testeAdrenalina em escala global

Eu sou o Peregrino é um épico impressionantemente detalhista e dinâmico sobre política internacional, o mundo da espionagem e terrorismo — e é o primeiro livro do roteirista Terry Hayes, que escreveu os primeiros filmes da série Mad Max entre outros de sucesso

Por Alexandre Matias*

Peregrino

“Escrever um filme é como nadar em uma banheira e escrever um romance é como nadar no oceano.” A diferença de escala entre os dois formatos, uma citação de John Irving presente no início dos agradecimentos de Eu sou o Peregrino, não é apenas o principal diferencial do romance de estreia do roteirista de cinema Terry Hayes em relação aos seus trabalhos anteriores. Conhecido por escrever o roteiro do segundo e terceiro filmes da série Mad Max, nos anos 1980, Hayes escreveu bons thrillers na virada do milênio (como O Troco, com Mel Gibson, Limite Vertical, com Chris O’Donell, e Do Inferno, com Johnny Depp). Mas nenhum desses filmes se compara ao calhamaço que inaugura sua bibliografia.

A ameaça das quase 700 páginas do livro, no entanto, começa a se desfazer logo que começamos a leitura. Hayes puxa o primeiro fio da meada com um assassinato num hotel barato em Nova York, que traça conexões no Oriente Médio, nos Balcãs, em um banco suíço, em Paris, em Veneza, na Turquia e no Afeganistão, numa espiral de acontecimentos inesperados ao redor de dois personagens densos definidos por seus codinomes, Sarraceno e Peregrino. A narrativa da história é ao mesmo tempo detalhista e deliciosa e as páginas são viradas numa compulsão que desafia o leitor não apenas pela complexidade da trama, que mistura política internacional, espionagem, técnicas de tortura, biotecnologia, história da arte, internet e o 11 de Setembro, mas também pela profundidade de seus protagonistas, agentes perfeitos que não deixam rastros, tão motivados quanto determinados — além de extremamente complexos —, colocados um contra o outro em uma conspiração de escala planetária.

“Acho que o público em geral está em busca de experiências mais intensas e mais amplas”, me explicou o autor em entrevista por e-mail. “As prateleiras das livrarias estão cheias de thrillers e de romances policiais. Os cinemas também viviam cheios disso. Mas agora as pessoas já tiveram essas experiências tantas vezes que estão em busca por algo diferente — talvez uma experiência que de alguma forma seja mais abrangente. Percebi que tinha que fazer algo diferente de outros livros em um mercado que é muito disputado — eu tinha que ir rumo a uma experiência mais épica.” Também conversamos sobre a adaptação do livro para o cinema, suas influências narrativas e o que ele achou do novo Mad Max.

Fotos_Peregrino

Quanto você teve de estudar para entrar nas mentes dos dois personagens principais?
Bem, você precisa acreditar nos personagens. Você não pode considerar que só existem mocinhos e vilões. Se fosse óbvio dessa forma, por que se importar em ler um livro? Você tem de misturar — como na vida, suponho. Steven Spielberg, que sabe umas coisinhas sobre como contar histórias, diz que não existem personagens maus — só pessoas com más intenções. Entendo que ele queira dizer que não existe ninguém que acorde de manhã e decida ser mau — são suas experiências e objetivos que os guiam, passo a passo, rumo a um caminho que leva às más consequências. Eu certamente criei meu chamado vilão dessa maneira. De forma similar, o herói também faz coisas assustadoras. Acho que isso os transforma em personagens mais interessantes e levanta uma série de questões morais interessantes.

Eu fico impressionado — e muito agradecido — que tantos resenhistas ao redor do mundo tenham dito que, de alguma forma, simpatizaram com o vilão. Mesmo que ele tenha um plano horrível para colocar em ação. Esse elogio me prova que eu criei um personagem com motivações convincentes e que eu pelo trilhei um caminho no sentido de criar um ser humano real e não um vilão de papel. As histórias estão repletas desse tipo de personagem e acho que não precisávamos de mais um deles.

