testeTurnê Poética com Clarice Freire e Pedro Gabriel

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O mês de outubro será muito especial para os leitores de poesia. Pela primeira vez os autores de Eu me chamo Antônio e Pó de lua farão uma Turnê Poética juntos!

Nas próximas semanas, Pedro Gabriel e Clarice Freire passarão por quatro capitais para conversar com os leitores, tirar fotos e autografar seus novos livros, Ilustre Poesia e Pó de lua nas noites em claro.

Eventos da Turnê Poética:

Curitiba-PR
Dia: Quinta-feira, 6 de outubro
Horário: 19h
Local: Livrarias Curitiba – Shopping Palladium
Confirme sua presença

– As 300 senhas numéricas estão sendo distribuídas na loja do Shopping Palladium.
– A senha é individual. Somente o portador terá direito aos autógrafos e fotos com os autores.
– O atendimento será feito pela ordem numérica da senha.
– Nesse encontro os autores vão assinar todos os seus livros e em quantidades ilimitadas por pessoa.
– É proibido autógrafo em papéis, marcadores, cadernos, agendas ou quaisquer outros objetos.
– No espaço das assinaturas é proibido usar celulares, máquinas fotográficas ou qualquer outro equipamento para fazer selfies, vídeos ou gravações.
– O fotógrafo contratado irá registrar as pessoas ao lado dos autores. As imagens estarão disponíveis gratuitamente em até 3 dias úteis no Facebook da Livrarias Curitiba.

 

Brasília/DF
Dia: Sábado, 8 de outubro
Horário: 15h
Local: Livraria Cultura Shopping Iguatemi
Confirme sua presença

– As 198 senhas serão distribuidas no dia do evento a partir das 10h na Livraria Cultura.
-A senha é individual. Somente o portador terá direito aos autógrafos e fotos com os autores.
– Nesse encontro os autores vão assinar todos os seus livros e em quantidades ilimitadas por pessoa.
– É proibido autógrafo em papéis, marcadores, cadernos, agendas ou quaisquer outros objetos.
– No espaço das assinaturas é proibido usar celulares, máquinas fotográficas ou qualquer outro equipamento para fazer selfies, vídeos ou gravações.
– O fotógrafo contratado irá registrar as pessoas ao lado dos autores. As imagens estarão disponíveis gratuitamente em até 3 dias no site da Intrínseca.

 

Manaus/AM
Dia: Sábado, 22 de outubro
Horário: 15h
Local: Teatro Manauara
Confirme sua presença


– Poderão participar do evento os fãs que possuírem os livros “Ilustre Poesia” e “Pó de lua nas noites em claro”, contudo, os autores autografarão todos os seus outros livros, sendo até um exemplar de cada por pessoa.
– Não serão permitidos autógrafos em itens que não sejam livros, tais como marcadores, papéis soltos, camisas, etc.
– Os autores atenderão até o último leitor, dentro do horário de funcionamento do shopping.
– Não serão permitidas selfies, gravação de áudio para WhatsApp, vídeos para o Snapchat na mesa dos autógrafos. Um fotógrafo ficará responsável por todas as fotos da sessão, que serão disponibilizadas em até cinco dias úteis após o evento.

 

Fortaleza/CE
Dia: Domingo, 23 de Outubro
Horário: 16h
Local: Livraria Leitura – Shopping Rio Mar
Confirme sua presença


– Poderão participar do evento os fãs que possuírem os livros “Ilustre Poesia” e “Pó de lua nas noites em claro”, contudo, os autores autografarão todos os seus outros livros, sendo até um exemplar de cada por pessoa.
– Não serão permitidos autógrafos em itens que não sejam livros, tais como marcadores, papéis soltos, camisas, etc.
– Os autores atenderão até o último leitor, dentro do horário de funcionamento da loja.
– Não serão permitidas selfies, gravação de áudio para WhatsApp, vídeos para o Snapchat na mesa dos autógrafos. Um fotógrafo ficará responsável por todas as fotos da sessão, que serão disponibilizadas em até cinco dias úteis após o evento.

