teste5 fatos que provam que Neil Gaiman está em todos os lugares!

Cena de Os Simpsons com a participação do autor

Cena de Os Simpsons com a participação do autor

É impossível que Neil Gaiman seja apenas uma pessoa. Em 2017, o autor, roteirista, produtor, pai e britânico com um belo corte de cabelo está mais presente na cultura pop do que nunca. Listamos cinco novidades do autor que provam (para quem ainda duvidava) a criatividade aparentemente infinita de Gaiman — e de seus clones.

– Série inspirada em Deuses americanos

Diversas obras do autor já foram adaptadas para a televisão e o cinema, mas nenhuma tão marcante quanto American Gods. A adaptação de Deuses americanos levou anos para ser produzida e chamou atenção ao esbanjar qualidade visual, ação e estilo. A começar pela abertura:

– Série Belas Maldições

Mais uma adaptação para a TV de um livro de Gaiman, escrito em parceria com Terry Pratchett. A série Belas Maldições acompanha um anjo e um demônio nos dias que antecedem o apocalipse e, assim como American Gods, conta com o próprio autor na produção executiva.

Miologia nórdica

Mas nem só de séries vive um escritor, não é mesmo? Em 2017, Gaiman investiu na não ficção e lançou Mitologia nórdica, em que reconta as principais lendas escandinavas, que tanto o influenciaram em sua carreira, mostrando as versões mais próximas dos textos originais, já perdidos ao longo dos séculos. O livro é um sucesso em todo o mundo e, no Brasil, permanece firme e forte na lista de mais vendidos desde o início do ano.

– Vem mais novidade por aí

Como se não bastassem os lançamentos deste ano, Neil Gaiman já anunciou novos livros, entre eles a sequência para dois de seus maiores romances: Lugar Nenhum e Deuses americanos. Sobre estes, tudo que ele contou até o momento é que a continuação de Lugar Nenhum abordará temas como imigração e xenofobia. Vemos um novo clássico a caminho?

Os Simpsons

Os multitalentos do autor ainda vão levá-lo a uma das séries mais famosas de todos os tempos: Os Simpsons! O episódio especial de Halloween vai incorporar elementos de suas obras e muitas referências. Qual será o personagem que será dublado por Gaiman?

 

testeNovo livro de Neil Gaiman, Mitologia nórdica chega às livrarias em março!

Tudo começa e termina com gelo e fogo.

 

Os mitos nórdicos dizem que no princípio de tudo havia apenas Niflheim, o gélido mundo escuro, e Muspell, o infernal mundo das chamas. Dizem também que no Ragnarök, o fim de todas as coisas, o demônio do fogo Surt sairá do seu descanso para destruir todos os mundos com sua espada flamejante. É entre esses dois períodos de gelo e fogo que toda a história dos deuses e dos homens transcorre.

Uma das mitologias mais interessantes e populares até hoje – basta nos lembrarmos dos filmes de super-heróis recentes –, as lendas da época dos vikings sempre influenciaram muito a obra de Neil Gaiman. Desde a infância até suas mais consagradas obras, Deuses americanos e Sandman, é possível perceber como as histórias de Thor, Loki, Odin e demais deuses são relevantes para o autor.

Em Mitologia nórdica, Gaiman se torna cúmplice dos deuses e usa de sua habilidade com as palavras e de sua criatividade fascinante para recontar os mitos nórdicos. Em 15 contos – das histórias mais populares às menos conhecidas –, a obra mostra como era a visão dos escandinavos para o início e o fim do mundo.

Ideal para quem quer descobrir mais sobre as lendas nórdicas e também para aqueles que desejam desvelar novas facetas dessas histórias, Mitologia Nórdica chega às livrarias a partir de 13 de março e está em pré-venda.

testeLivros para comemorar 1 ano de Papo Nerd no Estoque!

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O Papo Nerd no estoque está completando um ano hoje! Em 2016, nosso programa de terças no Snapchat (ed.intrinseca) falou sobre os temas mais diversos do universo Geek em 2016, culminando na nossa transmissão ao vivo direto da Comic Con Experience, em São Paulo – que você pode assistir na íntegra em nosso youtube.

E, como um episódio especial de fim de ano da sua série favorita, separamos 5 livros em parceria com a Amazon que terão 30% de desconto por 24 horas! Para aproveitar este presente, é só assistir ao programa desta terça-feira, 13 de dezembro, em nosso Snap e clicar neste link. Os livros com desconto são:

 

O código Bro + Playbook

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Livros originados da série de TV How I Met Your Mother, O código Bro e Playbook: O manual da conquista são duas das inúmeras maluquices criadas por Barney Stinson (Neil Patrick Harris), personagem da série.

O código Bro é a compliação do código de conduta dos Bros, com regras simples como “Um Bro não permite que outro se case antes dos 30” (Artigo 32), regras para performances em pista de dança e afins, “Um Bro nunca dança com as mãos acima da cabeça” (Artigo 15), até dicas de moda, “A menos que tenha filhos, um Bro nunca deve usar o celular preso no cinto” (Artigo 26).

Playbook: O manual da conquista traz desde técnicas de sedução para conquistar qualquer pessoa – desde que ela não se incomode com um pouco de insanidade aos moldes de seu autor. Indicado tanto aos iniciantes quanto aos mais experientes, o livro também é para aqueles que só querem tentar táticas absurdas na arte de conquistar alguém.

 

O oceano no fim do caminho

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Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem.  Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa.