Por isso, se você trabalha desse ponto de partida — que ambos os personagens principais devem ser escritos de forma bem positiva —, você apenas prossegue cada vez mais fundo e tenta garantir que tudo que eles façam seja lógico. Para os dois, você tem que continuar dizendo: “E se fosse comigo, o que eu faria?”. O único problema é que isso parece mais fácil de fazer do que acaba sendo quando você está sentado na frente da tela vazia do computador.

 

Você conhece pessoalmente os lugares e tem noção dos procedimentos descritos com tantos detalhes no livro?
Conheço muito dos lugares mencionados no livro porque tive a sorte de viver em muitos países diferentes e viajei para um número ainda maior deles. Há passagens num banco privado em Genebra que, como morei na Suíça por anos, tirei da minha experiência pessoal. O mesmo pode ser dito de Santorini, Paris, Londres e por aí vai. Fui correspondente internacional em Nova York e em Washington, então compreendo bem como funcionam o governo norte-americano e suas agências de inteligência. Escrevi muitas matérias sobre grupos de inteligência e conversei com vários dos seus integrantes de alto escalão, por isso eu sei onde como buscar informações e o tipo de detalhes que não são necessariamente conhecidos de todos.

 

Quais foram suas principais influências narrativas — tanto filmes quanto livros — para este romance?
Gosto de boas histórias, com uma linguagem clara e precisa. Você precisa de personagens com motivações convincentes e ter algo correndo risco que faça com que o público se importe. Por isso, naturalmente, amo os filmes da chamada Era de Ouro de Hollywood. Casablanca, Uma Aventura na África, Núpcias de Escândalo e vários outros que foram adaptados de livros muito bons. Isso continua até os anos 1970 e até mesmo depois, filmes como A Ponte do Rio Kwai, O Poderoso Chefão, A Primeira Noite de um Homem. São muitos! Infelizmente, os filmes dependem menos de livros bem escritos e mais de histórias em quadrinhos hoje em dia e por isso é difícil encontrar narrativas fortes que não dependam apenas de explosões e eventos que desafiam as regras da física. No que diz respeito à literatura, eu tive a sorte de, ainda criança, ler bastante e de ter um pai que me encorajava a ler o melhor que o mundo podia me oferecer. Por isso fui de Hemingway e F. Scott Fitzgerald para Herman Hesse, Cervantes e, claro, a Bíblia. Afinal, se há uma coleção melhor de ótimas histórias, eu ainda tenho que encontrá-la. Talvez As Mil e Uma Noites. Deixando as conexões religiosas do Novo Testamento de lado, a história de Jesus ainda é a melhor história de herói já contada. Melhor que a de Luke Skywalker, que pegou muita coisa emprestada dali.

untitledTerry Hayes

Eu sou o Peregrino será adaptado para o cinema? Quando você escrevia pensava no livro como um filme?
Ele está se transformando em um filme enquanto conversamos — então essa é uma resposta fácil. Será um bom filme? Isso é uma resposta mais difícil de dar, afinal, não há muitos deles hoje em dia, não? Mas eu tenho a esperança de que será, sim! Acho que quando estava escrevendo pensei nisso porque costumo pensar em cenas e momentos impactantes. Escrevi filmes por tanto tempo que agora meio que está no meio DNA. Óbvio que escrever um romance é algo bem diferente, mas foi um ponto de partida — bem útil, na minha opinião.

 

Como autor da história de dois dos três primeiros filmes da franquia Mad Max, o que você achou do quarto filme da série, lançado no ano passado?
Eu gosto muito do novo, Mad Max: Estrada da Fúria. Uma das coisas que eu mais gosto dele é que George Miller —um amigo muito querido — não apenas reciclou os velhos; ele o levou para um rumo novo e ainda mais empolgante. É claro que é um tour de force de direção e ele mereceu, de verdade, a indicação para o Oscar. Na minha opinião imparcial, ele devia ter ganhado. Parte do problema com continuações é que as pessoas ficam muito tentadas a apenas duplicar o que consideram que foram os elementos bem-sucedidos. Não é o caso de George, ele ainda está lá explorando os próprios limites e a si mesmo. Ele não é mais jovem, por isso é incrível ver um cineasta e roteirista querendo fazer isso.

