testeScorsese e Leonardo DiCaprio estão desenvolvendo série sobre o primeiro serial killer americano

Depois de sucessos como O lobo de Wall Street, O aviador e Gangues de Nova York, Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio estão desenvolvendo um novo projeto juntos: uma série inspirada no livro O demônio na Cidade Branca para a plataforma de streaming Hulu — responsável pela aclamada série The Handmaid’s Tale.

Na obra, o escritor Erik Larson entrelaça as histórias reais de dois homens durante a construção da grande Feira Mundial de Chicago de 1893, idealizada para comemorar os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América.

Com o objetivo de apresentar a maior e mais impressionante exposição de inovações científicas e tecnológicas já idealizada, coube ao arquiteto Daniel Burnham, famoso por projetar alguns dos edifícios mais famosos do mundo, a difícil tarefa de transformar uma área desolada em um lugar de magnífica beleza: a Cidade Branca. Reunindo as mentes mais importantes da época, Burnham enfrentou o mau tempo, tragédias e o prazo curto para construir a enorme estrutura da feira.

A poucas quadras dali, outro homem igualmente determinado, H. H. Holmes, estava às voltas com mais uma obra grandiosa, um prédio estranho e complexo. Nomeado Hotel da Feira Mundial, o lugar era na verdade um palácio de tortura, para o qual Holmes atraiu dezenas, talvez centenas de pessoas. Autor de crimes inimagináveis, ele ficou conhecido como o primeiro serial killer da história americana.

testeDose dupla de Leonardos! DiCaprio será Leonardo Da Vinci nos cinemas

A vida do nosso gênio favorito vai ganhar uma versão cinematográfica. A Paramount anunciou que John Logan — roteirista de 007: Operação Skyfall — será o responsável pela adaptação da biografia de Leonardo da Vinci, escrita por Walter Isaacson, para os cinemas.

O protagonista será vivido por Leonardo DiCaprio. Para o ator, o projeto é muito especial, já que seu nome de batismo carrega, por influência direta, o mesmo nome do cientista e artista italiano: a mãe de DiCaprio estava olhando para uma pintura de da Vinci quando o bebê chutou pela primeira vez.

DiCaprio, vencedor do Oscar, também é um dos principais produtores do longa. Ele e Logan já trabalharam juntos no filme O Aviador, de Martin Scorsese. A história do longa deve mostrar como as artes de Da Vinci se conectam com seus diversos estudos, em áreas como anatomia, geologia, pássaros, etc.

O livro foi publicado por aqui em outubro e já está há 13 semanas na lista dos mais vendidos. Além de pintar a obra de arte mais conhecida do mundo e ser de extrema importância para o movimento renascentista, Da Vinci sempre foi muito curioso. Walter Isaacson usou mais de 7 mil anotações do artista para compor sua biografia e escreveu um livro incrível e completo, mostrando o lado mais humano desta personalidade mundial. Leia um trecho aqui!

testeBiografia inédita de Leonardo Da Vinci chegará às livrarias em outubro

A biografia definitiva do mestre Leonardo da Vinci, assinada pelo autor dos best-sellers Steve Jobs: A biografia e Einstein: sua vida, seu universo será lançada em 17 de outubro.

Com base em milhares de páginas dos impressionantes cadernos que Leonardo Da Vinci manteve ao longo de boa parte da vida e nas mais recentes descobertas sobre sua obra e trajetória, Walter Isaacson, biógrafo de algumas das mentes mais inovadoras e influentes de nossa história, como Einstein e Steve Jobs, tece uma narrativa que conecta arte e ciência, revelando momentos inéditos da história de Leonardo. Desfazendo-se da aura de super-humano muitas vezes atribuída ao artista, Isaacson mostra que a genialidade de Leonardo estava fundamentada em características bastante palpáveis, como a curiosidade, uma enorme capacidade de observação e uma imaginação tão fértil que flertava com a fantasia.

