testeDez livros que Rory, de Gilmore Girls, leria

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Nove anos depois do último episódio, a série Gilmore Girls estará de volta neste mês na Netflix. O anúncio gerou uma grande comoção dos fãs, que já estão contando os dias para matar as saudades de Lorelai e Rory.  A atração narra a vida de mãe e filha que moram em uma pequena cidade americana e vivem conflitos existenciais, sociais e amorosos.

Na história, a personagem Rory é uma leitora voraz e sonha em ser jornalista. Ao longo das temporadas, ela leu mais de 300 obras! Por isso criamos uma lista — com títulos publicados nos últimos anos — que ela poderia gostar de ter na estante:

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A filha perdidaNão temos dúvida de que Rory faria parte do grupo de leitores que se emocionam com as histórias de Elena Ferrante.

Em A filha perdida, livro inédito no Brasil, Leda é uma professora universitária de quarenta e poucos anos que decide tirar férias no sul da Itália após as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai. Com elementos simples e uma trama bem construída, a obra acompanha os sentimentos conflitantes dessa personagem que reflete a maternidade, os desejos e as vontades das mulheres.

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A garota com tribal nas costasQuem conhece bem a Rory sabe que ela com certeza seria fã de Amy Schumer. As duas têm um humor ácido e dão voz às questões universais da vida das mulheres.  Nesse livro, a atriz, comediante e roteirista expõe suas histórias sobre adolescência, família, sexo e relacionamentos de uma forma corajosa e divertida.

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Uma chance de lutarRory sempre sonhou em ser jornalista e teve a chance de cobrir a corrida presidencial americana de 2008. Esse livro seria importante para ajudar a conhecer mais Elizabeth Warren, um dos nomes mais relevantes da política dos Estados Unidos.

Warren é filha de um zelador e uma telefonista, venceu as dificuldades da família e o lugar-comum da época de que o principal objetivo de toda mulher era conseguir um bom casamento. Ela tornou-se professora em Harvard, atuou como consultora do Congresso americano e assistente do presidente Barack Obama.

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Destinos e fúriasNa série, Rory teve a oportunidade de trabalhar com a equipe de Barack Obama. Com certeza, essa experiência aguçaria a curiosidade dela sobre o que está na lista de leitura do presidente americano. Além disso, a obra de Lauren Groff foi eleita a melhor de 2015 por Obama. Tem alguma chance de esse livro passar despercebido pela jovem?

Destinos e fúrias mostra os dois lados de um casamento. O livro é dividido em duas partes: em Destinos, temos a visão da história sob ótica de Lotto e em Fúrias, o olhar de Mathilde.

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Nimona — Esse livro tem muitas razões para conquistar Rory: a personagem principal é feminista, a autora já ganhou indicações e prêmios dentro e fora do mundo dos quadrinhos. Nimona é  uma graphic novel sobre uma jovem anti-heroína que tem o poder de mudar de forma quando quer.

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Garota exemplarComo leitora voraz, seria impossível ignorar a narrativa viciante de Gillian Flynn. Garota exemplar é o tipo de livro que poderia ser devorado em poucos dias por Rory, já que é um thriller perturbador sobre um casamento em crise.

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Simon vs. a agenda Homo SapiensO romance de Becky Albertalli faria Rory suspirar e recordar dos primeiros amores! O livro conta a história de Simon, um adolescente de dezesseis anos que é gay, mas ninguém sabe. Ele só não contava que Martin, o bobão da escola, iria chantageá-lo ao descobrir sua troca de e-mails com Blue, pseudônimo de um garoto misterioso que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte.

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Vale-tudo da notícia: O escândalo de grampos, suborno e tráfico de influência que abalou um dos maiores conglomerados de mídia do mundo — Como estudar jornalismo sempre foi um grande sonho, Rory deveria incluir a obra em sua lista de leitura! No livro, o repórter Nick Davies investiga o escândalo e revela os bastidores do tabloide britânico News of the World.

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Max Perkins, um editor de gêniosO livro sobre Max Perkins estaria na estante de Rory por contar a história de um dos nomes que revolucionou a literatura norte-americana e que apostou em talentos como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Thomas Wolfe, ídolos literários da jovem.

