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Vamos sortear 3 kits com livros de Gillian Flynn, a autora Sharp objects: Objetos cortantes. Cada kit contém um exemplar de Sharp objects: objetos cortantes e outro livro de Gillian Flynn da sua escolha!

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– O resultado será anunciado no dia 23 de julho, segunda-feira, em nosso perfil no Instagram. Boa sorte!

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teste3 coisas que todo leitor precisa saber sobre Gillian Flynn

Seja em Garota exemplar, Lugares escuros, Objetos cortantes ou no conto de terror O adulto, uma coisa é certa: a narrativa de Gillian Flynn é hipnótica. Mas, às vezes, mesmo um nome tão conhecido quando o assunto é thriller e suspense literário pode fazer com que alguns leitores de primeira viagem se sintam receosos.

Pensando nisso, separamos três coisas que todos devem saber antes de começar a mergulhar nas histórias incríveis da autora.

 

1 – Ela sempre escreve do ponto de vista da mulher

Exceto nas partes narradas pelo marido de Amy em Garota exemplar, a principal característica de Gillian Flynn é o emprego invariável do ponto de vista feminino. Ela sempre coloca mulheres no controle de suas narrativas, sejam elas heroínas ou vilãs, e é inclusive uma das responsáveis pela popularização de novas autoras de suspense que dão enfoque ao protagonismo feminino.

Embora contemos com excelentes escritoras de thrillers desde os tempos de Agatha Christie, ao longo dos anos pós-Garota exemplar uma série de novas autoras foram reveladas para o grande público, como Fiona Barton, Paula Hawkins, Clare Mackintosh, e muitos outros nomes brilhantes.

 

2 – As protagonistas são sempre personagens complexas

Thrillers e narrativas policiais normalmente giram em torno da tentativa de compreender uma verdade oculta – quem cometeu um crime, por exemplo. Para isso, é necessário que as informações sejam apresentadas do modo mais coerente e fidedigno possível, pois, entendendo os fatos, chega-se à verdade. Flynn brinca com essa máxima ao apresentar narradores em que não se pode confiar plenamente, envolvendo o leitor na trama de mistério e manipulando suas percepções. Nick e Amy Dune que o digam…

Uma história protagonizada por pessoas detestáveis poderia afastar os leitores. No entanto, nas mãos de Gillian Flynn, isso acaba sendo um charme a mais. Ao lermos sobre pessoas com mais falhas do que nós mesmos, acabamos criando uma estranha – e, às vezes, preocupante – empatia por personagens assustadores.

 

3 – Ela mesma adaptou o roteiro do filme Garota exemplar

Gillian Flynn (Fonte)

Fãs sempre temem quando Hollywood anuncia a adaptação de uma obra. Nunca se sabe se a história original será respeitada. No caso de Garota exemplar, não houve espaço para medo: a própria Gillian Flynn escreveu o roteiro do filme, que teve direção de David Fincher (Se7en, Clube da Luta). Quem leu e assistiu pode confirmar: foi uma transposição extremamente fiel, em que o espírito do livro esteve presente em cada cena.

Essa fidelidade poderá ser vista novamente na série Objetos cortantes, da HBO, que conta com Amy Adams (A chegada) no papel da protagonista Camille Preaker. Flynn está no time de produtores, então podemos esperar mais uma excelente adaptação.

testeUma lista assustadora para o dia das bruxas

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Para celebrar a chegada de mais um dia das bruxas, temos a já tradicional lista de histórias assustadoras para manter a tradição de sustos, monstros e medo em geral. Confira!

Caixa de pássaros, de Josh Malerman

Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a vendar os olhos. Com uma narrativa cheia de suspense e que alterna passado e presente, o livro conta uma incrível história de terror psicológico em um mundo pós-apocalíptico.

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O adulto, de Gillian Flynn

Escrito a pedido de George R. R. Martin, o conto é uma homenagem às clássicas histórias de terror. Na obra, uma jovem ganha a vida se passando por vidente e oferecendo serviços de leitura de aura para donas de casas ricas e tristes. Certo dia, ela atende uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação. No entanto, quando visita a casa da mulher, a jovem se depara com acontecimentos aterrorizantes, e se convence de que há algo tenebroso à espreita.

