor é o Dragão Renascido, filhas. — Os joelhos de Shemerin fraquejaram, e a Amarela desabou no chão. Algumas das outras irmãs também pareciam ter perdido a força nas pernas. Os olhos de Elaida as açoitavam com desdém. — Não restam dúvidas. É dele que falam as Profecias. O Tenebroso está se libertando da prisão, a Última Batalha se aproxima, e o Dragão Renascido precisa estar lá para enfrentá-lo, ou o mundo será condenado a eras de fogo e à destruição enquanto a Roda do Tempo girar. E ele está à solta, filhas. Não sabemos por onde anda. Sabemos de dezenas de locais onde ele não está. O Dragão não está mais em Tear, mas também não está mais aqui na Torre devidamente protegido, como deveria. Ele provoca um redemoinho no mundo, e devemos pará-lo em nome de qualquer esperança de sobrevivermos a Tarmon Gai’don. Precisamos dele por perto para garantir que o Dragão lutará a Última Batalha. Ou alguma de vocês acredita que, para salvar o mundo, ele aceitará passivamente a morte profetizada? Estamos falando de um homem que já deve estar enlouquecendo! Precisamos dele sob controle!

— Mãe — começou Alviarin, com sua irritante indiferença, mas Elaida interrompeu-a com um olhar

— Pôr nossas mãos em Rand al’Thor é muito mais importante do que as escaramuças em Shienar ou se a Praga está calma ou não, mais importante do que encontrar Elayne ou Galad, e mais importante até do que Mazrim Taim. Vocês vão encontrá-lo. Ah, se vão! Na próxima reunião, quero todas prontas para me dar detalhes do que fizeram para conseguirmos isso. Agora podem ir, filhas.

Após uma onda de reverências vacilantes e murmúrios ofegantes de “Como a senhora ordenar, Mãe”, as irmãs saíram quase correndo, com Joline ajudando a cambaleante Shemerin a se levantar. A irmã Amarela daria um bom próximo exemplo, já que ainda seriam necessários alguns para garantir que nenhuma das mulheres titubeasse. Além disso, ela era fraca demais para fazer parte do conselho. De qualquer forma, o conselho não existiria por muito mais tempo. Elas apenas receberiam ordens de Elaida e correriam para obedecer.

Todas se foram, exceto Alviarin.

Por um longo momento após a porta ter se fechado atrás das demais Aes Sedai, as duas mulheres se encararam. Alviarin havia sido a primeira, a primeiríssima, a ouvir e concordar com as acusações contra a predecessora de Elaida. E a Branca sabia muito bem por que ela, e não alguma Vermelha, usava a estola de Curadora. A Ajah Vermelha fora unânime a favor da nova Amyrlin, mas a Branca, não, e, sem o apoio integral da Ajah de Alviarin, muitas outras também poderiam ter se oposto. Fosse esse o caso, Elaida estaria em uma cela, não sentada no Trono de Amyrlin. Isso se os restos de sua cabe- ça não estivessem decorando uma estaca e servindo de refeição para os corvos. Alviarin não se intimidaria tão facilmente quanto as outras. Talvez nem houvesse como intimidá-la. Seu olhar inabalável transmitia uma sensação perturbadora de igual para igual.

Uma batida na porta quebrou o silêncio.

— Entre! — exclamou Elaida.

Uma das Aceitas, uma garota pálida e esguia, entrou no cômodo, hesitante. A jovem fez uma reverência tão exagerada que sua saia branca com sete faixas coloridas na bainha formou uma enorme circunferência no chão em torno dela. Pelos olhos azuis arregalados e a maneira como os mantinha voltados para baixo, captara o estado de espírito das mulheres que haviam saído. Se Aes Sedai tinham ido embora tremendo, uma Aceita corria grande perigo.

— M-Mãe, Mestre F-Fain está aqui. Ele disse que a s-senhora o receberia a-agora. — Ainda agachada, a garota tremia tanto que parecia a ponto de tombar de medo.

— Então mande o homem entrar, garota, em vez de deixá-lo esperando! — Elaida soava irritada, mas verdade era que teria arrancado o couro da Aceita caso a menina não tivesse deixado o homem lá fora. A raiva que sentia de Alviarin, e que não permitiria que a mulher pensasse que ela tinha receio de demonstrar, aflorou. — E se não conseguir aprender a falar de modo adequado, talvez as cozinhas lhe sejam mais propícias do que a antessala da Amyrlin. E então? Não vai fazer o que mandei? Mexa-se, garota! E vá dizer à Mestra das Noviças que você precisa ser treinada para obedecer prontamente!

A garota guinchou o que talvez fosse uma resposta apropriada e saiu em disparada.

Elaida se esforçou para manter a compostura. Não queria nem saber se Silviana, a nova Mestra das Noviças, daria uma surra na garota ou se resolveria a questão com uma reprimenda. A Amyrlin quase não lidava com noviças e Aceitas, a menos que alguma delas se intrometesse em seu caminho, e se importava muito pouco com elas. Era Alviarin quem queria humilhar e ver de joelhos a seus pés.

Mas primeiro, Fain. Elaida tamborilava o dedo nos lábios. O homenzinho magrelo e narigudo aparecera na Torre poucos dias antes, em trajes sujos e grandes demais, mas que outrora haviam sido refinados. Ora arrogante, ora servil, o homem requisitara uma audiência com a Amyrlin. Exceto pelos que serviam à Torre, os homens só apareciam ali sob coação ou em caso de grande necessidade, e nenhum pedia para falar com a Amyrlin. Era um tolo, ou talvez até um tanto estúpido. Fain afirmava ser de Lugard, em Murandy, mas falava com vários sotaques, por vezes mudando de um para outro no meio de uma frase. Ainda assim, parecia que podia ser útil.

