teste10 dicas de presente para o Dia dos Pais

Existe presente melhor que livro? Para ajudar os filhos indecisos, preparamos uma lista com dicas de obras para diversos estilos de pais. Tem opção para todos os gostos!

Para pais que gostam de história e de política:

Em nome dos pais — A obra de Matheus Leitão conta a história dos pais do autor, os jornalistas Marcelo Netto e Míriam Leitão, que foram presos e torturados durante a Ditadura. Resultado de incansáveis investigações, que começaram pela busca do delator e seguiram com a localização dos agentes que teriam participado das sessões de tortura de seus pais, o livro reconstitui com rigor eventos do início dos anos 1970 e, ao mesmo tempo, apresenta a emocionante peregrinação do autor pelo Brasil atrás de respostas.

 

O árabe do futuro — Se seu pai se interessa por outras culturas, política e gosta de artes visuais, nossa dica é a premiada série autobiográfica em quadrinhos de Riad Sattouf.

 Filho de mãe francesa e pai sírio, Riad foi morar na Líbia ainda bem pequeno, e, depois, na Síria. Os primeiros três livros da série englobam os anos entre 1978 e 1987, período em que os dois países árabes passavam por regimes ditatoriais.

Para pais que gostam de fantasia:

Deuses americanos — A obra-prima de Neil Gaiman foi adaptada para a televisão em março e a série já é considerada uma das grandes revelações do ano!

O livro acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia ansiando por voltar para casa. Dias antes do fim da pena, ele fica sem rumo na vida ao descobrir que a esposa faleceu em um acidente.

Após o velório, ele conhece o sr. Wednesday — um homem com olhar enigmático e que está sempre com um sorriso insolente no rosto  —, que  lhe oferece um emprego. É na nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade do chefe e a se dar conta de que os Estados Unidos, ao receberem pessoas de todos os cantos do mundo, também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

 

Para pais que curtem economia:

A grande saída — Para os pais que gostam de entender a sociedade atual, nossa sugestão é o livro de Angus Deaton, vencedor do Prêmio Nobel de Economia e um dos maiores especialistas em estudos sobre bem-estar, desigualdade e desenvolvimento econômico.  

A obra analisa por que as desigualdades ainda são tão presentes no mundo e debate como é possível mudar esse cenário.

 

O projeto desfazer — Para os que se interessam por teorias e ideias revolucionárias, sugerimos o novo livro de Michael Lewis sobre a história da colaboração e amizade de Daniel Kahneman e Amos Tversky, dois psicólogos israelenses.

A dupla criou uma das mais importantes teorias psicológicas que mudou completamente áreas como medicina, direito, economia, entre outras.

 

Para pais empreendedores e moderninhos:

Sprint: O método usado no Google para testar e aplicar novas ideias em apenas cinco diasSe seu pai tem um projeto na cabeça, mas não sabe como tirá-lo do papel, temos o presente ideal para ajudá-lo. 

Sprint é uma metodologia de trabalho fácil de entender e aplicar, indicada para quem quer desenvolver ideias, novos produtos ou negócios.

 

 

As upstarts: Como a Uber, o Airbnb e as killer companies do novo Vale do Silício estão mudando o mundo Para os pais que gostam de tecnologia e costumam acompanhar as novidades desse mercado,  nossa sugestão é o novo livro de Brad Stone.

A obra traz a história da Uber e do Airbnb, duas empresas gigantes que se tornaram um fenômeno e mudaram o mundo em que vivemos em menos de dez anos. Com detalhes dos bastidores, perfil dos fundadores e uma análise profunda sobre o impacto dessas companhias, As upstarts é considerado um dos melhores livros do ano pela Amazon.

 

Para pais que gostam de thrillers e música:

Piano vermelho — Se seu pai gosta de histórias assustadoras e diferentes, ele precisa conhecer o novo livro de Josh Malerman, autor de Caixa de pássaros.

Os Danes, uma banda de rock que fez muito sucesso em Detroit, são convidados por um misterioso funcionário do governo dos Estados Unidos para embarcar em uma viagem a um deserto na África. O objetivo? Descobrir a origem de um som com enorme poder de destruição!

Ninguém entende muito bem o que está acontecendo e os integrantes da banda estão dispostos a desvendar esse mistério. Só que eles não imaginam que estão prestes a entrar em uma jornada sinistra.

 

Para pais que gostam de livros sobre alimentação:

Cozinhar — A obra de Michael Pollan é perfeita para os pais que se interessam por alimentação, culinária, história e práticas antigas e modernas de cozinha.

O livro fala sobre a experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra —, Michael Pollan mostra o calor ancestral do churrasco, o caldo aromático dos assados de panela, a leveza dos pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute.

A obra foi adaptada para a Netflix no ano passado.

 

Para pais que gostam de obras literárias e de histórias no estilo Cidade de Deus:

Breve história de sete assassinatos — A partir da tentativa de assassinato a Bob Marley, ocorrida às vésperas das eleições jamaicanas em 1976, a obra explora o instável período histórico do país, quando disputas entre gangues viram uma escalada sem precedentes. O autor, Marlon James, apresenta uma sucessão de personagens — assassinos, traficantes, jornalistas e até mesmo fantasmas — que andaram pelas ruas de Kingston nos anos 1970, dominaram o submundo das drogas de Nova York na década de 1980 e ressurgiram em uma Jamaica radicalmente transformada nos anos 1990.

Vencedor do Man Booker Prize, Marlon James foi um dos grandes destaques da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) neste ano.

teste3 conselhos sobre a Síria

Por Ivan Mizanzuk*

Foto por Gabriel Chaim

“Eu quero morrer na Síria.” Foram essas as palavras de um refugiado sírio que entrevistei em 2016.

