testeCuriosidades sobre a ida do homem à Lua

 

8 curiosidades sobre a ida do homem à Lua

1. A tripulação ficou apenas 21 horas em solo lunar

A missão completa durou 8 dias, desde o lançamento no dia 16 de julho de 1969 até o retorno à Terra em 24 de julho, quando a nave caiu em segurança no oceano Pacífico. Na Lua, os astronautas permaneceram das 16h48 do dia 20 de julho às 13h54 do dia 21.

2. Ao voltarem, os astronautas ficaram em quarentena por 3 semanas

Por ser um ambiente desconhecido, temia-se que as roupas, os equipamentos e os próprios astronautas pudessem trazer consigo micro-organismos extraterrestres após a missão lunar. O hábito de colocar os astronautas em quarentena, contudo, foi mantido somente até a Apollo 12, em novembro do mesmo ano, pois concluiu-se que a Lua não trazia riscos à vida na Terra.

3. “Buzz” Aldrin Lightyear

O personagem Buzz Lightyear, famoso boneco astronauta do filme Toy Story, foi batizado em homenagem ao astronauta Edwin Eugene “Buzz” Aldrin Jr., o segundo homem a pisar na Lua, que mudou seu nome legalmente para Buzz em 1988.

4. Os astronautas trouxeram 27 quilos de material lunar para a Terra

O personagem Buzz Lightyear, famoso boneco astronauta do filme Toy Story, foi batizado em homenagem ao astronauta Edwin Eugene “Buzz” Aldrin Jr., o segundo homem a pisar na Lua, que mudou seu nome legalmente para Buzz em 1988.

5. A memória RAM da nave era de 2kb

Embora hoje em dia tenhamos celulares com memória RAM de 3GB (o equivalente a 3.000.000kb), os computadores que levaram o homem à Lua tinham apenas 2kb de memória, capacidade menor que a de uma calculadora de papelaria.

6. Dos três astronautas a bordo da nave, apenas dois pisaram no solo lunar

A tripulação da missão Apolo 11 era composta por Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, mas só Neil e Buzz caminharam, de fato, na Lua. Michael foi o piloto do módulo de comando e também o desenhista da insígnia da missão – uma águia, símbolo dos Estados Unidos, pousando na Lua com um ramo de oliveira.

7. A Apollo 11 não foi a primeira missão tripulada do programa Apollo

Apesar de ter sido a primeira missão a alcançar com sucesso o objetivo de pousar na superfície lunar, a Apollo 11 foi a quinta missão tripulada do programa Apollo.
  • Na Apollo 1, um incêndio durante o treinamento do lançamento, em 27 de janeiro de 1967, matou os três astronautas a bordo.
  • A Apollo 7, primeira missão tripulada após a tragédia na Apollo 1, foi responsável por orbitar a Terra para testar os sistemas de suporte à vida e de controle e propulsão da nave.
  • A Apollo 8, por sua vez, teve como objetivo orbitar a Lua. Embora não tenham pousado em solo lunar, os três astronautas a bordo foram os primeiros a abandonar a órbita terrestre.
  • A missão Apollo 9 teve como objetivo testar na órbita da Terra o equipamento que seria utilizado para pousar na Lua. Durou 10 dias.
  • A Apollo 10 foi enviada para testar o Módulo Lunar em órbita na Lua. Apesar de não ter pousado no satélite natural terrestre, chegaram a sobrevoar sua superfície a 15 quilômetros de altura. Foi uma missão muito importante, pois garantiu o sucesso da missão seguinte.

8. Os astronautas deixaram uma mensagem na Lua

Além da bandeira norte-americana, Neil Armstrong e Buzz Aldrin colocaram no solo lunar uma placa assinada por eles mesmos, pelo terceiro astronauta da missão, Michael Collins, e pelo então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, com a mensagem: “Aqui os homens do planeta Terra puseram pela primeira vez os pés na Lua. Julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade.”
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testeElon Musk, o Homem de Ferro que quer viver em Marte

Por Rennan Setti*

Foto: Getty Images /Justin Sullivan

O futuro do automóvel protagonizou o pregão do último 3 de abril em Wall Street. Naquele dia, o valor de mercado na Bolsa da fabricante de carros elétricos Tesla superou o da Ford, que inventou essa indústria há mais de um século. A ultrapassagem foi entendida não apenas como o marco de uma nova era automotiva, mas também como a redenção de Elon Musk face aos céticos que sempre questionaram suas mirabolâncias. Aos 45 anos e dono de uma fortuna de US$ 14,9 bilhões (cerca de R$ 47 bilhões), o executivo-chefe da Tesla é uma espécie de enfant terrible do Vale do Silício, cuja audácia goza de celebridade proporcional ao espanto que provoca. 

