testeAntes de tudo vem a música

Escrevo profissionalmente sobre música, mas estou muito longe de ser um especialista em notas, escalas e acordes. Falta teoria, sobra prática. Ouço canções brasileiras desde que me entendo (ou não me entendo) por gente.

Em casa, quando eu tinha seis anos, meus pais alternavam os — desculpem a expressão, jovens — LPs na vitrola: se saía Meus caros amigos, de Chico Buarque, entrava Galos de briga, de João Bosco e Aldir Blanc. E vice-versa. Fui parido pela segunda vez por aquelas duas bolachas.

Eu ficava conversando com colegas da minha idade e, de repente, cantava: “Acendo um cigarro, molhado de chuva até os ossos” ou “E que tantos homens me amaram, bem mais e melhor que você”.

Eu já era estranho naquela época, portanto não surpreende que, ao escrever um livro sobre minha relação com meu filho, eu tenha escolhido como subtítulo “Histórias de um garoto autista e seu pai estranho”. Também não é de espantar o título: a expressão “Meu menino vadio” está no primeiro verso de “Sem fantasia”, composição de Chico Buarque.

Batizar os capítulos do livro com títulos ou trechos de canções é algo artificial; não precisava ser assim. Mas, para mim, foi quase natural. Escrever sobre assuntos tão pessoais sem tocar (em) música é que seria artificial, acho.

A maioria das escolhas derivou-se do significado das palavras, não do sentido das canções das quais foram extraídas. No entanto, com maior ou menor intensidade, gosto de todas as músicas que serviram de inspiração. 

Como mostra do repertório que o livro sugere, selecionei doze canções que me emocionam ou me alegram. A começar, é claro, pela que clama “Vem, meu menino vadio”.

 Ouça a playlist: 


 

>> Leia um trecho de Meu menino vadio

testeUma nova vida, depois do túnel

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Otávio acordou naquele dia com o claro entendimento a respeito de algo que todo o resto do mundo já sabia. Nenhum astro de cinema interpretaria a história de sua vida, sua vida não daria um livro, ele jamais ouviria um estádio aplaudindo seu talento para a dança, a música ou os esportes. Queria tempo, mas oitenta anos não parecia ser bastante, cento e vinte também parecia pouco para entrar para a história. Almejava desesperadamente ser lembrado.

Tempo é relativo. Quanto é suficiente para dançar todas as danças que queremos, ouvir todas as músicas que ninguém sequer cantou, comemorar novos anos sem sentido? Parecia impotente, pequeno, como se as grandes expectativas que sempre tivera em torno de si mesmo fossem só ilusão. Carregava um orgulho que desarmava qualquer um que quisesse lhe dizer o contrário. E agora lutava para mantê-lo.

Toda a empáfia e confiança eram, na realidade, fachada para o medo. Ali, no escuro do seu quarto, o sol de meio-dia do Rio de Janeiro espalhando câncer de pele lá fora, percebeu que o tempo se esvaía e um assunto esquecido, dado por terminado, não lhe saía da cabeça. Jurara que, toda vez que pensasse no pai, imediatamente afastaria a imagem de Roberto da cabeça. Comeria um brigadeiro, escreveria um poema, assistiria a um desenho animado. Funcionou por cinco anos.

Mas hoje, não. Tinha coisas a resolver; tempo era um bem precioso e ele dispunha de muito para si. Não fora difícil descobrir o endereço novo de Roberto, sabia que era na Barra. Odiaria atravessar aquele túnel, ainda mais naquele calor. Com a informação do bairro, foi fácil enganar a secretária do advogado que lidava com o divórcio para obter a informação de que precisava. Fazendo-se passar pelo pai, exigiu que a moça recitasse o endereço completo, com CEP, alegando que os documentos estavam indo parar na casa de sua ex-mulher, em Laranjeiras.

Nesses cinco anos, a mãe de Otávio evitava falar de Roberto. Não fazia isso como as mulheres de Isabel Allende; não havia feito uma promessa tácita de jamais dizer o nome dele novamente. As tragédias que Selma enfrentava não se transformavam em um estilo de vida, uma convicção. Ao descer do ônibus, já na Barra, Otávio não teve dificuldade em encontrar a nova casa do pai. O edifício onde ele morava era alto, de fartas janelas, eram apartamentos espaçosos para famílias numerosas.

Não demorou muito para Roberto sair acompanhado de duas crianças, meninos de uns dez, onze anos. Foi tão fácil que Otávio riu. Não eram filhos biológicos dele, isso dava para ver, o pai não mantivera uma segunda família em segredo. Eram loiros, possivelmente filhos do primeiro casamento de sua nova esposa. Depois do túnel, Roberto fora transferido a uma nova dimensão. Calçadas largas, prédio com piscina, garotos saudáveis sempre pedindo um sorvete.

Os meninos circulavam de bicicleta, com a ordem de jamais irem além do posto de praia, onde podiam ser avistados por Roberto. Obedeciam, e ele gostava disso, apreciava ser ouvido. Pareciam ser a antítese de Otávio, que sempre vinha com uma pergunta, uma questão, uma urgência. Mas o pai não bateu em retirada ao ver o filho de vinte e poucos anos chegando. Não se moveu.

