testeRedes antissociais

O filósofo digital Jaron Lanier explica porque as mídias sociais se tornaram um parasita que tomou conta de seu hospedeiro – a própria internet.

Por Alexandre Matias*

Se os tempos parecem deprimentes, a vida, inútil, as perspectivas, péssimas, e o fim, iminente, o cientista da computação e filósofo digital Jaron Lanier tem a resposta exata para essa perturbação sem fim: as redes sociais. Um dos pioneiros da realidade virtual e um dos principais críticos da produtização do usuário na internet por meio do uso gratuito de serviços cujos termos de uso todos concordamos sem ler, Lanier entende que a busca por atenção que movimenta financeiramente todos os sites da chamada web 2.0 pode, de fato, destruir a sociedade como a conhecemos.

Autor de livros como Gadget: Você não é um aplicativo!, de 2010, e Who Owns the Future? (Quem é o dono do futuro?), de 2013, ele agora lança Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais, cujo título resume suas intenções. E se o alerta urgente não o deixa cabreiro, talvez o título de alguns capítulos o façam: “Você está perdendo seu livre-arbítrio”, “As redes sociais estão tornando você um babaca” e “As redes sociais deixam você infeliz”. Tudo é bem argumentado e defendido por Lanier, que entende os serviços on-line como a forma mais avançada de vício digital, comparada a um parasita que toma conta de seu hospedeiro. Veja mais na entrevista feita com exclusividade para a Intrínseca.

Antes de falarmos sobre seu livro, queria que você comentasse a influência das redes sociais nas eleições brasileiras.

Jaron Lanier – Isso tem acontecido em todo o mundo. Estamos vendo a ascensão de candidatos descritos como populistas de direita ou como novos fascistas, mas não considero essa uma descrição adequada. Acho que o melhor jeito de descrever esses candidatos é tratá-los como pessoas apoiadas por pessoas mal-humoradas, paranoicas, irritáveis, invejosas, nervosas e de personalidade insegura que estão associadas às mídias sociais modernas.

Vemos essas pessoas ganhando poder no mundo inteiro, em países bem diferentes uns dos outros. Podemos arrumar todo o tipo de explicação para o que está acontecendo no Brasil, mas o Brasil é muito diferente, em vários aspectos, dos Estados Unidos, que por sua vez é diferente da Suécia, que é diferente da Hungria. Mas o que estes países têm em comum é o novo problema tecnológico. Acredito que entramos em uma corrida para ver se conseguimos mudar os padrões das tecnologias on-line antes que elas destruam a nossa sociedade.

No passado, era possível dizer que a ascensão de um fascista ou de um populista talvez tivesse relação com a situação do país, talvez fosse resultado de uma guerra ou de um terrível problema econômico. Por exemplo, podemos dizer que a Alemanha dos anos 1930 tinha um sério problema econômico, como a hiperinflação. Mas, quando vemos [a ascensão de fascistas] acontecendo em diferentes lugares, isso significa que não diz mais respeito apenas às circunstâncias específicas desses países, mas à tecnologia. O que significa em último caso que o problema pode continuar se repetindo. E não acho que o mundo é capaz de sobreviver a isso.

Uma das coisas que sei sobre o presidente recém-eleito no Brasil é que ele poderia tornar o país o segundo no mundo, depois dos Estados Unidos, a negar completamente a mudança climática no planeta e a sair dos acordos internacionais destinados a conter o problema. Dessa forma, teríamos dois dos maiores países do mundo contribuindo para um risco que envolve não apenas a civilização, mas toda a espécie. É extremamente sério. Estive no Brasil há pouco tempo, conversei com alguns jornalistas brasileiros e muitos deles acreditavam que o problema não era só o WhatsApp, mas que era necessário regular melhor o Facebook e o Twitter. O problema é que essas tecnologias são tão sorrateiras que as pessoas não percebem ou acham muito difícil perceber que estão sendo manipuladas, não notam como a sociedade está sendo envenenada. É realmente muito sério.

 

Mas como sair das redes sociais uma vez que elas entraram de vez em nossas vidas?

Jaron Lanier – Escrevi esse livro pensando no contexto norte-americano — e em algum nível no contexto europeu. O contexto brasileiro é muito diferente porque, em muitos casos, as pessoas são viciadas no WhatsApp. Ele praticamente monopoliza a atenção de muitas pessoas. E eu reconheço essas diferenças. Mas acho que há coisas que precisam ser ditas. Primeiro, mesmo nos Estados Unidos ou na Europa, fazer com que as pessoas saiam dessas plataformas de uma vez só é impossível. Mas, quando lidamos com esse vício em massa, um bom começo seria fazer com que algumas pessoas, e depois mais pessoas, começassem a se reconhecer como viciadas.

É consenso a diminuição dos espaços para fumantes em todo o mundo, mesmo que o cigarro seja um produto altamente viciante que gera muito dinheiro para algumas empresas. O aumento de regulação dos espaços reservados a fumantes e da propaganda de cigarro aconteceu porque houve um número suficientemente grande de pessoas viciadas em nicotina que se dispôs a conversar sobre isso e ser racional. Então as coisas começaram a mudar: é possível ser cool sem ter um cigarro na boca, é possível ser criativo sem ter um cigarro na boca. Da mesma forma, precisamos ter um número grande de pessoas que queira abandonar o vício nas redes sociais para podermos falar sobre ele.

No caso do Brasil, me parece que a situação é um pouco diferente, porque, no geral, não há alternativas. Nos Estados Unidos é possível mandar mensagens de texto de um telefone para outro sem pagar, ou seja, você consegue entrar em contato com outras pessoas sem necessariamente usar plataformas de empresas, e, além disso, as pessoas ainda usam muito e-mail. Mas isso não significa que os brasileiros precisam considerar isso uma falha tecnológica do país, porque é uma sabotagem: uma empresa veio de fora e fez tudo isso. É como se uma empresa de fora roubasse recursos ou fizesse algo terrível com o país.

Eu realmente não tenho uma resposta definitiva para o problema, mas, de certa forma, acredito que os brasileiros devem impedir o WhatsApp de prejudicar ainda mais o país. É possível que o Brasil volte a ser como na época da ditadura militar e depois de um tempo a população se sinta incomodada a ponto de permitir que forças democráticas e progressistas retomem o poder e tratem essa tecnologia de forma mais humana e racional, sem a manipulação, as teorias da conspiração e as mentiras. Mas, como nos Estados Unidos, e talvez de forma pior, não será fácil.

Há também o fato de as pessoas acreditarem que as rede sociais são a própria internet, que não existe internet fora desses domínios.

Jaron Lanier – É muito triste que no Brasil um aplicativo como o WhatsApp seja considerado fundamental. Claro que não é. É mais um invasor que tomou conta da internet do que a internet em si. É muito fácil ter algo similar ao WhatsApp que não venha com toda a manipulação, todo o veneno. Um outro aplicativo poderia existir — e por si só, não ser algo ruim —, só não existe porque as corporações tomaram conta da internet. Todas as coisas boas do WhatsApp — a possibilidade de mandar mensagens, por exemplo — podem ser alcançadas, tecnologicamente falando, sem a necessidade de que haja manipulação. Isso é um plug-in criado por essas empresas, não tem nenhum motivo de estar lá.

