testeEstá aberta a votação dos melhores livros do ano, segundo o Goodreads

O Goodreads é uma plataforma digital de catálogo que, todos os anos, realiza uma votação entre usuários para premiar os melhores livros lançados nos últimos doze meses. Ao longo de novembro, os leitores poderão votar nos seus livros favoritos nas 21 categorias disponíveis. Já começaram as semifinais, e a Intrínseca tem vários livros na disputa!

Confira os indicados ao Goodreads Choice Awards:

Na categoria Melhor Ficção, tem Ainda sou eu, a conclusão da trilogia Como eu era antes de você, de Jojo Moyes, e Nine perfect strangers, o novo livro de Liane Moriarty, autora de Pequenas grandes mentiras.

Em Melhor Livro Jovem Adulto, tem o recém-contratado Emergency Contact e dose dupla de Becky Albertalli, com Leah fora de sintonia e a grande novidade What if it’s us! Escrito por Albertalli em parceria com Adam Silvera, o livro, ainda sem título em português, será lançado no Brasil em 2019. Ele narra a história de Ben, um menino que, depois de um término difícil, vai ao correio para enviar os pertences do ex-namorado e acaba conhecendo Arthur, que está de férias na cidade. O que poderá sair desse encontro? Os dois terão que se arriscar para descobrir.

Em Ciência & Tecnologia, estão concorrendo Breves respostas para grandes questões, o presente final de Stephen Hawking para a humanidade, e Como mudar sua mente, de Michael Pollan.

Em Infantojuvenil, tem Labirinto de fogo, terceiro livro da série As provações de Apolo, de Rick Riordan, e, na categoria Livro Ilustrado, o fofíssimo Love, a ser publicado.

O homem de giz, de C. J. Tudor, concorre em duas categorias: Mistério & Thrillers e Autor Estreante.

Mais escuro, o segundo livro da trilogia Pelos olhos de Christian, está concorrendo em Romance, e A forma da água, em Fantasia. As obras ainda não publicadas Where the crawdads sing, de Delia Owens, e We sold our souls, de Grady Hendrix, estão concorrendo respectivamente em Romance Histórico e Terror, e o segundo volume de Black Hammer, O evento, em Graphic Novels & Quadrinhos.

Na categoria Best of the Best, que reúne os livros mais votados das últimas edições da premiação, estão concorrendo alguns dos nossos livros favoritos: A culpa é das estrelas, de John Green; Pequenos incêndios por toda parte, de Celeste Ng; O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman; Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr; e Garota exemplar, de Gillian Flynn.

A votação vai até o dia 26 de novembro, e os vencedores serão anunciados no dia 4 de dezembro. Não esqueça de votar e escolher os seus favoritos!

testePor onde e por que ler Neil Gaiman?

Por Daniel Lameira*

Deuses, crianças e adultos buscando se entender. Para isso vão ao inferno, visitam mundos paralelos, atravessam portas misteriosas. Em cada história de Gaiman, acompanhamos personagens cativantes que partem em jornadas mágicas, muitas vezes para, no fim, descobrir que a resposta estava o tempo todo dentro de si.

Como se fossem artefatos mágicos, os livros do simpático inglês descabelado desapareceram durante anos das livrarias e das mãos dos leitores brasileiros. Um dos maiores autores do mundo acabou se tornando, em nossas terras, conhecido apenas por um nicho, e não pelo grande público. Isso começou a mudar nos últimos anos. Agora, com grande parte de sua obra de volta às prateleiras e uma série de TV estreando, vamos viver em 2017 o ano de Neil Gaiman.

Com dezenas de livros e opções, alguém que ainda não se aventurou nesse universo pode se perguntar qual o melhor caminho a trilhar. Estou aqui para tentar ajudar nessa encruzilhada. Mas antes, uma questão: por que deveríamos ler Neil Gaiman?

Por que ler Gaiman?

Vejo duas palavras entrelaçadas como resposta: mágico e humano. É a relação de ambas que traz, em diversas camadas, a beleza de Gaiman. O resultado é que, ao terminar qualquer obra do autor, vejo a nossa realidade, as pessoas e suas atitudes, com mais magia. E isso acontece não como um escapismo; o fantástico ajuda a enxergar melhor o real.

Gaiman tem essa habilidade rara de se encontrar em outros escritores. Seja o leitor que enveredou pelos lindos caminhos dos clássicos da fantasia, o leitor de quadrinhos, ou o que se emocionou com romances, até o leitor que prefere não ficção ou títulos premiados, todos encontram em Gaiman um ponto de equilíbrio. Talvez isso seja explicado em parte por suas inspirações, que passam pelos fantasiosos Tolkien, Pratchett, Douglas Adams, Lovecraft, Alan Moore, mas também por Jorge Luis Borges, G. K. Chesterton e Bulgákov.

Além de transitar tranquilamente por áreas como criação, romances, quadrinhos, infantis, contos, ensaios, biografias, Gaiman também dirigiu filmes, e se posiciona no cenário cultural de forma exemplar. Ele expôs suas opiniões diversas vezes sobre grandes temas da atualidade: refugiados, política, feminismo. E também é presente nas discussões literárias desde como a fantasia é vista injustamente como uma literatura menor, passando pelas polêmicas envolvendo fascistas em premiações e até defendendo o George R. R. Martin da fúria dos leitores que exigem o próximo livro.

Se não é o bastante, talvez você divida comigo a empolgação de ver um autor no auge da sua criação em atividade. Um escritor que será lembrado na posteridade como um dos gênios e influenciadores culturais de nosso tempo, e que nos ensina a ver mais camadas além da realidade material.