Leonardo criou duas das mais famosas obras de arte de todos os tempos, A Última Ceia e Mona Lisa, mas se considerava apenas um homem da ciência e da tecnologia — curiosamente, uma de suas maiores ambições era ser reconhecido como engenheiro militar. Com uma paixão que às vezes se tornava obsessiva, ele elaborou estudos inovadores nas mais diversas áreas, como anatomia, fósseis, o voo dos pássaros, o coração, máquinas voadoras, botânica, geologia, hidráulica e armamentos e fortificações. A habilidade para entrelaçar humanidades e ciência, tornada icônica com o desenho do Homem vitruviano, fez dele o gênio mais criativo da história.

Filho ilegítimo, à margem da educação formal, gay, vegetariano, canhoto, distraído e, por vezes, herético, o Leonardo desenhado nesta biografia é uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los. Um livro indispensável não só pelo caráter único de representar integralmente o artista, mas como um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar conhecimento, mas ter a disposição para questioná-lo, ser imaginativo e, como vários desajustados e rebeldes de todas as eras, pensar diferente.

A biografia chega às livrarias brasileiras com lançamento simultâneo ao dos Estados Unidos, em 17 de outubro. A obra será adaptada para o cinema, protagonizada por Leonardo DiCaprio. O ator também produzirá o longa (ainda sem data de estreia) ao lado de Jennifer Davisson, com quem trabalhou em O Regresso, filme que lhe rendeu o Oscar de melhor ator.

testeMais estranho que a ficção ou a inverossímil Chicago do século XIX

Por Bernardo Barbosa*

Panorama da feira mundial de Chicago de 1893

Panorama da feira mundial de Chicago de 1893 (Fonte: Library of Congress, Washington, D.C.)

Esta é a história de uma cidade que, em busca de afirmação diante do resto do mundo, assume a responsabilidade de fazer um evento internacional de proporções gigantescas, correndo contra o tempo e gastando caminhões de dinheiro. Poderia ser o Rio de Janeiro de 2016, mas é a Chicago do fim do século XIX. Tal saga é só parte do viciante O demônio na Cidade Branca, livro de Erik Larson que a Intrínseca relança no Brasil.

frente_Devil white city.inddOs paralelos com o Rio olímpico param por aí, mas nem por isso estamos falando de uma trama que, mesmo distante no tempo e no espaço, está longe de nós. Afinal, trata-se de uma obra sobre sonhos, ambições, loucuras, crueldades; coisas que mexem com a cabeça das pessoas desde que o mundo é mundo, e que foram o combustível dos casos apresentados no livro. Para balançar ainda mais o leitor, são todas incrivelmente reais.

A história de O demônio na Cidade Branca, na verdade, são duas. Uma é a construção da grande feira mundial de Chicago de 1893, idealizada para comemorar os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo à América; a outra é a de H. H. Holmes, talvez um dos maiores e mais violentos assassinos que o mundo já conheceu. Juntas, elas mostram do que o ser humano é capaz, para o mal e para o bem.

Começando pela parte boa: a Chicago que hoje é conhecida por seus arranha-céus e parques tem origem, sobretudo, nas mesmas mentes que imaginaram a feira mundial de 1893. Alguns de seus criadores, como Louis Sullivan e Daniel Burnham, entraram para a história da arquitetura em grande parte devido ao que fizeram pelo evento. E esses caras não pensavam pequeno.

predio do governo

Prédio do governo dos Estados Unidos na feira mundial de Chicago (Fonte: Library of Congress, Washington, D.C.)

É preciso lembrar que, naquele momento, os Estados Unidos viviam a chamada Era Dourada. Após saírem vencedores da Guerra de Secessão, os norte-americanos viviam um ambiente de prosperidade e otimismo, com dinheiro correndo solto e avanços culturais, tecnológicos e sociais sendo estimulados.