Naquele ano, eu realizava uma série de entrevistas com brasileiros que tiveram algum contato com os recentes conflitos do Oriente Médio. Era parte de uma espécie de documentário para o meu podcast, Projeto Humanos, e tinha como objetivo fazer um mosaico dessas histórias, começando no 11 de Setembro até a (ainda corrente) Guerra da Síria. Em algum momento, me vi conversando com sírios que moravam no Brasil — o Ahmed e o Elia, para ser mais preciso. O primeiro, um jovem dentista muçulmano de Damasco que veio para o Brasil, em 2013, como refugiado, fugindo da guerra; o segundo, um atleta cristão de Aleppo, que veio como imigrante na década de 1970 porque era fã do Pelé.

Antes de entrevistá-los, fiz a lição de casa: li muito sobre a Guerra da Síria, sobre os abusos realizados pelos dois últimos ditadores, Hafez al-Assad e Bashar al-Assad, os únicos dois presidentes que o país teve nos últimos quarenta anos. A julgar pelas informações fornecidas pela mídia ocidental, era óbvio que minhas entrevistas com Ahmed e Elia seriam descrições completas sobre quão horríveis os governos da família Assad eram e são.

Mas Elia e Ahmed gostavam de Assad. E isso inutilizou todo o meu preparo. “Sim, as eleições são fraudulentas. Mas Assad é um presidente forte, e todos querem a Síria. Todos! EUA, Israel, Arábia Saudita, todos querem tomar nosso país. Por isso, precisamos ser protegidos.” Por pouco, quase cometi o erro gigantesco de querer ensinar a história da Síria aos próprios sírios, mas consegui me calar a tempo e ouvir as histórias deles.

E este é o primeiro conselho que dou àqueles que se interessam pela Síria: esqueça tudo que você entende de política, costumes e seu modelo de sociedade ideal. Apenas ouça. Quanto antes você se livrar dessas noções “ocidentais”, mais rápido vai começar a entender. E daí você vai perceber o que eu percebi: que em todo lugar do mundo há quem goste de seu presidente, há quem o critique e o chame de ditador e há quem seja pragmático e pense: “Se não ele, quem?” A verdade, se é que ela existe, está em algum desses espectros.

O segundo conselho: após deixar de lado tudo que você pensa saber e ouvir atentamente as histórias dessas pessoas, volte e comece a construir pontes com o Ocidente. No caso de nós, brasileiros, por termos sido colônia portuguesa, estamos acostumados com um modelo de Estado em que, a certa altura, a religião passou a atuar mais na esfera privada do que na pública (ao menos é o que se espera na teoria). É o modelo que “herdamos” da Revolução Francesa, no final do século XVIII, no qual Estado e Igreja são instituições que devem ser independentes. Hoje, esse é o modelo de sociedade que desejamos. Mas imagine que o estabelecimento de um Estado laico não tenha ocorrido séculos atrás, que, em vez de cristã, a população fosse em sua maioria muçulmana e que a separação entre religião e política tivesse sido imposta por um governo que subiu ao poder na base da força, na segunda metade do século XX.

Foi o que aconteceu na Síria, com o agravante de que isso tudo foi durante a Guerra Fria, um momento em que dificilmente um país conseguiria sobreviver se não escolhesse um lado . Como tantos países no Oriente Médio nesse período, os alinhamentos não eram tanto uma questão de ideologia, e sim de sobrevivência.

No imaginário ocidental, temos o péssimo costume de reduzir o Oriente Médio inteiro às questões religiosas, taxando-os de fanáticos. E, ao fazermos isso, deixamos de notar como a religião ganha conotações políticas na região, especialmente na Síria, já que esse modelo ocidental de separação das duas esferas é nosso pressuposto. Quando Hafez al-Assad subiu ao poder, na década de 1970, passou a impor políticas de secularização, proibindo, por exemplo, mulheres de usarem o véu, uma recomendação no islamismo. Parte da população o acusa de forçar uma ocidentalização dos costumes, o que gerou conflitos internos já naquela época.

E, sendo um governo autoritário, parte da população (especialmente os camponeses e os mais pobres nos centros urbanos) usou o discurso religioso como forma de resistência, como foi o caso de mulheres que faziam questão de usar o véu. Entender a religião como expressão política pode nos parecer estranho, mas é possível compreender se fizermos algumas pontes históricas. Não sei se aqui há formas “certas” ou “erradas” de agir. Apenas foi assim que aconteceu.

E quando começamos a ver como é difícil entender a Síria, lanço meu terceiro conselho: ouça as histórias do seu povo. Só através delas entenderemos melhor esses conflitos e suas contradições. À primeira vista, tudo pode parecer muito exótico e diferente, mas a realidade é que muitas das questões são bastante familiares.

Por isso, O árabe do futuro é um tesouro. Sendo o povo árabe um grupo que em geral preserva muito sua privacidade, a autobiografia de Riad Sattouf é corajosa ao expor a intimidade da família. Filho de pai sírio e de mãe francesa, o autor consegue estabelecer as pontes necessárias para que compreendamos a complexidade do desenvolvimento da Síria, do pan-arabismo e das promessas e sonhos que habitavam as mentes daquela época, naquela região.

Não vou dizer aqui que todo sírio ama seu país, pois seria uma generalização perigosa, mas, quando Riad mostra como o pai amava a Síria, entendo melhor o Ahmed, o refugiado sírio que entrevistei, quando ele disse que, apesar de tudo, deseja ser enterrado em sua terra natal.

O árabe do futuro é uma história em quadrinhos (ou graphic novel, para os que preferem termos mais chiques) que até o momento conta com três volumes. O primeiro foi lançado em 2015 aqui no Brasil, e a Intrínseca acabou de lançar o terceiro. A cada vez que o volume que estou lendo termina e vejo “Continua…” na última página, abraço minha edição e digo “até breve”. Não à toa, em 2014, ano da publicação original, o primeiro volume ganhou o Grande Prêmio no festival de quadrinhos de Angoulême, uma das premiações mais importantes do mercado Europeu. Além de colecionar esse e vários outros prêmios no currículo, o autor Riad Sattouf também foi um dos colaboradores do polêmico jornal satírico Charlie Hebdo, entre 2004 e 2014.