 

Podemos dizer que o Facebook é a pior rede social por ser a mais presente?

Jaron Lanier – Por enquanto me parece que as redes sociais que são propriedades do Facebook, enquanto corporação, são as que fazem mais mal ao mundo, em particular Instagram, Messenger, WhatsApp e o próprio Facebook. O Facebook propriamente dito talvez tenha mais influência nos Estados Unidos, enquanto Instagram, WhatsApp e Messenger são piores no resto do mundo. As redes sociais do Google, como o YouTube, também têm sido problemáticas de certa forma. Não sei se faz sentido dizer qual delas é a pior, pois todas usam o mesmo plano de negócios corrupto e horrível e funcionam mais ou menos da mesma forma. Todas precisam mudar.

 

Você vê alguma possibilidade de o Facebook ser ultrapassado, como aconteceu no passado com outras redes sociais?

Jaron Lanier – Acho difícil, porque essas antigas redes sociais, como Friendster e MySpace, pertenceram a outro tempo, um em que menos gente tinha acesso a internet e se vivia menos tempo conectado; e as pessoas não estavam tão presas a essas redes. O Facebook tem sido muito paranoico e preocupado com a possibilidade de que outras redes tomem seu lugar, por isso a corporação comprou empresas novas, que já tivessem algum poder, ou tentou destruir quem pudesse crescer. Como sabemos, WhatsApp e Instagram foram compradas exatamente por medo de que alguma delas chegasse a ter um momentum. Não foram muitas empresas que conseguiram aproveitar o embalo de crescimento e se dar bem, e é até surpreendente que agências reguladoras tenham permitido que isso acontecesse. É claro que ainda há outras empresas por aí, como o Twitter, mas elas são muito pequenas e vulneráveis.

Um dos criadores do The Pirate Bay, Peter Sunde, escreveu artigos dizendo que a guerra da internet foi perdida e que as corporações venceram. O que você acha disso?

Jaron Lanier – Li vários comentários e análises recentes que chegavam a essas conclusões derrotistas. “Nós perdemos”, “não há nada mais a ser feito”, “agora vai ser sempre assim ou pior”, “não conseguimos fazer mais nada”, “acabou”. Talvez isso seja verdade, mas acho que sou um maluco e não acredito que seja hora de dizer isso. Insisto em trabalhar continuamente em alternativas, continuo a acreditar que encontraremos uma saída e que vale a pena imaginar soluções melhores e inventar novas opções que permitam que o trabalho seja melhor. Desistir é meio que um paradoxo filosófico: se você chegar à conclusão que não vale mais a pena fazer nada, nada será feito — é uma profecia que se cumpre automaticamente.

É claro que não há garantias de que seja possível fazer isso, mas eu realmente acredito que precisamos buscar alternativas. Acho que a resposta correta tem a ver com a mudança do modelo de negócio, de forma que essas empresas não precisem negociar nossa busca por atenção.

Realmente acho que não devemos entrar em pânico ou ficar desesperados, especialmente agora. Estamos entrando em uma era em que o mundo será comandado por esses caras mal-humorados e paranoicos e ela pode durar muito tempo; talvez seja uma época em que não tenhamos democracia. E a única coisa que podemos fazer de verdade por ora é tentar nos preparar para a próxima época, quando as coisas talvez melhorem. Esse é um projeto meu. É o que estamos tentando fazer aqui nos Estados Unidos e vocês precisam fazer no Brasil e os europeus na Europa. Todos temos que tentar atravessar este período e não podemos perder a fé nem nossa imaginação para encontrar o caminho para a nova era.

 

Você está escrevendo um novo livro?

Jaron Lanier – Não me decidi ainda. Queria escrever sobre instrumentos musicais. Mas estou em conflito. Se estivéssemos em outra época, mais comum, acho que eu escreveria menos sobre política e mais sobre algo de que gosto, porque acho que é importante deixar espaço para essas coisas. Ainda estou decidindo sobre isso.

 

Obrigado, Jaron, foi uma boa conversa.

Jaron Lanier – Boa sorte para vocês. Esperamos o melhor para o Brasil.

 

 

>> Leia um trecho de Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais

Alexandre Matias é jornalista e cobre cultura e tecnologia há vinte anos, com base em seu site, o Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br).

testeConectados anônimos

Ando apavorado com ladrões que invadiram minha vida. Quadrilha organizada, bem armada, treinada nas artes mais sórdidas da ilusão. Dotada de um arsenal ardiloso, de fazer inveja a qualquer gangue que já ousou cruzar meu caminho. Age nas sombras e rouba de forma sub-reptícia meus mais caros valores. Desde o instante em que abro os olhos, pela manhã, ela começa a agir, oprime e me deprime na cama por muito tempo. Medo, é o que tenho sentido.

Malditos ladrões de tempo!

Bandidos qualificados, nos becos escuros, como “redes sociais”. Patifes que têm se apropriado de conversas saudáveis durante cafés da manhã. Vigaristas que têm ocultado o prazer de dirigir olhando a paisagem. Meliantes que vêm bloqueando os outrora impagáveis momentos em família. Traficantes de ideias prontas e rasas, que oferecem seus produtos a incautos e não poupam nem sequer criancinhas inocentes e indefesas. O que será dessa geração de viciados, meu Deus?

A tática de oferecer o produto em doses cavalares, sem que tenhamos tempo para digerir a droga, ou vontade de trocá-la por algo não nocivo, é avassaladora. Um dia quase impensável sem usá-la, e então todo o carregamento já estará ali, novamente à mão, para que não precisemos passar por outras indesejáveis crises de abstinência. A prova de minha dependência: se esqueço o celular em casa, é delirium tremens na certa. Desculpas para voltar não faltam.

Para sair dessa, entretanto, não cabe recorrer a ninguém, senão a mim mesmo. Por isso, fiz uma adaptação do programa dos doze passos para todas as pessoas que, como eu, são conectados anônimos:

  1. Admito que sou impotente perante o WhatsApp.
  2. Acredito que um poder superior a mim vai me livrar do Facebook.
  3. Não vou entregar minha vontade aos cuidados do Messenger.
  4. Farei minucioso e destemido inventário dos livros na minha estante e vou ler todos que comprei e não li.
  5. Admitirei a natureza das minhas falhas e não mais navegarei por sites de notícia quando for hora de escrever uma história.
  6. Voltarei a entender que um filme no cinema é mais prazeroso do que no Netflix.
  7. Humildemente, postarei no Instagram fotos imperfeitas e sem tratamento.
  8. Farei uma relação de todas as pessoas que bloqueei nas redes e as encontrarei pessoalmente para um chope.
  9. Não perderei mais preciosos minutos bolando a frase de efeito demolidora em 140 caracteres no Twitter.
  10. Voltarei a escutar grandes músicas, deitado numa rede, sem precisar assistir ao clipe no YouTube ou procurar a letra no Vagalume.
  11. Por meio da meditação, não vou registrar cada passo meu no Snapchat.
  12. Após experimentar um despertar espiritual, graças a esses passos, procurarei transmitir essa mensagem aos conectados anônimos e praticar esses princípios em todas as minhas atividades.

