testeEntenda como a JBS recebeu quantias extravagantes de dinheiro público

Em julho de 2010, Míriam Leitão fez os primeiros alertas sobre os riscos dos “empréstimos” feitos pelo BNDES em sua coluna publicada no jornal O Globo. Um dos exemplos dados pela jornalista foi o caso da JBS, que, na época, recebeu mais de R$ 7,5 bilhões.

Na coluna, que faz parte de A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro, Míriam revela como o frigorífico foi um dos  principais beneficiários dessa forma de atuação do banco. 

 

RISCO BNDES

O BNDES hoje representa um orçamento paralelo. Ele financia empreendimentos que, na prática, são estatizados, escolhe que empresas devem crescer e as subsidia através do endividamento público. O que precisa ficar claro é que o banco sempre subsidiou empresários, mas a natureza do banco mudou. A escala é maior, a origem do seu dinheiro é outra e o destino é cada vez mais discutível.

Tudo se passa assim: o governo transfere dinheiro para o BNDES através de supostos “empréstimos”. Como teoricamente são empréstimos, não entram na dívida líquida. Isso passou a ser uma das principais fontes de financiamento do BNDES. Antes, o funding do banco eram principalmente recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do retorno dos empréstimos que haviam sido concedidos. Nos últimos anos, o Tesouro passou a encher os cofres do banco com uma capitalização travestida de empréstimo. Só que o Tesouro se endivida a juros crescentes e em dívida de curto prazo. E o banco empresta a juros baixos e prazos longos.

Alguns dos grandes beneficiários dos créditos são empreendimentos que o governo está apressando, na parte final do mandato, para que sirvam de vitrine eleitoral, como a hidrelétrica de Belo Monte. A maioria do empreendimento fica nas mãos do governo ou de fundos de pensão das estatais. É do governo o risco, portanto. As empresas privadas, sócias nesses projetos, terão a vantagem de estar em obras sem risco. E elas ainda conseguem empréstimos do BNDES para esses e outros negócios nos quais têm interesse. O BNDES, com capital que veio de endividamento público — só nos últimos dois anos foram R$ 180 bilhões —, empresta para o próprio setor público ou para seus sócios diletos.

Há outra forma de atuação do banco que levanta legítimas preocupações: a reinvenção da ideia de criar “campeões nacionais”. Dar empréstimos gigantes para empresas para que elas se tornem grandes no mundo em seus setores. Em entrevista a O Estado de S. Paulo no domingo [18 de julho], o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que tinha “até vergonha de o país não ter grandes empresas em setores em que é competitivo”.

Um desses setores a que ele se refere certamente é o de frigoríficos, para o qual o banco tem aprovado empréstimos extravagantes. O JBS Friboi recebeu empréstimos de R$ 7,5 bilhões. Só de uma vez, fez um lançamento de R$ 3,47 bilhões em ações e o BNDES subscreveu 99,9% das ações vendidas. A família dona da empresa subscreveu o restante 0,1%. E tanto dinheiro era para comprar a Pilgrim’s Pride Corporation, com a justificativa de ajudar o processo de “internacionalização da empresa”. Ou seja, financiar o frigorífico para que ele pudesse comprar uma empresa no exterior. Em vários desses casos, o banco entrou também como sócio, subscrevendo ações das empresas. Fez o mesmo com a Marfrig: comprou debêntures da empresa para que ela tivesse capital e comprasse ativos nos Estados Unidos e na Irlanda. No pior caso, no setor de carne, o BNDES comprou ações num total de R$ 250 milhões de um frigorífico que logo depois entrou com um processo de falência, o Independência.

A vergonha não é não ter um grande frigorífico nacional comprando empresas no exterior, mas sim o fato de que eles precisem de tanto anabolizante estatal para crescer. Pior: os frigoríficos brasileiros não conseguiram demonstrar que não compram carne de área desmatada. Ao final de seis meses do pacto feito com ONGs e empresas importadoras de produtos brasileiros, esses grandes frigoríficos pediram mais seis meses para comprovar que seus fornecedores não produzem em área desmatada. Isso, sim, é vergonhoso.

Essa forma de atuação do BNDES recria dois vícios do passado. O Estado decidindo que empresa deve ser grande e um banco público liderando um processo que, na prática, é expansionismo fiscal.

