testeAs delicadas formas de pensar

Por Rebeca Bolite*

bradley_o lado bom da vida

Bradley Cooper em cena do filme “O lado bom da vida”

Quando começamos a editar O lado bom da vida, a única coisa que eu sabia a respeito do livro é que estava sendo produzida uma adaptação cinematográfica com Bradley Cooper como protagonista (ele é lindo demais, né?). O trabalho já tinha então um lado bom (ho ho): imaginar Pat Peoples com o rostinho de Bradley. Mas, depois de iniciada a produção do livro, percebi que Pat nem precisava de um rosto tão bonito assim para ser sensacional. Em toda sua confusão, ele é um personagem incrivelmente simpático, carismático e doce. Trabalhar no texto durante aquele período foi muito gratificante.

capa_A sorte do agora_PT-BR.inddCerca de dois anos depois, outro livro do Matthew Quick veio parar na minha mesa: A sorte do agora. Só pelo título, eu já estava encantada. Bartholomew Neil não tinha o rosto do Bradley Cooper, mas foi capaz de me conquistar já na orelha da capa. Com quase 40 anos, logo depois de a mãe morrer, ele encontra uma carta do Richard Gere na gaveta de calcinhas dela e começa a se corresponder com o ator em busca de conselhos. O personagem não poderia ser mais delicado e singular: solteiro, cuidou da mãe a vida inteira, até a morte dela, e agora precisa aprender a viver sozinho e seguir em frente, fazer os próprios amigos e construir sua família. Em cartas comoventes e muito francas para Richard Gere, ele narra todo o percurso para ser bem-sucedido nessa missão.

Pat Peoples e Bartholomew Neil têm muitas diferenças: o primeiro é bonitão (ele é o Bradley, gente!) e tem muitos familiares e amigos com quem pode contar no seu processo de recuperação, enquanto o outro faz o estilo solteiro, quarentão e gordinho e só agora está formando seu círculo de amizades. Mas algo mais importante os aproxima: a forma singular de pensar e estabelecer relações. Os dois são narradores da própria história, uma história marcada por experiências traumáticas e dificuldades, as quais precisam superar para que tenham um final feliz. E é da perspectiva deles que temos o privilégio de experimentar sentimentos tão profundos quanto delicados.

Ao finalizar a leitura, fiquei então pensando como em geral as pessoas têm tido dificuldade em compreender que cada um tem uma história de vida, uma forma de pensar, e que é preciso se colocar no lugar do outro antes de julgar suas visões e experiências. Algumas redes sociais viram verdadeiros campos de batalha (para os de coração fraco, fica sempre a dica: não leiam os comentários), muito xingamento, pouco argumento e no final a sensação de que ninguém está lendo nada. Só se odiando mesmo. Nesse sentido, acredito que a literatura tenha um poder transformador. Ao nos permitir viver diferentes situações a partir de variados pontos de vista, os livros nos tornam seres humanos mais aptos a praticar a empatia e melhoram nossa noção de alteridade. Eles nos fazem entender que cada pessoa é única em sua forma de sentir e pensar e que não é porque alguém acha determinada coisa fácil, simples, que o outro precisa achar também.

RICHARD GERE

Dessa forma, tanto O lado bom da vida quanto A sorte do agora são livros sensacionais, que, além de divertir, fazer chorar e rir, também proporcionam a oportunidade de ver o mundo através dos olhos de adultos com muitas falhas e dificuldades, aprendendo ou reaprendendo a se relacionar, e ainda assim tão belos em suas esforçadas tentativas.

Minha esperança é a de que todas as pessoas tenham a chance de ler esses e os outros livros do Quick e refletir sobre o próprio comportamento (na internet e na vida), se esforçar para julgar menos e ter mais empatia. Somos 7 bilhões já, gente, dividindo um espaço que está ficando cada vez mais apertado. É melhor caminharmos todos juntos em paz, né?, buscando novas alternativas para essa vida tão autocentrada. No final das contas, acho que fiz só um discurso de Miss Universo, mas a conclusão é a seguinte: por um mundo mais pacífico, com mais filmes com Bradley Cooper e mais livros do Matthew Quick.

link-externoLeia também: Amber Appleton e o poder da música

 

Rebeca Bolite é editora de livros de ficção estrangeira na Intrínseca e, como Pat Peoples, está sempre procurando o lado bom das coisas.

testeQual personagem de Matthew Quick você é?