testeO noturno mundo de Clarice Freire

Por Pedro Martins*

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Lançado em 2014, após o sucesso de Eu me chamo Antônio, de Pedro Gabriel, Pó de lua foi outra aposta bem-sucedida da editora Intrínseca, vendendo mais de 70 mil cópias em todo o Brasil. Após o intervalo de quase dois anos e com quase 1,5 milhão de seguidores on-line, a recifense Clarice Freire volta às prateleiras de lançamentos com Pó de lua nas noites em claro, que promete encantar não só os antigos, como também os futuros leitores.

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A concentração de arte no sangue da família Freire sempre foi alta. Wilson, o pai, é um médico apaixonado pela escrita. A mãe, Lúcia, além da assistência social, também se dedica à arte de ilustrar. Sofia, a irmã, é musicista. O primo, Marcelino Freire, foi ganhador do Prêmio Jabuti. E Clarice? Ela, sem dúvidas, não negou seus genes:

— Comecei a escrever poesia na infância. Quando chegava da escola, meu pai estava sempre escrevendo ou compondo com seu amigo Antônio Carlos Nóbrega e eu ficava em cima. Ele me dava uma poesia e dizia: “Termina ela para mim.” Isso me incentivou. Eu era muito tímida e me lembro de sempre estar no meu quarto escrevendo. Desde aquela época, tudo saía em forma de poesia.

 

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“Escritora de poesia desenhada”: Para mim, palavras são muito mais do que várias letras juntas formando uma semântica. Elas podem ser um desenho, um objeto, qualquer coisa. Nunca consegui separar uma coisa da outra.

 

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Apesar de poetisa desde criança, Clarice fez sua primeira viagem à lua somente em 2010.

Formada em publicidade e propaganda, trabalhou por sete anos na área. Entre uma tarefa e outra na agência, fazia sua poesia desenhada despretensiosamente, “para respirar”, mas ritualmente jogava tudo fora antes de ir embora. Certo dia, ao chegar ao trabalho, viu tudo de volta à mesa:

— Pensei que alguém estivesse com raiva de mim e tivesse feito pirraça.

Na realidade, era Elisa Lacerda, sua diretora de arte, que nada tinha de pirracenta:

— Fiquei nervosa, disse que ela não tinha o direito de mexer no meu lixo, mas todos começaram a contra-argumentar. Elisa, então, criou um blog para mim: “Pelo menos agora você terá onde guardar suas ideias, e os desenhos levaremos para casa” — conta, brincando que hoje os amigos se recusam a devolvê-la seu “lixo”.

— Escolhi publicidade e propaganda porque era o curso que mais conseguia comportar esse meu lado criativo. Mas se agora estivesse começando do zero, faria tudo de novo — confessa.

Logo, a publicidade foi como uma madrasta do bem, que a “permitiu ter uma visão de mundo extraordinária”, ajudando-a a lapidar suas habilidades:

— Antes, minha escrita era muito prolixa, e a redação publicitária me fez consertar isso. Também estudei muito sobre criatividade. Cheguei até a fazer cursos na Argentina e na Espanha sobre isso. Hoje me dedico inteiramente à literatura, o que tem sido incrível. Mas ainda aplico todos os ensinamentos daquela área no meu processo artístico, algo que se deu muito bem com a internet. Devemos sempre ter sede de aprender e sermos bons, independentemente de qualquer coisa — diz a autora.

Para encerrar, cita Fernando Pessoa:

—Tudo vale a pena se a alma não é pequena.

 

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Clarice Freire: A literatura para mim sempre foi um meio de sobrevivência. Não é fácil morar dentro de mim, então para não enlouquecer coloco para fora tudo o que está em ebulição.

