testeMichael Lewis, a não ficção que une Wall Street a Hollywood

Por Rennan Setti*

Ao longo de três décadas e 13 obras marcantes, Michael Lewis conquistou status de autor incontornável na não ficção americana. Isso graças a um talento raro para encontrar personagens, dramas e suspenses dignos de filmes em assuntos que, pela complexidade invulgar, a maioria dos autores desprezaria como complicados demais para contar com graça. O exemplo mais recente é O projeto desfazer, que Lewis acaba de lançar no Brasil. A obra reconstitui com estilo ao mesmo tempo rigoroso e comovente a colaboração entre os psicólogos israelenses Amos Tversky e Danny Kahneman, cujas ideias ganharam fama com o sucesso mundial de Rápido e devagar: duas formas de pensar

Os livros de Lewis têm o fôlego de roteiros instantâneos, e Hollywood já sabe disso. O primeiro filme veio em 2009, baseado em The Blind Side. Um sonho possível conta a história de um garoto negro, saído de um lar destruído que, graças ao apoio de uma família desconhecida, ascendeu ao apogeu do futebol americano. O filme proporcionou a Sandra Bullock um Oscar e a Lewis, a reputação de pé-quente nas telas. 

Mas, a despeito da narrativa cativante, Um sonho possível não era um clássico Lewis. O homem que mudou o jogo, de 2011, era. Inspirado em Moneyball e estrelado por Brad Pitt e Jonah Hill, o filme tinha os ingredientes mais preciosos ao autor: um assunto curioso e complicado e protagonistas que vão de encontro ao consenso. Lewis mostra como o time Oakland A’s formou um time matador de beisebol abdicando do instinto, que sempre dominou o esporte, em favor de um método heterodoxo: análise de dados. O filme foi indicado a seis Oscars.           

 Em 2015 viria a terceira transposição para o cinema da obra de Lewis. A grande aposta (baseado em A jogada do século) é uma espécie de cautionary tale das finanças, um testemunho sobre os malefícios de uma sociedade construída em torno da ganância, que recupera a trajetória de quatro sujeitos que ousaram se posicionar contra a euforia que transpirava no mercado às vésperas da crise hipotecária que provocaria o colapso de 2008. 

Aqui, Lewis está em seu terreno predileto: Wall Street. Nos anos 1980, egresso da prestigiosa London School of Economics (LSE), Lewis foi trabalhar como trader de títulos no mítico banco de investimentos Salomon Brothers. Mais do que dinheiro, a experiência proporcionou a ele um ponto privilegiado de observação dentro de uma indústria que mexia com o imaginário popular àquela época, como prova o sucesso de Wall Street, do cineasta Oliver Stone, e Fogueira das vaidades, de Tom Wolfe, ídolo máximo de Lewis. A partir do dia a dia no Salomon Brothers, o autor publicaria em 1989 O jogo da mentira, referência para quem quer mergulhar naquela exótica cultura de risco, cobiça e fortuna.

 Lewis retornaria ao universo financeiro em diversas ocasiões. Além de A jogada do século, outros títulos de destaque nessa seara são Bumerangue, uma autópsia das bolhas que o dinheiro barato alimentou pelo mundo nos anos 2000, e Panic, que reconstitui recentes episódios de pânico financeiro. Sua obra imediatamente anterior a Projeto desfazer foi Flash Boys: revolta em Wall Street. O tema principal é a ascensão de técnicas que permitem realizar milhares de transações na Bolsa na velocidade do milissegundo, a chamada alta frequência (HFT, na sigla em inglês). Poucos autores seriam capazes de transformar o HFT em algo palpitante. Mas Lewis conseguiu encontrar nesse terreno árido uma historia de contornos heroicos, onde um outsider se insurge contra o establishment de Wall Street e denuncia as trapaças por trás do novo modelo. 

 

 Um dos segredos para a eficácia do que Lewis escreve é o respeito a duas regras fundamentais do jornalismo, profissão que ele adotaria após a experiência no Salomon Brothers: clareza e, acima de tudo, gente.   

 “Como explicar CDS e CDO (dois complexos instrumentos financeiros) para minha mãe? Ela sempre foi meu parâmero: se minha mãe não pode entender o que eu estou dizendo, não tenho porque dizê-lo”, escreveu o autor na Vanity Fair, onde colabora com frequência. “Mas nunca é suficiente explicar coisas complicadas para o leitor. Primeiro, o leitor precisa querer saber sobre aquilo. Meu trabalho (em A jogada do século) era fazer com que ele quisesse muito saber sobre CDS e CDO. Os personagens maravilhosos que previram o colapso do sistema financeiro se tornaram a solução para esses dois problemas.”

*Rennan Setti é jornalista

testeNem tudo é o que parece ser

Por Flávio Izhaki*

Que tal tentar iniciar a conversa com um caso? Uma amiga telefona e conta que o bebê que está para nascer foi diagnosticado com síndrome de Down. Na mesma semana, enquanto você espera o Uber, o porteiro do seu prédio lhe mostra a foto do filho sorrindo e você percebe que ele também tem Down. De repente, você pode pensar que está todo mundo tendo filho com Down, então você também terá. Porém, como é uma doença genética e você não tem nenhuma ligação de sangue com aquelas duas pessoas (sua amiga e o porteiro), a chance de seu filho ter essa condição segue a mesma hoje do que era na semana anterior.

Um caso simples como esse poderia ter sido o início da observação que levou Daniel Kahneman e Amos Tversky a estudarem como a mente humana, supostamente racional, chega a conclusões que nem sempre são racionais. Segundo os estudos de Kahneman e Tversky, as pessoas muitas vezes apoiam suas decisões em uma narrativa quando seria natural supor que fariam isso amparados em dados e porcentagens.

Michael Lewis tem um jeito peculiar de escolher as histórias que vai contar. O leitor brasileiro que gostou de Moneyball (sobre as imperfeições no mercado de jogadores de beisebol) e Flash Boys (a revolução da velocidade no mercado de capitais), ambos publicados pela Intrínseca, pode pegar O projeto desfazer na livraria e perguntar sobre o que afinal se trata esse novo livro de título enigmático.

A teoria que intitula o livro fala de como, ao tentar refazer as situações que levaram a um fato, a nossa mente se engana ao pensar que uma situação específica pode ser mais impactante que outras, mesmo quando não é, e de como isso pode ser manipulado por uma narrativa. O título do livro não remete apenas à teoria, mas como de um encontro fortuito entre dois brilhantes cientistas nasceram teorias de economia comportamental e psicologia que impactariam o mundo em áreas tão díspares como medicina, política, economia, esporte e militar.

