testeOs bastidores da rede de corrupção que quase derrubou um Presidente da República

 

Qual a receita para construir um império? Para os irmãos Batista, da JBS, os ingredientes foram a aptidão nata para os negócios, ousadia para correr riscos, bons relacionamentos com políticos e banqueiros, milhões de reais em propina e financiamentos bilionários do BNDES.

O livro Why Not, fruto de dois anos de pesquisas e mais de uma centena de entrevistas feitas pela jornalista Raquel Landim, chega às livrarias em maio contando os bastidores inéditos da teia de corrupção que ajudou a transformar um açougue em Goiás na maior empresa de carnes do mundo.

Narrando o caso como um thriller político, Landim reconstrói a história da JBS desde sua origem até o acordo de delação premiada de Joesley e Wesley Batista, que comprometeu centenas de políticos, entre eles o ex-presidente da República Michel Temer, ainda no poder à época dos fatos, e quase permitiu que eles saíssem impunes apesar de seus crimes.

O título do livro, Why Not, faz referência ao iate comprado por Joesley Batista no auge do sucesso da empresa. O termo em inglês, que significa Por que não?, parecia indicar os rumos que os irmãos estavam dispostos a percorrer. Por que não subornar políticos? Por que não crescer contando com atalhos e privilégios? Por que não fazer gravações clandestinas de políticos em situações comprometedoras? A trama retratada no livro mostra as consequências da combinação do talento para negócios dos irmãos e das inescrupulosas relações com o poder público.

testeOs Guinle: entre a Lava-Jato e a CPI

Via Diário do centro do mundo

Os Guinle motivariam uma CPI? (Foto via Diário do centro do mundo)

Durante a gravação do Programa do Jô em que fui entrevistado sobre o livro Os Guinle, ele me perguntou: “Os Guinle teriam dado uma Lava-Jato?” Dois dias depois, no debate do qual sempre participo na rádio Tupi, o comunicador Haroldo de Andrade fez a mesma pergunta. E minha resposta foi igual: “Não.” A Operação Lava-Jato visa desmantelar um esquema de corrupção, ou seja, roubo de dinheiro público. Os Guinle nunca estiveram envolvidos com corrupção, mas não há dúvida de que foram beneficiados por favores políticos. Logo, eles poderiam inspirar uma CPI, isso sim. E inspiraram.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, o comércio internacional foi restabelecido e as atividades econômicas se reanimaram de imediato. Como os demais portos do mundo, o de Santos, comandado pelos Guinle, ficou sobrecarregado e entrou em colapso. O monopólio da Companhia Docas de Santos, que os Guinle detinham, sempre fora motivo de questionamento, visto que eles haviam ganhado uma concessão de mais de noventa anos.

No pós-guerra, uma onda democrática varreu diversos países, entre eles o Brasil, pondo fim inclusive à ditadura Vargas. Nesse ambiente, seria normal esperar alguma investigação sobre o colapso no maior porto do país. Não deu outra. No Congresso Nacional foi instalada uma CPI que abriu os trabalhos em 23 de novembro de 1946. Os parlamentares visitaram as instalações portuárias e escutaram especialistas. Um deputado gaúcho, Daniel Faraco, chegou a sugerir a suspensão da concessão. Entretanto, no final, o relatório da CPI concluiu que os problemas financeiros e administrativos em Santos eram apenas conjunturais.

Foi graças ao barulho causado pela CPI que a sociedade brasileira ficou sabendo como Guilherme Guinle geria o principal negócio de sua família. Já em 1938, antes da guerra, ele previra que o porto entraria em colapso e começara a pedir ajuda. O governo não se sensibilizou. Guilherme então arregaçou as mangas e desenvolveu sozinho um ambicioso e caro projeto de ampliação das instalações portuárias.

É evidente que quanto maior fosse o porto maiores seriam os ganhos dos Guinle. No entanto, não era apenas essa ideia que movia Guilherme. Ele sempre teve claro que gerenciava um elemento estratégico para a economia brasileira. Exatamente como os empresários de seu tempo, ele olhava muito para o próprio bolso. Mas, diferentemente dos grandes empreiteiros de hoje, ele se preocupava com o país.