testeIntrínseca no salão carioca do livro

Entre os dias 17 e 20 de maio, na Biblioteca Parque Estadual, acontece a segunda edição do LER – o salão carioca do livro.

Serão realizadas diversos encontros com autores e oficinas, em um evento totalmente gratuito e aberto ao público. As vagas são limitadas e precisam ser reservadas no site do evento.

Confira a programação dos autores da Intrínseca no LER:

 

17 de maio (quinta-feira)

Matheus Leitão, autor de Em nome dos pais, participa da mesa “Memórias reprimidas”, com Guiomar de Garamond, no Café do Livro, às 14h30. Depois, às 16h, o autor terá uma mesa individual.

Daniela Arbex apresenta o livro Todo dia a mesma noite no Café do Livro, às 15h. Depois, às 16h30, participa da mesa “Notícia e história”, com Roberto Kaz. 

Isabela Freitas, autora da série Não se apega, não, participa da mesa “Internet e literatura”, com Anderson França, João Pedro Doederlein e Marcelo Ferroni, no Espaço Cesgranrio, às 17h15.

 

20 de maio (domingo)

Clóvis Bulcão, autor de Os Guinle, participa da mesa “História & literatura: uma convergência possível?”, com Mary Del Priori e Ronaldo Vainfas, no Espaço Cesgranrio, às 12h45.

Míriam Leitão participa da mesa “Brasil: o que se fez e o que podemos fazer”, com Jorge Caldeira, no Café do Livro, às 17h30.

testeDose dupla de Leonardos! DiCaprio será Leonardo Da Vinci nos cinemas

A vida do nosso gênio favorito vai ganhar uma versão cinematográfica. A Paramount anunciou que John Logan — roteirista de 007: Operação Skyfall — será o responsável pela adaptação da biografia de Leonardo da Vinci, escrita por Walter Isaacson, para os cinemas.

O protagonista será vivido por Leonardo DiCaprio. Para o ator, o projeto é muito especial, já que seu nome de batismo carrega, por influência direta, o mesmo nome do cientista e artista italiano: a mãe de DiCaprio estava olhando para uma pintura de da Vinci quando o bebê chutou pela primeira vez.

DiCaprio, vencedor do Oscar, também é um dos principais produtores do longa. Ele e Logan já trabalharam juntos no filme O Aviador, de Martin Scorsese. A história do longa deve mostrar como as artes de Da Vinci se conectam com seus diversos estudos, em áreas como anatomia, geologia, pássaros, etc.

O livro foi publicado por aqui em outubro e já está há 13 semanas na lista dos mais vendidos. Além de pintar a obra de arte mais conhecida do mundo e ser de extrema importância para o movimento renascentista, Da Vinci sempre foi muito curioso. Walter Isaacson usou mais de 7 mil anotações do artista para compor sua biografia e escreveu um livro incrível e completo, mostrando o lado mais humano desta personalidade mundial. Leia um trecho aqui!

testeBryce Dallas Howard estreia na direção de Quase uma rockstar para a Netflix

Matthew Quick será responsável por adaptar seu livro Quase uma rockstar para a Netflix! Será a estreia de Bryce Dallas Howard como diretora, atriz conhecida por seus papéis em A Vila, Histórias Cruzadas e em Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros.

O livro, lançado por aqui em 2015, narra a história de Amber Appleton, uma menina de 17 anos que mora em um ônibus escolar, o Amarelão, com a mãe e Bobby Big Boy, o leal vira-lata da adolescente. Apesar de as coisas não estarem boas para o seu lado, Amber, que se autoproclama Princesa da Esperança, se recusa a desistir… até que uma tragédia coloca seu otimismo em cheque.

A produção de Quase uma rockstar, já em andamento, é assinada por Lee Stollman, da Gotham Group e pela Temple Hill, conhecida por A Culpa É das Estrelas. Já o roteiro é de Ol Parker (Imagine Eu e VocêO Exótico Hotel Marigold).

Os direitos de exibição haviam sido adquiridos originalmente pela Fox em 2013, depois do sucesso de O Lado Bom da Vida, também de Quick. Bryce, que tem experiência na direção de curtas e clipes musicais, assume o cargo que até então era de Miguel Arteta.

testeNovo livro de John Green terá lançamento simultâneo no Brasil

Depois de seis anos, dois filmes e 4,5 milhões de livros vendidos no Brasil, John Green está de volta!