Livro surpreendente de Neil Gaiman, O oceano no fim do caminho demonstra um raro entendimento daquilo que nos torna humanos, e mostra o poder que as histórias têm de revelar e, ao mesmo tempo, de nos proteger dos perigos dentro e fora de nós. É uma fábula emocionante, assustadora e melancólica. Um convite a repensar a escuridão que espreita as memórias da infância.

 

Lugar Nenhum

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Richard Mayhew é um homem simples de coração bom que tem a sua pacata vida transformada quando ajuda uma jovem que encontra ferida numa calçada. De um dia para o outro, Richard se torna invisível na Londres que sempre conheceu: não tem mais trabalho, não tem mais noiva, não tem mais casa. Para recuperar sua vida, ele se embrenha em um mundo que nunca sonhou existir, uma cidade que se abre nos esgotos e nos túneis subterrâneos: a chamada Londres de Baixo, habitada por criaturas, monstros e lendas.

 

Deuses americanos

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Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, Deuses americanos mostra a road trip de um ex-detento, Shadow Moon, e seu misterioso empregador, que atravessam os Estados Unidos reunindo um estranho grupo de pessoas para uma guerra que está por vir. O que Shadow logo descobre é que o conflito será entre divindades antigas — como Odin e Anansi — e novos deuses, como Mídia e Tecnologia.

Clássico de Neil Gaiman, Deuses americanos será adaptado para a televisão em 2017.

Se você ainda não conhece nosso Snapchat, basta usar o aplicativo para escanear o código abaixo e aproveitar a semana especial em parceria com a Amazon.

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testeLivros para uma Comic Con épica!

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Entre os dias 1 e 4 de dezembro a Intrínseca estará na CCXP – Comic Con Experience, o maior evento geek da América Latina! Além do Papo Nerd ao vivo no sábado, 03/12, nosso estande terá uma decoração especial (que vocês podem ver os bastidores em nosso Snapchat: ed.intrinseca) e livros que todo tipo de geek vai adorar. Confira a nossa seleção para o evento:

1. Deuses americanosde Neil Gaiman:Deuses americanos é, acima de tudo, um livro estranho. E foi essa estranheza que tornou o romance, publicado pela primeira vez em 2001, um clássico imediato. Nesta nova edição, preferida do autor, o leitor encontrará capítulos revistos e ampliados, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução. [Leia +]

2. Alerta de risco, de Neil Gaiman: Um escritor sofisticado cujo gênio criativo não tem paralelos, Gaiman hipnotiza com sua alquimia literária e nos transporta para as profundezas de uma terra desconhecida em que o fantástico se torna real e o cotidiano resplandece. Composto de 25 contos repletos de estranheza e terror, surpresa e diversão, Alerta de risco é um tesouro que conquista a mente e agita o coração do leitor. [Leia +]

3. Lugar Nenhum, de Neil Gaiman: Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta Edição Preferida inclui um texto de introdução assinado por Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo. [Leia +]

4. História da sua vida e outros contos, de Ted Chiang: Ícone da ficção científica contemporânea é publicado pela primeira vez no Brasil em coletânea que inclui o conto que inspirou o filme A Chegada. Os oito textos reunidos em História da sua vida e outros contos ganharam no total nove importantes prêmios, dentre eles Nebula, Hugo, Locus, Sturgeon, Sidewise e Seiun. [Leia +]

5. Unidos somos um, de Pittacus Lore: O aguardado desfecho da série Os Legados de Lorien, repleto de surpresas e reviravoltas de tirar o fôlego. A guerra entre a Garde e os mogadorianos, que por tanto tempo ocorreu em segredo, tornou-se um conflito global. [Leia +]

6. Nimona, de Noelle Stevenson: Protagonizada pela anti-heroína mais surpreendente, Nimona é uma graphic novel fora dos padrões. Uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu. Mas Nimona não sabia que seu herói possuía escrúpulos. Menos ainda uma deliberada missão. [Leia +]

7. Legado,de Hugh Howey: No último volume da série Silo, as escolhas de Donald e Juliette podem mudar o mundo… ou extingui-lo de vez. Em Legado, Juliette se torna prefeita do Silo 18, que está se recuperando de uma rebelião. Seu governo encontra grande resistência por causa da controversa escavação para resgatar os supostos sobreviventes do Silo 17, uma empreitada vista com desconfiança que está espalhando o medo entre os moradores do Silo 18. Como se isso não fosse um desafio grande o bastante, Juliette também recebe transmissões de Donald, a voz que alega ser líder do Silo 1 e está disposta a ajudar — mas é capaz de fazer ameaças horríveis. [Leia +]

8. As Chamas do Paraíso, de Robert Jordan: Antigas instituições caem por terra e novas alianças se formam, pois o Dragão Renascido provoca mudanças por onde passa. Heróis lendários se juntam à história no novo volume de A Roda do Tempo, uma das mais extraordinárias séries já escritas. [Leia +]

9. Faca de água, de Paolo Bacigalupi: Num futuro árido e tumultuado, acontece uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo para conseguir água. Nesse cenário surge Angel, um mercenário com a missão de cortar e desviar o fornecimento de água a mando de quem paga mais. Lucy é uma jornalista premiada que decidiu revelar para o mundo a realidade da Grande Seca. Maria é uma jovem cuja vida foi destruída pelos efeitos das mudanças climáticas. Quando o direito de usar a água significa dinheiro para alguns e sobrevivência para outros, o que esses três personagens não sabem é que seu encontro é um marco que poderá mudar tudo. [Leia +]

10. Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor: O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas da pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, vire de cabeça para baixo. [Leia +]

11. Aceitação, de Jeff Vandermeer:  É inverno na Área X, a misteriosa região selvagem que há trinta anos desafia explicações e repele pesquisadores de expedição após expedição, recusando-se a revelar seus segredos. Enquanto sua geografia impenetrável se expande, a agência responsável por investigar e supervisionar a área — o Comando Sul — entra em colapso. Uma última e desesperada equipe atravessa a fronteira, determinada a alcançar uma remota ilha que pode conter as respostas que eles tanto procuram. Último livro da trilogia de ficção científica Comando SulAceitação conecta os dois livros anteriores, Aniquilação e Autoridade, em capítulos breves e acelerados, narrados da perspectiva de personagens cruciais. Página após página, os mistérios são aos poucos solucionados, mas as consequências e as implicações dos acontecimentos passados jamais serão menos profundas ou aterrorizantes. [Leia +]

12. O universo numa casca de noz, de Stephen Hawking:Nesse que é um dos maiores clássicos do pensamento científico moderno, Stephen Hawking utiliza ilustrações, fotos e esquemas detalhados para mostrar grandes descobertas no campo da física teórica. Tudo isso, é claro, com sua reconhecida clareza, elucidando temas complexos por meio de conceitos e ideias do dia a dia, como inflação, cartas de baralho e linhas ferroviárias, e permeado com seu peculiar senso de humor. [Leia +]

testeA nova mitologia de Deuses americanos

Por Alexandre Matias*

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Ainda não chegou o tempo em que olharemos para trás e reconheceremos que Deuses americanos foi um marco na literatura fantástica mundial. O livro que lançou a carreira de Neil Gaiman como escritor para além dos quadrinhos completa quinze anos em 2016, e sua adaptação para série de TV já está sendo filmada e estreia em 2017. O aniversário traz de volta a versão integral que Gaiman mandou a seu primeiro editor, que podou dezenas de páginas. Nessa  Edição Preferida do Autor as páginas extras são resgatadas, além de outros textos de Gaiman sobre o livro, como uma nova introdução e uma entrevista.

Em Deuses americanos, Gaiman explora a possibilidade de mitologias acompanharem seus povos em migração. A história se passa na virada do milênio, mas também volta no tempo para mostrar os Estados Unidos em formação, explicando como cada povo e cada tribo deixou a Europa rumo à América levando consigo suas crenças — e como estas foram se transformando no novo continente, que, ao mesmo tempo, via o nascimento de novos deuses.

Assim como acontece na extensa saga em quadrinhos Sandman, publicada entre 1989 e 1996, a sombra que Deuses americanos projeta sobre a fantasia atual ainda está em lento crescimento, sendo apresentada a novos públicos e espalhando-se para além daquele momento inicial de seu lançamento.

Na nova introdução, Neil Gaiman explica que concebeu o título do livro antes mesmo de saber sobre o que escreveria. E, ao apresentá-lo para sua editora, recebeu de volta uma capa já pronta com a clássica imagem do relâmpago ao longe, no horizonte de uma estrada. A imagem icônica surgiu antes mesmo de Gaiman determinar exatamente qual história queria contar e qual tom daria à nova saga.

De certa forma, Deuses americanos pode ser visto como uma continuação do universo que Gaiman começou a explorar em Sandman, embora por outro ponto de vista. Com a série da DC Comics, o autor britânico escolheu um personagem de terceiro escalão da editora e foi em sua essência, descobrindo que o nome Sandman estava vinculado ao personagem do sonho em todas as mitologias. Criou um universo no qual sete irmãos — os Perpétuos — atravessam todas as narrativas da história humana. Eles são entidades que existem desde a aurora dos tempos — Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio (todos com D, em inglês) — e cuja interação afeta diretamente a vida dos seres humanos. Sandman era um enorme xadrez da eternidade, em que diferentes deuses e personagens fantásticos brincavam com a mortalidade humana.

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Deuses americanos nos faz ver esses universos mitológicos do ponto de vista mortal. O protagonista, Shadow, cruza os Estados Unidos de carro em busca de divindades de outras culturas que estiveram na base da formação do país, mas que aos poucos foram perdendo a importância, ao mesmo tempo em que viram o nascer de novos deuses, aqueles que batizam o livro. E, mesmo que tenha uma história fechada, o universo de Deuses americanos acabou por invadir e dar origem a outros livros de Neil Gaiman, que aos poucos vai desenhando seu próprio universo ficcional.

A adaptação do livro para a TV amplia ainda mais as fronteiras desse universo. A princípio produzida pela HBO, a série passou para o canal fechado Starz e conta com nomes como Bryan Fuller (da série Hannibal) e Michael Green (que fez Heroes e Kings e atualmente produz Gotham e escreve a continuação de Blade Runner), além do próprio Neil Gaiman, que acompanha de perto o projeto desde o início. Gaiman já admitiu ter participado do roteiro dos primeiros episódios da série, que teve seu primeiro teaser exibido — e recebido com aplausos — na Comic Con de San Diego deste ano, o principal evento de cultura pop do mundo.

Ao chegar à TV durante uma grande entressafra que coincide com a fase final do fenômeno de fantasia Game of Thrones, há uma grande chance de a série encontrar um público ávido por novas histórias que misturem mitologia e realidade. Em Deuses americanos, assim como em toda obra de Neil Gaiman, os fãs encontrarão um enorme manancial de contos, fábulas e épicos.