 

— Só conseguimos ser felizes quando investimos nos nossos sonhos.

Cedo ou tarde, foi isso que ela fez.

— Seja nos livros, seja na internet, Pó de lua faz parte tanto da minha vida quanto da dos leitores, que se veem nas poesias. Muitas vezes queremos dizer alguma coisa e não sabemos como fazê-lo, mas os escritores sabem, pois passam pelas mesmas angústias da alma que nós. É por isso que os amamos.

 

Viagens

Viajar à lua rotineiramente para coletar tanto não é uma tarefa fácil. A diversão ganhou ares de trabalho, e, em época de produção dos livros, ela segue uma rotina rigorosa:

— Raimundo Carrero, grande autor de Pernambuco, diz que o escritor é um operário como qualquer outro, mas um operário das palavras. Há momentos em que ou você fica horas sentado tendo em mente a necessidade de produzir, ou não produz nada.

 

A dedicação exclusiva à carreira artística mudou tudo:

— Apesar do material básico não ter mudado (papel e caneta nanquim), as diferenças são notórias. Substituí o rabisco rápido por algo mais complexo, estou sempre estudando para aprimorar o traço e a escrita e experimentando outros materiais. É um trabalho muito meticuloso.

Todos os originais são produzidos no Recife e, de tempos em tempos, voam junto com Clarice para o Rio de Janeiro, onde está sediada a Intrínseca. Em reuniões de até oito horas, passam pelas mãos dos editores e dos designers, que discutem “como podemos trabalhar aquilo da melhor forma”. Às vezes a editora também vai ao Recife:

— Uma vez chegamos a imprimir tudo em preto e branco no papel sulfite e fizemos um trabalho de colagem, literalmente, para depois mostrar ao designer, que reproduziu digitalmente.

Para ser produzido, o primeiro livro levou pouco mais de seis meses. O segundo, em contrapartida, foi matutado durante quase dois anos:

— Foi um desafio imenso, mas extremamente prazeroso. Há uma mistura de poesia e prosa, e uma linha narrativa mais definida, então tínhamos de fazer com que o leitor conseguisse aproveitar aquilo. É mais uma conquista — orgulha-se.

Noites_em_claro

À parte da técnica, as madrugadas antes usadas para descanso hoje são para trabalho:

— Confesso que muitas vezes me bate certa culpa por preferir as madrugadas. Somos julgados, chamados até de vagabundos, mas é quando minha cabeça mais trabalha.

Tão forte é essa relação que chegou até a inspirá-la. Seu segundo livro é dividido em capítulos-horas: à meia-noite, “as ruas se calam”; à 1h, “a boca se cala”; às 2h, “o pensamento fala”; às 3h, conhecemos “os moradores da noite”; as 4h, surgem “os primeiros raios do Sol”; e, às 5h, os “sentimentos dourados”.

— Quando o planejei, entrei no mundo noturno e comecei a pensar numa personagem, que no início do livro foge de casa, aventura-se explorando o subjetivismo introspectivo da noite e surpreende-se por descobrir que, apesar de passarmos pelas noites (algumas difíceis, escuras), sempre amanhecemos.

 

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Clarice Freire: Os livros são dois retratos diferentes de uma mesma alma. O segundo é algo novo. O leitor pode esperar um mergulho numa madrugada muito viva.

 

Afluências

Apesar de não escrever literatura infantil, em seu reino permeado por muito Pó de lua, Clarice está sempre acompanhada de grandes fadas-madrinhas e padrinhos mágicos da literatura, da música e do cinema:

— Sem dúvidas, os poetas contemporâneos são meus melhores amigos. Durante a produção do segundo livro, estive acompanhada de Cecília Meireles e Paulo Leminski (a irreverência dele me ensina muito e a delicadeza dela me encanta). Na prosa, sou apaixonada por Jostein Gaarder, autor de O mundo de Sophia e A garota das laranjas, um dos melhores livros que já li. Aliás, é um desejo enorme publicar um romance. Quero investir nisso, estudar. Mas jamais abrirei mão da poesia. No cinema, sempre achei a estética de Tim Burton fabulosa: ao mesmo tempo que é sombria, tem uma delicadeza sem igual. A vida é assim também — diz, usando o personagem Edward, mãos de tesoura como exemplo, que a maravilhou por ser, a princípio, repulsivo, mas, quando conhecido a fundo, demonstrar “uma pureza e uma doçura enorme”.