Alviarin ainda encarava Elaida com uma complacência gélida. Seu olhar revelava apenas uma pista das perguntas que devia querer fazer sobre Fain. O rosto da Amyrlin endureceu. Ela quase apelou para saidar, a metade feminina da Fonte Verdadeira, para pôr aquela mulher em seu devido lugar. Mas o caminho não era esse. Alviarin poderia resistir, e lutar feito uma camponesa em um estábulo não era modo de uma Amyrlin afirmar sua autoridade. De qualquer maneira, Alviarin teria que aprender a se curvar a ela tanto quanto as outras. O primeiro passo seria deixá-la sem qualquer informação a respeito de Mestre Fain, fosse qual fosse seu nome verdadeiro.

Assim que adentrou o gabinete da Amyrlin, Padan Fain tratou de esquecer a jovem e inquieta Aceita. A garota era até atraente, e ele gostava das nervosinhas, mas havia assuntos mais importantes em que se concentrar naquele momento. Esfregando as mãos na roupa, Fain curvou a cabeça, humilde como convinha, mas a princípio as duas mulheres que o aguardavam nem pareceram notar sua presença, se encarando como estavam. Ele ficou parado, embora a tensão entre elas fosse quase palpável; achava que poderia quase tocá-la se estendesse a mão. A Torre Branca estava tomada pela tensão, com as Aes Sedai divididas. Melhor assim. Conforme a necessidade, tensões podiam ser manipuladas, e divisões, exploradas.

Fain se surpreendera ao encontrar Elaida no Trono de Amyrlin. No entanto, era melhor do que ele esperava. O homem ficara sabendo que Elaida, sob vários aspectos, não era tão dura quanto a mulher que usara a estola antes dela. Mais severa, sim, e mais cruel também, porém mais vulnerável. Provavelmente, ela seria mais difícil de dobrar, porém mais fácil de partir. Isso no caso de uma das opções ser necessária. Ainda assim, para ele, as Aes Sedai, e até as Amyrlin, eram todas iguais. Tolas. Tolas perigosas, verdade, mas, algumas vezes, úteis.

Quando as duas finalmente se deram conta da presença de Fain, a Amyrlin franziu a testa de leve por ter sido pega de surpresa, mas a Curadora das Crônicas se manteve impassível.

— Pode ir agora, filha — ordenou Elaida com firmeza, com uma pequena, mas clara ênfase no “agora”. Ah, sim… as tensões, as rachaduras no poder. Rachaduras onde sementes podiam ser plantadas. Fain se deu conta de que estava prestes a rir.

Alviarin hesitou antes de fazer a mais breve das reverências. Enquanto deixava o gabinete, seus olhos percorreram Fain de cima a baixo com uma expressão neutra, mas desconcertante. Ele se encolheu inconscientemente, curvando os ombros em um gesto de autoproteção; seus lábios formaram em um leve rosnado para as costas estreitas da mulher. Às vezes, por um breve instante, Fain tinha a sensação de que Alviarin sabia demais sobre dele, mas não podia explicar por quê. A frieza no rosto e nos olhos da mulher não mudava nunca. Naquelas ocasiões, sentia o desejo de obrigá-los a mudar. Medo. Agonia. Súplica. Fain quase gargalhou só de pensar. Não fazia sentido, claro. Não havia como ela saber de nada. Com paciência, ele poderia se ver livre dela e de seus olhos imutáveis.

Considerando o tipo de coisa que a Torre guardava em seus cofres, valia a pena ter um pouco de paciência. Era lá que estava a Trombeta de Valere, a lendária peça construída para invocar os heróis mortos de seus túmulos na hora da Última Batalha. A maioria das Aes Sedai ignorava esse fato, mas Fain sabia farejar informações. A adaga estava lá. Sentia seu chamado até do lugar onde estava. Poderia até apontar a direção. A adaga pertencia a ele, fazia parte dele, e fora roubada e escondida ali por aquelas Aes Sedai. Recuperá-la recompensaria muitas perdas. O homem não sabia como, mas tinha certeza disso. Recompensaria a perda de Aridhol. Era perigoso demais retornar para lá, pois havia o risco de ficar preso de novo. Fain sentiu um arrepio. Tanto tempo preso. De novo, não.

Claro que ninguém mais chamava o lugar de Aridhol, e sim de Shadar Logoth. Onde a Sombra Espreita. Um nome apropriado. Tanta coisa mudara… Ele pró- prio, inclusive. Padan Fain. Mordeth. Ordeith. Por vezes, não tinha certeza de qual era seu nome de fato e de quem era de verdade. De uma coisa, estava certo: ele não era o que ninguém imaginava. Aqueles que acreditavam conhecê-lo estavam muito enganados. Agora estava mudado. Seu poder era único, estava além de qualquer outro. Um dia, todos se dariam conta disso.

De repente, com um sobressalto, Fain percebeu que a Amyrlin dissera alguma coisa e, vasculhando a mente, lembrou o que era.

— Sim, Mãe, o casaco fica muito bem em mim. — Passou a mão no veludo negro para mostrar como o apreciava. Como se vestimentas importassem. — É um casaco muito bom. Agradeço de coração, Mãe. — Fain estava preparado para mais tentativas da Amyrlin de deixá-lo à vontade, pronto para ajoelhar-se e beijar seu anel, mas, desta vez, ela foi direto ao ponto.

— Me fale mais a respeito do que sabe sobre Rand al’Thor, Mestre Fain.