***

Em 2011, a Síria possuía em torno de 20 milhões de habitantes. Estimativas variam, mas acredita-se que a guerra no país já tenha matado cerca de meio milhão de pessoas. Até 2017, o número de refugiados já passava dos 5 milhões. Se contarmos os que se deslocaram internamente, percebemos que mais da metade do país teve sua estrutura de vida afetada. É a maior crise humanitária desde a Segunda Guerra Mundial.

Certa vez, conversando com Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, ele me disse: “Quando falamos sobre o Holocausto, é importante humanizarmos aqueles números. Foram 6 milhões de judeus que morreram nos campos, sim, mas temos que ver isso como 6 milhões de histórias que deixamos de contar.”

Para aqueles que pretendem humanizar esses números sírios, a obra de Riad é mais do que recomendada, pois nos lembra que, ao menos desde 1978, havia casais se apaixonando, sonhos sendo construídos, famílias se desentendendo e corações batendo.

 

Ivan Mizanzuk é de Curitiba e tem 34 anos. Além de professor e escritor, é também host dos podcasts AntiCast e Projeto Humanos, nos quais debate frequentemente sobre política, artes, religião e coisas estranhas.

Twitter: @Mizanzuk

 

teste5 motivos para ler O árabe do futuro

A série autobiográfica O árabe do futuro conta a história de Riad Sattouf, um menino filho de mãe francesa e pai sírio, que ainda bem pequeno vai morar na Líbia e depois na Síria. Os primeiros três livros englobam os anos entre 1978 e 1987, período em que os dois países árabes passavam por regimes ditatoriais.

Vencedor do prêmio principal do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, em 2015, o graphic novel teve mais de 90 mil exemplares vendidos na França e foi traduzido para 16 línguas. Riad Sattouf é um renomado quadrinista francês e ex-colaborador da revista Charlie Hebdo. Tem 17 livros publicados e também atua como roteirista e diretor de cinema. 

Separamos cinco motivos pelos quais você não pode deixar de conhecer a série O árabe do futuro:

 

1 – Quem não gosta de aprender se divertindo?

Não é preciso ser amante de história para gostar do livro, mas o pano de fundo da série vai fazer com que você aprenda sem perceber. Acompanhando o dia a dia de Riad, conhecemos o quadro político e cultural de três países e as diferenças entre eles. O livro verde de Kadhafi, os conflitos entre sunitas e xiitas e o posicionamento do Ocidente frente a Israel são assuntos muito comentados pelo pai do menino, um homem muito inteligente e crítico, mas ainda com muitos pensamentos conservadores da época. Pelos olhos do autor, vemos como é crescer dentro da cultura islâmica, divido entre dois mundos completamente opostos.

 

2 – O rei dos baixinhos

É o olhar infantil de Riad que transforma temas complexos em momentos irônicos e cômicos. A ingenuidade do menino nos apresenta o cotidiano de um mundo que conhecemos apenas através de manchetes de jornais, fazendo uma análise livre dos estereótipos com que geralmente olhamos para a cultura árabe. Crianças briguentas reproduzindo discursos de guerra, racionamento de comida e professores violentos são aspectos distantes da nossa realidade, mas ainda assim essas memórias nos fazem relembrar nossa própria infância. Mesmo que não tenhamos crescido em meio a uma ditadura, quem nunca brigou com os amigos na escola, comeu até passar mal ou odiou um professor?

 

3 – Para os fãs de Persépolis e Maus


Assim como Maus e Persépolis, a série apresenta uma visão distinta sobre um conflito cultural que marcou — e ainda marca— uma geração. O embate ideológico entre Ocidente e Oriente está presente diariamente em todos os principais veículos de informação, mas raramente temos a chance de observar esse mundo de perto. As consequências dos regimes autoritários árabes perduram até hoje, mas a realidade desses países é muito distante do nosso dia a dia. Por isso, a experiência de alguém que viveu naquele período é essencial para entendermos as nuances do conflito. Assim como Persépolis, O árabe do futuro acompanha a vida do autor, mostrando as dificuldades e desafios de crescer em um regime autoritário e repressor. Essas obras provam que histórias em quadrinhos não são só para crianças. O traço, as cores e os diálogos tornam a história interessante, profunda e ao mesmo tempo leve.

 

4 – Nostalgia e alegria

Mesmo na Síria, a cultura pop da década de 1980 não passou despercebida. Se você viveu essa década, vai adorar ter um momento nostálgico com Riad. No terceiro livro, o menino se inspira em Conan, o bárbaro para enfrentar as crianças malvadas do vilarejo, juntando gravetos para fazer sua arma e reproduzindo a careta de Arnold Schwarzenegger.

 

5 – É uma história sobre a dificuldade de se encaixar

O livro aborda ditaduras, tradições religiosas e conflitos culturais, mas também é uma história sobre um menino tentando se encaixar. Seu cabelo loiro já destoa na multidão, mas a falta de conhecimento sobre a língua e a religião fazem com que ele se sinta um peixe fora d’água, um estrangeiro tanto na Europa quanto no Oriente Médio. Ao longo dos livros, vemos Riad se aventurando pelas práticas islâmicas, buscando a aceitação de seus amigos e observando com curiosidade as tradições dos países. Com isso, aprendemos junto com ele as tradições dos países. O resultado é que nós, leitores, também aprendemos muito com ele. 

 

O terceiro livro da série já está disponível nas livrarias! Saiba mais

testeTirania e nostalgia em quadrinhos

Por Alexandre Sayd*

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Nos anos 1980, bem antes do Estado Islâmico, da crise migratória ou mesmo do 11 de Setembro, o ditador da Líbia já era Kadafi, enquanto o tirano no governo da Síria era Hafez al-Assad, pai do atual presidente. Assim, apesar da distância de três décadas, ao lermos O árabe do futuro, do francês Riad Sattouf, temos a sensação de que o tema e o cenário escolhidos pelo quadrinista continuam estranhamente contemporâneos.