Desde que deixou sua África do Sul natal, no início dos anos 1990, Musk estabeleceu reputação de empreendedor em série. Após ter participado do comando do sistema de pagamentos on-line PayPal — cuja venda ao eBay lhe renderia US$ 165 milhões —, Musk decidiu criar startups que desafiam alguns dos setores mais conservadores da economia. Além da Tesla, Musk fundou a SolarCity com o objetivo de popularizar painéis solares como fonte de energia, enquanto a SpaceX tem a ambição de viabilizar a indústria de viagens interplanetárias.  

Mas Musk chama mais atenção pelo que ainda sonha conquistar. Em setembro do ano passado, deixou boquiaberta a plateia do Congresso Internacional de Astronáutica ao anunciar planos concretos de levar humanos a Marte a partir de 2024. É dele também o projeto do Hyperloop, sistema de transporte por meio de um túnel com pressão reduzida capaz de fazer o trajeto entre Los Angeles e São Francisco em meia hora. No fim de março, o The Wall Street Journal revelou que Musk lançou a Neuralink, companhia dedicada à implantação de eletrodos no cérebro de pessoas, o que permitiria aos usuários interagir com máquinas e com a internet por meio de pensamentos.  

Nada mal para alguém que superou o bullying implacável na escola (após surras sucessivas, precisou fazer uma plástica no nariz), a malária e sinais iminentes de falência, como narra o jornalista Ashlee Vance na biografia Elon Musk. É bem verdade que ainda pairam suspeitas sobre seu sucesso. A maioria de suas empresas, apesar de inovadoras, ainda são máquinas de queimar dinheiro, enquanto os críticos duvidam que seus planos mais heterodoxos serão concretizados. Sua personalidade é controversa. Vance conta no livro que Musk questionou o comprometimento de um funcionário que faltou a uma reunião para acompanhar o nascimento do filho (ele nega), e o empreendedor já se divorciou três vezes, duas delas da mesma mulher, o que garantiu presença constante em tabloides. Também causou polêmica o fato de ele atuar no conselho econômico de Donald Trump, que se elegeu afirmando que as mudanças climáticas são uma falácia e prometendo retirar incentivos à energia limpa, o contrário de tudo o que acreditam os donos do Tesla Model S e dos painéis da SolarCity. 

A favor de Musk estão seu endereço (o Vale do Silício é compreensivo com fracassos e paciente com inovações que custam a dar resultados) e a comunidade de fãs que já estabeleceu. Musk inspirou o Tony Stark “Homem de Ferro”, chegando a fazer uma aparição na sequência do filme, e é considerado por admiradores o sucessor natural de Steve Jobs. Para saber se suas apostas vão dar tão certo quanto a Apple, será preciso esperar, mas ter ciência delas é incontornável no universo tecnológico. Conheça a seguir um pouco mais sobre suas iniciativas.     

 

Tesla, de beira do precipício a modelo de futuro

Model S (via Tesla Motors)

Batizada em homenagem ao inventor Nikola Tesla, a companhia de Palo Alto não foi fundada por Musk mas se tornou indissociável dele. A Tesla nasceu em 2003 como um projeto do veterano Martin Eberhard, com o objetivo de criar veículos que utilizem como combustível apenas energia elétrica.

Em 2008, quando estourou a crise financeira global, a empresa estava à beira da falência, e Musk teve que tirar dinheiro do próprio bolso para sustentá-la. Aquele ano, aliás, seria lembrado por Musk como o pior de sua vida (além da Tesla, a SpaceX e o casamento de Musk também passavam por sérias dificuldades). Mas Musk, que passou a ocupar o cargo de CEO, conseguiu reequilibrar a empresa. Em 2010, ela foi a primeira montadora desde a Ford, em 1956, a lançar ações na Bolsa americana, levantando US$ 226 milhões.

