testePlaylist de Ainda sou eu, novo livro de Jojo Moyes

Louisa Clark deixou a Inglaterra para se aventurar em Nova York. Preparada para começar uma nova vida em uma das cidades mais empolgantes do mundo, a nossa querida personagem está determinada a cumprir a promessa que fez para Will: dizer sim para as oportunidades que surgirem. Com muita coragem, ela começa a trabalhar em um novo emprego e cai de paraquedas no mundo dos super-ricos da Big Apple.

Como Nova York é uma cidade que desperta muitos sentimentos, preparamos uma playlist inspirada em Ainda sou eu para fazer com que os leitores viajem junto com a Lou. 

testePlaylist aquática de “A forma da água”

A água pode assumir vários formatos: lagos, lagoas, cachoeiras, chuvas, mares e oceanos. No novo trabalho de Guillermo del Toro e Daniel Kraus, a água vem em forma de amor.

Das profundezas do rio amazônico, o deus Brânquia é capturado por Richard Strickland, um oficial dos Estados Unidos, para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. O homem-peixe representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o homem que ele próprio se tornou – e quem detesta ser. Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida monótona cercada de silêncio e invisibilidade.

Mistura bem dosada de conto de fadas, terror e suspense, A forma da água traz o estilo inconfundível e marcante de Del Toro, numa narrativa que se expande no filme homônimo, vencedor do Leão de Ouro em 2017 e indicado a 13 categorias do Oscar 2018.

Tomamos um banho de inspiração e criamos uma playlist nesse clima bem aquático (sempre abusando dos trocadilhos, é claro!). Respirem fundo e venham se banhar com a gente!

testePlaylist inspirada em “Mindhunter”

 

Ted Bundy, Son of Sam, Charles Manson… Alguns dos casos mais desafiadores e chocantes narrados em Mindhunter, livro que originou a série da Netflix, se tornaram tão icônicos que renderam vários filmes, documentários, séries e ganharam versões nas vozes de diferentes artistas e bandas.

Confira nossa playlist com músicas que falam sobre esses casos sinistros aqui!

testeQuando o Rio era uma festa

Alain Delon

O ator francês Alain Delon na boate Regine’s (Fonte)

Zózimo Barrozo do Amaral gostava de música, com exceção da lambada (“já dançou?”, perguntou alguém numa nota, enquanto o outro respondia, “só na horizontal”). A minha biografia sobre ele, Enquanto houver champanhe, há esperança, está recheada de referências musicais.

A primeira de todas é “Cadê Zazá”, sucesso do Carnaval dos anos 1940, mas que na história de Zózimo não vem carregada de humor e alegria, como seria de supor pela letra divertida — ela aparece para ilustrar um dos dramas da família Barrozo do Amaral, um clã de muitos sucessos, mas também algumas decepções. Na adolescência, nos anos 1950, Zózimo ouvia canções francesas dramáticas. Quando passou por uma desilusão amorosa, ficou dias seguidos ouvindo Charles Trenet cantando “Que reste-t-il de nos amours”. Na virada para a década de 1960, durante uma temporada em Paris, aprendeu, antes dos brasileiros, a dançar o twist — e quando voltou ao país tornou-se um campeão no ritmo, ganhando até mesmo um concurso de dança no programa “Hoje é dia de rock”, da TV Rio.

A partir dos anos 1970, vamos encontrar Zózimo e a sociedade carioca festejando a vida sob os globos de espelhos das discotecas. Primeiro foi a Hippopotamus, depois a Regine’s — e Zózimo costumava ser um dos primeiros a entrar na pista. Ele também frequentou a cena disco internacional. Ia ao Studio 54, a célebre casa de Nova York que, entre tantos escândalos, nem reparou quando o produtor de discos Ezequiel Neves, futuro namorado de Cazuza, cheirou uma carreira de cocaína nas costas do vestido decotado de Liz Taylor.