Na premiada trilogia, Sattouf narra em forma de quadrinhos sua infância e juventude. De pai sírio e mãe francesa, ele passou seus primeiros anos na Líbia e na Síria após o pai, doutor em história pela Universidade de Sorbonne, em Paris, conseguir emprego como professor nos dois países.

A partir das memórias, experiências e sensações de uma criança, o autor nos dá a oportunidade de vivenciar, sem preconceitos, esses dois universos. Este é o primeiro de vários aspectos geniais e talvez seja o grande trunfo da obra de Riad Sattouf: ele não tem a pretensão de nos ensinar nada, não pretende apresentar um ensaio geopolítico ou uma aula de história. Aprendemos muito com a obra, mas de forma natural e reflexiva.

É impressionante como a memória do autor é prodigiosa. Ela se apresenta com uma riqueza de detalhes que transcende em muito o meramente visual, com cheiros, sabores e impressões pessoais de quando Riad tinha pouquíssima idade. Ele se lembra de minúcias como o cheiro da França — em oposição ao cheiro da Líbia —, seus pratos preferidos e até mesmo de sonhos.

Impressiona em Sattouf, também, o domínio da arte de narrar em quadrinhos. Os personagens têm expressões hilárias e contagiantes, totalmente adequadas às cenas em que estão inseridos. O desenho lembra um pouco o dos Peanuts (“Charlie Brown”), de Charles M. Schulz, e Calvin e Haroldo, de Bill Watterson; porém com um uso muito diferente das cores, que, em O árabe do futuro, variam de acordo com o país retratado — na Líbia predomina o amarelo, na França, o azul, e na Síria, o rosa.

A história certamente perderia muito se transportada para outro formato que não o da graphic novel, e a qualidade da narrativa, somada à força da temática — que é crescer sob a tirania das ditaduras árabes —, coloca O árabe do futuro no mesmo patamar que Maus, de Art Spiegelman, sobre o holocausto, e Persépolis, de Marjane Satrapi, que expõe a opressão da mulher no mundo islâmico, em especial no Irã.

Na infância, Riad era louro e bem diferente do árabe médio, o que fazia dele um outsider instantâneo, com frequência excluído e hostilizado pelas outras crianças, que o tratavam por “judeu” e “filho do cão”. Nos ambientes mais isolados e remotos, sua família, em especial ele e a mãe, eram vistos pelos demais como extraterrestres. Isso não o impediu de fazer alguns amigos, que normalmente acabavam fascinados por seu exotismo e seus brinquedos do primeiro mundo.

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Riad tinha como grande herói e maior referência o pai, Abdel-Razak. Como leitor, vi no personagem um homem cheio de contradições e preconceitos, que se opõe ao obscurantismo religioso e às superstições do mundo árabe ao mesmo tempo que exalta figuras como Kadafi e al-Assad, incapaz de admitir os danos que esses tiranos causam aos países que governam. Enquanto critica o “atraso” de seus próprios pares e defende que o ensino deve ser livre do dogma religioso, Abdel afirma a todo instante a superioridade dos países islâmicos, defende o pan-arabismo e se recusa a enxergar a precariedade e a violência à qual expõe a si mesmo e a sua família.

As contradições presentes no pai de Sattouf se mostram, de certo modo, um reflexo de seu ambiente de origem. Especialmente na Síria, onde a família de Riad vive em uma pequena vila próxima à cidade de Homs, fica claro o contraste cultural entre a cidade grande e o interior, assim como entre os ricos e os mais pobres. Nos dois casos, os primeiros são muito mais ocidentalizados e livres das superstições e limitações religiosas.

Ao longo da história de Riad e sua família, somos introduzidos às particularidades desses dois mundos, ambos retratados de forma exótica. As crianças francesas são muito mais dependentes, imaturas e desinteressantes do que seus novos colegas árabes. No entanto, a comida na França é abundante e há lojas cheias de brinquedos, enquanto na Líbia, a comida é gratuita, mas escassa e pouco variada, e a distribuição dos alimentos ocorre em dias alternados para homens e mulheres, de modo a evitar contato entre os dois sexos. Já na Síria muitas crianças utilizam roupas de plástico que são réplicas das roupas verdadeiras: sapatos de plástico, no formato de tênis, com cadarços e tudo; uniformes escolares de plástico, com uma pintura que reproduz o cinto dos uniformes verdadeiros.

ArabeDoFuturo2_capa_MAINO segundo livro, lançado recentemente no Brasil, nos revela ainda mais sobre a Síria. Riad começa a frequentar a escola, onde encontra uma educação violenta e altamente doutrinária, com castigos físicos e cheia de leituras do Corão e exaltações ao presidente al-Assad. Lentamente ele passa a compreender melhor o mundo ao seu redor, até mesmo adquirindo uma visão crítica, e nós o acompanhamos nesse processo. Para leitores ocidentais, parece clara a maneira como a violência da sociedade se reflete no comportamento das crianças, que vivem brigando entre si e massacram animais como cães e sapos por esporte.

Percebemos também com maior nitidez como as mulheres são oprimidas e limitadas, reduzidas a cidadãs de segunda categoria — não há meninas nas escolas, e uma parente de Riad acaba assassinada por seus familiares após engravidar fora do casamento. Por fim, as contradições internas da Síria ficam mais evidentes em momentos como quando Riad e o pai vão ao bairro cristão para comprar carne de porco, ilegal no país, ou quando em uma visita à casa de um general importante os adultos consomem álcool, também proibido.

A obra é viciante, daquelas que nos deixam com pena de terminar a leitura. A parte boa é que os dois primeiros volumes estão disponíveis no Brasil, e já há um terceiro a caminho.