Isso acaba impactando também a política monetária porque entrará no cenário do Banco Central, em sua análise para decidir sobre a elevação da taxa básica de juros, e ele terá que enfrentar a dualidade da política econômica. Enquanto o BC tenta conter a demanda para evitar a alta da inflação, o governo continua aumentando gastos através da atuação do BNDES ou de truques para contornar limites ao endividamento público. Foi o que acabou de acontecer esta semana com a decisão de permitir que alguns municípios se endividem acima do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Nada disso, como dolorosamente aprendemos, é inofensivo. Tudo cobra a sua conta mais cedo ou mais tarde. Na obsessão de fazer o sucessor, o governo Lula está criando — ou recriando — monstrengos na área fiscal. A mais assustadora herança para o próximo governo será essa forma de atuação do BNDES, que traz de volta velhos vícios que nos causaram tantos problemas no passado.

testeO que é preciso para se tornar um campeão?

Adriano de Souza (Fonte)

Adriano de Souza nasceu em uma sexta-feira 13, num barraco de madeira, numa favela do litoral paulista. Ainda criança, sua vida mudou completamente quando descobriu a alegria de brincar com uma prancha de surfe nas ondas do Guarujá. Baixinho, malnutrido, criado na pobreza, Mineirinho, como ficou conhecido, conseguiu superar suas limitações, colecionar títulos dentro e fora do Brasil e conquistar o campeonato mundial do esporte.

A jornada de Adriano foi registrada em Como se tornar um campeão pela jornalista Márcia Vieira, que em mais de trinta anos de carreira teve passagens por veículos como Jornal dos Sports, O Estado de S. Paulo e O Globo. Em entrevista exclusiva, a autora – que lança o livro no dia 05 de maio em São Paulo – explica o interesse pelo esporte, o processo de escrita do livro e as expectativas com o grupo de brasileiros do surfe profissional, a Brazilian Storm. Confira:

1- O que a motivou a ir atrás da história de Adriano? Você já se interessava pelo esporte ou a história de superação dele que a convidou a pesquisar melhor sobre o mundo do surfe?

Comecei no jornalismo cobrindo esporte amador no Jornal dos Sports, no início dos anos 1980. Até então, não tinha interesse por nenhum outro esporte que não fosse futebol. 

À medida que fui conhecendo melhor o mundo do que na época se chamava esporte amador (surfe, natação, atletismo, basquete, remo…), fui me apaixonando. Até escrever o livro, sabia que Adriano era muito talentoso, um líder entre os surfistas brasileiros, mas sobretudo um grande batalhador, que tinha rompido barreiras para chegar à elite do surfe. Eu não tinha noção de que a história dele era muito mais do que isso.

Depois das primeiras conversas e de pesquisar muito sobre o surfe de elite, percebi que a trajetória dele, do Guarujá ao título no Havaí, é uma das mais impressionantes da história do esporte. Chegar aonde ele chegou, enfrentando carências e hostilidades pelo caminho, não é para qualquer um.

 2- Como foi o processo de escrever o livro de um atleta que está viajando todo o tempo? Você se encontrou pessoalmente com Adriano para escrever o livro? Como foi?

Nossa primeira conversa foi por Skype. Adriano, depois de dois meses de lua de mel na Indonésia e no Vietnã, estava na Austrália para competir nas três primeiras etapas do Circuito Mundial. A princípio, ele foi bem econômico nas respostas. Adriano é tímido, reservado, e parecia pouco à vontade em contar sua vida para alguém que não conhecia e, ainda por cima, via Skype, com doze horas de fuso horário entre nós.

Aos poucos, ele foi relaxando, ganhando confiança, me contando mais histórias, detalhando angústias e conquistas. Ficamos assim, pela internet, durante dois meses, conversando sempre entre os intervalos de treinos e competições, até ele chegar ao Brasil para a etapa do Rio do Circuito Mundial. Nós nos encontramos na casa dele, em Florianópolis, um superapartamento com vista para as ondas da praia do Campeche. Um lugar agradável, decorado com apreço pela mulher dele, Patrícia Eicke. O lugar mais legal da casa é a sala com todos os troféus que ele acumulou desde a infância. Estão lá também, arrumadas em gavetas, as camisetas de todas as competições de que participou desde a estreia na elite do surfe, em 2006. Foi na casa dele, ouvindo o barulho do mar entre goles de suco de uva, que a conversa fluiu de vez.