Mas ainda há muito pela frente. Outras obras fantásticas — como O senhor dos anéis, Harry Potter e o próprio Game of Thrones — só atingiram o auge da popularidade quando saíram do papel e chegaram às telas do cinema e da TV, sendo que apenas os autores dos dois últimos — J.K. Rowling e George R.R. Martin — puderam curtir o ápice de popularidade e alcance de suas criações, ajudando-as a crescer nesta transição. A nova edição de Deuses americanos e a iminente série são as primeiras provas de que esse universo pode — e deve — ser bem explorado nos próximos anos.

 

Alexandre Matias, 41 anos, é jornalista e cobre cultura e tecnologia há vinte anos, com base em seu site, Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br).

testeObra-prima de Neil Gaiman, Deuses americanos será relançado em edição especial!

Então as luzes se apagaram, e Shadow viu os deuses.

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Em 1992, Neil Gaiman deixava a Inglaterra, sua terra natal, e se mudava para os Estados Unidos.

Tendo consumido ao longo da vida séries, livros e filmes que exaltavam a cultura americana, o autor acreditava que a adaptação ao novo lar seria tranquila. Mas, ao chegar, Gaiman finalmente pôde conhecer o país a fundo. Misturando suas experiências com diversas referências mitológicas, o autor captou a essência americana em um livro, lançado originalmente em 2001 e que se tornaria uma de suas obras mais importantes: Deuses americanos.

Em breve, a Intrínseca relançará o clássico, em uma nova Edição Preferida do Autor. Contando com capítulos expandidos, artigos, uma entrevista com Gaiman e um inspirado texto de introdução, o livro chega às livrarias a partir de 24 de outubro.

A história acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia ansiando retornar para a esposa. Dias antes do fim de sua pena, Shadow descobre que ela faleceu após um acidente, e fica sem rumo na vida.

Após o velório, ele conhece Wednesday, um homem com olhar enigmático e que está sempre com um sorriso insolente no rosto, e ele lhe oferece um emprego. É em sua nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade de seu chefe e que, além de pessoas dos mais diversos cantos do mundo, os Estados Unidos também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

Uma mistura de road trip, fantasia e mistério, uma história sobre perda e redenção, sobre o velho e o novo, sobre memória e fé, Deuses americanos é o exemplo máximo da versatilidade e da prosa lúdica e ao mesmo tempo cortante de Neil Gaiman.

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Shadow Moon (Ricky Whittle) e Wednesday (Ian McShane) – Fonte

Em 2017, a obra será adaptada para a TV, em uma série produzida por Bryan Fuller (das séries Hannibal, Pushing Daisies e dos novos filmes da franquia Star Trek) e pelo próprio Gaiman. Shadow Moon será interpretado pelo ator Ricky Whittle (da série The 100), enquanto Ian McShane (Piratas do Caribe e Game of Thrones) fará Wednesday. Completam o elenco Gillian Anderson (Arquivo X), Emily Browning (Desventuras em Série), Pablo Screiber (Orange Is the New Black) e Crispin Glover (De Volta Para o Futuro). O primeiro trailer foi divulgado recentemente, e pode ser visto logo abaixo:

testePor que visitar Lugar Nenhum

Bem-vindo à Londres de Baixo!

Por Larissa Helena*

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Ilustração de Juliette Arda (Fonte)

Se você está morrendo de vontade de tirar férias e precisa de ideias para uma viagem fantástica, pode parar de procurar: seu próximo destino está aqui! Quer dizer, na livraria mais próxima.

O que dá para garantir: emoção, aventura e surpresas em todas as paradas.

O que não dá para garantir: sua segurança. Ou sua antiga vida de volta.

Acontece que Lugar Nenhum é uma daquelas jornadas sem retorno: depois de passar pelas portas secretas que levam à Londres de Baixo, de conhecer o Mercado Flutuante e descobrir o verdadeiro perigo que se esconde entre o trem e a plataforma do metrô, fica muito, muito difícil voltar à superfície como se nada tivesse acontecido. Mesmo que você se esforce bastante.

Veja o caso de Richard Mayhew. Ele tem um emprego. Um apartamento. Uma noiva. Talvez seja meio esquecido, mas sua vida parece perfeitamente nos eixos: ocasionais visitas indesejadas ao museu para acompanhar sua alma gêmea, cervejas para discutir assuntos burocráticos com os colegas de trabalho… Tudo bem, talvez ele também tenha um coração mole. Mole demais para morar numa capital em que há pedintes em cada esquina, e “se você dá atenção, eles se aproveitam”, como bem lhe lembra a noiva. Mas ele não consegue fazer como todo mundo e simplesmente fingir que não os vê.

Tudo isso é razoavelmente perdoável, até o dia em que uma menina ensanguentada brota de uma parede bem na frente dele, a minutos de um jantar crucial. O que Richard pode fazer senão ajudá-la, contra a vontade da noiva e o próprio bom senso? Para ele, é assim que tudo começa.

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Lugar Nenhum, aliás, também começou como uma espécie de rebeldia. Neil Gaiman era jornalista, já publicara algumas histórias em quadrinhos e começava a realizar seu sonho de escrever ficção para várias plataformas quando foi convidado pela BBC para desenvolver o roteiro para uma série para a TV. Só que muitas de suas ideias foram cortadas ou alteradas para caber no orçamento e no formato do programa e ele resolveu escrever este livro, “para manter a sanidade mental”.

