testePlaylist de Ainda sou eu, novo livro de Jojo Moyes

Louisa Clark deixou a Inglaterra para se aventurar em Nova York. Preparada para começar uma nova vida em uma das cidades mais empolgantes do mundo, a nossa querida personagem está determinada a cumprir a promessa que fez para Will: dizer sim para as oportunidades que surgirem. Com muita coragem, ela começa a trabalhar em um novo emprego e cai de paraquedas no mundo dos super-ricos da Big Apple.

Como Nova York é uma cidade que desperta muitos sentimentos, preparamos uma playlist inspirada em Ainda sou eu para fazer com que os leitores viajem junto com a Lou. 

testeUm convite para a Nova York de A grana

Por João Lourenço*

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capa_agrana_pQuando começo a leitura de um livro, espaço e tempo são os elementos da narrativa que costumam me seduzir primeiro. Personagens e trama vêm depois. Gosto de ler sobre lugares que conheço e que tenho vontade de conhecer — e também sobre lugares imaginários que nos fazem sonhar.

Em A grana, somos transportados para um lugar muito real: a Nova York atual, caótica, multifacetada, onde a ganância é algo quase palpável. A autora, Cynthia D’Aprix Sweeney, por meio de ricas descrições, revela em detalhes os muitos segredos da Big Apple. Se você já desembarcou na cidade que nunca dorme ou está planejando viajar para lá, A grana pode ser a sua leitura de bordo. Anote tudo e embarque nessa viagem. 

 

Oyster Bar 

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Nova York é a cidade do novo, do moderno, do rápido. Yes! Mas também há espaço para a tradição. É o caso do Oyster Bar, um restaurante de frutos do mar fundado em 1913. Localizado no nível inferior da Grand Central Station, o espaço tem 440 lugares disputados diariamente por pessoas de várias partes do mundo. Tamanho sucesso se deve aos produtos frescos que podem ser apreciados em um menu que se reinventa constantemente. Mas se frutos do mar não agradam o seu paladar, não se acanhe: o Oyster Bar também é um ótimo lugar para “ver e ser visto”, saboreando um drinque antes de pegar o trem para a próxima aventura. 

 

West Village

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Ruas largas, sossegadas e arborizadas. Cafés com mesas na calçada, lojas de grifes locais e independentes e uma grande variedade de restaurantes e bares que ficam movimentados até o amanhecer. West Village também é conhecido como Little Bohemia, devido à predileção noturna de seus moradores. O bairro é um dos poucos lugares em Nova York onde ainda prevalece aquela sensação de estar em uma cidade pequena. Por lá, todo mundo parece se conhecer. Moderno e agitado, não é movido à pressa insana que vemos no centro de Manhattan. Um dos diferenciais do bairro são as famosas feiras de garagem e mercados de pulga, onde é possível garimpar relíquias e antiguidades que você nem sabia que existiam.  

 

Museu de História Natural

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Programa clássico na lista de todos que visitam Nova York, recebe em média 4 milhões de visitantes por ano — cerca de 10 mil por dia! O museu tem cinco andares e narra a história da humanidade, além de ter o maior acervo de fósseis de dinossauro do planeta. Embora seja um museu antigo, o que lhe dá um aspecto um tanto antiquado, o espaço tem a maior tela de cinema de Nova York, que apresenta filmes e documentários sobre história natural. Falando em cinema, o museu já apareceu em diversos sucessos de bilheteria, como A Lula e a Baleia e Uma Noite no Museu. Desde 2014, lá acontece a noite do pijama: uma espécie de festa noturna com visita guiada, banda ao vivo e apresentações especiais — além de uma chance incrível de dormir rodeado de esqueletos de baleias gigantes e animais raros. Para geek nenhum botar defeito. 

 

Dumbo

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Abreviação de “Down Under Manhattan Bridge Overpass”, a região fica debaixo do viaduto da ponte de Manhattan, no Brooklyn. Antes, Dumbo era uma área de fábricas e prédios industriais. Devido ao aluguel barato, o lugar costumava ser habitado por universitários e jovens artistas em ascensão. Mas, nos últimos 15 anos, Dumbo começou a ganhar novo status com a chegada de grandes empresas de tecnologia e multimarcas internacionais. Hoje, a região é uma das que mais crescem em Nova York. Jovens, artistas e universitários ainda circulam por lá, mas já não podem se dar ao luxo de morar nos prédios industriais que hoje funcionam como playgrounds para diretores e funcionários das maiores start-ups da Costa Leste. O pequeno bairro ainda tem uma vista sensacional de Manhattan. Dumbo também é o lugar perfeito para quem é fã de papelaria e livros “diferentes”. Por lá, as livrarias parecem parque de diversões para adultos. Destaque para The Penthouse Arenna, mistura de livraria, boutique, papelaria e galeria de arte e fotografia. 