 

Por onde começar ou continuar a ler?

Deuses americanos

Este é o momento certo para você ler esse que é considerado o maior romance de Gaiman. Só porque a nossa edição linda tem trechos inéditos e muito mais? Também, mas principalmente porque enfim a série American Gods acaba de estrear! Está sendo considerada a próxima grande sensação da TV, e essa primeira temporada deve cobrir apenas um terço do romance.

 

Na história, Shadow Moon, dias antes de terminar sua sentença e sair da cadeia, descobre que sua esposa acaba de falecer. Sem rumo, ele começa a encontrar personagens misteriosos e parte em uma road trip fantástica pelos Estados Unidos, tornando-se peça essencial em uma guerra entre deuses.

A mitologia criada para esse livro é excelente: os deuses que estão guerreando se dividem entre deuses antigos (gregos, egípcios, hindus, nórdicos etc.) e novos (como a mídia, a tecnologia e o dinheiro). Mas, mais do que o épico, é nos elementos pequenos, a cada encontro, cada local pelo qual o protagonista passa – os seus encontros com esses seres mitológicos agora personificados – que a escrita de Gaiman cresce e mostra por que é única.

 

O oceano no fim do caminho

Se você quer algo introspectivo e belo, O oceano no fim do caminho talvez seja a pedida certa. Esse romance recente do autor é uma pequena joia.

No início, a ideia era que fosse uma novela, mas o texto foi ganhando substância e se tornou um pequeno romance de duzentas páginas. Gaiman o escreveu enquanto passava um tempo distante de sua esposa, Amanda Palmer, e foi colocando elementos que ela gostaria de ler. Como ela não é muito fã de fantasia, os aspectos fantásticos aqui ficam um pouco atenuados. Tem um lado autobiográfico interessantíssimo: o narrador do livro é um adulto que, em um funeral, começa a relembrar sua infância, diversos episódios reais, e sua relação com umas vizinhas estranhas e fantásticas.

 

Sandman

Minha cabeça realmente explodiu quando li Sandman. Já tinha lido diversas outras graphic novels de renome, de Cavaleiro das Trevas e Watchmen a Will Eisner e Spiegelman, mas acho que a história de Morpheus – forma antropomórfica do Sonho – se libertando de sua prisão e reencontrando seus irmãos (Morte, Destino, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio) é incomparável.

Aqui também, muito mais do que os grandes arcos, os pontos altos são as pequenas histórias e como esses seres transcendentais e poderosíssimos se relacionam e influenciam os seres humanos, desde o mais desconhecido até Shakespeare.

 

Belas maldições

Gaiman era um grande amigo e admirador desse autor que é ainda menos conhecido por aqui, mas que é um dos mais importantes autores de fantasia: Terry Pratchett, criador da série que mais me fez rir na vida, Discworld. Juntos, eles escreveram esse que é o mais sarcástico e irônico livro desta lista. Perfeito para os fãs de Douglas Adams, por exemplo.

No livro, um demônio e um anjo percebem que nem o céu nem o inferno são tão legais para se passar o tempo todo e se juntam para evitar o Apocalipse. Uma dica: quando ler, tente identificar quais capítulos foram escritos por Gaiman e quais são os do Terry Pratchett.

 

Bônus track

Mitologia nórdica: Assista esse vídeo incrível do próprio Gaiman apresentando o seu mais recente livro.

Lugar nenhum: Primeiro romance do autor, passado em uma Londres subterrânea. Também é uma ótima porta de entrada.

Para os pequenos: Coraline, João & Maria e Livro do Cemitério.

E para os menores ainda: Cabelo Doido, Os lobos dentro das paredes e O dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados.

E para aqueles que precisam de um pouco de inspiração: Faça boa arte, o discurso de Gaiman aos graduandos da University of the Arts que se transformou nesse livrinho – idealizado pelo designer gráfico Chip Kidd –, traz suas ideias sobre criatividade, bravura e força, encorajando os novos pintores, músicos, escritores e sonhadores a pensar de forma inovadora.

Me obrigaram a encerrar este texto, senão ele se estenderia infinitamente. Eu aprendi a amar literatura com diversos autores e me apaixonei por muitos outros no caminho: R. L. Stevenson me fez navegar os mares de uma literatura empolgante pela primeira vez, J. K. Rowling mudou os rumos da minha vida, Tolkien e Terry Pratchett expandiram o que eu achava possível fazer em livros até então… Depois me empolguei com livros de Brandon Sanderson, Susanna Clarke, Philip Pullman, Ursula K. Le Guin e George R. R. Martin. Mas Gaiman sempre me surpreende com sua leveza e profundidade, por conseguir andar pelos campos mais etéreos da nossa mente, mas falar, ao mesmo tempo, do que há de mais humano dentro de nós.

 

*Daniel Lameira é editor de aquisições da Intrínseca. Ficou muito feliz por ter atendido Gaiman quando trabalhava em uma livraria, mas triste por não ter o livro que ele pediu.

testeLivros para comemorar 1 ano de Papo Nerd no Estoque!

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O Papo Nerd no estoque está completando um ano hoje! Em 2016, nosso programa de terças no Snapchat (ed.intrinseca) falou sobre os temas mais diversos do universo Geek em 2016, culminando na nossa transmissão ao vivo direto da Comic Con Experience, em São Paulo – que você pode assistir na íntegra em nosso youtube.