Os olhos de Fain se voltaram para a pintura com os dois homens, e, enquanto a observava, suas costas se empertigaram. A imagem de al’Thor o afetou quase da mesma forma que o próprio homem o faria se estivesse em sua frente, fazendo suas veias se encherem de fúria e ódio. Por causa daquele jovem, Fain passara por dores inimagináveis, das quais sequer se permitia lembrar, e sofrera bem mais do que as dores em si. Ele fora destruído e reconstruído por causa de al’Thor. Claro que essa reconstrução havia lhe dado os meios para se vingar, mas a questão não era exatamente essa. Perto do desejo de destruir al’Thor, qualquer coisa se tornava insignificante.

Quando se voltou novamente para a Amyrlin, Fain não percebeu que sua atitude estava tão imponente quanto a dela e que retribuía seu olhar de igual para igual.

— Rand al’Thor é astuto e dissimulado. Ele não se importa com nada ou ninguém, só com o próprio poder. — Aquela tola. — Ele é do tipo que nunca faz o que se espera dele. — Mas se ela pudesse pôr as mãos em al’Thor… — É difícil guiá-lo, muito difícil, mas acredito que seja possível. Primeiro, é preciso se aproximar de um dos poucos em quem ele confia. — Se a Amyrlin lhe entregasse al’Thor, talvez ele a deixasse viva no fim das contas, mesmo sendo Aes Sedai.

 

Esparramado em uma poltrona dourada, vestindo mangas curtas e de botas nos pés, com uma das pernas apoiada no braço estofado, Rahvin sorria enquanto a mulher de pé à frente da lareira repetia o que ele lhe dissera. Seus grandes olhos castanhos estavam ligeiramente distantes. Era jovem e bonita, mesmo usando as roupas de lã cinza sem graça que adotara como disfarce, mas seu interesse nela não era dessa natureza.

Nenhuma nesga de ar entrava pelas altas janelas do aposento. Enquanto a mulher falava, o suor escorria de seu rosto delicado, e gotículas brotavam na face estreita do outro homem presente. Ainda que trajasse um belo casaco de seda vermelha com bordados dourados, o sujeito se mantinha tão imóvel quanto um serviçal — o que ele era, de certo modo, ainda que por vontade própria, ao contrário dela. Mas claro que, naquele momento, estava cego e surdo.

Rahvin manejou com delicadeza os fluxos de Espírito que havia urdido em torno dos dois. Não havia motivo para causar danos a serviçais valiosos.

Ele próprio não suava, claro. Não permitia que o teimoso calor do verão o afetasse. Era um homem alto, grande, de pele escura e bonito, apesar dos cabelos brancos nas têmporas. Não tivera dificuldades em compelir aquela mulher.

Uma careta retorceu seu rosto. Tinha dificuldades com algumas pessoas. Uns poucos, muito poucos, tinham força de vontade o bastante para que suas mentes buscassem brechas pelas quais escapar, ainda que inconscientemente. Para seu azar, ele ainda precisava de uma pessoa que era desse tipo. Era possível manipulá-la, mas ela continuava tentando encontrar uma saída, mesmo sem saber que estava presa. Ela em breve não seria mais necessária, claro, e Rahvin teria que decidir se a mandaria embora ou se melhor seria livrar-se dela de um jeito mais definitivo. As duas opções representavam perigo. Nada que pudesse ameaçá-lo, claro, mas ele era um homem cuidadoso e meticuloso. Se ignorados, pequenos perigos encontravam um jeito de crescer, e ele sempre escolhia os riscos com uma pitada de prudência. Matá-la ou mantê-la?

O cessar do discurso da mulher o fez abandonar seus devaneios.

— Quando sair daqui — disse a ela —, você não vai se lembrar de nada desta visita, apenas de ter feito sua habitual caminhada matinal. — Ela concordou, ávida por agradá-lo, e Rahvin afrouxou os fios de Espírito para que evaporassem da mente da mulher tão logo ela pusesse os pés na rua. O uso repetido da compulsão facilitava a obediência, mesmo quando não estava sendo usada. Porém, enquanto estivesse, sempre havia o perigo de ser detectada.

Feito isso, Rahvin também libertou a mente de Elegar. Lorde Elegar. Um nobre menor, mas fiel a seus juramentos. O sujeito lambeu nervosamente os lábios finos, olhou para a mulher com nervosismo e se ajoelhou prontamente diante de Rahvin. Os Amigos da Escuridão — que atualmente se chamavam Amigos das Trevas — tinham começado a perceber que precisariam se manter rigorosamente fiéis aos juramentos, agora que Rahvin e os demais tinham sido libertados.

— Leve-a até a rua pelos fundos — orientou Rahvin — e deixe-a lá. Ela não deve ser vista.

— Como desejar, Grande Mestre — respondeu Elegar, fazendo uma reverência ainda de joelhos. Ao se levantar, deixou a presença de Rahvin com uma mesura, puxando a mulher pelo braço. Ela o acompanhou docilmente, claro, com os olhos ainda perdidos. Elegar não perguntaria nada a ela. Era esperto o bastante para estar bem ciente de que havia coisas que não desejava descobrir.

— Um de seus belos brinquedinhos? — perguntou uma voz feminina atrás dele, enquanto a porta entalhada se fechava. — Agora é assim que você as veste?

Agarrando saidin, ele se preencheu do Poder, e mácula da metade masculina da Fonte Verdadeira foi barrada pela proteção de seus laços e juramentos, os elos com o que Rahvin julgava ser um poder maior que a Luz ou até o Criador.