O resultado foi uma espécie de “versão do diretor” (só que, no caso, do roteirista). Controle total: quando uma cena não entrava na série, ia parar no livro, e, ao longo de muitos anos, ele ainda pôde cortar e acrescentar informações, até culminar na edição definitiva, que chega pela primeira vez às prateleiras brasileiras — com direito a uma introdução do autor, um prólogo original e um conto inédito. Além disso, parte do motivo para Neil Gaiman gostar bem mais desta versão é que o texto funciona tanto para os que estão familiarizados com o mapa do metrô de Londres quanto para quem não sabe nada sobre a capital.

Eu era justamente do grupo dos novatos quando tudo começou para mim. Uma adolescente fascinada pela Inglaterra, e também obcecada por ordens cronológicas, por isso Lugar Nenhum foi o primeiro livro do Neil Gaiman que li. Eu esperava embarcar num livro, e acabei numa viagem a Londres. Mas não era bem a Londres que eu sonhava conhecer; aquela era excêntrica, sombria e convidativa, e ao mesmo tempo perigosa e fascinante como uma besta.

Tudo começa com portas.

Tudo começa com portas. (Fonte: BBC)

E ficou retida no meu imaginário de um jeito tão vívido que mais tarde, quando fui de fato a Londres (à de cima, afinal, vocês ainda conseguem ler o que eu escrevo… né?), encarava as estações me perguntando o que haveria ali embaixo, por trás e ao redor, invisível sob o nevoeiro da cidade.

Foi quando entendi a dimensão do que o Gaiman tinha feito. Andando por Londres, é difícil não misturar ficção e realidade, caminhar sem evocar fantasmas de Sherlock Holmes, da Alice ou do Doctor Who pairando sobre a paisagem. Em seu primeiro romance, ele chegou já com o pé na porta, inscrevendo seu nome no rol dos notáveis que adicionaram mais uma camada de significado inteirinha, original e fresca (modo de falar, porque a Londres de Baixo é bolorenta e tem cheiro de esgoto) a uma cidade que já parecia saturada de referências. Gaiman provou que sempre há espaço para mais.

Além de tudo isso, Lugar Nenhum é uma épica fantasia urbana com pitadas de contos de fadas, surpreendentemente adulta e ao mesmo tempo capaz de evocar o sentimento de fascinação infantil de quando fomos apresentados pela primeira vez a histórias fantásticas. Guiados pela história de Richard, conseguimos vislumbres pontuais de um universo de infinitas possibilidades, que se expande para muito além dos limites do livro, na tradição dos clássicos como os de Lewis Carroll ou C. S. Lewis.

No que diz respeito à obra de Gaiman, Lugar Nenhum serve ao mesmo tempo como introdução e relicário. Para quem não conhece outros livros dele, é a oportunidade para desvendar a especialidade do autor: construir um mundo extraordinário curiosamente coerente e sinistramente próximo do nosso, reconhecível através de indícios e que deixa uma impressão clara e duradoura na mente do leitor. Para os que já são fãs do autor, a experiência é gratificante por outros motivos: vasculhando bem, dá para encontrar referências claras a Will Eisner, um humor com gostinho de Douglas Adams e uma infinidade de temas que voltam a aparecer nas histórias de Shadow ou dos Perpétuos, para citar alguns exemplos.

Para mim, quando a Londres de Baixo entrou em cena de novo, muitos anos depois que tudo começou, fiquei tão fascinada quanto da primeira vez. E novamente, na vida real como na história de Richard, foi a cidade de cima que ficou invisível para mim: enquanto eu lia, percorrendo nas páginas os caminhos subterrâneos de Londres, passei reto várias vezes da estação de metrô em que precisava saltar.

>> Leia um trecho de Lugar Nenhum

 

*Larissa Helena teve certeza de que queria trabalhar com literatura há dez anos, quando começou sua pesquisa acadêmica sobre Neil Gaiman. Hoje ela é editora, e já teve o prazer de negociar e editar livros do autor. Também é tradutora e pesquisadora especializada em literatura fantástica ou voltada para o público jovem adulto.

testeSe você gosta de… vai gostar de…

Lista Gosta gosta

Em algumas ocasiões, ficamos sem um bom livro para ler, seja por finalmente acabarmos de ler aquela pilha de leituras atrasadas ou por não termos certeza de que o livro que vimos na livraria é realmente interessante. Pensando nisso, separamos algumas recomendações de acordo com outros livros, séries e filmes que você pode gostar.

– Gosta de Extraordinário? Você vai gostar de Pax

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A tocante história de Peter e sua raposa de estimação Pax tem tudo para agradar aos fãs do menino Auggie. Com importantes lições sobre amizade e crescimento, o livro de Sara Pennypacker emociona o leitor desde a primeira página. Natureza e humanidade se encontram nessa obra-prima sobre lealdade e amor.

– Gosta de A menina que roubava livros? Você vai gostar de Toda luz que não podemos ver

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É inegável o papel transformador da Segunda Guerra Mundial na história. Mesmo fora do front de batalha, o impacto do conflito afetou de forma drástica a vida dos milhões de civis que viviam na Europa, inclusive à das crianças. Se você se emocionou com a história de Liesel em A menina que roubava livros, o vencedor do Pulitzer Toda luz que não podemos ver é a pedida ideal.

– Gosta de Curtindo a Vida Adoidado, As Vantagens De Ser Invisível ou A culpa é das estrelas? Você vai gostar de O dia da morte de Denton Little.