Desta vez a história quase veio até Lewis. Um artigo publicado depois de Moneyball falava sobre a teoria desses dois psicólogos israelenses e de como ela explicava o livro (apesar de Lewis não conhecê-la). Por coincidência, Danny Kahneman mora há alguns quilômetros da casa de Lewis, enquanto o filho de Tversky foi seu aluno na Universidade da Califórnia.

O que sustenta o arcabouço de O projeto desfazer, assim como nos livros anteriores de Lewis, é a magistral capacidade de dar empatia aos personagens transpostos da vida real. A nova obra fala das teorias desenvolvidas pelos cientistas, mas o que dá sabor ao livro é a estranha amizade entre dois gênios tão diferentes, o background de Israel dos anos 1960 e 1970 que estimulava novas descobertas, de preferência com implicações práticas, ou, nas palavras de Lewis em entrevistas, um pré Vale do Silício.

Danny Kahneman é um filho do Holocausto, introvertido, inseguro, casmurro, enquanto Amos Tversky é extrovertido, o centro das atenções de qualquer festa, atlético, paraquedista do Exército israelense. Intelectualmente, Danny sempre tinha a certeza de estar errado. Amos, a de estar certo.

Com a habilidade narrativa de Michael Lewis, mesmo num livro cuja a temática não é simples, a impressão que temos ao ler O projeto desfazer é de uma grande conversa de décadas entre melhores amigos, um bromance com risadas, tensão, discórdia, avanços, alegrias e decepções. Mas não foram amigos quaisquer, e sim cientistas inovadores que, de certa forma, mudaram o mundo.

Kahneman, um psicólogo, terminou recebendo o Prêmio Nobel de Economia, o que Tversky certamente teria alcançado também se não tivesse morrido prematuramente em 1996. Mas aqui cometo um erro bem típico e que os dois se regozijariam ao apontar: uma previsão é apenas um julgamento que envolve incertezas.

*Flávio Izhaki é autor de três romances. O mais recente, Tentativas de capturar o ar (Rocco), foi lançado em 2016.

testeLançamentos de maio

Confira as sinopses dos lançamentos do mês: 

A profecia das sombras, de Rick Riordan Não bastava ter perdido os poderes divinos e ter sido enviado para a Terra na forma de um adolescente espinhento, rechonchudo e desajeitado. Não bastava ter sido humilhado e ter virado servo de uma semideusa maltrapilha e desbocada. Nããão. Para voltar ao Olimpo, Apolo terá que passar por algumas provações. A primeira já foi: livrar o oráculo do Bosque de Dodona das garras de Nero, um dos membros do triunvirato do mal que planeja destruir todos os oráculos existentes para controlar o futuro.

Em sua mais nova missão, o ex-deus do Sol, da música, da poesia e da paquera precisa localizar e libertar o próximo oráculo da lista: uma caverna assustadora que pode ajudar Apolo a recuperar sua divindade — isso se não matá-lo ou deixá-lo completamente louco.

Agora e para sempre, Lara Jean, de Jenny Han Em Para todos os garotos que já amei, as cartas mais secretas de Lara Jean — aquelas em que se declara às suas paixonites platônicas para conseguir superá-las — foram enviadas aos destinatários sem explicação, e, em P.S.: Ainda amo você, Lara Jean descobriu os altos e baixos de estar em um relacionamento que não é de faz de conta. Na aguardada conclusão da série, Agora e para sempre, Lara Jean, a jovem vai ter que tomar as decisões mais difíceis de sua vida.

Em nome dos pais, de Matheus Leitão — Resultado de suas incansáveis investigações, que começam pela busca do delator e seguem com a localização dos agentes que teriam participado das sessões de tortura de seus pais. Passado e presente se entrelaçam nessa obra, que reconstitui com rigor eventos do início dos anos 1970 e, ao mesmo tempo, apresenta a emocionante peregrinação do autor pelo Brasil atrás de respostas. Uma história sobre pais e filhos, sobre reconciliação e responsabilidade, sobre encontros impossíveis. É também uma história sobre um país que ainda reluta em acertar as contas com um passado obscuro. 

As coisas que perdemos no fogo, de Mariana Enriquez — Macabro, perturbador e emocionante, o livro reúne contos que usam o medo e o terror para explorar várias dimensões da vida contemporânea. Em um primeiro olhar, as doze narrativas do livro parecem surreais. No entanto, depois de poucas frases, mostram-se estranhamente familiares: é o cotidiano transformado em pesadelo. Uma das escritoras mais corajosas e surpreendentes do século XXI, Mariana Enriquez dá voz à geração nascida durante a ditadura militar na Argentina.

As garotas, de Emma Cline — Considerada pela Granta uma das melhores jovens autoras americanas da década, Emma Cline se inspirou no impacto causado pelos assassinatos cometidos pelo culto de Charles Manson, no fim da década de 1960, para escrever As garotas. O livro narra o processo de crescimento pessoal de um grupo de jovens — um retrato atemporal das turbulências, das vulnerabilidades e da força das mulheres em sua passagem à maturidade.

O caminho da porcelana, de Edmund de Waal — Do autor de A lebre com olhos de âmbar, uma jornada para entender a obsessão humana pela arte, pela riqueza, pelo talento e pelo poder. Através de um material tão precioso e inesperado quanto a porcelana, Edmund de Waal desenha um mapa do melhor e do pior da humanidade em diferentes séculos e continentes. Uma investigação que perpassa acontecimentos sombrios – como a produção de porcelana para os nazistas em um campo de concentração – e gloriosas – como a alquimia desastrada que reinventou a porcelana e deu origem à primeira fábrica do Ocidente.

O projeto desfazer, de Michael Lewis Em O projeto desfazer, o renomado autor de Moneyball e Flash boys conta a história da colaboração entre dois homens absolutamente diferentes, percorrendo a gênese da teoria que mais tarde, publicada em livro, se tornaria o best-seller Rápido e devagar: Duas formas de pensar. Daniel Kahneman e Amos Tversky escreveram uma série de estudos originais desfazendo todas as suposições da época sobre o processo humano de tomada de decisão. Os ensaios e artigos escritos por eles mostraram como nossa mente sistematicamente se engana quando obrigada a fazer escolhas em situações de incerteza.

Razões para continuar vivo, de Matt Haig  O mundo de Matt ruiu quando ele tinha pouco mais de 20 anos. Ele não conseguia achar uma maneira de continuar vivo. Essa é a história real de como Matt passou pela crise, triunfou sobre a doença que quase o destruiu e aprendeu a viver novamente. Uma análise comovente e delicada sobre como viver melhor, amar melhor e se sentir mais vivo, Razões para continuar vivo é mais do que um livro de memórias. É um livro sobre como aproveitar seu tempo no planeta Terra.

