testeConheça o spa nada convencional de Liane Moriarty

 

Chega às livrarias neste mês o novo livro da autora de Pequenas grandes mentiras, Liane Moriarty.

Em Nove desconhecidos, nove pessoas se inscrevem em um retiro de transformação total do corpo e da mente em um deslumbrante spa, na esperança de resolverem seus problemas relacionados a autoestima, relacionamentos e questões familiares. Logo nas primeiras horas, contudo, elas percebem que o local é administrado rigorosamente por uma mulher imponente e misteriosa que parece saber muito mais sobre os hóspedes do que seria normal.

Sob duras regras, os hóspedes embarcam em uma jornada peculiar em que aprenderão que a transformação pode custar caro e que nem todas as práticas do spa podem ser consideradas “comuns”.  

Confira um trecho do livro:

 

Frances

Em um dia de janeiro quente e sem nuvens, Frances Welty, antiga autora de romances best-sellers, dirigia sozinha por campos abandonados repletos de arbustos, a noroeste de sua casa em Sydney.

A fita preta da autoestrada se desenrolava hipnoticamente à sua frente enquanto as saídas do ar-condicionado sopravam com força um vento ártico no seu rosto. O céu era um imenso domo azul-escuro que cercava seu carrinho solitário. Era céu demais para o seu gosto.

Ela sorriu ao se lembrar de um daqueles críticos insatisfeitos do TripAdvisor: Eu liguei para a recepção e pedi um céu mais baixo, com mais nuvens, mais confortável. Uma mulher com sotaque carregado disse que não havia outros céus disponíveis! E ela também foi muito grossa! NUNCA MAIS. NÃO JOGUE SEU DINHEIRO FORA.

Frances se deu conta de que talvez estivesse muito perto de enlouquecer. Não, não estava. Estava bem. Perfeitamente sã. Mesmo, de verdade. Ela abriu e fechou as mãos em torno do volante, piscou os olhos ressecados por trás dos óculos escuros e deu um bocejo tão grande que estalou o maxilar.

— Ai — disse, embora não tivesse doído.

Ela suspirou, olhando pela janela em busca de algo que quebrasse a monotonia da paisagem. Devia ser tão difícil e implacável lá fora. Dava para imaginar direitinho: o zumbido das moscas-varejeiras, o grito lúgubre dos corvos e toda aquela luz branca, quente e ofuscante. Era de fato uma vasta terra marrom.

Vamos lá. Quero ver uma vaca, uma plantação, um barracão. Estou vendo com meus próprios olhos algo que começa com… N. Nada.

Ela se remexeu no banco e sua lombar retribuiu com uma pontada de dor tão forte que seus olhos se encheram de lágrimas. — Pelo amor de Deus — disse ela, lamentando-se.

A dor nas costas começara duas semanas antes, no dia em que finalmente aceitara que Paul Drabble havia desaparecido. Estava ligando para a polícia e tentando decidir como ia se referir a ele — seu parceiro, namorado, amante, “amigo especial”? — quando sentiu a primeira pontada. Era o exemplo mais óbvio de dor psicossomática que já existira, mas saber que era psicossomático não fazia doer menos.

Era estranho olhar-se no espelho toda noite e constatar que suas costas continuavam tão macias, brancas e discretamente rechonchudas quanto sempre foram. Ela esperava ver algo terrível, como uma massa retorcida de raízes de árvore.

Conferiu a hora no painel: 14h57. A saída devia estar próxima. Dissera ao pessoal da reserva na Tranquillum House que chegaria por volta de três e meia ou quatro horas e não fizera nenhuma parada imprevista. Tranquillum House era um “resort especializado em saúde e bem-estar”.

Sua amiga Ellen havia indicado o lugar. “Você precisa se cuidar”, dissera ela a Frances depois do terceiro drinque (um excelente Bellini de pêssego branco) durante o almoço na semana anterior.

“Está com uma aparência de merda.”

Ellen tinha feito uma “purificação” na Tranquillum House três anos antes, quando também ficara “esgotada”, “acabada”, “fora de forma” e…

“Sim, sim, já entendi”, interrompera Frances.