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Livros como A culpa é das estrelas e filmes como As Vantagens De Ser Invisível mostraram que é possível escrever para jovens e abordar assuntos delicados como morte e depressão. Adicione a essa temática a atmosfera hilária e irreverente de filmes clássicos como Curtindo a Vida Adoidado, e será impossível não se encantar por O dia da morte de Denton Little.

– Gosta de O Guia Do Mochileiro Das Galáxias, Twin Peaks ou Gravity Falls? Você vai gostar de Welcome to Night Vale.

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Você se interessa por coisas surreais, hilárias e ligeiramente assustadoras? Então você precisa conhecer Welcome to Night Vale. Localizada no meio do deserto americano, Night Vale é lar de teorias da conspiração e criaturas bizarras e vai agradar em cheio os fãs de esquisitices literárias.

– Gosta de Para todos os garotos que já amei? Você vai gostar de Isla e o final feliz.

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Se você gosta de personagens femininas fortes e de romances complicados, os principais ingredientes de Para todos os garotos que já amei, é hora de dar uma chance a Isla e o final feliz. Enquanto o terceiro livro de Jenny Han não chega às livrarias brasileiras, você vai se deliciar com os encontros e desencontros de Isla e Josh.

– Gosta de Downton Abbey e filmes de época como Desejo e Reparação? Você vai gostar de Belgravia e Miniaturista.

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Fãs de dramas de época, carentes após o fim do sucesso de crítica e público que foi Downton Abbey, podem comemorar, pois temos duas recomendações imperdíveis: a primeira é Belgravia, série em folhetim do mesmo autor de Downton Abbey, Jullian Fellowes, ambientada nos anos 1840, na véspera da Batalha de Waterloo. A segunda é Miniaturista, de Jessie Burton, trama que se passa na elitista sociedade da Amsterdã do século XVII.

– Gosta de mistérios como Lost e Stranger Things? Você vai gostar de S.

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Recentemente a série da Netflix Stranger Things mostrou que ainda existe espaço para os fãs de mistérios surpreendentes. Responsável pela série Lost, J.J. Abrams se estabeleceu em Hollywood como uma espécie de mestre dos suspenses criativos e originais, e foi o responsável por trazer Star Wars de volta aos cinemas. Abrams também se aventurou no mundo dos mistérios literários junto de Doug Dorst e concebeu S., um livro-jogo com diversas histórias e segredos, em que o leitor é mais do que sujeito passivo da história, atuando diretamente na descoberta dos mistérios da obra.

– Gosta de O oceano no fim do caminho, Deuses americanos e Doctor Who? Você vai gostar de Lugar Nenhum.

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Neil Gaiman é um dos escritores mais criativos da atualidade. Se você gostou de best-sellers do autor, como Deuses americanos e o recente O oceano no fim do caminho, é hora de conhecer Lugar Nenhum. Com pitadas de surrealismo similares à série Doctor Who, o livro apresenta um mundo secreto escondido nos subterrâneos de Londres.

 

testeAs perturbações de Neil Gaiman compiladas em Alerta de Risco

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Neil Gaiman já explorou lendas africanas, contos de fadas, memórias de infância e até mesmo os subterrâneos secretos da Inglaterra. Mas é nos contos que o autor esmiúça sua faceta mais perturbadora.

Em Alerta de risco, nova coletânea de contos do autor, o leitor vai mergulhar em histórias hipnotizantes, capazes de despertar surpresa e assombro, como o conto “Cão negro”, que revisita o mundo de Deuses americanos ao narrar um episódio que envolve Shadow Moon em um bar durante seu retorno aos Estados Unidos.

Alerta de risco chega às livrarias a partir de 22 de agosto. Leia um trecho abaixo, ou clicando no link.

“Introdução

1. Pequenos gatilhos

Certas coisas nos incomodam. Mas não é bem a essas que vou me referir aqui. Na verdade, tenho em mente aquelas imagens, palavras ou ideias que se abrem como alçapões sob nossos pés, nos arrancando do nosso mundo calmo e confortável para nos lançar em um mundo sombrio e nada acolhedor. O coração dá um salto vertiginoso no peito, a respiração fica difícil. O sangue foge do rosto e das mãos, nos deixando pálidos e ofegantes, em choque.

E o que aprendemos sobre nós mesmos nesses momentos em que o gatilho é apertado é que o passado não morre. Certas coisas ficam à espreita, esperando pacientemente por nós, em passagens sombrias da nossa vida. Acreditamos que ficaram para trás, que as ultrapassamos, que lá vão ressecar e encolher e serão levadas pelo vento — mas estamos enganados. Elas permaneceram lá na escuridão, à espera, se exercitando, praticando seus golpes mais potentes, o soco impetuoso, duro e insensível no estômago, só aguardando o momento em que voltaríamos por aquele caminho.

Os monstros que habitam nossos armários e nossa cabeça jamais deixam a escuridão, como o mofo que cresce sob a tábua corrida e atrás do papel de parede. E há tanta escuridão… remessas incessantes de escuridão. O universo e seu vasto estoque de sombras.

Do que precisamos ser alertados? Todos temos nossos pequenos gatilhos. A primeira vez que vi a expressão “alerta de risco” foi na internet [derivada do inglês trigger warning], onde é usada geralmente quando há links para imagens ou ideias que podem ser perturbadoras e desencadear lembranças traumáticas, ansiedade ou pânico. A intenção é que as pessoas identifiquem essas imagens e ideias em meio a outros conteúdos e possam evitá-las ou se preparar mentalmente para se deparar com tais gatilhos.