Só por hoje.

testeAutômatos do teclado

CHRIS GASH_leticia

Gosto das redes sociais, mas com moderação. Encontro leitores, acompanho amigos e digo umas bobagenzinhas aqui e ali. Quando publico meus textos de sexta-feira no Facebook, a interação é muito divertida.

Tomo cuidado, no entanto. Para um escritor, redes sociais são uma janela para a distração. Escrevo sempre com todos os aplicativos fechados — a única coisa que passeia por aqui nas horas vespertinas é minha imaginação (às vezes, às turras). Mas confesso que, de vez em quando, dou um rasante pelo Facebook para arejar as ideias. Tem horas que é bom, tem horas que é chato. Há coisas que se repetem de maneira curiosa (calma, não vou falar em dicotomias políticas) — e uma delas é o fato de que as pessoas andam falando de si de forma muito parecida.

Estou generalizando, claro, e, como toda generalização, sendo um pouco injusta. Mas reparem a repetição de certas expressões como partiu, bora, arrasou, amor maior, poderosa. Foto de filho: amor maior. Elogio: arrasou. Está bonita? Poderosa. Argh. A língua portuguesa é tão gigantesca, desdobrável, adorável, venturosa e fascinante! Porém, as pessoas preferem os clichês que se repetem feito praga.

Não falo das vírgulas erradas nem da sintaxe — quem faz isso, faz porque não sabe, afinal ninguém gosta de errar à toa. Não é elegante, mas é compreensível. Agora, a repetição dos clichês das redes sociais… Por quê, hein? As palavras são tão bonitas! Sua grandiosidade, sua poesia, sua sonoridade… Como frutas maduras esperando que a gente as prove, as palavras se oferecem — e a turma lá: banana, banana, banana. Autômatos do teclado, com suas expressões pasteurizadas que não transmitem mais emoção.

Com tanta Adélia Prado, Manoel de Barros, Drummond, Bandeira, Camões, Pessoa… Com tantas Cecílias e Sophias e Vinícius e Mários e Joões… Vamos ressuscitar a poesia nas nossas vidas! Estão todos atrás de um filtro novo para as fotos, mas nunca de uma palavra mais bela para as frases ou uma frase mais inusitada para as lembranças. Seguem dizendo tudo igual — só troca a boca —, do mesmo jeito, de curinga em curinga, de clichê em clichê, e a língua portuguesa aqui, suspirando de tédio porque ninguém nunca a tira para dançar.

Neruda escreveu: “Sim, Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam… Prosterno-me diante delas… Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as… Amo tanto as palavras… As inesperadas… As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem… Vocábulos amados… Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho…”

testeComo o Facebook virou um mundo de radicais

Uma carta aos amigos que discutem pelas redes sociais

Qualquer um que seja adepto do Facebook ou de outra rede social já deve ter notado como o radicalismo tem imperado nesses ambientes. Virou moda reclamar dos extremistas, mesmo quando, para se queixar, se apela ao outro extremo. Algo como: “Esses fundamentalistas de esquerda/direita são uns bárbaros, por isso merecem ser açoitados pelo meu grupo de direita/esquerda, que tem a visão correta de tudo que existe.”

A ponderação, o velho “discordo de você, mas vamos conversar e continuar a divergir, se for o caso”, não é regra. Vamos combinar: já não era muito no mundo off-line. Mas a situação ganhou novas dimensões e posicionou as pessoas em pontos opinativos ainda mais extremos com a ascensão dos megafones das redes sociais. Será culpa exclusiva delas? Só em parte. Antes de tudo, há razões bem humanas – nada virtuais – por trás disso. Vamos a duas teorias que se complementam:

1ª teoria

Há uma proliferação de indivíduos que julgam ter a resposta final para tudo quanto é assunto, sem nem se informar sobre ele. É como previa, no século passado, o escritor George Bernard Shaw (1856-1950): “Cuidado com o falso conhecimento; é mais perigoso que a ignorância.”

Um teste jocoso realizado pela NPR — a poderosa e tradicional rede de rádio pública dos Estados Unidos — faria Shaw chorar.  Em seu perfil no Facebook, hoje seguido por quase 5 milhões de pessoas, a associação provocou: Por que a América não lê mais?. E complementou: “O que isso fez com nossos cérebros?”. Nos comentários do post, surgiram pessoas indignadas, clamando: “Esse artigo é um lixo. Muito mal escrito. Péssimas fontes. Não confiável”, “Eu leio todos os dias, assim como meus amigos e familiares. Não somos a América?”. Ou, mais direto ao ponto: “É claro que lemos, NPR. Cale a boca.”

Foto coluna vilicic NPR

A provocação da piada: a publicação no Facebook dizia “Por que a América não lê mais?”; ao entrar no post (o que poucos fizeram), revelava-se um teste para verificar quem iria ler o artigo antes de comentá-lo (novamente, poucos)

Será que todo esse povo se informou antes de rebater? Certamente não clicaram no link do artigo compartilhado via Facebook, pois ele levava a um:

Parabéns, leitores genuínos, e feliz 1º de abril!

Às vezes sentimos que muita gente tem comentado nossas histórias sem lê-las. Se você está lendo isso, por favor curta nosso post, mas não comente. Vamos ver o que as pessoas têm a falar sobre esta “história”.

A brincadeira da NPR revela algo perigosíssimo. Sabe aquele amigo do Facebook que diz que Cuba é o melhor dos mundos? Desconfie. Talvez ele não tenha ido a Cuba, nem lido algo sobre o país, nem folheado O capital. E aquele outro que garante que os Estados Unidos são o império-modelo ou que as ciclovias funcionam que é uma beleza na Europa, mas não aqui? Torça a boca. Talvez ele não conheça americanos nem tenha dado uma volta de bicicleta por algum país europeu ou mesmo pela Avenida Paulista. Não que não se possa achar Cuba linda ou os Estados Unidos o máximo. Aqui não estamos julgando a opinião dos amiguinhos on-line. A pergunta é: “O que será do mundo quando pessoas só replicarem histórias, opinarem sem informação, como foi com o post da NPR?”

A primeira resposta, e mais fácil, é que esse será um mundo de radicais. Quando não admitem a própria posição desinformada — eu, por exemplo, nada conheço de cozinha (apesar de querer saber mais), por isso não opino —, ignorantes, no sentido mais literal da palavra, tendem a ser fundamentalistas, extremistas, messiânicos ou, numa clara exacerbação, fascistas.