E, como um episódio especial de fim de ano da sua série favorita, separamos 5 livros em parceria com a Amazon que terão 30% de desconto por 24 horas! Para aproveitar este presente, é só assistir ao programa desta terça-feira, 13 de dezembro, em nosso Snap e clicar neste link. Os livros com desconto são:

 

O código Bro + Playbook

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Livros originados da série de TV How I Met Your Mother, O código Bro e Playbook: O manual da conquista são duas das inúmeras maluquices criadas por Barney Stinson (Neil Patrick Harris), personagem da série.

O código Bro é a compliação do código de conduta dos Bros, com regras simples como “Um Bro não permite que outro se case antes dos 30” (Artigo 32), regras para performances em pista de dança e afins, “Um Bro nunca dança com as mãos acima da cabeça” (Artigo 15), até dicas de moda, “A menos que tenha filhos, um Bro nunca deve usar o celular preso no cinto” (Artigo 26).

Playbook: O manual da conquista traz desde técnicas de sedução para conquistar qualquer pessoa – desde que ela não se incomode com um pouco de insanidade aos moldes de seu autor. Indicado tanto aos iniciantes quanto aos mais experientes, o livro também é para aqueles que só querem tentar táticas absurdas na arte de conquistar alguém.

 

O oceano no fim do caminho

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Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem.  Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa.

Livro surpreendente de Neil Gaiman, O oceano no fim do caminho demonstra um raro entendimento daquilo que nos torna humanos, e mostra o poder que as histórias têm de revelar e, ao mesmo tempo, de nos proteger dos perigos dentro e fora de nós. É uma fábula emocionante, assustadora e melancólica. Um convite a repensar a escuridão que espreita as memórias da infância.

 

Lugar Nenhum

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Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a sua pacata vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, habitada por criaturas, monstros e lendas.

 

Deuses americanos

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Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, Deuses americanos mostra a road trip de um ex-detento, Shadow Moon, e seu misterioso empregador, que atravessam os Estados Unidos reunindo um estranho grupo de pessoas para uma guerra que está por vir. O que Shadow logo descobre é que o conflito será entre divindades antigas — como Odin e Anansi — e novos deuses, como Mídia e Tecnologia.

Clássico de Neil Gaiman, Deuses americanos será adaptado para a televisão em 2017.

Se você ainda não conhece nosso Snapchat, basta usar o aplicativo para escanear o código abaixo e aproveitar a semana especial em parceria com a Amazon.

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testeObra-prima de Neil Gaiman, Deuses americanos será relançado em edição especial!

Então as luzes se apagaram, e Shadow viu os deuses.

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Em 1992, Neil Gaiman deixava a Inglaterra, sua terra natal, e se mudava para os Estados Unidos.

Tendo consumido ao longo da vida séries, livros e filmes que exaltavam a cultura americana, o autor acreditava que a adaptação ao novo lar seria tranquila. Mas, ao chegar, Gaiman finalmente pôde conhecer o país a fundo. Misturando suas experiências com diversas referências mitológicas, o autor captou a essência americana em um livro, lançado originalmente em 2001 e que se tornaria uma de suas obras mais importantes: Deuses americanos.

Em breve, a Intrínseca relançará o clássico, em uma nova Edição Preferida do Autor. Contando com capítulos expandidos, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução, o livro chega às livrarias a partir de 24 de outubro.

A história acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia ansiando retornar para a esposa. Dias antes do fim de sua pena, Shadow descobre que ela faleceu após um acidente, e fica sem rumo na vida.

Após o velório, ele conhece Wednesday, um homem com olhar enigmático e que está sempre com um sorriso insolente no rosto, e ele lhe oferece um emprego. É em sua nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade de seu chefe e que, além de pessoas dos mais diversos cantos do mundo, os Estados Unidos também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, uma história sobre perda e redenção, sobre o velho e o novo, sobre memória e fé, Deuses americanos é o exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman.

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Shadow Moon (Ricky Whittle) e Wednesday (Ian McShane) – Fonte

Em 2017, a obra será adaptada para a TV, em uma série produzida por Bryan Fuller (das séries Hannibal, Pushing Daisies e dos novos filmes da franquia Star Trek) e pelo próprio Gaiman. Shadow Moon será interpretado pelo ator Ricky Whittle (da série The 100), enquanto Ian McShane (Piratas do Caribe e Game of Thrones) fará Wednesday. Completam o elenco Gillian Anderson (Arquivo X), Emily Browning (Desventuras em Série), Pablo Screiber (Orange Is the New Black) e Crispin Glover (De Volta Para o Futuro). O primeiro trailer foi divulgado recentemente, e pode ser visto logo abaixo:

testePor que visitar Lugar Nenhum

Bem-vindo à Londres de Baixo!

Por Larissa Helena*

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Ilustração de Juliette Arda (Fonte)

Se você está morrendo de vontade de tirar férias e precisa de ideias para uma viagem fantástica, pode parar de procurar: seu próximo destino está aqui! Quer dizer, na livraria mais próxima.

O que dá para garantir: emoção, aventura e surpresas em todas as paradas.

O que não dá para garantir: sua segurança. Ou sua antiga vida de volta.

Acontece que Lugar Nenhum é uma daquelas jornadas sem retorno: depois de passar pelas portas secretas que levam à Londres de Baixo, de conhecer o Mercado Flutuante e descobrir o verdadeiro perigo que se esconde entre o trem e a plataforma do metrô, fica muito, muito difícil voltar à superfície como se nada tivesse acontecido. Mesmo que você se esforce bastante.