No meio da câmara, um portal se projetava acima do carpete vermelho e dourado, uma abertura para algum outro lugar. Rahvin teve um vislumbre de uma câmara em que tapeçarias de seda branca cobriam as paredes, até ela se esvanecer, deixando apenas uma mulher de vestido branco e cinto de prata trançada. O suave formigamento na pele dele, como um leve arrepio, foi o único aviso de que a mulher canalizara. Alta e esguia, era tão bonita quanto ele, com olhos escuros que pareciam poços sem fundo, e um cabelo que caía sobre os ombros em perfeitas ondas negras, enfeitado com estrelas e luas crescentes prateadas. A maioria dos homens ficaria com a boca seca de tanto desejo.

— O que você pretende aparecendo assim do nada, Lanfear? — perguntou Rahvin, áspero, sem largar o Poder. Em vez disso, preparou várias surpresinhas maldosas, caso precisasse delas. — Se quiser falar comigo, mande um emissário que eu decidirei quando, onde, e se irei.

Lanfear abriu seu sorriso doce e traiçoeiro.

— Você sempre foi um patife, Rahvin, mas nem sempre foi tolo. Aquela mulher é Aes Sedai. E se sentirem falta dela? Também vai enviar arautos para anunciar onde está?

— Canalizar? — caçoou ele. — Ela sequer é forte o bastante para andar por aí sozinha. Chamam essas crianças destreinadas de Aes Sedai quando metade do que sabem são truques de autodidatas e a outra metade não passa de meras superficialidades?

— Você continuaria sendo tão complacente se treze dessas crianças destreinadas formassem um círculo ao seu redor? — O escárnio frio na voz dela o apunhalou, mas Rahvin não deixou transparecer.

— Tomo minhas precauções, Lanfear. Ela não é uma de meus “belos brinquedinhos”, como você colocou, e sim a espiã da Torre aqui. Só que agora relata exatamente o que eu quero, e fica ávida para fazê-lo. Os que servem aos Escolhidos na Torre me disseram exatamente onde encontrá-la. — Não tardaria a chegar o dia em que o mundo renunciaria ao nome “Abandonados” e se ajoelharia perante os Escolhidos. Isso fora prometido, muito tempo atrás. — Por que veio até aqui, Lanfear? Certamente não foi para ajudar mulheres indefesas.

Ela apenas deu de ombros.

— No que me cabe, você pode se divertir o quanto quiser com seus brinquedos. Quando o assunto é hospitalidade, Rahvin, você oferece muito pouco, então me perdoe, mas…

Um jarro de prata ergueu-se em uma mesinha ao lado da cama de Rahvin e se inclinou para servir um vinho escuro em um cálice com detalhes em ouro. Quando o jarro voltou à posição inicial, o cálice flutuou até a mão de Lanfear. Rahvin não sentiu nada além de um leve formigamento, claro, e não viu fluxos sendo urdidos. Ele nunca gostara daquilo. Que Lanfear também não fosse capaz de ver os fluxos que Rahvin urdia não chegava perto de restaurar o equilíbrio.

— Por quê? — perguntou ele mais uma vez.

Ela bebericou calmamente antes de responder.

— Como você evita o restante de nós, alguns Escolhidos virão até aqui. Só vim na frente para que você soubesse que não se trata de um ataque.

— Os outros? Vocês estão planejando alguma coisa? Que necessidade eu tenho de saber dos planos alheios? — De repente, Rahvin deu uma gargalhada, profunda e grave. — Então não se trata de um ataque, certo? Vocês nunca foram mesmo de atacar abertamente, não é? Talvez não tanto quanto Moghedien, mas vocês sempre preferiram atacar pelos flancos ou pelas costas. Vou confiar em você desta vez, o suficiente para escutá-la, contanto que fique sob minha vigilância. — Qualquer um que confiasse em Lanfear longe dos olhos merecia a faca que provavelmente encontraria cravada nas costas. Não que ela fosse muito mais confiável sob vigilância, já que, na melhor das hipóteses, seu temperamento era inconstante. — Quem mais supostamente faz parte disso?

Desta vez, Rahvin teve um aviso mais claro — era obra de outro homem — quando outro portal se abriu, exibindo arcos de mármore que davam para amplas varandas de pedra, com gaivotas grasnando em um céu azul sem nuvens. Por fim, um homem surgiu e atravessou o portal, a passagem se fechando atrás dele.

Sólido e compacto, Sammael parecia maior do que de fato era. Seus passos eram rápidos e ágeis, e seus modos, abruptos. Com olhos azuis, cabelos dourados e uma bela barba em formato quadrado, sua aparência talvez estivesse acima da média, não fosse pela cicatriz oblíqua, como se um ferro em brasa tivesse sido arrastado por seu rosto, desde o cabelo até a mandíbula. Poderia tê-la removido assim que fora feita, muitos anos antes, mas preferira mantê-la.

Ligado a saidin tanto quanto Rahvin — àquela distância, Rahvin podia sentir de leve a ligação do outro —, Sammael o encarava com cautela.

— Estava esperando serviçais e dançarinas, Rahvin. Será que finalmente se cansou do seu esporte favorito, após todos estes anos?

Lanfear riu suavemente enquanto bebia o vinho.

— Alguém mencionou algum esporte?

Rahvin sequer percebera a abertura de um terceiro portal, exibindo um amplo salão cheio de piscinas e colunas caneladas, com acrobatas seminuas e criadas usando ainda menos pano. Estranhamente, um velhote magrelo de casaco amarrotado estava sentado parecendo desconsolado em meio aos artistas. Duas serviçais trajando peças tênues de quase roupa nenhuma, um homem musculoso carregando uma bandeja de ouro fundido, e uma moça bela e voluptuosa servindo vinho de uma botija de cristal em um cálice combinando sobre a bandeja seguiram a recém-chegada antes de a abertura desaparecer.