Riad Sattouf é cartunista e cineasta. Ele é mais conhecido por seu trabalho ao longo de dez anos no jornal de humor francês Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque terrorista orquestrado pelo Estado Islâmico em janeiro de 2015. Seu filme Les Beaux gosses recebeu o César de melhor filme em 2010, e o primeiro volume de O árabe do futuro ganhou em 2015 o prêmio principal do Festival de Angoulême, considerado o mais importante do mundo dos quadrinhos. Com a crise migratória, Sattouf ajudou seus familiares da Síria a conseguir refúgio na França.

Alexandre Sayd é jornalista e descendente de franceses e libaneses.

testeLivros que não conseguimos parar de ler

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Existem alguns livros que nos fascinam tanto que é impossível parar de ler até chegarmos à última página. Seja pelo suspense que despertam, pela vontade de saber o que vai acontecer com os personagens ou por querer desvendar mistérios, algumas obras nos encantam e nos deixam vidrados de uma maneira única.

Selecionamos alguns títulos publicados pela Intrínseca que podem ser lidos de uma vez só:

Para quem curte terror psicológico:

Caixa de pássaros — Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de Pássaros é um thriller tenso e aterrorizante que explora a essência do medo. Cinco anos depois de um surto sem explicação ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ninguém sabe o que causa, mas basta uma olhadinha para fora para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Malorie sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas terá que enfrentar o medo de encarar o mundo fora da casa em que está trancada.

Para quem curte suspense:

Garota exemplarGillian Flynn cria um retrato cruel sobre como as mentiras podem construir um casamento. E também destruí-lo. O livro se alterna entre duas perspectivas opostas e conflitantes, estabelecendo uma atmosfera capaz de fazer o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

Para quem curte ficção científica:

Aniquilação — No primeiro livro da trilogia Comando Sul, somos apresentados a um grupo de quatro mulheres enviado para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não serem contaminadas pela Área X.

Para quem gosta de histórias de amor e de desvendar a identidade dos personagens:

Simon vs. a agenda Homo Sapiens — Simon troca e-mails anônimos com Blue. Eles são dois garotos gays que só confiam um no outro para se abrir e discutir sobre suas identidades, desejos e medos mais íntimos. Durante a troca de mensagens os dois acabam se apaixonando. O livro discute também o que deve ser o padrão. Por que a heterossexualidade é o padrão?  Por que ser branco é o padrão? Simon discute todos esses estereótipos de um jeito muito fofo.

Para quem ama mistério:

S. — Projeto de J.J. Abrams, criador de Lost, S. está longe de ser um livro convencional. Com ao menos quatro histórias que se desdobram ao mesmo tempo, S. é um livro-jogo com várias possibilidades de leitura, que instiga o leitor a decifrar os mistérios, códigos e pistas contidos em toda a obra. Seja nas notas, nas margens ou nos outros itens da caixa, há sempre algo além do que se vê aguardando para ser descoberto.

Para quem gosta de livros com reviravoltas:

A verdade sobre o caso Harry Quebert — Marcus Goldman, um jovem escritor americano que está sofrendo com bloqueio criativo, procura o renomado romancista e seu ex-professor de faculdade Harry Quebert. Surpreendido por um mistério que envolve seu mentor na morte de uma jovem de quinze anos, Marcus precisa correr contra o tempo para tentar inocentar o amigo, descobrir quem matou Nola Kellergan e escrever um livro bem-sucedido.

Para quem gosta de histórias que envolvam crimes:

Todos envolvidos — A obra é inspirada na semana de protestos, assaltos e saques ocorrida em 1992, em Los Angeles, depois do julgamento que absolveu três policiais acusados de agir com violência contra um taxista negro. O livro narra como gangues latinas, imigrantes e traficantes se aproveitaram da situação para acertarem as contas com seus rivais.

Para quem curte thriller com espionagem e conspiração:

O nadador — Livro de estreia de Joakim Zander, O nadador é um thriller de suspense que percorre diversos pontos do planeta. O autor, que já viveu em diversos lugares do mundo como representante do Parlamento Europeu, utiliza sua experiência pessoal para tornar ainda mais rica a ambientação dos diversos países retratados no livro.

Para quem gosta de histórias com segredos:

Temporada de acidentes — Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões — em outras, acontecem coisas horríveis. A temporada de acidentes faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores. No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes.

Para quem tem interesse em histórias com conflitos entre culturas:

O árabe do futuro Riad Sattouf, um consagrado quadrinista filho de mãe francesa e de pai sírio, conta o choque cultural que viveu quando, ainda criança, foi para a Síria e a Líbia. E também do retorno da família à França. Depois de viver em lugares tão diferentes, Riad se tornou um completo estrangeiro, com uma visão crítica, afiada e muito bem-humorada sobre o mundo. Um livro de memórias contado em quadrinhos.

testeLançamentos de março


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Tudo tem uma primeira vez, de Vitória Moraes (Viih Tube) — Como foi o seu primeiro beijo? E a primeira vez que teve coragem de dizer “eu te amo” para alguém? Ou que vacilou feio com uma amiga? Em Tudo tem uma primeira vez, Vitória Moraes, a Viih Tube, fala abertamente e com muito bom humor sobre os grandes (e primeiros) momentos da adolescência.

Viih tem posições firmes e um jeito só seu de contar histórias de meninos e meninas que estão conectados à internet 24 horas por dia e usam as redes sociais para tudo. Com suas palavras, faz um retrato divertido de quem é o adolescente da atualidade. [Leia +]

Todos envolvidos, de Ryan Gattis Na tarde de 29 de abril de 1992, um júri absolveu três policiais brancos do Departamento de Polícia de Los Angeles acusados de usarem força excessiva para controlar um civil negro chamado Rodney King. Menos de duas horas depois, a cidade explodiu em violência. Em seis dias, sessenta pessoas morreram. Mas muitas mortes não foram contabilizadas: fora da zona principal de protestos, algumas gangues se aproveitaram dos tumultos para acertar as próprias contas.