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Orgulho e preconceito e zumbis, de Seth Grahame-Smith e Jane Austen

“É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros.” Assim começa essa paródia da obra consagrada de Jane Austen, que se tornou um best-seller do The New York Times. Agora, porém, no tranquilo vilarejo de Meryton, Elizabeth Bennet, treinada nos rigores das artes marciais, está determinada a eliminar a ameaça zumbi. Até que sua atenção seja desviada pela chegada do altivo e arrogante Sr. Darcy.

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Loney, de Andrew Michael Hurley

Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno em uma extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, um homem é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era jovem e visitou o lugar. Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês.

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Cidade dos etéreos, de Ransom Riggs

Um grupo de crianças com dons inusitados precisa escapar de monstros terríveis, numa história ilustrada por sombrias fotografias antigas. Na sequência da celebrada série iniciada com O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Jacob, um garoto de dezesseis anos, parte com seus novos amigos para enfrentar as perigosas criaturas que ameaçam o universo peculiar.

Biblioteca de Almas, de Ransom Riggs

Na conclusão da série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Jacob descobre uma habilidade poderosa e vai usá-la na perigosa jornada para resgatar os amigos. Acompanhado de Emma, a menina que produz fogo, e um sábio cão peculiar, eles descobrem a fortaleza dos cruéis acólitos e estão preparados para a batalha final.

Contos peculiares, de Ransom Riggs 

As histórias que as crianças peculiares escutavam da srta. Peregrine, as pistas para a localização das fendas temporais, o livro dentro dos livros. Contos peculiares, coletânea citada ao longo da série O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, é ao mesmo tempo um delicioso complemento e uma porta de entrada para o rico e sombrio universo criado por Ransom Riggs.

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Filme noturno, de Marisha Pessl

Em uma noite fria de outono, Ashley Cordova é encontrada morta em um armazém abandonado em Manhattan. Embora a polícia suspeite de suicídio, o jornalista Scott McGrath acredita que exista algo mais por trás dessa história. Seu interesse pelo caso não é gratuito: Ashley é filha do famoso e recluso diretor de filmes de terror Stanislas Cordova, um homem que não é visto em público há mais de trinta anos e que, no passado, teve um papel trágico na vida de McGrath.

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O hipnotista, de Lars Kepler 

O massacre de uma família mobiliza a polícia sueca. Sob o comando do detetive Joona Linna, as investigações dependem da única testemunha: o filho adolescente, que está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna convence o Dr. Erik Maria Bark a hipnotizar o garoto, dando início a uma longa e aterrorizante sequência de acontecimentos.

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testeUma marionete nas linhas habilidosas de Delphine de Vigan e Gillian Flynn

Por Liciane Corrêa*

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Uma é L., apenas L. A outra só conhecemos pelo apelido: Nerd. L. é ghost-writer de biografias; Nerd é uma devoradora de livros, com uma queda especial por histórias de fantasmas. Ambas são mulheres fortes, com bastante sensibilidade para ler pessoas.

Se as duas fossem vizinhas, provavelmente se tornariam amigas. Talvez passassem noites em claro discutindo literatura, L. defendendo que só a não ficção importa, porque as pessoas estão cansadas de histórias sem autenticidade, produzidas por farsantes. Mas L. e Nerd nunca se conheceram, pois não fazem parte do mesmo universo. Nós, leitores, podemos conhecer as duas através das obras de Delphine de Vigan e de Gillian Flynn.

untitledQuem nos apresenta a L. é Delphine, narradora de Baseado em fatos reais. Elas são como aquelas amigas que a gente costuma ter na adolescência: vão juntas ao cinema, ao mercado, à padaria, trocam mensagens a toda hora. L. encontra sempre as palavras certas para consolar e acalmar Delphine. O mesmo tipo de palavras certas que Nerd, protagonista com que Gillian nos presenteia no conto O adulto, tem para as mulheres que vão até ela pedindo uma luz porque estão com a vida desmoronando — a diferença é que Nerd é paga para isso.