Depois, fomos juntos para o Guarujá, onde ele nasceu, e percorremos as ruas da comunidade Santo Antônio, sua “quebrada”, como gosta de dizer. Bastou Adriano pisar na favela para que dezenas de meninos e meninas surgissem aos gritos de “O campeão voltou”. Foi emocionante. Depois de conhecer Santo Antônio, seus moradores, e conversar com os pais e o irmão de Adriano, é que tive a dimensão do caminho que ele precisou percorrer até ser consagrado em Pipeline, no Havaí. Entendi por que chorou ao sair da água, em dezembro de 2015, com o título de campeão mundial. Como ele mesmo definiu: sua conquista foi algo monumental.

3- Antes dos títulos de Gabriel Medina e Adriano de Souza, o surfe não tinha tanto destaque na cobertura jornalística brasileira. Você acha que se mais pessoas conhecessem o cenário do surfe poderíamos ter mais jovens surfistas brasileiros no ranking dos melhores do mundo?

O Brasil já tinha tido outros surfistas entre os atletas de elite. O que aconteceu a partir da chegada de Adriano ao Circuito Mundial, com apenas dezenove anos, é que ele passou a ser visto como um competidor inflexível pelos rivais. Ele foi mostrando, conforme ia evoluindo, que tinha chances de um dia ser campeão. E provou para a garotada que era possível sobreviver e vencer num circuito dominado por americanos, havaianos e australianos.

Quando Gabriel Medina ganhou o título, em 2014, foi a confirmação de que o “time” brasileiro era muito mais do que apenas uma esperança da barulhenta torcida verde e amarela que invade a areia, até mesmo em praias australianas e havaianas. Em 2015, ano em que Adriano foi campeão mundial depois de dez anos lutando pelo título, o Brasil explodiu no cenário do surfe mundial: Adriano foi o primeiro brasileiro a vencer a etapa de Pipeline, no Havaí, a mais importante do circuito; Medina foi campeão da Tríplice Coroa (torneio disputado em três praias havaianas), outro título inédito para o surfe brasileiro; Caio Ibelli foi campeão do WQS (torneio classificatório para a elite); Ítalo Ferreira foi o estreante do ano no circuito; e o carioca Lucas Silveira foi campeão mundial júnior. Um ano de ouro.

 

4- Ao longo do livro, é mencionado que a conquista do título mundial não teve a cobertura que é comum a outros campeões mundiais. Por que você acha que isso aconteceu?

O mundo do surfe é dominado por americanos, havaianos e australianos. Em todos os sentidos. Quem organiza o campeonato mundial é a WSL (World Surf League), uma empresa americana. O maior campeão mundial de todos os tempos é americano, Kelly Slater (onze vezes campeão). O segundo maior é australiano, Mike Fanning (tricampeão). As maiores empresas patrocinadoras de surfwear são americanas e australianas. Adriano não tinha o perfil típico dos surfistas que dominavam o circuito: ele é baixo, de origem humilde, descendente de nordestinos, vindo de um país que, até a chegada dele ao circuito, não tinha um campeão mundial. Ele conquistou sua vaga na elite vencendo o torneio WQS. Uma senhora façanha. Esse torneio reúne cerca de mil surfistas de todas as nacionalidades.

Nos primeiros anos na elite, Adriano foi bem, mas não chegou a ameaçar a turma que dominava as ondas. Era mais um entre os 36 que disputavam o circuito. Quando começou a brigar de fato pelo título mundial e passou a se impor nas ondas, disputando com garra e comemorando suas conquistas com estardalhaço, o que não se fazia na época, foi mal recebido. Mas não se importou com isso. Continuou focado, tentando aprender com quem surfava melhor do que ele. Comprou briga, dentro d’água, com o fenômeno Kelly Slater. Enfim, incomodou. Quando conquistou o título mundial, em Pipeline, a grande torcida da mídia internacional especializada, composta por revistas e sites americanos e australianos, era por Mike Fanning. O australiano brigava pelo quarto título mundial. Meses antes, tinha sido atacado por um tubarão na etapa sul-africana. Na véspera, tinha perdido um irmão, e sua mãe estava na praia torcendo por ele. Fanning seria campeão mundial se Adriano não tivesse vencido sua bateria na semifinal e levado o título. Por isso, acredito, a má vontade da mídia internacional com Adriano. O editor de uma revista especializada chegou a fazer, mais tarde, uma espécie de mea-culpa, admitindo que todo o mundo foi injusto com Adriano.

 

5- Quais as suas expectativas sobre a performance de Adriano no campeonato de 2017?