QualPersonagemMatthewQuick

Pat Peoples não suporta finais tristes. Mas o protagonista de O lado bom da vida  não é o único personagem de Matthew Quick para quem esperança é uma questão fundamental.

Assim como Pat, Amber Appleton (Quase uma rockstar) e Leonard Peacock (Perdão, Leonard Peacock) passaram por poucas e boas e compartilham suas aventuras direto da corda bamba, equilibrando-se entre tristezas e alegrias.

Meça como anda seu nível de esperança e descubra qual personagem de Matthew Quick você é:

1.Escolha um vício:
a) Esportes.
b) Ler sobre a Segunda Guerra Mundial.
c) Cantar e sair com meus amigos.

2. Um passatempo:
a) Exercícios físicos.
b) Filmes e músicas.
c) Escrever poesias.

 

copo3. O copo está…
a) Vazio, mas em breve vai voltar a ficar cheio.
b) Vazio.
c) Cheio!

 

4. Como sua mãe o descreveria?
a) Uma pessoa boa, mas que precisa de alguns cuidados.
b) Uma pessoa complicada, atormentada pelo passado.
c) Uma pessoa alegre, sempre de bem com a vida.

5. Sua casa: refúgio ou pavor?
a) Refúgio e pavor, depende de quem vem falar comigo.
b) Pavor.
c) Pavor. Ninguém pode saber onde estou morando.

6. Um desafio:
a) Ficar física e emocionalmente saudável.
b) Me despedir das pessoas que amo e fazer o que decidi fazer.
c) Manter o otimismo, apesar das dificuldades.

7. O que o inspira: cinema, música ou dança?
a) Gosto muito de ler, mas os livros que leio em geral não têm finais felizes, por isso não são muito inspiradores.
b) Cinema.
c) Música é a minha vida.

8. A caminho da escola, você corta caminho por um matagal e tropeça em alguma coisa. Você volta e encontra uma caixa. Você a abre ou não?
a) Eu não abriria a caixa sem antes conversar com meu terapeuta. Ele é um cara legal e torce pelo mesmo time que eu.
b) Abriria rápido e sem medo. Afinal, tenho uma pistola P-38 comigo.
c) Eu abriria a caixa sem medo. JC (Jesus, cara!) está sempre comigo.

Resultado:

Se você marcou mais vezes a opção A: Você é Pat Peoples, o protagonista otimista de O lado bom da vidaAs coisas nem sempre são fáceis na sua vida, mas mesmo assim você prefere manter o foco e lutar por dias melhores. Com a ajuda da família, de amigos especiais e de conselhos médicos, você é capaz de conseguir o que quiser, até aprender a dançar. Vai, Eagles!

Se você marcou mais vezes a opção B: Você é Leonard Peacock, o protagonista irônico e questionador de Perdão, Leonard Peacock. Apesar dos problemas e de se sentir incompreendido(a), você tem um estilo peculiar para lidar com as situações e acredita que tudo vai melhorar. Apenas aguente firme! Um futuro feliz o(a) aguarda!

Se você marcou mais vezes a opção C: Você é Amber, a protagonista encantadora e bem-humorada de Quase uma rockstar.  Apesar da vida difícil que leva, você não se deixa abater e, dono(a) de um otimismo incansável, concentra todas as energias em ajudar as pessoas à sua volta. E tem uma queda por vira-latas fofos e leais.

 

Leia também:
Amber Appleton e o poder da música
A biblioteca de Pat Peoples

 

testeO lado bom da Bienal

O escritor norte-americano Matthew Quick, autor de O lado bom da vida, estará presente na XVI Bienal do Livro Rio, evento literário que acontece entre os dias 29 de agosto a 8 de setembro. Lançado em janeiro, o romance já teve mais de 100 mil cópias vendidas no país e inspirou a comédia romântica homônima que rendeu à jovem Jennifer Lawrence o Oscar e o Globo de Ouro de melhor atriz.

