testeConheça o spa nada convencional de Liane Moriarty

 

Chega às livrarias neste mês o novo livro da autora de Pequenas grandes mentiras, Liane Moriarty.

Em Nove desconhecidos, nove pessoas se inscrevem em um retiro de transformação total do corpo e da mente em um deslumbrante spa, na esperança de resolverem seus problemas relacionados a autoestima, relacionamentos e questões familiares. Logo nas primeiras horas, contudo, elas percebem que o local é administrado rigorosamente por uma mulher imponente e misteriosa que parece saber muito mais sobre os hóspedes do que seria normal.

Sob duras regras, os hóspedes embarcam em uma jornada peculiar em que aprenderão que a transformação pode custar caro e que nem todas as práticas do spa podem ser consideradas “comuns”.  

Confira um trecho do livro:

 

Frances

Em um dia de janeiro quente e sem nuvens, Frances Welty, antiga autora de romances best-sellers, dirigia sozinha por campos abandonados repletos de arbustos, a noroeste de sua casa em Sydney.

A fita preta da autoestrada se desenrolava hipnoticamente à sua frente enquanto as saídas do ar-condicionado sopravam com força um vento ártico no seu rosto. O céu era um imenso domo azul-escuro que cercava seu carrinho solitário. Era céu demais para o seu gosto.

Ela sorriu ao se lembrar de um daqueles críticos insatisfeitos do TripAdvisor: Eu liguei para a recepção e pedi um céu mais baixo, com mais nuvens, mais confortável. Uma mulher com sotaque carregado disse que não havia outros céus disponíveis! E ela também foi muito grossa! NUNCA MAIS. NÃO JOGUE SEU DINHEIRO FORA.

Frances se deu conta de que talvez estivesse muito perto de enlouquecer. Não, não estava. Estava bem. Perfeitamente sã. Mesmo, de verdade. Ela abriu e fechou as mãos em torno do volante, piscou os olhos ressecados por trás dos óculos escuros e deu um bocejo tão grande que estalou o maxilar.

— Ai — disse, embora não tivesse doído.

Ela suspirou, olhando pela janela em busca de algo que quebrasse a monotonia da paisagem. Devia ser tão difícil e implacável lá fora. Dava para imaginar direitinho: o zumbido das moscas-varejeiras, o grito lúgubre dos corvos e toda aquela luz branca, quente e ofuscante. Era de fato uma vasta terra marrom.

Vamos lá. Quero ver uma vaca, uma plantação, um barracão. Estou vendo com meus próprios olhos algo que começa com… N. Nada.

Ela se remexeu no banco e sua lombar retribuiu com uma pontada de dor tão forte que seus olhos se encheram de lágrimas. — Pelo amor de Deus — disse ela, lamentando-se.

A dor nas costas começara duas semanas antes, no dia em que finalmente aceitara que Paul Drabble havia desaparecido. Estava ligando para a polícia e tentando decidir como ia se referir a ele — seu parceiro, namorado, amante, “amigo especial”? — quando sentiu a primeira pontada. Era o exemplo mais óbvio de dor psicossomática que já existira, mas saber que era psicossomático não fazia doer menos.

Era estranho olhar-se no espelho toda noite e constatar que suas costas continuavam tão macias, brancas e discretamente rechonchudas quanto sempre foram. Ela esperava ver algo terrível, como uma massa retorcida de raízes de árvore.

Conferiu a hora no painel: 14h57. A saída devia estar próxima. Dissera ao pessoal da reserva na Tranquillum House que chegaria por volta de três e meia ou quatro horas e não fizera nenhuma parada imprevista. Tranquillum House era um “resort especializado em saúde e bem-estar”.

Sua amiga Ellen havia indicado o lugar. “Você precisa se cuidar”, dissera ela a Frances depois do terceiro drinque (um excelente Bellini de pêssego branco) durante o almoço na semana anterior.

“Está com uma aparência de merda.”

Ellen tinha feito uma “purificação” na Tranquillum House três anos antes, quando também ficara “esgotada”, “acabada”, “fora de forma” e…

“Sim, sim, já entendi”, interrompera Frances.