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Toda luz que não podemos verO livro de Anthony Doerr foi vencedor do prêmio Pulitzer de ficção de 2015. Só esse título já seria suficiente para conquistar a personagem de Gilmore Girls. O elogiado romance histórico é ambientado na Alemanha e na França antes e durante a Segunda Guerra Mundial. A obra entrelaça as histórias de uma garota cega francesa, um garoto órfão alemão e um oficial nazista em busca de uma joia extremamente valiosa.

testeA batalha entre Davi e Golias

Senadora democrata por Massachusetts, Elizabeth Warren mescla em livro dilemas da vida pessoal à emaranhada batalha que decidiu travar contra Wall Street por uma Lei de Falências justa

Por Marsílea Gombata*

A senadora americana Elizabeth Warren

A senadora americana Elizabeth Warren (Fonte: Vogue)

A falência pessoal não é fruto do fracasso de um indivíduo, mas culpa de um sistema que se aproveita da ignorância e da dificuldade de muitas pessoas. Agentes de uma das crises financeiras mundiais mais catastróficas da história, os bancos foram em 2008 os grandes vilões, responsáveis — somente nos Estados Unidos — por mais de cinco milhões de americanos terem perdido suas casas, nove milhões terem ficado sem emprego e quase 13 trilhões de dólares de economias familiares terem ido para o ralo.

chancedelutargrandeÉ à luta contra esse monstro encarnado nas grandes instituições financeiras que a senadora americana Elizabeth Warren dedicou mais de vinte anos de sua vida. Antes mesmo de os jovens ouvirem Bernie Sanders vociferar contra Wall Street nas primárias da eleição americana, Elizabeth já empunhava a bandeira contra privilégios que as organizações financeiras mantêm sobre os cidadãos comuns. Apesar de não ser candidata à corrida democrata para disputar a Casa Branca neste ano, Elizabeth, há quem diga, tem influenciado o pensamento e o discurso de Hillary Clinton, que dentro do Partido Democrata dispõe de mais recursos.

Especialista na Lei de Falências americana, Elizabeth se projetou nos círculos acadêmico e político comprovando através de pesquisas qualitativas e outros dados que a falência não é fruto exclusivamente das escolhas erradas daqueles que estão endividados, mas também é culpa dos abusos cometidos pelas instituições financeiras. Sua trajetória pode ser encarada por muitos como uma verdadeira ousadia: na terra do capitalismo selvagem, a luta de um indivíduo contra todo o sistema, ou a batalha entre Davi e Golias — imagem que ela própria gosta de resgatar ao dimensionar a “encrenca” na qual resolveu se meter desde os tempos em que dava aulas de direito na Universidade do Texas.

De lá para cá, o envolvimento com a situação dos endividados só cresceu: além de atuar como professora entusiasmada em ensinar a questão da falência, ela passou a integrar o grupo de trabalho responsável por supervisionar as atividades do Congresso na área, o Congressional Oversight Panel (COP, ironicamente a mesma palavra usada para se referir a “policial” em inglês). Depois, tornou-se professora em Harvard e foi chamada pela Casa Branca para atuar como consultora do Congresso e assistente do presidente Barack Obama na implantação da Agência de Proteção Financeira ao Consumidor, órgão com autoridade e poder para garantir que regulamentações de proteção ao consumidor fossem elaboradas de maneira justa e fiscalizadas com rigor. Em 2012, aos 62 anos, elegeu-se senadora pelo estado de Massachusetts.

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Em seu Uma chance de lutar, a senadora mescla vida pessoal (com direito a trechos detalhados sobre, por exemplo, o ataque cardíaco que fez com que seu pai descesse na hierarquia da empresa em que trabalhava e levou a família à derrocada econômica) com trajetória profissional para dar corpo a uma obra na qual se retrata como a perfeita realização do sonho americano: filha de um zelador e uma dona de casa que se viu obrigada a trabalhar fora como telefonista, Elizabeth venceu as limitações financeiras da família e desafiou padrões de uma época em que o principal objetivo da maioria das mulheres era conseguir um bom casamento. “Eu queria ser uma boa esposa e uma boa mãe, mas também desejava fazer algo mais. Sentia-me profundamente envergonhada por não querer ficar em casa o dia inteiro com minha alegre e adorável filha”, conta no livro.

É, portanto, ao fazer um retrospecto do passado meritocrático, mas também de uma vida virtuosa embalada por um tipo de proteção social que o Estado americano se preocupava em ofertar outrora, que Elizabeth é taxativa: “Hoje o jogo está viciado — viciado para beneficiar quem tem dinheiro e poder. Grandes empresas contratam exércitos de lobistas para obter brechas de bilhões de dólares no sistema fiscal e convencer seus amigos no Congresso a apoiar leis que mantenham o jogo vantajoso para elas”, alerta. “A classe média americana está sob ataque. E, o que é pior, não está sendo atacada por uma força incontrolável da natureza. Ela se encontra em apuros porque o jogo está sendo deliberadamente fraudado.”