Fiquei fascinado quando soube que os alertas de risco tinham cruzado a fronteira que separa a internet do mundo tangível. Muitas universidades estavam considerando incluir alertas de risco em livros, obras de arte e filmes, para precaver os estudantes contra o que os esperava. A ideia me pareceu ao mesmo tempo atraente (é claro que desejamos informar pessoas suscetíveis de que algo pode vir a perturbá-las) e preocupante: Sandman foi publicado originalmente como um quadrinho mensal, que sempre trazia um aviso ao mundo dizendo que era conteúdo adulto, e isso me parecia adequado. Era um recado para os leitores em potencial, informando que aquilo não se tratava de um quadrinho infantil e que continha imagens ou ideias possivelmente perturbadoras e sugerindo que o leitor adulto (seja lá quem se encaixe nessa categoria) lidaria sozinho com as consequências. Quanto ao que haveria ali de perturbador, chocante ou capaz de suscitar pensamentos incomuns, eu achava que avaliar isso era responsabilidade do leitor. Se somos adultos, cabe a nós decidir o que queremos ler ou não.

Na minha opinião, o que escolhemos ler quando adultos deveria vir sem nenhum alerta, ou, no máximo, um “prossiga por sua própria conta e risco”. Precisamos descobrir o que é a ficção, encontrar o significado de uma experiência que será diferente da experiência de qualquer outra pessoa.

Construímos as histórias na nossa mente. Pegamos palavras e lhes conferimos poder, e nos colocamos atrás de outros olhos, enxergando e vivenciando o que os outros veem. Eu me pergunto: A ficção é um lugar seguro? E, em seguida: Deveria ser? Quando criança, li algumas histórias que, depois de terminar, lamentei tê-las encontrado, pois não estava pronto e elas me deixaram transtornado: histórias que continham desamparo extremo, ou que mostravam pessoas sendo constrangidas ou mutiladas, em que adultos eram retratados como vulneráveis e os pais em nada podiam ajudar. Essas histórias me perturbaram e assombraram meus sonhos — os noturnos e os diurnos —, provocando em mim preocupação e incômodo em níveis profundos, mas também me ensinaram que, ao ler ficção, eu só descobriria os limites da minha zona de conforto se saísse dela. Hoje, já adulto, eu não optaria por não as ter lido, nem se pudesse.

Ainda há coisas que me perturbam profundamente quando encontro essas histórias, seja na internet, no texto ou no mundo. Nunca se tornam mais fáceis, nunca deixam de fazer meu coração bater mais forte, nunca me permitem escapar ileso. No entanto, elas me ensinam, abrem meus olhos e, se me machucam, o fazem de maneira que me leva a pensar, crescer e mudar.

Ao ler a respeito daqueles debates universitários, me perguntei se um dia minhas obras de ficção viriam acompanhadas de um alerta de risco. Será que haveria justificativa para tanto? Então, decidi colocá-lo antes que alguém o fizesse.

Este livro, assim como a vida, contém elementos capazes de perturbá-lo. Aqui você vai encontrar morte e dor, lágrimas e desconforto, violência de todos os tipos, crueldade e até abuso. Há também gentileza de vez em quando, espero. Até um punhado de finais felizes. (Afinal, poucas histórias terminam mal para todos os participantes.) E mais: conheço uma mulher chamada Rocky que tem forte sensibilidade a tentáculos e realmente precisa de alertas para coisas que contenham tentáculos, especialmente tentáculos com ventosas, e que, se encontrar um pedaço inesperado de lula ou polvo, vai se esconder atrás do sofá mais próximo, tremendo. Há um tentáculo imenso em algum lugar nestas páginas.

Muitas das histórias terminam mal para pelo menos um dos envolvidos. Considere-se alertado.

 

2. Procedimentos de segurança para o voo

Às vezes, imensas verdades são proferidas em contextos inusitados. Eu viajo demais de avião — uma ideia e uma frase que eu seria incapaz de compreender na juventude, quando cada voo era um evento empolgante e milagroso, quando eu olhava pela janela e imaginava que as nuvens eram uma cidade ou um mundo, algum lugar onde eu pudesse caminhar tranquilamente. Mas mesmo hoje, no início de cada voo, me vejo meditando e ponderando sobre os conselhos oferecidos pela tripulação como se fossem um koan, uma pequena parábola ou o ápice de toda a sabedoria humana.

Os comissários de bordo dizem:

Coloque sua máscara antes de ajudar os outros.

E penso em nós, todo mundo, e nas máscaras que usamos, as máscaras atrás das quais nos escondemos e aquelas que revelamos. Imagino as pessoas fingindo ser o que não são e descobrindo que os outros são muito mais e muito menos do que o papel que representam e do que a imaginação permite conceber. Então penso na necessidade de ajudar os outros, em como nos mascaramos para fazer isso e em como nos tornamos vulneráveis se tirarmos a máscara…

Estamos todos usando máscaras. É isso que nos torna interessantes.

Estas histórias tratam dessas máscaras e dos indivíduos que vivem sob elas.

Nós, escritores, que vivemos da ficção, somos um continuum daquilo que vimos e ouvimos e, ainda mais importante, de tudo o que lemos.