Veja o caso de Richard Mayhew. Ele tem um emprego. Um apartamento. Uma noiva. Talvez seja meio esquecido, mas sua vida parece perfeitamente nos eixos: ocasionais visitas indesejadas ao museu para acompanhar sua alma gêmea, cervejas para discutir assuntos burocráticos com os colegas de trabalho… Tudo bem, talvez ele também tenha um coração mole. Mole demais para morar numa capital em que há pedintes em cada esquina, e “se você dá atenção, eles se aproveitam”, como bem lhe lembra a noiva. Mas ele não consegue fazer como todo mundo e simplesmente fingir que não os vê.

Tudo isso é razoavelmente perdoável, até o dia em que uma menina ensanguentada brota de uma parede bem na frente dele, a minutos de um jantar crucial. O que Richard pode fazer senão ajudá-la, contra a vontade da noiva e o próprio bom senso? Para ele, é assim que tudo começa.

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Lugar Nenhum, aliás, também começou como uma espécie de rebeldia. Neil Gaiman era jornalista, já publicara algumas histórias em quadrinhos e começava a realizar seu sonho de escrever ficção para várias plataformas quando foi convidado pela BBC para desenvolver o roteiro para uma série para a TV. Só que muitas de suas ideias foram cortadas ou alteradas para caber no orçamento e no formato do programa e ele resolveu escrever este livro, “para manter a sanidade mental”.

O resultado foi uma espécie de “versão do diretor” (só que, no caso, do roteirista). Controle total: quando uma cena não entrava na série, ia parar no livro, e, ao longo de muitos anos, ele ainda pôde cortar e acrescentar informações, até culminar na edição definitiva, que chega pela primeira vez às prateleiras brasileiras — com direito a uma introdução do autor, um prólogo original e um conto inédito. Além disso, parte do motivo para Neil Gaiman gostar bem mais desta versão é que o texto funciona tanto para os que estão familiarizados com o mapa do metrô de Londres quanto para quem não sabe nada sobre a capital.

Eu era justamente do grupo dos novatos quando tudo começou para mim. Uma adolescente fascinada pela Inglaterra, e também obcecada por ordens cronológicas, por isso Lugar Nenhum foi o primeiro livro do Neil Gaiman que li. Eu esperava embarcar num livro, e acabei numa viagem a Londres. Mas não era bem a Londres que eu sonhava conhecer; aquela era excêntrica, sombria e convidativa, e ao mesmo tempo perigosa e fascinante como uma besta.

Tudo começa com portas.

Tudo começa com portas. (Fonte: BBC)

E ficou retida no meu imaginário de um jeito tão vívido que mais tarde, quando fui de fato a Londres (à de cima, afinal, vocês ainda conseguem ler o que eu escrevo… né?), encarava as estações me perguntando o que haveria ali embaixo, por trás e ao redor, invisível sob o nevoeiro da cidade.

Foi quando entendi a dimensão do que o Gaiman tinha feito. Andando por Londres, é difícil não misturar ficção e realidade, caminhar sem evocar fantasmas de Sherlock Holmes, da Alice ou do Doctor Who pairando sobre a paisagem. Em seu primeiro romance, ele chegou já com o pé na porta, inscrevendo seu nome no rol dos notáveis que adicionaram mais uma camada de significado inteirinha, original e fresca (modo de falar, porque a Londres de Baixo é bolorenta e tem cheiro de esgoto) a uma cidade que já parecia saturada de referências. Gaiman provou que sempre há espaço para mais.

Além de tudo isso, Lugar Nenhum é uma épica fantasia urbana com pitadas de contos de fadas, surpreendentemente adulta e ao mesmo tempo capaz de evocar o sentimento de fascinação infantil de quando fomos apresentados pela primeira vez a histórias fantásticas. Guiados pela história de Richard, conseguimos vislumbres pontuais de um universo de infinitas possibilidades, que se expande para muito além dos limites do livro, na tradição dos clássicos como os de Lewis Carroll ou C. S. Lewis.

No que diz respeito à obra de Gaiman, Lugar Nenhum serve ao mesmo tempo como introdução e relicário. Para quem não conhece outros livros dele, é a oportunidade para desvendar a especialidade do autor: construir um mundo extraordinário curiosamente coerente e sinistramente próximo do nosso, reconhecível através de indícios e que deixa uma impressão clara e duradoura na mente do leitor. Para os que já são fãs do autor, a experiência é gratificante por outros motivos: vasculhando bem, dá para encontrar referências claras a Will Eisner, um humor com gostinho de Douglas Adams e uma infinidade de temas que voltam a aparecer nas histórias de Shadow ou dos Perpétuos, para citar alguns exemplos.

Para mim, quando a Londres de Baixo entrou em cena de novo, muitos anos depois que tudo começou, fiquei tão fascinada quanto da primeira vez. E novamente, na vida real como na história de Richard, foi a cidade de cima que ficou invisível para mim: enquanto eu lia, percorrendo nas páginas os caminhos subterrâneos de Londres, passei reto várias vezes da estação de metrô em que precisava saltar.

>> Leia um trecho de Lugar Nenhum

 

*Larissa Helena teve certeza de que queria trabalhar com literatura há dez anos, quando começou sua pesquisa acadêmica sobre Neil Gaiman. Hoje ela é editora, e já teve o prazer de negociar e editar livros do autor. Também é tradutora e pesquisadora especializada em literatura fantástica ou voltada para o público jovem adulto.

testeSe você gosta de… vai gostar de…

Lista Gosta gosta

Em algumas ocasiões, ficamos sem um bom livro para ler, seja por finalmente acabarmos de ler aquela pilha de leituras atrasadas ou por não termos certeza de que o livro que vimos na livraria é realmente interessante. Pensando nisso, separamos algumas recomendações de acordo com outros livros, séries e filmes que você pode gostar.