Com frequência Nerd tem que ler nas entrelinhas dos relatos das clientes e preencher as lacunas para lhes contar o que está escrito nas estrelas. Já o papel de L. na vida de Delphine é preencher os espaços vazios deixados pela ausência de inspiração criativa. Acho que qualquer leitor gostaria de ter uma amiga dedicada como L. se, de cara, Delphine já não deixasse tão claro que a outra é a responsável por seu fracasso.

Mas comecemos do início: Delphine havia lançado um livro em que abordava a relação com a mãe bipolar e suicida — uma história que lhe deixou cicatrizes, assim como se espera de qualquer história que envolva mães problemáticas, quer ela vire livro ou não. Depois de uma obra tão pessoal, sobre o que Delphine poderia escrever? É nesse período da vida, quando está refletindo sobre seu próximo livro, que ela conhece L.

Logo as duas descobrem muitas afinidades e a irresistível e espirituosa L. com sua beleza e confiança, tem todos os predicados para ser uma pessoa inspiradora. Mas não adianta: Delphine não consegue mais escrever. A princípio, o bloqueio criativo parece fruto do sentimento de culpa que Delphine já experimentou antes, ao se afastar de um livro publicado e partir para uma nova história. Mas a situação piora e, em certo ponto, ela começa a sentir dor só de pensar em se sentar ao computador. Sorte dela que L. está sempre a seu lado, sempre vem ao seu socorro. Delphine torna-se, então, refém de alguém tão próximo, tão familiar, tão íntimo.

adultograndeSe por L. a gente já é induzido a sentir antipatia desde o primeiro capítulo, sem nem mesmo saber o que exatamente ela fez para merecer isso, Nerd conquista nossa empatia logo no início. Sabe aquela pessoa por quem a gente torce mesmo sabendo que é vilã, tipo Carrie White em Carrie, a estranha? Esta é Nerd: ganha a vida ludibriando pessoas, mas ainda assim é difícil resistir a ela. Afinal, seu destino foi moldado pela infância de mentiras criada pela mãe.

Ela aprendeu a ler e conhecer as pessoas como a palma da própria mão e usa isso para tirar proveito de quem está fragilizado. Mas um dia, quando a dona de uma casa mal-assombrada chega para uma consulta, o feitiço se vira contra Nerd e ela se vê envolvida em uma trama de tirar o fôlego. Enquanto L. e Delphine compartilham afinidades que acabam por sufocar a relação, Nerd encontra sua redenção na mais improvável das pessoas.

Mergulhar nas obras de Delphine e de Gillian é como estar em um mar tranquilo e de repente se ver sendo tragado pela correnteza para depois ser jogado de volta, atordoado, na areia. Em entrevista, Gillian Flynn já afirmou que gosta de personagens complexos, e de fato ela sempre nos brinda com personalidades que nunca deixam o leitor entediado.

>> Leia também: As mulheres de Gillian Flynn

A narrativa extremamente convincente das duas autoras nos faz acreditar em qualquer coisa. E depois desacreditar. E, em seguida, acreditar de novo. E Delphine vai além: interessada na fronteira entre a razão e a loucura, ela extrapola os jogos narrativos comuns a thrillers psicológicos quando brinca não apenas com os personagens, mas também com o leitor. A autora compartilha com a protagonista o nome, os filhos, o marido, o suicídio da mãe. A todo tempo nos perguntamos o que mais a autora Delphine de Vigan emprestou à personagem Delphine. Mas nem tudo é o que parece, e os fatos reais do título talvez sejam tão reais quanto as visões que Nerd tem sobre o futuro de suas clientes.

Durante a leitura dos dois livros, eu me senti manipulada como uma marionete nas linhas habilidosas de Delphine e Gillian. Não são apenas as personagens Delphine e Nerd que perdem o controle da própria vida à medida que as páginas avançam: nós, leitores, também somos seduzidos a acompanhar a tensão de cada cena com a mesma intensidade que Delphine precisa de L. em sua vida.