Leia também: A trilha sonora de O lado bom da vida

Cena de O lado bom da vida, com Bradley Cooper e Jennifer Lawrence

Cena de O lado bom da vida, com Bradley Cooper e Jennifer Lawrence

Aos 30 anos, Matthew Quick era um respeitado professor de inglês em South Jersey que incentivava seus alunos a acreditar no próprio potencial e no poder da literatura — até o dia que se sentiu um hipócrita. Infeliz, ele largou o emprego e vendeu a casa para se dedicar ao sonho de escrever. Após três anos lidando com uma severa depressão, criou O lado bom da vida, romance que se tornou um sucesso imediato, com direitos para publicação adquiridos por outros 13 países.

Leia também: Uma conversa com Matthew Quick

Em O lado bom da vida, Pat Peoples, aos 30 e poucos anos, acaba de voltar de uma temporada em um hospital psiquiátrico e tem uma teoria: sua vida é um filme produzido por Deus, sua missão é se tornar física e emocionalmente preparado e seu final feliz será a reconciliação com o amor de sua vida, Nikki. Para isso, Pat segue uma rígida rotina de exercícios e inicia a leitura dos livros preferidos da ex-esposa, grandes clássicos norte-americanos de autores como Hemingway, Fitzgerald, Sylvia Plath, Mark Twain e J. D. Salinger.

Leia também: A biblioteca de Pat Peoples

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia o 1º capítulo de O lado bom da vida.

Dirigida por David O. Russell, a adaptação cinematográfica de O lado bom da vida é estrelada por Bradley Cooper (Se beber, não case), Jennifer Lawrence (Jogos vorazes) e Robert De Niro. Assista ao trailer:

testeO lado bom da vida e Argo são indicados ao Oscar

A comédia O lado bom da vida, inspirada no romance de Matthew Quick que será publicado no próximo dia 12 de janeiro pela Intrínseca, recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado. Argo, thriller político de Ben Affleck baseado na não ficção de Antonio Mendez e Matt Baglio, concorre a sete Oscars, entre eles melhor filme e melhor roteiro adaptado.

Leia também: Argo é o grande vencedor do Globo de Ouro

A cerimônia de entrega do Oscar será em 24 de fevereiro.

Confira abaixo todas as indicações recebidas:

O lado bom da vida
– Melhor filme
– Diretor: David O. Russell
– Roteiro adaptado: David O. Russell
– Ator: Bradley Cooper
– Atriz: Jennifer Lawrence
– Ator coadjuvante: Robert De Niro
– Atriz coadjuvante: Jacki Weaver
– Edição: Jay Cassidy e Crispin Struthers

Argo
– Melhor filme
– Ator coadjuvante: Alan Arkin
– Roteiro adaptado: Chris Terrio
– Edição: William Goldenberg
– Trilha sonora: Alexandre Desplat
– Edição de som: Erik Aadahl e Ethan Van der Ryn
– Mixagem de som: John Reitz, Gregg Rudloff e José Antonio García

Confira também as listas do Globo de Ouro, SAG Awards, Producers Guild Awards e Spirit Awards.

Em O lado bom da vida, Pat Peoples, um ex-professor de história na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica — mas ele não se lembra o que fez nem quanto tempo ficou por lá. Para trazer a sua vida de volta aos eixos, Pat passa a seguir uma nova filosofia de vida, que inclui entrar em forma, ser gentil e, principalmente, fazer de tudo para se reconciliar com a ex-mulher, Nikki.

O filme de David O. Russell, estrelado por Bradley Cooper (Se beber não case), Jennifer Lawrence (Jogos vorazes) e Robert De Niro, também recebeu quatro indicações ao Globo de Ouro, cinco ao Spirit Awards e três ao Bafta. Sua estreia nos cinemas brasileiros será no dia 1° de fevereiro.

Eleito o melhor filme norte-americano de 2012 pelo prestigiado American Film Institute, Argo reconstitui a ousada estratégia da CIA para resgatar um grupo de seis diplomatas que escaparam da invasão à embaixada dos Estados Unidos em Teerã durante a revolução de 1979. Para retirá-los do país, o então agente da CIA Antonio Mendez idealizou um plano inusitado: simular uma produção de Hollywood em busca de locações no Oriente Médio.

O filme dirigido e protagonizado por Ben Affleck concorre em cinco categorias do Globo de Ouro e cinco do Bafta.