 

Píer 45

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Em Nova York, assim como em qualquer grande metrópole, os lugares públicos são bastante disputados. Nos meses quentes, todo mundo procura um cantinho distante do barulho do dia a dia. Além da vista privilegiada do rio Hudson, no Píer 45 há opções de lazer para todos os gostos. Entre a primavera e o verão, o parque que rodeia o píer recebe festivais de música e gastronomia. Um ótimo lugar para caminhar, refletir, encontrar os amigos e apreciar a vista de New Jersey e do skyline de Manhattan. 

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

testeO fascínio de um hotel 5 estrelas

Por Vanessa Corrêa*
 
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Poucos lugares são capazes de materializar os conceitos de luxo e sofisticação de forma tão eficiente quanto um hotel cinco estrelas. Com ambientes requintados e serviço impecável, esses hotéis exercem um verdadeiro fascínio sobre as pessoas, sejam elas celebridades ricas que têm condições de bancar longas temporadas em endereços caríssimos ou meros mortais que podem apenas suspirar imaginando como seria passar uma noite em meio a tanta opulência.

untitledLocalizado em uma das cidades mais elegantes do mundo, o Ritz, em Paris, é considerado por muitos o símbolo máximo dos hotéis de luxo, com uma fama que, desde sua inauguração, ultrapassou os limites da França, atraindo a nata da sociedade internacional.

A história desse ícone do glamour é contada no livro O hotel da Place Vendôme, escrito por Tilar J. Mazzeo. Na obra, a autora traça um panorama dos principais acontecimentos de Paris na primeira metade do século XX, sobretudo a ocupação nazista da capital francesa durante a Segunda Guerra Mundial, e mostra como o Ritz sempre esteve envolvido nos grandes fatos históricos da cidade, por meio da ação de funcionários e hóspedes ilustres.

Assim como o Ritz marcou a história de Paris, outros hotéis já fazem parte do imaginário popular de importantes cidades, atraindo personagens ricos e famosos e mexendo com a imaginação de turistas do mundo inteiro.

 

 

HOTEL CHELSEA

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O hotel Chelsea, em Nova York, não era exatamente um cinco estrelas, mas ficou conhecido por abrigar diversas celebridades ao longo dos anos. O prédio de tijolos avermelhados localizado na rua 23, entre a 7ª e a 8ª avenidas, foi residência de nomes como Stanley Kubrick, Iggy Pop, Madonna, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Uma Thurman, Tennessee Williams, Gore Vidal e Jack Kerouac, que teria escrito seu livro mais famoso, On the Road, em uma suíte do Chelsea.

Construído entre 1883 e 1885, o hotel aparece ou é citado em dezenas de filmes, livros e músicas e foi o cenário de alguns finais infelizes no mundo artístico. Em 1953, o escritor Dylan Thomas morreu de pneumonia no quarto em que morava e, em 1978, Nancy Spungen, namorada de Sid Vicious, dos Sex Pistols, foi encontrada morta a facadas em uma das 250 suítes do Chelsea.  

O Chelsea foi fechado para reformas em 2011 e não retomou as atividades desde então.

 

COPACABANA PALACE

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Diferente do Ritz em seus tempos áureos, o hotel mais famoso do Brasil não costuma ter muitos moradores ilustres, mas recebe hóspedes renomados desde a inauguração, em 1923.

Além de ser um dos locais de hospedagem preferidos de celebridades internacionais em visita ao Brasil, o hotel é o sonho de consumo de noivas, que adorariam fazer suas festas de casamento em um dos luxuosos salões do Copa. Localizado na avenida Atlântica, em Copacabana, o hotel também é palco de caras e concorridas festas de Ano-Novo, com vista mais do que privilegiada para os fogos de artifício do maior réveillon do Brasil.

