testeA outra revolta

Por Roberto Jannarelli*

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No dia 29 de abril de 1992, três policiais de Los Angeles foram absolvidos em um polêmico julgamento no qual foram acusados de subjugar com violência um taxista negro chamado Rodney King. O júri não considerou o ato como abuso de força. Há provas claras. Hoje podemos encontrar o vídeo do espancamento com uma busca no Google. São imagens fortes, não recomendo a visualização. Mas na época parte do vídeo foi exibida na mídia, e, como resposta à absolvição, as pessoas foram à rua e a cidade implodiu em uma das mais violentas revoltas populares já vistas. Durante seis dias, Los Angeles ardeu em chamas. Literalmente.

Esta revolta é o cenário de Todos envolvidos, lançamento de ficção da Intrínseca do mês de março. O autor, Ryan Gattis, usou esta história como inspiração para falar não sobre esta, mas outra revolta. Ao pesquisar sobre o assunto, ele descobriu que gangues latinas da Califórnia aproveitaram o momento em que as atenções estariam voltadas para a luta do povo contra a força policial e que não haveria policiamento suficiente em todos os lugares ao mesmo tempo. Algumas áreas inevitavelmente ficariam sem nenhuma assistência, e isso era o contexto perfeito para uma série de acertos de contas entre os membros das gangues. Eles perceberam enfim que durante a revolta do caso Roney King não haveria lei em Los Angeles.

211319todosenvolvidosRyan Gattis analisou as estatísticas: 10.904 prisões, mais de 2.383 pessoas feridas, 11.113 incêndios, mais de 1 bilhão de dólares em danos a propriedades e sessenta mortes foram atribuídas às revoltas. Estudando mais a fundo, o autor descobriu que o número de mortes não levava em conta vários assassinatos ocorridos em regiões periféricas às dos conflitos. Ou seja, possivelmente os acertos de contas das gangues foram negligenciados pelo status quo (vamos guardar esse termo). Eles foram considerados “normais”, como se não fizessem parte de todo o contexto de ódio que tomava a cidade. Essa é a história de Todos envolvidos.

Ryan Gattis criou uma obra de ficção inspirada em acontecimentos reais. Este é um recurso na ficção que, curiosamente, anda ocupando bastante espaço na minha rotina de trabalho. Antes de Todos envolvidos eu havia trabalhado em O regresso , ficção inspirada na história de um caçador americano em 1822. Em geral, quando trabalho em livros desse tipo, a primeira coisa que faço é estudar um pouco o contexto histórico a que se refere.

Posso dizer que me senti mais próximo do livro de Gattis, já que, por mais que às vezes me sinta com 600 anos de idade, pouco sabia sobre as caçadas no oeste norte-americano no século 19. Me lembrar de 1992, quando tinha sete anos, foi bem mais fácil. Recordei, por exemplo, que 1992 foi o ano em que Bill Clinton foi eleito dono do mundo, quero dizer, presidente dos Estados Unidos, vencendo nas urnas George H. W. Bush, quem o meu exagero adolescente consideraria alguns anos mais tarde o pior presidente americano de todos os tempos. O jovem Roberto claramente não fazia ideia do que a família Bush ainda poderia fazer.

Aqui no Brasil, 1992 foi o ano do impeachment do presidente Fernando Collor, e o jovem Roberto com muita inocência achou que não viveria o suficiente para ouvir falar nessa palavra de novo (mas por favor não vamos entrar nesse assunto). O referido ano também tem uma lembrança muito particular para mim, pois foi nele que o astro de basquete Magic Johnson, um dos ídolos do jovem Roberto, disse ao mundo que tinha contraído o vírus HIV, o que por si só já poderia ser traumático para uma criança, mas o que veio a traumatizar de fato o garoto foi a conversa sobre o assunto que ele teve com a Dona Lúcia, sua mãe, que, coitada, teve de responder a muitas perguntas sobre como as pessoas pegavam essa doença. Posso dizer que nem todas as respostas resultaram em boas lembranças.

Mas vamos deixar minhas memórias de lado e nos concentrar no livro.

Depois de estudar um pouco sobre o mundo das gangues e a Califórnia em 1992, mergulhei de cabeça no livro. No caso deste, é conveniente mergulhar com colete à prova de balas, capacete de chumbo e qualquer outro tipo de proteção em que você acredite. Gattis descreve a guerrilha urbana de modo que o leitor se sinta nela. Ouvindo o estouro de bombas e o zunido de balas. É assustador e ao mesmo tempo incrível.