>> Leia também: Eva Green está no elenco da adaptação de Baseado em fatos reais, novo filme de Roman Polanski

 

Liciane Corrêa, ao contrário de L., prefere livros de ficção — e, assim como Delphine e Nerd, gosta de Stephen King (de quem já foi editora e cujos livros agora tem o prazer de traduzir) e histórias de fantasma. Também compartilha com Delphine os péssimos hábitos de coçar os olhos quando está de rímel e tropeçar em todos os móveis da casa.

testeAs mulheres de Gillian Flynn

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Especializada em personagens complexas, enredos intricados e grandes reviravoltas, Gillian Flynn construiu histórias que exploram o que existe de mais sombrio em cada um de nós. Mas, de todas as características marcantes de suas narrativas, são suas personagens femininas que a destacam dos demais autores. Depois de Garota exemplar, a Intrínseca publicou mais três livros da autora: Lugares escuros, Objetos cortantes e o conto O adulto.

Garota Exemplar foi lançado no Brasil em 2013 e há dois anos o sorriso de Amy assombrou a todos na adaptação cinematográfica do best-seller. A imagem do casamento idealizado é desconstruída através dos relatos divergentes entre marido e mulher em um thriller difícil de parar de ler e de assistir.

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Em Lugares escuros, o trauma sofrido por Libby Day é o ponto de partida para uma reflexão sobre as falhas da memória e como as mentiras da infância podem esconder segredos terríveis.

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Objetos cortantes mostra a jornada de Camille Parker para revelar o que sua família quis esconder por anos. E como esses segredos a consumiram.

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Lançamento mais recente no Brasil, o conto O adulto narra a história de uma charlatã que aplica pequenos golpes. O convite de uma cliente para realizar uma limpeza de aura em uma casa mal–assombrada parece ser a chance perfeita para ganhar muito dinheiro. No entanto, nada acontece como o esperado.

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testeImpactante conto de Gillian Flynn, O adulto chega às livrarias em 18 de julho!

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Famosa por suas personagens femininas fortes, Gillian Flynn homenageia as clássicas histórias de terror em um conto premiado com o Edgar Award: O adulto.

Escrito a pedido de George R. R. Martin e publicado pela primeira vez em uma antologia organizada pelo autor, O adulto conta a história de uma jovem que ganha a vida praticando pequenas fraudes.

Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e tristes. Certo dia, ela atende Susan Burke, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação.

No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que há alguma chance.

Em seu estilo inconfundível que arrebatou milhares de fãs, Gillian Flynn traça surpreendentes e intrigantes perfis psicológicos dos personagens e tece uma narrativa repleta de suspense ao mesmo tempo em que brinca com elementos clássicos do sobrenatural.

Leia um trecho do conto abaixo, ou clicando aqui.

 

“Eu não parei de bater punheta para os outros por não ser boa. Parei de bater punheta por ser a melhor.

Durante três anos, bati a melhor punheta da região metropolitana. O segredo é não pensar demais. Se você começa a se preocupar com técnica, se começa a analisar ritmo e pressão, perde a natureza essencial do ato. Você tem que se preparar mentalmente de antemão, e depois parar de pensar e deixar o corpo assumir o controle.

Basicamente, é como uma tacada de golfe.

Eu batia para os homens seis dias por semana, oito horas por dia, com uma pausa para o almoço, e estava sempre com a agenda lotada. Tirava duas semanas de férias por ano e nunca trabalhava nos feriados, porque punhetas de feriado são deprimentes para todo mundo. Avalio que, ao longo de três anos, tenha chegado a 23.546 punhetas. Então não leve a sério aquela piranha da Shardelle quando ela diz que eu parei por não ter talento.

Eu parei porque quando você bate 23.546 punhetas em um período de três anos a síndrome do túnel do carpo se torna algo muito real.

Cheguei à minha ocupação de modo honesto. Talvez “natural” seja uma palavra melhor. Nunca fi z nada muito honestamente na vida. Fui criada na cidade por uma mãe caolha (a frase de abertura das minhas memó- rias), e ela não era uma senhora legal. Não tinha problemas com drogas nem com bebida, mas tinha problemas com trabalho. Era a pessoa mais preguiçosa que já conheci. Duas vezes por semana íamos para as ruas do centro da cidade pedir esmolas. Mas como minha mãe odiava fi car de pé, fazia tudo aquilo de forma estratégica. Conseguir o máximo de dinheiro no menor tempo possível, depois ir para casa, comer bolo mesclado de chocolate com baunilha e assistir a reality shows de tribunal na TV, sentadas em meio às manchas de nosso colchão detonado. (É a principal lembrança que tenho da infância: manchas. Não sei dizer a cor dos olhos da minha mãe, mas sei que a mancha no tapete felpudo era marrom-escura como sopa, que as manchas no teto eram de um laranja queimado e as na parede, de um vibrante amarelo-mijo de ressaca.)