 

Dificuldades em inovação solar

SolarCity (via Forbes)

Criada em 2006, a SolarCity produz e presta serviços de instalação e manutenção de painéis de energia solar. Musk teve a ideia original e ofereceu parte do capital inicial para a companhia, que seria fundada por seus primos Lyndon Rive e Peter Rive. Musk ocuparia o cargo de presidente do conselho de administração.

Hoje, a SolarCity é a maior empresa do segmento nos EUA, com mais de 300 mil clientes, mas continua enfrentando dificuldades para sair do vermelho. Em oito dos últimos 12 trimestres, a firma registrou prejuízo. A dramaticidade da situação levou a Tesla a adquiri-la no fim de 2016, por US$ 2,6 bilhões. 

 

O caminho mais rápido para o planeta vizinho

Nasa/Getty Images

Desde criança, Musk sonhava com o espaço. A SpaceX foi fundada por ele em 2002 para satisfazer esse fascínio. Seu principal objetivo é reduzir drasticamente o custo de viagens espaciais e, em algum momento, permitir a colonização de Marte. Na verdade, Musk sempre condicionou a abertura do capital da SpaceX ao pleno funcionamento de uma espaçonave capaz de levar pessoas àquele planeta.

A companhia se estabeleceu como uma importante prestadora de serviço para a Nasa. Em 2012, a SpaceX se tornou a primeira firma privada a levar uma cápsula à Estação Espacial Internacional. Para o futuro, a companhia tem mais de 70 lançamentos planejados, uma promessa de US$ 10 bilhões em contratos. Apesar de falhas notáveis em alguns lançamentos, a SpaceX obteve um feito em março deste ano: lançou o primeiro foguete reutilizado da história, o Falcon 9. A façanha é a chave para permitir o barateamento das viagens espaciais e, logo, a eventual colonização de Marte.        

Musk estima que um foguete à altura estaria pronto em 2024 — e deseja que a primeira espaçonave se chame “Heart of Gold” em homenagem ao Guia dos Mochileiros da Galáxia. Cada voo poderia levar cem passageiros, e as viagens ocorreriam a cada 26 meses, quando a Terra e Marte estão mais próximos entre si. O empreendedor projeta que o preço por viagem poderia cair para algo entre US$ 100 mil e US$ 200 mil por pessoa e que cerca de 10 mil voos seriam necessários para estabelecer uma colônia autossuficiente no planeta vizinho.  

 

Insurgência contra a distopia da inteligência artificial

Shutterstock

O fascínio de Musk por Marte não é resultado apenas de literatura de ficção científica em excesso. Na verdade, o empresário realmente acredita que a raça humana corre risco de extinção na Terra, e, dessa forma, a colonização de outro planeta poderia ser uma garantia de sobrevivência. Apesar de ser um notório entusiasta de tecnologias futuristas, Musk teme que os computadores exterminem os seres humanos.

Por isso, no fim de 2015, ele fundou a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é desenvolver uma plataforma de inteligência artificial que não caia na tentação de se virar contra seus criadores e aniquilar a humanidade. O objetivo da organização — que conta com o suporte de outros magnatas, como Peter Thiel (PayPal) e Reid Hoffman (LinkedIn) — é disponibilizar ferramentas de IA de código aberto que atendam esses requisitos. 

Saiba mais sobre a vida e as realizações do homem mais audacioso do Vale do Silício em Elon Musk, um exame profundo do significado da carreira de Musk para a indústria tecnológica.

 

Rennan Setti é jornalista.

testeO céu nem sempre protege, nem os dinossauros nem a nós

Por Amâncio Friaça*

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Uma camada de argila que revolucionou a ciência

Walter Alvarez tinha um sério problema para o qual precisava da ajuda do pai. Walter era geólogo, e seu pai, o físico Luis Alvarez, foi o vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1968 pela descoberta de um grande número de estados de ressonância das partículas elementares — proporcionada pela sua invenção da câmera de bolhas de hidrogênio líquido. Luis era um sujeito que adorava desafios exóticos. Certa vez havia usado um detector de raios cósmicos para descobrir se a pirâmide egípcia de Quéops continha uma câmara secreta, que segundo a lenda estaria repleta de tesouros. No final, verificou que o interior da Grande Pirâmide era pura rocha sólida.