A pesquisa ajudou na construção da linguagem dos personagens, dando ao livro um estilo muito peculiar. O próprio original estrangeiro tem um glossário no final com muitas das gírias usadas pelos personagens para orientar o leitor em caso de dúvida. Então, o que fizemos na nossa edição foi adaptar o glossário para a nossa realidade. Traduzimos algumas dessas expressões, mas em outras optamos pelo termo em espanhol ou inglês para não perdermos a ambientação criada pelo autor. Algumas delas, como “original gangster”, eu já conhecia de filmes e séries, e também de uma música do Ice T. Mas, por mais que compreendesse a ideia, só pude entender o real sentido da expressão ao trabalhar no livro e lançar mão do glossário.

Outro ponto interessante são os personagens, que são muito fortes. Em outro texto de bastidores do blog da editora, a extraordinária Nina Lopes escreveu que quando trabalhamos com livros os personagens são muitas vezes nossos amigos mais próximos por um determinado tempo e também que somos muito exigentes quanto a isso. A Nina está certíssima e eu acho que nunca conseguiria dizer isso tão bem quanto ela.

No caso de Todos envolvidos, são 17 narradores contando a história, cada capítulo por um ponto de vista. E o autor entrelaça muito bem esses relatos, fazendo com que o narrador de um capítulo apareça despretensiosamente na história de outro. Uma mistura de Sin City e Pulp Fiction, com um clima meio Cidade de Deus.

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Bem, é verdade que desses 17 amigos-narradores alguns acabaram me decepcionando quando, bem, dirigiram jogando coquetéis molotov pela janela e incendiando a cidade, ou quando armaram uma cilada para pegar o Ernesto, um cara legal que só queria viver sossegado e perseguir seu sonho, que era ser chef de cozinha. Pobre Ernesto. A irmã dele, Payasa, está envolvida no mundo das gangues e também é uma personagem fascinante. Ela é forte e carismática como as grandes personagens femininas da literatura. O bombeiro Anthony também se tornou um amigo, e, sem dar spoiler, posso dizer que torci para que ele e a enfermeira Gloria se entendessem. Gloria é muito sensível e passa uns maus bocados no hospital em que trabalha. Também levei comigo o brother Termite, um cara que ama música e fica o tempo inteiro com seu walkman tentando não ouvir os ruídos da guerra. Sobre isso, pensei duas coisas:

Primeiro, walkman — obrigado por essa lembrança Ryan Gattis. Segundo, quando o Termite opta por andar pela rua com os fones no ouvido, sua mixtape girando na bobina do walkman, eu penso que isso é uma bela representação do que nós fazemos na vida real. Metaforicamente, colocamos nosso fone para não ouvir e fingir que a guerrilha urbana não está acontecendo, não é verdade?

Não sei se o autor pensou nessa alegoria, mas arriscaria dizer que sim, porque construindo esse personagem ele mostra com maestria como uma pessoa que está inserida nesse sistema, que está envolvida, pode ter o ímpeto de ignorar a guerrilha, como nós fazemos, mas simplesmente não pode. Não existe essa opção. A guerrilha urbana não é uma linha traçada paralela à vida do Termite; ela é uma linha vermelha de sangue traçada sobre a vida dele.

Por causa desse personagem eu também criei minhas mixtapes em casa. Ouvi bastante Rage Against the Machine, banda que gosto tanto e tem tudo a ver com o clima de Todos envolvidos. Engajada, bruta, grave e com sotaque mexicano. Em outros momentos me dei conta de que estava com “Gangsta’s Paradise”, do rapper Coolio, na cabeça e morri de rir quando percebi que sabia boa parte da letra de cor.

Me lembrei de alguns rappers que fizeram sucesso na década de 90, como Ice T e Tupac (ou 2pac, até hoje não sei como esse cara assinava). Descobri que “April, 29th, 1992 (Miami)”, do Sublime, outra banda que já ouvi muito, é inspirada nas revoltas do caso Rodney King. E, apesar de a letra ser bem clara, eu não sabia até ler esse livro, e gostaria de agradecer ao Termite por isso.

Bem, retomando o que a Nina falou no texto dela, queria acrescentar uma coisa. Quando falamos em personagens dos livros, não falamos só de pessoas. Claro, pode ser um gato, um cachorro. Ou até mesmo um lugar, como em Todos envolvidos. A cidade em chamas é o principal personagem da história, mesmo caótica e totalmente subvertida. Lembra daquela expressão que pedi para guardarmos lá no início do texto? Status quo. A cidade em chamas é a força do povo contra esse status quo opressivo. E o livro de Ryan Gattis é uma incrível manifestação de como é bom quando a literatura também se realiza como essa força subversiva.