A grande briga da senadora democrata, no entanto, não é apenas contra os bancos, mas contra o fato de eles terem carta branca para destruir a vida de milhões de cidadãos ao destilar fraudes e mentiras (vide os títulos podres na crise das hipotecas subprime) e levar o país e boa parte do mundo para o buraco. A guerra pelo retorno a um contexto no qual os banqueiros passavam por muitas salvaguardas para que não emprestassem dinheiro a quem não pudesse devolver, dinâmica que ficou em vigor até o fim dos anos 1980, quando a usura e a falta de regulamentação voltaram a imperar, levando instituições a terem como público-alvo indivíduos que mal se sustentavam. Essa situação já pavimentava a crise de 2008, quando milhares de americanos se afundaram em financiamentos de hipotecas de alto risco, o que culminou no estouro da bolha imobiliária.

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Recentemente, em discurso no Senado em 21 de janeiro, Elizabeth Warren fez um apelo pela erradicação da influência do dinheiro na política. “Temos um problema: o dinheiro. O dinheiro inunda o nosso sistema político, o dinheiro que permite que um punhado de bilionários decida quem entra no Congresso, e talvez decida quem se senta na Casa Branca”, afirmou ao acusar o Congresso de favorecer os bilionários em vez de escutar as necessidades do povo americano. Em 29 de janeiro, voltou a polemizar ao publicar um artigo no The New York Times no qual lembrava falhas do governo federal, como a falta de punição adequada a grandes corporações e executivos quando infringem a lei: “Justiça não pode significar uma sentença de prisão para um adolescente que rouba um carro e simplesmente nada para um CEO que na surdina arquiteta o roubo de bilhões de dólares.”

O recado de Elizabeth é claro e parece fazer eco em uma das atuais bandeiras da legenda democrata. Além de Sanders, que fala em quebrar os grandes bancos, Hillary também quer maior controle sobre as grandes instituições financeiras.  “Meu plano propõe uma legislação que imponha uma nova taxa de risco em dezenas dos maiores bancos — aqueles com mais de 50 bilhões de dólares em ativos — e outras instituições financeiras sistemicamente importantes para desencorajar o tipo de comportamento perigoso que poderia induzir a uma nova crise”, escreveu em dezembro no The New York Times.

O artigo lhe rendeu o apoio de Elizabeth, que, no Facebook, disse concordar com o seu plano. O objetivo, afinal, parece retomar aquilo que norteia a senadora e é exposto em Uma chance de lutar: “Nós, o povo, precisamos de um governo que trabalhe para as pessoas. Não estou falando da diferença entre um governo centralizador, intervencionista, e outro liberal, pouco regulador. Estou falando da diferença entre um governo que só trabalhe para os ricos e poderosos e outro que trabalhe para todos.”

 

Marsílea Gombata é jornalista e doutoranda em ciências políticas na USP, onde estuda política social como instrumento de política externa na América Latina. Foi chefe de reportagem no jornal O Estado de S. Paulo e editora no Jornal do Brasil. Atualmente edita o Carta Educação, site de CartaCapital dirigido a educadores, estudantes e interessados no tema.

testeO preço da street art, por Banksy

Thierry Guetta, um excêntrico videomaker francês, decide abandonar seu rentável brechó em Los Angeles para fazer um documentário sobre street art — e ele quer retratar Banksy. Mas o polêmico grafiteiro, cuja identidade permanece desconhecida, inverte os papéis e se torna o diretor de um surpreendente filme sobre o próprio Guetta. Indicado ao Oscar de melhor documentário em 2010, Exit Through the Gift Shop (Saída pela loja de presentes) reúne depoimentos de expoentes da street art, como Shepard Fairey — que mais tarde ficaria famoso pelo cartaz “Hope” de Obama —, e propõe uma ácida reflexão sobre arte contemporânea, fama e a mercantilização do grafite. Disponível no Youtube, a produção está atualmente em cartaz no canal a cabo HBO Max.

Após acompanhar diversos grafiteiros em ação, Thierry Guetta se transforma em Mr. Brainwash, um “artista” sem pudores de se apropriar de suas referências. Michael Jackson ganha um retrato à la Marilyn Monroe de Andy Warhol, e seus trabalhos, produzidos por uma equipe de profissionais, viram febre. No entanto, além do humor mordaz, o filme carrega outra marca constante de seu criador: a ambiguidade. Afinal, trata-se de uma história real ou de mais uma elaborada obra de arte de Banksy?

Assista ao filme completo (com legendas em espanhol):

Leia um trecho de Guerra e spray, livro que reúne as obras e reflexões de Banksy:

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Paris versus New York