Na presença de qualquer outra, exceto Lanfear, Graendal seria vista como uma mulher estonteante, luxuriante e madura. Usava um vestido curto de seda verde. Um rubi do tamanho de um ovo de galinha aninhava-se entre os seios, e uma pequena coroa cravejada de mais rubis repousava sobre os longos cabelos dourados. Perto de Lanfear, ela era apenas bonitinha e roliça. Se a comparação inevitável a incomodava, o sorriso divertido não dava sinais.

Braceletes de ouro chacoalharam quando ela acenou para trás com a mão cheia de anéis. A serviçal, com um sorriso bajulador igualzinho ao do colega, se apressou em pôr o cálice ao alcance de Graendal, que mal percebeu.

— Que tal? — começou, animada. — Praticamente metade dos Escolhidos restantes em um único lugar. E ninguém tentando matar ninguém. Quem poderia imaginar uma coisa dessas antes do retorno do Grande Senhor das Trevas? Ishamael até conseguiu nos manter longe do pescoço uns dos outros por algum tempo, mas isto…

— Você sempre fala assim tão abertamente na frente de seus serviçais? — perguntou Sammael com uma careta.

Graendal piscou e voltou o olhar para os dois, como se tivesse se esquecido deles.

— Eles não abrem a boca fora de hora. Os dois me idolatram. Não é? — Ambos se ajoelharam, demonstrando o amor intenso que sentiam por ela. E era verdadeiro. Eles de fato a amavam. Naquele momento. Um instante depois, Graendal franziu a testa de leve, e os serviçais ficaram paralisados, com as bocas abertas, como que interrompidos no meio de uma palavra. — Eles vão continuar aqui, mas não vão incomodar vocês, não é?

Rahvin balançou a cabeça e se perguntou quem eram aqueles dois, ou quem haviam sido. Beleza física não bastava para os serviçais de Graendal, que também precisavam ter poder ou prestígio: um antigo lorde como lacaio, uma lady para lhe dar banho. Era assim que ela gostava. Permitir-se certos luxos era uma coisa, mas Graendal era esbanjadora. A dupla até podia ter alguma utilidade, caso fosse manipulada de forma adequada, mas o nível de compulsão que Graendal utilizava certamente só os deixava aptos para pouco mais que mera decoração. Aquela mulher não tinha sofisticação.

— Eu deveria esperar por mais alguém, Lanfear? — grunhiu Rahvin. — Você convenceu Demandred a parar de pensar que é herdeiro do Grande Senhor?

— Duvido que a arrogância dele chegue a esse ponto — retrucou Lanfear, tranquila. — Demandred sabe aonde isso levou Ishamael. E essa é a questão levantada por Graendal. Éramos treze, imortais. Agora, quatro estão mortos e um nos traiu. Só nós quatro estamos reunidos aqui hoje, e já é o bastante.

— Tem certeza de que Asmodean mudou de lado? — questionou Sammael. — Ele nunca teve coragem de tentar. Onde buscou forças para abraçar uma causa perdida?

Lanfear deu um breve sorriso, divertido.

— Ele teve a coragem de fazer uma emboscada que pensou que o colocaria acima de nós. Mas, quando a escolha passou a ser a morte ou uma causa perdida, ele precisou de pouquíssima coragem para fazer sua opção.

— E de pouco tempo, aposto. — A cicatriz tornava o sorriso de Sammael ainda mais incisivo. — Se estava tão perto a ponto de saber tudo isso, por que não o matou? Você poderia ter acabado com a vida dele antes que Asmodean se desse conta de sua presença.

— Não sou tão rápida em matar quanto você. É um último recurso, sem volta, e quase sempre existem alternativas mais interessantes. Além disso, para explicar em termos que você entenda, eu não queria desencadear um ataque frontal contra forças superiores.

— Ele é mesmo forte assim? — perguntou Rahvin calmamente. — Esse tal Rand al’Thor, cara a cara, poderia ter derrotado você?

Não que ele ou mesmo Sammael não pudessem derrotá-la, se fosse o caso, ainda que Graendal provavelmente se unisse a Lanfear na hipótese de um dos dois tentarem. Naquele exato instante, inclusive, as duas mulheres deviam estar tomadas de Poder, prontas para atacar à mínima suspeita de um dos dois, ou de ambos. Mas aquele moleque fazendeiro? Um pastor destreinado! Destreinado, a menos que Asmodean estivesse cuidando disso.

— Ele é Lews Therin Telamon renascido — afirmou Lanfear, com a mesma calma —, e Lews Therin era tão forte quanto qualquer um de nós.

Sammael esfregou a cicatriz no rosto, distraidamente. Fora Lews Therin quem lhe impusera aquela marca. Acontecera havia mais de três mil anos, muito antes da Ruptura do Mundo e da prisão do Grande Senhor, antes de muita coisa, mas Sammael jamais se esquecera.

— Bem — Graendal assumiu a palavra —, será que finalmente chegamos à questão que viemos discutir?

Rahvin se sobressaltou, desgostoso. Os dois serviçais ainda estavam imó- veis — ou melhor dizendo, de novo. Sammael resmungava com seus botões.