Sobre esse período, de muito sexo, drogas e rock and roll, preparei uma trilha sonora com os hits que Zózimo e sua turma dançavam nas noites do Rio. Os DJs eram pioneiros, como Ademir, Monsieur Limá, Big Boy, Pelé e Amândio. As casas eram, além de Hippopotamus e Regine’s, templos da diversão, como New York City Discotheque, Le Bateau, Sótão e Papagaio. Zózimo passava por todas. Em algumas podia até buscar notícia, mas, homem da noite, de espírito livre, estava sempre atrás de diversão. A música não só balançava o corpo, como era de ótima qualidade. Ouve só. 

testeRecomeçar é preciso

Por Fabiane Pereira*

Não dá para começar a falar de O som do amor sem citar sua autora, Jojo Moyes. Responsável pelo best-seller — e sucesso cinematográfico — Como eu era antes de você e pela impressionante marca de 1,5 milhão de exemplares vendidos no Brasil, a jornalista inglesa se dedica integralmente à carreira de escritora desde 2002. Jojo é uma das poucas autoras que já ganhou por duas vezes o Prêmio Romance do Ano, atribuído pela Associação de Romancistas, já viu suas histórias serem traduzidas para onze idiomas e é uma das poucas escritoras no mundo a ter emplacado três livros ao mesmo tempo na lista de mais vendidos do The New York Times.

Dito isso, é fácil já sentir-se atraído por seu novo livro, O som do amor, publicado originalmente em 2008 e que acaba de chegar ao Brasil pela Intrínseca. Porém não se deixe enganar pela capa romântica porque definitivamente não é um romance tradicional. Arrisco-me a dizer que, em O som do amor, a autora visita outro gênero literário: o folhetim. Apesar da escrita envolvente e da química viciante presente em todos os seus livros, Jojo deixa de lado seus habituais romances contemporâneos e embarca numa história mais complexa, com vilões e mocinhos bem definidos e se apropria de ingredientes que prendem o leitor: luto, amor, intrigas, recomeço e amizade.

capa_osomdoamor_mainResumidamente: Matt e Laura McCarthy são obcecados pela ideia de herdar a Casa Espanhola — uma construção quase em ruínas no condado de Norfolk, interior da Inglaterra, que tem um valor simbólico para os moradores locais. Para conquistar o que deseja, Laura, a mando do marido, Matt, faz todas as vontades do Sr. Samuel Pottisworth, proprietário do casarão e criatura de difícil trato. Já com a idade avançada, o Sr. Pottisworth, apesar de dizer que mostraria sua gratidão a Laura quando morresse, não deixa nada documentado e quem herda a Casa Espanhola é Isabel Delancey, uma parente distante, apaixonada por música.

Primeira violinista na Orquestra Sinfônica Municipal, em Londres, Isabel tinha uma vida pacata com o marido e os dois filhos, mas tudo muda quando ela fica viúva e herda uma grande dívida do marido falecido. A vida lhe oferece uma oportunidade de recomeço através da Casa Espanhola, mas o casal McCarthy tenta impedi-la a qualquer custo. E é em torno dessa disputa que se desenrola toda a trama.

 O som do amor tem uma narrativa um pouco mais lenta do que os outros livros da autora e, às vezes, um leitor mais desatento pode demorar mais para se apegar aos personagens. À medida que a história avança, descobrimos que cada um guarda algum segredo e isso estimula o leitor. Sentimentos perturbadores como obsessão, persuasão e manipulação são molas propulsoras da história e, já que todos os (bons) personagens com mau caráter são providos de grande carisma, aqui eles também são capazes de tudo para cumprir seus objetivos: são maquiavélicos e justificam suas ações duvidosas — sexo e mentiras — em prol de uma conquista a qualquer preço.

 Mas O som do amor também fala sobre recomeço. A violinista Isabel, sobrinha distante do Sr. Pottisworth, após perder o marido num acidente e herdar o casarão, decide se mudar com os filhos e dar uma nova chance à vida. O que Isabel não podia supor é que a mudança de cidade lhe causaria muitos problemas, a começar pela grande diferença entre uma metrópole como Londres e um pequeno condado de Norfolk, um local repleto de intrigas.