Deixei você ir, de Clare Mackintosh Partindo de vários pontos de vista, Clare Mackintosh faz em Deixei você ir um retrato preciso de uma grande investigação policial. Com habilidade singular, ela desenvolve personagens memoráveis e uma análise arrebatadora das excentricidades da vida no interior. Mas seu verdadeiro talento é a maneira como incorpora reviravoltas em uma trama cheia de mistérios. Mesclando suspense e thriller psicológico, Clare disseca a mente de seus personagens enquanto tece entre eles inesperadas conexões.

teste12 filmes inspirados em livros que estão disponíveis na Netflix

 

É normal ouvir por aí que às vezes passamos mais tempo navegando pelo catálogo da Netflix do que assistindo aos filmes. Para ajudar nessa tarefa, selecionamos atrações que foram baseadas em obras publicadas pela Intrínseca. Temos sugestões para todos os gostos!

Confira:

O lado bom da vida — Publicado em 2013, o livro de Matthew Quick virou uma superprodução com Jennifer Lawrence e Bradley Cooper.

A obra conta a história de Pat Peoples que, depois de uma temporada em um hospital psiquiátrico, passa a seguir uma nova filosofia de vida que inclui entrar em forma, ser gentil e, principalmente, fazer de tudo para se reconciliar com a ex-mulher.  O longa teve oito indicações ao Oscar.

 

Um dia — O best-seller de David Nicholls emocionou milhares de pessoas ao contar a história de Dexter Mayhew e Emma Morley. Os dois se conhecem em 1988 e sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro, e 15 de julho, data do primeiro encontro, os acompanhará pelos próximos vinte anos.

Um dia foi adaptado para os cinemas em 2011 com Anne Hathaway e Jim Sturgess no elenco.

 

Série Crepúsculo — A série escrita por Stephenie Meyer virou um fenômeno no mundo todo e deu origem a cinco filmes. Com Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner e Billy Burke no elenco, os longas acompanham a história da adolescente Isabella Swan, que se muda para Forks e vivencia um mundo totalmente novo ao se apaixonar pelo vampiro Edward Cullen.

 

Ele está de volta — Já pensaram como seria se Hitler aparecesse em um terreno baldio sem saber o que aconteceu após 1945? No sarcástico livro do escritor alemão Timur Vermes, Adolf Hitler acorda em Berlim com uma forte dor de cabeça, 66 anos depois do fim da Segunda Guerra e na Alemanha de Angela Merkel. As pessoas acreditam que ele não passa de um ator, um imitador brilhante que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: ele se torna um campeão de audiência no YouTube e todos querem ouvir seu discurso.

O livro deu origem ao filme dirigido por David Wnendt.

 

Percy Jackson e o Ladrão de raios — A adaptação do primeiro livro da série mais famosa de Rick Riordan não poderia ficar de fora do catálogo!

Percy Jackson é um garoto problemático: aos 12 anos, já foi expulso de seis escolas diferentes. Mas esse é o menor de seus problemas: ao descobrir que é um semideus — filho de um deus do Olimpo com uma mortal —, ele também percebe que criaturas mitológicas, por algum motivo, estão bastante irritadas com ele.

O filme foi lançado em 2010 pela Fox Film do Brasil.

 

A rede social Os detalhes sobre os bastidores do Facebook foram revelados com a publicação de Bilionários por acaso: a criação do Facebook, uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição em 2010.

A obra que deu origem ao filme A rede social conta como dois estudantes desajustados de Harvard conseguiram criar a maior rede social do mundo enquanto tentavam apenas aumentar suas chances com o sexo oposto.

O longa recebeu oito indicações ao Oscar e ganhou a estatueta nas categorias de melhor roteiro adaptado, melhor edição e melhor trilha sonora.

 

HospedeiraAlém da série Crepúsculo, Stephenie Meyer também escreveu A hospedeira. O livro foi adaptado para o cinema com Saoirse Ronan, Max Irons, Jake Abel e Diane Kruger no elenco.

Na história, estreia de Meyer na ficção científica, a Terra foi ocupada por alienígenas que parasitam os humanos, tomando o lugar de suas almas. Melanie é uma hospedeira que resiste, bombardeando a alma coabitante com memórias e desejos, recusando-se a esquecer seu passado, inclusive Jared, que se torna a paixão das duas habitantes do mesmo corpo.

 

Precisamos falar sobre o Kevin — O perturbador livro de Lionel Shriver deu origem a uma das adaptações mais comentadas de 2012. Na tentativa de compreender o motivo do assassinato em massa cometido pelo filho adolescente na escola, a mãe escreve cartas ao pai de Kevin e rememora cada minúcia da vida conjugal. Em um antielogio à maternidade ela explicita os instintos sombrios, diariamente menosprezados, por trás dos sagrados laços de família.

A adaptação teve indicações ao Globo de Ouro em 2012 e ganhou diversos prêmios na Europa.

 

O mestre dos gênios Incluído recentemente no catálogo da Netflix, o filme foi inspirado na biografia Max Perkins: um editor de gênios. Max Perkins foi um dos maiores editores do século XX e fez história ao revelar talentos como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e Thomas Wolfe.

O longa tem Colin Firth, Jude Law e Nicole Kidman no elenco.

 

O homem que mudou o jogo — Estrelado por Brad Pitt, a adaptação de Moneyball: o homem que mudou o jogo, de Michael Lewis, conta a história real de Billy Beane. Gerente geral do time de basebol do Oakland Athletics, Beane mudou a forma de se pensar a gestão dos times de beisebol ao usar um alto conhecimento em matemática para determinar o modo de contratar e selecionar atletas.

 

Intocáveis — A produção francesa mais assistida de todos os tempos foi inspirada no livro O segundo suspiro, que relata a amizade improvável entre Phillippe Pozzo di Borgo, um aristocrata francês que ficou tetraplégico após um acidente de parapente, e seu acompanhante,  Abdel Sellou, ex-presidiário argelino.

 

Como treinar o seu dragão — A série de Cressida Cowell serviu de inspiração para animação produzida pela Dream Work Studios, que mostra o cotidiano de uma tribo de vikings às voltas com dragões de todo o tipo. 

testeCorridas, rebatidas e eliminações: Entenda tudo sobre beisebol

Em Moneyball: O homem que mudou o jogo, Michael Lewis narra a trajetória de Billy Beane, gerente geral que mudou a história do esporte ao empregar um alto conhecimento em matemática para determinar o modo de jogar e selecionar os atletas a serem contratados pela equipe. Para facilitar a leitura, preparamos um glossário sobre beisebol.