Do outro lado do Atlântico, em clima parecido, a França fervia com sua Belle Époque. Em 1889, Paris sediou a Exposição Universal, “uma feira mundial tão grande, glamourosa e exótica que os visitantes iam embora achando que nenhuma outra jamais seria capaz de superá-la”, escreve Larson. Para o evento, foi erguida nada menos que a torre Eiffel.

Os americanos não queriam tardar em sua resposta, e Chicago viu na feira mundial uma chance não só de se reerguer após o grande incêndio de 1871, como de esfregar na cara dos pedantes nova-iorquinos que poderia, sim, fazer uma exposição bem-sucedida e sem precedentes.

roda gigante

Roda-gigante, projetada por George Washington Gale Ferris (Fonte: Library of Congress, Washington, D.C.)

Aos trancos e barrancos, Chicago ergueu a sua “Cidade Branca”, assim chamada por causa da cor de seus imensos pavilhões. Lá, fez o mundo caber em 2,4 km², uma área equivalente ao dobro do Aterro do Flamengo, na zona sul carioca. Ao longo de seis meses, foram 27,5 milhões de visitas, numa época em que os Estados Unidos tinham 65 milhões de habitantes. Para fazer frente à torre Eiffel, a feira de 1893 mostrou ao mundo a inédita roda-gigante, com 76 metros de diâmetro e capacidade para mais de 2 mil pessoas.

Gigantes eram a roda, o público, a feira; gigantes também eram a frieza, a loucura e a crueldade de Herman Webster Mudgett — ou, como ficou conhecido, Henry Howard Holmes. Ele se formou médico e foi homem de negócios, mas usou seus conhecimentos nos dois ramos para se tornar um assassino e um golpista como poucos.

O que Holmes executou na vida real faria corar vilões da ficção. Sua sede de sangue o fez chegar ao ponto de, aproveitando o fluxo imenso de pessoas para a feira mundial, manter um hotel nas redondezas da Cidade Branca apenas para atrair vítimas. Com todos os olhos voltados para o evento, apenas tardiamente a polícia de Chicago se deu conta do que estava acontecendo sob seu nariz. Holmes confessou 27 assassinatos, mas até hoje não se sabe ao certo quantas pessoas ele matou — há quem diga que o número seja muito maior, chegando na casa de 200 mortos.

Dr._Henry_Howard_Holmes_(Herman_Webster_Mudgett)H. Holmes (Fonte: Wikipedia)

Em O demônio na Cidade Branca, toda essa impressionante história real é fartamente documentada e anda em ritmo de thriller, numa prova da habilidade de Erik Larson como escritor e pesquisador. As notas sobre fontes e a bibliografia são testemunho do seu empenho, e os cinco anos nas listas de mais vendidos do jornal The New York Times são indicador da excelência do resultado.

Com a tradução do livro, deve crescer a expectativa no Brasil para a adaptação da obra para o cinema. Leonardo DiCaprio detém os direitos desde 2010, e voltou a se unir com Martin Scorsese para o projeto. Empacado há alguns anos, o filme agora é esperado para o ano que vem.

exibição de Circo

Exibição de circo durante a feira mundial de Chicago (Fonte: Library of Congress, Washington, D.C.)

 

>> Leia um trecho de O demônio na Cidade Branca

 

Bernardo Barbosa é jornalista, com passagens por O Globo e Agência Efe. Gostaria de ver o Aterro do Flamengo tomado por qualquer feira que tenha o maior número de barracas de comida por país.

testeAmy

Após a imersão no universo do cinema para escrever Surpreendente!, dei uma diminuída boa na quantidade de cinema que eu vinha tomando, bebendo e cheirando para me inspirar. Voltei ao normal, fiquei limpo, back to the books. Como bem disse Stephen King: para o escritor, o importante é o livro. Menos TV, menos internet, menos outras mídias, muito mais livros. A Netflix é minha maior ladra de tempo, e juro pela minha alma que não vou assistir a mais nenhuma série enquanto estiver escrevendo um livro. A última levou quase sessenta episódios. Sessenta horas, vezes quatrocentas palavras por hora, isso dá quase meio livro! E o tema da série não tinha nada a ver com nada — por que viciei foi um mistério.