 

E o que você está fazendo atualmente? Trabalhando em algum filme ou em seu segundo romance?
Finalizei o roteiro para Eu sou o Peregrino, que vai ser produzido pela MGM, e agora estou trabalhando em como vou lidar com a realização do filme. E estou escrevendo também outro romance, The Year of the Locust [ainda sem título em português, será publicado pela Intrínseca], que é uma espécie de cruzamento entre O Exterminador do Futuro, O Planeta dos Macacos e um thriller de espionagem. Eu sei, parece maluco, e provavelmente é mesmo, mas eu realmente gosto dele e acho que será uma história arrebatadora, então já é um bom começo! Não há nada pior, imagino, do que tentar escrever sobre algo que você não gosta. Espero que os leitores compartilhem esse meu entusiasmo!

>> Leia um trecho de Eu sou o Peregrino

 

Alexandre Matias, 41 anos, é jornalista e cobre cultura e tecnologia há vinte anos, com base em seu site, o Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br).

testeLeia um trecho de Eu sou o Peregrino

Com anos de experiência no mundo da espionagem, no qual se tornou um dos agentes mais proeminentes em uma organização responsável por punir agentes que cometem crimes, Peregrino decide se aposentar. Em seu tempo livre, ele decide escrever sobre a arte da investigação forense e, com o nome de um policial já falecido, publica um dos maiores sucessos da literatura criminal. No entanto, uma série de crimes incomuns tira o agente da aposentadoria e o coloca de encontro a um criminoso internacional com planos de destruição em massa.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes, Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda sua complexidade psicológica. Leia um trecho abaixo:

 

CAPÍTULO UM

Há lugares dos quais me lembrarei a vida inteira — a Praça Vermelha com o vento quente sibilando, o quarto de minha mãe no lado errado da 8 Mile Road, os jardins intermináveis de um elegante lar adotivo, um homem esperando para me matar em um conjunto de ruínas conhecido como o Teatro da Morte.

Porém, nada está mais profundamente gravado em minha memória do que um prédio sem elevador em Nova York — cortinas puídas, móveis baratos, uma mesa repleta de cristal e outras drogas recreativas. Junto à cama há uma bolsa, uma calcinha preta fio dental e um par de sapatos Jimmy Choo com saltos de quinze centímetros. Assim como sua dona, esses objetos não pertencem àquele lugar. Ela está nua no banheiro — com a garganta cortada, flutuando de bruços em uma banheira cheia de ácido sulfúrico, princípio ativo de um desentupidor líquido disponível em qualquer supermercado.

Há dezenas de garrafas vazias do produto — da marca Drain Bomb — espalhadas pelo chão. Sem ser percebido, começo a analisá-las. Todas ainda estão com as etiquetas de preço e vejo que, a fim de evitar suspeitas, quem a matou comprou o produto em vinte lojas diferentes. Eu sempre disse que é difícil não admirar um bom planejamento.

O local está um caos, o barulho é ensurdecedor — rádios da polícia aos berros, assistentes de legista implorando por reforços, uma mulher hispânica chorando. Mesmo que a vítima não conheça ninguém no mundo, parece que sempre há alguém aos prantos em uma cena como essa.

A jovem encontrada no banheiro está irreconhecível — os três dias que passou em meio ao ácido destruíram todos os seus traços. Esse era o plano, creio eu. Quem a matou também forçou suas mãos para baixo usando listas telefônicas. O líquido dissolveu não apenas as impressões digitais como também seus metacarpos.

A menos que os peritos do Departamento de Polícia de Nova York tenham a sorte de conseguir uma identificação utilizando a arcada dentária, vão ter muito trabalho para nomear esta vítima.