O hotel foi construído pelo empresário Octávio Guinle, membro da rica família de empreendedores que foi tema do livro Os Guinle: a história de uma dinastia, de Clóvis Bulcão. Viveu sua época mais glamorosa até a década de 1960, quando começou a ser preterido por hotéis mais modernos.

Na década de 1980, cogitou-se até mesmo a demolição do Copacabana Palace, mas o hotel foi declarado patrimônio histórico e cultural e, em 1989, foi vendido pela família Guinle para um grande grupo hoteleiro internacional.

 

THE DORCHESTER

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Inaugurado em Londres em 1931, o Dorchester continua sendo um dos mais sofisticados e caros hotéis do mundo, e sua história também está ligada a hóspedes ricos e famosos.

Por conta de sua sólida construção, durante a Segunda Guerra Mundial o hotel ficou conhecido como um dos prédios mais seguros de Londres, capaz de resistir aos frequentes bombardeios enfrentados pela capital britânica. A fama fez com que o Dorchester fosse escolhido como residência por diversas autoridades políticas e militares naquele período.

Nas décadas seguintes, o Dorchester se tornou um dos preferidos de celebridades como Elizabeth Taylor e Richard Burton, que se hospedaram numerosas vezes no endereço da Park Lane entre os anos 1960 e 1970.

 

BEVERLY HILLS HOTEL 

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Construído em 1912, o hotel é tão glamoroso quanto os hóspedes que o frequentavam. A lista de habitués inclui nomes como Marilyn Monroe, John Wayne, Grace Kelly e Elizabeth Taylor.

Localizado no famoso Sunset Boulevard, o hotel leva o nome da rica cidade de Beverly Hills, em Los Angeles, Califórnia, e foi erguido na região antes que a cidade sequer existisse (Beverly Hills foi fundada somente em 1914). Entre as décadas de 1930 e 1960, o Beverly Hills Hotel foi o endereço preferido de grandes estrelas de Hollywood, que gostavam de aproveitar o clima ensolarado da Califórnia à beira da piscina do hotel.

Além de seus 208 quartos e suítes, o hotel possui 23 luxuosos bangalôs. Na década de 1940, o famoso diretor Howard Hughes comprou seis bangalôs e passou boa parte das décadas seguintes vivendo ocasionalmente nessas propriedades. A fama do Beverly Hills Hotel era tão grande que, em 1976, seu famoso edifício cor-de-rosa estampou a capa do disco Hotel California, da banda Eagles.

 

 

Vanessa Corrêa é jornalista, já trabalhou na Folha de S.Paulo e no portal UOL e é apaixonada por livros, cinema e fotografia.

testeO livro, o filme, a peça

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Cena do filme Laços de Ternura (Fonte)

Nada melhor do que uma boa história. E Laços de ternura (Terms of endearment), livro de Larry McMutry ambientado no estado americano do Texas, com a clássica trama sobre o relacionamento entre mãe e filha, certamente venceu o teste do tempo. Lançada originalmente em 1975, a obra, que virou filme oito anos depois (com Shirley MacLaine, Jack Nicholson e Debra Winger), vencendo cinco Oscar, acaba de ser adaptada como peça de teatro em Nova York. Tive o prazer de vê-la semana passada.

Larry McMutry é um autor de grandes sucessos, entre eles O indomado (Hud, que virou filme com Paul Newman em 1963) e Os pistoleiros do Oeste (no original, Lonesome dove, ou Pomba solitária, adaptado para a TV com Robert Duvall em 1989), além de A última sessão de cinema (The last picture show, de 1971), um dos melhores filmes dos anos 1970.  Apesar de seus livros terem sempre sido adaptados para o cinema por terceiros, ele escreveu o roteiro de O segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain), a partir de conto de Annie Proulx.

Tenho de ser sincero e dizer que não li Laços de ternura – a última edição que circulou no Brasil, ainda nos tempos do Círculo do Livro da Abril, é de meados dos anos 1980. Mas, graças à internet, acabei de comprar um exemplar bem antigo pela bagatela de sete reais. A ideia é colocá-lo na minha lista de leituras programadas para o fim do ano.