Inspirado nesse momento e narrado do ponto de vista de dezessete personagens, o romance de Ryan Gattis apaga as fronteiras entre vítimas e criminosos e transforma a história dos protestos em uma vívida e eletrizante obra de ficção. Uma narrativa ambiciosa e arrebatadora, um épico sobre crime e oportunismo, vingança e lealdade. [Leia +]

Temporada de acidentes, de Moïra Fowley-Doyle — Acontece todo ano, na mesma época. Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões — em outras, acontecem coisas horríveis.  A temporada de acidentes faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores.

No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes. Por quê, afinal, sua família foi amaldiçoada? E por que eles não conseguem se livrar desse mal? [Leia +]

 

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Uma chance de lutar, de Elizabeth Warren — Um dos nomes mais relevantes na corrida presidencial dos Estados Unidos em 2016, a senadora Elizabeth Warren é um retrato perfeito da realização do sonho americano: filha de um zelador e uma telefonista, venceu as dificuldades da família e o lugar-comum da época de que o principal objetivo de toda mulher era conseguir um bom casamento. Ela tornou-se professora em Harvard, atuou como consultora do Congresso americano e assistente do presidente Barack Obama.

Neste relato, Elizabeth deixa transparecer a fibra que a fez chegar aonde está e expõe a abrangência de seus conceitos sobre o endividamento e o sistema financeiro, que extrapolam o cenário norte-americano. [Leia +]

Os irmãos Tapper declaram guerra (um contra o outro), de Geoff RodkeyOs gêmeos Claudia e Reese, de 12 anos, não poderiam ser mais diferentes, mas em uma coisa eles são realmente idênticos: a determinação em sair ganhando na terrível guerra travada entre os dois! No primeiro volume da série, tudo começa com uma polêmica no refeitório da escola, quando Claudia sofreu um ataque cruel e covarde do próprio irmão. Aos poucos, a guerra se acirra e, das ruas de Nova York, passa para o universo ficcional de um jogo on-line.

Com uma narrativa totalmente original, incluindo fotos, capturas de tela dos jogos, registros de chats e muitas mensagens trocadas pelo celular entre os pobres pais dos beligerantes, Os irmãos Tapper declaram guerra (um contra o outro) mostra, de forma autêntica e hilária, os conflitos entre dois irmãos adolescentes numa era saturada de recursos visuais e digitais. [Leia +]

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O árabe do futuro 2: Uma juventude no Oriente médio (1984-1985), de Riad Sattouf — Segundo volume da trilogia que narra o choque cultural vivido por uma criança nascida na França que passou os primeiros anos de vida dividida entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. Nessa sequência, o premiado quadrinista Riad Sattouf, ex-colaborador do jornal Charlie Hebdo e que participou da última edição da Flip, relata seu primeiro ano como aluno de uma escola síria, onde enfim aprendeu a ler e escrever em árabe enquanto enfrentava um ambiente rígido e violento.

Comparado aos aclamados Maus e PersépolisO árabe do futuro exibe uma visão reveladora sobre o conflito entre culturas que está definindo o século XXI. Com traço simples e narrativa fluida e divertida, Riad fornece ao mesmo tempo uma análise do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de uma infância tão plural e de cores tão fortes. [Leia +]

Aceitação, de Jeff VanderMeer —  É inverno na Área X, a misteriosa região selvagem que há trinta anos desafia explicações e repele pesquisadores de expedição após expedição, recusando-se a revelar seus segredos. Enquanto sua geografia impenetrável se expande, a agência responsável por investigar e supervisionar a área — o Comando Sul — entra em colapso. Uma última e desesperada equipe atravessa a fronteira, determinada a alcançar uma remota ilha que pode conter as respostas que eles tanto procuram.

Último livro da trilogia de ficção científica Comando Sul, Aceitação conecta os dois livros anteriores, Aniquilação e Autoridade, em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências e as implicações dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes. [Leia +]

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teste10 Livros para todo tipo de geek

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Separamos histórias incríveis, para todos os tipos de geeks. De autores misteriosos à fantasia épica, de deuses nórdicos a video games, são livros e séries imperdíveis:

S., de J.J. Abrams e Doug Dorst Para os fascinados por mistério, J.J. Abrams, a mente por trás de séries como Lost, Fringe e diretor do próximo filme de Star Wars, trás uma narrativa enigmática em S., resultado de sua parceria com Doug Dorst. Uma caixa lacrada, repleta de pistas e códigos, guarda um livro misterioso. Em suas margens, as anotações e conversas de dois leitores formam um intrincado quebra-cabeça.

Caçadores de trolls, de Guillermo del Toro e Daniel Kraus  Um dos artistas mais visionários da atualidade, o diretor, produtor e roteirista conta em Caçadores de trolls como o medo pode tomar conta das pessoas. Repleto de monstros assustadores e do encanto de um jovem com um mundo novo, o livro tem 10 belíssimas ilustrações de Sean Murray. [Leia +]

Série Comando Sul, de Jeff VanderMeer — A trilogia Comando Sul já recebeu alguns dos maiores prêmios de ficção científica, como o Nebula. Na série de livros, a região conhecida como Área X se isolou do restante do mundo, desaparecendo com todos os traços da presença humana, exceto um misterioso farol. Cabe à organização secreta Comando Sul investigar a região e desvendar esse mistério. [Leia +]

Série A Roda do Tempo, de Robert Jordan — Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra, e, de novo, tudo se fragmentará. Uma das mais importantes séries de fantasia épica de todos os tempos. [Conheça mais sobre a série]

A guerra dos consoles: Sega, Nintendo e a batalha que definiu uma geração, de Blake J. Harris — Na década de 1990, a Nintendo praticamente monopolizava o mercado de video games. A Sega, por outro lado, era apenas uma empresa instável de fliperamas com grandes aspirações e egos maiores ainda. Mas tudo isso iria mudar com as táticas arrojadas de Tom Kalinske, ex-executivo da Mattel, que transformaram a Sega por completo e levaram a companhia a travar um confronto impiedoso com a Nintendo. [Leia +]

João e Maria, de Neil Gaiman e Lorenzo Mattotti — O prestigiado escritor Neil Gaiman e o brilhante ilustrador Lorenzo Mattotti se encontram para recontar o clássico João e Maria. Familiar como um sonho e perturbador como um pesadelo, o conto narra a saga de dois irmãos que, em tempos de crise e falta de esperança, são abandonados pelos próprios pais e precisam enfrentar com coragem os perigos de uma floresta sombria.