“O lugar é bem… fora do comum”, contara Ellen a Frances. “A abordagem deles não é nada convencional. Mudou minha vida.” “Como foi, exatamente, que a sua vida mudou?”, indagara Frances, de forma bem sensata, mas sem obter uma resposta clara.

No fim das contas, tudo parecia se resumir ao branco dos olhos de Ellen, que havia ficado muito branco, absurdamente branco! Além disso, ela perdera três quilos! Embora a Tranquillum House não tivesse a ver com perda de peso, o que Ellen se esforçou muito para esclarecer. Tinha a ver com bem-estar, mas, bom, que mulher reclama de perder três quilos? Ellen, com certeza, não. Frances também não.

Em casa, Frances dera uma olhada no site do lugar. Nunca gostara muito de abnegação, nunca fizera dieta, raramente dizia não quando queria dizer sim ou sim quando queria dizer não. Segundo sua mãe, a primeira palavra gananciosa de Frances fora “mais”. Ela sempre queria mais.

No entanto, as fotos da Tranquillum House a haviam enchido de um anseio estranho e inesperado. Todas tinham uma tonalidade dourada, tiradas durante o nascer ou o pôr do sol, ou então eram filtros que davam essa impressão.

Pessoas felizes de meia-idade faziam a postura do guerreiro em um jardim de rosas brancas ao lado de uma linda casa de campo. Havia um casal sentado em uma das “fontes termais naturais” que cercavam a propriedade. Olhos fechados, cabeça para trás, eles sorriam radiantes enquanto a água borbulhava ao redor. Outra foto mostrava uma mulher aproveitando “uma massagem com pedras quentes” na espreguiçadeira ao lado da piscina azul-esverdeada. Frances havia imaginado aquelas pedras quentes posicionadas com uma simetria maravilhosa ao longo da sua coluna, o calor mágico derretendo a dor.

Enquanto ela sonhava com fontes termais e ioga suave, uma mensagem urgente piscou na tela: Só resta uma vaga no Retiro Exclusivo de Dez Dias Para Transformação Total da Mente e do Corpo! Aquilo a fizera se sentir extremamente competitiva e ela clicou em Reservar agora, embora não acreditasse de fato que só restasse uma vaga. Ainda assim, por via das dúvidas, digitou bem rapidinho as informações do cartão de crédito.

Ficou com a impressão de que dali a meros dez dias ela seria “transformada” de um jeito que “nunca imaginara que fosse possível”. Haveria jejum, meditação, ioga, “exercícios criativos de liberação emocional”. Nada de álcool, açúcar, cafeína, glúten ou laticínios, mas, como tinha acabado de comer o menu degustação do Four Seasons, ela estava cheia de álcool, açúcar, cafeína, glúten e laticínios no corpo, e a ideia de abrir mão de tudo isso não pareceu tão grave. As refeições seriam “personalizadas” para suas “necessidades específicas”.

Antes que sua reserva fosse “aceita”, ela teve que responder a um questionário on-line muito grande e um tanto invasivo sobre seu estado civil, seus hábitos alimentares, seu histórico médico, seu consumo de álcool na semana anterior e assim por diante. Mentiu alegremente. Não era da conta deles. Teve até que enviar uma foto sua tirada nas últimas duas semanas. Escolheu uma do almoço com Ellen no Four Seasons, com um Bellini na mão.

Havia caixinhas que ela devia assinalar indicando o que esperava conquistar naqueles dez dias: tinha de tudo, de “terapia intensiva de casal” a “perda considerável de peso”. Frances assinalou apenas as caixas que pareciam positivas, como “crescimento espiritual”.

 

Nove desconhecidos foi enviado em fevereiro para os assinantes do intrínsecos. Se você ainda não conhece o clube do livro da Intrínseca, confira todas as informações no site e participe!

testeLançamentos de abril

Confira os lançamentos do mês!

 

Nove desconhecidos, de Liane Moriarty

Nove pessoas completamente diferentes se reúnem em um spa distante da civilização por dez dias. Apesar de estarem rodeados de luxo e mimos, eles terão de se esforçar para cumprir o objetivo da estadia: mudar de vida. Frances chega à Tranquillum House procurando curar seu coração partido, mas o lugar, e, principalmente, a diretora, parecem esconder algum segredo. Nenhum dos hóspedes é capaz de imaginar o tamanho do desafio que os aguarda.