Para escrever este artigo revi o filme, que agora faz parte da minha coleção de DVDs. Lendo algumas resenhas que saíram à época do lançamento do livro, percebi que a trama original era ainda mais “novelesca” do que a do filme. Entre os itens eliminados estão casos de amor que não adicionavam nada à trama principal e diversos personagens secundários.

Se o filme, com suas duas horas e quinze minutos, já resumia muita coisa, a peça, que tem pouco mais de cem minutos, vai ainda mais direto ao essencial: Laços de ternura é uma história de amizade, amor, brigas e redenção. E o que importa é a dupla central: Aurora Greenway, uma viúva teimosa, voluntariosa e irredutível, e sua filha Emma, que só quer ter uma vida normal ao lado do marido e dos filhos. É justamente a parte “normal” da vida que Aurora não consegue aceitar.

Da tela para o palco, muita coisa foi eliminada: os vários “pretendentes” de Aurora, o amante de Emma (que agora é mencionado apenas de passagem), enquanto outros personagens perderam relevância, como Patsy, melhor amiga da filha. Ainda vitais para Laços de ternura são duas figuras masculinas: o marido de Emma, Flap (que no filme foi vivido por Jeff Daniels), e o astronauta aposentado Garrett (uma interpretação marcante de Jack Nicholson).

No fim das contas, o teatro acaba sendo o meio do ator. Emma, que no filme foi defendida com um pouco de exagero por Debra Winger, agora é interpretada pela novata Hannah Dunne – correta, mas pouco intensa. O grande personagem de Laços de ternura, no entanto, é Aurora. Na peça, quem assume o lugar de Shirley MacLaine é nada menos do que Molly Ringwald. Sim, a atriz que, quando jovenzinha, protagonizou Clube dos Cinco e A garota de rosa-shocking.

Aos 48 anos, Molly “encarna” Aurora de uma forma diferente — e, acreditem, mais eficaz — do que Shirley MacLaine. No filme, Aurora tem um início caricato, quase estridente, e se humaniza somente quando vive uma tragédia. Na peça, Molly busca outro registro: apesar de manter Aurora um pouco acima do tom, tem a sabedoria de interpretá-la com uma pitada de vulnerabilidade, como se toda a confiança que ela exibe fosse uma espécie de mecanismo de defesa.

Resta dizer que, como no filme, as cenas finais são de cortar o coração — e Molly, pegando fogo, entrega-se a cada uma delas. Entre os outros atores, destaque também para Jeb Brown, veterano da Broadway que traz alívio cômico como o ex-astronauta Garrett. Embora carismático, o ator às vezes parece estar quase incorporando Jack Nicholson como Garrett, e não o personagem em si.

Tendo saboreado o filme e a peça, mal posso esperar para que o livro chegue pelo correio. Quarenta anos depois, Laços de ternura se mantém relevante, pois trata de temas atemporais. Além disso, tem um elemento vital para o tipo de literatura que aprecio: preocupa-se sobretudo em emocionar para, posteriormente, fazer o leitor refletir.

 

testeCafé Society

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Cena do filme Café Society (Fonte)

Um filme que tem tudo a ver com o meu livro Os Guinle é Café Society (2016), de Woody Allen. Mesmo tratando de histórias bastante diferentes, e apesar de o filme ser uma obra ficcional, enquanto o livro é uma biografia, as narrativas têm elementos em comum.

A trama de Allen se passa nos anos 1930, entre Hollywood e Nova York, e quem leu o livro sabe que foi exatamente nessa época que o playboy Jorginho Guinle aterrissou nos Estados Unidos. O mais curioso é que ele gravitava justamente entre as duas cidades, só que, diferentemente do cineasta, um nova-iorquino apaixonado por sua cidade, Jorginho nunca externou preferência por Hollywood ou Nova York.

Ao menos duas grandes estrelas do cinema americano estão nas duas histórias: Hedy Lamarr e Errol Flynn. Hedy Lamarr teve um caso com o milionário brasileiro; Errol Flynn foi muito amigo dele. No filme eles são apenas citados num extenso rol de nomes de personagens típicos dos estúdios cinematográficos.

O maior ponto de contato entre as duas obras é o jazz. No filme, o personagem principal, Bobby Dorfman, é um dos proprietários de um clube noturno, o Les Tropiques. O local é claramente inspirado no Café Society, uma casa fundada em 1939 por Barney Josephson em Nova York. Foi aí que Billie Holiday lançou, no mesmo ano, o sucesso Strange Fruit. Pois, em 1939, no mesmo dia em que chegou ao país, Jorginho Guinle foi ver uma apresentação da mítica cantora.