*Roberto Jannarelli é editor assistente de ficção e não ficção estrangeiras da Intrínseca, adora música e joga basquete nos finais de semana, mesmo que hoje em dia os finais de semana aconteçam de 365 em 365 dias.

testeSemana especial O regresso

Romance de Michael Punke publicado pela Intrínseca, O regresso é uma notável história de obsessão, um livro sobre um homem cuja vida foi ao mesmo tempo salva e condenada pela sede de vingança. A obra também serviu de inspiração para o filme homônimo de Alejandro G. Iñárritu, estrelado por Leonardo DiCaprio.

Em uma semana de conteúdos especiais, vamos divulgar mais curiosidades sobre a lendária história de Hugh Glass:

 

A história de Hugh Glass

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As semelhanças e as diferenças entre o livro e o filme

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O regresso e o Oscar

Fonte: Vai lendo

Fonte: Vai lendo

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testeO Regresso ganha 3 prêmios no Oscar 2016

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Um dos grandes nomes do Oscar 2016, O Regresso ganhou três das principais disputas na noite de ontem. Com grande foco em questões sociais, a premiação foi marcada pela apresentação ácida de Chris Rock, que criticou abertamente a ausência de negros entre os indicados.

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A produção inspirada no livro homônimo de Michael Punke foi premiada nas categorias de melhor fotografia, diretor e ator, destaques do filme, as mesmas que havia ganhado no Globo de Ouro. Leonardo DiCaprio foi aplaudido de pé após mais de vinte anos de sua primeira indicação, encerrando uma das maiores piadas da internet sobre os constantes insucessos do ator.

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Kate Winslet, par de DiCaprio em Titanic, era uma das mais emocionadas durante o discurso de agradecimento.

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O regresso conta a história real de Hugh Glass, caçador da Companhia de Peles Montanhas Rochosas que é abandonado por seus companheiros após o brutal ataque de uma ursa. Uma das  grandes surpresas da noite foi a presença do personagem na plateia.

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Confira a lista completa dos vencedores do Oscar 2016.

teste5 (ou 6) vezes que Leonardo DiCaprio deveria ter levado o Oscar

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Conhecido mundialmente por morrer congelado, ter algumas das melhores caras de perturbado de todos os tempos e rastejar como nenhuma outra pessoa do planeta, em 2016 o ator chega a marca de cinco indicações ao Oscar sem nenhuma vitória. Será que Hugh Glass, protagonista de O Regresso e personagem icônico da história americana conhecido pela sua resiliência, conseguirá quebrar a maré de azar que já dura 23 anos? Listamos as cinco vezes que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deveria ter premiado DiCaprio:

1 – Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (1993)

Antes mesmo de chegar ao estrelato com seu papel em Titanic, Leonardo DiCaprio já havia sido nomeado ao prêmio. Com apenas 20 anos, foi indicado como melhor ator coadjuvante pelo papel de Arnie Grape, o irmão autista do personagem título de Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, interpretado por Johnny Depp.

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2 – O Aviador (2004)

Depois de seu sucesso como Jack, o homem que decidiu morrer afogado em vez de dividir uma porta com a personagem de Kate Winslet em Titanic, o ator passou por um período sem atuações muito marcantes. Isso mudou quando Martin Scorsese o convocou para o papel central em O Aviador, cinebiografia de Howard Hughes, engenheiro aeronáutico, industrial, produtor de cinema, diretor cinematográfico e um dos homens mais ricos do mundo. Nesse ano, o ator perdeu para Jamie Foxx que atuou em outro filme biográfico, Ray.

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3 – Diamante de Sangue e Os Infiltrados (2006)

Em 2006, DiCaprio esteve em dois filmes igualmente importantes para a premiação. Em Diamante de Sangue, ele interpretou o contrabandista sul-africano Danny Archer e em Os Infiltrados deu vida a um policial infiltrado na máfia. Ainda que DiCaprio tenha sido indicado pelo primeiro filme, o segundo deu a Martin Scorsese seu primeiro Oscar de melhor diretor. Muitos críticos acreditavam que a dose dupla aumentaria as chances de Leo.

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4 – Django Livre (2012)

Na produção de Quentin Tarantino, o inescrupuloso escravista Calvin Candie era ao mesmo tempo caricato e brutal. Em uma das cenas mais emblemáticas do filme, o ator cortou uma das mãos por acidente e continuou a cena como se nada tivesse acontecido. É possível ver a reação de espanto dos outros atores enquanto DiCaprio se mantém no personagem.