Por André Sequeira*

Baseball-Esporte-Americano

Imagine um esporte em que nove jogadores defendem o ataque realizado por apenas um atleta. E esse atacante dispõe de três tentativas para acertar a bola e pontuar. Além disso, assim como o tênis, a partida não tem hora para acabar. Parece loucura? Não é, não. Esse é o beisebol, esporte tradicional em diversos países, principalmente nos Estados Unidos.

Para nós, brasileiros, trata-se de uma modalidade ainda pouco conhecida, apesar das últimas pesquisas apontarem para um crescimento vertiginoso da audiência televisiva — segundo dados da ESPN, responsável pela difusão das partidas da liga profissional americana (Major League Baseball, MLB) no Brasil. Além disso, o que mais se ouve é que o esporte é muito complicado, quase impossível de ser compreendido. Pode acreditar, é mais fácil do que parece.

 

Estrutura da partida

Cada equipe é formada por nove atletas. Durante o jogo, os dois times se revezam entre as posições de ataque e de defesa. A troca é realizada quando a equipe que está no ataque tem três dos seus jogadores “eliminados” pela defesa adversária (as regras para as “eliminações” serão explicadas mais adiante).

Essa alternância das equipes no ataque e na defesa, com cada uma tendo a oportunidade de atacar e defender uma vez, marca o início e o fim de uma nova entrada (ou inning). Em geral, cada time realiza nove entradas (ou seja, nove trocas do ataque para a defesa e vice-versa) por partida. Mas, em caso de empate, entradas extras se sucedem até que um dos times faça a pontuação necessária para vencer — em um processo semelhante à famosa morte súbita no futebol.

Por isso jogos de beisebol não têm hora certa para acabar. Uma partida pode durar desde oitenta minutos até várias horas. O recorde foi registrado na partida entre Pawtucket Red Sox e Rochester Red Wings, em 1981, nos Estados Unidos, que durou oito horas e 25 minutos. Mas a média dos jogos profissionais da MLB é de aproximadamente três horas de duração.

 

O sistema de pontuação

O objetivo do time que está atacando é rebater a bola arremessada pelo pitcher, ou arremessador, para dentro do campo e torcer para que os defensores não consigam apanhá-la. Cada rebatedor — ou atacante — precisa correr pelas quatro bases do campo, dispostas no formato de um losango. Um jogador que está no ataque pode parar em uma das bases livres e lá permanecer em contato com ela, imune a qualquer ação do time adversário — para, depois, tentar avançar para as bases seguintes com a ajuda da rebatida do companheiro que vem em seguida ou tentar “roubá-las” (avançar por conta própria), aproveitando-se de alguma distração da equipe na defesa. Quando ele completa a volta nesse losango, passando por todas as quatro bases, uma corrida é anotada — o que equivale a um ponto para a sua equipe. No fim, ganha quem tiver mais pontos (ou corridas) anotadas.

Já o time que está na defesa precisa evitar que corridas sejam anotadas “eliminando” rapidamente três atacantes adversários. Para isso, os defensores têm, resumidamente, quatro opções:

1) Torcer para que o pitcher arremesse três bolas dentro da zona de strike (será explicado mais adiante) sem que o rebatedor a acerte.

2) Ou que um dos defensores apanhe a bola rebatida antes de ela tocar o solo.

3) Ou, com a bola em mãos, que o defensor toque o atacante afastado da base.

4) Ou, de posse da bola, que o defensor pise ou toque em uma base para onde o atacante obrigatoriamente tem que se dirigir em uma determinada jogada, deixando-o sem ter para onde ir e com isso eliminando-o. Ex: Todo rebatedor necessariamente precisa se dirigir para a primeira base após a rebatida. Nesse caso basta pisar ou tocar a primeira base com a bola para que o rebatedor seja eliminado.

 

O campo

O campo é composto por um quarto de círculo, forma que remete a um diamante. O raio desse diamante costuma ter no mínimo 98 metros para ser considerado oficial, mas em alguns estádios se compensa um campo mais curto erguendo-se muros mais altos no fundo que também contam como “área de jogo válida” do campo.

Ele é formado por quatro “quinas”, chamadas de bases. A distância entre elas é de 27,4 metros. A área do arremessador, intitulada montinho, possui um raio de 2,74 metros. E a placa onde o pitcher obrigatoriamente tem que se posicionar para fazer seus arremessos fica a 18,4 metros da home plate (quarta base), onde o rebatedor se encontra.

A área formada pelas linhas de foul e as bases é chamada de campo interno (infield); já a área fora do losango das bases é denominada campo externo (outfield).

imagem_post_moneyball

 

Posições dos jogadores

  1. Arremessador (pitcher): responsável pelos arremessos aos rebatedores adversários. Essa é a posição mais tensa e importante de um jogo de beisebol. Dizem os especialistas que mais de 60% da partida é definida pelos arremessos do pitcher. Imagine que durante alguns longos segundos, milhões de pessoas no estádio e assistindo pela televisão esperam pelo lançamento perfeito da bola. E ele precisa ser feito a mais de dezoito metros de distância com variação de posição, velocidade e efeitos que mudam a trajetória da bola no intuito de ludibriar e impedir a rebatida perfeita dos atacantes adversários. E imagine também que esse ato de arremessar a bola precisa ser feito dezenas de vezes a cada entrada, podendo chegar a mais de cem arremessos num mesmo jogo. Ser pitcher definitivamente não é tarefa para qualquer um. Talvez por isso seja a posição mais valorizada no beisebol.