Em lugares assim, onde se tem a impressão de que a maldade ainda está entranhada nas paredes, sua mente pode vagar para territórios estranhos. A ideia de uma jovem sem rosto me fez pensar em uma antiga música de John Lennon e Paul McCartney — sobre Eleanor Rigby, uma mulher que usava um rosto que guardava em um jarro junto à porta. Em minha mente, começo a chamar a vítima de Eleanor. Os peritos da cena do crime ainda têm trabalho a fazer, mas ninguém ali duvidava de que Eleanor havia sido morta durante o sexo: o colchão metade fora do estrado, os lençóis emaranhados, um jato marrom de sangue em decomposição na mesa de cabeceira. Os mais mórbidos acham que ele cortou a garganta da vítima enquanto a penetrava. O pior é que podem estar certos. Seja lá como ela tenha morrido, aqueles que procuram o lado bom das coisas, pequenas misericórdias, podem encontrar algo positivo nisso: ela não deve ter percebido o que estava acontecendo, não até o último momento, pelo menos.

O cristal — metanfetamina — se encarregaria disso. Quando chega ao cérebro, faz com que você fique com tanto tesão, tão eufórico, que qualquer capacidade de pressentir algo ruim se torna impossível. Sob seu efeito, o único pensamento coerente que a maioria das pessoas consegue ter é encontrar um parceiro para trepar até desmaiar.

Ao lado dos dois papelotes vazios de metanfetamina há o que parece ser um daqueles frascos minúsculos de xampu, típicos de banheiros de hotel. Sem rótulo, contém um líquido claro — GHB, deduzo. A substância tem feito sucesso nos cantos obscuros da internet: em grandes doses, está substituindo o Rohypnol como a droga da vez para um “boa noite, Cinderela”. A maioria das boates está cheia dessa droga: os viciados a tomam em pequenas doses para cortar o efeito do cristal e a paranoia. Mas o GHB também tem seus próprios efeitos colaterais: perda de inibições e uma experiência sexual mais intensa. Nas ruas, um de seus apelidos é Trepada Fácil. Sem os sapatos e a minúscula saia preta, Eleanor deve ter parecido os fogos de artifício no Quatro de Julho.

Enquanto passo pela aglomeração de pessoas — um desconhecido para todas elas, um estranho com um casaco caro pendurado no ombro e um monte de orgias movidas a drogas no passado —, paro diante da cama. Abstraio o barulho e a vejo em minha mente, nua, cavalgando como uma vaqueira. Tem vinte e poucos anos, um belo corpo, e eu a imagino completamente envolvida naquilo — o coquetel de drogas precipitando um orgasmo arrasador, sua temperatura corporal subindo graças à metanfetamina, seus seios intumescidos balançando, o coração e o fôlego disparados pela paixão e pelas substâncias químicas, a respiração ofegante, a língua molhada com um movimento próprio, ansiando pela boca mais abaixo. Hoje em dia, sexo definitivamente não é para maricas.

Letreiros de néon de uma fileira de bares na rua teriam iluminado os reflexos alourados de seu corte de cabelo da moda, fios que brilhavam como o mostrador de um relógio de mergulho Panerai. Sim, o cabelo é tingido, mas é uma boa falsificação. Conheço essa mulher. Todos conhecemos — o tipo, pelo menos. Você a encontra na enorme nova loja da Prada em Milão, na fila do lado de fora das boates do SoHo, bebericando café com leite nas cafeterias famosas da avenue Montaigne; mulheres jovens que acham que a People é uma revista de notícias e que um ideograma japonês às costas é sinal de rebeldia.

Imagino a mão do assassino em seu peito, tocando o piercing de seu mamilo. O sujeito o toma entre os dedos e o puxa, trazendo-a mais para perto. Ela grita, excitada — tudo está hipersensível agora, especialmente os mamilos. Mas ela não se importa: se alguém quer jogar duro, isso apenas significa que deve gostar dela de verdade. Empoleirada em cima dele, a cabeceira da cama batendo com força contra a parede, ela estaria olhando para a porta da frente — certamente trancada e com a corrente. Naquele bairro, é o mínimo que você deve fazer.

Um diagrama na porta exibe uma rota de fuga — ela está em um hotel, mas qualquer semelhança com o Ritz-Carlton praticamente termina aí. O lugar se chama Eastside Inn, lar de itinerantes, mochileiros, gente desequilibrada e qualquer pessoa com vinte dólares para passar a noite. Fique o tempo que quiser — um dia, um mês, o resto da vida. Tudo que você precisa é de dois documentos que comprovem sua identidade, um deles com foto.