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5 – O Lobo de Wall Street (2013)

A última tentativa frustrada do ator (pelo menos, até que saibamos o resultado do Oscar neste domingo). Sua quinta parceria com Scorsese rendeu a terceira indicação ao prêmio de melhor ator pelo papel de Jordan Belfort, investidor americano e usuário de quantidades industriais de drogas.

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6(?) – O Regresso (2016)

O novo filme do ator vem conquistando todos os prêmios a que concorreu até agora. Inspirado no livro homônimo de Michael Punke, O Regresso mostra a história de sobrevivência e vingança de Hugh Glass, caçador americano do século XIX. Será que Glass será responsável por congratular Leonardo DiCaprio com o Oscar?

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Saberemos a resposta no dia 28 de fevereiro, quando acontecerá a 88ª cerimônia do Oscar. Boa sorte, Leo!

Leia um trecho de O regresso

testeHugh Glass, a lenda americana

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A representação de Hugh Glass antes de ser interpretado por Leonardo DiCaprio (fonte)

Intepretado por Leonardo DiCaprio no filme O Regresso, Hugh Glass foi uma figura real da história dos Estados Unidos. Um dos muitos desbravadores do oeste americano, ele ficou famoso por sobreviver a um ataque de uma ursa-cinzenta e ao posterior abandono de seus parceiros de expedição.

Mas o caçador foi muito mais do que um sobrevivente. Ao longo de sua vida, diversos momentos contribuíram para o tornar uma verdadeira lenda. Listamos abaixo alguns de seus maiores feitos:

Pintura da tribo dos Arikara

Pintura da tribo dos Arikara (fonte)

Uma das grandes ironias de sua vida é que o ataque brutal só aconteceu graças a um momento de sorte. Dias antes do encontro com a ursa, a Companhia de Peles Montanhas Rochosas havia sido atacada pela tribo Arikara. Glass, ferido com um tiro não letal, foi um dos poucos que continuou a jornada rumo à região do rio Yellowstone, e ao destino que o tornaria famoso.

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Mural sobre a história do bando do pirata Jean Lafitte, o qual Glass fez parte (fonte)

Antes de ser um caçador e desbravador do oeste americano, o explorador foi capitão de um cargueiro da Rawsthorne & Sons, empresa que transportava rum e açúcar de Cuba para os Estados Unidos. Em uma das viagens, o navio foi atacado pelo pirata Jean Lafitte. Com a opção de sobreviver em troca de fazer parte do bando que o atacara, Hugh Glass foi um pirata por dois anos. Seu tempo no mar se encerrou quando o governo americano decidiu atacar o reduto de Lafitte, uma ilha na baía de Galveston, causando a debandada do grupo.

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

Após seu tempo no mar, ele vagou pelas planícies do Texas com outro sobrevivente do massacre aos piratas: Alexander Greenstock, que também havia sido capturado, e foi seu companheiro na busca de civilização. Os dois foram cercados pela tribo canibal Pawnee, quando Greenstock foi morto por tentar atacar os índios. Glass só conseguiu sobreviver assustando os índios, pintando seu rosto com uma pasta de cinábrio em pó e gritando a única coisa que conseguiu lembrar no momento: a oração do pai-nosso. A tribo, assombrada com o homem branco que mudara de cor, o deixou vivo e seu líder o adotou por quase um ano.

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

Após se recuperar do ataque visceral da ursa, Hugh Glass foi atrás de suas armas e de quem o havia abandonado. A lenda conta que ele chegou ao forte onde seus antigos companheiros estavam em plena noite de Natal, completamente coberto de neve. Não se sabe como ele caminhou pelas florestas afastadas em pleno inverno, logo após o ataque. Mas a história prova que ele não era uma pessoa como qualquer outra.