Jorginho, que então namorava a atriz Lauren Bacall, tornou-se frequentador assíduo do Café Society. Conforme conta em sua biografia, a casa era um templo sagrado do jazz. Era a única que bancava show com três pianistas tocando ao mesmo tempo, “criando uma incrível textura polirrítmica, uma loucura”.

A cristalização de Hollywood como a capital mundial do cinema e a expansão internacional do jazz fizeram da década de 1930 uma época especial nos Estados Unidos. Segundo Jorginho, “muitos achavam que aquela vida de diversão duraria para sempre”. Mas, como numa obra ficcional, todo aquele clima de festa acabou naquele mesmo ano de 1939, quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu e o mundo viveu uma de suas piores crises.

testePorcelain, por Moby

De um dos músicos mais icônicos e fascinantes de nosso tempo, Porcelain é o relato terno, divertido e angustiante de uma trajetória que vai da pobreza e alienação ao improvável sucesso mundial

Havia diversas razões para Moby jamais deslanchar como DJ e músico na cena club nova-iorquina. Aquela era a Nova York das boates Palladium, Mars, Limelight e Twilo, a cidade do hedonismo desenfreado regado a drogas, das noites fervilhantes, e lá estava Richard Melville Hall, descendente distante do escritor de Moby Dick, um garoto branco, pobre e magrelo de Connecticut, cristão devoto, vegano e totalmente careta. Mas ele encontrou seu espaço e atingiu o sucesso, que logo se mostrou efêmero e cheio de complicações. No limiar da década de 1990, frente a um fim iminente, acabou criando o álbum que viria a ser o início de uma nova fase espetacular: o megassucesso Play, que vendeu milhões de cópias no mundo todo.

Com uma voz que ressoa honestidade e uma paixão inabalável por sua música, o que Moby conta é tanto uma crônica sobre uma cidade e uma época, quanto uma exploração profundamente íntima da busca pelo sucesso. Mais que uma autobiografia, Porcelain, é o retrato de um jovem imerso em uma cena cultural extremamente instigante, narrada com o ritmo e a fluidez de um romance da melhor qualidade.

Confira a apresentação feita pelo próprio Moby para o livro que chega a partir 24 de maio às livrarias:

 

alguns anos atrás, em uma festa no brooklyn, eu estava contando uma história sobre a nova york de 1989.

as ampolas de crack vazias nas plataformas do metrô, as raves até altas horas nos porões vazios e armazéns abandonados, as profissionais do sexo paradas em meio a sangue e vísceras no meatpacking district e os estúdios alugados a 500 dólares por mês…

contei mais, sobre quando comecei a fazer discos, que reciclava latas e garrafas para ganhar o dinheiro da comida, sobre a fábrica abandonada sem banheiro nem água encanada onde eu morava, e que logo antes do lançamento do álbum play eu achava que minha carreira de músico tinha acabado.

eu me senti um pouco como o vovô simpson, contando sobre os disfuncionais dias de glória de uma nova york anterior à abundância desconcertante na qual a cidade caiu.

depois de algumas histórias, alguém disse: “você deveria escrever um livro.”

e então eu escrevi.

porcelain é sobre minha vida entre 1989 e 1999, mas também é sobre nova york se transformando de uma cidade detonada e suja em uma cidade bizarra e estratosfericamente cara.

porcelain é também sobre a cena underground de hip hop e house music do fim dos anos 1980 e sobre o nascimento dos club kids e da cena rave.

começo o livro como um cristão abstêmio em um espaço minúsculo numa fábrica abandonada e termino em um lugar bem diferente.

tentei ser o mais honesto possível. em porcelain, não sou um narrador descolado nem um anti-herói rebelde, sou apenas um ser humano perdido e desorientado tentando entender os mundos estranhos nos quais me encontro.

repito: tentei ser o mais honesto possível
espero que você goste.

obrigado,
moby

testeAmar vale a pena

Não tem como ler um livro sem se perguntar quanto da história faz parte da autobiografia do autor. Adianto logo que O amor segundo Buenos Aires reflete pelo menos um aspecto pessoal: meu profundo afeto pela cidade.

