testeA verdade sobre a família de Marcus Goldman

Por João Lourenço*

A primeira coisa que me chamou a atenção no novo livro do suíço Joël Dicker foi o título: O livro dos Baltimore. Fiquei intrigado, pois passei uma boa temporada naquela que é conhecida como a cidade mais charmosa dos Estados Unidos. Embora esteja localizada a apenas 30 minutos de trem da capital do país, Baltimore é a típica metrópole com cara de cidade do interior. Lá, a cena artística é diversa e já revelou nomes importantes do showbusiness norte-americano, como o cineasta John Waters (Pink Flamingos), o ator Edward Norton (Clube da Luta) e Matthew Weiner, criador da série de TV Mad Men. Em relação à literatura, Baltimore foi berço do autor Edgar Allan Poe. A cidade também serviu de cenário para o filme O Silêncio dos Inocentes (1991), protagonizado pelo terrível Dr. Hannibal Lecter. 

Para o escritor Marcus Goldman, personagem que já tinha nos conquistado em A verdade sobre o caso Harry Quebert, Baltimore representa um lugar divino e intocável, afinal, era lá que ele passava as férias e os feriados ao lado dos tios e dos primos. A família de Marcus foi dividida, pelos avós, entre os Goldman-de-Montclair e os Goldman-de-Baltimore ­­– sendo que os últimos sempre foram alvo de inveja e admiração do resto da família. Em O livro dos Baltimore, Marcus está de volta para recontar e tentar entender os passos que levaram ao declínio dessa família quase perfeita. Por meio de recordações e pesquisa, Marcus disseca a história dos Goldman-de-Baltimore para entender e fazer as pazes com o que ele chama de “Drama”: evento que mudou para sempre a vida dos tios e primos. Mas antes de chegar ao Drama, somos levados a habitar o universo de uma rica família norte-americana. 

Enquanto Marcus vive a rotina de uma típica família de classe média, em Nova Jersey, os Goldman-de-Baltimore moram em uma mansão rodeada de seguranças e com tudo que o dinheiro pode comprar. Os Goldman ilustram o ideal do sonho americano e Marcus passa a infância almejando ser como um deles. Saul, o patriarca da família, é um advogado famoso que nunca perdeu um caso; Anita é chefe da ala de oncologia de um dos hospitais mais renomados do país; Hillel é o filho prodígio do casal e, por isso, alvo de ataques diários dos colegas na escola. A vida dos Goldman muda com a chegada de Woody, um menino forte e encantador que ajuda Hillel a se livrar das brigas. Woody, abandonado pelos pais, acaba indo morar com os Goldman e, ao lado de Hillel e Marcus, forma a Gangue dos Baltimore. Os três se tratam como irmãos, dividindo sonhos e aventuras entre propriedades luxuosas nos Hamptons e na Flórida.

Pausa. Nenhuma família poderia ser tão perfeita e pequenas pistas sobre o Drama são oferecidas no decorrer do livro. Joël Dicker repete a fórmula de sucesso do livro anterior e constrói outro suspense de tirar o fôlego. Às vezes, fiquei dividido entre “salvar” o romance para o dia seguinte ou “matar” logo a curiosidade sobre os próximos passos da narrativa. Porém, essa dúvida não durava mais do que alguns minutos, pois no fundo eu já sabia que não iria conseguir abandonar os Goldman. Ao contrário de outros livros do gênero, Dicker não está interessado apenas em chocar o leitor ao fim de cada capítulo. Em O livro dos Baltimore, o autor apresenta um emaranhado de histórias e detalhes que, com maestria, só se encaixam no fim da narrativa. O que mais me agrada no trabalho do autor é que as reviravoltas fazem sentido, o labirinto que ele oferece não está ali apenas para nos enganar. 

Outro ponto positivo vai para a autenticidade dos personagens. Com exceção de alguns trechos exagerados, se alguém tivesse me entregado O livro dos Baltimore sem avisar que era um romance, eu poderia muito bem dizer que se tratava de um livro de memórias reais. Esse é um dos elementos que atrai milhares de leitores para a obra de Joël Dicker: ele é um bom contador de histórias e sabe como tornar uma narrativa aparentemente simples em algo sedutor. Em O livro dos Baltimore, o autor também faz referência a algo que aparece em todos os filmes do Woody Allen: a bendita da sorte. Para Dicker, uma hora tudo se desmorona pelo simples fato de estarmos no lugar errado na hora errada. 

O sucesso da narrativa de Joël Dicker também pode ser medido pelos temas universais que ele aborda. Em O livro dos Baltimore, percorremos uma montanha-russa de sentimentos. O romance trata do pior e do melhor do ser humano: inveja, rivalidade, cobiça, trapaça, ambição, redenção, amizade e, claro, amor. Por sinal, os grandes momentos da história falam sobre as loucuras que cometemos em nome do amor e da amizade. O livro dos Baltimore nos lembra que o maior sucesso que podemos ter é na escolha dos nossos amigos, de pessoas que acreditam em nós e nos incentivam a ser a melhor versão do que podemos ser.  