Cinco arremessadores que entraram para a história do beisebol das Grandes Ligas:

  1. Greg Maddux
  2. Pedro Martinez
  3. Randy Johnson
  4. Sandy Koufax
  5. Bob Gibson

montagem2

  1. Receptor (catcher): atleta que se posiciona atrás do rebatedor para receber as bolas arremessadas pelo pitcher. Também é ele quem orienta os tipos de arremessos, o posicionamento e até as jogadas defensivas a serem executadas pelos companheiros, transmitindo-os por meio de gestos e sinais para o arremessador e os demais defensores em campo. Responsável pela defesa da quarta base, onde se marcam os pontos ou “corridas” do jogo.
  2. Primeira base (1B; first baseman): responsável por defender o lado direito do campo interno e cuidar da primeira base. Como é a base que os batedores obrigatoriamente têm que pisar primeiro, costuma ser também a posição que mais recebe bolas dos companheiros da defesa (depois do catcher, claro).
  3. Segunda base (2B; second baseman): jogador que defende a parte centro-direita do campo interno e cuida da segunda base em parceria com o interbases, dando cobertura para o primeira base e também executando jogadas de ligação com os defensores do campo externo.
  4. Interbases (SS; shortstop): quem defende a parte centro-esquerda do campo interno e cuida da segunda base, dando apoio também ao terceira base e executando jogadas de ligação com os defensores do campo externo. Posição muito importante, em geral ocupada pelo melhor jogador defensivo do campo interno.
  5. Terceira base (3B; third baseman): responsável por defender o lado esquerdo do campo interno e cuidar da terceira base. Como é a posição mais distante da primeira base no campo interno, precisa ter um bom braço para executar lançamentos com força e precisão mesmo a distância. É também a posição que mais recebe bolas fortes e rasteiras dos batedores destros, sendo por isso também conhecida como hot corner (canto quente) do campo.
  6. Defensor externo direito (RF; right fielder): atleta que cobre o lado direito do campo externo. Outra posição onde em geral se colocam jogadores capazes de executar lançamentos de longa distância com força e precisão, tentando evitar com isso o avanço dos corredores para a terceira ou quarta bases.
  1. Defensor externo central (CF; center field): aquele que cobre a área central do campo externo. Como também dá apoio aos dois lados do campo externo, necessariamente precisa ser um jogador que corre bem. Costuma-se colocar o melhor jogador defensivo do campo externo nessa posição.
  2. Defensor externo esquerdo (LF; left fielder): aquele que cobre o lado esquerdo do campo externo.
  1. Rebatedor: responsável por acertar as bolas arremessadas e pontuar nas partidas. No beisebol, os jogadores que estão na defesa em uma entrada atuam no ataque na entrada seguinte. Assim, o rebatedor, quando está na defesa, também atua em uma das posições defensivas listadas anteriormente. Em algumas ligas existe também a posição do batedor designado (DH ou designated hitter), em que um jogador especialista é designado para rebater no lugar do pitcher de sua equipe, permitindo que este seja preservado e se concentre somente nos arremessos. Os grandes rebatedores são verdadeiros ídolos, pois são capazes de mudar o rumo de uma partida com uma só tacada.Uma pausa para citar cinco grandes rebatedores da história das Grandes Ligas:
  1. Willie Mays
  2. Joe DiMaggio
  3. Mickey Mantle
  4. Hank Aaron
  5. Babe Ruth: considerado o maior e mais famoso jogador de todos os tempos. Nos Estados Unidos ele é igual ou maior do que o Pelé no Brasil.montagem1

 

Dinâmica da partida

  1. Arremessos

Tudo começa com um arremesso. O objetivo é acertar a zona de strike — área imaginária correspondente ao espaço entre o cotovelo (o meio entre a linha dos ombros e da cintura) e os joelhos do rebatedor, passando por cima da home plate, a base em formato de pentágono que delimita a largura e a profundidade da zona de strike.  Quem confirma se o arremesso foi válido é o juiz principal, posicionado atrás do receptor. Após o lançamento da bola, três situações podem ocorrer:

imagem_post_amazon

  1. Strike (bola dentro da zona):a) A bola vai direto para a zona de strike.

b) O rebatedor tenta, mas não consegue acertar a bola.

c) Ou o rebatedor acerta a bola, mas ela ultrapassa a linha de foul (que marca os limites laterais do campo válido para uma rebatida), caracterizando uma foul ball (bola fora de jogo). Toda vez que se rebate uma foul ball, um strike é creditado contra o rebatedor e a favor do pitcher, exceto o terceiro e último, que necessariamente precisa parar direto nas mãos do receptor para ser considerado um strike perfeito e declarar a eliminação do rebatedor (strikeout). Se o rebatedor desviar a trajetória da bola e ela cair na foul zone ele permanecerá vivo, mesmo após o segundo strike, e a bola estará morta, tendo que se repetir a jogada.

2. Ball (bola fora da zona):

Se a bola não cruzar a zona de strike e o rebatedor não tentar acertá-la, o juiz considera o arremesso ruim e a favor do atacante.

Obs: O rebatedor também pode avançar para a primeira base sem ter rebatido uma bola sequer. Para isso, são necessárias quatro bolas fora da zona. Isso significa uma base por bolas (walk). Se já houver um jogador na primeira base, este vai para a segunda e assim por diante. Em outras palavras, um arremessador com controle ruim ou simplesmente num “mal dia” pode ser bastante prejudicial para sua equipe. Por isso o arremessador é também a posição mais suscetível a substituições durante o jogo, sendo em geral sacado de campo assim que o treinador verifica que já está cansado ou que por algum motivo técnico ou até físico ele não está mais acertando os arremessos na zona de strike como deveria.

3. Bola em jogo:

O rebatedor acerta a bola e a coloca dentro do território de jogo válido delimitado pelas linhas de foul (território fair)! Enquanto a defesa do time adversário tenta pegá-la, o rebatedor deve correr até uma base (seguindo a ordem: primeira base, segunda base, terceira base e home plate), onde se ele chegar antes da bola retornar ficará a SALVO e imune a qualquer ação da defesa, pelo menos enquanto permanecer em contato com a base, ou até que a jogada de outro companheiro de ataque o force a abandoná-la para avançar para a seguinte.

b) Rebatidas

Há quatro tipos de rebatidas:

  1. Simples: o rebatedor chega à primeira base e permanece ali.
  2. Dupla: com uma única tacada o rebatedor consegue chegar à segunda base.
  3. Tripla: o rebatedor consegue correr até a terceira base.
  4. Home run: é a jogada mais conhecida e celebrada. Ocorre quando a bola vai parar nas arquibancadas ou fora do estádio e o rebatedor consegue percorrer todas as bases sem o risco de ser eliminado. Como todos os corredores que estão em base no momento da rebatida acabam por pontuar também, é uma jogada que pode dar até quatro corridas para o time que estiver atacando. E alguns home runs podem chegar a mais de 140 metros de distância! Por esse motivo, os torcedores nos estádios costumam aplaudir de pé essa jogada.

Andamento da partida

Após rebater e chegar à primeira base, o jogador permanece nela até que um companheiro rebata outra bola ou consiga uma base por bolas. Quando isso acontece, o atleta que está na primeira base vai para a segunda base, e o que está na segunda vai para a terceira e assim por diante, com um jogador impulsionando o outro. Obs: Pela regra, dois atacantes do mesmo time não podem ocupar a mesma base.