Todos que já sentiram a dor de uma grande perda podem se identificar com a história. Quando alguém que amamos morre, vivemos o luto; quando um relacionamento afetivo termina, fica um vazio e uma dor profunda; quando alguém é demitido de um emprego que se identifica muito, sofre uma grande instabilidade emocional. Esses sentimentos não são negativos tampouco errados, são humanos e é necessário vivê-los para que passem e abram espaço para novas oportunidades.

Durante a leitura, percebe-se que muitas “pontas” ficam propositalmente soltas durante a narrativa, mas, brilhantemente, Jojo as amarra nos últimos capítulos. Nessa contradição de sentimentos, O som do amor fala de nós, seres humanos. Da quantidade de vezes que começamos e recomeçamos sonhos, ciclos e projetos. Fala das vezes que achamos que o barco da vida está navegando em mares calmos e um maremoto inesperado muda toda nossa existência. Enfim, fala do caminho entre o desejo e a realização.

 

*Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em Jornalismo Cultural pela ESPM e em Formação do Escritor pela PUC-Rio. É mestranda em Comunicação, Cultura e Tecnologia da Informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. Foi apresentadora do programa Faro MPB, na MPB FM, e atualmente comanda o boletim Faro Pelo Mundo, na mesma emissora.

 

 

 

testeO ano da inocência

Lembro-me bem daquele dia. Os detalhes, odores, o vento, o vazio das ruas. Recém-aprovado no vestibular, ainda antes dos dezessete anos, sentia-me superior, como se pudesse esmagar o resto do mundo com meus pés. Embora muitos achassem que eu era motivo de piada — e, em retrospecto, não posso culpá-los por isso —, a verdade era que eu me achava invencível.

Uma autoestima nas alturas meio sem razão de ser. Magro e alto, de uma maneira desajeitada, era apenas mais um adolescente que não sabia o que fazer com as pernas, os braços e as orelhas que haviam crescido rápido demais. Estudaria, no ano seguinte, engenharia na universidade federal. Era o orgulho do meu pai, parecia tudo tão certo, predestinado, exato.

Naquele verão, do último dia das provas até aquela comemoração do resultado do vestibular, eu havia ficado no meu quarto ouvindo músicas em inglês para treinar o idioma. Nada de viagens, praia. Só ar condicionado ligado 24 horas por dia naquele quarto cheio de pôsteres imbecis. A aprovação no vestibular operara milagres: meu pai havia se esquecido da conta de luz e me deu um grande presente — deixou-me em paz.

Gastei todo o início de janeiro aprimorando meu inglês. Enquanto todo mundo ouvia John Lennon, The Doors ou Rolling Stones, eu exercitava o idioma com a canção preferida da minha professora quarentona naquele verão: Lost in love, do Air Supply. Ouvi tanto que passei a gostar. Parecia falar do que eu sentia por Baby: “You know you can’t fool me, I’ve been loving you too long…”

O telefone, que andara mudo lá em casa por dias, tocou com Baby gritando “passeeeeei” com todas as forças de seus pulmões (eu já sabia, tinha ouvido o nome dela no rádio). Ela me perguntou se eu iria à festa — claro que eu não havia sido convidado, mas fingi que mal podia esperar. Sim, precisava de uma carona. Baby havia ganhado um Fusca do pai. Não era nada especial, tinha um bege desbotado e um retrovisor só do lado do motorista.

À medida que acelerávamos pelas praias cada vez mais desertas naquele dia de verão nublado, mas não menos calorento, minha felicidade aumentava. Colaborava para o clima o gosto musical muito mais apurado de Baby. No toca-fitas, rodava um cassete mixado a partir dos melhores discos dos amigos. Um dos lados fora dedicado a David Bowie. Nunca tinha ouvido falar dele, para espanto de minha melhor amiga e também amor secreto.

— Em que planeta você vive? — perguntou Baby.

— Marte — respondi, com um sorriso.

— Que coincidência. Bowie também.

Antes de irmos à festa, paramos em um dos grandes descampados que a Barra tinha na época e Baby tirou da bolsa um presentinho que recebera um dia desses — um baseado. Ela confessou que era virgem nessa área — o que, óbvio, valia para mim também. Entre tossidas e cuspidinhas de erva, ela me beijou. Primeiro, um toque rápido nos lábios; depois, nossas línguas se entrelaçaram de forma atrapalhada, mas intensa, cada vez mais intensa. O elástico frouxo do meu short foi vencido por minha energia adolescente. Deixei-me levar, não podia parar. Quando dei por mim, havia sujado todo o painel do carro de Baby.