Otávio sentou-se na ponta oposta do banco de praia. Entre ele e Roberto, duas pessoas poderiam se sentar, um tanto apertadas, se assim quisessem. Roberto olhou o filho, estava ainda mais parecido com ele próprio. Tinha uma fragilidade ali que ele não conseguia explicar, como uma estrutura forte com rachaduras. Olhos pequeninos, negros. Talvez um dia ele também terá de usar remédio para calvície, pensou. Via-se como num espelho distorcido, um reflexo esquisito.

O filho entendeu que o pai seguira adiante na vida e percebeu que, embora tenha negado a existência de Roberto por tanto tempo, agora precisava dele por perto. Queria ouvir os conselhos que ignorara ou, pelo menos, ter a coragem de dizer alguma coisa. Sentia ciúme dos garotos saudáveis, obedientes e estudiosos que pedalavam felizes de um lado para o outro. Guardava um sentimento de posse que jamais associara ao pai.

Estava em desvantagem. Otávio, que sempre tinha algo a dizer, uma piada na ponta da língua, via-se em silêncio. Sobre aquele retrato perfeito da família carioca, possuía apenas uma vantagem. Apenas uma. Algo imutável, inquestionável, único, verdadeiro e também belo: os dois sentavam-se exatamente na mesma posição, com as mesmas mãos peludas, a mesma cabeça redonda.

E nada diziam. Roberto estava um tanto surpreso de Otávio ter desenvolvido a capacidade de apreciar o silêncio, de calar-se quando não se precisa falar nada. Por uns segundos, gostou da companhia para ouvir o barulho do mar e do trânsito. Antes de levantar-se, o filho finalmente chegou um pouco mais perto e teve a coragem de dar o primeiro passo.

— Eu sou seu filho.

Então levantou-se e foi até o ponto de ônibus, que não ficava muito distante. Olhou para ele, de longe. E entrou no primeiro coletivo que passou.

Roberto quis levantar-se, dizer algo. Mas nada fez.

 

>> Leia um trecho de O amor segundo Buenos Aires

testeNovo livro de Pedro Gabriel

Para onde vão nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?

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Antônio é um personagem de um romance que ainda está para ser escrito e que, entre um chope e outro, despeja frases e desenhos em guardanapos no bar que frequenta. Pedro Gabriel é autor da página Eu me chamo Antônio, no Facebook e no Instagram, que reúne as divagações e os rabiscos de seu alter ego. Antônio pertence à ficção e conquistou mais de 1 milhão de seguidores na internet. Pedro, por sua vez, consolidou seu espaço na literatura com dois best-sellers: Eu me chamo Antônio (2013) e Segundo (2014). Em Ilustre Poesia, seu terceiro livro que chega às livrarias a partir de 23 de agosto, fantasia e realidade colidem. Criador e criatura dialogam por meio de palavras e ilustrações.

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Desta vez, Antônio procura escapulir do confinamento nos quadradinhos de papel dos guardanapos e ganhar a liberdade. Ao mesmo tempo, Pedro Gabriel explora galáxias, as profundezas do mar e os confins da terra em textos de prosa poética que podem ser lidos como uma espécie de correspondência com o personagem. O senso de humor, a irreverência e o gosto pelos trocadilhos são compartilhados pelo personagem e seu poeta.

A relação entre Pedro Gabriel e Antônio começou há quatro anos no balcão do Café Lamas, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Pedro costumava passar as noites tomando chope e escrevendo em guardanapos com caneta hidrográfica. Um belo dia, ocorreu-lhe a ideia de fotografar suas criações e compartilhá-las no Facebook. O sucesso foi imediato. Em poucos meses, ele havia se transformado numa verdadeira celebridade da internet.

testeDos sonhos

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Quem frequenta vestiários sabe da camaradagem que por vezes se instala entre seus frequentadores. É até engraçado, mas algumas mulheres com quem convivo eu só vejo seminuas — talvez seja essa quase nudez que nos permita uma intimidade que não teríamos numa praça ou mesa de bar.

Dia destes, após a natação, vi uma mãe vestindo, com grande confusão, seu filho pequeno. Eu, que sou mãe de meninos, senti uma nostalgia do tempo em que também precisava segurar meus guris para enfiar-lhes a fralda. Ri daquela ginástica maternal — um dos tantos jogos que nós, mães, temos de fazer para tocar adiante os dias das nossas crianças —, assim como uma senhora de idade já bem avançada. Ambas, de calcinha e sutiã, comentamos dos nossos meninos pequenos e das suas estrepolias. A senhora disse: “Meu filho já tem 50 anos e mora longe daqui. Mas, sempre que sonho com ele, é um menino de fraldas. Nos meus sonhos ele nunca cresceu.”

Achei aquilo muito lindo. Meus próprios sonhos têm seus predicados e personagens favoritos. Quando meu padrinho, Ricardo, morreu — durante muitos anos ele foi como um irmão mais velho para mim —, por muitos meses, toda noite eu sonhava com ele. Sua morte súbita foi um choque. Foi nos sonhos que nos despedimos. Depois, embalada pelos nossos oníricos encontros, acabei escrevendo um romance (Os Getka, ed. Record) e transformei-o em personagem principal. Assim como nos sonhos a gente revive nossos amores, na literatura, de forma um pouco mais consciente, revivo pessoas e afetos.