Além das rebatidas o jogador do time atacante que já está em uma base também pode tentar avançar “roubando” bases. Para isso, ele precisa aproveitar momentos de distração da defesa ou tentar chegar à base seguinte enquanto o pitcher executa o movimento de arremesso para o rebatedor.

Tem como evitar o roubo de base? Sim, claro. Basta que o receptor pegue a bola arremessada pelo pitcher e a jogue para o jogador da defesa responsável pela base cobiçada.

Este precisa recebê-la antes da chegada do jogador adversário e fazer o tag out, ou seja, tocar o corredor com a bola antes que ele chegue na base. Se isso acontecer, o corredor será eliminado!

Eliminações

Um jogo de beisebol regular de nove entradas acaba quando 27 jogadores de um dos times são eliminados.
Mas como um jogador pode ser eliminado? Vamos às quatro possibilidades:

  1. Strikeout: ocorre quando o arremessador consegue três strikes contra o rebatedor.
  2. Force out (eliminação forçada): quando um jogador se vê em uma situação em que é forçado a avançar, só tem uma base para onde correr e a defesa, de posse da bola, pisa ou toca essa base com a bola, “ocupando-a” antes do corredor e deixando-o sem ter para onde ir — o que o elimina automaticamente.

3. Tag out: ocorre quando um defensor encosta a bola no atacante durante uma corrida de uma base para outra ou simplesmente quando o corredor perde o contato com a base durante uma jogada. Sem o contato com a base o corredor fica vulnerável e pode ser eliminado com um simples toque com a bola.

4. Fly out: acontece quando um jogador da defesa apanha a bola rebatida pelo atacante no ar antes de ela tocar o chão. O rebatedor é automaticamente eliminado e todos os corredores que se encontram afastados de suas bases são obrigados a retornar às bases de onde saíram no momento da rebatida para retocá-las (retouch) — só então eles podem tentar avançar para a base seguinte.

 

Encerramento do jogo

Vence a partida quem obtiver o maior número de corridas após, no mínimo, nove entradas ou 27 eliminações. (Tenho certeza de que há alguns minutos essa frase soaria como algo dito por um louco, né?)

Num primeiro momento, o beisebol parece uma atividade monótona e repleta de regras que a tornam chata. Puro engano. Trata-se de um esporte de estratégia genuína e simples. Com o passar do tempo, termos como eliminação, campo interno, arremessador ou ground out, entre outros, podem tornar-se, facilmente, expressões comuns do seu cotidiano.

O importante é ver o beisebol não como um simples esporte, mas como um estilo de vida: é um jogo em que você senta e assiste com o coração na mão por horas a fio. Isso porque em um segundo absolutamente tudo pode mudar. No fim, há uma certeza: depois de uma, duas, três partidas você estará mais do que apaixonado por esse esporte.

 

Curiosidades

Os play-offs do beisebol nos Estados Unidos são chamados de Post Season. Neles são jogadas as Division Series, as League Series e a World Series (Série “Mundial”), a série de jogos em que se encontram os vencedores das duas ligas da MLB (a Americana  e a Nacional) em uma melhor de sete  jogos — como acontece nos play-offs da NBA (basquete) e da NHL (hóquei).

As partidas são realizadas sempre nos meses de outubro a novembro. E o maior vencedor das Grandes Ligas é o New York Yankees, o time mais popular do país, com 27 títulos.

Para terminar: escolha um time. Assim, sua paixão estará completa. Confira aqui as equipes mais populares dos Estados Unidos.

 

No Brasil, as partidas são transmitidas pela ESPN (sempre aos domingos, terças, quartas e sextas à noite) e pela Fox Sports (às sextas e sábados).

Filmografia básica sobre beisebol:

  1. O homem que mudou o jogo (2012)
  2. 42 (2013)
  3. Amor em jogo (2005)
  4. Campo dos sonhos (1989)
  5. Por amor (1999)
  6. Curvas da vida (2012)
  7. Um time muito louco (1994)
  8. Uma equipe muito especial (1992)
  9. Desafio do destino (1990)
  10. Garra de campeões (1989)
  11. Um homem fora de série (1984)

 

Conheça Moneyball: o homem que mudou o jogo

André Sequeira, 34 anos, é jornalista há treze anos e amante de todos os esportes.

testeSugestões para pais de diversos estilos

DiaDosPais_Intrinseca

Com a chegada do Dia dos Pais, preparamos uma lista com sugestões de presentes para pais de diversos estilos. Confira as opções:

Pai ligado em guerras:

Toda luz que não podemos verMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Anthony Doerr constrói um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.

Brasil: Os frutos da guerra — O historiador Neill Lochery revela a história do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial, mostrando como a habilidade política e o oportunismo econômico de Getúlio Vargas e sua equipe transformaram o país numa potência regional graças ao conflito.

Pais tecnológicos:

O clique de 1 bilhão de dólares — O jornalista Filipe Vilicic conta a história do Instagram e de Mike Krieger, o brasileiro fundador de um dos aplicativos mais bem-sucedidos do mundo.

Como a música ficou grátisO jornalista Stephen Witt investiga a fundo a história secreta da pirataria de músicas na internet, partindo dos engenheiros alemães criadores do mp3, passando por uma fábrica de CDs na Carolina do Norte da qual um funcionário vazou cerca de dois mil álbuns e revelando o submundo dos piratas das mídias que revolucionaram o universo digital.

Pais empreendedores:

Como o Google funciona Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg reúnem as valiosas lições que transformaram a start-up em uma das maiores empresas do mundo. A partir da história e de curiosidades do dia a dia do Google, eles mostram o caminho para que gestores e empreendedores abracem o espírito de inovação e atrair e manter talentos em suas equipes.

Pais bem-humorados:

Ele está de volta — As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.

Pais que gostam de escândalo:

Nêmesis — O aclamado escritor e jornalista investigativo Peter Evans revela detalhes surpreendentes sobre um dos triângulos amorosos mais polêmicos da história: Jackie O, Aristóteles Onassis e Bobby Kennedy. Após vários anos de pesquisas e entrevistas com espiões e terroristas, parentes, amigos e amantes dos Kennedy e de Onassis (além de muitos encontros com o próprio Ari), Evans descortinou a rede de subornos, encontros sexuais, mentiras e traições que teriam culminado na morte de Bobby.

Pais que curtem um mistério:

Galveston — Romance de estreia de Nic Pizzolatto, criador da série True Detective, o livro é um romance violento e ágil, com o máximo da atmosfera noir.

Lugares escuros — Da mesma autora de Garota exemplar e Objetos cortantes, o livro conta a história de Libby Day, uma mulher que testemunhou o brutal assassinato da mãe e das duas irmãs aos sete anos de idade.