No campo musical, Clarice também se aventura. Influenciada pelo pai e por Nóbrega, já compôs em parceria com diversos musicistas. Um dos seus últimos trabalhos foi a letra “Leveza”, inspirada num dos seus próprios poemas, para o álbum de estreia de sua irmã, Sofia:


Ao ser solicitada para escolher uma música que representasse o conceito de Pó de lua (“diminuir a gravidade das coisas”), entretanto, a autora diz ser impossível:

— Cada poesia tem uma trilha sonora específica, na realidade.

 

Os desejos de Clarice

— Desejo que nosso país um dia invista verdadeiramente na cultura e na produção artística, para que tenhamos artistas realizados compartilhando todas as maravilhas de que são capazes — almeja a artista.

Um bate-papo descontraído de pouco mais de uma hora deixou evidente que Clarice Freire é, sem dúvidas, uma personagem tridimensional: sonha “amar até o fim”, tem medo de “passar nula pelo mundo”, arrepende-se de todas as vezes que deixou de fazer algo por medo e, se tudo correr bem, em dez anos quer “ser plena”.

Pó de lua nas noites em claro já está disponível nas livrarias físicas e on-line. Em breve, Clarice viajará por todos os cantos do país para se encontrar com os leitores e autografar.

— A editora Intrínseca faz questão de que o primeiro lançamento seja na cidade do autor. É uma delicadeza muito bonita.

 

Pedro Martins, viciado em livros, filmes e séries, descobriu a magia por meio dos escritos de J.K. Rowling aos oito anos. Com muita dedicação, essa paixão o tornou webmaster do Potterish.com e o possibilitou escrever sobre literatura para diversos portais, incluindo o britânico The Guardian. Agora, ele tem mais um lugar onde se aventurar: o blog da Intrínseca.

testeA garota do tanque de areia

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Tarde dessas fui olhar a vista de uma varanda nova. Um prédio não tão alto quanto o que moro hoje, praticamente nas nuvens. Ele é daqueles que dá de cara para mais prédios, pois está cercado por edifícios e acompanhado de arranha-céus. Meu caminho até a tal varanda foi a pé, o que dá uma dimensão completamente diferente da cidade. Quem anda a pé descobre casas, lojas, pessoas e lugares invisíveis aos carros, mesmo que, dirigindo, se passe por ali todos os dias. Minha sensação ao andar a pé pelo Recife é a de conhecer outra cidade, meio macromicroscópica.

Lá fui eu. Concreto, semáforos, buzinas, gritos, lojas, galetos; portaria, elevador, concreto, porta, varanda. E voltamos ao ponto inicial da minha história: a vista.

Olhando ao redor, espremido entre três prédios, estava um tanque de areia, na “área de lazer”. Visto de cima, da tal varanda, o tanque de areia para crianças mais parecia uma caixinha para gatos colocada no cantinho da área de serviço.

Dentro dela, sentada e só com — provavelmente — um balde, estava uma garotinha. Ao seu lado, uma bola cor-de-rosa esquecida e parada. Entre tanto concreto branco e cinza, a cor da bola gritava aos olhos. Eu me estiquei para procurar os amigos da menina, a mãe, alguém.

Ninguém.

Eram apenas a bola, ela e seu balde. Mesmo ali de longe eu podia ouvir o silêncio. Fiquei meio hipnotizada por aquela menina. Acho que, de certa forma, vi a mim mesma, com algumas diferenças.