“O lugar é bem… fora do comum”, contara Ellen a Frances. “A abordagem deles não é nada convencional. Mudou minha vida.” “Como foi, exatamente, que a sua vida mudou?”, indagara Frances, de forma bem sensata, mas sem obter uma resposta clara.

No fim das contas, tudo parecia se resumir ao branco dos olhos de Ellen, que havia ficado muito branco, absurdamente branco! Além disso, ela perdera três quilos! Embora a Tranquillum House não tivesse a ver com perda de peso, o que Ellen se esforçou muito para esclarecer. Tinha a ver com bem-estar, mas, bom, que mulher reclama de perder três quilos? Ellen, com certeza, não. Frances também não.

Em casa, Frances dera uma olhada no site do lugar. Nunca gostara muito de abnegação, nunca fizera dieta, raramente dizia não quando queria dizer sim ou sim quando queria dizer não. Segundo sua mãe, a primeira palavra gananciosa de Frances fora “mais”. Ela sempre queria mais.

No entanto, as fotos da Tranquillum House a haviam enchido de um anseio estranho e inesperado. Todas tinham uma tonalidade dourada, tiradas durante o nascer ou o pôr do sol, ou então eram filtros que davam essa impressão.

Pessoas felizes de meia-idade faziam a postura do guerreiro em um jardim de rosas brancas ao lado de uma linda casa de campo. Havia um casal sentado em uma das “fontes termais naturais” que cercavam a propriedade. Olhos fechados, cabeça para trás, eles sorriam radiantes enquanto a água borbulhava ao redor. Outra foto mostrava uma mulher aproveitando “uma massagem com pedras quentes” na espreguiçadeira ao lado da piscina azul-esverdeada. Frances havia imaginado aquelas pedras quentes posicionadas com uma simetria maravilhosa ao longo da sua coluna, o calor mágico derretendo a dor.

Enquanto ela sonhava com fontes termais e ioga suave, uma mensagem urgente piscou na tela: Só resta uma vaga no Retiro Exclusivo de Dez Dias Para Transformação Total da Mente e do Corpo! Aquilo a fizera se sentir extremamente competitiva e ela clicou em Reservar agora, embora não acreditasse de fato que só restasse uma vaga. Ainda assim, por via das dúvidas, digitou bem rapidinho as informações do cartão de crédito.

Ficou com a impressão de que dali a meros dez dias ela seria “transformada” de um jeito que “nunca imaginara que fosse possível”. Haveria jejum, meditação, ioga, “exercícios criativos de liberação emocional”. Nada de álcool, açúcar, cafeína, glúten ou laticínios, mas, como tinha acabado de comer o menu degustação do Four Seasons, ela estava cheia de álcool, açúcar, cafeína, glúten e laticínios no corpo, e a ideia de abrir mão de tudo isso não pareceu tão grave. As refeições seriam “personalizadas” para suas “necessidades específicas”.

Antes que sua reserva fosse “aceita”, ela teve que responder a um questionário on-line muito grande e um tanto invasivo sobre seu estado civil, seus hábitos alimentares, seu histórico médico, seu consumo de álcool na semana anterior e assim por diante. Mentiu alegremente. Não era da conta deles. Teve até que enviar uma foto sua tirada nas últimas duas semanas. Escolheu uma do almoço com Ellen no Four Seasons, com um Bellini na mão.

Havia caixinhas que ela devia assinalar indicando o que esperava conquistar naqueles dez dias: tinha de tudo, de “terapia intensiva de casal” a “perda considerável de peso”. Frances assinalou apenas as caixas que pareciam positivas, como “crescimento espiritual”.

 

Nove desconhecidos foi enviado em fevereiro para os assinantes do intrínsecos. Se você ainda não conhece o clube do livro da Intrínseca, confira todas as informações no site e participe!

testeLivro da autora de Big Little Lies vira série na Netflix

 

A série inspirada no livro Three Wishes, de Liane Moriarty, está em desenvolvimento pela Netflix.

O livro acompanha as trigêmeas Lyn, Cat e Gemma Kettle, e se elas estão juntas, significa que há drama. Na obra, recheada de humor e reviravoltas, as três precisam encarar os pais divorciados, as traições nos casamentos e os segredos de família. O romance, ainda sem data ou título em português definidos, será lançado pela Intrínseca.