Nessa onda, não consegui assistir a quase nenhum dos indicados ao Oscar 2016. Para não dizer que fui absolutamente ausente, dos que estavam no páreo eu tinha assistido a Divertida mente, What Happened, Miss Simone? e Amy — três filmes: ganhei de você, Glória Pires! De tal forma que demorei a entender a histeria pela importante questão que tomou conta das redes sociais semana passada: “Leonardo DiCaprio vai ganhar ou não?” Não tenho nada contra o Leo DiCaprio. Muito pelo contrário. Acho que ele deveria ter ganhado desde o Diamante de sangue. Passei a gostar dele ainda mais após assistir, no dia seguinte, ao breve discurso que proferiu com a estatueta finalmente em mãos — palmas efusivas. Para finalizar com o Leo, lerei primeiro o livro que inspirou o filme (O regresso, de Michael Punke) e depois partirei para a tela.

Estou aqui, no entanto, não para falar da justiça ou injustiça sobre o melhor ator, e sim sobre a felicidade pela vitória do já premiadíssimo e único filme para o qual eu estava torcendo: o documentário Amy. Quando conheci Amy Winehouse, a reação foi algo do tipo “pu**, ca*****, que voz é essa?”. O primeiro disco, Frank, saiu quando ela tinha recém-completado vinte anos. A voz de uma senhora gorda, negra e de bochechas rechonchudas não podia caber naquele fiapo de menina! Era como passar um camelo pelo buraco de uma agulha. Alguma coisa estava errada. Todo aquele jazz não era coisa de criança. Como ela se atrevia? Bom, o fato é que era a mais pura verdade e nem o fato de ter curtíssima discografia foi capaz de apagar seu imenso brilho como cantora. Tony Bennet, um de seus ídolos, comparou-a a Ella Fitzgerald e Billie Holiday.

O documentário é recheado de imagens caseiras, feitas com celulares e câmeras da própria cantora, das amigas, dos produtores, dos namorados. É possível sentir nas canções a mistura explosiva entre a inquietude artística de uma jovem cheia de opiniões fortes, compositora de mão cheia, e os inúmeros problemas com bebida, drogas pesadas, depressão e bulimia. Cenas lamentáveis de alguém que não conseguiu lidar com o estrondoso sucesso mundial tão cedo. Tristes imagens de uma jovem se autodestruindo. E o trecho mais perturbador do filme: o show em Belgrado, em que ela, completamente chapada, não consegue cantar diante da multidão. No fim das contas, previsível, não aguentou. Foi ser mais um membro do triste Clube dos 27, junto de Hendrix, Brian Jones, Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison, Robert Johnson e outros.

Nas palavras do pianista Sam Beste, com quem ela tocou durante toda a carreira: “A música, para Amy, era como uma pessoa de quem ela precisava e por quem ela daria a vida.” Em dias de “Tá tranquilo, tá favorável”, recomendo fortemente a discografia da menina. De volta ao luto. É uma canção melhor do que a outra. E, ainda que com final triste e conhecido, o Oscar foi merecidíssimo.

testeO Regresso ganha 3 prêmios no Oscar 2016

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Um dos grandes nomes do Oscar 2016, O Regresso ganhou três das principais disputas na noite de ontem. Com grande foco em questões sociais, a premiação foi marcada pela apresentação ácida de Chris Rock, que criticou abertamente a ausência de negros entre os indicados.

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A produção inspirada no livro homônimo de Michael Punke foi premiada nas categorias de melhor fotografia, diretor e ator, destaques do filme, as mesmas que havia ganhado no Globo de Ouro. Leonardo DiCaprio foi aplaudido de pé após mais de vinte anos de sua primeira indicação, encerrando uma das maiores piadas da internet sobre os constantes insucessos do ator.