A falta de conhecimento não gera apenas conversas chatas, repugnantes e momentos de total “vergonha alheia”. Ela cria ódio, dá luz a donos de verdades que eles nem sabem se são verdades. Com o tempo, cria um ambiente como o do Facebook do Brasil em crise: povoado de radicais de ambos os lados e no qual os que estão no centro ou assumem a própria ignorância (ouse falar algo como “Não tenho opinião formada sobre a redução do limite de velocidade nas marginais de São Paulo” e verá a reação) são tidos como idiotas. Isso no cenário mais positivo. Muitas vezes, são vistos não só como idiotas, mas como covardes, desinformados (veja só!), escória humana. Quem debate, quem se abre a ideias, agora é o asco.

2ª teoria

Aqui, propositalmente não entrarei em “tecnicices”. Vou falar do tal algoritmo do Facebook, aquele que põe ordem na sua timeline, de maneira clara, para qualquer um entender.

O que ele faz: quando você entra no Facebook, só vê uma pequena parcela do que amigos publicam. Isso porque o algoritmo peneira tudo para você. Com base em seu comportamento on-line — quais posts curtiu; de que páginas de empresas, revistas e sites gosta; com quais contatos interage mais —, escolhe o que acredita que você mais gostará de ver. Isso é útil. Melhor: é essencial para a sobrevivência de uma rede social. Não queremos, afinal, nos ver no meio de uma festa barulhenta, com tudo quanto é gente gritando nos nossos ouvidos. Preferimos papear com os amigos.

Só que há um efeito extremamente negativo. Passamos a ver no Facebook apenas opiniões similares às nossas (que curtimos) e criamos nichos de debates que parecem privados, mas que, na realidade, são públicos. Dentro desses nichos, expressamo-nos e passamos a encontrar respaldo de colegas com posições radicais, com as quais achamos que concordamos — muitas vezes nem nos informando sobre elas. Nascem os grupos extremistas, de vários lados, em oposição.

Em outro efeito do algoritmo, começam a se destacar no Facebook, na parte superior da página, os posts mais acalorados, que são curtidos, comentados (por quem é a favor ou não), compartilhados freneticamente. Isso fortifica os extremistas, felizes de serem correspondidos on-line.

Pronto, está aí o cenário de extremos desinformados.

Por que se preocupar com isso?

Sim, talvez ainda sejamos usuários verdes de redes sociais. Pode ser que daqui a algumas décadas nossos filhos e netos olhem para trás e se espantem: “Nossa, como aquela galera era louca no Facebook.” Quem sabe se voltem novamente aos debates racionais, deixando a maluquice de lado? As empresas por trás desses sites, como o Facebook, também podem evoluir. O algoritmo pode ser treinado para exibir notícias mais verdadeiras, no lugar das falsas, típicas do universo on-line; priorizar debates amenos, não os enervados; dar voz a opiniões contrárias em uma mesma timeline. Mas ainda vivemos no “talvez”.

O fato é que o mundo on-line tem ficado extremista, o que repercute na vida real. Vide a disputa entre motoristas do Uber e taxistas, da qual literalmente tem jorrado sangue e na qual qualquer um que tente raciocinar uma saída é tratado com desdém (na melhor das hipóteses) ou com ameaças verbais e físicas — principalmente, é preciso ser justo, por um dos lados da peleja. Do mesmo modo, a batalha entre os “coxinhas” e os “esquerdistas”. Há alguma racionalidade em grande parte do que se tem falado no Facebook sobre isso? Será que realmente estamos informados a ponto de tecer opiniões definitivas sobre tudo, em cima de muros digitais e protegidos pela ilusória cortina virtual?

Tenho medo de para onde caminhamos. Existe na história humana uma associação bem simplória — mas muito repugnante — entre o surgimento de grupos extremistas ignorantes, fechados em seus mundinhos, com o de ditaduras, guerras, tiranias. Também receio que surjam líderes com forte carisma, capazes de se aproveitar dos indivíduos radicais desinformados como escada para ascenderem com ideias egocêntricas. Tenho pena da “inovação” dentro desse contexto. Inovar é, por essência, criar algo novo. Como traremos novidades à mente quando nosso cérebro se vê refém de ideias únicas, constituídas previamente e fundamentalistas?

George Orwell (1903-1950), do clássico 1984 — no qual apresentou ao mundo a ideia do Big Brother —, avesso aos totalitarismos, defendia: “Se liberdade significa alguma coisa, é o direito de falar às pessoas o que elas não querem ouvir.” Na mosca! Mas tomo a liberdade de acrescentar: e de ouvir, sem repúdios violentos e tresloucados, o que o outro tem a dizer.

Será que as posições extremas nos levarão a futuros extremos, como o pintado em 1984 pelo escritor George Orwell?

 

link-externoLeia também: Como o Facebook nos transformou em leitores desatentos

testePor trás das #câmeras

Uma entrevista com Filipe Vilicic, autor de O clique de 1 bilhão de dólares

Por Bruno Capelas*

FOTO PAULO VITALE ALL RIGHTS RESERVED

Steve Jobs e Steve Wozniak fundaram a Apple dentro de uma garagem. Mark Zuckerberg criou o Facebook dentro de seu quarto na Universidade Harvard. A história recente da tecnologia é cheia de empreendedores que transformaram em realidade suas visões de mundo, como uma jornada do herói pós-moderna. Em O clique de 1 bilhão de dólares, o jornalista Filipe Vilicic adiciona uma nova história a essa prateleira ao contar a vida do brasileiro Michel, que nasceu numa família abastada de São Paulo e deixou seu país para se tornar Mike Krieger, um dos cofundadores do Instagram, rede social na qual mais de 300 milhões de pessoas compartilham fotos e vídeos de seus momentos íntimos.

Ao longo de 240 páginas, o editor de Ciência e Tecnologia da revista Veja mostra a trajetória de Mike Krieger passo por passo: dos dias de colégio na Graded, escola para poucos de São Paulo, passando pelas madrugadas incessantes trabalhando para lançar a primeira versão do Instagram, até a venda do aplicativo ao Facebook por US$ 1 bilhão na Páscoa de 2012. “A maioria das pessoas não se interessa pelas histórias do Vale do Silício. Meu desafio no livro foi tirar essas informações de um nicho e deixá-las acessíveis para qualquer leitor”, diz Vilicic, em entrevista ao blog da Intrínseca.

capa_OCliqueDeUmBilhaoDeDolares_destaque_pAo mesmo tempo que desmistifica o mundo das startups e das redes sociais, o escritor também procura relativizar a “pose de rockstars” que muitos empreendedores ostentam. “A formação e a riqueza do Mike Krieger obviamente ajudaram a trajetória dele, mas a obstinação é o maior exemplo. A palavra gênio não se aplica muito bem ao Vale do Silício”, completa.

Na entrevista a seguir, Vilicic conta como se interessou pela história de Mike Krieger e como foi escrever uma biografia sem a participação de seu principal personagem — O clique de 1 bilhão de dólares, por sinal, é um dos primeiros trabalhos publicados no país após a queda da lei que proibia biografias não autorizadas. “Acho que livros como o meu mostram como essa lei era arcaica. A história do Mike é de interesse público, porque o que ele criou impacta a vida de muita gente.”

