testeFeiticeiros, guerreiros e bruxas na nova trilogia da autora de Como treinar o seu dragão

Muitas eras atrás, no tempo em que seres mágicos ainda habitavam as florestas, aconteceu uma grande guerra entre duas tribos: os feiticeiros, que eram mágicos, e os guerreiros, que não eram.

No tempo dos feiticeiros é a divertida aventura sobre o menino feiticeiro Xar, cujos poderes ainda não despertaram, e a princesa guerreira Desejo, que possui um objeto mágico poderoso. Na história, os caminhos dos dois se cruzam e eles precisam aprender a superar a diferença e enfrentar lado a lado um mal terrível, desafiando a grande regra que feiticeiros e guerreiros devem odiar um ao outro.

Da autora da série Como treinar o seu dragãoCressida Cowell, o primeiro volume da trilogia No tempo dos feiticeiros chega às livrarias a partir de 13 de abril.

teste14 coisas que você precisa saber antes de começar a ler A Roda do Tempo

Por Flora Pinheiro e Rayssa Galvão*

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Os livros de Robert Jordan compõem uma das maiores séries de fantasia de todos os tempos, literalmente: são 14 volumes que narram uma jornada cheia de reviravoltas, em que heróis e anti-heróis enfrentam um grande desafio — parar de brigar entre si e se unir para salvar o mundo. Aqui estão 14 coisas que você precisa saber antes de começar a leitura:

 

1) George Martin é fã

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Martin fez várias homenagens a Jordan em seus livros. A mais conhecida é a Casa Jordayne, cujo brasão é uma pena de escrever em um fundo verde. O nome de seu lorde é Trebor, ou seja, “Robert” ao contrário.

 

2) Está entre as dez séries de fantasia mais populares de todos os tempos

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A Roda do Tempo vendeu mais de 80 milhões de exemplares ao redor do mundo. Apesar de ser considerado “o Tolkien americano”, Jordan criou seu próprio universo, sem reaproveitar elfos, anões e dragões, além de não se limitar a influências da mitologia europeia. Se tiver receio de encarar uma série tão longa, lembre-se: não é à toa que Jordan é referência em literatura fantástica.

 

3) Foge do eurocentrismo

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É verdade que a série tem muitos elementos que lembram a Idade Média europeia, inclusive cavaleiros, inquisição religiosa e outras analogias, mas dá para notar a influência de muitas outras culturas e religiões. Diversas palavras e nomes foram tirados da cultura árabe e da religião hebraica — como um dos nomes do vilão principal, Shai’tan —, e o próprio conceito de tempo cíclico, a tal roda do tempo, vem do hinduísmo.

4) Não é só descrição de paisagem

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Nós amamos fantasia, mas quem nunca suspirou de exaustão diante de um longo parágrafo descrevendo toda a flora de um continente imaginário que atire a primeira pedra. Para nossa sorte, Jordan traz personagens interessantes que quebram a monotonia das descrições. Um queridinho dos fãs é Mat, que prefere se manter longe dos conflitos. Durante um discurso dramático, com um de seus amigos tentando mergulhar de cabeça em uma situação perigosa, Mat aparece ao fundo com dois cavalos, gesticulando, desesperado, para que o amigo monte no animal e fuja com ele.

 

5) Lugar de mulher é… no livro de fantasia

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Jordan não limita as personagens femininas a papéis secundários e donzelas indefesas. Apesar de o primeiro livro ter sido lançado há 26 anos, não faltam mulheres fortes. Um dos reinos, por exemplo, é governado exclusivamente por rainhas, e há também uma sociedade de mulheres guerreiras.

 

6) Não é só mais uma fantasia medieval

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Sim, A Roda do Tempo tem aspectos parecidos com a série de TV Game of Thrones e a trilogia O Senhor dos Anéis. Mas também possui inúmeras diferenças marcantes. Uma delas é que o universo não corresponde à Idade Média. Segundo Jordan, é como se a história se passasse no fim do século XVII, mas a pólvora jamais tivesse sido inventada.

 

7) É uma distopia

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Como a história se passa num mundo aparentemente medieval, é fácil pensar que se refere ao passado, mas os acontecimentos de A Roda do Tempo na verdade se passam no futuro! O tempo da roda se divide em 7 Eras, que passam em ciclos. Nossa Era já passou, e tudo o que resta dela são resquícios e ruínas. Ao longo dos livros, é possível encontrar várias dicas de “objetos mitológicos”, de lâmpadas a usinas nucleares. Dá até para brincar de caçar referências!