Ela olhou para mim espantada, pois nem havíamos nos tocado. Também nunca havia presenciado coisa semelhante. Em seguida, não conseguia parar de rir.

Corações em disparada, ainda mais porque, por algum motivo, a música estava ligada no último volume. Bowie cantava Changes. Enquanto nos olhávamos, nossas respirações se acalmavam. Soltei um riso nervoso. A vida começava ali.

testeUma playlist para o último dia

Denton Little sabe que amanhã é seu último dia de vida. Na sociedade em que ele vive, uma série de cálculos e procedimentos é realizada assim que as crianças nascem para determinar quando a pessoa vai morrer. No caso de Denton, seja por conta de uma doença desconhecida, de um acidente ou até mesmo de um assassinato, o jovem não passará dos 17 anos.

A proximidade com o fim não é desculpa para não aproveitar os últimos minutos disponíveis, certo? Por isso, o jovem planeja tudo que gostaria de fazer em seus momentos finais: um café da manhã especial, uma maratona de filmes e finalmente perder a virgindade. Só que nada sai como o esperado.

Divertido, sarcástico e sensível, O dia da morte de Denton Little é uma história sobre amor, amizade, escolhas e, principalmente, sobre encontrar respostas para perguntas que nem imaginávamos que nos faríamos um dia.

Inspirados na atmosfera do livro, preparamos uma lista de músicas para rir na cara do perigo, porque é impossível não arriscar uns passos finais na pista de dança quando a Dona Morte está vindo pegar você. Ouça no player abaixo ou no link.

testeUm navegar impreciso com Moby

Lembranças de uma antiga relação, iniciada por fax e terminada em Porcelain

Por Carlos Albuquerque*

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Cidade de Nova York, 1989 (Foto: Julie Hermelin)

Avistei Moby pela primeira vez em 1995. Era uma época de navegações rudimentares. Tanto era que conversamos por fax — sugestão do próprio artista, para que não precisasse ouvir sua “voz irritante” — numa entrevista para o “Rio Fanzine”, publicado no Segundo Caderno, do jornal O Globo.  Naquela época — quando os Mamonas Assassinas estouravam em todo o Brasil e o ex-jogador de futebol americano O. J. Simpson era absolvido da acusação de assassinato da ex-mulher e de um amigo, após um célebre julgamento —, Moby era visto por nós, eu e Tom Leão, que editávamos a seção, como uma espécie de ponta de lança do som eletrônico, aquele que, vindo dos subterrâneos, iria se apossar da rebeldia associada ao rock e transformar o mundo.  Esquecemos, claro, de avisar ao mainstream, mas isso foi outra história.

Era o tempo de Everything Is Wrong — um álbum grandioso, eufórico, libertário —, e Moby revelou-se um entrevistado divertido e sagaz, mesmo num papo engessado como aquele. Elogiou Kate Bush, confirmou sua paixão pelo seriado Twin Peaks (cujo tema foi incluído no seu primeiro hit, “Go”, de 1990) e ironizou Eric Clapton (“Não confio em homens que tocam guitarra e usam ternos Armani com uma camiseta”).

A segunda visão foi mais perto, em 1996, num dos grandes templos da música, o mitológico teatro Fillmore, em San Francisco, que recebe o público com uma cesta de maçãs frescas, resquício do passado hippie da cidade californiana. Era a turnê do desafiador álbum Animal Rights, considerado um suicídio comercial, já que deixava para trás o som digital e abraçava a estética punk rock. No palco, Moby — parente distante do escritor Herman Melville, autor do clássico Moby Dick — brilhou mais do que os majestosos candelabros que decoram o local, com uma apresentação explosiva. Para usar uma expressão ancestral, foi o bicho.