Em seu novo livro, Turtles All The Way Down (ainda sem título em português), vamos conhecer a história de Aza Holmes, uma jovem de 16 anos em busca de um bilionário desaparecido para tentar ganhar a recompensa oferecida. Um livro sobre amizades duradouras, reencontros inesperados, fan fictions de Star Wars e répteis neozelandeses. O livro será publicado simultaneamente com os Estados Unidos, em 10 de Outubro.

John Green incluiu na nova obra muitos elementos da própria vida, entre eles o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), com o qual conviveu por muitos anos – mas é uma história totalmente fictícia. Em entrevista ao Entertainment Weekly, o autor declarou:

 “Há anos que trabalho em Turtles All The Way Down e estou animado para compartilhar essa história com os leitores, em outubro. É minha primeira tentativa de escrever diretamente sobre o tipo de distúrbio mental que afeta minha vida desde a infância, então, embora seja uma história ficcional, também é algo muito pessoal.”

O autor tem quatro romances publicados pela Intrínseca:

A culpa é das estrelas, best-seller que conta o romance de dois adolescentes, Hazel e Gus, que se conhecem em um grupo de apoio para jovens com câncer.

Cidades de papel, no qual Quentin nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo desde a infância.

Quem é você, Alasca?, que acompanha o retraído Miles Halter em busca de um Grande Talvez e a misteriosa Alasca Young, que quer descobrir como sair do labirinto. Depois que suas vidas colidem na Escola Culver Creek, nada nunca mais será o mesmo.

O teorema Katherine, em que Colin decide comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.

testeO que significa se sentir vivo?

Quando Matt tinha 24 anos, seu corpo decidiu que era hora de parar de viver.

Foi algo súbito: um mal-estar que surgiu certo dia enquanto ele estava em sua casa em uma ilha paradisíaca na Espanha e não dava sinais de que iria embora. O sofrimento era tamanho que Matt decidiu que o penhasco ao lado de sua moradia seria palco para o fim. Vinte passos, e tudo estaria acabado. Só que o último passo nunca foi dado, e ali começou uma luta diária contra a depressão. Razões para continuar vivo é o resultado dessa batalha. Um livro sobre como viver melhor, amar melhor e se sentir confortável consigo mesmo. Mais do que um livro de memórias, é uma obra sobre como aproveitar seu tempo no planeta Terra.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão afeta 350 milhões de pessoas no mundo todo e estima-se que cerca de 800 mil acabem cometendo suicídio — atualmente a segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. Com delicadeza e inspiração, Matt Haig conta no livro como fez para superar as estatísticas e encontrar novamente as razões para continuar vivo.

Razões para continuar vivo chega às livrarias em 26 de maio. Leia um trecho abaixo:

 

“Quando eu tinha 24 anos, eu quase me matei. Na época, eu morava em Ibiza, Espanha, na parte tranquila da ilha. Minha casa era bem perto de um penhasco. Em meio à neblina da depressão, caminhei até a beirada do precipício e olhei para o mar, para a costa acidentada de pedra calcária, pontuada por praias desertas. Era a paisagem mais linda que eu já tinha visto, mas na hora aquilo não tinha importância. Eu estava muito ocupado tentando reunir a coragem que eu precisava para me jogar dali. Não me joguei. Em vez disso, recuei e vomitei tudo que estava sentindo.

Mais três anos de depressão se seguiram. Pânico, desespero, batalhas diárias.

Mas eu sobrevivi. Naquela época, eu tinha certeza de que não conseguiria passar dos 30. A morte ou a loucura total pareciam mais realistas. Já passei dos 40. Hoje vivo cercado por pessoas que amo, fazendo um trabalho que nunca imaginei que faria e passo meus dias escrevendo.

Fiquei muito feliz por não ter me matado, mas continuei me perguntando se havia alguma coisa para dizer às pessoas que estão passando por esses tempos sombrios.

Essa é minha tentativa.”

testeTudo sobre a série inspirada em Deuses americanos

Poster da série (Fonte)

Em 30 de abril, os deuses de Neil Gaiman chegarão à América. Após anos de espera, o canal americano Starz e o produtor Bryan Fuller, da aclamada série Hannibal, finalmente levarão ao ar a ambiciosa adaptação de Deuses americanos para a televisão.

A história acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia ansiando retornar para casa. Dias antes do fim de sua pena, ele descobre que sua esposa faleceu após um acidente, e fica sem rumo na vida.

Após o velório, ele conhece Wednesday, um homem com olhar enigmático e que está sempre com um sorriso insolente no rosto, e o homem lhe oferece um emprego. É em sua nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade de seu chefe e a se dar conta de que os Estados Unidos, ao receberem pessoas de todos os cantos do mundo, também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões, que vieram com os imigrantes.

Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, uma história sobre perda e redenção, sobre o velho e o novo, sobre memória e fé, Deuses americanos é o exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman.

Em um vídeo divulgado pelo perfil da série no Twitter, Gaiman fala um pouco mais sobre o livro:

Na atração, Shadow será interpretado pelo ator Ricky Whittle (da série The 100), enquanto Ian McShane (Piratas do Caribe e Game of Thrones) fará Wednesday. Completam o elenco Gillian Anderson (Arquivo X), Emily Browning (Desventuras em Série), Pablo Schreiber (Orange Is the New Black) e Crispin Glover (De Volta Para o Futuro). O ator Orlando Jones interpretará sr. Nancy, a versão humana do deus Anansi, personagem de destaque em Deuses americanos e Os filhos de Anansi.

A série teve os direitos de distribuição fora dos Estados Unidos comprados pelo serviço de streaming Amazon Prime, que ainda não confirmou a exibição na versão brasileira da plataforma.

Assista ao novo trailer e confira a galeria de imagens da série abaixo:

 

testeLeia um trecho exclusivo de “A química”, de Stephenie Meyer

quimicacapa

A espera está acabando! Em apenas quinze dias, os leitores poderão ler o primeiro romance inteiramente inédito da autora da série Crepúsculo desde A hospedeira. Em A química, acompanhamos uma ex-agente do governo que está cansada de fugir de seus antigos empregadores, até que um ex-colega entra em contato com a promessa de liberdade que ela tanto espera.

Leia um trecho exclusivo da obra abaixo:

 

“Do outro lado da rua ficava o restaurante onde Carston costumava almoçar. Não era o local de encontro que ela havia sugerido. Ela também estava cinco dias adiantada.

Aproximou-se por trás, tomando o mesmo caminho que ele percorrera alguns minutos antes. A comida havia chegado — sanduíche de frango à parmegiana —, e ele parecia completamente concentrado em degustá-la. Mas ela sabia que Carston era melhor do que ela em aparentar algo que não era.

Sem alarde, ela se deixou cair na cadeira do outro lado da mesa. A boca de Carston estava cheia quando ele levantou o olhar.

Ela sabia que Carston era um bom ator e presumiu que ele encobriria sua verdadeira reação e exibiria a emoção que quisesse antes que ela pudesse capturar a primeira. Como ele não demonstrou nenhuma surpresa, ela chegou à conclusão de que fora apanhado totalmente desprevenido. Se ele estivesse esperando por ela, teria agido como se aquela aparição súbita o tivesse chocado. Mas o olhar firme do outro lado da mesa, os olhos que não se arregalaram, o mastigar metódico — isso era Carston controlando sua surpresa. Ela tinha quase oitenta por cento de certeza.

Ela não disse nada. Apenas retribuiu o olhar inexpressivo enquanto ele terminava de mastigar o naco do sanduíche.

— Imagino que teria sido fácil demais se simplesmente nos encontrássemos conforme o planejado — disse ele.

— Fácil demais para o seu atirador, sem dúvida. — Ela proferiu as palavras de modo suave, usando o mesmo tom de voz que ele. Qualquer pessoa que ouvisse a conversa por acaso pensaria que se tratava de uma piada. Mas, nas duas outras mesas ocupadas, todos conversavam e riam alto, e os pedestres que passavam nas calçadas tinham os ouvidos tapados por fones de ouvido ou telefones. Ninguém se importava com o que ela estava falando, exceto Carston.

— Isso nunca veio de mim, Juliana. Você deve saber disso.

Foi a vez dela de não demonstrar surpresa. Fazia tanto tempo desde que alguém se dirigira a ela por seu nome verdadeiro que ele passara a soar como o nome de uma estranha. Após o choque inicial, uma suave onda de prazer emergiu. Era bom que o nome dela soasse estranho aos seus ouvidos — significava que ela estava agindo corretamente.

Os olhos de Carston piscaram ao ver a evidente peruca. Na verdade, era bem parecida com o cabelo verdadeiro dela, mas agora ele suspeitava que ela estivesse escondendo algo bem diferente. Em seguida, ele se forçou a voltar a olhá-la nos olhos. Esperou por uma resposta durante mais um instante. Diante do silêncio dela, porém, continuou a falar, escolhendo as palavras com cautela.