 

8) É muito mais que uma história

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Como todo bom gênio da fantasia, Jordan criou mais do que uma história: ele construiu um mundo. As complexidades são tantas e seu universo é tão bem-feito que existe até um sistema de RPG baseado na série. Os povos são muito diversos, e você vai se divertir aprendendo as particularidades de cada um ao longo dos livros.

 

9) Apesar da fantasia, nem tudo tem solução mágica

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Jordan não quis criar saídas fáceis, e representou muito bem temas realistas e polêmicos, como a loucura, a escravidão e o preconceito. A falta de comunicação e a demora em enviar mensagens nesse mundo praticamente medieval afetam a política, as guerras e o humor das pessoas ao redor.

 

10) A magia não funciona da forma que estamos acostumados

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Uma das coisas mais legais da série é o uso do Poder Único: a força que alimenta a magia nos livros. Existem diferenças no uso para homens e mulheres (e o uso por homens é considerado tabu). Além disso, o mecanismo é mais complexo que simplesmente decorar feitiços: as Aes Sedai aprendem a “tecer” fios de elementos do Poder Único de forma a criar uma trama que traga os resultados desejados.

 

11) As intrigas políticas vão ganhando destaque

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Com o passar dos livros, o universo da obra se amplia e as maquinações aumentam. O Jogo das Casas, porém, nem sempre tem um final sangrento. Enquanto a política do mundo real nos faz chorar, a do universo de Jordan muitas vezes é motivo de riso, com críticas veladas muito bem-humoradas.

 

12) Você vai passar a entender um monte de referências espalhadas por aí

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A série é tão querida pelos amantes de fantasia que George Martin não é o único a incluir referências em sua obra. Isso acontece em vários jogos, como o primeiro da série Dragon Ages, e a Blizzard já incluiu referências em World of Warcraft e Diablo. Além disso, algumas bandas já fizeram músicas em homenagem à série. A mais famosa é do Blind Guardian:

13) Nem todos os livros foram escritos por Robert Jordan

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Após a morte de Jordan, Brandon Sanderson assumiu a série. Com a ajuda da viúva de Jordan, Harriet Ridgney, que trabalhava como editora do marido, Sanderson escreveu três livros a partir das anotações do autor. Sanderson já era fã convicto da série e afirma que cresceu lendo e relendo os livros lançados até então. Ele é mais conhecido pela série Mistborn, mas não decepcionou os fãs de A Roda do Tempo.

 

14) Vai ter série!

Harriet Ridgney, viúva de Jordan, anunciou este ano que os direitos de adaptação de A Roda do Tempo foram vendidos e a obra será transformada em uma série de TV. Para quem acha que “o livro é melhor porque tem mais detalhes”, a hora de começar a ler é agora. Afinal, A Roda do Tempo gira, e as Eras vêm e vão, mas a internet continua cheia de spoilers.

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Flora e Rayssa se conheceram através do amor mútuo por livros de fantasia. Para editar a série A Roda do Tempo, as duas abriram mão do contato com amigos e família. Elas trocam GIFs quando sentem falta de conviver em sociedade.

testeTemporada de acidentes

Por Moïra Fowley-Doyle*

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Comecei a escrever Temporada de acidentes em novembro, no mês seguinte àquele em que a história se passa. Terminei o esboço inicial em um mês e meio, numa torrente de palavras, e durante esse tempo fiquei estranhamente cautelosa, talvez por escrever uma história na mesma época do ano em que ela ocorre. Começar foi fácil. Escrevi tanto sobre acidentes que peguei medo de facas afiadas e passei a tomar mais cuidado ao atravessar a rua ou descer escadas. Eu me imaginava torcendo o tornozelo e quebrando ossos.

Sou meio propensa a sofrer acidentes, em parte porque não presto atenção aonde vou e em parte porque gosto de aventuras. Já quebrei cinco ossos desde os dezessete anos, mas não foi por isso que escrevi este livro.

Eu sempre escrevi — diários, poesias, novelas, partes de romances e romances que não deram certo —, mas, exceto a poesia, escrevia basicamente para mim mesma. Um desses romances que não deram certo foi um que escrevi aos dezesseis anos sobre uma garota misteriosa que aparecia de vez em quando na vida da protagonista e armava ratoeiras, pendurava papel mata-moscas e perambulava pela floresta com uma rede de caçar borboleta. No começo de novembro, eu me sentei para contar essa história, mas as primeiras palavras que saíram foram: “É a temporada de acidentes: acontece todos os anos na mesma época.” Então decidi ir em frente com isso, e, conforme avançava, ia usando trechos e elementos do livro que tinha escrito aos dezesseis. Ficou claro que meus ossos quebrados estavam se debatendo no meu inconsciente; isso e meu amor persistente pela ideia da existência de um espírito de luz que cuida de garotas imprudentes. Isso e a vontade de traduzir em livro o surreal e o cênico, a magia e a mixórdia, além de todas as outras aliterações que marcam a adolescência; isso e a vontade de ambientá-lo na Irlanda.