Agora, Luis tinha mais um mistério para solucionar. Quando Walter trabalhava em Gubbio, nos Apeninos italianos, encontrou um paredão especial de calcário que havia sido o fundo do oceano há milhões de anos. Ao escavar, Walter observou uma imensa quantidade de fósseis, em geral quase microscópicos. No entanto, havia uma camada de argila, com pouco mais de um centímetro de espessura, que formava um minideserto geológico. Abaixo dessa camada, ele identificou calcário do último estágio do período cretáceo, no fim da era secundária, a era dos dinossauros.

elizabeth kolbert

Camada de argila em Gubbio, com um bombom marcando o local. Foto: Elizabeth Kolbert

A parede descoberta por Walter estava repleta de foraminíferos, minúsculas criaturas marinhas que possuem conchas dos mais diversos formatos. Os foraminíferos da camada inferior, pertencente ao Cretáceo, eram relativamente grandes e muito diversificados. Na camada seguinte, os foraminíferos simplesmente desapareciam. Eles só voltavam a aparecer nos estratos de calcário acima, já pertencentes ao período terciário, quando os dinossauros estavam extintos. Os foraminíferos de cima eram de espécies diferentes dos que estavam abaixo da lâmina de argila, menores e menos variados. O que intrigou Walter Alvarez foi justamente a transição tão repentina.

Como a maioria dos geólogos até então, a formação de Walter havia sido uniformitarista, linha de pensamento que prega que a extinção de uma espécie acontece de forma gradual. Mas não era isso que aquela camada de argila mostrava. Parecia haver uma descontinuidade real e abrupta entre o Cretáceo e o Terciário. Além disso, era intrigante a coincidência da época da extinção dos grandes foraminíferos com a dos dinossauros. Para começar a resolver o enigma, ele precisava datar a camada de argila.

Coube a seu pai, Luis Alvarez, imaginar um método para determinar a idade da argila: medir a quantidade de irídio — elemento raro do grupo dos metais preciosos, que inclui o ouro e a platina. Quando os resultados vieram, o espanto foi total. O irídio na camada de argila entre o Cretáceo e Terciário vinda da Itália era trinta vezes mais abundante do que o esperado na Terra! Alvarez logo percebeu que o material teria que ter origem extraterrestre, já que o irídio é muito mais abundante em asteroides do que em nosso planeta.

A descoberta levou a uma hipótese extremamente ousada: se um asteroide tivesse se chocado com a Terra na época da extinção dos dinossauros, no final do Cretáceo, ele poderia ser a causa tanto do excesso de irídio como da própria extinção dos animais. Para confirmar, eles buscaram outras amostras de argila da camada de transição Cretáceo-Terciário.

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Foraminíferos têm formas peculiares e, às vezes, extravagantes. Foto: ER Degginger/ Science Source

Fragmentos vindos da Nova Zelândia mostravam um excesso de irídio de vinte vezes, e outros, provenientes da Dinamarca, tinham uma superabundância de 120 vezes! Em todos os casos, as camadas de calcário acima e abaixo da argila na transição apresentavam composição química similar. Com base nesses dados todos, Alvarez, pai e filho, junto com Frank Asaro e Helen V. Michel, do Lawrence Berkeley Laboratory, puderam publicar na renomada revista científica Science seu escandaloso artigo: “Uma causa extraterrestre para a extinção Cretáceo-Terciário”.

As reações ao artigo da Science foram, em geral, de repúdio, já que utilizava argumentos astrofísicos para explicar o fim de toda uma era geológica, o Mesozoico. Geólogos e biólogos também ficaram furiosos com a intromissão de um Nobel de Física no que consideravam um assunto no qual eles eram os especialistas. Além disso, Walter foi acusado pela comunidade científica de se colocar contra o uniformitarismo, visão-padrão dentro da teoria da evolução, abraçada desde Darwin. Alvarez acabou sendo chamado de catastrofista, o que era praticamente um xingamento para os biólogos evolucionistas da década de 1980.