— Os, ahn, grupos que decidiram que você deveria… se aposentar acabaram… caindo em desgraça. Nunca foi uma decisão popular, para começo de conversa, e agora aqueles de nós que sempre discordaram deles, como eu, não são mais comandados por aqueles grupos. — Podia ser verdade. Era provável que não fosse. Ele respondeu ao ceticismo estampado nos olhos dela: — Você passou por alguma… perturbação desagradável nos últimos nove meses?

— E aqui estava eu pensando que tinha ficado melhor do que você nessa brincadeira de esconde-esconde.

— Acabou, Julie. O poder foi sobrepujado pela justiça.

— Adoro um final feliz.

Sarcasmo puro.

Ele piscou, magoado pelo sarcasmo. Ou fingindo estar magoado.

— Não tão feliz assim — falou, lentamente. — Um final feliz significaria que eu não teria entrado em contato com você. Você teria sido deixada em paz pelo resto da vida. E teria sido uma longa vida, pelo menos no que estivesse ao nosso alcance.

Ela assentiu, como se acreditasse. No passado, sempre presumira que Carston era exatamente o que aparentava. Ele havia sido o rosto dos mocinhos por muito tempo. Agora, tentar decifrar o que cada palavra significava de fato chegava a ser uma diversão esquisita, como um jogo.

Exceto pelo fato de que havia aquela vozinha que perguntava: E se não for um jogo? E se agora for verdade… se eu puder me libertar?

— Você era a melhor, Juliana.

— O Dr. Barnaby era o melhor.

— Sei que você não vai querer ouvir isso, mas ele nunca teve o seu talento.

— Obrigada. — Ele ergueu as sobrancelhas. — Não pelo elogio. Obrigada por não tentar me dizer que a morte dele foi um acidente — explicou ela, tudo isso ainda em um tom descontraído.

— Foi uma decisão errada motivada pela paranoia e pela deslealdade. Uma pessoa capaz de se livrar do próprio parceiro por interesse sempre acha que o parceiro planeja o mesmo. Gente desonesta não acredita que exista gente honesta.

Ela manteve o rosto impassível como pedra enquanto ele falava.

Nos três anos de fuga constante, ela nunca repassara um único segredo de que tivesse conhecimento. Nem uma única vez dera a quem estivesse atrás dela qualquer motivo para considerá-la uma traidora. Mesmo quando tentaram matá-la, ela permaneceu leal. E isso não tinha sido levado em conta pelo seu departamento, de jeito nenhum.

Não havia muita coisa que eles levassem em conta. Ela divagou por um instante recordando como tinha chegado perto daquilo que procurava, o ponto que ela poderia ter atingido em sua linha de pesquisa e criação mais premente se não tivesse sido interrompida. Aparentemente, aquele projeto também não tinha sido levado em conta.

— Mas quem se deu mal foram eles, aqueles traidores — continuou Carston. — Porque nunca encontramos ninguém tão bom quanto você. Que inferno, nunca encontramos ninguém com a metade do talento do Barnaby. Fico impressionado com a capacidade que as pessoas têm de esquecer o fato de que talento genuíno é um bem limitado.

Ele fez uma pausa, claramente na expectativa de que ela falasse, pedisse algo, traísse algum sinal de interesse. Ela apenas o encarou educadamente, da maneira como alguém olharia para um estranho passando suas compras em uma caixa registradora.

Ele soltou um suspiro e depois se inclinou, com uma súbita intensidade.

— Temos um problema. Precisamos do tipo de resposta que só você pode nos dar. Não temos mais ninguém que possa fazer esse trabalho. E nós não podemos arruinar esse trabalho.

— Vocês, não nós — disse ela.

— Sei que você não é assim, Juliana. Você se importa com pessoas inocentes.

— Eu me importava. Pode-se dizer que essa parte de mim foi assassinada.

Carston se retraiu de novo.

— Juliana, sinto muito. Sempre senti muito por tudo isso. Tentei detê-los. Fiquei muito aliviado quando você escorregou por entre os dedos deles. Toda vez que você escorregou por entre os dedos deles.

Ela não pôde deixar de ficar impressionada com o fato de ele admitir tudo. Sem negações, sem desculpas. Nada do tipo Foi apenas um acidente infeliz no laboratório, como ela esperava. Nada de Não fomos nós; foram os inimigos do governo. Nenhuma história, apenas reconhecimento.

E agora todo mundo sente muito. — A voz dele baixou, e ela teve que se esforçar para entender as palavras. — Porque não temos você, Juliana, e pessoas vão morrer. Milhares de pessoas. Centenas de milhares.

Dessa vez ele esperou enquanto ela refletia.