Além disso, Filipe Vilicic comenta as mudanças que as redes sociais causaram no mundo. “Elas deixaram muito claro que a vida privada não é mais a mesma. Não adianta nada você colocar fotos do seu filho no Facebook e depois reclamar que não tem privacidade”, diz o jornalista, que acredita que a internet e as redes sociais não causaram uma grande revolução na vida moderna. “Nossa comunicação na internet é tal como era na Ágora grega. Apenas aceleramos esse processo”, diz, sem deixar de pensar nas #selfies e nas fotos de #comida.

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Leia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

Bruno Capelas: Como você chegou à história do Mike Krieger?
Filipe Vilicic: Meu primeiro contato com o Mike foi profissional. Em 2012, estava fazendo uma matéria para a Veja sobre brasileiros que se destacavam na área digital, e o Mike era um dos caras sobre quem eu precisava falar. Consegui o contato dele e, logo na primeira entrevista, percebi que tinha uma grande história. Pelo faro de jornalista, continuei ligando para ele, mesmo sem saber o que ia fazer com aquele material.

Por coincidência, a última vez que falei com o Mike naquela época foi dias antes da Semana Santa. Era uma época turbulenta: o Instagram tinha acabado de sair para Android e recusado duas ofertas de compra — uma do Twitter e outra do Facebook. Dias depois, no domingo de Páscoa, o aplicativo acabaria sendo vendido para o Facebook por US$ 1 bilhão. Depois que o WhatsApp foi vendido por US$ 19 bilhões ao Facebook, esse valor pode parecer baixo. Mas o Instagram foi a primeira grande aquisição da empresa, mesmo sendo um negócio que nunca tinha dado lucro.

Ali, percebi que tinha uma história para contar — e foi assim que a Intrínseca me procurou para saber se eu queria fazer um livro. Duas semanas depois, mostrei o projeto ao Mike, que se empolgou no início, mas logo começou a dar para trás. Fui comendo pelas beiradas, conversando com funcionários do Instagram, com amigos dele, professores, colegas de profissão. Depois de quase dois anos de pesquisa, por meio da assessoria de imprensa do Facebook, Mike acabou me dando uma resposta negativa sobre a participação dele no livro. Tem gente que acredita que é porque ele tem medo de sequestros na família, mas outros pensam que foi o Facebook que barrou o projeto. Eles não têm uma experiência muito boa com livros, né? (risos) [referência a Bilionários por acaso, de Ben Mezrich, que conta a história do Facebook, também publicado pela Intrínseca].

Capelas: Apesar da popularidade do Instagram, são poucas as pessoas que sabem que o Mike é brasileiro. Por que você acha que isso acontece?
Vilicic: Há vários motivos. O primeiro é o nome: apesar de se chamar Michel, ele adotou Mike quando se mudou para os Estados Unidos, por causa da pronúncia — Michel, em inglês, se parece muito com Michelle, que é um nome feminino. Além disso, Krieger não é um sobrenome que soa brasileiro. O segundo motivo é que a maioria das pessoas não se interessa pelas histórias do Vale do Silício. Tem muita gente que não sabe que foi um brasileiro, o Eduardo Saverin, que ajudou a fundar o Facebook. Meu desafio, no livro, foi tirar essas informações do nicho e deixá-las acessíveis para qualquer leitor. E ainda existe uma terceira razão: Mike não é o porta-voz do Instagram. Essa função cabe ao Kevin Systrom, sócio de Mike — enquanto Kevin fica com os negócios, Mike ficou com a engenharia e o design. Faz sentido. Se você olhar o perfil do Kevin no Instagram, vai ver fotos dele dando uma de DJ em festas ou retratos com outros famosos. Já o Mike publica muitas fotos de praias e do cachorro, como é de se esperar de um cara mais reservado.

Working late into the night to make Instagram even better. All we require: little heaters. It’s freezing in here!

Uma foto publicada por Kevin Systrom (@kevin) em

O brasileiro Michel e seu sócio, Kevin Systrom, no começo do Instagram

Capelas: Mike Krieger é um cara que veio de família rica, estudou em colégios caros, morou fora e fez faculdade em Stanford. Qual é o exemplo que ele pode dar para o brasileiro comum que quer empreender?
Vilicic: A formação e a riqueza do Mike Krieger obviamente ajudaram a trajetória dele. Não é qualquer um que faz faculdade em Stanford. Colocando os benefícios de lado, o exemplo é a persistência e a determinação. A palavra gênio não se aplica bem ao Vale do Silício — quem consegue fazer sua ideia dar certo é alguém obstinado. Ao se formar em Stanford, Mike teve dificuldades para conseguir o green card e ficar nos Estados Unidos. Ele poderia muito bem ter voltado para o Brasil e conseguido um emprego de alto nível, mas quis continuar no país porque acreditava que lá era o lugar onde conseguiria criar algo. Essa obstinação serve de exemplo para qualquer um, independentemente de quanto dinheiro você tenha na conta.

Capelas: Para você, quais são as principais mudanças que o Instagram causou no mundo?
Vilicic: Existe certo exagero hoje ao dizer que tudo está mudando o mundo. Concordo com Peter Thiel, cofundador do PayPal e investidor do Facebook. Para ele, a internet, as redes sociais e os aplicativos não mudam o mundo, mas aceleram algumas coisas. Acelerar o processamento e a rapidez de comunicação é algo que facilita nossa vida, mas não transforma nosso modo de ser. Por outro lado, acredito que o Instagram, bem como o Facebook e outras redes sociais, ajuda a aproximar pessoas, encurtando distâncias que, há mais de um século, já tinham sido aproximadas pelo telégrafo e pelo telefone. Acredito que um dia você poderá conversar com qualquer pessoa no planeta pelo Facebook. Além disso, o Instagram fomentou a exibição da vida privada — é só pensar nas selfies ou nas fotos de comida por todo lado. As redes sociais deixaram muito claro que a vida privada não é mais a mesma. Não adianta nada você colocar fotos do seu filho no Facebook e depois reclamar que não tem privacidade. Hoje, é preciso ter uma nova doutrina quanto à vida privada . Mas as redes sociais não são uma revolução. Nossa comunicação na internet é tal como era na Ágora grega. Apenas aceleramos esse processo.

Fotos de viagens de Vilicic pelas sedes do Facebook, Instagram e Twitter (Via @FilipeVilicic )

Fotos de viagens de Vilicic pelas sedes do Facebook, Instagram e Twitter (Via @FilipeVilicic )

Capelas: As startups são as bandas de rock de hoje em dia?
Vilicic: Sim, mais pela visão do público do que pela dos próprios membros das startups. O público vê os empreendedores como rockstars. Ainda é um nicho, porque não é todo mundo que se interessa por tecnologia e sabe o nome do Mike Krieger ou mesmo o do Mark Zuckerberg. Quer dizer: os empreendedores ainda não são roqueiros como os Beatles.