A terceira e derradeira aparição foi a mais próxima, um contato imediato nos bastidores do V Festival, em Chelmsford, Inglaterra, no ano 2000. Por conta do crescente sucesso do álbum Play, lançado no ano anterior, e que venderia mais de 10 milhões de cópias, Moby era um dos destaques do evento, ao lado de Paul Weller, Richard Ashcroft, Supergrass e Leftfield. Encontrei-o tomando sol, em pé, perto de uma das mesas da área de alimentação dos artistas. Com o auxílio poderoso de uma Guinness, afoguei a timidez, fui até ele e me apresentei. Apertamos as mãos, falamos algumas coisas irrelevantes sobre o festival e ele perguntou sobre a blusa que eu estava usando. Quando disse que era de uma banda de hardcore do Rio (Ack), Moby sorriu e falou que gostava muito do Hüsker Dü (eu também!). Antes de me despedir, completei o mico tirando uma foto com ele. No final do século passado, selfies eram chamadas de fotos. Simples assim.

Proposta_Porcelain pMas tive a impressão de que só ficamos realmente próximos 16 anos depois, quando atravessei, suavemente, as 400 e tantas páginas de Porcelain. A partir do doce balanço de “Love Hangover”, de Diana Ross, música-chave de suas agridoces memórias, acompanhei Moby numa turbulenta e ainda assim divertida jornada no tempo, de volta à Nova York dos anos 1990, nos primórdios da dance music nos Estados Unidos, quando o êxtase das raves (“Uma grande festa de drogas”, diz alguém no livro) e dos chamados club kids estava prestes a ser confrontado pela repressão do prefeito Rudy Giuliani (que comandou a cidade entre 1994 e 2001), com sua política de tolerância zero.

Através do seu relato — sereno, irônico, sarcástico, autodepreciativo  e extremamente honesto —, senti a dureza e o cheiro de espírito juvenil, misturado com mofo, de seus tempos morando numa fábrica abandonada em Connecticut. Vibrei com suas primeiras performances como DJ, mas também sofri quando esbarrou na agulha e estragou um improviso do rapper Darryl McDaniels, do Run DMC, numa noite no Mars, clube onde era residente.  Curti seu fortuito encontro com Madonna, numa noite de pista vazia, e tive a mesma melancolia quando viu um dos únicos presentes, o próprio O. J. Simpson (antes do crime), virar as costas e ir embora. Por empatia, quase enjoei com suas constantes bebedeiras e flertes com alteradores de consciência.

Presenciei outros encontros — como aquele com o DJ brasileiro Carlos Soul Slinger, pioneiro do som jungle em NY —, testemunhei suas primeiras gravações e seu primeiro contrato com uma gravadora. Acompanhei sua inquietação após o sucesso de “Go”, as tretas com Aphex Twin durante uma turnê e as primeiras viagens à Europa. Fiquei por dentro de sua crise de identidade na época de Animal Rights e também achei surreal o recado deixado por Axl Rose na sua secretária eletrônica, dizendo que tinha amado o disco e que costumava ouvir “Alone”, enquanto dirigia pelas ruas de Los Angeles de madrugada.

Quando virei a última página de Porcelain, concluído justamente após o sucesso de Play, em 1999, tive vontade de agradecer a companhia do meu amigo imaginário, vegetariano convicto, cristão autônomo, ambientalista dedicado, defensor dos direitos dos animais e improvável astro do rock. E fui lá reler aquele nosso primeiro papo, publicado no jornal O Globo (por fax, comentei isso?). No fim da entrevista, sorri com a sintética previsão que Moby, hoje com 50 anos, morando, sossegado, em Los Angeles, fazia sobre o próprio futuro:

— Usar uma peruca.