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Kate Winslet, par de DiCaprio em Titanic, era uma das mais emocionadas durante o discurso de agradecimento.

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O regresso conta a história real de Hugh Glass, caçador da Companhia de Peles Montanhas Rochosas que é abandonado por seus companheiros após o brutal ataque de uma ursa. Uma das  grandes surpresas da noite foi a presença do personagem na plateia.

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Confira a lista completa dos vencedores do Oscar 2016.

teste5 (ou 6) vezes que Leonardo DiCaprio deveria ter levado o Oscar

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Conhecido mundialmente por morrer congelado, ter algumas das melhores caras de perturbado de todos os tempos e rastejar como nenhuma outra pessoa do planeta, em 2016 o ator chega a marca de cinco indicações ao Oscar sem nenhuma vitória. Será que Hugh Glass, protagonista de O Regresso e personagem icônico da história americana conhecido pela sua resiliência, conseguirá quebrar a maré de azar que já dura 23 anos? Listamos as cinco vezes que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deveria ter premiado DiCaprio:

1 – Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (1993)

Antes mesmo de chegar ao estrelato com seu papel em Titanic, Leonardo DiCaprio já havia sido nomeado ao prêmio. Com apenas 20 anos, foi indicado como melhor ator coadjuvante pelo papel de Arnie Grape, o irmão autista do personagem título de Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, interpretado por Johnny Depp.

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2 – O Aviador (2004)

Depois de seu sucesso como Jack, o homem que decidiu morrer afogado em vez de dividir uma porta com a personagem de Kate Winslet em Titanic, o ator passou por um período sem atuações muito marcantes. Isso mudou quando Martin Scorsese o convocou para o papel central em O Aviador, cinebiografia de Howard Hughes, engenheiro aeronáutico, industrial, produtor de cinema, diretor cinematográfico e um dos homens mais ricos do mundo. Nesse ano, o ator perdeu para Jamie Foxx que atuou em outro filme biográfico, Ray.

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3 – Diamante de Sangue e Os Infiltrados (2006)

Em 2006, DiCaprio esteve em dois filmes igualmente importantes para a premiação. Em Diamante de Sangue, ele interpretou o contrabandista sul-africano Danny Archer e em Os Infiltrados deu vida a um policial infiltrado na máfia. Ainda que DiCaprio tenha sido indicado pelo primeiro filme, o segundo deu a Martin Scorsese seu primeiro Oscar de melhor diretor. Muitos críticos acreditavam que a dose dupla aumentaria as chances de Leo.

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4 – Django Livre (2012)

Na produção de Quentin Tarantino, o inescrupuloso escravista Calvin Candie era ao mesmo tempo caricato e brutal. Em uma das cenas mais emblemáticas do filme, o ator cortou uma das mãos por acidente e continuou a cena como se nada tivesse acontecido. É possível ver a reação de espanto dos outros atores enquanto DiCaprio se mantém no personagem.

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5 – O Lobo de Wall Street (2013)

A última tentativa frustrada do ator (pelo menos, até que saibamos o resultado do Oscar neste domingo). Sua quinta parceria com Scorsese rendeu a terceira indicação ao prêmio de melhor ator pelo papel de Jordan Belfort, investidor americano e usuário de quantidades industriais de drogas.

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6(?) – O Regresso (2016)

O novo filme do ator vem conquistando todos os prêmios a que concorreu até agora. Inspirado no livro homônimo de Michael Punke, O Regresso mostra a história de sobrevivência e vingança de Hugh Glass, caçador americano do século XIX. Será que Glass será responsável por congratular Leonardo DiCaprio com o Oscar?

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Saberemos a resposta no dia 28 de fevereiro, quando acontecerá a 88ª cerimônia do Oscar. Boa sorte, Leo!