Esse é o lançamento de Liane Moriarty, autora de O segredo do meu marido e Pequenas grandes mentiras, livro que deu origem à série Big Little Lies com Nicole Kidman e Reese Whiterspoon.

Nove desconhecidos chegou primeiro na caixinha intrínsecos, que envia todo mês um livro inédito em edição exclusiva para os assinantes! Se você também ama receber as novidades literárias antes de todo mundo, garanta a próxima caixa aqui.

Nove desconhecidos chega às livrarias a partir do dia 17 de abril. 

 

Oblivion Song: Canção do silêncio, de Robert Kirkman e Lorenzo De Felici

A nova HQ de Robert Kirkman, criador de The Walking Dead e vencedor do Prêmio Eisner, se passa dez anos após o misterioso desaparecimento de trezentas mil pessoas na Filadélfia, transportadas subitamente para Oblivion, uma dimensão repleta de criaturas ameaçadoras.

Sem novas notícias, o governo já desistiu de procurar por sobreviventes, mas Nathan Cole retorna todos os dias à inóspita dimensão, na esperança de salvar aqueles que estão sozinhos, perdidos e amedrontados. Mas quem Nathan tanto procura talvez não deseje ser encontrado…

O primeiro volume de Oblivion Song, que reúne os seis primeiros fascículos, chega às livrarias a partir do dia 13 de abril. Leia um trecho.

 

Tempo de luz, Whitney Scharer

Quando chega a Paris em meados da década de 1930, Lee Miller não quer mais ser o objeto de lentes alheias e está pronta para iniciar sua carreira como fotógrafa e mostrar o mundo sob a própria perspectiva. Logo ela conhece Man Ray, um dos mais importantes fotógrafos da época, e os dois iniciam uma conturbada história de amor, amadurecimento e descobertas.

Em um ambiente livre e boêmio, porém sexista, Man Ray e seus amigos famosos dominam a cena artística, fazendo com que Lee reflita sobre suas próprias questões e talentos.

Tempo de luz chega às livrarias a partir do dia 29 de abril. Leia um trecho.

 

A vida não é justa, de Andréa Pachá

Famosa por suas colunas publicadas em alguns dos mais importantes jornais do país, Andréa Pachá tem um talento singular para transformar vivências no tribunal em ficção. A vida não é justa, publicado originalmente em 2012, surgiu a partir das suas observações à frente de uma Vara de Família e da necessidade de compreender o fenômeno que levava dois amantes apaixonados ao limite do ódio e da intolerância. Composto por crônicas divertidas e comoventes sobre separações, reencontros, guarda dos filhos, paternidade e amor, o livro também deu origem à série Segredos de Justiça, do Fantástico.

Relançado agora com capa e projeto gráfico novos, além de apresentação inédita da autora, A vida não é justa é o segundo livro da autora publicado pela editora Intrínseca. Em 2018, Andréa Pachá lançou Velhos são os outroscom crônicas inspiradas em suas experiências à frente de uma Vara de Sucessões.

A vida não é justa chega às livrarias a partir do dia 2 de abril. Leia um trecho.

 

Só pode ser brincadeira, sr. Feynman!, de Richard P. Feynman

Excêntrico e espirituoso, o ganhador do prêmio Nobel Richard Feynman conta os casos mais engraçados e extraordinários de sua vida. Sua personalidade fora dos padrões aliada a sua capacidade de aprender habilidades variadas – que vão de música e pintura até engenharia e biologia – o fez entender e explicar o mundo de forma inusitada aos seus leitores.

Entre as muitas histórias curiosas reunidas nesta edição com introdução assinada por Bill Gates, destacam-se os episódios em que ele conheceu Einstein, arrombou cofres do programa nuclear, deu aulas e desfrutou do Carnaval no Brasil. Narrador inteligente e bem-humorado, Feynman mostra por que é um dos intelectuais mais adorados de sua geração e até hoje fascina todos dentro e fora da área acadêmica.

Só pode ser brincadeira, sr. Feynman! chega às livrarias a partir do dia 8 de abril. Leia um trecho.