– Gosta de Extraordinário? Você vai gostar de Pax

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A tocante história de Peter e sua raposa de estimação Pax tem tudo para agradar aos fãs do menino Auggie. Com importantes lições sobre amizade e crescimento, o livro de Sara Pennypacker emociona o leitor desde a primeira página. Natureza e humanidade se encontram nessa obra-prima sobre lealdade e amor.

– Gosta de A menina que roubava livros? Você vai gostar de Toda luz que não podemos ver

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É inegável o papel transformador da Segunda Guerra Mundial na história. Mesmo fora do front de batalha, o impacto do conflito afetou de forma drástica a vida dos milhões de civis que viviam na Europa, inclusive à das crianças. Se você se emocionou com a história de Liesel em A menina que roubava livros, o vencedor do Pulitzer Toda luz que não podemos ver é a pedida ideal.

– Gosta de Curtindo a Vida Adoidado, As Vantagens De Ser Invisível ou A culpa é das estrelas? Você vai gostar de O dia da morte de Denton Little.

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Livros como A culpa é das estrelas e filmes como As Vantagens De Ser Invisível mostraram que é possível escrever para jovens e abordar assuntos delicados como morte e depressão. Adicione a essa temática a atmosfera hilária e irreverente de filmes clássicos como Curtindo a Vida Adoidado, e será impossível não se encantar por O dia da morte de Denton Little.

– Gosta de O Guia Do Mochileiro Das Galáxias, Twin Peaks ou Gravity Falls? Você vai gostar de Welcome to Night Vale.

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Você se interessa por coisas surreais, hilárias e ligeiramente assustadoras? Então você precisa conhecer Welcome to Night Vale. Localizada no meio do deserto americano, Night Vale é lar de teorias da conspiração e criaturas bizarras e vai agradar em cheio os fãs de esquisitices literárias.

– Gosta de Para todos os garotos que já amei? Você vai gostar de Isla e o final feliz.

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Se você gosta de personagens femininas fortes e de romances complicados, os principais ingredientes de Para todos os garotos que já amei, é hora de dar uma chance a Isla e o final feliz. Enquanto o terceiro livro de Jenny Han não chega às livrarias brasileiras, você vai se deliciar com os encontros e desencontros de Isla e Josh.

– Gosta de Downton Abbey e filmes de época como Desejo e Reparação? Você vai gostar de Belgravia e Miniaturista.

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Fãs de dramas de época, carentes após o fim do sucesso de crítica e público que foi Downton Abbey, podem comemorar, pois temos duas recomendações imperdíveis: a primeira é Belgravia, série em folhetim do mesmo autor de Downton Abbey, Jullian Fellowes, ambientada nos anos 1840, na véspera da Batalha de Waterloo. A segunda é Miniaturista, de Jessie Burton, trama que se passa na elitista sociedade da Amsterdã do século XVII.

– Gosta de mistérios como Lost e Stranger Things? Você vai gostar de S.

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Recentemente a série da Netflix Stranger Things mostrou que ainda existe espaço para os fãs de mistérios surpreendentes. Responsável pela série Lost, J.J. Abrams se estabeleceu em Hollywood como uma espécie de mestre dos suspenses criativos e originais, e foi o responsável por trazer Star Wars de volta aos cinemas. Abrams também se aventurou no mundo dos mistérios literários junto de Doug Dorst e concebeu S., um livro-jogo com diversas histórias e segredos, em que o leitor é mais do que sujeito passivo da história, atuando diretamente na descoberta dos mistérios da obra.

– Gosta de O oceano no fim do caminho, Deuses americanos e Doctor Who? Você vai gostar de Lugar Nenhum.

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Neil Gaiman é um dos escritores mais criativos da atualidade. Se você gostou de best-sellers do autor, como Deuses americanos e o recente O oceano no fim do caminho, é hora de conhecer Lugar Nenhum. Com pitadas de surrealismo similares à série Doctor Who, o livro apresenta um mundo secreto escondido nos subterrâneos de Londres.

 

testeAs perturbações de Neil Gaiman compiladas em Alerta de Risco

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Neil Gaiman já explorou lendas africanas, contos de fadas, memórias de infância e até mesmo os subterrâneos secretos da Inglaterra. Mas é nos contos que o autor esmiúça sua faceta mais perturbadora.

Em Alerta de risco, nova coletânea de contos do autor, o leitor vai mergulhar em histórias hipnotizantes, capazes de despertar surpresa e assombro, como o conto “Cão negro”, que revisita o mundo de Deuses americanos ao narrar um episódio que envolve Shadow Moon em um bar durante seu retorno aos Estados Unidos.

Alerta de risco chega às livrarias a partir de 22 de agosto. Leia um trecho abaixo, ou clicando no link.

“Introdução

1. Pequenos gatilhos

Certas coisas nos incomodam. Mas não é bem a essas que vou me referir aqui. Na verdade, tenho em mente aquelas imagens, palavras ou ideias que se abrem como alçapões sob nossos pés, nos arrancando do nosso mundo calmo e confortável para nos lançar em um mundo sombrio e nada acolhedor. O coração dá um salto vertiginoso no peito, a respiração fica difícil. O sangue foge do rosto e das mãos, nos deixando pálidos e ofegantes, em choque.

E o que aprendemos sobre nós mesmos nesses momentos em que o gatilho é apertado é que o passado não morre. Certas coisas ficam à espreita, esperando pacientemente por nós, em passagens sombrias da nossa vida. Acreditamos que ficaram para trás, que as ultrapassamos, que lá vão ressecar e encolher e serão levadas pelo vento — mas estamos enganados. Elas permaneceram lá na escuridão, à espera, se exercitando, praticando seus golpes mais potentes, o soco impetuoso, duro e insensível no estômago, só aguardando o momento em que voltaríamos por aquele caminho.