A casa azul da minha infância em Cidreira até hoje é meu palco predileto. Meus sonhos têm o hábito de desenrolar-se entre aquelas paredes há muito perdidas. Era por lá que meu padrinho passava todas as noites. Lá, meus meninos — que nunca entraram naquele chalé — engatinharam e falaram. Cada alegria e cada dor desta vida, durante minhas noites, migraram para lá. Já morei em vários lugares, e minhas férias há mais de trinta anos têm muitos destinos. Mas a casa azul segue firme e confiante, rainha dos meus sonhos até hoje.

Ultimamente, virou palco de outras histórias. Passei a sonhar com os primeiros anos do meu casamento. Mas, em vez de São Paulo, aquela vida de outrora se desenrola no chalé azul da Avenida Mostardeiro que meu avô Jan construiu. Um a um, noite após noite, meus amores e minhas saudades têm migrado para lá.

 

testeO menino e o catador de latinhas

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(Fonte: Vik Muniz)

Assisti outro dia a um vídeo que me tocou pela singeleza e me fez refletir por um bom tempo. Um menininho de quatro ou cinco anos, bem vestido e, provavelmente, de classe média, oferecia ajuda a um velho catador de lixo que amassava, com os pés, uma série de latinhas de cerveja e as jogava num saco. A mãe do garoto, inicialmente, pareceu incomodar-se com aquilo. Mas, de uma forma que aparentou ser educativa, desistiu de interferir.

Duas pessoas completamente diferentes, realidades distantes, dividindo o mesmo espaço. Classe social, cor da pele, idade — tudo distinto. Onde o velho enxergava trabalho, a criança sentia brincadeira. E, por alguns instantes, os dois devem ter se divertido naquele trabalho-brincadeira a quatro pés e quatro mãos.

Após assistir ao vídeo, lembrei-me de duas histórias pessoais. A primeira aconteceu há algum tempo. Minha banda havia feito tantos shows durante o ano que decidimos, no Natal, doar parte dos cachês a um orfanato. Fomos entregar as doações e levamos nossos filhos, para que conhecessem a dura realidade daquelas crianças. Na hora de irmos embora, minha filha mais velha, com cinco anos à época, começou a chorar e a me dizer que não iria, porque ali havia um monte de crianças e tudo o que ela queria era morar num lugar assim. A segunda aconteceu semana passada. Minha outra filha, a menor, fica o dia inteiro fazendo estrelinhas e piruetas. Praticamente vê o mundo de ponta-cabeça. Passava das 23h, o cansaço me nocauteando, e ela lá, pulando de um lado para outro. Dei uma bronca, mandando que parasse. O resultado foi uma sessão de choro por parte da pequena, até que pegasse no sono.

Tudo isso me fez pensar sobre a perda de inocência e pureza, conforme vamos crescendo e tomando consciência das coisas do mundo. Entramos na vida sem qualquer preconceito, não enxergamos outras pessoas como diferentes. Não são altas, gordas, magras, brancas, negras, ricas ou pobres. São pessoas, apenas isso. Não julgamos pela aparência, tampouco pela condição social. Os melhores são aqueles que não gritam, não batem, sentam no chão para brincar, fazem cócegas e caretas, pegam uma vareta e desenham na terra, jogam para cima na piscina, dividem um sorvete, leem uma história ou cantam uma canção.

A maturidade chega para matar a pureza. Claro, é necessário crescer e amadurecer; faz parte da ordem natural das coisas. Mas seria bom demais se restasse um bom pedaço daquela inocência. Porque, agarrados à maturidade, costumam vir o preconceito, a desconfiança, a inveja, o egoísmo e a intolerância. Muitas vezes, até falta de compaixão e indiferença com gente como o catador de latinhas.

O mundo onde eu gostaria de viver era um daqueles cheio de piruetas e latinhas para pisar. Quanto mais estrelinhas, mil vezes melhor. Ver as coisas de ponta-cabeça e entendê-las apenas como mais uma forma de enxergar a vida, e não insanidade aos olhos dos outros. Todos os apaixonados pela literatura sabem exatamente onde estão mundos assim. O desafio é tirá-los do papel e trazê-los para a vida real.

teste10 livros para o Dia das Mães

Confira nossas sugestões de presentes:

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Como eu era antes de você, de Jojo Moyes Lou Clark, uma jovem cheia de vida e espontaneidade, perde o emprego e é obrigada a repensar toda sua vida. Will Traynor sabe que o acidente com a motocicleta tirou dele a vontade de viver. O que Will não sabe é que a chegada de Lou vai trazer de volta a cor à sua vida. E nenhum deles desconfia de que esse encontro irá mudar para sempre a história dos dois.