Muita gente me pergunta por que Buenos Aires, e não Paris, Londres, Nova York ou mesmo o Rio de Janeiro? A melhor resposta para essa questão é: eu precisava escrever sobre aqueles personagens em terreno portenho; eles brotaram de mim ali. A ideia da história de amor entre Hugo e Leonor, uma das que conduzem a trama, surgiu quando eu andava pelas ruas de San Telmo. Nenhuma outra cidade do mundo me despertou isso — pelo menos não dessa forma, clara como um dia de verão.

Sete visitas a Buenos Aires, cinco anos e incontáveis revisões depois, criei caminhos para outros personagens que inventei passeando pelas ruas, por pontos turísticos, livrarias desconhecidas, restaurantes imponentes e cafés decadentes da cidade. Foi em Buenos Aires que sugiram e ganharam vida o ansioso e bem-intencionado Eduardo, o digno e determinado Daniel, a esperançosa e confusa Carolina, a corajosa e vibrante Charlotte, o afetuoso — e por vezes exasperante — Pedro… Personagens que têm em comum a imensa capacidade de amar.

Numa análise distanciada, acredito que eu e Hugo, o personagem central, não poderíamos ser mais diferentes. Jamais me mudei para outro país atrás de um grande amor nem sofri na pele provações comparáveis às que ele passa na trama. Mesmo assim, não consegui convencer uma leitora muito exigente de que Hugo, no fim das contas, trata-se de uma versão fictícia de mim mesmo. Ao ler o original, bem antes de ele seguir para a editora, ela comentou o livro inteiro referindo-se às ações do personagem central: “Gostei muito quando você disse aquilo, achei aquilo que aconteceu com você muito pesado.”A leitora? Minha mãe.

Mas preciso dar o braço a torcer e admitir que, pelo menos em um ponto, eu e Hugo compartilhamos um sentimento. Assim como ele, sou capaz de identificar todos os defeitos de Buenos Aires, mas os aceito e entendo. E até os justifico. É mais ou menos o que acontece quando a gente ama alguém de verdade — um filho, um amigo ou namorado(a).

Pense bem: seu filho é realmente a criança mais inteligente do mundo? Se você encontrasse de novo seu primeiro amor, será que ele (ou ela) ainda seria tão irresistível assim? Você já se deu conta de que seu marido perdeu a maior parte do cabelo e sua esposa ganhou alguns centímetros ao redor da cintura? Quando há amor de verdade, a aparência e os defeitos acabam perdendo importância.

O amor segundo Buenos Aires é a minha primeira aventura numa narrativa de ficção. Como jornalista, já fiz muitas reportagens em que tive de ir a campo, e escrevi um livro-reportagem para o qual viajei para o Paquistão. Embora viver experiências e relatá-las seja meu modo de ganhar a vida, este romance é meu trabalho mais pessoal.

O livro reflete o que penso sobre a vida, posicionamentos que defendo e atitudes que gostaria de ter. A resiliência, a coragem, a paciência e a dedicação ao próximo que os personagens demonstram ao longo da narrativa refletem três crenças centrais que norteiam cada um dos capítulos: todo amor vale a pena, todos têm o direito de amar e todo mundo é, de alguma forma, especial.

testeTrecho de Um presente da Tiffany

Capa_UmPresenteDaTiffany_300dpiDois casais vindos da Europa passam o fim de ano em Nova York. Na movimentada Quinta Avenida, Ethan entra na joalheria Tiffany em busca de um presente de Natal muito importante: ele vai dar uma aliança para Vanessa, a mulher que foi capaz de fazê-lo acreditar novamente no amor após a morte de sua primeira esposa. Enquanto isso, no meio de uma maratona de compras, Gary percebe que não comprou nada para sua namorada, Rachel, e também entra na Tiffany, mas sai de lá com um presente um pouco mais simples: uma pulseira.

Um acidente, porém, faz as sacolas serem trocadas, e Rachel acaba ganhando o anel que deveria ser de Vanessa. Ethan tenta reaver o que comprou, mas descobre que isso não vai ser nada fácil. Será que o destino tem outros planos para os casais? Ou é simplesmente um pouco da mágica da Tiffany no ar?