Essa não é a primeira adaptação dos livros da autora. A série Big Little Lies, inspirada no romance Pequenas grandes mentiras, conta com Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley no elenco, e recebeu o prêmio de Melhor Minissérie e Melhor Série Limitada no Globo de Ouro e no Emmy Awards, respectivamente. A segunda temporada está prevista para 2019 e já se sabe que Meryl Streep será a mãe de Perry, marido de Celeste. A atriz não aparece na TV desde 2003, quando interpretou um papel na minissérie Angels in America.

O segredo do meu marido é outra adaptação em fase de pré-produção, planejada para ser um longa-metragem. O filme terá Blake Lively no papel principal.

O que Alice esqueceu, que a Intrínseca lançou recentemente, também chegará às telonas, dessa vez com Jennifer Aniston como protagonista.  O livro narra a vida de uma mulher de 39 anos que acorda sem se lembrar dos últimos 10 anos e precisa recuperar sua antiga vida enquanto lida com as surpresas da maternidade e seu recente divórcio. 

testeSemana especial Liane Moriarty

O que falar sobre Liane Moriarty? Conhecida por seus best-sellers já publicados pela Intrínseca (Pequenas grandes mentiras, Até que a culpa nos separe e O segredo do meu marido), a autora ganha uma semana especial feita por nossos blogueiros parceiros, aproveitando o lançamento de O que Alice esqueceu.

No início do especial foram divulgadas as resenhas sobre o novo livro, que retrata a história de Alice, uma mulher de 29 anos que acredita ter a vida perfeita até que acorda no chão da academia e descobre que dez anos se passaram. Ela agora tem 39 anos, três filhos e um divórcio em andamento. Enquanto tenta descobrir como reverter sua amnésia, ela tem que lidar com a pessoa que se tornou: alguém de quem ela não gosta nem um pouco.

Scheila Flores, do blog Guardiã da Meia-Noite, disse que, mesmo não gostando de livros na terceira pessoa, adorou e se identificou muito: “Mesmo narrado em terceira pessoa (o que não é muito a minha praia), a autora consegue dar um ritmo ágil e delicioso à trama, onde vamos montando pouco a pouco um lindo mosaico sobre a vida de Alice, com capítulos/passagens sob o seu ponto de vista, mas também alternando entre outros personagens muito importantes para a reconstrução da vida dessa mulher que realmente poderia ser qualquer uma de nós.”

Já o blog Além do Livro ressalta que o verdadeiro valor da obra está nas entrelinhas: “Se na superfície O que Alice esqueceu nos faz pensar sobre o amor – seja ele entre homem e mulher, mãe e filho, amigos ou irmãos –, quando entramos em suas camadas mais profundas, a história nos leva além. Reforça o valor das lembranças, mas também revela a beleza do não saber. E nos apresenta novas perspectivas que nos mostram que quase sempre é possível perdoar e reconstruir.”

Laura Brand, do blog Nostalgia Cinza, conta que o livro também traz uma reflexão sobre nós mesmos: “Alice é uma mulher que se vê perdida em níveis bem mais profundos do que sua falta de memória aparenta. Ela percebe que se tornou alguém irreconhecível para si mesma e isso nos faz pensar sobre nossas próprias escolhas e nossas expectativas para o futuro.”

(Foto: @AsasdeTinta)

Em seguida, os outros livros de Liane foram revisitados. O blog A Menina que Comprava Livros fez um ranking com seus favoritos, elegendo como primeiro lugar O segredo do meu marido, lançado em 2014. Opinião compartilhada com a página Resenhas de Algodão, que contou um pouco da sua história com a autora e destacou o trecho: “Nenhum de nós conhece todos os possíveis cursos que nossas vidas poderiam ter tomado. E provavelmente é melhor assim. Alguns segredos devem ficar guardados para sempre.” Para o blog Por Essas Páginas, contudo, o favorito é Pequenas grandes mentiras, que deu origem à série Big Little Lies, da HBO. Eles descreveram o livro como “envolvente e surpreendente, escrito por uma autora que não tem medo de enfiar o dedo na ferida”.