Depois de emocionar milhares de leitores no mundo todo, o irresistível romance de Jojo Moyes chega aos cinemas em 16 de junho com roteiro adaptado pela própria autora e estrelado por Emilia Clarke (Game of Thrones) e Sam Claflin (Jogos Vorazes). [Leia +] 

Leia também:  Assista ao trailer e confira a trilha sonora do filme
Conheça a nova capa do livro inspirada no cartaz do filme

Alucinadamente feliz: Um livro engraçado sobre coisas horríveis, de Jenny Lawson  Longe de ser uma pessoa comum, Jenny Lawson se considera uma colecionadora de transtornos mentais: depressão altamente funcional com transtorno de ansiedade grave, depressão clínica moderada, distúrbio de automutilação brando, transtorno de personalidade esquiva e um ocasional transtorno de despersonalização, além de tricotilomania (que é a compulsão de arrancar os cabelos). Por essa perspectiva, sua vida pode parecer um fardo insustentável. Mas não é.

Após receber a notícia da morte prematura de mais um amigo, Jenny decide não se deixar levar pela depressão e resolve revidar com intensidade, lutando para ser alucinadamente feliz. Mesmo ciente de que às vezes pode acabar uma semana inteira sem energia para se levantar da cama, ela resolve que criará para si o maior número possível de experiências hilárias e ridículas a fim de encontrar o caminho de volta à sanidade. [Leia +]

Toda luz que não podemos ver, de Anthony Doerr —  Marie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio.

Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Leia +]

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Eu sou o Peregrino, de Terry Hayes  Uma mulher é brutalmente assassinada em um hotel decadente de Manhattan, seus traços dissolvidos em ácido. Um pai é decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita. Na Síria, um especialista em biotecnologia tem os olhos arrancados ainda vivo. Restos humanos ardem em brasas na cordilheira Hindu Kush, no Afeganistão. Uma conspiração perfeita, arquitetada para cometer um crime terrível contra a humanidade, e apenas uma pessoa é capaz de descobrir o ponto exato em que todas essas histórias se cruzam.

Romance de estreia do renomado roteirista britânico Terry Hayes (Mad Max 2 e Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão), Eu sou o Peregrino é uma narrativa ágil, com ritmo alucinante, cujos personagens são construídos de forma primorosa em toda a sua complexidade psicológica. Uma jornada épica e imprevisível contra um inimigo implacável. [Leia +]

É isso que eu faço: Uma vida de amor e guerra, de Lynsey Addario — Após os atentados de 11 de Setembro, a fotojornalista Lynsey Addario foi chamada para cobrir a invasão americana ao Afeganistão. Nesse momento, ela fez uma escolha que se repetiria muitas vezes depois: abrir mão do conforto e da previsibilidade a fim de correr o mundo confrontando com sua câmera as mais duras verdades.

As imagens captadas pelas lentes de Lynsey parecem buscar sempre um propósito maior. No livro, ela retrata os afegãos antes e depois do regime talibã, os cidadãos vitimados pela guerra e os insurgentes no Iraque, expõe a cultura de violência contra a mulher no Congo e narra a ocasião do próprio sequestro, orquestrado pelas forças pró-Kadafi durante a guerra civil na Líbia. [Leia +]

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O amor segundo Buenos Aires, de Fernando Scheller Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo.

É por amor que Hugo deixa o Brasil rumo à capital argentina. Embora o relacionamento com Leonor não sobreviva, seu fascínio pela cidade resiste à dor da separação e à descoberta de que sofre de uma grave doença. Hugo cria laços com o arquiteto Eduardo e com a comissária de bordo Carolina, que evidenciam o poder regenerador das amizades verdadeiras. Ele se reaproxima de seu pai, Pedro, que troca a rotina de um casamento desgastado por uma vida em que é possível encontrar profundos afetos. [Leia +] Leia também: Colunas de Fernando Scheller publicadas no blog

Uma pergunta por diaTodos os dias criamos uma imensa quantidade de registros em celulares, redes sociais e aplicativos. No entanto, quase nunca temos o hábito de retornar a eles. Às vezes podem parecer só besteiras, mas quantos desses relatos não mostrariam nosso crescimento e nossas mudanças em todos esses anos?

Uma pergunta por dia convida a registrar suas respostas a uma variedade de questões, das mais simples às mais complicadas, como “Para onde você quer fazer sua próxima viagem?” ou “Escreva a primeira linha da sua autobiografia”. Em cada página há espaço para cinco respostas, uma por ano, ao longo de cinco anos. Com o passar do tempo, quando voltar a um dia já anotado, o dono do diário encontrará seus pensamentos anteriores, num exercício divertido e construtivo de recordar e refletir. [Leia +]

Operação Impensável, de Vanessa Barbara — Neste romance, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura em 2014, Vanessa Barbara acompanha os cinco anos de relacionamento entre Lia e o programador Tito, um amor pontuado por e-mails espirituosos, vocabulário próprio, muitas sessões de cinema e longas e disputadas partidas de jogos de tabuleiro. Com toques de humor ácido, ela desvenda a lenta desintegração de um casamento. O afeto e a cumplicidade dão lugar à desconfiança, a um clima de tensão e de ameaças implícitas. Como na Guerra Fria, objeto de pesquisa da dissertação de mestrado de Lia, não há um confronto bélico declarado, embora algo sempre pareça prestes a explodir. [Leia +] Leia também: Colunas de Vanessa Barbara publicadas no blog