Minha mãe e eu nos vestíamos de modo apropriado. Ela usava um belo vestido de algodão desbotado, puído, mas que bradava decência. Colocava em mim qualquer coisa que já não me coubesse mais. Sentávamos em um banco e escolhíamos as pessoas certas a quem pedir. É um esquema bastante simples. A primeira escolha é o ônibus de alguma igreja de fora da cidade. As pessoas das igrejas locais simplesmente mandam você ir até a igreja. Sendo de fora, elas em geral se veem obrigadas a ajudar, sobretudo se quem pede é uma senhora caolha com uma criança de rosto triste. A segunda escolha são as mulheres em duplas. (Mulheres sozinhas conseguem ir embora rápido demais; um grupo de mulheres é difícil demais de ser abordado.) A terceira escolha é a mulher sozinha com expressão receptiva. Você sabe como é: a mesma mulher que você aborda para perguntar como se chega a algum lugar ou checar as horas, é essa a mulher a quem pedíamos dinheiro. Também os homens jovens com barba ou violão. Não aborde homens de terno. O clichê é verdadeiro: são todos babacas. Também deixe passar os de anel no polegar. Não sei por quê, mas homens que usam anel no polegar nunca ajudam.

Os escolhidos? Não os chamávamos de alvos, presas ou vítimas. Nós os chamávamos de Tony, porque meu pai se chamava Tony, e ele nunca conseguia dizer não a ninguém (embora eu suponha que tenha dito não à minha mãe pelo menos uma vez, quando ela pediu que ele ficasse).

Assim que você aborda um Tony, consegue descobrir em dois segundos como pedir. Alguns querem que termine rápido, feito um assalto. Você solta um “Precisamosdedinheiropracomertemumtrocado?”. Há quem queira se deleitar com sua desgraça. Só lhe darão dinheiro se você lhes oferecer algo que os faça se sentir melhor, e quanto mais triste sua história, melhor eles se sentem por ajudar, e mais dinheiro você consegue. Eu não os culpo. Se você vai ao teatro, quer que lhe apresentem um espetáculo.

Minha mãe foi criada em uma fazenda no sul do estado. A mãe morreu no parto; o pai plantava soja e cuidava dela quando não estava exausto demais. Ela veio para cá fazer faculdade, mas o pai teve câncer, a fazenda foi vendida, o dinheiro acabou e ela precisou largar os estudos. Trabalhou como garçonete por três anos, mas então veio a menininha, o pai da menininha foi embora, e quando se deu conta… ela era um deles. Uma carente. Não se orgulhava disso…

Você já entendeu. Isso era só para começar a cena. Daí continua. Dá para dizer rápido se a pessoa quer uma narrativa de bravura e superação. Nesse caso, eu de repente era uma aluna-modelo em uma escola pública distante (eu era, mas a verdade não é o que importa), e mamãe só precisava do dinheiro da gasolina para me levar lá (eu na verdade pegava três ônibus sozinha). Ou, se a pessoa quisesse uma história sobre o maldito sistema, nesse caso eu era imediatamente afligida por alguma doença rara (batizada com o nome de qualquer que fosse o babaca que minha mãe estivesse namorando — síndrome de Todd-Tychon, mal de Gregory-Fisher), e as despesas com cuidados médicos tinham nos levado à falência.

Minha mãe era esperta, mas preguiçosa. Eu era muito mais ambiciosa. Tinha muita disposição e nenhum orgulho.  Aos treze anos, ganhava dela nas esmolas em centenas de dólares por dia, e aos dezesseis havia deixado para trás minha mãe, as manchas e a TV — e, sim, o ensino médio — e ido morar sozinha. Eu saía toda manhã e mendigava por seis horas. Sabia quem abordar e precisamente o que dizer, no tempo exato. Nunca sentia vergonha. Era uma simples transação comercial: você fazia com que uma pessoa se sentisse bem, e ela lhe dava dinheiro.

Então, dá para entender como toda a coisa da punheta pareceu uma evolução profi ssional natural.