São muito boas. O campeonato mundial é disputado em onze etapas ao longo do ano em praias com ondas muito diferentes. A briga pelo título é dura. Adriano fez uma excelente pré-temporada, em janeiro e fevereiro. Treinou direto no Havaí. Não parou nem no Natal. Ele está muito animado com o trabalho com o técnico, o Leandro Dora, o Grilo. Vai brigar pelo bicampeonato. No Brasil, a gente pode acompanhar as etapas pelo site da WSL e pela ESPN, na TV. E de 9 a 20 de maio acontece a etapa em Saquarema. É um grande momento para o surfe brasileiro. Os fãs devem lotar a praia.

testeLançamento de A verdade é teimosa no Rio de Janeiro

Fotos CRISTINA GRANATO

A jornalista Míriam Leitão lançou A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro na Livraria da Travessa Leblon, no Rio de Janeiro. A noite de autógrafos reuniu leitores, convidados e amigos da autora.

Em seu novo livro,  Míriam examina os antecedentes que levaram à recessão, à desordem fiscal e à inflação, bem como aos momentos mais agudos da crise econômica em si, em mais de cem colunas publicadas em O Globo entre 2010 e 2016.

Confira a galeria de imagens do evento. Fotos de Cristina Granato.

testeOs diários da crise anunciada

Em seu novo livro, Míriam Leitão analisa a situação econômica do país

Para Míriam Leitão, a crise poderia ter sido evitada. A jornalista, que faz análises econômicas diariamente sobre o país, vinha alertando sobre as decisões do governo em suas colunas publicadas em O Globo nos últimos seis anos. Em seus textos, Míriam anunciava os riscos que o país estava correndo.

Agora os leitores poderão conferir esse material em A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro, livro que chega às livrarias a partir de 10 de fevereiro. Com uma criteriosa seleção de mais de cem colunas, a obra aborda temas como descontrole fiscal, inflação, crise política, a concessão da licença da hidrelétrica de Belo Monte, entre outros fatos que explicam como o país chegou à situação atual.  

Em entrevista ao blog, Míriam Leitão conta por que resolveu reunir o material e como, apesar da crise econômica, ainda devemos ter confiança no futuro. Leia:

Intrínseca: Você analisa diariamente as notícias sobre a economia do país em diferentes mídias. Por que você decidiu reunir as colunas em A verdade é teimosa? Qual foi o critério de seleção desse material?

Míriam: Fazer coluna diária é um trabalho desafiador. Quem escreve tem que ir além do noticiário. É preciso analisar, antecipar as tendências, dar a dimensão dos eventos. Essa é a pior crise da história recente do Brasil e, na coluna, eu fiz muitos alertas sobre os riscos que o país estava correndo. A ideia do livro nasceu de uma conversa minha com Luciana Villas Boas sobre as lições que essa crise traz. Ela poderia ter sido evitada e podemos prevenir outros erros como os que foram cometidos. O critério para tirar 118 colunas das 1.800 analisadas foi exatamente traçar um diário da crise.

Intrínseca: Qual foi o momento que você percebeu a dimensão da crise econômica do país? E por que você acredita que é importante voltar ao passado nesse livro?

Míriam: Em vários momentos. Em 2010 eu escrevi que o governo estava começando a fazer truques contábeis. Ao longo dos anos seguintes mostrei os riscos de alta da inflação, crise de energia, e descontrole fiscal. No começo de 2015, eu escrevi: “Vai ser longo o inverno”, falando da recessão. Estava começando. E ela já foi, até agora, um dos mais longos períodos recessivos da história econômica.

Intrínseca: Como a leitura de A verdade é teimosa  pode compreender melhor a realidade do país?

Míriam: O importante de um livro é ser relevante para o leitor. Por isso minha preocupação é que quem leia tenha uma visão mais ampla da sucessão recente dos eventos. O Brasil tem uma história muito intensa, e por isso é preciso às vezes parar e refletir um pouco. Meu sonho é que o livro seja esse momento de parar e entender como foi que entramos nesse momento tão difícil.

Intrínseca:  Na obra, você diz que “o pior da crise é adiar o futuro”. Você acredita que ainda é possível ter esperança nas análises apresentadas em História do futuro?

Míriam: Claro que sim. Por mais duro que seja este momento, o futuro não foi revogado. Foi adiado apenas. Podemos influenciar nele, podemos explorar melhor todas as nossas chances, podemos evitar novos atrasos. Minha obsessão nos últimos anos tem sido pensar o futuro, o mapa do caminho para realizar nosso projeto do país. Foi isso que fiz em História do futuro, e foi o que de novo fiz em A verdade é teimosa.