(Foto: @stebookaholic)

Além disso, ao longo da semana os blogueiros também falaram sobre os principais temas trabalhados por Liane e as adaptações de suas obras para os meios audiovisuais. Todo o conteúdo do especial pode ser conferido aqui:

Resenha O que Alice esqueceu:

A Mãe Preta | A Menina que Comprava Livros | Abdução Literária | Além do Livro | Asas de Tinta | Borogodó | Colecionando Primaveras | Conjunto da Obra | Danuza e os Livros | Entrando Numa Fria | Eu Insisto | Guardiã da Meia-Noite | Hey Evellyn | SteBookaholic | Kids Indoors | Livro In Cena | Magia Literária | Mais Que Livros | Nostalgia Cinza | Parafraseando Livros | Por Essas Páginas | Resenhas de Algodão | Sobre um Livro | Talvez Geek | Vagando e Divagando | Viagem Literária | Viaje na Leitura

Outros livros da autora:

A Menina que Comprava Livros | Além do Livro | Conjunto da Obra | Danuza e os Livros | Entrando Numa Fria | Eu Insisto | Feed Your Head | Guardiã da Meia-Noite | Hey Evellyn | SteBookaholic | Mais Que Livros | Nostalgia Cinza | Parafraseando LivrosPipoca Nerd | Por Essas Páginas | Resenhas de Algodão | Talvez Geek | Vagando e Divagando | Vai Lendo |  Viaje na Leitura 

Os temas de Liane:

Conjunto da Obra | Entrando Numa Fria | Guardiã da Meia-Noite | SteBookaholic | Mais Que Livros | Nostalgia Cinza | Por Essas Páginas | Viaje na Leitura 

Adaptações para TV e cinema:

Danuza e os Livros | Feed Your Head | Livro Lab | Mais Que Livros | Portal Ju Lund | Vagando e Divagando 

Depois de conhecer melhor o estilo inconfundível da autora, a conclusão é clara: seja pelo mistério, pelas reviravoltas ou pelos personagens que são gente como a gente, O que Alice esqueceu, Pequenas grandes mentiras, Até que a culpa nos separe e O segredo do meu marido são livros que você não vai querer parar de ler. 

 

Leia um trecho de O que Alice esqueceu

testeBlake Lively vai protagonizar filme inspirado em O segredo do meu marido, de Liane Moriarty

Depois de Pequenas grandes mentiras, história que inspirou a série da HBO Big Little Lies, com Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley, mais um romance de Liane Moriarty será adaptado — agora para o cinema. Blake Lively (Gossip Girl) será a protagonista do filme baseado em O segredo do meu marido.

Na trama, Cecilia é um exemplo para a vizinhança: tem uma vida confortável, mantém um casamento estável com John-Paul e é mãe de três meninas. Sua vida segue tão dentro dos trilhos que ela até se pergunta como seria se houvesse uma pitada de emoção em sua rotina extremamente planejada. Mas, quando encontra uma carta de seu marido endereçada a ela no sótão de casa, Cecilia cogita se deve ou não investigar o conteúdo de algo que foi escrito à época do nascimento de sua primeira filha e que pode ter impactos devastadores para a sua família.

Com produção de Chris e Paul Weitz, o filme ainda não tem diretor e data de estreia definidos.

 

 

 

Mulheres em primeiro plano

Cena de Big Little Lies

Construir narrativa envolventes, repletas de intrigas e reviravoltas, a partir dos dilemas femininos contemporâneos é a marca da escritora australiana Liane Moriarty. Ao revelar como famílias aparentemente perfeitas podem guardar segredos perturbadores, a autora discute temas como maternidade, bullying, violência doméstica e alcoolismo.

“Precisamos ver experiências de mulheres reais, mesmo que isso envolva violência doméstica, assédio sexual, romance, infidelidade ou divórcio”, declarou Reese Witherspoon durante o lançamento de Big Little Lies. Produtora e uma das protagonistas da série, Reese também adquiriu os direitos para a adaptação de Até que a culpa nos separe, novo romance da autora. 

 

teste5 tipos diferentes de romance

Selecionamos cinco romances com histórias que abordam maternidade, diferentes tipos de amor, intrigas e segredos . Confira a lista! 