Série Endgame, de James Frey e Nils Johnson-Shelton — Em Endgame: A Chave do Céu, o Jogo que definirá o futuro do planeta ganha um novo e eletrizante capítulo. No primeiro volume da série, O Chamado, conhecemos os doze Jogadores. Na busca pela primeira chave, alianças foram sacramentadas, segredos foram revelados e a morte inevitável chegou para alguns. Mas o Jogo continua, e agora os nove Jogadores remanescentes precisarão ser mais ágeis, inteligentes e cruéis se quiserem salvar suas linhagens e a si mesmos. [Leia +]

Série Magnus Chase e os heróis de Asgard, de Rick Riordan — Trolls, gigantes e outros monstros horripilantes estão se unindo para o Ragnarök, o Juízo Final. Para impedir o fim do mundo, Magnus Chase deve empreender uma importante jornada até encontrar uma poderosa arma perdida há mais de mil anos. Com personagens já conhecidos do público, como Annabeth Chase, prima de Magnus, e deuses como Thor e Loki, Rick Riordan nos apresenta mais uma aventura surpreendente, repleta de ação e humor.

O árabe do futuro: uma juventude no Oriente Médio (1978 – 1984), de Riad Sattouf — Um relato literário pleno em forma de graphic novel, com traço simples e narrativa fluida e descontraída. Riad fornece ao mesmo tempo uma análise antropológica do embate entre o Ocidente e o mundo árabe e um autorretrato de sua própria infância plural. [Leia +]

Série Os legados de Lorien, de Pittacus Lore — Lorien foi devastado pelos mogadorianos, e seus habitantes, dizimados. Exceto nove crianças e seus guardiões, que se exilaram na Terra. Eles são como os super-heróis que idolatramos nos filmes e nos quadrinhos – só que reais. O Número Um foi morto na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Tentaram pegar o Número Quatro, John Smith, em Ohio, e falharam. [Leia +]

 

testeSugestões para pais de diversos estilos

DiaDosPais_Intrinseca

Com a chegada do Dia dos Pais, preparamos uma lista com sugestões de presentes para pais de diversos estilos. Confira as opções:

Pai ligado em guerras:

Toda luz que não podemos verMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Anthony Doerr constrói um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Brasil: Os frutos da guerra — O historiador Neill Lochery revela a história do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial, mostrando como a habilidade política e o oportunismo econômico de Getúlio Vargas e sua equipe transformaram o país numa potência regional graças ao conflito.

Pais tecnológicos:

O clique de 1 bilhão de dólares — O jornalista Filipe Vilicic conta a história do Instagram e de Mike Krieger, o brasileiro fundador de um dos aplicativos mais bem-sucedidos do mundo.

Como a música ficou grátisO jornalista Stephen Witt investiga a fundo a história secreta da pirataria de músicas na internet, partindo dos engenheiros alemães criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs na Carolina do Norte da qual um funcionário vazou cerca de dois mil álbuns e revelando o submundo dos piratas das mídias que revolucionaram o universo digital.

Pais empreendedores:

Como o Google funciona Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg reúnem as valiosas lições que transformaram a start-up em uma das maiores empresas do mundo. A partir da história e de curiosidades do dia a dia do Google, eles mostram o caminho para que gestores e empreendedores abracem o espírito de inovação e atrair e manter talentos em suas equipes.

Pais bem-humorados:

Ele está de volta — As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.

Pais que gostam de escândalo:

Nêmesis — O aclamado escritor e jornalista investigativo Peter Evans revela detalhes surpreendentes sobre um dos triângulos amorosos mais polêmicos da história: Jackie O, Aristóteles Onassis e Bobby Kennedy. Após vários anos de pesquisas e entrevistas com espiões e terroristas, parentes, amigos e amantes dos Kennedy e de Onassis (além de muitos encontros com o próprio Ari), Evans descortinou a rede de subornos, encontros sexuais, mentiras e traições que teriam culminado na morte de Bobby.

Pais que curtem um mistério:

Galveston — Romance de estreia de Nic Pizzolatto, criador da série True Detective, o livro é um romance violento e ágil, com o máximo da atmosfera noir.

Lugares escuros — Da mesma autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, o livro conta a história de Libby Day, uma mulher que testemunhou o brutal assassinato da mãe e das duas irmãs aos sete anos de idade.

Pais descolados:

O árabe do futuro — Filho de mãe francesa e de pai sírio, o quadrinista Riad Sattouf conta o choque cultural que viveu quando foi, ainda bem criança, para a Síria e a Líbia, e fala também do retorno da família à França. Depois de viver em lugares tão diferentes, Riad se tornou um completo estrangeiro, com uma visão crítica, afiada e muito bem-humorada sobre o mundo.

Pais saudáveis:

Sal, açúcar, gordura — Neste livro-reportagem, o jornalista vencedor do Pulitzer Michael Moss mostra como os alimentos nas prateleiras dos supermercados são cuidadosamente projetados pela indústria alimentícia para nos viciar, fazendo uso de estratégias que levam ao aumento alarmante de casos de obesidade, hipertensão e diabetes. A obra cita algumas das empresas e marcas mais conhecidas do planeta, incluindo Coca-Cola, Kellogg, Nestlé e Oreo.