A saga de Glass vai muito além desses fatos. Em O regresso, Michael Punke mostra como ele foi capaz de sobreviver e ir atrás de sua vingança. O livro inspirou o filme de mesmo nome, estrelado por Leonardo DiCaprio e que estreia no dia 4 de fevereiro. Assista ao trailer:

testeA justiça selvagem de Hugh Glass

Por Marcelo Costa*

THE REVENANT

THE REVENANT © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

The Revenant, título original de O regresso, romance de Michael Punke que a Intrínseca publica agora no Brasil, diz respeito, segundo o dicionário Michaelis, “a uma pessoa que retorna após longa ausência” ou ainda “àquele que volta do túmulo, um espírito, um fantasma, uma aparição”. Na primeira edição do livro, lançada nos Estados Unidos em 2002, um subtítulo colocava um pouco mais de lenha na fogueira: “A Novel of Revenge”, um romance sobre vingança. Juntando os cacos espalhados até agora já é possível imaginar a trama que conduz a narrativa de O regresso, mas é importante observar que os fatos (verídicos) relatados no romance aconteceram nada menos que dois séculos atrás (193 anos para ser mais exato). Ainda que o sentimento que a palavra “vingança” evoca tenha permanecido imutável durante todos esses anos, o mundo mudou drasticamente — e o ambiente é um personagem coadjuvante de extremo valor nessa história.

Com isso em mente, o cineasta Alejandro González Iñárritu e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki — responsável pelas imagens dos filmes Árvore da Vida (2011), Gravidade (2013) e Birdman (2014), entre outros — capricharam na estética do “personagem coadjuvante”, e se a adaptação cinematográfica (que colocou o livro novamente nas prateleiras) faturou três estatuetas no Globo de Ouro (melhor filme, diretor e ator), é fácil imaginar untitledque a fotografia também tenha destino certo na premiação da Academia. Aliás, O Regresso pode entrar para a história do cinema como o filme que dará a Leonardo DiCaprio seu primeiro Oscar (foi seu terceiro Globo de Ouro de melhor ator — os anteriores haviam sido por O Aviador, em 2005, e O Lobo de Wall Street, em 2014). Mas, ainda que isso aconteça, é importante frisar: esse é mais um caso clássico de livro muito melhor do que o filme. Ou quase isso.
Quase porque, na verdade, livro e filme vêm da mesma fonte, mas são obras distintas, com qualidades particulares. Se o filme tem a força da imagem (Lubezki choca a paisagem à contraluz de Árvore da Vida com os longos planos sequência de Birdman, num resultado arrebatador) e das grandes atuações, o livro é impactante por remeter a um diário romanceado dos pensamentos do personagem Hugh Glass, o homem de currículo invejável que sempre sonhou viver em alto-mar até ser sequestrado por um pirata lendário e ter seu futuro com uma bela mulher nublado. É este homem de coração partido que vagueia nas páginas do livro, perdido em um Novo Mundo, que cria pouco a pouco o mapa que conhecemos hoje, mas que, em 1820 (quando a história real se passa), era apenas um rabisco fruto da memória de vários caçadores.

A trama de O regresso começa no primeiro dia de setembro de 1823, uma segunda-feira sombria, embora, naquela época e no meio do Velho Oeste norte-americano, dias da semana não servissem para muita coisa. Mas, mesmo assim, é esse o dia em que Hugh Glass é abandonado por dois “companheiros” que, não bastasse a traição, ainda levam o que ele tinha de mais precioso: a espingarda e a faca. Nas condições em que se encontrava, um corpo absolutamente detonado, na fina fronteira entre a vida e a morte, após ter sido atacado por um imenso urso-cinzento (que, milagrosamente, ele conseguiu matar — ainda que tenha quase morrido junto), Glass não precisaria mais do armamento, justificaria Fitzgerald, um dos dois homens “escalados” para enterrar o companheiro, dando a ele uma despedida digna.

Colocadas as cartas na mesa, O regresso narra o processo de recuperação solitária do caçador Hugh Glass, que integrava a Companhia de Peles Montanhas Rochosas, após o ataque quase fatal do urso, e seu desejo de vingança, que o faz lutar por sobrevivência, enfrentando índios e o tempo cruel para concluir seus planos. A história verídica atravessou séculos e ganhou ares míticos. O romancista Michael Punke pesquisou a fundo a trajetória do caçador e alerta que o eixo central da trama é exato: o ataque do urso, o pobre homem deixado para trás pelos amigos em péssimas condições e o inevitável desejo de vingança. E o que há de ficção no romance é exatamente o que faz do livro uma obra mais interessante do que o filme: ao acompanhar a saga de recuperação de Hugh Glass, o leitor está confinado em seus pensamentos, e tudo que surge impressiona.

Mais interessante ainda é a recriação de época, algo que o filme compartilha, mas que o livro também exibe com força, pois se trata de hábitos há muito tempo deixados de lado por uma sociedade cada vez mais distante da natureza e dos enfrentamentos tão comuns daquele período. Outro ponto positivo da leitura: Michael Punke aprofunda vários personagens, numa reconstrução histórica que coloca em cena, por exemplo, o pirata corsário francês Jean Lafitte, que aterrorizou o Golfo do México no mesmo período em que Hugh Glass viveu e deixou a península de Galveston em chamas ao partir (a propósito, Nic Pizzolatto, o homem responsável pela série True Detective, escreveu um ótimo romance que se passa em Galveston, também publicado pela Intrínseca).