Capelas: O clique de 1 bilhão de dólares é uma das primeiras biografias não autorizadas a serem publicadas no Brasil após a decisão do Supremo Tribunal Federal. Como você se sente quanto a isso?
Vilicic: O clique seria publicado mesmo que a lei arcaica que existia no Brasil não caísse. A data já estava marcada antes da decisão do Supremo Tribunal Federal. A história do Mike é de interesse público, porque o que ele criou impacta a vida de muita gente. As pessoas precisam ter senso crítico antes de começar a digitar ideias no Facebook e postar fotos no Instagram. Por outro lado, não acredito que o Mike entraria na Justiça para que o livro não fosse publicado. Ele vem de uma tradição democrática e liberal; pegaria muito mal para ele, nos Estados Unidos, tentar proibir a publicação de uma biografia no Brasil. A queda da lei acabou sendo uma boa coincidência. Acho que livros como o meu mostram como essa lei era arcaica, porque as pessoas querem ler e se interessam pelo conhecimento. Isso é o mais importante.

 

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Bruno Capelas é repórter do IGN Brasil, a versão brasileira do maior site de games do mundo. Formado em jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), já foi repórter do portal IG e do Link, a editoria de tecnologia do jornal O Estado de S. Paulo. Além disso, edita o blog Pergunte ao Pop e colabora desde 2010 com o Scream & Yell, um dos principais veículos independentes de cultura pop do país.

testeEm que as novas gerações são diferentes das anteriores? SPOILER: Em nada.

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Há um extenso debate — que por vezes some e noutras, como tem ocorrido agora, esquenta — sobre como a geração Y, a dos Millennials, seria completamente diferente da X, esta tão distinta da dos baby boomers — todas completamente atrasadas frente à Z, dos que estão nascendo agora. A Y, a qual eu, nascido em 1985, pertenço, seria a dos trintões que começam a dominar e liderar o mercado de trabalho e consumo. Nos Estados Unidos, ela é maioria — em comparação com as outras na ativa — no quadro das empresas.

O que caracterizaria os agora não-tão-jovens membros da geração Y: não aturariam um emprego estável (tendem a pular como pipoca de um para outro); intencionariam montar um negócio próprio, normalmente ligado às maravilhas da internet; seriam egocêntricos — a geração do “me, me, me” (ou “eu, eu, eu”), segundo a revista Time —, mas também preguiçosos, incapazes de se ater a um só projeto. Porém, numa contradição com a onda “me, me, me”, há quem defenda que eles aprimoraram o trabalho em grupo, na era das redes sociais, e que são avessos ao conceito de “fazer por dinheiro”, sendo mais adeptos da onda de “fazer para mudar o mundo”. Sim, há esses elementos. Mas será que eles não definem qualquer jovem, de qualquer século?

Vamos lá: preguiçosos e convencidos, mas com vontade de transformar o mundo e proativos quando o assunto lhes interessa. Isso descreve gerações de seus 30 e poucos anos (ou menos) de qualquer período da história. Muda-se o contexto, surgem inovações tecnológicas, há transformações culturais, mas o jovem continua a ser jovem. Então, o que fez surgir essa história de gerações X, Y e Z? Quando os mais velhos chegam perto da aposentadoria e veem jovens cheios de gás e novas ideias é, como diziam (expressão célebre de Nelson Rodrigues), batata: olham para baixo, para a juventude, e julgam com a devida superioridade adquirida com a experiência.

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Seria esta a geração do “me me me” (“eu eu eu”), ou o egocentrismo seria apenas uma característica da juventude, seja de qual época for?

Como julgam? Egocêntricos, desrespeitosos, irresponsáveis… Sempre aplicam os mesmos adjetivos. Então, nós, jornalistas e escritores, que adoramos categorizar para compor uma boa narrativa, aproveitamos a histórica rivalidade “mais velhos versus mais novos” para bolar nomenclaturas. Como disse o sociólogo Thomas DiPrete, da Universidade de Columbia, para o site da The Wire: “Essas fronteiras [entre gerações] acabam sendo desenhadas pela mídia, que quer definições. A história não é sempre tão bem pontuada assim.”

Eu disse “histórica rivalidade” e aposto que você, caro leitor, quer provas. Na Grécia Antiga, Platão reclamava de jovens que “desrespeitavam os mais velhos”. Na Idade Média, o monge francês Pedro de Amiens definia assim a juventude: “Só pensam em si mesmos.” Portanto, lá no século XI já existia uma geração “me, me, me”. Como afirmava o icônico cartunista Al Capp (1909-1979): “A geração de jovens de hoje não é pior do que era a minha. Éramos tão ignorantes e repulsivos quanto eles são.” Toda geração diz o mesmo sobre a que a substitui: que “não há esperança para os jovens”. Nada marca mais um ser humano do que ouvir algo como: “A juventude de hoje é tão decrépita…”

Foi essa constatação que levou a The Wire a responder à matéria “me, me, me” da Time apontando: “Toda, toda, toda geração tem sido a geração eu, eu, eu.” Como argumento, usou matérias diversas sobre o tema (como a da Time), mas publicadas há (até) mais de um século. Em 1907, a The Atlantic chamava a atenção, com preocupação, para “o atual culto ao individualismo”. Abordagem similar teve a revista Life de 1968, com a chamada “The Generation Gap”. Passado menos de uma década, em 1976, “The ‘ME’ decade” (ou “A década do ‘EU’”) estampava a revista New York.

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O time do Instagram visita o Facebook em 2012, logo após a startup ser adquirida pelo irmão-maior: os jovens do Vale do Silício se comportam como “visionários” (e alguns raros são), mas a maioria só quer é trabalhar 8 horas por dia e ganhar um bom salário (as ambições de seus pais e avôs quando mais novos).

O exagero da estereotipagem fica ainda mais evidente ao mergulhar no mundo jovial do Vale do Silício. Há um mito de que todos os funcionários de empresas como Facebook, Google e Twitter seriam garotos geniais, arrogantes, que não sabem se ater a um projeto, mas donos de mirabolantes ideias que eventualmente podem render milhões, por vezes bilhões, de dólares. Só que, quando se tem intimidade com os habitantes desse universo, percebe-se que todos não passam de indivíduos, cada um com suas características e ambições. É óbvio? Sim. Mas não é o que se divulga por aí. Mesmo quando se observa o cenário geral, nota-se que, entre jovens, há mais carreiristas, que querem um salário razoável pelas velhas oito horas de lida, do que candidatos a visionários — mesmo que muitas vezes eles se comportem, por marketing pessoal, como “visionários”. Isso se restringe ao papo de bar. Na prática, querem o que seus pais e avôs buscavam quando jovens: uma vida boa e estável. Ainda que se frustrem e abandonem sonhos pelo caminho até atingirem a conquista.

Trata-se de uma cena refletida em levantamento da consultoria americana CEB com 90 mil americanos. O estudo revelou, objetivamente, que os Millennials (59% deles) são mais individualistas que os baby boomers (50%) e que os trintões de hoje confiam menos no trabalho em equipe (37% não confiam) do que os de antigamente (26%), além de serem mais carreiristas (33%) do que gerações anteriores (21%). Em teoria, é uma compilação de números que contradizem o que se acha sobre os Millennials. Na prática, identificam — até por quão próximas são as porcentagens comparadas —  que jovens são os mesmos jovens ao longo do tempo.