Sempre fui uma garotinha introspectiva, quando pequena. Confesso que tive meus avanços na timidez. Apesar de a constituição contemplativa estar na base dos meus dias, gosto de falar. Amigos dirão que bastante. Mas o silêncio é meio de sobrevivência, uma necessidade, que talvez tenha começado em mim na idade da menina. Até os oito anos, eu era filha única e adorava brincar na areia, como a garota que olhava de longe. Construía meus reinos e castelos, planejava fugas e, quando cansada, destruía tudo com um tapa. Alto poder.

A imagem da menina do tanque de areia, porém, me sufocou, deu uma sensação de solidão triste, bem diferente daquela minha de ontem e hoje. Observando-a, senti pena, certa comoção, uma vontade de descer e colocá-la para ver o mundo. Imaginei-a correndo num parque verde, florido, em liberdade. Não ali. A bola parada pedia um campo verde, ora.

— Que bobagem, sua louca! Essa menina, muito provavelmente, viu mais do mundo que você. Pode ter viajado por milhares de países e já estar cansada de parques verdes da Europa e da Disney. Talvez esteja aliviada por estar dez minutinhos só na areia. Em casa, existe agora uma multidão de irmãos fazendo barulho — disse minha razão, que também é imaginativa.

— Verdade — respondi a ela.

Minha compaixão pela garota do tanque de areia, no entanto, não se foi. Voltei para minha infância. Não posso negar que também fui uma “menina de prédio”, mas tive a sorte de ter avós no interior, o que dividia bem as realidades entre concreto e mato. Ainda subi em muitas árvores, colhi fruta do pé, fui para o meio da feira, andei de bicicleta pela cidade — especialmente ladeira abaixo —, andei descalça, colecionei cascas abandonadas por cigarras nas árvores, sujei-me de lama ou rolei por tapetes molhados em dias de faxina, fui ver o circo, senti o cheirinho do bolo saindo do forno, almocei no sofá assistindo a Chaves, brinquei de cabra-cega na fazenda, assei milho na fogueira. E, no meio de tudo isso, quando voltava para a cidade, andava de patins, dava tempo para a minha amada solidão entre meus papéis e lápis de cor. A cidade era um “também”, e não “só o que se tem”.

Acho que isso me fez bem.

Não conheço a garota do tanque de areia. Talvez ela tenha, como imaginei antes, mais de tudo isso do que eu. Talvez. Mas aquela claustrofobia solitária daquela cena me fez pensar nas infâncias encaixotadas, de ar-condicionado, shopping e só. Fiquei pensando se aquela areia não seria artificial e lembrei quanto é bom colocar o pé no chão. Pode ser que a areia não seja artificial, mas naquele contexto, para mim, ela se torna sintética. Minha infância não é superior à de ninguém; longe de mim pensar assim. Contudo, olhando ao redor e vendo as ruas com tudo, a garota do tanque de areia não parecia ter tanto assim.

As aparências sempre enganam, eu sei. Talvez outros muitos tenham me olhado sozinha pelos cantos quando eu era menina e sentiram compaixão, quando na verdade eu estava satisfeitíssima. Todo o Universo cabia dentro dos meus olhos e só eu enxergava; amava saborear aquela privacidade dos meus sonhos e de minhas fantasias fantásticas. O mundo que não se toca é maravilhoso, mas o tangível também pede tato, sujeira, oxigênio, espaço e os pés, de vez em quando, dançando podres de lama. E um mundo alimenta o outro.

 

O universo é enorme, tão vasto.

De tão belos escuros,

onde a Lua clareia.

De tão lindas manhãs,

quando o Sol incendeia.

O mundo é tão grande,

tem tanto céu.

Pra que gaiola, pra que cadeia?

O mundo tem tanto chão

pra pisar no seguro

de um tanque de areia.