testeRecomeçar

Recomeçar é uma arte, tipo aqueles quadros que não entendemos direito, mas que não conseguimos parar de contemplar. A cada olhar, um novo traço, como se o pintor o tivesse colocado em tempo real, diante de nossos próprios olhos, tornando aquela uma nova história a ser admirada.

Recomeçamos todos os dias e nunca somos os mesmos do dia anterior, pois estamos mais vividos, rodados e calejados. Recomeço não existe sem, e rima com, tropeço. “Tropeçar de novo e contar comigo: vai valer a pena ter amanhecido”, cantaria Ivan Lins. Recomeçar é se dar a chance de tropeçar quantas vezes forem necessárias. “Existe um milagre em cada recomeço”, disse Herman Hesse. Roubo do mestre a ideia: existe um milagre em cada tropeço.

Recomeçamos projetos que eram para ontem ou anteontem. Ideias que chegaram espetaculares e inovadoras, mas que pararam na falta de um recurso natural chamado vontade. Recomeçamos, todos os anos, os planos para uma vida inteira. Esquecemo-nos de que a vida inteira do ano passado era maior do que a vida inteira que hoje nos resta. E o plano perde em relevância.

Recomeçamos a malhação, a dieta, o sonho, a reforma da casa, o estudo, a ajuda aos necessitados, a conversa que ficou no ar, a visita aos pais, o controle dos gastos, o telefonema não atendido, a viagem ao redor do mundo, o trabalho dos sonhos.

Recomeçamos histórias de amor, o maior de todos os desafios. Amar é recomeçar, reaprender e renovar. É tropeçar.

Recomeçar é uma arte. Ser um artista do recomeço, aquele pintor que coloca o traço diante da plateia: isso é viver.