 

Eventos de lançamentos de A verdade é teimosa

Rio de Janeiro

Data: 15/02/2017 (quarta-feira)
Horário: 20h
Local: Livraria da Travessa Leblon
Míriam Leitão participa de um bate-papo com a jornalista Carolina Morand, editora assistente de país de O Globo, antes da sessão de autógrafos, às 19h. 
Confirme sua presença

São Paulo

Data: 22/02/2017
Horário: 19h
Local: Livraria Saraiva Higienópolis
Confirme sua presença

Curitiba
Data: 10/03/2017
Horário: 19h30
Local: Livrarias Curitiba ParkShopping Barigui 
Confirme sua presença

testeNovo livro de Míriam Leitão reúne crônicas sobre a situação econômica e política atual

Com 25 anos de colunismo diário em O Globo, Míriam Leitão está acostumada a ver além dos acontecimentos. Para a jornalista, a crise pela qual o Brasil passa hoje já estava anunciada havia muito tempo, pois o governo fechou os ouvidos a todos os alertas e a todas as críticas, enquanto fazia escolhas desastrosas.

Em seu novo livro, A verdade é teimosa, Míriam apresenta 118 textos produzidos desde 2010, quando falar em crise econômica parecia um verdadeiro atrevimento, até novembro de 2016, quando o governo Temer atravessava momentos de grande instabilidade política. Com uma linguagem clara, a obra examina os antecedentes que levaram à recessão, à desordem fiscal e à inflação, bem como aos momentos mais agudos da crise em si.

A verdade é teimosa: diários da crise que adiou o futuro será lançado em 10 de fevereiro e já está em pré-venda.

Em 2015, Míriam publicou História do futuro, livro que compila pesquisas, análises, entrevistas e depoimentos para apresentar, de forma acessível, tendências e perspectivas para os próximos anos.

testeZózimo e a história do Rio

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A Intrínseca acaba de lançar a biografia do jornalista Zózimo Barrozo do Amaral. Para quem não sabe, Zózimo foi um dos maiores colunistas do jornalismo brasileiro. Atuou entre 1969 e 1997 nos dois principais jornais cariocas da época, Jornal do Brasil e O Globo, e mudou a forma de fazer colunismo social, usando notas curtas e incluindo a política, entre outros temas, no conteúdo.

O livro Enquanto houver champanhe, há esperança, maravilhosamente bem escrito pelo jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, recupera, além da vida do colunista, um longo período da história do Rio de Janeiro. Não se trata de um relato formal e cronológico dos fatos, mas de um sensível olhar sobre as mudanças de comportamento dos cariocas e, de certa forma, dos próprios brasileiros ao longo das últimas décadas.

Mesmo tendo como foco o cotidiano nas redações da grande imprensa nacional, a biografia de Zózimo consegue captar como a vida na cidade foi se transformando, desde o reinado inquestionável do café-society e das famílias ricas e tradicionais (Guinle, Monteiro Aranha, Marinho etc.) até os dias de hoje, com o domínio das celebridades de prestígio muito questionável, como jogadores de futebol, estrelas de reality show e todo tipo de arrivista.

Imagino que a Intrínseca, isto é, o publisher Jorge Oakim, tenha consciência da relevância editorial da história do Rio de Janeiro. Pois nos últimos meses foram lançados pelos menos dois livros, Os Guinle e essa biografia de Zózimo, que resgatam as mudanças no estilo de vida e na cultura dos cariocas ao longo do século XX. A curiosidade sobre a vida no Rio de Janeiro não se restringe aos estudiosos e ao público local. Em todo o país, e mesmo no exterior, há um enorme interesse sobre o passado recente da capital cultural do Brasil.

testeOs Guinle e a música brasileira

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Os Oito Batutas (Fonte: La musique bresilienne)

Recentemente, a imprensa voltou a destacar a importância de Arnaldo Guinle para o desenvolvimento da música brasileira, tema que ressaltei em Os Guinle. Mas já recebi críticas dizendo que não existe uma relação direta entre o sucesso do protegido e o empenho do mecenas. Esses críticos acreditam que o apoio financeiro não é propriamente determinante, pois quem tem talento acaba sempre se estabelecendo. Pode até ser, mas não tenho nenhuma dúvida de que um “empurrãozinho” tem o seu valor.