Você pode não acreditar em espíritos, fantasmas ou aparições, mas é bom ficar de olhos abertos, pois, como frisou o filósofo Francis Bacon em On Revenge, um dos capítulos de seu livro Ensaios, de 1625: “a vingança é uma espécie de justiça selvagem”, incutindo no ser humano uma inteligência crítica que às vezes faz falta. Segundo Bacon, a vingança é uma perversão da lei (o que, por sinal, tem a ver com o final do livro de Punke enquanto diverge de Iñárritu, que acrescenta elementos extras para tornar o ato mais factível). E ainda que Hugh Glass tenha atuado como pirata, sua busca por vingança é mais fruto dos desencontros da vida do que de maldade. Há diferença, mas a perversão da lei é a mesma… ainda hoje.

THE REVENANT

THE REVENANT © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

Livro e filme, apesar de tratarem do mesmo tema, vingança, têm conclusões diferentes. Punke tentou ser o mais fiel possível à história real, enquanto Iñárritu apresentou uma história com início, meio e fim — não é à toa que o filme começa exibindo uma batalha anterior à narrativa do livro —, mas ambos criaram o personagem que acreditaram ser o mais plausível. O leitor, por sua vez, tem em mãos um diário de época incrível, retrato de um período histórico pouco explorado e muitas vezes esquecido. O resultado final é uma obra cujo texto pode ser complementado pelas imagens de Iñárritu e que transporta o leitor/espectador para um tempo distante, quando as regras da sociedade eram bem diferentes. Sombrio, agonizante e violento, O regresso utiliza um mundo que não existe mais para falar de um sentimento atemporal.

link-externoLeia também: O Regresso lidera as indicações ao Oscar 2016

 

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yellum dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Notícias Populares, e dos portais Zip.NetUOLTerra e iG, além de ter colaborado com as revistas Billboard BrasilRolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

testeO Regresso lidera as indicações ao Oscar 2016

Depois de se consagrar com três prêmios no Globo de Ouro, O Regresso superou todas as previsões e foi indicado a 12 Oscars, se tornando a produção com maior número de nomeações na edição de 2016 do prêmio. Com estreia marcada para 4 de fevereiro nos cinemas brasileiros, o filme é inspirado no livro homônimo de Michael Punke que acaba de ser lançado pela Intrínseca.

Na premiação, que será realizada no dia 28 de fevereiro, o filme estará no páreo nas seguintes categorias: fotografia, figurino, edição de som, mixagem de som, maquiagem, ator coadjuvante (Tom Hardy), efeitos visuais, edição, direção de arte, diretor (Alejandro González Iñárritu), ator (Leonardo DiCaprio) e melhor filme.

A trama é inspirada na impressionante história real de Hugh Glass, caçador da Companhia de Peles Montanhas Rochosas atacado por um urso-cinzento e depois abandonado pelos companheiros, que levam suas armas e suprimentos. Entre delírios, Glass é tomado por um único desejo: vingança.

Além da indicação de DiCaprio na categoria melhor ator, concorre na mesma categoria Bryan Cranston por sua interpretação do personagem que da título a Trumbo: Lista Negra, inspirado no livro de Bruce Cook. Na categoria melhor canção original, o artista the weeknd concorre com a música “Earned it”, da trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza.

Confira todos os indicados ao Oscar 2016.

testeFilmes e séries para assistir em 2016

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O ano ainda está no começo, mas as novidades sobre filmes e séries não param de ser divulgadas. Para ajudar na difícil tarefa de escolher a que assistir, selecionamos atrações para diferentes estilos.

Confira a lista:

Trumbo — O roteirista Dalton Trumbo tem uma trajetória singular em Hollywood: apesar de ter escrito algumas das histórias de maior sucesso de sua época, como A Princesa e o Plebeu (1953), ele se recusou a cooperar com o Comitê de Atividades Antiamericanas do Congresso dos EUA e acabou preso e proibido de trabalhar. Mesmo quando saiu da prisão, Trumbo demorou anos para vencer o boicote do governo, sofrendo com uma série de problemas envolvendo familiares e amigos próximos.