A Mãos Espirituais (não fui eu que batizei o lugar, não me culpe) fi cava em um bairro chique a oeste do centro. Cartas de tarô e bolas de cristal na frente, leves serviços sexuais ilegais nos fundos. Eu tinha respondido a um anúncio de recepcionista. Acabou que “recepcionista” signifi cava “prostituta”. Minha chefe, Viveca, é ex-recepcionista e atual leitora de mãos legí- tima. (Embora Viveca não seja seu nome legítimo; seu nome legítimo é Jennifer, mas as pessoas não acreditam que Jennifers consigam prever o futuro, Jennifers lhe dizem que sapatos bonitinhos comprar ou qual feira livre frequentar, mas deveriam manter suas mãos longe do futuro das outras pessoas.) Viveca emprega algumas videntes na parte da frente e comanda uma salinha organizada nos fundos. O cômodo dos fundos parece um consultório médico: tem toalhas de papel, desinfetante e uma mesa de exames. As garotas enfeitaram o lugar com echarpes em cima das luminárias, uma miscelânea de objetos e almofadas de lantejoulas — todas aquelas coisas com que apenas meninas frescas se preocupam. Quer dizer, se eu fosse um cara disposto a pagar para uma garota bater uma para mim, não iria entrar ali e dizer: “Meu Deus, sinto notas de strudel fresco e noz- -moscada… rápido, pega no meu pau!” Eu entraria na sala e falaria muito pouco, que é o que a maioria deles faz.

Ele é único, o homem que chega em busca de uma punheta. (E aqui só batemos punheta, ou pelo menos eu só faço isso — tenho fi cha criminal por alguns roubos menores, coisas idiotas que fi z aos dezoito, dezenove, vinte anos, e que garantem que eu nunca, jamais, vou conseguir um emprego decente, de modo que não preciso acrescentar a isso ir em cana por prostituição.) Um cara que vai atrás de uma punheta é uma criatura muito diferente de um que quer um boquete ou de um cara que quer sexo. Certamente, para alguns homens uma punheta é apenas o início do ato sexual. Mas eu tinha muitos clientes regulares. Eles nunca vão querer mais que uma punheta. Não consideram a punheta uma traição. Ou se preocupam com doenças, ou nunca têm coragem de pedir mais. Tendem a ser homens casados, tensos e nervosos, homens com empregos de nível mediano, basicamente sem poder. Não estou julgando, apenas dando a minha avaliação. Eles querem que você seja atraente, mas não que pareça uma vagabunda. Por exemplo: na vida real eu uso óculos, mas não uso quando estou no serviço, porque isso distrai — eles pensam que você vai fazer a cena da Bibliotecária Sensual, e fi cam tensos esperando os primeiros acordes de uma música do ZZ Top que eles não vão ouvir, então fi cam constrangidos por terem pensado que você ia encenar a Bibliotecária Sensual, daí se distraem e a coisa toda demora mais do que qualquer um desejava.

Eles querem que você seja atenciosa e agradável, mas não fraca. Não querem se sentir predadores. Querem que aquilo seja um negócio. Focado no serviço. Então você tem uma conversa educada sobre o clima e o time pelo qual eles torcem. Normalmente eu tento criar algum tipo de piada interna que possamos repetir a cada visita — uma piada interna é como um símbolo de amizade sem precisar de todo o trabalho necessário para manter uma amizade de verdade. Então você diz: Começou a temporada de morangos! Ou Precisamos de um barco maior (estou lhe contando piadas internas reais), e desse modo o gelo é quebrado e eles não se sentem como se fossem desprezíveis, pois vocês são amigos, o clima é criado e você pode seguir em frente.

Quando as pessoas me fazem a pergunta que todas fazem, “O que você faz?”, eu respondo: “Trabalho com atendimento ao cliente.” O que é verdade. Para mim é um belo dia de trabalho quando você faz um monte de gente sorrir. Sei que soa sério demais, mas é verdade. Quer dizer, eu preferiria ser bibliotecária, mas me preocupo com a estabilidade do emprego. Livros podem ser temporários; paus são para sempre.