— Se Rand al’Thor é de fato Lews Therin Telamon renascido — continuou Graendal, sentando-se nas costas do serviçal, agora de quatro no chão —, estou surpresa por você ainda não ter tentado arrastá-lo para a cama, Lanfear. Ou será que não é tão fácil? Acho que me lembro de ver você comendo na mão de Lews Therin, e não o contrário. Ele abafava seus chiliques. Fazia você servir o vinho dele, coisas do tipo. — Graendal depositou o cálice na bandeja, agora carregada com rigidez pela mulher apoiada em um joelho. — Você era tão obcecada por aquele homem que era capaz de se estender aos pés dele, se Lews pedisse por um tapete.

Os olhos escuros de Lanfear brilharam por alguns instantes, até ela recuperar o controle.

— Ele pode até ser Lews Therin renascido, mas não é Lews Therin.

— Como você sabe? — provocou Graendal com um sorriso, como se tudo não passasse de uma brincadeira. — Pode até ser, como muitos acreditam, que todos nasçam e renasçam conforme a Roda gira, mas, que eu saiba, nunca aconteceu algo do tipo. Um homem específico renascendo conforme reza uma profecia? Quem pode saber o que ele é?

Lanfear respondeu com um sorriso desdenhoso.

— Eu já o observei de perto. Ele não é nada mais do que aparenta: um pastor, e ainda bastante ingênuo. — Seu escárnio se transformou em seriedade. — Mas agora ele conta com Asmodean, ainda que seja um aliado fraco. E, mesmo antes de Asmodean, quatro Escolhidos morreram em confronto com ele.

— E daí se o pastorzinho matar os novilhos — opinou Sammael, irritadiço. Ele urdiu fios de Ar para arrastar uma cadeira pelo carpete e se esparramou nela, as botas cruzadas na altura do tornozelo e um braço apoiado no espaldar baixo e entalhado. Quem acreditasse que estava relaxado seria um tolo. Sammael sempre gostara de ludibriar os inimigos, fazendo-os pensar que poderia ser apanhado de surpresa.

— Sobra mais para nós no Dia do Retorno. Ou você acha que ele poderia vencer Tarmon Gai’don, Lanfear? Mesmo que ele torne Asmodean mais forte, desta vez não terá os Cem Companheiros. Com ou sem Asmodean, o Grande Senhor fará a vida dele se apagar feito um sar-luz quebrado.

Lanfear lançou a ele um olhar carregado de desprezo.

— Quantos de nós ainda estarão vivos quando o Grande Senhor finalmente for libertado? Quatro já se foram. Será que você é o próximo na lista, Sammael? Talvez fosse até bom. Se o derrotasse, você finalmente poderia se livrar desta cicatriz. Mas não lembro… Quantas vezes você o enfrentou na Guerra do Poder? Venceu alguma? Não lembro mesmo. — Sem nenhuma pausa, Lanfear se voltou para Graendal. — Ou talvez seja você. Por algum motivo, ele reluta em machucar mulheres, mas acho que você não terá a escolha de Asmodean, já que não tem capacidade para ensinar a ele mais do que uma pedra ensinaria. A menos que ele decida mantê-la como animal de estimação. Seria uma grande mudança, não acha? Em vez de decidir qual de suas belezinhas lhe agrada mais, você poderia aprender a agradar.

O rosto de Graendal se contorceu, e Rahvin se preparou para se defender de qualquer investida que uma das duas pudesse fazer contra a outra, pronto para Viajar à menor ameaça de fogo devastador. Então sentiu Sammael acumulando Poder, e sentiu algo de diferente — algo que Sammael chamaria de aproveitar uma vantagem tática —, por isso se curvou para agarrar o braço do homem. Sammael o afastou com raiva, mas o momento passara. As duas mulheres já olhavam para eles, e não uma para a outra. Nenhuma tinha como saber o que quase acontecera, mas estava claro que houvera alguma discordância entre Rahvin e Sammael, e a suspeita iluminou os olhos delas.

— Quero ouvir o que Lanfear tem a dizer. — Rahvin não olhava para Sammael, mas se dirigia a ele. — Deve ter mais aí do que uma tentativa tola de nos assustar.

Sammael balançou a cabeça no que poderia ter sido um gesto de concordância ou de irritação. Foi o suficiente.

— Ah, tem sim, mas um sustinho não faz mal a ninguém. — Os olhos escuros de Lanfear ainda demonstravam desconfiança, mas a voz estava mais límpida do que água parada. — Ishamael tentou controlá-lo e fracassou, tentou matá-lo, no fim, e fracassou. Mas ele tentou usar a intimidação e o medo, e Rand al’Thor é imune a intimidações.

— Ishamael era mais do que meio louco — resmungou Sammael — e menos do que meio humano.

— É isso que somos? — Graendal arqueou uma sobrancelha. — Simples humanos? Tenho certeza de que somos mais que isso. Humano é isto aqui. — Ela bateu com o dedo na bochecha da mulher ajoelhada ao seu lado. — Vão ter que criar uma nova palavra para nos descrever.

— O que quer que sejamos — interrompeu Lanfear —, podemos triunfar onde Ishamael fracassou. — Ela se inclinou ligeiramente para a frente, como se quisesse empurrar as palavras para os demais. Era raro Lanfear demonstrar tensão. Por que agora?

— Por que só nós quatro? — questionou Rahvin. Seu próximo “por que” teria que esperar.

— Para que mais? — retrucou Lanfear. — Se conseguirmos colocar o Dragão Renascido de joelhos perante o Grande Senhor no Dia do Retorno, por que dividir a honra e as recompensas além do necessário? Talvez ele até já esteja acostumado a… como foi que você disse, Sammael? Matar os novilhos.