Pais descolados:

O árabe do futuro — Filho de mãe francesa e de pai sírio, o quadrinista Riad Sattouf conta o choque cultural que viveu quando foi, ainda bem criança, para a Síria e a Líbia, e fala também do retorno da família à França. Depois de viver em lugares tão diferentes, Riad se tornou um completo estrangeiro, com uma visão crítica, afiada e muito bem-humorada sobre o mundo.

Pais saudáveis:

Sal, açúcar, gordura — Neste livro-reportagem, o jornalista vencedor do Pulitzer Michael Moss mostra como os alimentos nas prateleiras dos supermercados são cuidadosamente projetados pela indústria alimentícia para nos viciar, fazendo uso de estratégias que levam ao aumento alarmante de casos de obesidade, hipertensão e diabetes. A obra cita algumas das empresas e marcas mais conhecidas do planeta, incluindo Coca-Cola, Kellogg, Nestlé e Oreo.

Pais intelectuais:

História do futuro — A jornalista Míriam Leitão apresenta o resultado de quatro anos de pesquisas, entrevistas, viagens, análises de dados e depoimentos de especialistas sobre as tendências do futuro do país.

Notícias: Manual do usuário — O aclamado escritor e filósofo Alain de Botton elabora um Manual definitivo da nossa era viciada em informação oferecendo um parâmetro de sanidade para as nossas interações diárias (e às vezes ininterruptas) com a máquina de notícias.

Pais que gostam de esportes:

Moneyball — O livro atrai tanto os interessados em esportes quanto em negócios. Com uma narrativa repleta de personagens fascinantes e questionamentos inteligentes, Michael Lewis mostra a luta de um administrador para levar seu empreendimento à máxima performance pelo menor custo e impor racionalidade num universo dominado por favorecimentos, desperdício e vícios. É a história de superação de um time medíocre de beisebol e a biografia de um homem que se destacou num dos negócios mais ferozes e competitivos dos Estados Unidos.

testeO preço da vitória

Por Bernardo Barbosa*

Michael Lewis

Michael Lewis

Havia o beisebol, e havia o Moneyball. Pelo menos essa foi a impressão de quem acompanhava o esporte em 2002, quando um time modesto usou as estatísticas do jogo para montar uma equipe com jeitão de Frankenstein, mas que conseguiu uma das maiores sequências de vitórias da história da MLB (a liga profissional americana). O legado desse feito ultrapassou a fronteira do esporte, virou filme indicado ao Oscar e protagonizado por Brad Pitt, e tem no livro Moneyball: O homem que mudou o jogo, de Michael Lewis, seu mais rico relato.

Em resumo, o drama do gerente-geral do Oakland Athletics, Billy Beane, era o seguinte: o clube seguia rumo à temporada de 2002 com o terceiro menor orçamento dos 30 times da MLB, na casa dos US$ 40 milhões. O New York Yankees, com mais de US$ 120 milhões à disposição, era a equipe mais rica daquele ano. Ao fim dos 162 jogos da primeira parte da temporada, Athletics e Yankees foram as melhores franquias, ambas com 103 vitórias, sendo que os atletas de Oakland tinham conseguido uma sequência de 20 triunfos. Na fase de mata-mata, o Athletics perdeu logo na primeira rodada — um prato cheio para a parte da velha guarda do esporte e da imprensa especializada que na época abominava os métodos de Beane. Mas ficara claro que ali havia algo eficiente, que barateava o preço da vitória. O truque? Explorar as ineficiências do mercado e saber quais números realmente importavam.

“OK, mas isso eu vi no filme”, você pode estar pensando agora. O que você não viu no filme e está no livro de Michael Lewis é o detalhamento das trajetórias de Beane, uma ex-promessa do beisebol que enxergou as deficiências de um esporte cujos olheiros selecionavam atletas com uma “cara boa”, e de Bill James, que empunhava quase solitariamente a bandeira de que os números do beisebol deveriam ser estudados mais a fundo isso numa época em que Nate Silver, o atual grande guru da estatística, ainda usava fraldas. Mais ainda, o texto de Lewis conta uma história que torna Moneyball um livro sedutor mesmo para quem não faz ideia do que seja beisebol: um gestor, pressionado pela falta de dinheiro, desafia o senso comum de seus pares, busca especialistas de outras áreas, resgata as ideias de estudiosos discriminados pelo status quo de seu mercado e alcança uma grande façanha. Não por acaso, o conceito de Beane vem desde então sendo aplicado, ou ao menos defendido, também fora do beisebol.

link-externoLeia um trecho de Moneyball: O homem que mudou o jogo, de Michael Lewis

Em Hollywood, o produtor Ryan Kavanaugh se tornou um dos bilionários mais jovens do mundo ao escolher a dedo projetos de filmes de baixo custo com alto retorno financeiro, inspirado nos ensinamentos de Beane. Esses conceitos poderiam ser empregados no mercado de ações? Aplicados em empresas ou no governo, como sugerem livros lançados no rastro do fenômeno? Ou até mesmo utilizados no futebol, talvez o mais rebelde e imprevisível dos esportes de massa? Para todas essas perguntas, há quem responda sim. Mesmo no Brasil, onde imperam as mesas-redondas — as das TVs e as dos bares — frente ao debate sobre as estatísticas do futebol, já há alguns anos os clubes, a seleção brasileira e os veículos de mídia obtêm números por meio de empresas especializadas, como a brasileira Footstats e a inglesa Opta. E Billy Beane, um autodeclarado fanático pelo maior esporte da Terra, está trabalhando atualmente com futebol no clube holandês AZ Alkmaar.

Moneyball - capa 1.inddO livro de Lewis, no entanto, é um retrato de seu tempo — e é com isso em mente que ele deve ser lido. Dez anos depois da façanha do time de Oakland, Nate Silver mostra em O sinal e o ruído que o Athletics e outras franquias da MLB aumentaram seu orçamento para o uso de olheiros, cujo trabalho à época do lançamento de Moneyball acabou sendo tratado como sinônimo de achismo. Por outro lado, noticiou a The Economist, um time da MLB que não quis se revelar comprou um supercomputador para análise de estatísticas. O brinquedo vale US$ 500 mil, montante próximo ao salário mínimo anual de um jogador da elite do esporte, notou a Newsweek. Se estivéssemos falando de futebol, o supercomputador seria um 12º jogador (ou 13º, já que a torcida é tida como o 12º). Tudo isso indica que a mistura entre a experiência dos que vivenciam uma atividade na linha de frente e o conhecimento nerd nos bastidores pode ser a chave para se formar times — ou empresas, governos, produtoras de filmes… — mais vitoriosos e rentáveis.