 

Leia um trecho de Um presente da Tiffany, livro de Melissa Hill, abaixo:

“Durante todo o dia — ou melhor, todo o mês — Ethan esteve preocupado com o que Daisy acharia daquilo. Especialmente porque aquela viagem para Nova York tinha um significado especial para ambos.

Mais cedo naquele dia, enquanto os dois tomavam uma xícara de chocolate quente em um café em Midtown, Ethan vira a filha cutucar um cupcake de limão com cobertura de glacê e soube que algo a preocupava. Como sua mãe sempre fizera, Daisy semicerrava os olhos e deslocava ligeiramente o maxilar para o lado quando se perdia em pensamentos.

— Você gostou da Times Square? — perguntou, sondando-a. — Gostou de todas aquelas luzes?

— É tudo tão lindo — respondeu Daisy, fazendo uma pausa para olhar o movimento da rua pela janela. — Mamãe dizia que Manhattan é como uma grande árvore de Natal nesta época do ano. Ela estava certa.

— Você lembra como sua mãe falava sobre isso, não é mesmo? — perguntou Ethan.

Ela abriu um pequeno sorriso.

— Sei que eu era pequena, mas adorava quando a mamãe contava essas coisas.

Ethan confirmou com um gesto de cabeça.

— É claro que ela estava certa quando disse que a cidade parece uma grande árvore de Natal. Sua mãe tinha razão sobre muitas coisas.

De repente, o significado de estar sentado com sua filha na cidade que a mãe dela tanto adorava invadiu Ethan e quase o fez perder o fôlego. Engoliu em seco, tentando retomar sua linha de pensamento.

— Sabe outra coisa sobre a qual sua mãe tinha razão? — acrescentou Ethan, e Daisy olhou-o com atenção, como sempre fazia quando ele falava sobre a mãe.

Ethan já reparara que sua filha ficava mais atenta quando ele oferecia uma peça do quebra-cabeça, cujas partes deviam parecer muito dispersas para ela; para ele, era como se a filha fosse uma espécie de arquivista, juntando e montando peças de um grande legado, colocando tudo em ordem.

— Sua mãe tinha razão quando disse que você se tornaria uma menina linda e brilhante — prosseguiu Ethan, com um sorriso.

Daisy sorriu e se virou novamente para a janela para olhar os transeuntes na movimentada Quinta Avenida na véspera do Natal.”

testeNova York, a cidade cenário

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Da fachada dos prédios, do Central Park ou dos táxis amarelos na rua, todo mundo conhece um pouquinho de Nova York através das séries e dos filmes. A cidade também é destaque na literatura e desperta a atenção de muitos autores. E Wednesday Martin é um desses escritores que encontraram sua inspiração na Big Apple.

untitledEm Primatas da Park Avenue, que teve os direitos adquiridos pela MGM, a autora revela o comportamento singular da tribo de mães milionárias e glamorosas que habita o Upper East Side, a área mais rica da cidade.

Enquanto a adaptação de Primatas da Park Avenue não chega aos cinemas, preparamos uma lista com sugestões de atrações com cenas ambientadas nessa região de Nova York.

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Leia um trecho

Sex and the City — A série mostra a vida de quatro mulheres solteiras, bonitas e confiantes de Nova York. Melhores amigas, elas compartilham entre si os segredos de suas conturbadas vidas amorosas. Os episódios são narrados pela protagonista, a escritora e colunista Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker). A determinada Miranda Hobbes (Cynthia Nixon) é uma advogada que deseja sucesso na carreira e na vida amorosa. A insegura Charlotte York (Kristin Davis) é uma comerciante de arte vinda de uma família rica. Já Samantha Jones (Kim Cattrall) é uma loira fatal que está sempre à procura de um bom partido.

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Gossip Girl — A série, cujo foco são jovens estudantes das escolas de elite do Upper East Side, acompanha Serena van der Woodsen (Blake Lively) a partir do seu retorno à cidade após fugir e ter se mantido fora do alcance de amigos e conhecidos. Os acontecimentos e histórias de cada personagem são divulgados na internet por uma blogueira anônima que atende pelo pseudônimo “Gossip Girl”.

Odd Mom Out — A série é protagonizada por Jill Jardman, que interpreta uma versão satírica de si mesma, forçada a lidar com o universo das ricas mães que residem no Upper East Side.