>> Leia um trecho de Porcelain

>> Ouça a playlist de Porcelain feita por Moby

Carlos Albuquerque é um dos mais renomados jornalistas de música e cultura do país. Trabalhou por mais de 25 anos no jornal O Globo, onde coordenou a cultuada seção “Rio Fanzine”, ao lado de Tom Leão, e editou a coluna “Transcultura” (com Bruno Natal, Alice Sant’Anna, Fabiano Moreira e Carol Luck). Revelou nomes como Ed Motta, O Rappa e Skank. Participou da cobertura de festivais como Tribal Gathering (Inglaterra), Hollywood Rock, Lollapalooza, Rock in Rio (a partir da segunda edição), Sónar Barcelona e eventos como a Red Bull Music Academy, em Tóquio. Entrevistou centenas de artistas, entre eles Paul McCartney, Mick Jagger, Eric Clapton e Kate Bush, além de personalidades, como o ex-vice presidente americano Al Gore. É autor do livro O eterno verão do reggae (Editora 34) e coautor de Rio Fanzine – 18 anos de cultura alternativa (Editora Record).

testeMúsicas para Apolo

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Como você monta uma trilha sonora para o deus da música? Com músicas incríveis, é claro!

Ao longo de O oráculo oculto, primeiro livro da série As provações de Apolo, Rick Riordan nos apresenta algumas das músicas favoritas do (ex) deus Apolo. Entre clássicos do rock, como Beatles e Led Zeppelin, passando por bandas mais recentes como Alabama Shakes, a divindade musical gosta um pouco de tudo, e sua playlist reflete isso muito bem.

No entanto, fomos além e, para completar a trilha, pedimos ajuda aos semideuses. Com as respostas nas redes sociais, montamos uma lista que fizesse jus ao deus Apolo e à sua jornada pelo mundo dos mortais como o adolescente Lester Papadopoulos.

Ouça a playlist abaixo, ou no Spotify.

testeLançamentos de maio

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Confira sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

 

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Destinos e Fúrias, de Lauren Groff — Aos 22 anos, Lotto e Mathilde são jovens, perdidamente apaixonados e destinados ao sucesso. Eles se conhecem nos últimos meses da faculdade e antes da formatura já estão casados. Seguem-se anos difíceis, mas românticos. Uma década depois, o caminho tornou-se mais sólido. Ele é um dramaturgo famoso e ela se dedica integralmente ao sucesso do marido. A vida dos dois é invejada como a verdadeira definição de parceria bem-sucedida.

Porém, nem tudo é o que parece, e em um casamento essa máxima se faz ainda mais verdadeira. Se em “Destinos” somos seduzidos pela imagem do casal perfeito, em “Fúrias” a tempestuosa raiva de Mathilde se revela fervendo sob a superfície. Em uma reviravolta complexa e emocional, o que começou como uma ode a uma união extraordinária se torna muito mais. [Leia +]

 

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Como eu era antes de você (capa filme), de Jojo Moyes — Depois de emocionar milhares de leitores no mundo todo, o irresistível romance de Jojo Moyes chega aos cinemas com roteiro adaptado pela própria autora e com Emilia Clarke (Game of Thrones) e Sam Claflin (Jogos Vorazes) nos papéis de Lou e Will.

Lou Clark, uma jovem cheia de vida e espontaneidade, perde o emprego e é obrigada a repensar toda sua vida. Will Traynor sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois. [Leia +] >> Ouça a trilha sonora de Como eu era antes de você

 

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A última carta de amor, de Jojo Moyes Londres, 1960. Ao acordar em um hospital após um acidente de carro, Jennifer Stirling não consegue se lembrar de nada. De volta a sua casa com o marido, descobre uma série de cartas de amor escondidas, endereçadas a ela e assinadas apenas por “B”, e percebe que não só estava vivendo um romance fora do casamento como também parecia disposta a arriscar tudo para ficar com o amante.

Quatro décadas depois, a jornalista Ellie Haworth encontra uma dessas cartas durante uma pesquisa nos arquivos do jornal em que trabalha. Envolvida com um homem casado, Ellie fica obcecada em reunir os protagonistas desse amor proibido.

Com personagens realisticamente complexos e uma trama bem-elaborada, A última carta de amor, primeiro livro de Jojo Moyes publicado pela Intrínseca, entrelaça as histórias de paixão, adultério e perda das personagens Ellie e Jennifer. [Leia +] >> Nossa editora Rebeca Bolite conta os bastidores da publicação do livro

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O oráculo oculto, de Rick Riordan — Como você pune um deus imortal? Transformando-o em humano, claro! Depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, Apolo é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York.