Ela também falou baixo, mas se assegurou de não transparecer interesse ou emoção na voz.

— Estamos falando do pior, não é?

Um suspiro.

Nada estimulava tanto o departamento quanto o terrorismo. Ela tinha sido recrutada antes que a poeira emocional baixasse completamente em torno do buraco onde as Torres Gêmeas ficavam. A prevenção ao terrorismo sempre tinha sido o principal componente do trabalho dela, a melhor justificativa para ele. A ameaça do terrorismo também fora manipulada, transformada e distorcida, até que, no final, ela havia perdido grande parte da crença na ideia de que estava de fato cumprindo o papel de uma patriota.

— E um grande dispositivo — disse ela, afirmando, não perguntando.

O maior bicho-papão era sempre este: que alguém que odiava os Estados Unidos conseguisse pôr as mãos em alguma coisa nuclear. Essa era a nuvem escura que escondia a profissão dela dos olhos do mundo, que a tornava tão indispensável, por mais que o cidadão comum preferisse pensar que ela não existia.

E acontecera, mais de uma vez. Gente como ela havia evitado que tais situações se transformassem em tragédias humanas de grandes proporções. Havia um mecanismo de compensação. Horror em baixa escala contra carnificina por atacado.

Carston balançou a cabeça, e de repente seus olhos claros demonstraram medo. Ela não conseguiu controlar um ligeiro tremor interno quando percebeu do que se tratava. Havia somente dois tipos de medo daquela magnitude.

É biológico. Ela não enunciou as palavras, só mexeu os lábios.

A expressão sombria de Carston serviu como resposta.

Ela baixou os olhos por um instante, repassando todas as respostas dele e reduzindo-as a duas colunas, duas listas de possibilidades em sua cabeça. Coluna um: Carston era um mentiroso talentoso que estava dizendo coisas que pensava que a motivariam a visitar um lugar onde as pessoas estavam muito bem preparadas para descartar Juliana Fortis para sempre. Ele estava dançando conforme a música, tocando nos pontos mais sensíveis de Juliana.

Coluna dois: Alguém tinha uma arma biológica de destruição em massa e as autoridades competentes não sabiam onde ela estaria nem quando seria usada. Mas conheciam alguém que sabia.

A vaidade recebeu um certo peso, fazendo a balança pender ligeiramente para um dos lados. Ela sabia que era boa. Era verdade que eles provavelmente não tinham encontrado alguém melhor.

Ainda assim, ela apostaria na coluna um.

— Jules, não quero ver você morta — disse ele com calma, imaginando o que passava pela cabeça dela. — Eu não teria entrado em contato com você se quisesse. Eu não ia querer me encontrar com você. Porque tenho certeza de que, neste exato momento, você dispõe de pelo menos seis maneiras de me matar e de todos os pretextos do mundo para usar uma delas.

— Você realmente acha que eu viria com apenas seis? — perguntou ela.

Ele franziu a testa nervosamente por um segundo, depois decidiu rir.

— Exato. Não tenho desejo de matar, Jules. Estou sendo franco.

Ele retomou a voz descontraída.

— Eu preferiria que você me chamasse de Dra. Fortis. Acho que já passamos da fase dos apelidos.

Ele fez uma expressão magoada.

— Não estou pedindo que me perdoe. Eu devia ter feito mais — disse ele. Ela aquiesceu, apesar de, mais uma vez, não estar concordando com ele apenas mantendo a conversa. — Estou pedindo que você me ajude. Não, não a mim. Ajude as pessoas inocentes que vão morrer se você não ajudar.

— Se elas morrerem, não vai ser por culpa minha.

— Sei disso, Ju… Doutora. Será culpa minha. Mas, na verdade, essas pessoas não vão se preocupar em apontar culpados. Estarão todas mortas.

Ela manteve o olhar fixo nele. Não seria ela a piscar.

A expressão dele mudou para algo mais sombrio.

— Você gostaria de ouvir o que vai acontecer com essas pessoas?

— Não.

— Talvez seja demais até mesmo para o seu estômago.

— Duvido muito. Mas não importa. O que poderia acontecer é secundário.

— Queria saber o que é mais importante do que centenas de milhares de vidas.

— Isto vai parecer terrivelmente egoísta, mas, para mim, o fato de respirar tem meio que sobrepujado qualquer outra coisa.

— Você não poderá nos ajudar se morrer — disse Carston, objetivamente. — A lição foi aprendida. Esta não será a última vez que vamos precisar de você. Não vamos cometer o mesmo erro de novo.