Mesmo nos Estados Unidos, os méritos e o hype do Moneyball não foram suficientes para tornar o aproveitamento das estatísticas uma unanimidade. O beisebol e o basquete abraçaram os modelos matemáticos com gosto, e as ligas profissionais inclusive subsidiam tal estrutura para equipes menos abastadas. Já a aparente resistência do futebol americano — e das TVs que o transmitem — em adotar esse tipo de análise é assunto recorrente em sites especializados. “Ouve-se falar muito mais sobre estatísticas avançadas no beisebol porque é assim que muitos dos times da MLB, senão a maioria, avaliam seus jogadores. Se os times da NFL (a liga profissional de futebol americano) começarem a usar as estatísticas como os da MLB, não teremos opção a não ser segui-los”, disse John Entz, produtor da Fox Sports nos Estados Unidos, à Sports Illustrated em novembro passado.

A tentação de aplicar a ideia do Moneyball a tudo e a todos parece grande. Ainda hoje, o termo quase sempre surge como sinônimo de eficiência, inovação, precisão; da vitória dos fatos e do estudo sobre a opinião; de ver o que outros não veem e pagar menos por isso. Seja como for, a experiência do beisebol ensina que aplicar o Moneyball a um outro esporte ou mercado pode não ser a solução definitiva para se gastar menos e ser mais eficiente, mas coloca novas perguntas em nossa cabeça. Em entrevista à revista New Republic, Bill James ensina: “A maior barreira para entender as coisas é a convicção de que você já as entende.”

link-externoLeia também: Glossário sobre beisebol

Bernardo Barbosa é jornalista e gostaria de ver mais Moneyball no jornalismo e no Flamengo. Trabalhou no jornal O Globo e na agência de notícias Efe.

testeLançamentos de junho

EstanteIntrinseca_Jun2015_600px

O clique de 1 bilhão de dólares, de Filipe Vilicic — Aos 26 anos, o paulistano Mike Krieger tornou-se milionário. A trajetória de um dos idealizadores do Instagram e os bastidores da compra do aplicativo pelo Facebook em 2012 são detalhados pelo jornalista Filipe Vilicic, editor de Ciência e Tecnologia da revista e do site de Veja. [Leia +]

Quem é você, Alasca? (Edição comemorativa de 10 anos), de John Green — Publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2005, o romance de estreia de John Green ganha agora uma edição comemorativa, com um revelador texto de apresentação assinado pelo autor, cenas extras cortadas do manuscrito original, detalhes do processo de edição do romance e respostas de John às perguntas dos fãs. [Leia +]

Estação Onze, de Emily St. John Mandel Vencedor do Arthur C. Clarke Award, importante prêmio do Reino Unido dedicado à literatura de ficção científica, e finalista do National Book Award, Estação Onze, de Emily St. John Mandel, reflete sobre arte, fama e efemeridade, e sobre como os relacionamentos nos ajudam a superar tudo, até mesmo o fim do mundo. [Leia +]

Os Guinle, de Clóvis Bulcão — Sinônimo de luxo, glamour e opulência, as lendas em torno do sobrenome Guinle obscureceram a atuação da família como empreendedores pioneiros no século XX. Clóvis Bulcão resgata o papel da dinastia no processo de industrialização brasileira, na exploração de petróleo e até mesmo na popularização do futebol como preferência nacional. [Leia +] Confira as colunas de Clóvis Bulcão para o blog

Moneyball: O homem que mudou o jogo, de Michael Lewis — No comando de um dos times de menor orçamento da liga de beisebol americana, Billy Beane mudou a história do esporte ao empregar alto conhecimento em matemática para determinar o modo de jogar e selecionar os atletas contratados pela equipe. A saga, narrada por Michael Lewis, também chegou ao cinema protagonizada por Brad Pitt[Leia +]

Isla e o final feliz, de Stephanie Perkins — Isla é uma menina tímida que estuda em uma escola americana em Paris. Ela é apaixonada por Josh, mas nunca teve contato com ele. Um dia, os dois se encontram por acaso em Nova York, e o sonho de Isla começa a se tornar realidade. Mas, para ficarem juntos, eles terão que enfrentar desafios como dramas familiares, dúvidas quanto ao futuro e a possibilidade de seguirem caminhos diferentes. [Leia +]

Galveston, de Nic Pizzolatto — Diagnosticado com uma doença terminal, Roy pressente que o chefe, um mandachuva em Nova Orleans, quer vê-lo morto. Conhecido entre os membros da gangue pelo apelido de Big Country, ele desconfia de que o serviço de rotina para o qual foi enviado possa ser uma emboscada. E de fato é. Do criador, roteirista e produtor executivo da série True Detective, Galveston é um romance brutal e envolvente. [Leia +]

Os Dois Terríveis (Série Os Dois Terríveis — Vol. 1), de Jory John e Mac Barnett | Ilustrado por Kevin Cornell — Miles era o garoto mais terrível de sua escola, mas acaba de se mudar para a entediante cidade de Vale do Bocejo, conhecida unicamente por suas muitas vacas. Só que Vale do Bocejo já tem um rei das travessuras. E dos bons. Se quiser roubar o posto, Miles vai ter que se superar. [Leia +]

Como não ser um babaca: Guia de etiqueta para o cotidiano, de Meghan Doherty — Com exemplos bem-humorados e ilustrações divertidíssimas, a designer e ilustradora Meghan Doherty apresenta inúmeros cenários em que há potencial para “comportamento babaca”, como no trânsito, nos relacionamentos e até na internet, e nos convida a refletir sobre como nossas ações podem afetar os outros. [Leia +]

Bebês submarinos, de Seth Casteel — Seth Casteel provocou alvoroço na internet e nas livrarias ao apresentar suas fotos divertidas e inusitadas de cães adultos e filhotes mergulhando na água para abocanhar bolinhas e brinquedos. Nesse terceiro livro, o autor de Cachorros submarinos e Filhotes submarinos fotografa os bebês mais fofos de todos os tempos debaixo d’água. [Leia +]

Serena, de Ron Rash — Pemberton e Serena são um casal ambicioso, determinado a derrubar todas as árvores das montanhas da Carolina do Norte para aumentar sua fortuna durante a Grande Depressão. Mas um projeto de parque nacional ameaça esses planos. Pemberton passa a subornar as pessoas mais influentes para manter sua propriedade e seu poder. Já Serena recorre a outros argumentos. Para sustentar o grande império, os dois vão passar por cima de tudo. Até deles próprios. [Leia +]