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — A obra conta a história de três mulheres que aparentemente têm uma vida perfeita em uma pequena cidade da Austrália. Madeline é forte e passional, Celeste é dona de uma beleza estonteante e Jane é uma mãe solteira recém-chegada na cidade. Os filhos das três mulheres estudam na mesma escola, onde acontece uma misteriosa tragédia em que elas estão envolvidas. Violência doméstica, estupro, bullying e a pressão que as mães sofrem são alguns dos temas abordados.

O segredo do meu marido, de Liane Moriarty — Cecilia Fitzpatrick encontra no sótão de casa uma carta escrita por seu marido. Seria algo corriqueiro, não fosse uma anotação bastante intrigante no envelope: “Para ser aberto apenas na ocasião da minha morte.” Apesar da recomendação, ela resolve abrir a carta e se vê obrigada a lidar com uma revelação avassaladora. O segredo do seu marido, John-Paul, atingirá não só seus três filhos e um longo e sólido casamento, mas também a vida de outras duas famílias. Cecilia precisará fazer uma escolha: optar pelo silêncio e permitir que a verdade corroa seu coração ou revelar o que leu e magoar profundamente as pessoas que mais ama.

 

O som do amor, de Jojo Moyes — um romance sobre obsessão, manipulação, segredos e paixões, O som do amor é um dos primeiros livros escritos pela autora do best-seller Como eu era antes de você. Por meio de personagens carismáticos e capazes de tudo para realizar seus objetivos, Moyes mantém seu estilo inconfundível em uma brilhante história sobre recomeços.

 

O navio das noivas, de Jojo Moyes — A obra, inspirada na história real vivida pela avó da autora, conta a trajetória de quatro mulheres que saem da Austrália depois da Segunda Guerra Mundial em um porta-aviões que as levará até a Inglaterra para encontrar os soldados com quem se casaram durante o conflito. A travessia é feita ao lado de outras noivas, armas, aeronaves e oficiais da Marinha. Com um espírito de aventura, a viagem mudará para sempre a vida dessas mulheres que ficaram distantes dos seus amores no período da guerra.

 

Belgravia, de Julian Fellowes – Ambientada no século XIX, a saga de Belgravia tem início na véspera da Batalha de Waterloo, em junho de 1815, no lendário baile oferecido em Bruxelas pela duquesa de Richmond em homenagem ao duque de Wellington. Pouco antes de uma da manhã, os convidados são surpreendidos pela notícia de que Napoleão invadiu o país. O duque de Wellington precisa partir imediatamente com suas tropas. No baile estão James e Anne Trenchard, um casal que fez fortuna com o comércio. Sua filha, Sophia, encanta Edmund Bellasis, o herdeiro de uma das famílias mais proeminentes da Bretanha. Um único acontecimento nessa noite afetará drasticamente a vida de todos os envolvidos. Passados vinte e cinco anos, quando as duas famílias estão instaladas no recente bairro de Belgravia, as consequências daquele terrível episódio ainda são marcantes.

testeMulheres, uni-vos!

Por Fabiane Pereira*

“Precisamos ver experiências de mulheres reais, mesmo que isso envolva violência doméstica, assédio sexual, romance, infidelidade ou divórcio.” Esta declaração foi dada pela atriz e produtora Reese Witherspoon numa coletiva de imprensa recente do Television Critics Association.Para quem não está ligando o nome à pessoa, Reese já levou um Oscar e um Globo de Ouro, além de ter estrelado incontáveis filmes icônicos — como nosso guilty-pleasure preferido, Legalmente Loira.

Com atuações marcantes e um discurso engajado, Reese Witherspoon também faz parte do projeto Pequenas grandes mentiras, que reúne várias mulheres talentosíssimas. O livro foi escrito pela australiana Liane Moriarty e já na semana de lançamento tornou-se best-seller do The New York Times. A obra foi adaptada para a TV pela HBO e a série estreia no domingo, 19 de fevereiro. Com 7 episódios, Big Little Lies conta com a produção de Reese e Nicole Kidman que, com Shailene Woodley, Zoë Kravitz e Laura Dern fazem parte do elenco. Resumindo, uma série baseada num livro escrito por uma mulher sobre os dilemas das mulheres e realizada por mulheres preocupadas com uma questão primária: igualdade entre os sexos.

No livro e na série, acompanhamos a história de três mulheres, todas mães, que, aparentemente, têm vidas perfeitas. Até que um dia um assassinato abala suas rotinas e aquela perfeição torna-se um suspense sombrio cujo enredo prende o leitor/espectador.