Ela detestava admitir, mas a balança estava começando a pender ainda mais para um dos lados. O que Carston dizia fazia sentido mesmo. Ela certamente conhecia mudanças de diretrizes. E se fosse tudo verdade? Ela podia se fazer de fria, mas Carston a conhecia bem. Ela teria dificuldades em permitir um desastre dessa magnitude se pensasse que havia uma chance de fazer algo. Tinha sido assim que, no começo, eles a haviam atraído para a pior profissão do mundo.”

testeComo desarmar um número (ou comprar pasta de dente)

Por Bernardo Barbosa*

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Ilustração de Irving Geis

Se alguém perguntar a você o que vem à cabeça quando se fala em defesa pessoal, seu pensamento provavelmente formará imagens de um golpe certeiro para desarmar um assaltante com uma faca ou de uma aula de krav maga. Mas devo dizer que o livro Como mentir com estatística, relançado agora pela Intrínseca, talvez lhe seja mais útil.

Calma, querida leitora, querido leitor: não é o caso de recorrer ao seu exemplar para afugentar um trombadinha ou coisa do tipo. No entanto, quando números de origem obscura partem para o ataque e você não é um faixa preta da estatística, os ensinamentos desta obra clássica, escrita em 1954 e que desde então nunca saiu das livrarias, devem ajudá-lo a escapar são e salvo.

untitledComo mentir com estatística é assinado por Darrell Huff (1913-2001), um jornalista e escritor americano que nunca foi especialista em números. Isso não o impediu de fazer um livro leve, educativo e bem-humorado sobre um tema tão árido, levando ninguém menos que Bill Gates a dizer, em pleno 2015, que a obra era “mais relevante que nunca”. Segundo o magnata, o livro é um “lembrete oportuno, dado o quão frequentemente infográficos aparecem no seu Facebook e no seu Twitter atualmente”.

De fato, somos confrontados com estatísticas a todo momento, e não só nas redes sociais. Quem nunca se deparou com a proverbial propaganda da pasta de dente recomendada por oito entre dez dentistas? Ou abriu uma reportagem e leu que uma cidade está 20% mais violenta?

Huff mostra que fazer os números falarem o que se deseja pode ser tão tentador quanto colocar “espanhol intermediário” no currículo. Claro, isso pode acontecer por má-fé (a pessoa sabe que só fala portunhol, e mal) ou por um desconfiômetro baixo (a pessoa realmente crê que fala espanhol, apesar de não conseguir pedir um bife de chorizo em Buenos Aires). Seja qual for o motivo, quem acredita naquela informação errada será igualmente prejudicado, e o escritor explica passo a passo como isso acontece quando lidamos com estatísticas.

Por exemplo, no caso da propaganda da pasta de dente: é possível saber quantos dentistas foram entrevistados ou qual foi a pergunta feita a eles? Sobre a violência, que tipo de delito está sendo levado em conta? Que definições de “violência” estão sendo usadas? Qual a base de comparação?

Desconfiar de números tão certeiros, mostra Huff, nunca é demais – especialmente quando eles vêm acompanhados por um gráfico. Ah, os gráficos… Quase sempre coloridos, às vezes até animados, volta e meia cheios de nada. Os capítulos sobre gráficos são um ponto alto de Como mentir com estatística, e não é preciso voltar à década de 1950 para ver o que pode acontecer com leitores desprevenidos.

Em 2014, a renomada agência de notícias Reuters publicou um gráfico para mostrar o impacto de uma nova lei no estado americano da Flórida sobre o número de mortes por armas de fogo. Uma mera inversão de eixo fez com que ficasse praticamente impossível entender o que a ilustração queria mostrar. Além disso, como apontaram críticos, “a redução de uma estrutura causal complexa a apenas um fator é insatisfatória”.

Viaje mais alguns anos no tempo para chegar a 1982, quando Leonel Brizola e Moreira Franco eram os favoritos na corrida pelo governo do Rio de Janeiro. Naquele ano, pela primeira vez, a apuração dos votos seria informatizada. Em paralelo, veículos de imprensa montaram uma estrutura própria, com base nos dados oficiais, para chegar ao resultado da disputa.