Temporada de acidentes conta a história de Cara, uma adolescente de dezessete anos, e sua família desajustada, que, durante um mês do ano, de uma hora para outra e sem explicação plausível, ficam extremamente propensas a acidentes. Alguns meses de outubro são repletos de cortes, pancadas e machucados, outros têm infortúnios mais sérios, mas nos piores anos o avô, o tio e o pai de Cara morreram. Com o cabelo pintado de roxo, a mãe de Cara acha que a temporada de acidentes é uma maldição de família, mas a filha mais velha, Alice, tem certeza de que tudo não passa de coincidência. No momento, Cara está mais preocupada com o fato de Elsie — uma garota esquisita e sem amigos com quem ela estuda e de quem foi próxima quando criança — aparecer em todas as suas fotografias, mesmo quando não havia a menor possibilidade de ela estar por perto no momento em que foi tirada. Mas, quando Cara vai confrontá-la, não consegue encontrá-la: parece que a garota sumiu. Enquanto os acidentes pioram e o desaparecimento de Elsie se torna cada vez mais preocupante, Cara também tenta controlar sua amizade com a desvairada Bea — que tem ares de bruxa — e seus sentimentos pelo ex-irmão postiço, Sam. Além disso, ela está organizando com os amigos e a irmã uma festa de Halloween caótica bem no último dia da temporada de acidentes numa casa abandonada numa área da cidade mais afastada — e é esse evento que fará os segredos de todo mundo finalmente virem à tona e Cara encontrar as repostas que busca.

Foto autora_facebookA autora Moïra Fowley-Doyle

Eu cresci lendo a magia selvagem e glamorosa de Francesca Lia Block, a magia extraordinariamente comum de David Almond e a magia ocultista de Alice Hoffman, e queria escrever alguma coisa mágico-realista (magicamente realista? Mágico-realística?) que me parecesse tão onírica e selvagem quanto eu era na adolescência — quando às vezes você não consegue dizer o que é real e o que não é, quando tudo é imediato e dramático e quando o amor e a amizade são sentimentos que abraçam o mundo. Eu queria escrever uma história onírica e misteriosa, na qual fantasia e realidade muitas vezes se confundem, e queria que se ambientasse perto da minha casa, porque, se é possível encontrar a magia nas ruas de Los Angeles ou nas praias ventosas do estado do Maine, também dá para encontrá-la numa cidadezinha no condado de Mayo, na Irlanda.

Eu não moro no condado de Mayo — sou de Dublin —, mas passo muito tempo lá com a minha família, numa cidade perto da fronteira com Galway. Um rio atravessa essa cidade, que tem também uma floresta cheia de árvores antigas que estalam, além de um monte de casas abandonadas que servem de inspiração. Comecei com os detalhes na cabeça — ratoeiras e redes de caçar borboleta, um mês de desgraças, um rio atravessando uma cidadezinha, uma casa abandonada — e acrescentei mais elementos conforme avançava na história: uma cabine de segredos em que os segredos são datilografados numa máquina de escrever e pendurados num varal, um amor proibido, um baile de máscaras, cigarros manchados de batom vermelho e muito uísque.

Liguei os detalhes, escrevi a história e tomei cuidado quando atravessava a rua. Um dia, durante os vários meses que passei editando o livro para enviá-lo à minha editora, eu escorreguei (veja você: no palco, no meio de uma performance do The Rocky Horror Picture Show) e quebrei o pulso. Com o braço esquerdo imobilizado, tive que terminar o livro com uma só mão. Escrevi o título no gesso, com uma caneta permanente (para a enorme diversão das enfermeiras da emergência), e me dei conta de uma profunda empatia pelos meus personagens, além de ter descoberto tudo o que é possível carregar numa tipoia.

Atualmente estou escrevendo um livro sobre coisas perdidas, ambientado numa floresta semelhante à de Temporada de acidentes. Estou quase ficando preocupada com o que em breve pode começar a sumir.

Leia um trecho de Temporada de acidentes

Moïra Fowley-Doyle é metade francesa, metade irlandesa e mora Dublin com o marido, duas filhas pequenas e um gato já velhinho. Sua metade francesa gosta de vinho tinto e livros sombrios, daqueles em que todos morrem. Já a metade irlandesa gosta de chá e finais felizes. Temporada de acidentes é seu romance de estreia. Esse artigo foi originalmente publicado aqui.