Desenvolvido pelo naturalista francês Georges Cuvier (1769-1832), o catastrofismo defendia o desaparecimento abrupto de várias espécies ao mesmo tempo e foi considerado por grande parte dos geólogos uma doutrina equivocada e inteiramente ultrapassada. Mas Alvarez provou estar certo. Embora a biosfera possa se manter estável em média por uns 100 milhões de anos, ela às vezes sofre um colapso generalizado. A grande extinção que deu fim aos dinossauros, há 65 milhões de anos, foi a quinta de uma série de extinções em massa, a primeira tendo acontecido há 425 milhões de anos. A queda do asteroide que marcou a extinção Cretáceo-Terciário, atualmente conhecida como evento de extinção Cretáceo-Paleógeno (K-Pg), promoveu a extinção em massa de cerca de 75% das espécies de plantas e animais da Terra. O asteroide tinha 10 quilômetros de diâmetro e liberou 100 milhões de megatons na explosão. Para comparar, a bomba de Hiroshima foi de 15 quilotons.

Além da onda de choque que varreu o planeta em horas e de um megatsunami, o impacto seguiu-se de uma chuva de detritos incandescentes que caiu, durante semanas, por toda a superfície da Terra e gerou incêndios globais. Porém, o pior ainda estaria por vir. O local de impacto, a península de Yucatán, no México, continha rochas ricas em enxofre. A colisão criou aerossóis à base de sulfato — extremamente eficazes para bloquear a luz solar. E cerca de sessenta vezes mais matéria do que a do asteroide foi pulverizada e lançada à atmosfera. Após o calor abrasador da queda do material mais pesado, os aerossóis entraram em ação bloqueando a luz e resfriando o planeta. Foi o início de um mortal “inverno nuclear”. A fotossíntese cessou e as temperaturas despencaram. Foram liquidadas as grandes comunidades vegetais típicas da época dos dinossauros e todos os animais terrestres com mais de 20 quilos morreram.

link-externoLeia também: Quatro cientistas que mudaram nossa concepção sobre a origem e o fim da vida

 

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Evento de Tunguska. Foto: Leonid Kulik Expedition, Wikipedia

O céu continua nos ameaçando

O chamado Evento de Tunguska é uma versão atual, em escala menor, do impacto que acabou com os dinossauros. Em 30 de junho de 1908, uma grande explosão ocorreu em Tunguska, bem no meio da Sibéria. A explosão achatou 2 mil quilômetros quadrados de floresta de taiga. Não há registro de vítimas, mas apenas porque a região é pouquíssimo povoada. Porém, testemunhas a centenas de quilômetros do centro da colisão foram arremessadas longe devido à força da onda de choque.

Acredita-se que a explosão tenha sido causada pela queda de um pequeno asteroide ou um fragmento de cometa. Contudo, nenhuma cratera de impacto foi encontrada. O objeto deve ter explodido em pleno ar a uma altitude de 5 a 10 quilômetros em vez de se chocar com a superfície da Terra. As estimativas de diâmetro variam de 60 a 190 metros, dependendo se o meteoro era um fragmento de cometa, cujo principal constituinte é gelo, ou um asteroide, composto de rocha de maior densidade. É o maior evento de impacto na Terra registrado pela história. A energia da explosão foi entre 10 e 30 megatons.

E a história se repetiu — ao menos na Rússia. No dia 15 de fevereiro de 2013, um meteoro gigante (ou bólido) explodiu sobre a cidade russa de Chelyabinsk, na região dos montes Urais. Embora o evento tenha deixado um saldo de ao menos mil feridos e grandes danos materiais — o enorme teto de uma fábrica foi arrancado —, felizmente ninguém morreu. E isso apesar da energia do impacto ter sido de 440 quilotons.

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Passagem do meteoro em Chelyabinsk. Foto: AP

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Local do impacto do meteoro em Chelyabinsk. Foto: AP

Para a sorte dos moradores de Chelyabinsk, a explosão ocorreu na alta atmosfera, 24 quilômetros acima da cidade. Foi uma surpresa total para a comunidade científica, que aguardava para o mesmo dia a aproximação máxima com a Terra do asteroide 2012DA14, que passaria — e passou — a apenas 27.700 quilômetros acima de Sumatra. Na verdade, essa foi a maior aproximação de um asteroide já registrada. Passou tão perto da Terra que cruzou a órbita dos satélites geoestacionários, a 36 mil quilômetros do nosso planeta.