Dirigido por Jay Roach (Virada no Jogo), o filme inspirado na biografia de Dalton Trumbo escrita por Bruce Cook tem no elenco Bryan Cranston, astro da série Breaking Bad, Diane Lane (Infidelidade) e Helen Mirren (A Rainha). O filme está em cartaz nos cinemas.

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O regresso Grande vencedor do Globo de Ouro 2016, o filme é inspirado no livro homônimo, de Michael Punke. Em 1822, o aventureiro Hugh Glass parte para o oeste americano disposto a ganhar dinheiro caçando. Atacado por um urso, ele fica seriamente ferido e é abandonado à própria sorte pelo parceiro John Fitzgerald, que ainda rouba seus pertences. Entretanto, mesmo com todas as adversidades, Glass consegue sobreviver e inicia uma árdua jornada em busca de vingança.

Dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, o papel de Hugh Glass ficou a cargo de Leonardo DiCaprio, vencedor do prêmio de melhor ator principal no Globo de Ouro. O longa está em cartaz nos cinemas.

Orgulho e preconceito e zumbis — A adaptação do livro de Seth Grahame-Smith chega aos cinemas em 25 de fevereiro. Na releitura da clássica história de Jane Austen, Elizabeth Bennet, especialista em artes marciais, está determinada em acabar com todos os zumbis que atravessam seu caminho. Mas tudo muda após a chegada do arrogante Sr. Darcy.

Dirigido por Burr Steers (17 Outra Vez), a produção tem no elenco nomes como Lily James (Cinderela), Elizabeth Bennet, Sam Riley (Malévola), Lena Headey (Game of Thrones), Matt Smith (Doctor Who), Jack Huston (Trapaça), Hermione Corfield (Sr. Holmes), Bella Heathcote (Sombras da Noite) e Charles Dance (Game of Thrones).

Downton Abbey — A sexta e última temporada estreou no último fim de semana, dia 9 de janeiro, no canal GNT. Vencedor de três Globos de Ouro e alguns Emmys, o drama de época conta a luta da família para manter o legado de Downton Abbey.

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Leia um trecho de O mundo de Downton Abbey

Como eu era antes de vocêA aguardada adaptação do romance de Jojo Moyes chega aos cinemas em junho.  Emilia Clarke (Game of Thrones), Sam Claflin (Jogos Vorazes), Matthew Lewis (Harry Potter), Charles Dance e Jenna Coleman estarão no elenco do longa.

O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares A adaptação do livro de Ransom Riggs acompanha as aventuras de um garoto que, após ser enviado para uma ilha isolada no País de Gales, descobre que no local estão exiladas várias crianças com poderes especiais. Dirigido por Tim Burton, o filme conta com Eva Green e Samuel L. Jackson no elenco. A estreia está prevista para 25 de dezembro. Cidades dos etéreos, sequência do livro que inspirou o longa, será lançado pela Intrínseca em fevereiro.

Girls A quinta temporada da série criada por Lena Dunham, autora de Não sou uma dessas, estreia no dia 21 de fevereiro na HBO. Premiada como a melhor série de comédia no Globo de Ouro em 2013, Girls narra a vida de quatro jovens vinte e poucos anos em Nova York.

Orange is the new black — A quarta temporada da série foi confirmada e estreia em 17 de junho no Netflix.

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Estante Intrinseca

O regresso, de Michael Punke – Inspirado na impressionante história real de Hugh Glass, caçador da Companhia de Peles Montanhas Rochosas atacado por um urso-cinzento e depois abandonado pelos companheiros, que levam suas armas e suprimentos. Entre delírios, Glass é tomado por um único desejo: vingança. O livro inspirou o filme homônimo, estrelado por Leonardo DiCaprio (O lobo de Wall Street) e dirigido por Alejandro González Iñárritu (Birdman)  [Leia +]

Leia também: O Regresso recebe 3 indicações ao Globo de Ouro

P.S.: Ainda amo você, de Jenny Han – Continuação de Para todos os garotos que já amei, o livro conta a história de Lara Jean. Em P.S.: Ainda amo você, ela vai aprender como é estar em um relacionamento que, pela primeira vez, não é de faz de conta. Uma história delicada e comovente que vai mostrar que se apaixonar é a parte fácil: emocionante mesmo é o que vem depois. [Leia +]

Leia também: A continuação de Para todos os garotos que já amei

A arte do descaso, de Cristina Tardáguila – Em pleno Carnaval, quatro homens invadiram o Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, e roubaram cinco obras de arte cujo valor estimado, na época, ultrapassava 10 milhões de dólares. Até hoje é considerado o maior roubo de arte do Brasil e o oitavo do mundo. Decidida a desvendar o mistério, a jornalista Cristina Tardáguila chegou a se colocar em situações de risco a fim de encontrar respostas. [Leia +]