Os monstros que habitam nossos armários e nossa cabeça jamais deixam a escuridão, como o mofo que cresce sob a tábua corrida e atrás do papel de parede. E há tanta escuridão… remessas incessantes de escuridão. O universo e seu vasto estoque de sombras.

Do que precisamos ser alertados? Todos temos nossos pequenos gatilhos. A primeira vez que vi a expressão “alerta de risco” foi na internet [derivada do inglês trigger warning], onde é usada geralmente quando há links para imagens ou ideias que podem ser perturbadoras e desencadear lembranças traumáticas, ansiedade ou pânico. A intenção é que as pessoas identifiquem essas imagens e ideias em meio a outros conteúdos e possam evitá-las ou se preparar mentalmente para se deparar com tais gatilhos.

Fiquei fascinado quando soube que os alertas de risco tinham cruzado a fronteira que separa a internet do mundo tangível. Muitas universidades estavam considerando incluir alertas de risco em livros, obras de arte e filmes, para precaver os estudantes contra o que os esperava. A ideia me pareceu ao mesmo tempo atraente (é claro que desejamos informar pessoas suscetíveis de que algo pode vir a perturbá-las) e preocupante: Sandman foi publicado originalmente como um quadrinho mensal, que sempre trazia um aviso ao mundo dizendo que era conteúdo adulto, e isso me parecia adequado. Era um recado para os leitores em potencial, informando que aquilo não se tratava de um quadrinho infantil e que continha imagens ou ideias possivelmente perturbadoras e sugerindo que o leitor adulto (seja lá quem se encaixe nessa categoria) lidaria sozinho com as consequências. Quanto ao que haveria ali de perturbador, chocante ou capaz de suscitar pensamentos incomuns, eu achava que avaliar isso era responsabilidade do leitor. Se somos adultos, cabe a nós decidir o que queremos ler ou não.

Na minha opinião, o que escolhemos ler quando adultos deveria vir sem nenhum alerta, ou, no máximo, um “prossiga por sua própria conta e risco”. Precisamos descobrir o que é a ficção, encontrar o significado de uma experiência que será diferente da experiência de qualquer outra pessoa.

Construímos as histórias na nossa mente. Pegamos palavras e lhes conferimos poder, e nos colocamos atrás de outros olhos, enxergando e vivenciando o que os outros veem. Eu me pergunto: A ficção é um lugar seguro? E, em seguida: Deveria ser? Quando criança, li algumas histórias que, depois de terminar, lamentei tê-las encontrado, pois não estava pronto e elas me deixaram transtornado: histórias que continham desamparo extremo, ou que mostravam pessoas sendo constrangidas ou mutiladas, em que adultos eram retratados como vulneráveis e os pais em nada podiam ajudar. Essas histórias me perturbaram e assombraram meus sonhos — os noturnos e os diurnos —, provocando em mim preocupação e incômodo em níveis profundos, mas também me ensinaram que, ao ler ficção, eu só descobriria os limites da minha zona de conforto se saísse dela. Hoje, já adulto, eu não optaria por não as ter lido, nem se pudesse.

Ainda há coisas que me perturbam profundamente quando encontro essas histórias, seja na internet, no texto ou no mundo. Nunca se tornam mais fáceis, nunca deixam de fazer meu coração bater mais forte, nunca me permitem escapar ileso. No entanto, elas me ensinam, abrem meus olhos e, se me machucam, o fazem de maneira que me leva a pensar, crescer e mudar.

Ao ler a respeito daqueles debates universitários, me perguntei se um dia minhas obras de ficção viriam acompanhadas de um alerta de risco. Será que haveria justificativa para tanto? Então, decidi colocá-lo antes que alguém o fizesse.

Este livro, assim como a vida, contém elementos capazes de perturbá-lo. Aqui você vai encontrar morte e dor, lágrimas e desconforto, violência de todos os tipos, crueldade e até abuso. Há também gentileza de vez em quando, espero. Até um punhado de finais felizes. (Afinal, poucas histórias terminam mal para todos os participantes.) E mais: conheço uma mulher chamada Rocky que tem forte sensibilidade a tentáculos e realmente precisa de alertas para coisas que contenham tentáculos, especialmente tentáculos com ventosas, e que, se encontrar um pedaço inesperado de lula ou polvo, vai se esconder atrás do sofá mais próximo, tremendo. Há um tentáculo imenso em algum lugar nestas páginas.

Muitas das histórias terminam mal para pelo menos um dos envolvidos. Considere-se alertado.

 

2. Procedimentos de segurança para o voo

Às vezes, imensas verdades são proferidas em contextos inusitados. Eu viajo demais de avião — uma ideia e uma frase que eu seria incapaz de compreender na juventude, quando cada voo era um evento empolgante e milagroso, quando eu olhava pela janela e imaginava que as nuvens eram uma cidade ou um mundo, algum lugar onde eu pudesse caminhar tranquilamente. Mas mesmo hoje, no início de cada voo, me vejo meditando e ponderando sobre os conselhos oferecidos pela tripulação como se fossem um koan, uma pequena parábola ou o ápice de toda a sabedoria humana.

Os comissários de bordo dizem:

Coloque sua máscara antes de ajudar os outros.