Era o tipo de resposta que Rahvin compreendia. Não que confiasse nela, claro, ou em qualquer um dos demais, mas de ambição ele entendia. Os Escolhidos haviam tramado galgar posições entre si desde o dia em que Lews Therin os aprisionara ao selar a prisão do Grande Senhor, e haviam recomeçado assim que foram libertados. Rahvin só precisava ter certeza de que o plano de Lanfear não comprometia os dele.

— Prossiga — disse a ela.

— Primeiro, existe outra pessoa tentando controlá-lo. Talvez para matar. Suspeito de Moghedien ou Demandred. Moghedien sempre tentou agir às escondidas, e Demandred sempre odiou Lews Therin. — Sammael sorriu, ou talvez tenha sido uma careta, mas seu ódio empalidecia diante do ódio de Demandred, ainda que fosse por uma causa maior.

— Como pode saber que não é um dos que estão aqui? — indagou Graendal, casualmente.

O sorriso de Lanfear expôs tantos dentes quanto o da outra mulher, e a mesma frieza.

— Porque vocês três preferem construir os próprios nichos e garantir seu poder, enquanto o resto vive se enfrentando. E por outros motivos. Eu disse que vigio Rand al’Thor de perto.

O que ela dissera sobre os três era verdade. O próprio Rahvin preferia a diplomacia e a manipulação ao conflito aberto, embora não se esquivasse da luta, caso fosse necessária. Sammael sempre escolhera exércitos e conquistas, e jamais chegaria perto de Lews Therin, mesmo renascido como um pastor, até ter certeza da vitória. Graendal também almejava conquistas, apesar de seus métodos não envolverem soldados. Como se preocupava demais com seus brinquedos, se movia devagar e com cautela. Agia abertamente, até porque os Escolhidos apreciavam isso, mas nunca dava um passo maior do que a perna.

— Vocês sabem que posso ficar de olho nele sem ser vista — continuou Lanfear —, mas os três precisam ficar longe, ou correm o risco de ser detectados. Precisamos atraí-lo de volta…

Graendal inclinou-se para a frente, interessada, e Sammael começou a balan- çar a cabeça em concordância à medida que Lanfear prosseguia. Rahvin escondeu sua opinião. Talvez o plano funcionasse. Se não… Se não, ele via várias maneiras de moldar os acontecimentos em seu proveito. Sim, aquilo poderia funcionar muito bem.”

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teste“A Roda do Tempo” está de volta

“Com sua chegada, renascem os temidos fogos. As colinas ardem em chamas, e a terra se reduz a cinzas. As investidas dos homens minguam, e as horas se tornam exíguas. Transpassa-se a muralha, e ergue-se o véu da divisão. Tempestades ressoam além do horizonte, e as chamas do paraíso purgam a terra. Não há salvação sem destruição, não há esperança deste lado da morte.”

(Fragmento de As Profecias do Dragão, tradução atribuída a N’Delia Basolaine, Criada-chefe e espadachim de Raidhen de Hoi Cuchone, aproximadamente 400 DR)

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Fãs da épica saga de Robert Jordan, é hora de comemorar! Além do anúncio de que os direitos de uma série inspirada em A Roda do Tempo, o quinto livro da série será lançado no dia 15 de agosto!

Em As Chamas do Paraíso, depois de uma perigosa jornada ao Deserto Aiel, Rand al’Thor se consagrou como Aquele Que Vem Com a Aurora, conforme profetizado por seu novo povo. Ter um exército de homens e mulheres extremamente hábeis na batalha deveria ser uma vantagem, mas, conforme se apega aos novos aliados, o Car’a’carn, chefe dos chefes, se sente cada vez mais vulnerável às tramas de seus inimigos.

Enquanto isso, Nynaeve e Elayne perdem aliadas importantes e ganham uma poderosa inimiga. Após a expulsão de Siuan Sanche da Torre Branca, as duas Aceitas devem tentar encontrar as poucas Aes Sedai que continuam fiéis a sua causa. Porém, Moghedien está à espreita, determinada a capturar Nynaeve em sua teia.

Lançados originalmente entre 1990 e 2013, os 14 volumes da série A Roda do Tempo compõem um elaborado universo fantástico, só comparável ao da obra de J.R.R. Tolkien.

teste4 séries para um Dia da Toalha incrível

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Duas semanas após o falecimento de Douglas Adams, autor de O guia do mochileiro das galáxias, fãs da aclamada série de livros propuseram uma data para celebrar seu autor. No espírito da saga, decidiram que 25 de maio seria chamado de Dia da Toalha, já que no guia é explicado o papel fundamental das toalhas para a sobrevivência de um mochileiro.

Ao longo dos anos, a data foi se tornando cada vez mais relevante e, graças a uma coincidência digna de um Gerador de Improbabilidade Infinita (entendedores entenderão), marca também o aniversário da estreia de Uma nova esperança, primeiro dos filmes da série Star Wars. Com isso, a data passou a agregar toda e qualquer celebração nerd, e, para aproveitar o espírito da ocasião, separamos quatro séries que nossos leitores mais nerds precisam conhecer.

Silo

No futuro, em que poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste em um gigantesco silo subterrâneo. Mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. Aqueles que ousam sonhar e ter esperanças são condenados a uma punição simples e eficiente: serem levados para o lado de fora, onde a paisagem destruída se tornou hostil. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

O terceiro livro da série Silo será lançado no segundo semestre de 2016!

A Roda do Tempo

A ideia de ler 14 livros de 800 páginas em média pode espantar o menos astuto dos leitores, mas, apesar de longa, a história é bem construída e acompanha diversas fases da vida de personagens em um épico de fantasia medieval.