É verdade que nos últimos anos surgiram internet, smartphones e redes sociais, assim como no passado apareciam fábricas, carros, telefones e TVs — elementos que transformaram a vida de todos, não só da juventude, que naturalmente tem mais paciência, ou mesmo plasticidade do cérebro, para se adaptar às novidades. Mas usar isso como prova de que a geração de hoje é diferente da anterior é como dizer, em espanto: “Nossa, como os bebês contemporâneos são diferentes. Eles babam muito, ficam cheios de si quando aprendem a andar e não querem largar a mamadeira!”

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Leia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

testeComo as redes sociais nos deixaram mais próximos…

…e a prova para confirmar essa afirmação tão clichê 

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Sim, já é bem clichê afirmar que Facebook, Instagram e companhia estreitaram as relações humanas. Afinal, ficou fácil para um brasileiro contatar um americano, um italiano ou um vietnamita. Com quase metade da população global on-line, o mundo deixou de ser físico e virou digital. Com isso, as distâncias também se tornaram virtuais, em todos os sentidos. Mas essa afirmação é baseada em achismos ou há provas?

Uma das melhores medidas para avaliar quão conectado está o planeta ainda vem da famosa tese dos seis graus de separação. Diferentemente do que espalhou o senso comum, a teoria não nasceu em universidades, mas na literatura. Surgiu no conto Láncszemek (ligações ou links), do húngaro Frigyes Karinthy. Nele, o autor definiu: “As pessoas são separadas por seis laços de amizade. (…) O planeta Terra encolheu — relativamente falando, é claro — devido ao rápido pulso da comunicação. (…) Nunca falamos sobre o fato de que qualquer um na Terra pode agora saber, em poucos minutos, o que penso ou faço e o que quero ou o que gostaria de fazer. (…) Posso estar — Hocus pocus! — onde quero estar. Vivemos na terra das fadas.”

Parece que Karinthy descreve a nossa era moderna, a da internet. Só que ele escreveu isso há quase um século, em 1929. No que chamou de “jogo”, ou o agora célebre seis graus de separação, o escritor teorizou que qualquer ser humano, como um lojista na Avenida Paulista, conseguiria alcançar qualquer outro, como o presidente dos Estados Unidos, contando apenas com um amigo que o leve a outros cinco contatos antes de alcançar o alvo escolhido. Parecia bobagem à época. Mas, por coincidência — afinal, Karinthy criou a ideia apenas como guia para um conto fictício —, a conta elaborada pelo húngaro se provou verdadeira em experimentações científicas.

O cálculo originou um método de experimentação apelidado de small world (mundo pequeno), pelo qual cientistas desafiam voluntários a alcançar uma pessoa desconhecida do outro lado do planeta utilizando para isso somente uma mensagem. O recado deve ser passado a um amigo, que deve enviar para outro conhecido, e assim por diante, até atingir alguém próximo do destinatário final. Até os anos 2000, todos os testes apontaram: estamos mesmo separados uns dos outros por em média seis graus de separação. Pelo envio de cartas, por telefonemas, por e-mails, por SMS, pelo extinto MSN… Seja como for. Se tentamos falar com alguém completamente desconhecido, de quem só temos o nome — ou informações generalistas, como profissão e cidade onde mora —, precisamos contatar cerca de cinco intermediários, estabelecendo seis laços de comunicação.

Mas tudo mudou com o Facebook. E é aí que o tema fica ainda mais fascinante. Pesquisadores americanos repetiram o teste do small world utilizando como campo de pesquisa a rede social. O estudo avaliou como se interconectavam mais de 700 milhões de usuários do Facebook. Ao analisar 69 bilhões de links entre os cadastrados, notou-se que cada um deles estava a uma distância média de quatro pessoas de outro usuário. Ou seja, foram cortados dois graus de separação dos tradicionais seis.

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Sim, a era da internet deixou a Scarlett Johansson (ou o Brad Pitt, à preferência) muito mais próxima de você

É notável reparar que, no cálculo, a distância geográfica em nada contribuiu para a aproximação ou o distanciamento. Virtualmente, um brasileiro pode estar mais próximo de um jamaicano do que de um conterrâneo. Depois de quase 100 anos, o Facebook acabou com a teoria dos seis graus. Ou melhor, exige-se uma renomeação da tese, ao menos provisoriamente — estima-se que a separação deva encurtar ainda mais nos próximos anos —, que agora virou a teoria dos quatro graus de separação.

Sim, isso quer dizer que está fácil falar com o Brad Pitt ou com a Scarlett Johansson. Só que é mais do que isso. A aproximação de pessoas é justamente a razão e a consequência de qualquer revolução na comunicação. O telefone, o rádio e a TV não foram “só” inovações tecnológicas; eles mudaram o mundo ao estabelecer e fortificar conexões humanas. A internet, por si, não tinha mudado muito esse setor. Os contatos ficaram mais velozes, é claro. Mas era bobagem dizer que estávamos mais próximos. Isso até chegar o Facebook e a era das redes sociais.

Ainda estão sendo identificadas as consequências dessa revolução. Há pontos negativos. Por exemplo, como se inflou o radicalismo que vemos de muitos que estão no Facebook: em uma discussão, ou se está num extremo ou no outro; poucos aceitam os ponderados. Aliás, a lista de consequências preocupantes é enorme — já até falei de algumas delas. Mas os efeitos positivos são tão incríveis que se sobrepõem. Só como exemplo (há outros no meu livro O clique de 1 bilhão de dólares): o mundo se tornou mais livre e sem fronteiras com a possibilidade de um indivíduo se manifestar, se revoltar, mesmo quando seu país está sob uma ditadura; o estreitamento das relações humanas aprimorou a economia (assim nasceram inovações como o Uber e o Airbnb); e o Facebook, o Skype, o FaceTime e o Instagram permitem que eu acompanhe em tempo real a vida de meus amados sobrinhos que vivem no México.

Aviso: você gostar ou não dessa revolução global não importa tanto para a continuidade dela. Ela está aí, veio para ficar, e teremos de aprender a conviver com este novo mundo.

testeTrês anos de cerco ao Instagram

 

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Uma série de coincidências despertou meu interesse pela história do Instagram, a rede social agora mundialmente famosa. Sim, Michel Krieger, um de seus fundadores, é brasileiro. O fato, por si só, já chamaria a atenção de qualquer jornalista conterrâneo. Mas houve outros acasos.

A startup de Michel começou a testar o Burbn, o confuso app que antecedeu o Instagram, no mesmo ano em que iniciei minha carreira no mundo digital: 2010. Desde pequeno me interesso por ciência e tecnologia e sou aficionado por revistas como Superinteressante e National Geographic. Comecei a sonhar ser jornalista com uns 10 anos de idade, inspirado por personagens como Homem-Aranha, Superman e Spider Jerusalem. Via-me na redação de uma National ou de uma Wired. Assim, enquanto Michel Krieger virava Mike nos Estados Unidos, formava-se em Stanford e corria atrás do sonho de fundar uma startup, do outro lado do continente americano eu perseguia o desejo de testemunhar, como jornalista, descobertas científicas impressionantes, inovações e, em especial, a ascensão do mundo digital.