E penso em nós, todo mundo, e nas máscaras que usamos, as máscaras atrás das quais nos escondemos e aquelas que revelamos. Imagino as pessoas fingindo ser o que não são e descobrindo que os outros são muito mais e muito menos do que o papel que representam e do que a imaginação permite conceber. Então penso na necessidade de ajudar os outros, em como nos mascaramos para fazer isso e em como nos tornamos vulneráveis se tirarmos a máscara…

Estamos todos usando máscaras. É isso que nos torna interessantes.

Estas histórias tratam dessas máscaras e dos indivíduos que vivem sob elas.

Nós, escritores, que vivemos da ficção, somos um continuum daquilo que vimos e ouvimos e, ainda mais importante, de tudo o que lemos.

Tenho amigos que esbravejam, rosnam e explodem de frustração porque as pessoas não conhecem as referências, não sabem o que está sendo indicado, esqueceram autores, histórias e mundos. Tendo a observar isso de uma perspectiva diferente: também já fui uma folha em branco, esperando pela escrita. Foram as histórias que me ensinaram sobre as coisas e pessoas, e foram as histórias que me apresentaram outros autores.

Muitos dos contos deste livro — talvez a maioria — fazem parte desse mesmo continuum. Existem porque outros autores, outras vozes, outras mentes existiram. Espero que você não se importe se, nesta introdução, eu aproveitar a oportunidade para indicar alguns dos autores e lugares sem os quais estas histórias talvez jamais vissem a luz do dia.

 

teste12 livros que podem salvar (ou não) sua pele caso o planeta seja destruído

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No Dia da Toalha, os especialistas em sobrevivência da Intrínseca listaram 12 livros que podem ajudá-lo (ou não) a salvar sua pele. Após exaustivas pesquisas, detectamos quatro comportamentos clássicos mediante cataclismos. Mas tenha em mente que nem todos podem garantir sua sobrevivência.

 

Essa é sua chance! Com base em tudo o que você já leu, esse pode ser o seu momento de salvar o mundo! Ainda não leu nada que possa ajudar? Bom, temos algumas dicas…

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1 – Aniquilação, de Jeff VanderMeer: Quem sabe, se você prestar bastante atenção, consiga achar um jeito de não se dar mal. A bióloga da 13ª expedição a Área X precisou se lembrar de todas as suas experiências observando a natureza para (tentar) entender as bizarrices que aconteciam por lá.

2 – Frank Einstein e o motor antimatéria, de Jon Scieszka: Se interessar por ciência é muito importante, mas é preciso ser criativo para aproveitar TUDO que temos em volta. Você pode ser a salvação do seu povo. Ou faça amizade com o Frank, certeza de que ele terá um plano incrível.

3 – Breve história do tempo, de Stephen Hawking: Nunca subestime o conhecimento. Sempre dá para usar física quântica para explicar por que não é uma boa ideia destruir seu planeta para construírem uma rodovia espacial.

 

O mundo vai acabar… E EU COM ISSO? Sério, você já rala demais todo dia. Não tem por que correr atrás de salvar o mundo também. Duvida? Talvez você se identifique com esses livros…

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4 – O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman: Às vezes o melhor é simplesmente ficar na sua. Talvez, se tivesse ouvido Lettie, o protagonista de O oceano, não teria se enfiado numa furada tão grande.

5 – Selva de gafanhotos, de Andrew Smith: Um apocalipse em forma de louva-a-deus canibais e tarados provocado por dois adolescentes. Como sobreviver baseado nessa história? Simples! Faça o contrário de tudo que Austin e Robby fizerem.

6 – Listografia, de Lisa Nola: Talvez não dê tempo de escrever uma biografia inteira para deixar para os arqueólogos aliens que com certeza vão xeretar os destroços do planeta para provar que, apesar de meio ingênua, nossa espécie tinha capacidade artística e cultural. Mas algumas listas devem conseguir exprimir toda a sua individualidade e transformá-lo em um exemplo da raça humana.

 

Xi, não deu… seu planeta já foi destruído… Mas espere! Você conseguiu entrar numa nave e escapar!

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7 – O olho do mundo, de Robert Jordan: Viagens espaciais são LONGAS. Muito longas. Aquele livrinho de 240 páginas não vai dar conta de te distrair. Uma série de livros grandes e um universo complexo é mais garantida. Dica: se precisar economizar espaço na bagagem, leia em e-book.

8 – Silo, de Hugh Howey: O confinamento também pode ser problemático e te deixar meio doido. Pouco espaço, sabe? Faça igual aos habitantes do silo e mantenha seu ambiente limpo. Apresentação é tudo e pode manter sua sanidade mental (por um tempo).

9 – Como o Google funciona, de Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg: Okay, okay, não deu pra salvar o planeta. Tudo bem. Se você foi esperto e conseguiu se enfiar uma nave, deve estar pronto para começar seu próprio império de informação em outro lugar.

 

Tá, na verdade o planeta não foi destruído. Mas vai que… Nunca é cedo demais para se preparar para um apocalipse. E nada melhor que aprender com quem já tem experiência no assunto.

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10 – Endgame, de Nils Johnson-Shelton e James Frey: Doze tribos treinam heróis para vencer um jogo criado por seres de outro planeta. Quer um manual melhor que esse de como agradar aqueles que vão destruir o seu planeta? Hora de procurar as chaves, parceiro.

11- Léxico, de Max Barry: Habilidades especiais são muito úteis em caso de apocalipse. Comece a exercitar sua mente. A arte de mover objetos e convencer pessoas será essencial para sua sobrevivência. Afinal, é primordial estar na primeira nave.