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As eleições de 1982 no Rio de Janeiro, que quase foram fraudadas por estatísticas. (fonte)

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio contratou a empresa Proconsult para processar os dados das urnas. Ao mesmo tempo, o Jornal do Brasil e a Rádio JB tinham uma estrutura própria de contagem dos votos. A Proconsult deu prioridade às zonas eleitorais do interior, onde Moreira Franco era tido como favorito, e a TV Globo se fiou nos dados da empresa em sua cobertura. Já a Rádio JB investiu na capital, onde estavam a maioria dos votos no estado. Notou que ali Brizola liderava e depois conseguiu atestar sua vitória. A Globo nega ter dado favorecimento a Moreira Franco – então candidato do PDS, sucessor da Arena, o partido da ditadura militar. Suspeitas à parte, o fato é que a confusão colocou a apuração em xeque. No fim, após denúncias, admissão de erros e recontagens, Brizola foi reconhecido como vencedor do pleito.

Seja para ler corretamente um gráfico, entender o resultado de uma eleição ou não cair em armadilhas publicitárias, Como mentir com estatística é daqueles livros que mudam nossa forma de ver o mundo. Ainda tem a vantagem de contar com as ilustrações divertidíssimas de Irving Geis (também conhecido por seu trabalho na ilustração de livros e artigos científicos) e poder ser lido numa tarde na praia ou no parque. Melhor que krav maga.

 

Bernardo Barbosa é jornalista e agora pensa duas vezes na hora de comprar uma pasta de dente. Trabalhou no jornal O Globo e na agência de notícias Efe.

testeA Londres secreta de Neil Gaiman

gaiman lugar nenhum

Fãs de Neil Gaiman já têm motivo para celebrar: Lugar Nenhum, romance de estreia do autor, chega às livrarias a partir de 17 de junho. A nova edição contém uma introdução de Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo.

Originalmente concebido como uma série para a TV britânica, o livro apresenta um mundo fantástico, localizado abaixo da capital da Inglaterra. Conhecida como Londres de Baixo, a cidade secreta é habitada por personagens inusitados e cenários fantásticos, características marcantes do autor.

Em Lugar Nenhum, acompanhamos Richard Mayhew e sua vida completamente sem emoção: ele tem um apartamento comum, um emprego decente e uma noiva igualmente normal. Essa normalidade acaba a partir do momento em que ele ajuda uma jovem que encontra ferida na calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na cidade que conhece. Sem casa, sem emprego e sozinho, ele vai atrás da jovem para a cidade subterrânea, para tentar recuperar sua antiga vida.

testeLeia um trecho de “Alucinadamente feliz”

Imagem Alucinadamente Feliz 1

Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais e já foi diagnosticada com diversos tipos de doenças, de depressão e ansiedade a tricotilomania — mania de arrancar tufos de cabelo. Com a notícia da morte prematura de um amigo próximo, Jenny decide que é hora de parar de vez de se sentir triste e autodestrutiva e passa a buscar o exato oposto: se tornar Alucinadamente feliz.

Equilibrando momentos de bom-humor e seriedade, a autora mostra como seus problemas criaram uma perspectiva completamente nova da vida, com histórias absurdas e tocantes. Um livro sério sobre coisas horríveis, Alucinadamente feliz mostra que todos nós temos dificuldades, e que não existe problema em nos aceitar por nossas falhas.

Leia um trecho abaixo:

 

“Uma série de avisos desagradáveis

Não, não. Eu insisto que você pare agora mesmo.

Ainda está aqui? Excelente. Agora não vai poder me culpar por nada que encontrar neste livro, porque eu avisei que deveria parar e você continuou mesmo assim. Você é como a mulher do Barba Azul quando encontrou todas aquelas cabeças no armário. (Alerta de spoiler.) Mas, particularmente, acho que isso é bom. Ignorar as cabeças humanas decepadas no armário não contribui para um relacionamento, só gera um armário com sérios problemas de higiene e possivelmente uma acusação de cúmplice. Você precisa enfrentar essas cabeças decapitadas, pois não pode crescer sem reconhecer que todos somos feitos da esquisitice que tentamos esconder do resto do mundo. Todo mundo tem cabeças humanas no closet. Às vezes as cabeças são segredos ou confissões não ditas, ou ainda medos silenciosos. Este livro é uma dessas cabeças decepadas. O que você tem nas mãos é a minha cabeça decepada. A analogia é ruim, mas, em minha defesa, eu disse que era melhor parar. Não quero culpar a vítima, mas agora estamos juntos nessa.

Tudo neste livro é em grande parte verdade, mas alguns detalhes foram alterados para proteger os culpados. Sei que o costume é “proteger os inocentes”, mas por que eles precisariam de proteção? Eles são inocentes. Além disso, escrever sobre eles não chega nem perto da diversão que é escrever sobre os culpados, que sempre têm histórias mais fascinantes e que fazem a gente se sentir melhor por comparação.