Ambientada em um universo em que o tempo se desenvolve através de ciclos, a série acompanha o jovem Rand al’Thor, que é obrigado a abandonar sua vida pacata para fugir de um ataque de bestas. A partir daí, Rand descobre mais sobre a lenda do Dragão Renascido — aquele que poderá salvar ou destruir o mundo — e sobre como fazer parte dessa história.

Além do quinto livro, anunciado para o segundo semestre de 2016, os leitores têm mais o que aguardar ansiosos: a viúva do autor Robert Jordan anunciou que os direitos de produção de uma série inspirada em A Roda do Tempo foram adquiridos por uma produtora.

Magnus Chase e os deuses de Asgard

O mais nerd dos semideuses de Rick Riordan, Magnus Chase é fã inveterado de Doctor Who e, durante o período em que viveu na rua, invadia bibliotecas para poder acessar a internet e ler diversos livros. Além de seus gostos peculiares, a série mostra como até mesmo deuses nórdicos podem ser viciados em séries e Netflix. Mais nerd que isso, impossível.

O segundo volume será lançado ainda em 2016.

Comando Sul

A próxima grande aposta cinematográfica baseada em séries de ficção científica, a trilogia Comando Sul conta a exploração de uma região inóspita do mundo conhecida apenas como Área X. Alternando pontos de vista e com elementos de horror, a série chegará aos cinemas em 2017, estrelada por Natalie Portman.

 

Para aqueles que ainda não conhecem o Snapchat da Intrínseca, tivemos um programa especial sobre as quatro séries. Para não perder as novidades, é só adicionar o perfil da editora: ed.intrinseca.

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testeA Roda do Tempo gira…

Por Marcel Tenorio*

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… e, por mais que não pareça, já se passaram quase três anos desde que a Editora Intrínseca lançou no Brasil O Olho do Mundo, primeiro volume da saga épica escrita pelo autor americano James Oliver Rigney Jr., que assinava sempre com o pseudônimo Robert Jordan.

Desde então, a base de fãs só tem aumentado. Muitos leitores antigos, apaixonados por ficção fantástica, e tantos outros iniciantes no gênero têm se rendido aos encantos do rico universo criado por Jordan e seus muitos personagens, ao mesmo tempo fantásticos e realistas.

E não haveria como ser diferente com essa série que arrebatou uma legião de fãs em diversos continentes desde o seu lançamento original, no início da década de 1990. Os livros, inclusive, já ocuparam oito vezes a primeira posição da lista dos mais vendidos do The New York Times.

Para aqueles que ainda não estão familiarizados com a série, A Roda do Tempo é composta por impressionantes catorze volumes. E quando digo impressionantes, não pense que estou exagerando. Cada um dos livros tem em média trezentas mil palavras, ou seja, cerca de setecentas, oitocentas páginas. Alguns mais, outros menos.

Tranquilamente, A Roda do Tempo é uma das melhores opções quando o assunto é desenvolver músculos de leitura. Mas não se assuste com o tamanho. De verdade! O autor possuía um ritmo e uma leveza tão agradáveis que não é incomum o relato de pessoas que devoraram algum de seus livros em dois ou três dias.

Além disso, saber que a série é composta por tantos volumes nos dá a tranquilidade de confiar que a história e os personagens daquele universo serão explorados de forma profunda. A Roda do Tempo possui um universo tão bem estruturado que, ao fechar o livro, o leitor tem a impressão de que os personagens continuam a viver dentro daquelas páginas.

Por sinal, um dos grandes atrativos das obras é a possibilidade de acompanhar os personagens principais desde uma fase inocente da juventude até a maturidade. Os livros descrevem cada dilema, cada escolha, cada responsabilidade, enfim, tudo aquilo que serviu para moldar a personalidade do personagem e o que o levou a ser quem é.

A história se passa em um universo em que, em um tempo bastante remoto, houve uma guerra tão severa entre as forças do bem e do mal que o próprio tecido do mundo foi rompido. Então, com o girar da Roda do Tempo, muitas eras se passaram e as lembranças dessa guerra se tornaram lendas e presságios entre os povos e nações.

Um desses presságios diz exatamente que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder para enfrentá-las surgirá na forma de um homem escolhido, o Dragão Renascido. Junto com ele a guerra retornará e outra vez o tecido do mundo se romperá.

Nesse cenário, a trama se desenvolve e introduz o grupo de personagens que carregará o destino do mundo em suas costas, envolvendo-se em incontáveis aventuras e estratagemas enquanto tentam descobrir qual papel o futuro lhes reserva.

Com uma história como essa, é de se imaginar que não tenham sido poucas as comparações entre a obra de Jordan e a intocável criação de Tolkien, ou mesmo, mais recentemente, ao legado de George Martin. No entanto, qualquer comparação deve ser vista com certa reserva, já cada um desses brilhantes autores produziu algo único e com identidade própria.

Sendo bastante sincero, a identidade da série A Roda do Tempo fica mais evidente em A Grande Caçada, segundo volume da saga, em que podemos perceber uma maior maturidade do autor, com mais segurança no ofício. Desse ponto em diante, a série só melhora, recompensando cada vez mais o leitor pela paciência e fidelidade.

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Caso esteja interessado em conhecer a obra de Robert Jordan e ingressar nessa longa e majestosa jornada, saiba que a Intrínseca já publicou no Brasil os quatro primeiros volumes da série e que o quinto será lançado no segundo semestre de 2016.

 

Marcel Tenorio é administrador da página A Roda do Tempo Brasil e também fanático por ficção fantástica. Adora visitar outros universos e considera cada novo livro como um convite para viver uma aventura. Na vida real ele encara o papel de advogado recém-formado em uma cidade pequena do interior de São Paulo.