 

A revolução feminina

O mundo está mudando. Pesquisas divulgadas pelo Facebook apontam que a maior parte dos compartilhamentos são feitos por mulheres, e uma das razões, ouso dizer, é porque o protagonismo feminino veio para ficar.

Inclusive, várias atrizes de Hollywood — algumas das personalidades mais conhecidas do planeta — têm se posicionado diante das questões de direitos das mulheres. Um deles é o “lugar de fala”, conceito que representa a busca pelo fim da mediação: cabe às mulheres falarem por si, como protagonistas de suas próprias histórias e lutas.

Beyoncé e Madonna, divas da música pop, aproveitam qualquer oportunidade midiática para empoderar outras mulheres através de seus discursos engajados. O mesmo se dá com atrizes do primeiro escalão do cinema mundial: Reese Witherspoon, Patricia Arquette, Emma Watson, Meryl Streep e tantas outras.

Estas mulheres representam milhares de outras no mundo todo quando pedem que sejamos tratadas da mesma forma que os homens, tendo os mesmos direitos, principalmente no que diz respeito aos salários e às oportunidades. Para todas estas mulheres, o feminismo não deve ser uma luta apenas das mulheres porque ser feminista não significa nada mais do que querer a igualdade entre os gêneros.

 

Protagonismo em Pequenas grandes mentiras

Aos 40 anos, a atriz e produtora Reese Witherspoon tem uma trajetória muito bem-sucedida na defesa da participação e do empoderamento das mulheres em Hollywood, um mercado extremamente machista. A artista já declarou inúmeras vezes que por décadas foi a única mulher no set de filmagem.

Por este engajamento, a Otter Media, empreendimento parceiro da AT&T e do The Chernin Group, propôs à atriz que criassem, juntos, uma nova empresa multimídia, a Hello Sunshine, que produzisse conteúdo feito por e para mulheres. Reese atuará na Hello Sunshine por meio de sua produtora, a Pacific Standard, que já esteve envolvida em projetos como os filmes Livre e Garota Exemplar, ambos dando voz às questões femininas.

No Brasil, centenas de mulheres do meio artístico têm participado com frequência de debates públicos para discutir os melhores caminhos para ampliar a participação feminina no setor audiovisual, na literatura e nos palcos.

A verdade é que já caminhamos muito, mas a estrada ainda é longa. Por tudo isso: mulheres, uni-vos!

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. Foi apresentadora do programa Faro MPB, na MPB FM.

testeMelhores livros de 2016 – GoodReads Choice Awards

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Entre os melhores livros do ano do GoodReads Choice Awards, três são da Intrínseca! Os vencedores foram escolhidos por leitores do mundo todo.

O Oráculo Oculto, primeiro livro da nova série As provações de Apolo, foi o eleito na categoria Infantojuvenil. A trama apresenta o novo herói de Rick Riordan: Apolo que, depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York. Fraco e desorientado, ele agora é Lester Papadopoulos, um adolescente mortal com cabelo encaracolado, espinhas e sem abdome tanquinho. Desprovido de seus poderes, a divindade de quatro mil anos terá que descobrir como sobreviver no mundo moderno e o que fazer para cair novamente nas graças de Zeus.

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Na categoria Humor, o título vencedor foi A garota com a tribal nas costas, uma hilária e muitas vezes comovente conversa entre amigas em que Amy Schumer narra suas experiências como filha, amiga, namorada, mulher e comediante. A premiada artista expõe em detalhes as experiências que a tornaram a pessoa que ela é, e reflete sobre temas vividos por muitas outras garotas, como abuso sexual, o longo caminho para entender como confiança e autoestima não devem vir da pessoa com quem você está transando e a conflituosa relação com a mãe.

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Já o novo romance de Liane Moriarty, autora de O segredo do meu marido e de Pequenas grandes mentiras — livro que inspirou a série Big Little Lies que estreia em fevereiro de 2017 na HBO com Shailene Woodley, Nicole Kidman e Reese Witherspoon no elenco — foi o escolhido na categoria Ficção. Truly Madly Guilty será lançado no Brasil em junho e traz uma nova abordagem para questões comuns em nossa vida, como casamento, paternidade, amor e amizade. A autora expõe como a culpa é capaz de destruir até mesmo os relacionamentos mais fortes e como às vezes são os momentos mais inocentes que causam os maiores danos.