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A sexta extinção, de Elizabeth Kolbert — Ao longo dos últimos quinhentos milhões de anos, o mundo passou por cinco extinções em massa. Hoje, a sexta extinção vem sendo monitorada, e a causa não é um asteroide ou algo similar, e sim a própria raça humana. Vencedor do Prêmio Pulitzer de Não Ficção de 2015, A sexta extinção explica de que maneira o ser humano tem alterado a vida no planeta como absolutamente nenhuma espécie fez até hoje. Para isso, Kolbert apresenta trabalhos de dezenas de cientistas em diversas áreas e viaja aos lugares mais remotos em busca de respostas. [Leia +]

Miniaturista, de Jessie Burton — Após um casamento arranjado com um ilustre comerciante de Amsterdã, Nella Oortman recebe um extraordinário presente: uma réplica de sua nova casa em miniatura, capaz de ajudá-la a desvendar os segredos — e perigos — da família. Eleito o melhor livro de 2014 pelo Observer e traduzido para 32 idiomas, Miniaturista é uma magnífica história de amor e obsessão, traição e vingança, aparência e verdade. [Leia +]

testeDas brancas madrugadas

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Dia destes fui buscar, numa pequena cidade do interior, uma amiga que chegava num ônibus ao alvorecer. Saí da cama às cinco da manhã, mergulhando naquele mundo mágico das coisas desacordadas — um mundo silencioso, estático e gelatinoso, como que preso num feitiço, tal qual o reino onde a princesa, vítima de uma malévola bruxaria que uma feiticeira lhe lançou ainda no nascimento, é posta a dormir depois de tocar com o dedo uma roca proibida. A essa hora da madrugada as casas cerradas guardam o sono dos seus donos; o tempo anda de chinelas e pisa leve, na ponta dos pés, como uma daquelas tias velhas dos poemas de Mario Quintana.

Acordar no meio da noite — para mim, que sempre desperto com o sol alto — não para sossegar o filho preso num sonho ruim, amamentar o bebê no berço ou trocar sua fralda e sentir a delícia do seu corpinho cálido, mas para sair à rua, é uma experiência estranha. A rua não é a mesma durante a noite. A cidade não é a mesma nem ampara nas suas calçadas os mesmos habitantes diurnos. Tudo é da lua e das estrelas. Até o mar é outro à noite. Misterioso e amarelado, é uma colcha espessa que geme como um grande animal que subitamente perde o sono.

Assim me fui, naquela madrugada, dirigindo o carro pelas ruas desertas. O trajeto foi feito em cinco minutos — no meio da noite, a cidade entrega-se sem receios. Na rodoviária, os únicos laivos da vida: as caras insones dos dois guardas; o rosto triste, acabrunhado, da moça no balcão da companhia me dizendo que o ônibus chegaria em dez minutos; e uns poucos e ruidosos adolescentes desfeitos de alguma festa que passavam pela calçada cantando alto por poucos instantes — logo suas vozes morreram, apagaram-se como uma fogueira na qual se joga um balde de água. Até para eles o silêncio imponderável da cidade adormecida causou estranheza. O grupo seguiu outra vez quieto pela rua deserta, enquanto eu buscava um banco onde me acomodar.

Os dez minutos transformaram-se em quarenta, uma eternidade de silêncios e bruma. A madrugada arrastou-se preguiçosamente na sua esteira de segredos. De repente, como um aviso ou uma mágica, uma criança chorou no prédio em frente, e o choro, agudo e sincrônico, abriu caminho para a vida: lá para os lados do horizonte, uma nesga de vermelho se incendiou, trazendo consigo a primeira luz da manhã, e numa esquina dobrou o ônibus que eu esperava. Enfim, o dia finalmente começou. Em seu quarto na rua em frente, a criança parou misteriosamente de chorar.

 

Na legenda — falando em madrugadas e seus mistérios: Alessandro Baricco, autor de Três vezes ao amanhecer, livro delicado e inesquecível que passeia pela bruma dos amanheceres. Emocionante.

testeO amor segundo Buenos Aires

 

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Com largas avenidas, cafés em estilo europeu e bairros charmosamente decadentes, Buenos Aires é o lugar perfeito para histórias de amor inesquecíveis. A capital argentina é cenário e, ao mesmo tempo, personagem do primeiro romance de Fernando Scheller, repórter do jornal O Estado de S. Paulo que já passou pelas redações de Gazeta do Povo, TV Globo e Deutsche Welle, na Alemanha.

Em O amor segundo Buenos Aires, Scheller oferece a cada personagem a chance de narrar suas escolhas e percepções sobre diferentes formas de amor, como entre pai e filho, um homem e uma mulher, dois homens e também entre amigos.

O novo romance nacional da Intrínseca chega às livrarias em 15 de abril, mas os leitores já poderão conhecer a prosa de Fernando Scheller aqui no blog. A partir da próxima quinta-feira, dia 17, o jornalista passa a colaborar semanalmente com colunas ficcionais sobre relacionamento e textos que exploram os bastidores do livro, como as músicas que o inspiraram e os motivos que o fizeram se apaixonar por uma das mais atraentes capitais da América Latina.