O problema foi que meu pulso estava me matando. Mal tinha chegado aos trinta e meu pulso já era o de uma octogenária, com uma munhequeira nada sensual para combinar. Eu a tirava antes de começar, mas aquele som de velcro se soltando deixava os homens um pouco tensos. Certo dia Viveca foi me visitar nos fundos. Ela é uma mulher pesada, como um polvo — muitas contas, babados e echarpes fl utuando a sua volta, junto com o cheiro forte de água-de-colônia. Tem os cabelos tingidos da cor de ponche de frutas e insiste que é seu tom natural. (Viveca: a fi lha mais nova de uma família da classe trabalhadora; indulgente com as pessoas de quem gosta; chora com comerciais; muitas tentativas fracassadas de se tornar vegetariana. Só um palpite.)

— Você é vidente, Nerd? — ela me perguntou.

Ela me chamava de Nerd porque eu usava óculos, lia livros e tomava iogurte na hora do almoço. Eu não sou nerd, só queria muito ser. Por causa dessa coisa de largar o ensino médio, sou autodidata. (Não é uma palavra obscena, pode conferir.) Eu leio sempre. Eu penso. Mas me falta educação formal. Então fi co com a sensação de que sou mais inteligente que todo mundo ao meu redor, mas que se um dia ficar perto de pessoas realmente inteligentes — gente que frequentou a universidade, bebeu vinho e aprendeu latim —, elas ficarão terrivelmente entediadas comigo. É uma vida solitária. De modo que uso o apelido como uma medalha de honra. Um dia, talvez, eu não mate de tédio pessoas realmente inteligentes. A questão é: como você conhece pessoas inteligentes?

— Vidente? Não.

— Vê coisas? Já teve premonições?

— Não.

Eu achava que toda aquela besteira de ler a sorte era pura bobajada, como minha mãe diria. Ela era de uma fazenda no sul do estado, essa parte era verdade.

Viveca parou de brincar com uma das contas.

— Nerd, estou tentando ajudar você.

Eu saquei. Normalmente não sou tão lenta, mas meu pulso estava latejando. Aquele tipo de dor que distrai e faz com que você só consiga pensar em como acabar com ela. E também, em minha defesa, Viveca normalmente só pergunta algo para poder falar — ela não liga muito para as respostas.

— Sempre que conheço alguém, imediatamente tenho uma visão — eu disse, usando a voz sábia e requintada de Viveca. — De quem a pessoa é e do que precisa. Posso ver isso como uma cor, um halo, uma aura ao redor dela.

Aquilo era realmente verdade, a não ser pela última parte.

— Você vê auras. — Ela sorriu. — Eu sabia que via.

Foi como eu descobri que estava sendo transferida para a parte da frente. Eu iria ler auras, o que significava que não precisava de nenhum treinamento.”

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Confira as sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

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PAX, de Sara Pennypacker – Peter e sua raposa, Pax, são inseparáveis desde que ele a resgatou, órfã, ainda filhote. Um dia, o inimaginável acontece: o pai do menino vai servir na guerra e o obriga a devolver Pax à natureza. Ao chegar à distante casa do avô, onde vai morar por um tempo, Peter reconhece que não está onde deveria: seu verdadeiro lugar é ao lado de Pax. Movido por amor, lealdade e culpa, ele parte em uma jornada solitária de quase quinhentos quilômetros para reencontrar sua raposa, apesar da guerra que se aproxima. Enquanto isso, mesmo sem desistir de esperar por seu menino, Pax embarca em suas próprias aventuras e descobertas. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Julho_BLOG_Pa¦üginasInternas4Pó de lua nas noites em claro, de Clarice Freire – Em seu segundo livro, Clarice vira a madrugada ao avesso em palavras e imagens, dedicando uma hora a cada capítulo, da meia-noite ao amanhecer. O livro alterna passagens em prosa e poesia, acompanhando sua personagem durante um longo e mágico passeio pela cidade quase deserta. [Leia +]

O lançamento está marcado para 21 de julho, no Recife.