Pais intelectuais:

História do futuro — A jornalista Míriam Leitão apresenta o resultado de quatro anos de pesquisas, entrevistas, viagens, análises de dados e depoimentos de especialistas sobre as tendências do futuro do país.

Notícias: Manual do usuário — O aclamado escritor e filósofo Alain de Botton elabora um Manual definitivo da nossa era viciada em informação oferecendo um parâmetro de sanidade para as nossas interações diárias (e às vezes ininterruptas) com a máquina de notícias.

Pais que gostam de esportes:

Moneyball — O livro atrai tanto os interessados em esportes quanto em negócios. Com uma narrativa repleta de personagens fascinantes e questionamentos inteligentes, Michael Lewis mostra a luta de um administrador para levar seu empreendimento à máxima performance pelo menor custo e impor racionalidade num universo dominado por favorecimentos, desperdício e vícios. É a história de superação de um time medíocre de beisebol e a biografia de um homem que se destacou num dos negócios mais ferozes e competitivos dos Estados Unidos.

testeIntrínseca na Flip 2015

flip

A partir de 1º de julho as charmosas ruas de Paraty tornam-se o ponto de encontro entre leitores e escritores. De quarta a domingo (5/7), a cidade celebra a Flip, festa literária que neste ano homenageia o modernista Mário de Andrade.

O escritor, diretor e cartunista Riad Sattouf, autor do recém-publicado O árabe do futuro, é uma das atrações da programação principal. Reconhecido quadrinista da nova geração francesa e ex-colaborador da revista Charlie Hebdo, Sattouf irá debater com Plantu — um dos mais célebres cartunistas da França, colaborador há mais de 40 anos do Le Monde — e com o brasileiro Rafa Campos o estado da arte dos quadrinhos em 2015 como espaço de resistência e liberdade crítica. A mesa “De balões e blasfêmias”, que terá cobertura ao vivo pelo Twitter, acontece no sábado, 4 de julho, às 15h.

link-externoLeia mais sobre O árabe do futuro

Além das mesas literárias, o festival conta com a programação gratuita da FlipMais e com eventos especiais para os pequenos leitores na Flipinha e para os jovens na FlipZona.
Acompanhe a cobertura da Festa Literária Internacional de Paraty em nossos perfis no Twitter e no Instagram.

testeQual livro combina com o seu amor?

 

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Assim como na literatura, tudo pode acontecer em uma história de amor. Suspense, comédia, drama, intrigas e reconciliações. Para celebrar o Dia dos Namorados, listamos 15 livros para todos os gostos e queremos saber: que tipo de história combina mais com o seu par?

 

Toda luz que não podemos ver, de Anthony DoerrMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver, premiado com o Pulitzer de Ficção de 2015, narra um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Confira no Skoob]

link-externoConheça Anthony Doerr

 

Um mais um, de Jojo Moyes — O novo livro da autora de Como eu era antes de você conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida que precisa levar a filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. [Confira no Skoob]

 

Lugares escuros, de Gillian Flynn Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem de Gillian Flynn, autora de Garota exemplar, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. [Confira no Skoob]
link-externoGillian Flynn em defesa das vilãs

 

O capital no século XXI, de Thomas Piketty Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por esse estudo do francês Thomas Piketty sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade. [Confira no Skoob]

 

A arte de pedir, de Amanda Palmer Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. No livro, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda. [Confira no Skoob]
link-externoA arte de ser Amanda Palmer

 

Cidades de papel, de John Green Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certo dia, ela invade o quarto dele pela janela, convocando-o a fazer parte de um plano de vingança. E ele, é claro, aceita. [Confira no Skoob]
link-externoO capitão John Green

 

Nós, de David Nicholls Douglas é um bioquímico de 54 anos, casado com Connie e pai de Albie, um jovem que acabou de entrar para a faculdade. Certa noite, ele é acordado pela esposa, que decide pedir o divórcio. Porém, eles estão prestes a embarcar em uma viagem em família pela Europa. Do mesmo autor de Um diaNós traz uma irresistível reflexão sobre relacionamentos. [Confira no Skoob]
link-externoDia de fã: um encontro com David Nicholls

 

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011. [Confira no Skoob]
link-externoA metáfora de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

 

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, a vida amorosa de Lara Jean se transforma. [Confira no Skoob]

 

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman Embrenhando-se no território da mitologia africana, a narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis e divindades vingativas. Nova edição do clássico do autor com conteúdo extra e orelha assinada por Fábio Moon. [Confira no Skoob]
link-externoSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil

 

Salinger, de David Shields e Shane Salerno — A biografia de Salinger foi produzida ao longo de nove anos por David Shields e Shane Salerno, que colheram relatos de mais de 200 pessoas. A personalidade multifacetada do autor do clássico O apanhador no campo de centeio é relatada nas vozes de amigos, colegas do exército, parentes, editores, críticos literários etc. [Confira no Skoob]

 

Navegue a lágrima, de Leticia Wierzchowski Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Ao entrelaçar as lembranças da editora Heloísa à trajetória dos antigos moradores da casa, Leticia Wierzchowski expõe o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo até nas relações mais sólidas. [Confira no Skoob]
link-externoLeia as colunas de Leticia Wierzchowski

 

O árabe do futuro, de Riad Sattouf Filho de mãe francesa, nascida na Bretanha, e de pai sírio, de uma aldeia próxima a Homs, o premiado quadrinista Riad Sattouf retrata, de forma bem-humorada, o choque cultural experimentado por uma criança criada na França socialista de Mitterrand ao vivenciar os regimes autoritários da Síria de Hafez al-Assad e da Líbia de Kadafi. [Confira no Skoob]
link-externoRevivendo o passado através de O árabe do futuro

 

Caixa de pássaros, de Josh Malerman Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan. [Confira no Skoob]
link-externoPássaros no escuro

 

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [Confira no Skoob]
link-externoComo Chaplin enganou a morte