Leia um trecho de O regresso

testeHugh Glass, a lenda americana

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A representação de Hugh Glass antes de ser interpretado por Leonardo DiCaprio (fonte)

Intepretado por Leonardo DiCaprio no filme O Regresso, Hugh Glass foi uma figura real da história dos Estados Unidos. Um dos muitos desbravadores do oeste americano, ele ficou famoso por sobreviver a um ataque de uma ursa-cinzenta e ao posterior abandono de seus parceiros de expedição.

Mas o caçador foi muito mais do que um sobrevivente. Ao longo de sua vida, diversos momentos contribuíram para o tornar uma verdadeira lenda. Listamos abaixo alguns de seus maiores feitos:

Pintura da tribo dos Arikara

Pintura da tribo dos Arikara (fonte)

Uma das grandes ironias de sua vida é que o ataque brutal só aconteceu graças a um momento de sorte. Dias antes do encontro com a ursa, a Companhia de Peles Montanhas Rochosas havia sido atacada pela tribo Arikara. Glass, ferido com um tiro não letal, foi um dos poucos que continuou a jornada rumo à região do rio Yellowstone, e ao destino que o tornaria famoso.

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Mural sobre a história do bando do pirata Jean Lafitte, o qual Glass fez parte (fonte)

Antes de ser um caçador e desbravador do oeste americano, o explorador foi capitão de um cargueiro da Rawsthorne & Sons, empresa que transportava rum e açúcar de Cuba para os Estados Unidos. Em uma das viagens, o navio foi atacado pelo pirata Jean Lafitte. Com a opção de sobreviver em troca de fazer parte do bando que o atacara, Hugh Glass foi um pirata por dois anos. Seu tempo no mar se encerrou quando o governo americano decidiu atacar o reduto de Lafitte, uma ilha na baía de Galveston, causando a debandada do grupo.

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

A tribo Pawnee, famosa por atacar os grupos que desbravavam o oeste americano. (fonte)

Após seu tempo no mar, ele vagou pelas planícies do Texas com outro sobrevivente do massacre aos piratas: Alexander Greenstock, que também havia sido capturado, e foi seu companheiro na busca de civilização. Os dois foram cercados pela tribo canibal Pawnee, quando Greenstock foi morto por tentar atacar os índios. Glass só conseguiu sobreviver assustando os índios, pintando seu rosto com uma pasta de cinábrio em pó e gritando a única coisa que conseguiu lembrar no momento: a oração do pai-nosso. A tribo, assombrada com o homem branco que mudara de cor, o deixou vivo e seu líder o adotou por quase um ano.

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

A região percorrida por Glass após o ataque não era exatamente o lugar mais agradável dos Estados Unidos (fonte)

Após se recuperar do ataque visceral da ursa, Hugh Glass foi atrás de suas armas e de quem o havia abandonado. A lenda conta que ele chegou ao forte onde seus antigos companheiros estavam em plena noite de Natal, completamente coberto de neve. Não se sabe como ele caminhou pelas florestas afastadas em pleno inverno, logo após o ataque. Mas a história prova que ele não era uma pessoa como qualquer outra.

A saga de Glass vai muito além desses fatos. Em O regresso, Michael Punke mostra como ele foi capaz de sobreviver e ir atrás de sua vingança. O livro inspirou o filme de mesmo nome, estrelado por Leonardo DiCaprio e que estreia no dia 4 de fevereiro. Assista ao trailer:

testeA justiça selvagem de Hugh Glass

Por Marcelo Costa*

THE REVENANT

THE REVENANT © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

The Revenant, título original de O regresso, romance de Michael Punke que a Intrínseca publica agora no Brasil, diz respeito, segundo o dicionário Michaelis, “a uma pessoa que retorna após longa ausência” ou ainda “àquele que volta do túmulo, um espírito, um fantasma, uma aparição”. Na primeira edição do livro, lançada nos Estados Unidos em 2002, um subtítulo colocava um pouco mais de lenha na fogueira: “A Novel of Revenge”, um romance sobre vingança. Juntando os cacos espalhados até agora já é possível imaginar a trama que conduz a narrativa de O regresso, mas é importante observar que os fatos (verídicos) relatados no romance aconteceram nada menos que dois séculos atrás (193 anos para ser mais exato). Ainda que o sentimento que a palavra “vingança” evoca tenha permanecido imutável durante todos esses anos, o mundo mudou drasticamente — e o ambiente é um personagem coadjuvante de extremo valor nessa história.