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Bonequinha de Luxo — Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma garota de programa nova-iorquina decidida a se casar com um milionário. Perdida entre a inocência, a ambição e a futilidade, ela toma seus cafés da manhã em frente à famosa joalheria Tiffany’s, para tentar fugir dos problemas. Seus planos mudam quando conhece Paul Varjak (George Peppard), jovem escritor bancado pela amante que se torna seu vizinho. Apesar do interesse em Paul, Holly reluta em se entregar a um amor que contraria seu objetivo de tornar-se rica.

The Real Housewives of New York City — O reality show acompanha um grupo de mulheres de Manhattan. Ambição, maternidade, divórcio e amizade fazem parte da vida das participantes.

O Diabo Veste Prada — O filme mostra os percalços da jovem Andrea Sachs (Anne Hathaway) após conseguir um emprego na Runaway, a mais importante revista de moda de Nova York. Ela passa a trabalhar como assistente de Miranda Priestly (Meryl Streep), principal executiva da revista. Apesar da chance cobiçada por muitos, logo Andrea descobre que lidar com Miranda não é nada fácil.

testeA tribo escondida por trás dos luxuosos prédios de Nova York

Wednesday Martin Primates of Park Avenue New York upper east side

Wednesday Martin tinha um desejo comum a muitos pais: criar o filho num ambiente seguro e propiciar uma boa educação para ele. Mas a busca por uma escola de qualidade em Nova York não foi uma tarefa fácil e levou a escritora para o Upper East Side, a região mais rica da cidade.

A mudança para o cobiçado endereço de Manhattan trouxe muitas surpresas para Wednesday. Mãe de primeira viagem e nova na área, ela teve que se adaptar a uma vizinhança de famílias poderosas com hábitos e rotinas muito diferentes daqueles aos quais estava acostumada. Muito mais do que encontrar um apartamento e uma boa escola, a ida para o bairro nobre significou a descoberta de um mundo totalmente desconhecido para a autora.

O Upper East Side era tudo aquilo que se via em filmes e séries de TV, mas com um agravante: o luxo por trás dos prédios escondia uma tribo de mães megarricas, obsessivas com a aparência e motivadas por ambições altíssimas. Ao conhecer esse ambiente em que ter uma cobertura e uma babá à disposição era algo banal, Wednesday se viu isolada e perdida.

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Fazer amizades e conversar com os novos vizinhos parecia ser uma missão quase impossível. Apesar de estar em uma área onde tudo é sofisticado e distante da realidade de muita gente, a escritora percebeu que esse grupo de mulheres tinha muita coisa em comum com ela: o glamour ostentado em bolsas de grife e salto alto não as livrava da pressão de serem boas mães. A maternidade se mostrava ainda mais cruel em Nova York.

A obrigação de estarem perfeitas e de serem sempre 100% dedicadas aos filhos gerava muito mais que ansiedade. Fofocas, intrigas, depressão e vícios eram alguns dos problemas que vinham acompanhados do peso de serem as principais responsáveis pela criação dos filhos.

untitledE foi a partir dessa dificuldade de se integrar e da curiosidade despertada por comportamentos tão inusitados que Wednesday resolveu escrever Primatas da Park Avenue, livro que traz suas percepções sobre a experiência nesse cenário. Com olhar crítico e usando os seus conhecimentos em antropologia, ela passou a observar os rituais de acasalamento, os ritos sagrados e o comportamento das mães na saída da escola.

Os cumprimentos não retribuídos, a superficialidade das relações, os carrões com motoristas e as bolsas caríssimas exibidas como trunfo pelas mulheres são algumas das questões abordadas no livro. A autora também revela as relações de poder nos casamentos, em que os maridos pagam bônus para as esposas que se comportam bem. Entretanto, a principal descoberta de Wednesday veio a partir da tragédia, quando se viu obrigada a aceitar a ajuda das mulheres que antes encarava como fúteis e agressivas. Foi só em meio à dor que lhe foram revelados os laços profundos de amizade que unem todas as mulheres.

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Leia um trecho do livro

Com uma narrativa curiosa e cheia de ironia, Wednesday traz à tona comportamentos e questões que assolam o universo feminino. A insegurança e o medo de não ser uma boa mãe, a amizade e os desejos de consumo mostram que, apesar das diferenças, a tribo do Upper East Side não é tão distante assim das outras mulheres.