Pixinguinha, considerado hoje um dos maiores músicos populares do Brasil, e seus geniais parceiros Donga e João da Baiana, já faziam sucesso no Rio de Janeiro no final dos anos 1920. Com mais alguns parceiros, eles formavam o grupo instrumental Os Oito Batutas. Mas foi graças aos subsídios proporcionados por Arnaldo Guinle e o empresário Roberto Marinho, do jornal O Globo, que eles puderam se apresentar Brasil afora e no exterior.

Com esse reforço financeiro, em 1922 eles estavam, por exemplo, em Paris. Tocaram nos badalados Shérazade, Chez Duque e La Reserve de Saint-Cloud, ao lado da prestigiada Kay’s American Jazz Band. Foi uma consagração! De volta, fizeram shows em dois dos mais exclusivos clubes do país: o Fluminense e o Jockey Club do Rio de Janeiro. É claro que seu sucesso deve-se à excelência de seu trabalho, mas não dá para ignorar que antes da chancela de Arnaldo os batutas se apresentavam apenas em espaços de menor expressão, como cafés e cinemas da então capital federal.

E com o maestro e compositor Villa-Lobos, o maior nome da música do período modernista brasileiro, não foi muito diferente. Seu primeiro concerto na Europa, na Salle des Agriculteurs, em Paris, só foi possível porque o milionário brasileiro financiou sua viagem e a confecção de suas partituras na Casa Max Esching, editora francesa de renome. Mas o patrocínio logo foi encerrado por conta de desentendimentos entre Arnaldo e Villa-Lobos – que seria um tanto perdulário –, e o autor das Bachianas brasileiras voltou para casa.

Ainda na década de 1920, no entanto, agora sob os auspícios de Carlos Guinle, Villa-Lobos retomou a carreira internacional e brilhou em um concerto na Salle Gaveau, também em Paris, tendo na plateia o pianista polonês Arthur Rubinstein, o compositor francês Maurice Ravel e o compositor russo Sergei Prokofiev. No Brasil, Villa-Lobos é o responsável por uma revolução musical, ao levar temas folclóricos, indígenas e regionais para a música erudita.

Arnaldo e Carlos seguiram enriquecendo a cena cultural do Rio de Janeiro com sua ajuda. Em 1941, Arnaldo entrou para o conselho da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB): doou uma sede para os ensaios, no Centro do Rio (avenida Rio Branco 135), e 24 instrumentos adquiridos nos Estados Unidos. Em 1961, Carlos se tornou presidente da Sociedade Brasileira de Teatro e Música. Graças a seu apoio passaram pelos palcos cariocas grandes nomes do jazz norte-americano, balés russos e importantes músicos nacionais.

Será que Pixinguinha, Donga e Villa-Lobos teriam alçado voo tão alto sem o “empurrãozinho” da família Guinle?

testeArgo é eleito o melhor filme do ano pelo American Film Institute

O thriller político Argo, dirigido e protagonizado por Ben Affleck, foi eleito o melhor filme norte-americano de 2012 pelo prestigiado American Film Institute. Baseado no livro de não ficção escrito por Antonio Mendez e Matt Baglio, Argo reconstitui a ousada estratégia da CIA para resgatar um grupo de seis diplomatas norte-americanos que fugiu da invasão à embaixada dos Estados Unidos em Teerã durante a revolução de 1979. Para retirá-los do país, o então agente da CIA Antonio Mendez idealizou um plano inusitado: simular a equipe de uma produção de Hollywood em busca de locações no Oriente Médio.

Leia também: Antonio Mendez fala ao jornal O Globo sobre a colaboração entre a CIA e Hollywood e como foi ser interpretado por Ben Affleck

Além do filme de Affleck, o ranking do AFI tem O lado bom da vida (Silver Linings Playbook), comédia com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence e Robert De Niro que chega aos cinemas nacionais em 8 de fevereiro de 2013. Inspirado no livro homônimo de Matthew Quick, que será publicado pela Intrínseca em janeiro, O lado bom da vida recebeu cinco indicações ao Spirit Awards, o Oscar do cinema independente norte-americano. A cerimônia de premiação será em 23 de fevereiro.

Confira a lista completa de melhores filmes de 2012 segundo o American Film Institute:

Argo
As Aventuras de Pi
Batman — O Cavaleiro das Trevas ressurge
Django livre
A hora mais escura
Indomável sonhadora
O lado bom da vida
Lincoln
Os miseráveis
Moonrise Kingdom