O hóspede do Quarto 89 estava ali havia algum tempo. Um pacote de seis cervejas repousa sobre uma cômoda junto a quatro garrafas meio vazias de destilados e algumas caixas de cereal matinal. Há um aparelho de som e alguns CDs em uma mesa de cabeceira, e eu os verifico. Ele tinha bom gosto musical, ao menos merece esse crédito. O armário, no entanto, está vazio. Parece que levou apenas as suas roupas, enquanto deixava o cadáver derretendo no banheiro. No fundo do armário há uma pilha de lixo: jornais descartados, uma lata vazia de inseticida, um calendário de parede manchado de café. Eu o pego, e cada folha exibe uma foto em preto e branco de uma antiga ruína: o Coliseu, um templo grego, a Biblioteca de Celso à noite. Muito artístico. Mas as páginas estão em branco, nenhum compromisso marcado. Parece que nunca foi usado para outra coisa além de suporte de xícaras de café, então eu o devolvo ao lugar onde estava.

Eu me afasto e, sem pensar, por pura força do hábito, passo a mão pela mesa de cabeceira. Estranho: nenhuma poeira. Faço o mesmo com a cômoda, a cabeceira e o aparelho de som e obtenho o mesmo resultado: o assassino limpou tudo para eliminar suas digitais. Isso não vai livrar a cara dele, mas quando sinto um odor característico e levo os dedos ao nariz, tudo muda. O cheiro do resíduo é de um spray antisséptico usado em UTIs para combater infecções. Mata as bactérias, mas, como efeito colateral, destrói material de DNA: suor, pele, cabelo. Ao pulverizar tudo no quarto e, em seguida, encharcar o tapete e as paredes, o assassino se certificou de que o Departamento de Polícia de Nova York não precisaria usar seus aspiradores de perícia criminal.

Com clareza súbita, percebo que aquilo é tudo, menos um clássico assassinato por dinheiro, drogas ou satisfação sexual. Como homicídio, é um feito notável.”

testeLançamentos de abril

EstanteIntrinsecaAbril16_blog

Eu sou o Peregrino, de Terry HayesUma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes (Mad Max 2 e Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão), Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda a sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável. [Leia +]

 

O amor segundo Buenos Aires, de Fernando Scheller — Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo que já passou pelas redações de Gazeta do Povo, TV Globo e Deutsche Welle, na Alemanha.

É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos. [Leia +]

Em O amor segundo Buenos Aires, Scheller oferece a cada personagem a chance de narrar suas escolhas e percepções sobre diferentes formas de amor, como entre pai e filho, um homem e uma mulher, dois homens e também entre amigos.

Leia as colunas de Fernando Scheller no blog

EstanteIntrinseca_Abr16_BLOG_Livros3D

Alucinadamente feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson Longe de ser uma pessoa comum, Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais: depressão altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e resolve revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para se levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. [Leia +]

 

É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra, de Lynsey Addario — Após os atentados de 11 de Setembro, a fotojornalista Lynsey Addario foi chamada para cobrir a invasão americana ao Afeganistão. Nesse momento, ela fez uma escolha que se repetiria muitas vezes depois: abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo confrontando com sua câmera as mais duras verdades.

As imagens captadas pelas lentes de Lynsey parecem buscar sempre um propósito maior. No livro, ela retrata os afegãos antes e depois do regime talibã, os cidadãos vitimados pela guerra e os insurgentes no Iraque, expõe a cultura de violência contra a mulher no Congo e narra a ocasião do próprio sequestro, orquestrado pelas forças pró-Kadafi durante a guerra civil na Líbia.

Apesar da presumível bravura, Lynsey não é de todo destemida. Do medo, ela tira o olhar de empatia essencial à profissão. Quando entrevista vítimas de estupro, fotografa um soldado alvejado em combate ou documenta a trágica vida das crianças famintas na Somália, é essa empatia que nos transporta para os lugares onde ela esteve, e então começamos a entender como o ímpeto de retratar a verdade triunfa sobre o terror. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Abr16_BLOG_Livros3D2

A agenda antiplanos, de Keri Smith — Com espaços sem data e distribuídos aleatoriamente para você fazer um resumo do mês que desejar, o novo projeto da autora de Destrua este diário funciona como um diário criativo, que vai ajudar o leitor a estruturar os pensamentos de uma forma nada limitada nem previsível.