 

Aproveite e leia um trecho do romance:

 

testeO grande livro do cinema: extras

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Durante a confecção de Operação Impensável, algumas resenhas de filmes foram cortadas para poupar a paciência dos leitores e as despesas com papel pólen soft de 80 g/m2. Algumas pessoas, porém, manifestaram o desejo de ler mais entradas de O grande livro do cinema, e quem sabe assistir aos filmes na ordem em que foram vistos por Lia e Tito, como aqueles fãs de The Rocky Horror Picture Show que repetem todos os diálogos de cor e vestem sungas douradas. (Se você não sabe do que estou falando, sorte sua.)

Sensibilizada pelo clamor popular, decidi publicar aqui a faixa de extras desse importante registro cinematográfico, redigido e editado por Lia e Tito, e estrelado por palhaços assassinos, detetives, robôs, pessoas vestidas de bebê, madrastas e a Audrey Hepburn. Esses filmes não constam da edição final do livro, mas foram diligentemente resenhados e chacoteados pelo casal durante o Período de Paz.

Uma última revelação: em posse de O grande livro do cinema, a historiadora Lia fez um pequeno levantamento estatístico e constatou que a lista completa possui 71 títulos, e que o ano de lançamento vai de 1942 (A incrível Suzana) a 2007 (Transformers), sendo a média: 1983.

Justamente o ano em que Lia nasceu.

 

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19 de abril de 2007
It: Uma obra-prima do medo (It, 1990, Tommy Lee Wallace)

Após protagonizar este filme para a televisão, Pennywise, o palhaço dançarino assassino, foi visto pela última vez no apartamento 141, nas dependências do lavabo. Embora Tito duvide da veracidade desta afirmação, Lia se encontrava no banheiro na ocasião e ouviu claramente o palhaço feroz perguntando se alguém queria balões.

“Que medo desgraçado”, disse ela, que durante a exibição do filme falou em “trauma irreversível”, “xixi na cama” e “mais medo ainda de palhaços”.

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12 de maio de 2007
Star Wars Episódio iii: A vingança dos Sith (Star Wars Episode iii: Revenge of the Sith, 2005, George Lucas)

O grande problema é o título. Seria a vingança de um Sith ou dos dois? E de quem exatamente eles querem se vingar? Afinal de contas, até pouco tempo ninguém sabia que eram Sith, então não havia nada que pudessem ter feito que causasse qualquer tipo de represália por parte dos Jedi. Será então que todo o ataque era direcionado a R2-D2? Será ele, o escolhido, que trará equilíbrio para a Força? É possível que os dois Sith tenham se confundido e que, se apenas tivessem conversado com os Jedi, tudo poderia ter sido evitado. Eles só queriam maior reconhecimento para os pequenos da galáxia, coisa que o Conselho Jedi estava mais que disposto a ceder.

É um filme sobre as relações entre a Força e os diversos seres do universo, e entre os Wookies e suas pulgas.

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13 de maio de 2007
Star Wars Episódio iv: Uma nova esperança (Star Wars Episode iv: A New Hope, 1977, George Lucas)

Agora sim. Este pequeno e despretensioso pedaço de película consegue deixar no chinelo seus três irmãos mais novos. A diferença de qualidade (no roteiro, nos diálogos, nos personagens e na ausência de pradarias) é tanta que ficou até chato para a nossa era.

Peter Mayhew ganhou o Oscar de melhor ator pela expressividade cativante do peludo Chewbacca. Lia se identificou com o velho Chewbee. Também C-3PO atinge o ápice da chatice neste filme e é desligado compulsoriamente devido ao excesso de zelo. Lia se identificou com o androide. O miúdo e atarracado R2-D2, além de ser protagonista da saga, dá um show de interpretação ao próprio Hayden Christensen. Lia se identificou com o robô. E, por fim, Mestre Yoda joga tralhas pra trás como um transtornado e faz o papel de uma pulguinha verde. Identificou-se com Yoda a pequena Lia.

Disso se pode concluir que, na saga, a referida senhora se identifica com todas as criaturas cabeçudas, metálicas e/ou anormais — e não com a princesa Leia ou a rainha Amidala. Isso diz tudo sobre Lia.

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20 de maio de 2007
Star Wars Episódio vi: O retorno do Jedi (Star Wars Episode vi: Return of the Jedi, 1983, Richard Marquand)

Segundo TITO (2007), “nem esses ursinhos nefastos chegam a comprometer O retorno do Jedi, mesmo já sendo tarde da noite de domingo, quase treze horas depois do início da maratona”. Encerrando a hexalogia nerd, temos o filme em que Darth Vader morre de asma e a princesa Leia é presa por uma corrente aos pés do funcionário de uma loja de quadrinhos. Felizmente, na nossa versão, o abominável Hayden Christensen não aparece ao lado de Yoda no fim. Mais uma vez, um filme de 25 anos de idade deixa no chinelo seus primos mais novos. E encerra com louvor a história de R2-D2, um herói de nosso tempo, embora Chewbacca novamente roube a cena com seu focinho expressivo e grunhidos em dó maior.