Com isso em mente, o cineasta Alejandro González Iñárritu e o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki — responsável pelas imagens dos filmes Árvore da Vida (2011), Gravidade (2013) e Birdman (2014), entre outros — capricharam na estética do “personagem coadjuvante”, e se a adaptação cinematográfica (que colocou o livro novamente nas prateleiras) faturou três estatuetas no Globo de Ouro (melhor filme, diretor e ator), é fácil imaginar untitledque a fotografia também tenha destino certo na premiação da Academia. Aliás, O Regresso pode entrar para a história do cinema como o filme que dará a Leonardo DiCaprio seu primeiro Oscar (foi seu terceiro Globo de Ouro de melhor ator — os anteriores haviam sido por O Aviador, em 2005, e O Lobo de Wall Street, em 2014). Mas, ainda que isso aconteça, é importante frisar: esse é mais um caso clássico de livro muito melhor do que o filme. Ou quase isso.
Quase porque, na verdade, livro e filme vêm da mesma fonte, mas são obras distintas, com qualidades particulares. Se o filme tem a força da imagem (Lubezki choca a paisagem à contraluz de Árvore da Vida com os longos planos sequência de Birdman, num resultado arrebatador) e das grandes atuações, o livro é impactante por remeter a um diário romanceado dos pensamentos do personagem Hugh Glass, o homem de currículo invejável que sempre sonhou viver em alto-mar até ser sequestrado por um pirata lendário e ter seu futuro com uma bela mulher nublado. É este homem de coração partido que vagueia nas páginas do livro, perdido em um Novo Mundo, que cria pouco a pouco o mapa que conhecemos hoje, mas que, em 1820 (quando a história real se passa), era apenas um rabisco fruto da memória de vários caçadores.

A trama de O regresso começa no primeiro dia de setembro de 1823, uma segunda-feira sombria, embora, naquela época e no meio do Velho Oeste norte-americano, dias da semana não servissem para muita coisa. Mas, mesmo assim, é esse o dia em que Hugh Glass é abandonado por dois “companheiros” que, não bastasse a traição, ainda levam o que ele tinha de mais precioso: a espingarda e a faca. Nas condições em que se encontrava, um corpo absolutamente detonado, na fina fronteira entre a vida e a morte, após ter sido atacado por um imenso urso-cinzento (que, milagrosamente, ele conseguiu matar — ainda que tenha quase morrido junto), Glass não precisaria mais do armamento, justificaria Fitzgerald, um dos dois homens “escalados” para enterrar o companheiro, dando a ele uma despedida digna.

Colocadas as cartas na mesa, O regresso narra o processo de recuperação solitária do caçador Hugh Glass, que integrava a Companhia de Peles Montanhas Rochosas, após o ataque quase fatal do urso, e seu desejo de vingança, que o faz lutar por sobrevivência, enfrentando índios e o tempo cruel para concluir seus planos. A história verídica atravessou séculos e ganhou ares míticos. O romancista Michael Punke pesquisou a fundo a trajetória do caçador e alerta que o eixo central da trama é exato: o ataque do urso, o pobre homem deixado para trás pelos amigos em péssimas condições e o inevitável desejo de vingança. E o que há de ficção no romance é exatamente o que faz do livro uma obra mais interessante do que o filme: ao acompanhar a saga de recuperação de Hugh Glass, o leitor está confinado em seus pensamentos, e tudo que surge impressiona.