Este é um livro engraçado sobre viver com um transtorno mental. Parece uma combinação terrível, mas, falo por mim, tenho transtorno mental e algumas das pessoas mais hilárias que conheço também têm. Então, se você não gostar do livro, talvez só não seja louco o bastante para isso. No fim das contas, você sai ganhando de um jeito ou de outro.

 

Nota da autora

Querido leitor,

Neste momento, você está segurando o livro e se perguntando se vale a pena lê-lo. Provavelmente não vale, mas tem uma nota de 25 dólares escondida na encadernação, então é melhor comprar rápido antes que o vendedor perceba.1

De nada.

Alucinadamente feliz é o título do livro, contudo também é algo que salvou a minha vida.

Minha avó dizia que “chove um pouquinho na vida de todo mundo — chovem chuva, babacas e todo tipo de merda”. Estou parafraseando. Mas ela estava certa. Todos nós temos a nossa cota de tragédia, insanidade ou drama, o que faz toda a diferença é o que fazemos com esse horror.

Aprendi isso em primeira mão há alguns anos, quando caí numa crise de depressão profunda, tão terrível que eu não via como escapar. A depressão não era novidade. Luto contra várias formas de transtornos mentais desde a infância, mas a depressão clínica é uma visitante ocasional, enquanto o transtorno de ansiedade é o meu relacionamento abusivo de longa data. Às vezes, a depressão é leve o suficiente para que eu a confunda com gripe ou inflamação de garganta. Porém esse caso foi extremo. Eu não queria necessariamente acabar com a minha vida, mas só que ela parasse de ser tão filha da puta. Lembrei a mim mesma que a depressão mente, porque é verdade, e disse que as coisas iriam melhorar. Fiz tudo que costuma ajudar, mas continuava me sentindo sem esperança e, de repente, percebi que estava com muita raiva. Com raiva de a vida jogar tantas bolas de efeito na nossa direção. Com raiva da aparente injustiça na forma como a tragédia é distribuída. Com raiva porque não tinha mais nenhuma emoção para oferecer.

Então acessei o meu blog e escrevi uma postagem que mudaria minha perspectiva sobre a vida dali em diante:

‘Outubro de 2010:

De modo geral, os últimos seis meses têm sido uma tragédia vitoriana. Hoje meu marido, Victor, me entregou uma carta informando a morte inesperada de mais um amigo. Talvez você imagine que isso vai me lançar numa espiral de ansiolíticos e músicas da Regina Spektor, mas não. Não vai. Estou de saco cheio da tristeza e não sei qual é o problema do universo, mas pra mim JÁ CHEGA. VOU SER ALUCINADAMENTE FELIZ, SÓ DE RAIVA.

Deu para ouvir? Isso sou eu sorrindo, minha gente. Estou sorrindo tanto que dá para ouvir daí. Vou destruir o maldito universo com a minha alegria irracional e vou vomitar fotos de gatinhos desastrados e cachorrinhos adotados por guaxinins e LHAMAS RECÉM-NASCIDAS FODÁSTICAS COBERTAS DE GLITTER E DE SANGUE DE VAMPIROS SENSUAIS E VAI SER INCRÍVEL. Aliás, estou iniciando um movimento agora mesmo. O movimento ALUCINADAMENTE FELIZ. E vai ser incrível. Em primeiro lugar, porque vamos ser VEEMENTEMENTE felizes e, em segundo, porque isso vai fazer todo mundo que nos odeia se cagar de medo, pois esses babacas não querem nos ver nem um tanto entretidos, que dirá alucinadamente felizes — o que vai nos deixar ainda mais felizes. Legitimamente. Então o mundo vai pender para o nosso lado. Nós: 1. Babacas: 8.000.000. Esse placar não parece muito satisfatório, afinal eles saíram na frente. Só que sabe de uma coisa? Foda-se. Vamos começar do zero.

Nós: 1. Babacas: 0.’

 

1 Meu editor insistiu para que eu deixasse claro que não tem uma nota de 25 dólares escondida no livro, e é meio ridículo ter que explicar, porque não existem notas de 25 dólares. Se você comprou o livro achando que encontraria uma nota de 25 dólares dentro dele, na verdade só pagou por uma lição bastante válida, que é: não troque a sua vaca por feijões mágicos. Outro livro explicou o mesmo conceito muitos anos atrás, mas acho que meu exemplo plagiado é bem mais divertido. É como a versão Cinquenta tons de cinza de “João e o pé de feijão”. Só que com menos esferas anais e menos mudas de feijão.