O nadador, de Joakim Zander – Damasco, Síria. Um agente secreto norte-americano abandona a filha recém-nascida em meio a um bombardeio, entregando-a a um destino incerto. Alternando habilmente entre passado e presente, entre Suécia, Síria e Estados Unidos, Joakim Zander tece uma rede de intrigas e suspense em um estilo sofisticado e descritivo que transformou O nadador em um estrondoso sucesso. [Leia +]

Trumbo, de Bruce Cook – Em 1947, o jornal The Hollywood Reporter divulgou uma série de nomes de cineastas suspeitos de instilar sutilmente propaganda comunista nos filmes de Hollywood. O principal nome era o de Dalton Trumbo, que se recusou a entregar qualquer informação. Ele foi julgado, declarado culpado e, em 1950, preso. Após sair da prisão, Trumbo driblou a lista negra anticomunista e, por quase uma década, viveu de produzir roteiros clandestinamente. O livro inspirou o filme Trumbo: Lista negra, estrelado por Bryan Cranston (Breaking Bad) e Helen Mirren (A Rainha). [Leia +]

Leia também: O homem que rasgou a lista negra de Hollywood

Vale-tudo da notícia, de Nick Davies – A notícia de que um editor do jornal britânico News of the World invadia caixas postais de telefones atrás de recados que lhe rendessem furos sobre a realeza não seria tão aterradora se parasse por aí. O problema surgiu quando o repórter Nick Davies decidiu investigar a história mais a fundo e descobriu um lamaçal de crimes e corrupção que afetava boa parte da imprensa britânica, com ramificações no gabinete do primeiro-ministro e no alto escalão da Scotland Yard. [Leia +]

Orgulho e preconceito e zumbis, de Seth Grahame-Smith e Jane Austen –  “É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros.” Assim começa essa paródia da obra consagrada de Jane Austen, que se tornou um best-seller do The New York Times. Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, nossa heroína, Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy.       O filme inspirado na obra, estrelado por Lily James (Cinderela) e Sam Riley (Malévola), estreia em fevereiro.

Leia também: Orgulho e preconceito e zumbis nos cinemas

Sr. Tigre solto na selva, de Peter Brown – Para tudo tem hora e lugar… até para se soltar! Ninguém esperava isso do sr. Tigre. Sempre tão comportado, tão polido, tão educado. De terno e cartola, lá estava ele, totalmente acostumado à vida na cidade, aos cumprimentos distantes, ao refinado chá da tarde. Ele queria se soltar, queria ser selvagem. E um dia, foi isso o que ele fez. Só que, num mundo tão civilizado, a mudança não pegou muito bem. Mais um livro de Peter Brown, autor e ilustrador de Minha professora é um monstro! (Não sou, não.)

 

testeO Regresso é o grande vencedor do Globo de Ouro de 2016

GloboDeOro

(Foto: REUTERS/Lucy Nicholson)

O Regresso, novo filme do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, foi o grande vencedor da noite de ontem, levando os três Globos de Ouro a que havia sido indicado: melhor filme (drama), melhor diretor e melhor ator principal. Em sua 11ª nomeação, Leonardo DiCaprio recebeu o prêmio pela terceira vez por sua interpretação de Hugh Glass, um caçador de ursos em busca de vingança.

Com estreia marcada para 4 de fevereiro nos cinemas brasileiros, O Regresso é inspirado no livro homônimo de Michael Punke que acaba de ser lançado pela Intrínseca.

untitledNa trama baseada em fatos reais, os caçadores da Companhia de Peles Montanhas Rochosas desbravam as terras inexploradas dos Estados Unidos no século XIX, enfrentando diariamente o clima implacável, os animais selvagens e a ameaça constante de confronto com os índios, que defendiam suas terras da invasão dos homens brancos.

Em uma das missões da companhia, Hugh Glass, um dos melhores e mais experientes caçadores do grupo, fica frente a frente com um urso-cinzento, é atacado e termina gravemente ferido, aparentemente sem chances de sobreviver. Os homens que deveriam esperar sua morte e lhe oferecer um funeral apropriado o abandonam, levando consigo as armas e os suprimentos. Entre delírios, Glass os observa fugindo e é tomado por um único desejo: vingança.

Veja todos os vencedores do Globo de Ouro 2016