Veja todos os vencedores.

testeSofrendo no paraíso

Por Vanessa Corrêa*

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Poucos lugares poderiam ser mais agradáveis do que um jardim de infância com vista para uma praia paradisíaca. Mas em Pequenas grandes mentiras Liane Moriarty transforma esse cenário perfeito em palco de intrigas, agressões e até mesmo de um assassinato. O último livro da autora do best-seller O segredo do meu marido é mais sombrio do que suas obras anteriores e desenvolve temas difíceis, como violência doméstica, estupro e bullying.

Praticado tanto por crianças quanto por adultos, bullying é o tema central de Pequenas grandes mentiras. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Moriarty disse que não era para esse ser o assunto principal, mas, quando o livro ficou pronto, ela se deu conta de que a história se resumia a diferentes tipos de agressão, que vão de mordidas dadas por crianças em seus colegas até a violência praticada por um marido contra sua esposa, passando por fofocas maldosas e pela exclusão de pessoas de círculos sociais.

link-externoLeia um trecho de Pequenas grandes mentiras

“Acho que o bullying — sobretudo em suas formas adultas e verbais — é o tipo de coisa que você não nota até o final do dia, e é um sentimento horrível perceber que algumas atitudes não são inofensivas, mas algo realmente cruel. Afinal, todos nós somos capazes de coisas incrivelmente cruéis”, declarou.

Os livros de Liane lembram a série Desperate Housewives, em que famílias aparentemente perfeitas guardam segredos perturbadores. Em O segredo do meu marido, Cecilia e John-Paul têm que conviver com um fato terrível do passado, que acaba afetando a vida de várias pessoas. Já em Pequenas grandes mentiras, Jane não consegue superar um trauma da juventude e os lindos e ricos Celeste e Perry escondem seu comportamento violento atrás de uma fachada impecável.

Mãe de uma menina de quatro anos e de um menino de seis, Liane declara que não teve dificuldade para criar os diálogos e situações típicos de um ambiente escolar infantil. “As pessoas contam histórias sobre pais péssimos e pais que praticam bullying. E você consegue ver o potencial para isso, porque ama seu filho tão intensamente”, explicou ela em entrevista à CNN.

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“É um pouco como você mesmo voltar à escola, traz de volta todas aquelas inseguranças. Às vezes eu ouvia sobre algumas festas e pensava: ‘Meu filho não foi convidado, o que isso quer dizer?’ Todas essas coisas vêm à tona, então é fácil coletar material para a história”, concluiu.

Dona de uma habilidade inegável para criar tramas envolventes, é uma surpresa saber que durante muito tempo Liane Moriarty acreditou que ter livros publicados não estava ao alcance de “pessoas reais”. Se hoje suas obras dominam as listas de mais vendidos, a escritora australiana deve parte desse sucesso à irmã Jaclyn Moriarty, que, ao publicar o premiado “Feeling sorry for Celia”, em 2000, provocou em Liane o que ela mais tarde definiria como “uma febre de rivalidade entre irmãs”. Na época redatora publicitária, o sentimento a levou a escrever uma história infantil que foi enviada a todas as editoras da Austrália — e recusada por todas. Somente em 2003 ela conseguiu emplacar seu primeiro romance, Three Wishes, escrito como parte de sua tese final de mestrado.

Ela escreveria mais três obras antes da publicação de O segredo do meu marido, que a tornou conhecida no mundo todo. Um ano depois, Pequenas grandes mentiras repete o mesmo sucesso.

Lançado em 2013, O segredo do meu marido já vendeu mais de 2 milhões de exemplares, foi traduzido para 35 idiomas e permaneceu por mais de um ano na lista de livros mais vendidos do The New York Times. Pequenas grandes mentiras alcançou a primeira posição na mesma lista na semana de seu lançamento, em julho de 2014, e teve seus direitos para a televisão comprados por Nicole Kidman e Reese Witherspoon.