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

teste12 Thrillers para 2017

Agora que 2016 acabou, muitas são as esperanças para que 2017 seja um ano incrível, cheio de boas notícias. E, se depender da Intrínseca, os fãs de thrillers já podem comemorar. Neste ano publicaremos um livro do gênero por mês! Confira os lançamentos do primeiro semestre:

Para abrir a lista, em janeiro temos o lançamento de um autor premiadíssimo: Joël Dicker. Em seu novo romance, O livro dos Baltimore, Dicker investiga o passado de Marcus Goldman, emblemático personagem de seu livro anterior, A verdade sobre o caso Harry Quebert, fenômeno de vendas no mundo todo. Marcus Goldman teve uma juventude inesquecível em Baltimore, ao lado dos primos e dos tios. Mas a felicidade aparente não condizia com a realidade, e o dia do Drama marcou o destino fatídico das pessoas que ele mais amava. Oito anos depois, Marcus ainda tenta montar o quebra-cabeça do Drama, lidar com as consequências e entender o que aconteceu.

>> Leia também: A verdade sobre a família de Marcus Goldman

 

Em fevereiro, teremos um extraordinário romance de estreia: A viúva. Fiona Barton, uma jornalista experiente e premiada, já entrevistou vítimas, culpados, famosos e anônimos afetados por tragédias, mas, ao decidir escrever seu primeiro livro, escolheu como personagem principal uma coadjuvante do drama. Ela conta a história de Jean Taylor, que permanece ao lado do marido mesmo quando ele é acusado de um crime imperdoável. Entretanto, depois que ele morre, ela se sente livre para contar a sua versão. Narrado das perspectivas de Jean Taylor, a viúva, do detetive Bob Sparkes e da repórter Kate Waters, o thriller reconstrói uma investigação policial ao mesmo tempo que desconstrói impiedosamente um relacionamento.

> Leia um trecho

 

Para fechar o primeiro trimestre com chave de ouro, lançaremos o aguardado livro Quem era ela. Um thriller psicológico incrível que conta a história de duas mulheres: uma que busca um final feliz e outra que leva uma vida cercada de mistério. Emma procura um novo lugar para morar e descobre Folgate Street, nº 1: uma obra-prima da arquitetura. Mas os moradores têm que seguir regras estritas. Depois de sofrer uma perda, Jane precisa recomeçar. Ela se apaixona à primeira vista pela casa e, ao se mudar, logo fica sabendo da morte trágica que ocorreu ali. Enquanto tenta separar as verdades das mentiras, Jane acaba fazendo as mesmas escolhas de Emma e vivenciando as mesmas situações aterrorizantes. O autor, bastante famoso por seus livros de ficção, usou o pseudônimo JP Delaney para escrever seu primeiro thriller. Tem tudo para ser um sucesso.

Em abril, teremos Antes da queda, novo best-seller de Noah Hawley, premiado escritor da série Fargo. Considerado por diversos veículos o melhor thriller de 2016, o livro narra o acidente de um pequeno avião com 11 passageiros do qual só dois sobrevivem, um pintor e uma criança, último membro de uma família rica e poderosa. À medida que a história prévia de cada um dos tripulantes é revelada, estranhas coincidências apontam para uma conspiração. Terá sido obra do acaso um acidente que matou as figuras mais importantes dos Estados Unidos? Impossível de largar, Antes da queda investiga a geografia da alma humana, o destino e os laços que nos unem, sem deixar de lado o ritmo alucinante, que faz com que o leitor não queira nem dormir.

Clare Mackintosh trabalhou durante 12 anos na força policial da Inglaterra. Quem melhor que uma ex-policial para escrever um thriller? Ainda sem título em português, I let you go é o thriller de maio! O livro ficou mais de três meses entre os dez títulos mais vendidos de 2015, segundo o The Sunday Times, foi considerado um dos dez melhores romances policiais de 2016 pelo The New York Times e vai ser traduzido para mais de trinta idiomas. A obra conta a história de Jenna Gray, cuja vida se transforma em um pesadelo. Sua única esperança é se afastar de tudo que a faz lembrar o trágico acidente que matou seu filho e recomeçar. Jenna decide se mudar para um chalé na remota costa escocesa, mas continua assombrada por seus medos, seu luto e suas memórias. Aos poucos ela começa a vislumbrar felicidade em seu futuro, mas o passado está prestes a alcançá-la, e as consequências podem ser arrasadoras.

Também sem título definido pela equipe editorial (esse pessoal adora deixar a gente no suspense), The book of you, romance de estreia de Claire Kendal, fecha nosso semestre de excelentes thrillers. Clarissa está cada vez com mais medo de seu colega Rafe. Ele não a deixa sozinha, aparece em todos os lugares e se recusa a receber um não como resposta. Clarissa fica aliviada ao ser selecionada para fazer parte de um júri. O tribunal é um paraíso de segurança onde Rafe não pode colocar os pés. Mas, à medida que um caso de sequestro e abuso se desenrola na corte, Clarissa começa a ver muitos paralelos entre sua situação e a da jovem no banco das testemunhas.

E aí? Ficaram animados? Em breve divulgaremos os livros do segundo semestre!