Mais interessante ainda é a recriação de época, algo que o filme compartilha, mas que o livro também exibe com força, pois se trata de hábitos há muito tempo deixados de lado por uma sociedade cada vez mais distante da natureza e dos enfrentamentos tão comuns daquele período. Outro ponto positivo da leitura: Michael Punke aprofunda vários personagens, numa reconstrução histórica que coloca em cena, por exemplo, o pirata corsário francês Jean Lafitte, que aterrorizou o Golfo do México no mesmo período em que Hugh Glass viveu e deixou a península de Galveston em chamas ao partir (a propósito, Nic Pizzolatto, o homem responsável pela série True Detective, escreveu um ótimo romance que se passa em Galveston, também publicado pela Intrínseca).

Você pode não acreditar em espíritos, fantasmas ou aparições, mas é bom ficar de olhos abertos, pois, como frisou o filósofo Francis Bacon em On Revenge, um dos capítulos de seu livro Ensaios, de 1625: “a vingança é uma espécie de justiça selvagem”, incutindo no ser humano uma inteligência crítica que às vezes faz falta. Segundo Bacon, a vingança é uma perversão da lei (o que, por sinal, tem a ver com o final do livro de Punke enquanto diverge de Iñárritu, que acrescenta elementos extras para tornar o ato mais factível). E ainda que Hugh Glass tenha atuado como pirata, sua busca por vingança é mais fruto dos desencontros da vida do que de maldade. Há diferença, mas a perversão da lei é a mesma… ainda hoje.

THE REVENANT

THE REVENANT © 2016 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

Livro e filme, apesar de tratarem do mesmo tema, vingança, têm conclusões diferentes. Punke tentou ser o mais fiel possível à história real, enquanto Iñárritu apresentou uma história com início, meio e fim — não é à toa que o filme começa exibindo uma batalha anterior à narrativa do livro —, mas ambos criaram o personagem que acreditaram ser o mais plausível. O leitor, por sua vez, tem em mãos um diário de época incrível, retrato de um período histórico pouco explorado e muitas vezes esquecido. O resultado final é uma obra cujo texto pode ser complementado pelas imagens de Iñárritu e que transporta o leitor/espectador para um tempo distante, quando as regras da sociedade eram bem diferentes. Sombrio, agonizante e violento, O regresso utiliza um mundo que não existe mais para falar de um sentimento atemporal.

link-externoLeia também: O Regresso lidera as indicações ao Oscar 2016

 

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yellum dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Notícias Populares, e dos portais Zip.NetUOLTerra e iG, além de ter colaborado com as revistas Billboard BrasilRolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

testeO Regresso lidera as indicações ao Oscar 2016

Depois de se consagrar com três prêmios no Globo de Ouro, O Regresso superou todas as previsões e foi indicado a 12 Oscars, se tornando a produção com maior número de nomeações na edição de 2016 do prêmio. Com estreia marcada para 4 de fevereiro nos cinemas brasileiros, o filme é inspirado no livro homônimo de Michael Punke que acaba de ser lançado pela Intrínseca.

Na premiação, que será realizada no dia 28 de fevereiro, o filme estará no páreo nas seguintes categorias: fotografia, figurino, edição de som, mixagem de som, maquiagem, ator coadjuvante (Tom Hardy), efeitos visuais, edição, direção de arte, diretor (Alejandro González Iñárritu), ator (Leonardo DiCaprio) e melhor filme.

A trama é inspirada na impressionante história real de Hugh Glass, caçador da Companhia de Peles Montanhas Rochosas atacado por um urso-cinzento e depois abandonado pelos companheiros, que levam suas armas e suprimentos. Entre delírios, Glass é tomado por um único desejo: vingança.

Além da indicação de DiCaprio na categoria melhor ator, concorre na mesma categoria Bryan Cranston por sua interpretação do personagem que da título a Trumbo: Lista Negra, inspirado no livro de Bruce Cook. Na categoria melhor canção original, o artista the weeknd concorre com a música “Earned it”, da trilha sonora de Cinquenta Tons de Cinza.

Confira todos os indicados ao Oscar 2016.