12 – O colapso de tudo, de John Casti: Não adianta aprender a sobreviver se os  humanos acabarem com o planeta antes. É preciso estar preparado para outras possíveis catástrofes, o que o manterá vivo para, sabe como é, ver seu planeta dar lugar a uma via expressa.

 

testeSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil Gaiman

Por Mariana Calil

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Meu pai pode ser uma pessoa bem constrangedora, às vezes. Do tipo que a família não faz pavê só para evitar A Piada. Sério. Um dia estávamos passeando no shopping e ele me tirou do chão e, me segurando pela cintura, me girou no ar. Por que ele fez isso no meio do shopping lotado? Só para ver se ainda conseguia. Mas vamos olhar pelo lado bom: pelo menos ele não morreu em um palco de karaokê, deixando uma desconhecida seminua ao cair.

Foi assim que o sr. Nancy morreu. Pobre Nancy. Isso nem foi um spoiler, já que acontece no primeiro capítulo de Os filhos de Anansi, clássico de Neil Gaiman que acaba de ganhar uma nova edição pela Intrínseca. A princípio a história toda parece muito louca: imagine ir ao funeral do seu pai, que você não via há anos, e descobrir que ele é uma encarnação de um deus africano (Anansi! No sul dos Estados Unidos, ele recebeu o apelido carinhoso de “Nancy”) e que você não recebeu nenhum poder dele porque seu irmão (que você nem sabia que existia) ficou com tudo. Ah, é, para entrar em contato com seu irmão, basta mandar o recado por qualquer aranha que ele aparece, ok? Meu pai pode até fazer umas cenas constrangedoras, mas acho improvável que seja páreo para Anansi.

link-externoLeia um trecho de Os filhos de Anansi

Mesmo assim Neil Gaiman me faz lembrar do meu pai constrangedor quando eu leio sobre o pai constrangedor de Fat Charlie, um rapaz que vê tudo mudar quando seu irmão, herdeiro de todos os poderes do deus africano, vai para o trabalho em seu lugar depois de uma noite de bebedeira dos dois. Acho que é justamente isso que me encanta tanto em Gaiman. Os personagens (humanos, deuses, espíritos, o que for) que vivem aventuras tão loucas têm traços bons e ruins como qualquer um que você conheça e estão, lá no fundo, buscando a mesma coisa que eu e você: afeto, diversão, justiça ou só viver uma vida normal, apesar das coisas completamente fora do nosso controle que aparecem no dia a dia.

Neil-Gaiman

Tudo bem, tudo bem, “fora do controle” em Gaiman vai um pouco além das circunstâncias normais. Outro exemplo: em O oceano no fim do caminho, inspirado em memórias de infância do autor, o protagonista sem nome (adoro isso) assiste a sua família entrar em colapso depois que a mãe contrata uma nova babá… Que por acaso é uma criatura monstruosa que ele conheceu quando foi para outra dimensão com sua vizinha, que parece uma bruxa, mas isso é só um detalhe. O que o personagem principal mais deseja é que sua família volte ao normal.

link-externoLeia também: O medo e a fantasia na obra de Neil Gaiman

Amo Neil Gaiman. O cuidado que ele tem com as palavras é tão grande que parece que a história está sendo contada para mim por um daqueles amigos cheios de casos. Eu me apego aos personagens. Espero ansiosa para conhecer as novas histórias (a Intrínseca está reeditando Lugar nenhum e vai publicar os inéditos Trigger Warning e Hansel & Gretel). E ele sempre me deixa pensando no quanto, mesmo sem elementos fantásticos, nossas vidas têm pessoas e histórias incríveis que às vezes deixamos de valorizar.

link-externoLeia também: Neil Gaiman apresenta A Verdade é uma caverna nas montanhas negras

link-externoLeia outros textos da equipe da Intrínseca:

Pássaros no escuro, Por Pablo Rebello
São só roupas, por Mariana Rimoli

Minha vida em 50 tons, por Nina Lopes

Keep YA Weird (ou a arte de fazer livros incríveis), por Talitha Perissé
Sobre livros e anjos, por Sheila Louzada
Amber Appleton e o poder da música, por Rachel Rimas

 

Mariana Calil é assistente editorial na Intrínseca. Tem um gosto muito louco para leitura, que vai de livros infantis a memórias de guerra, passando por literatura policial e ficção especulativa.

testeMuito além dos 19 minutos de Neil Gaiman

Neil com o livro

 

Façam boa arte. Esse foi um pedido sincero de ninguém menos que Neil Gaiman quando discursou para a turma de 2012 da University of the Arts na Filadélfia. Um discurso autêntico e repleto de significado – durante os 19 minutos em que falou, dois dos mais emblemáticos conselhos de Gaiman foram “criem suas próprias regras”  e “cometam erros”. Os conceitos libertadores defendidos para os alunos deram origem ao livro Faça boa arte, que será publicado pela Intrínseca em abril.

Gaiman teve a colaboração crucial do renomado designer gráfico Chip Kidd. A dupla abusa dos recursos gráficos e da metalinguagem para expressar o poder da criatividade. Gaiman alega que em qualquer área artística e de criação mesmo os erros que cometemos têm um grande potencial: com sensibilidade e muito trabalho, podem se transformar em brilhantes insights. Em relato pessoal, ele explica que certa vez, escrevendo Caroline em uma carta, inverteu de lugar o A e o O, e logo percebeu que Coraline parecia um nome de verdade. Um erro banal que, nas mãos do autor, tornou-se um fantástico acerto. Coraline é o título de um conto de fadas às avessas, publicado por Gaiman em 2002 e, mais tarde, adaptado para os cinemas. Uma história que conquistou milhares de novos admiradores para o trabalho do já aclamado autor.