A agenda antiplanos parte do princípio de que a busca pela organização e pelo perfeccionismo, tão exaltada na cultura moderna, é na verdade um grande empecilho ao processo criativo. O estilo, a forma e a proposta pouco convencional do livro entretêm e levam à reflexão. Capturando momentos e estados de espírito, ele convida o leitor a controlar menos e experimentar mais, a deixar de levar tudo tão a sério e, simplesmente, viver. E o principal: a se divertir! [Leia +]

 

Baía da Esperança, de Jojo Moyes No quinto romance da autora de Como eu era antes de você, a melancólica e reservada Liza McCullen é a responsável por um barco de observação de baleias e golfinhos em Silver Bay, na Austrália, onde também administra com a tia o Hotel Baía da Esperança, que já viu dias melhores.

Hospedado no hotel de Liza, Mike Dormer está lá a negócios: depende dele o pontapé inicial do projeto de um resort de luxo. Enquanto sua noiva, em Londres, finaliza os planos do casamento, Mike tem de conseguir a licença para a construção do empreendimento, algo que terá profundo impacto na fauna de Silver Bay e consequências drásticas para a vida dos moradores.

Quando o mundo de Mike e Liza colidem de forma irremediável, eles precisam encarar os próprios medos para salvar o que amam. Com personagens cativantes em um cenário encantador, Baía da Esperança é um romance comovente e irresistível, repleto do humor e da generosidade que marcam as obras de Jojo Moyes.

EstanteIntrinseca_Abr16_BLOG_Livros3D3

O mistério do mapa (volume 1 da série Poptropica), de Kory Merritt e Jack Chabert — Quando decidiram embarcar em um passeio de balão, Oliver, Mya e Jorge nunca poderiam imaginar que acabariam caindo em uma ilha desconhecida habitada por animais exóticos e uma horda de vikings raivosos. Bem-vindo a Poptropica: um arquipélago completamente fora dos mapas, cuja existência é mantida em segredo do restante do mundo.

Neste primeiro volume da história, inspirada no jogo infantil educativo on-line, os três amigos encontram um mapa mágico e se aventuram em uma perigosa jornada para tentar encontrar o caminho de volta para casa. Porém, os habitantes da ilha — incluindo o assustador líder dos vikings, Erik, o Vermelho — estão nos calcanhares deles, e Octavian, o capitão do balão, responsável por estarem presos naquela ilha, quer seu mapa de volta. Será que Oliver, Mya e Jorge vão conseguir fugir das garras dos sanguinários vikings e encontrar um jeito de escapar da ilha e de Octavian? [Leia +]

 

Solteirona: O direito de escolher a própria vida, de Kate Bolick — “Com quem se casar e quando: essas duas questões definem a existência de toda mulher”, provoca a autora logo no início de Solteirona. Em uma análise inteligente e bem-vinda dos prazeres e possibilidades de ficar solteira, a jornalista e crítica cultural Kate Bolick parte da própria experiência para ponderar o porquê de mais de cem milhões de americanas hoje preferirem ficar solteiras.

No livro, Bolick também apresenta um elenco de personalidades femininas do último século que, pela genialidade e determinação, são inspirações para sua escolha: a colunista Neith Boyce, a ensaísta Maeve Brennan, a visionária social Charlotte Perkins Gilman, a poeta Edna St. Vincent Millay e a escritora Edith Wharton. Ao destacar a trajetória nada convencional dessas mulheres, Bolick faz lembrar quão atemporal é o dilema a respeito de se casar e ter filhos e levanta uma pauta ainda mais crucial nessa discussão: o direito da mulher de escolher a própria vida. [Leia +]

EstanteIntrinseca_Abr16_BLOG_Livros3D4

Conheça nossos livros publicados em março