Porém, os dois eventos não estavam relacionados. O asteroide 2012DA14 passou em uma direção alinhada à órbita terrestre, enquanto o bólido que atingiu a Terra vindo da direção do Sol seguiu uma trajetória que quase tocava a órbita de Vênus. O meteoro tinha diâmetro de 18 metros, peso de 11 mil toneladas e velocidade de aproximação da Terra de 67 mil quilômetros por hora. Já o asteroide tinha um diâmetro de 30 metros, massa de 40 mil toneladas e velocidade relativa de 28 mil quilômetros por hora. Se tivesse penetrado a atmosfera terrestre, teria produzido uma explosão de 700 quilotons a uma altitude de 16 quilômetros. A maior energia do impacto e a menor altura resultariam em consequências muito mais graves do que as do bólido de Chelyabinsk.

O fato de o meteoro de Chelyabinsk não ter sido percebido antes da entrada na atmosfera é um alerta para o perigo que nos ronda no espaço. Há muitos asteroides que passam muito perto da Terra, os chamados NEOs (da sigla em inglês, Near-Earth Objects, ou Objetos Próximos à Terra). Alguns deles passam tão perto de nós quanto a órbita da Lua. A monitoração dos NEOs é importante se quisermos evitar catástrofes no futuro. Mesmo os bólidos, os meteoros gigantes, que são menores que os asteroides, já geram uma quantidade de energia considerável ao impactar com a atmosfera terrestre, e a grande maioria até agora não tem sido detectada.

Segundo informações divulgadas pelo Programa de NEOs da NASA, entre 1994 e 2013 556 eventos de bólidos de níveis variados de energia foram registrados. O bólido de Chelyabinsk foi o com maior energia de impacto da lista, e catorze tinham uma energia maior do que 2,5 quilotons. O monitoramento continuado dos NEOs é essencial para a prevenção de catástrofes que atinjam nosso planeta e a humanidade.

 

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Talvez a grande ameaça esteja bem aqui

Porém, talvez a maior ameaça à vida na Terra não seja extraterrestre, mas sim nós mesmos. Desde a Revolução Industrial, a atividade humana tornou-se o principal motor de mudança ambiental planetária e está prejudicando a estabilidade da vida no planeta.

Entramos numa nova época, o Antropoceno, o período da Humanidade — termo cunhado em 2000 por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química de 1995 por seu trabalho sobre a destruição da camada de ozônio. As pressões que exercemos na Terra ultrapassam, em muitos casos, a capacidade de recuperação do planeta. Todos conhecem o aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis, porém, a maior transgressão que estamos cometendo é contra a biodiversidade. Um certo grau de extinção é totalmente natural. No entanto, a ação humana está causando uma taxa de extinção de espécies de cem a mil vezes maior ao nível pré-industrial.

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A sexta extinção - CAPA E LOMBADA.inddA humanidade deu início à sexta extinção em massa dos últimos 500 milhões de anos. Vivemos em tempos muito perigosos. Com as espécies que desaparecem, perdemos recursos fundamentais para a nossa sobrevivência. Contudo, perdemos muito mais. Cada ser vivo que vai embora leva um pedaço do nosso mundo simbólico. São extintas também várias espécies de beleza, do que é admirável e do que é sublime.

Em A sexta extinção, livro vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, Elizabeth Kolbert explica de que maneira o ser humano alterou a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie o fizera até hoje. Para isso, lança mão de trabalhos de dezenas de cientistas nas searas mais diversas e vai aos lugares mais remotos em busca de respostas. Eleito um dos melhores livros do ano pelo The New York Times, o livro trata de temas complexos de forma simples e acessível, e é indicado tanto para estudiosos quanto para leigos no assunto. 

 

Amâncio Friaça é astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo. Trabalha em astrobiologia, cosmologia, evolução química do universo e nas relações entre astronomia, cultura e educação. Foi o responsável pela revisão técnica da edição revista de Uma breve história do tempo, lançada em 2015 pela Intrínseca.