Mesmo com todo o sucesso, a autora mantém uma rotina tranquila em Sydney, onde mora com o marido e os filhos, e diz ser alvo de provocações de outros pais. “Quando meu marido tirou um período de folga do trabalho, me perguntaram se eu continuaria buscando meus filhos na escola e alguém disse: ‘É claro que ela vai continuar. Ela precisa de nós para o material dos livros’”, contou a autora à CNN.

“Eles me provocam, mas parecem felizes por mim. Não é como se eu fosse uma estrela de cinema. Não é especialmente glamouroso.”

link-externoLeia também: Gillian Flynn em defesa das vilãs

Vanessa Corrêa da Silva é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

testeLançamentos de março

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A Segunda Pátria, de Miguel Sanches Neto — Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas alia-se ao Terceiro Reich. Neste cenário alternativo, o escritor paranaense desenvolve uma surpreendente história de amor enquanto subverte os fatos para criar um Brasil que não está nos livros de história, mas que nem por isso deixa de ser assustadoramente plausível. [+]
Leia um trecho.
link-externoLeia também: Biografia de um livro

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — Em seu novo romance, a autora do best-seller O segredo do meu marido coloca em cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos familiares para nos lembrar das perigosas meias verdades que contamos a nós mesmos para sobreviver. [+]
Leia um trecho

Circo invisível, de Jennifer Egan — O surpreendente romance de estreia de Jennifer Egan, escritora norte-americana que recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção pelo livro A visita cruel do tempo, em 2011, narra a história de uma família marcada pelos extremos dos anos 1960 e aborda os impactos provocados pela morte, pela utopia e pelo tempo. [+]
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Ordem, de Hugh Howey — No segundo volume da trilogia Silo, a história volta a um período anterior, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. O livro revela as decisões, tomadas por alguns poucos poderosos, que foram o estopim das bilhões de mortes que deixaram a humanidade em vias de extinção. [+]
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A arte de pedir, de Amanda Palmer — Cantora, compositora, ícone indie e feminista, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, ela incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e de pedir ajuda. [+]
Leia um trecho
link-externoLeia também: conheça Amanda Palmer

Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith — Um mal resolvido triângulo amoroso-sexual, insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo e muita confusão. Engraçado, intenso e complexo, Selva de Gafanhotos fala de um jeito inovador sobre a adolescência. [+]
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Um brinde a isso, de Betty Halbreich com Rebecca Paley — Há quase 40 anos, Betty Halbreich comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Combinando moda com relatos sobre sua vida pessoal, Betty mostra que o verdadeiro estilo de uma mulher não está impresso nos cortes, tecidos e etiquetas que ela veste, mas na história que tem para contar. [+]

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. Com 82 anos e desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [+]
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Filhotes submarinos, de Seth Casteel — Depois do sucesso de Cachorros submarinos, o premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água. [+]
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Dentista sinistra, de David Walliams — Alfie tem 12 anos e um coração enorme, tão grande quanto seu medo de dentista. Ele não sabe o que fazer quando o obrigam a se consultar com a nova dentista da cidade: uma mulher mais arrepiante que prova de matemática. [+]
Leia um trecho

testeO segredo do meu marido, por Liane Moriarty

O segredo do meu marido por Liane Moriarty

 

Uma mãe de família leva sua vida de classe média tranquilamente até descobrir um envelope lacrado com uma orientação intrigante de seu marido: “Para minha esposa, Cecilia Fitzpatrick. Para ser aberto apenas na ocasião da minha morte”. Eis o início de O segredo do meu marido, o mais recente romance da australiana Liane Moriarty.

A inspiração para o livro surgiu quando Liane leu ler por acaso na internet um artigo chamado Dez confissões no leito de morte. Nele eram apresentadas histórias reais de pessoas que, no fim da vida, confessaram suas mentiras. Entre elas, havia o caso de um homem que reconheceu ter forjado uma notória foto do monstro do Lago Ness e uma compositora que, após anos de silêncio e negações, assumiu ter plagiado uma canção de ninar.  “Deve ser um fardo tão pesado guardar um segredo desses por toda a vida, que em seu leito de morte você está desesperado para contá-lo”, conta a autora no vídeo de divulgação da obra. “Não tenho certeza se tem a ver com culpa ou com o desejo de partilhar o segredo.”

Assista ao vídeo completo e legendado aqui: