testeBem-vindo 2012! Veja o que 2011 lhe reservou

Uma lista com os melhores livros publicados em 2011 nos apresenta mais do que uma retrospectiva do ano que se despede, é também um indicativo das expectativas reservadas para o próximo. Além da habitual seleção entre as obras já publicadas, escolhidas conforme a recepção do público e da crítica, as listas internacionais de final de ano são um bom termômetro para medir o impacto do que chegará por aqui. Em meio aos livros destacados por alguns dos veículos de maior prestígio em 2011, estão alguns títulos que publicaremos: The Art of Fielding, de Chad Harbach, presente nas listas do The New York Times e da Amazon; State of Wonder, de Ann Patchett, destaque na Publishers Weekly, no The Washington Post e na revista Time; In the Garden of Beasts (No jardim das feras), de Erik Larson, o 10° livro de não ficção mais vendido nos EUA e indicado na seleção da Amazon; The Night Circus (O circo da noite), de Erin Morgenstern, também entre os 10 mais da Amazon; e Inferno, de Max Hastings, presente na lista da Time.

Última retrospectiva de 2011 — Os melhores títulos publicados

Entre os 50 títulos publicados em 2011, A lebre com olhos de âmbar — relato de Edmund de Waal sobre a trajetória de sua família que tem como ponto de partida uma coleção de netsuquês (miniaturas japonesas entalhadas em madeira) — foi considerado pela crítica nacional um dos melhores livros do ano. Em meio aos personagens dessa história real está Charles Ephrussi, merchant que serviu de inspiração para Marcel Proust na criação do esteta Swann de Em busca do tempo perdido. Proust também é referência em Como Proust pode mudar sua vida, livro do filósofo Alain de Botton, reeditado em 2011, que analisa os ensinamentos presentes na obra e na correspondência do autor francês. De Botton, a propósito, esteve em novembro no país para lançar o inédito e polêmico Religião para ateus, uma defesa ao reconhecimento de conceitos religiosos como importantes aliados para mudanças culturais na sociedade contemporânea.

Grito de guerra da mãe-tigre, da sino-americana Amy Chua, também foi destaque no ano. A professora de Direito da Universidade de Yale chocou a opinião pública ao apresentar os métodos rígidos utilizados na educação das duas filhas, estudantes brilhantes. Mais um relato real, só que direto da zona de conflito, é Guerra, do jornalista Sebastian Junger. Além do livro, sua experiência de quinze meses no Afeganistão, ao lado das tropas americanas, resultou no documentário Restrepo, indicado ao Oscar. Outras disputas norte-americanas, agora nos bastidores da corrida presidencial, foram retratadas em Virada no jogo – Como Obama chegou à Casa Branca, de John Heilemann, colunista da revista NewYork, e Mark Halperin, da Time.

Entre as ficções que se sobressaíram, muitas foram — ou estão sendo — adaptadas para o cinema. É o caso da história do casal Dexter e Emma, personagens do romance Um dia, de David Nicholls, cuja versão cinematográfica estreou recentemente em circuito nacional. Precisamos falar sobre o Kevin, romance de Lionel Shriver vencedor do Prêmio Orange de 2005, entra em cartaz em 27 de janeiro, e a protagonista, Tilda Swinton, está concorrendo ao Globo de Ouro de melhor atriz. Em 2011 publicamos outro livro da autora, Dupla Falta, que explora a relação de um casal de tenistas e as consequências da competição extrema entre marido e mulher. Já a adaptação do thriller O hipnotista é dirigida pelo sueco Lasse Hallström e tem estreia prevista para este ano. No primeiro título da trilogia de Lars Kepler, a única testemunha de um massacre está traumatizada demais para falar e, na tentativa de solucionar o caso, o detetive Joona Linna recorre a um ex-hipnotista.

Em  2011 também tivemos Bienal do Livro no Rio de Janeiro, em que Alyson Noël  lançou Infinito, o sexto e último título da série Os imortais. A autora, que já vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil, embarcou em uma turnê de lançamentos pelas cidades de Brasília, Campinas, Curitiba, Salvador e São Paulo. Ainda para os jovens leitores, foram publicadas duas obras de Rick Riordan, o ex-professor de história que se transformou em fenômeno editorial. As aventuras foram O herói perdido, da série Os heróis do Olimpo, e O trono de fogo, de As crônicas dos Kane.

Fechando o ano, A parisiense – O guia de estilo de Ines de la Fressenge, de Ines de la Fressange e Sophie Gachet, tornou-se o hit do verão. No guia, que já vendeu mais de 300 mil exemplares em todo o mundo, a modelo exclusiva de Chanel nos anos 1980, atual rosto internacional da L’Oréal e ícone da elegância na França conta o que aprendeu sobre estilo e beleza durante décadas de experiência na indústria da moda.

testeFora da guerra: Sebastian Junger não cobrirá novos conflitos

Sebastian Junger e Tim Hetherington, no Afeganistão.

 

O jornalista Sebastian Junger, autor de Guerra e codiretor de Restrepo, não mais cobrirá a linha de frente de conflitos. De acordo com entrevista publicada pelo jornal Los Angeles Times, Junger tomou essa decisão após a morte de Tim Hetherington, seu amigo e fotojornalista que o acompanhou ao Afeganistão para as filmagens de Restrepo, ocorrida em abril, na Líbia, durante a cobertura dos combates entre as tropas de Muammar Kadafi e oposicionistas.

 

“A morte de Tim fez com que a cobertura de guerra se revelasse um esforço egoísta”, disse Junger que, casado há seis anos, pretende ter filhos em breve. No entanto, a despeito de sua decisão de afastar-se do front, Junger acredita que a guerra, com sua violência e sua inerente luta pela sobrevivência, para além do interesse jornalístico, constitui uma das narrativas mais fortes, importantes e cativantes do imaginário humano. “Isso é o cérebro masculino, isso é a sociedade humana em vários sentidos”, diz o autor.

 

Com uma prosa vigorosa e nervosa, em Guerra prevalece o aspecto humano e os sentimentos catalisados pelo conflito: o medo, a honra e a confiança desenvolvida entre os soldados. Não à toa, o relato tem sido comparado pela crítica às obras cânones do jornalismo literário, como Despachos do Front, de Michael Herr — retratando a guerra do Vietnã —, e às reflexões de Ernest Hemingway e George Orwell a respeito da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Civil Espanhola.

 

Sobre Tim Hetherington, Junger afirma ainda que foi o amigo quem “abriu seus olhos” para a complexidade da experiência visual. Assim, quando organizava o material para o livro, o parâmetro adotado foi a possível forma que Tim usaria para ordenar as informações, de maneira não linear, porém com estruturas mais profundas, capazes de refletir a experiência humana. Empregando esse conceito, o autor separou Guerra em três partes: “Medo”, que aborda as emoções primárias e toda a fragilidade que sobressaem do conflito; “Matança”, que descreve as táticas militares, o jogo político a da sedução da alta tecnologia bélica; e, a terceira e última parte, “Amor”, que explora as relações de afeto e lealdade desenvolvidas entre os soldados, que vão muito além de qualquer ideologia.

 

Durante quinze meses, Sebastian Junger e Tim Hetherington conviveram com um pelotão de infantaria do exército dos Estados Unidos, baseado no vale Korengal, uma remota área do leste do Afeganistão. Das cinco viagens à região, feitas entre junho de 2007 e junho de 2008 resultaram o documentário Restrepo (codirigido por Hetherington), vencedor do Grand Jury Prize do festival de Sundance e indicado ao Oscar de melhor documentário de 2010, e o livro Guerra de Junger, publicado pela Intrínseca em junho.

 

Fonte: Los Angeles Times