Em 6 de outubro de 2010, Mike e seu sócio americano, Kevin Systrom, lançavam o Instagram. No mesmo dia, eu completei 25 anos. Na época, batalhava para me firmar na editoria Ciência e Tecnologia da revista de maior circulação do país. Lutávamos por nossas aspirações, embora do meu lado as ambições fossem bem mais modestas — ao menos não envolviam cifras milionárias.

Working late into the night to make Instagram even better. All we require: little heaters. It’s freezing in here!

Uma foto publicada por Kevin Systrom (@kevin) em

O brasileiro Michel e seu sócio, Kevin Systrom, no começo do Instagram

Passei a viajar com constância para o Vale do Silício, na Califórnia, a fim de visitar empresas como Google, Twitter e Facebook. À época, boa parcela de minhas fontes na região mencionava Michel como o brasileiro que se destacava no universo das redes sociais. Já me sentia atraído por sua trajetória, mas aguardei um pouco, uma vez que os comentários davam conta de que talvez o Instagram fosse apenas “modinha passageira”. Aos poucos, porém, constatei que a startup se tornava cada vez mais sólida. Em um ano de existência, eram 12 milhões de usuários. Esse sucesso meteórico culminaria na Páscoa de 2012, momento em que mais uma coincidência me aproximaria dessa saga.

Durante três meses me dediquei a uma reportagem sobre jovens brasileiros que despontavam na indústria digital. Assim, fui incumbido de conversar com o fundador do Instagram. Discreto quanto à vida pessoal, Mike me deu alguns dribles antes de, finalmente, me conceder uma entrevista graças à intervenção de um amigo comum. Tivemos quatro longas conversas. Para minha matéria, eu precisava de poucas informações, apenas algumas linhas sobre a aventura que o havia levado de São Paulo a São Francisco. A história, porém, era tão inusitada que me senti compelido a saber mais. Em um período de sete dias, Mike lançara o Instagram para o Android (o sistema operacional do Google, concorrente de iPhones e iPads), negara ofertas tentadoras de aquisição vindas do Twitter e do Facebook, captara mais 50 milhões de dólares em investimentos. E ainda se preparava para a visita da irmã, vinda de Nova York, com quem passaria a Semana Santa — feriado que Mike esperava fosse que “tranquilo”, conforme me confidenciou. Mas não foi bem assim. Minha suada reportagem foi publicada um dia antes de me avisarem, em pleno domingo de Páscoa, que o Instagram havia sido vendido, repentinamente, por 1 bilhão de dólares ao Facebook. Talvez tenha sido a maior coincidência de todas. A impressionante negociação entre Kevin Systrom, CEO da empresa, e Mark Zuckerberg, mandachuva do Facebook, dobrou o valor do Instagram. Poucos dias antes, Mike acreditava – e parecia sincero – que a startup talvez nem valesse “os 500 milhões de dólares que tanto falam por aí”. Verdade, não vali 500 milhões de dólares. Valia o dobro. Na semana seguinte, procurei Mike. Ele alegou estar preso a um contrato de confidencialidade e frustrou minha abordagem. Não desanimei. Em São Paulo, em visitas à escola que ele frequentou, ou em São Francisco, onde ele morava, eu fazia perguntas sobre Mike a todos que tinham ou haviam tido contato com ele. Não sabia ainda o destino de minha apuração, mas não me preocupava com isso.

Uma foto publicada por Kevin Systrom (@kevin) em

Primeira foto publicada no Instagram

Em 2013, outra coincidência: a Intrínseca me sugeriu escrever um livro sobre a criação do Instagram. Para meu espanto, os editores se interessavam pela mesma história que despertava havia tempos minha atenção. Procurei por Mike. Ele tinha uma entrevista agendada comigo sobre as novas ferramentas que lançaria no app e eu aproveitei o papo para lhe apresentar o projeto. Mike foi conciso: “Sim, vamos falar mais, mande e-mails explicando.” Enviei várias mensagens, e nada. Sem esmorecer, prossegui com a apuração.

Fosse por medo de se expor (Mike mencionara a pessoas próximas que tinha receio de que sua família, no Brasil, fosse alvo de sequestro), pelo contrato de confidencialidade firmado com o Facebook (declarações erradas à imprensa poderiam lhe tirar ações da empresa), ou por razões que desconheço, o fundador do Instagram não respondia às minhas investidas. Ainda que ele tenha impedido algumas fontes de me conceder entrevistas, percebi que não se opunha formalmente ao trabalho. Fui em frente, sempre esperando que respondesse a, pelo menos, um dos meus e-mails, ainda que a resposta fosse negativa.

Após quase três anos de pesquisas e entrevistas, com viagens ao Vale do Silício e visitas (oficiais ou não) às várias sedes do Instagram, comecei a ficar preocupado. Finalmente, obtive uma resposta, extraoficial. Um “não”. Pensei em desistir, mas voltei a me entusiasmar quando, dias depois, o empreendedor israelense Itay Adam aceitou conversar comigo sobre um conflito ocorrido entre ele e Mike, relatado em seu blog com o seguinte título: “Como Mike Krieger, fundador do Instagram, matou minha startup”.

Segundo Adam, Mike havia dado aval para o desenvolvimento de um app cuja existência só valia se coligada ao Instagram. O empreendedor conseguiu investimento, contratou equipe, abriu escritório. Quando tudo estava finalizado, porém, foi impedido de linkar o programa ao Instagram. Desesperado, escreveu diversas vezes a Mike cobrando explicações, sem resposta. “Tive de demitir funcionários, pais de família que passaram a enfrentar o desemprego, perdi dinheiro, sendo que o Mike poderia muito bem ter dado um retorno negativo logo de início”, lamenta Adam.

Decidi que não passaria pelo mesmo infortúnio. Ninguém mataria meu trabalho. Apurei mais, e melhor, fui fundo e escrevi O clique de 1 bilhão de dólares. Acredito que o fato de ser um texto “não autorizado” só o valoriza, pois isso permitiu que o resultado ficasse isento, com pontos de vista diversos.

link-externoLeia um trecho de O clique de 1 bilhão de dólares

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Michelle Obama recebe Mike na Sala Azul da Casa Branca

 

testeInscrição para parceiros 2015

InscriçãoParcerias_Facebook2As inscrições para o processo de seleção de parceiros 2015 estão abertas! Se você tem uma página relacionada à literatura (blog, vlog, Instagram ou Facebook) e quer ser nosso parceiro, preencha o formulário até as 17 horas do dia 13 de maio. Serão 50 vagas para novos colaboradores.

Estamos à procura de pessoas apaixonadas por boas histórias. Avaliaremos os candidatos de acordo com os seguintes critérios:

– Qualidade e estrutura das resenhas (Importante: não será avaliado se o parceiro gostou ou não da obra, e sim a capacidade de expressar sua opinião.)
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