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26 de maio de 2007
Alta sociedade (High Society, 1956, Charles Walters)

Como todos sabem, Alta sociedade retrata a luta de Grace Kelly contra os impostos abusivos de suas dezessete propriedades rurais. O mocinho da história é Bing Crosby, embora Lia sempre se esqueça disso e torça pelo Frank Sinatra. Ela sabe de cor todas as músicas do filme, mas faz uma cara blasé quando o cronópio Satchmo aparece todo pimpão com sua cornetinha. E também quando Crosby e Sinatra fazem um dueto em homenagem aos nossos jantares no apartamento 141: “What a swell elegant party this is” [“Mas que festa batuta e elegante”, em tradução ridiculamente livre].

A historiadora de plantão bem que tenta não ficar sentimental quando o sr. C. K. Dexter Haven canta “Little One” e “True Love” no barquinho, mas é difícil. A certa altura do filme, Grace Kelly parece uma marmotinha ao acordar de ressaca no dia do casamento. Nesta película, ela saracoteia pra lá e pra cá de luvinhas e com quinze saias por baixo do vestido, o que obviamente tem seu preço.

Tracy: “Você gosta do meu vestido?”
Tio Willie: “Claro, é muito bonito.”
Tracy: “E terrivelmente pesado.”

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28 de maio de 2007
A roda da fortuna (The Band Wagon, 1953, Vincent Minnelli)

Nada como um filme de duas horas em que Fred Astaire irrita a mocinha, sapateia engraxando os sapatos e parte corações em “Dancing in the Dark”. A história é o de menos. Cyd Charisse é uma bailarina clássica e Astaire é um dançarino de jazz. Eles estrelam juntos uma adaptação moderna de Fausto, que obviamente dá errado porque o que dá certo mesmo é uma peça bizarra com quatro números compridos sem a menor coerência. E adultos vestidos de bebês. Sim, um dos números mais chocantes do filme é aquele em que os três protagonistas dançam de joelhos com roupas de bebês, logo após uma canção sobre uma garota pobre da Luisiana rolando no feno. Muito mais chocante do que as cenas mais pesadas de Team America: World Police e os diálogos cínicos de Felicidade, do Todd Solondz.

De qualquer forma, o filme vai muito bem até a cena dos bebês. Erguendo o caneco, Fred Astaire diz que ama cerveja, mas gosta mais de Louisa. O diretor picareta faz o papel de Mefistófeles. Há explosões no cenário, atores de colante e diálogos ridículos, apenas para ressaltar a simplicidade e o talento de Astaire, que já está velhinho neste filme. A historiadora-mor do apartamento 141 sapateou vigorosamente na última música do filme, “That’s Entertainment”, um final mega-ultra-super-feliz que conta com os atores marchando de braços dados e Cyd Charisse com uma flor enorme no vestido. Tito desceu pela escada de emergência e correu sem olhar pra trás.

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10 de agosto de 2007
A rainha (The Queen, 2006, Stephen Frears)

“Quando eu for rainha”, declara a historiadora titular, “prometo lançar bombas de chocolate em todas as capitais do mundo.” Com esse nobre propósito, a Sociedade de Cinema Ucrão encerrou o debate após a exibição do filme A rainha, que provocou grande impressão nos participantes. Lia fez o anúncio do Nescau Batido Oficial da Rainha, o Bolo Oficial da Rainha e o Repolhinho Oficial da Rainha. Como monarca, ela só se ocupará com questões dessa ordem.

Durante a sessão, cogitou-se a hipótese de que Helen Mirren agora está em Buckingham e a rainha estrela um musical da Broadway.

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12 de agosto de 2007
A vida íntima de Sherlock Holmes (The Private Life of Sherlock Holmes, 1970, Billy Wilder)

Deus sabe que muito se especulou sobre a vida privada de Sherlock Holmes. Livros e mais livros não foram suficientes para saciar a curiosidade crescente de um público que, não satisfeito em usar muitas palavras com a letras “s” numa mesma sentença e em esmiuçar cada um dos casos do célebre investigador da rua do Padeiro 221B — onde hoje há uma loja de óculos e outra de pneus —, desejou ainda saber de seus hábitos, das suas opiniões sobre as coisas em geral e de quantas palavras com “s” conseguiríamos usar até o final do parágrafo.

Em verdade, afora algumas práticas não sadias e pouco ortodoxas de violinismo, dedução avançada e má conduta diante de outros idosos, Sherlock e seu amigo esquentadinho, o Watson, não diferem muito de outros investigadores ingleses de renome internacional, como por exemplo, o próprio Sherlock Holmes e seu ajudante Watson.

Sabe-se que, na velhice, o fascínio de Billy Wilder pelo personagem era tanto que ele passava horas com seu chapéu de detetive e seu cachimbo de bolhas de sabão deduzindo quem havia lhe roubado aquela hora e meia de filme que os ratos de estúdio, assustados diante da duração bondarchukiana da obra, surrupiaram dos telespectadores, deixando para trás buracos na trama e queijo a granel.