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O adulto, de Gillian Flynn – Escrito a pedido de George R. R. Martin e publicado pela primeira vez em uma antologia organizada pelo autor, o livro é uma homenagem às clássicas histórias de terror. Na obra, uma jovem ganha a vida se passando por vidente e oferecendo serviços de leitura de aura para donas de casas ricas e tristes. Certo dia, ela atende Susan Burke, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente.[Leia +]

A falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação. No entanto, quando visita a mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. [Leia+]

EstanteIntrinseca_Julho_BLOG_Pa¦üginasInternas8O navio das noivas, de Jojo Moyes – Inspirada na história real vivida pela avó da autora, i livro conta a trajetória de quatro mulheres que saem da Austrália depois da Segunda Guerra Mundial em um porta-aviões que as levará até a Inglaterra para encontrar os soldados com quem se casaram durante o conflito. [Leia +]

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O dia da morte de Denton Little, de Lance Rubin – Denton Little sempre soube o dia em que iria morrer. O jovem de dezessete anos tinha um plano bem definido para seus últimos momentos: um café da manhã com muito bacon, uma corridinha para espairecer, uma maratona de filmes com o melhor amigo e finalmente perder a virgindade com a namorada. Só que nada sai como o esperado, e, na véspera de sua morte, Denton acorda numa cama que não é a sua e com uma garota que não é sua namorada. [Leia +]

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Faca de água, de Paolo Bacigalupi – Num futuro árido e tumultuado, acontece uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo para conseguir água. Nesse cenário surge Angel, um mercenário com a missão de cortar e desviar o fornecimento de água a mando de quem paga mais. Lucy é uma jornalista premiada que decidiu revelar para o mundo a realidade da Grande Seca. Maria é uma jovem cuja vida foi destruída pelos efeitos das mudanças climáticas. Quando o direito de usar a água significa dinheiro para alguns e sobrevivência para outros, o que esses três personagens não sabem é que seu encontro é um marco que poderá mudar tudo.[Leia +]

EstanteIntrinseca_Julho_BLOG_Pa¦üginasInternas7Belgravia, de Julian Fellowes – Ambientada nos anos 1840, a saga de Belgravia tem início na véspera da Batalha de Waterloo, em junho de 1815, no lendário baile oferecido em Bruxelas pela duquesa de Richmond em homenagem ao duque de Wellington. Pouco antes de uma da manhã, os convidados são surpreendidos pela notícia de que Napoleão invadiu o país. O duque de Wellington precisa partir imediatamente com suas tropas.

No baile estão James e Anne Trenchard, um casal que fez fortuna com o comércio. Sua filha, Sophia, encanta os olhos de Edmund Bellasis, o herdeiro de uma das famílias mais proeminentes da Bretanha. Um único acontecimento nessa noite afetará drasticamente a vida de todos os envolvidos. Passados vinte e cinco anos, quando as duas famílias estão instaladas no recente bairro de Belgravia, as consequências daquele terrível episódio ainda são marcantes. [Leia +]

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O demônio na cidade branca, de Erik Larson – No final do século XIX, o arquiteto Daniel Burnham, famoso por projetar alguns dos edifícios mais conhecidos do mundo, teve a difícil tarefa de transformar uma área desolada de Chicago em um lugar de magnífica beleza. Reunindo as mais importantes mentes da época, Burnham enfrentou o mau clima, tragédias e o tempo escasso para construir a enorme estrutura da Feira de Chicago, que tinha como objetivo celebrar a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo.

A poucas quadras dali, outro homem, H. H. Holmes, estava às voltas com mais uma obra grandiosa, um prédio estranho e complexo. Nomeado Hotel da Feira Mundial, o lugar era na verdade um palácio de tortura, para o qual Holmes atraiu dezenas, talvez centenas de pessoas. Autor de crimes inimagináveis, ele ficou conhecido como possivelmente o primeiro serial killer da história americana. [Leia +]

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O tigre, de John Vaillant  – Em dezembro de 1997, um tigre devorador de gente espreita um vilarejo afastado no Extremo Oriente russo. A fera não apenas mata pessoas, ela as aniquila, devora por inteiro. Um grupo de homens com cães de caça é enviado para persegui-la pela floresta densa e gélida, e à medida que analisam os parcos restos mortais das vítimas do tigre, os rastreadores percebem algo impensável: os ataques não são aleatórios; fazem parte de uma vingança. Machucada, faminta e perigosíssima, a fera precisa ser detida antes que mais uma tragédia aconteça. [Leia +]