Fraco e desorientado, ele agora é Lester Papadopoulos, um adolescente mortal com cabelo encaracolado, espinhas e sem abdome tanquinho. Sem seus poderes, a divindade de quatro mil anos terá que descobrir como sobreviver no mundo moderno e o que fazer para cair novamente nas graças de Zeus. [Leia +]

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Porcelain, de Moby — Havia diversas razões para Moby jamais deslanchar como DJ e músico na cena club nova-iorquina. Aquela era a Nova York das boates Palladium, Mars, Limelight e Twilo, a cidade do hedonismo desenfreado regado a drogas, e lá estava Richard Melville Hall, descendente distante do autor de Moby Dick, um garoto branco, pobre e magrelo de Connecticut, cristão devoto, vegano e totalmente careta. Ele encontrou seu espaço e alcançou o sucesso, que logo se mostrou efêmero e cheio de complicações. No desfecho da década de 1990, frente a um fim iminente, acabou criando o álbum que viria a ser o início de uma nova fase espetacular: Play, que vendeu milhões de cópias no mundo todo. [Leia +] >> Moby apresenta sua autobiografia para os leitores

 

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Garoto21, de Matthew Quick Finley utiliza o basquete para aliviar suas preocupações, enquanto Russ não quer mais se aproximar de uma bola. Depois de sofrer um grande trauma, ele fica em estado de negação e passa a se considerar um alienígena de passagem pela Terra.

Com a missão de ajudar Russ a se recuperar, Finley tenta convencer o garoto a voltar a jogar, mesmo que isso signifique perder o próprio lugar na equipe. Uma emocionante história sobre esperança, amizade e redenção, com a prosa sensível e inteligente de Matthew Quick. [Leia +] >> Qual personagem de Matthew Quick você é? 

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Como mentir com estatística, de Darrel Huff — Publicado pela primeira vez em 1954, o livro de Darrell Huff foi saudado como pioneiro em conjugar linguagem simples e ilustrações para explicar de que maneira o mau uso da estatística pode maquiar dados e abalizar opiniões. Indispensável para quem se vê bombardeado diariamente, seja pela mídia ou pela timeline do Facebook, por infográficos e estatísticas que se pretendem verdades incontestáveis.

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Os afetos, de Rodrigo Hasbún — Com elementos biográficos, históricos e ficcionais e narrado por diferentes personagens, Os afetos compreende um período de cinquenta anos da vida dos integrantes da família Ertl. Na polifonia da qual participam não apenas pai, mãe, filhas, mas também amantes e maridos, Rodrigo Hasbún reconta, à margem do idealismo, a convulsão política que abalou a América Latina na década de 1960, explorando as dificuldades que surgem ao se tentar conciliar as consequências das próprias decisões, tanto políticas quanto sentimentais. [Leia +]

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Ted Talks — O guia oficial do TED para falar em público, de Chris AndersonPalestras perfeitas, inspiradoras e de grande alcance. Um orador que sobe no palco e acerta no alvo. Assim são as Conferências TED, e este é o guia definitivo do TED para que você também possa fazer palestras inesquecíveis.

Desde que assumiu o comando do TED em 2001, Chris Anderson tem mostrado o poder que as palestras curtas, francas e cuidadosamente elaboradas do programa têm de compartilhar conhecimento, despertar empatia, gerar empolgação e promover sonhos. Feita da maneira certa, uma apresentação é capaz de eletrizar um auditório e transformar a visão de mundo da plateia — seu impacto pode ser mais poderoso que o de qualquer informação escrita. [Leia +]

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Frank Einstein e o turbocérebro, de Jon Scieszka — No terceiro livro da série Frank Einstein, Frank (um gênio mirim, cientista e inventor), Klink (uma inteligência artificial automontada) e Klank (uma inteligência artificial praticamente automontada) constroem um artefato inédito: um mecanismo capaz de turbocarregar as ondas cerebrais, potencializando a velocidade, a força e até mesmo a memória de qualquer pessoa. Tudo isso porque uma grande amiga, Janegoodall, precisa de uma forcinha para entrar no time de beisebol da cidade. [Leia +]