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23 de agosto de 2007
Bill & Ted: Uma Aventura Fantástica (Bill & Ted’s Excellent Adventure, 1989, Stephen Herek)

Estudo seminal sobre os paradoxos temporais, os buracos de minhoca e o rock and roll. Baseado numa tese de doutorado sobre a obra de Van Halen e os paradoxos entre Kiss e Schopenhauer no que tange a política externa de Abraham Lincoln, Bill & Ted foi adaptado para o teatro por Arthur Miller, que mudou o nome dos personagens e o título para Um caixeiro-viajante no espaço. Fala-se muito da história da Mongólia e da influência de Freud nas Guerras Napoleônicas, mas de fato o centro dessa brilhante viagem introspectiva na psique do homem é San Dimas em 1989. A partir dessa chave temporal, o diretor irá analisar o impacto de San Dimas para o ano de 1989, e também como 1989 afetou San Dimas, marcando então grandes figuras históricas com seu legado de shopping centers e madrastas multiculturais.

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27 de agosto de 2007
Crepúsculo dos deuses (Sunset Boulevard, 1950, Billy Wilder)

“Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”, afirma Norma Desmond, modelo de mulher equilibrada, bem-sucedida e feliz. Neste filme, William Holden faz o papel de um pobre-diabo que não sabe boiar de costas e Buster Keaton é um dos parceiros de pinocle da personagem principal. Ela tem uma piscina, o que naturalmente é o bastante para Joe Gillis encarar qualquer humilhação.

(Lia é capaz de encarar qualquer humilhação por uma piscina.)

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30 de setembro de 2007
Sabrina (1954, Billy Wilder)

Depois de filmar Crepúsculo dos deuses, A montanha dos sete abutres e Inferno n. 17, Wilder decidiu fazer uma comédia para desopilar o fígado. Chamou um ídolo de pedra (Bogie) e uma mocinha pescoçuda (Hepburn) e escreveu um monte de bobagens para os dois, o que naturalmente deu muito certo, como costuma acontecer com o mítico tartarugo. É deste filme a cena em que Audrey Hepburn, com um vestido de lacinhos, senta sozinha na cabeceira de uma mesa de reuniões, e declara solenemente, após encher a cara: “Certo. A reunião da diretoria das Indústrias Larabee será iniciada agora. Como presidente, gostaria de dizer, para começar… Ah, a presidente está tão tonta.”

Como Sabrina também é cultura, nós aprendemos como é cool quebrar ovos com uma mão só. “O segredo está no pulso”, explica a protagonista.

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15 de outubro de 2007
O assalto (Heist, 2001, David Mamet)

O assalto, filme com mais frases de efeito por frame, fala de um ladrão que está prestes a se aposentar, mas é acidentalmente filmado pelas câmeras de segurança de uma joalheria e passa a ser procurado pela polícia. Ele precisa de dinheiro para fugir e aceita um trabalho quase suicida, além de altamente improvável. “Vou ser mais silencioso do que uma formiga mijando em algodão”, promete um dos meliantes a Gene Hackman, que responde: “Não quero que você seja silencioso como uma formiga mijando em algodão. Quero que você seja silencioso como uma formiga que nem sequer pensa em mijar no algodão.” É desse naipe o mocinho da história.

Ainda sobre o personagem de Hackman: “O filho da mãe é tão cool que, quando ele vai dormir, os carneirinhos é que contam ele.”

testeUm curta Surpreendente!

Curta Surpreendente! - 03 - Maurício Gomyde

O jovem cineasta Pedro Diniz está plenamente convencido de que possui uma missão: ajudar as pessoas por meio de sua arte. O encantador protagonista de Surpreendente!, novo romance de Maurício Gomyde, acredita que a vida já nos impõe males o bastante e cabe ao cinema plantar no espectador o “impossível”— semear felicidade.

capa_surpreendente_03c_300c.inddNo entanto, a perspectiva idealista de Pedro, diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, sofre sérios abalos. Atormentado por
um segredo, ele parte com os amigos em uma longa viagem até Pirenópolis, em Goiás. Com câmeras nas mãos, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade para criar o filme perfeito. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amizades.

Inspirado na roadtrip de Pedro, Maurício Gomyde reuniu amigos em direção a Pirenópolis para produzir um curta-metragem. Dirigido por Alexandre Magno, a produção tem João Gott (Pedro), Bianca Müller (Cristal), Mário Luz (Fit) e Gabriela Correa (Mayla) no elenco.

Sorteio especial

E para você, quais filmes são capazes de espelhar felicidade? Poste uma foto ou vídeo no Instagram acompanhada pela tag #SorteioSurpreendente, e concorra a um exemplar do romance autografado por Maurício Gomyde. Serão 10 vencedores!

Para participar, basta seguir o regulamento.

  • Siga os perfis da @intrinseca e de @mauriciogomyde no Instagram;
  • Comente usando a tag #SorteioSurpreendente no post da promoção no Instagram da Intrínseca;
  • Poste uma foto ou um vídeo em seu perfil fazendo referência à um filme capaz de espalhar felicidade até quarta-feira, 28/10, às 12h, acompanhado pela tag #SorteioSurpreendente;
  • Atenção: o perfil do Instagram deve ser público para que a equipe da editora possa ver a postagem. O sorteio será realizado por meio do aplicativo Sorteou.

O resultado será divulgado na quarta-feira, 28/10, às 16h.