Tenho amigos que esbravejam, rosnam e explodem de frustração porque as pessoas não conhecem as referências, não sabem o que está sendo indicado, esqueceram autores, histórias e mundos. Tendo a observar isso de uma perspectiva diferente: também já fui uma folha em branco, esperando pela escrita. Foram as histórias que me ensinaram sobre as coisas e pessoas, e foram as histórias que me apresentaram outros autores.

Muitos dos contos deste livro — talvez a maioria — fazem parte desse mesmo continuum. Existem porque outros autores, outras vozes, outras mentes existiram. Espero que você não se importe se, nesta introdução, eu aproveitar a oportunidade para indicar alguns dos autores e lugares sem os quais estas histórias talvez jamais vissem a luz do dia.

 

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Confira sinopses e trechos dos livros que publicaremos neste mês:

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Loney, de Andrew Michael Hurley – Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era jovem e visitou o lugar. Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês. [Leia +]

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A ditadura acabada, de Elio Gaspari – A mais aclamada obra sobre o regime militar no Brasil chega à conclusão com o livro A ditadura acabada. No quinto volume da Coleção Ditadura, o jornalista Elio Gaspari examina com riqueza de detalhes o período de 1978 a 1985, desde o final do governo do presidente Ernesto Geisel e a posse de seu sucessor, o general João Baptista Figueiredo, até a eleição de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral.

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A publicação de A ditadura acabada é a conclusão da obra definitiva sobre um dos períodos mais turbulentos da história do Brasil, resultado de uma extensa pesquisa e do acesso a uma documentação até então inédita. Os cinco volumes da Coleção Ditadura foram reunidos em um luxuoso box, também disponível em versão digital. [Leia +]

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F de falcão, de Helen Macdonald – Best-seller do The New York Times, F de falcão é um livro de memórias nada usual que narra a história de Helen Macdonald a partir do momento em que viaja até a Escócia para comprar um falcão. Devastada por uma forte depressão após a morte de seu pai, Helen se encontra em um abismo e nada mais faz sentido em sua vida. Porém, ao praticar a falcoaria com Mabel, sua nova ave de rapina, e ler os diários de T. H. White, clássico autor da literatura inglesa, ela começa a entender que o luto é um estado que não pode ser evitado, mas que pode ser superado — inclusive com a ajuda de um inusitado açor.

A premiada escritora britânica participará da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 29 de junho a 3 de julho. Saiba mais

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Liderança, de Alex Ferguson e Michael Moritz – O que é necessário para levar uma equipe ao máximo de sucesso e mantê-la no topo por um bom tempo? Sir Alex Ferguson é um dos poucos líderes que sabem de fato a resposta a essa pergunta. Nos 38 anos em que atuou como técnico de futebol, ele alcançou a impressionante marca de 49 troféus e fez do Manchester United uma das maiores marcas do mundo. Nesse livro franco e inspirador, ele revela os segredos por trás de sua carreira repleta de recordes. [Leia +]

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Gentil como a gente, de Fernanda Gentil – Com leveza e humor, Fernanda Gentil conta uma história de amores vivida por uma família singular e ao mesmo tempo igual à de todo mundo. Mocinha (ou Fernanda?) briga e, com a frequência de eclipses lunares, pede desculpas. Quando quer, sabe ser fofa. E mostra-se craque em entender as diferenças entre o feminino e o masculino, mata no peito, sai de impedimento, bota para escanteio e bate um bolão. Porque o que Fernanda mais quer é fazer e ser feliz. Sem firulas. Gentil. Como a gente. [Leia +]

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Lugar Nenhum, de Neil Gaiman – Publicado pela primeira vez em 1997, a partir do roteiro para uma série de TV, o sombrio e hipnótico Lugar Nenhum, primeiro romance de Neil Gaiman, anunciou a chegada de um grande nome da literatura contemporânea e se tornou um marco da fantasia urbana. Ao longo dos anos, diferentes versões foram publicadas nos Estados Unidos e na Inglaterra, e Neil Gaiman elaborou, a partir desse material, um texto que viesse a ser definitivo: esta Edição Preferida do autor inclui um texto de introdução assinado por Gaiman, uma cena cortada e um conto exclusivo. [Leia +]

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No reino do gelo, de Hampton Sides – No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte. No reino do gelo conta a fascinante história de heroísmo e determinação do navegador George De Long e da tripulação do navio americano USS Jeannette na conquista de um dos locais mais implacáveis do planeta. [Leia +]

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Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor – O podcast Welcome to Night Vale conta as histórias da cidade de Night Vale, uma amistosa comunidade no meio do deserto onde todas as teorias da conspiração são reais. No formato de um programa de rádio, Cecil Palmer, locutor da rádio comunitária, informa a todos as pequenas estranhezas da pacata cidadezinha — onde fantasmas, anjos, alienígenas e agências governamentais misteriosas e ameaçadoras fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Desta vez, a chegada de um homem de paletó bege faz com que as vidas de duas mulheres, cada uma com seu mistério, vire de cabeça para baixo. [Leia +]

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A outra história, de Tatiana de Rosnay – Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo perturbador, há décadas mantido a sete chaves por sua família. Perplexo, ele parte em uma cruzada na busca por suas verdadeiras origens, uma empreitada que o inspira a escrever seu primeiro romance, O envelope. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um autor vaidoso, com muitos fãs. Contudo, não consegue mais escrever nem uma linha sequer. Hospedado em um luxuoso resort na Toscana, ele tenta vencer o bloqueio criativo, mas o que Nicolas encontra lá poderá colocar em jogo todo o seu futuro. [Leia +]