testeCafé Society

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Cena do filme Café Society (Fonte)

Um filme que tem tudo a ver com o meu livro Os Guinle é Café Society (2016), de Woody Allen. Mesmo tratando de histórias bastante diferentes, e apesar de o filme ser uma obra ficcional, enquanto o livro é uma biografia, as narrativas têm elementos em comum.

A trama de Allen se passa nos anos 1930, entre Hollywood e Nova York, e quem leu o livro sabe que foi exatamente nessa época que o playboy Jorginho Guinle aterrissou nos Estados Unidos. O mais curioso é que ele gravitava justamente entre as duas cidades, só que, diferentemente do cineasta, um nova-iorquino apaixonado por sua cidade, Jorginho nunca externou preferência por Hollywood ou Nova York.

Ao menos duas grandes estrelas do cinema americano estão nas duas histórias: Hedy Lamarr e Errol Flynn. Hedy Lamarr teve um caso com o milionário brasileiro; Errol Flynn foi muito amigo dele. No filme eles são apenas citados num extenso rol de nomes de personagens típicos dos estúdios cinematográficos.

O maior ponto de contato entre as duas obras é o jazz. No filme, o personagem principal, Bobby Dorfman, é um dos proprietários de um clube noturno, o Les Tropiques. O local é claramente inspirado no Café Society, uma casa fundada em 1939 por Barney Josephson em Nova York. Foi aí que Billie Holiday lançou, no mesmo ano, o sucesso Strange Fruit. Pois, em 1939, no mesmo dia em que chegou ao país, Jorginho Guinle foi ver uma apresentação da mítica cantora.

Jorginho, que então namorava a atriz Lauren Bacall, tornou-se frequentador assíduo do Café Society. Conforme conta em sua biografia, a casa era um templo sagrado do jazz. Era a única que bancava show com três pianistas tocando ao mesmo tempo, “criando uma incrível textura polirrítmica, uma loucura”.

A cristalização de Hollywood como a capital mundial do cinema e a expansão internacional do jazz fizeram da década de 1930 uma época especial nos Estados Unidos. Segundo Jorginho, “muitos achavam que aquela vida de diversão duraria para sempre”. Mas, como numa obra ficcional, todo aquele clima de festa acabou naquele mesmo ano de 1939, quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu e o mundo viveu uma de suas piores crises.

testeTânia Caldas

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Tânia Caldas (Fonte)

Alguns leitores reclamaram da ausência de Tânia Caldas no meu livro Os Guinle. No fim da década de 1960 e início dos anos 70, ela foi uma das modelos mais badaladas do Brasil. Seu sucesso foi tanto que em dezembro de 1977 ela foi capa da Interview, revista americana criada pelo gênio do pop art Andy Warhol. Segundo uma única fonte, a enciclopédia eletrônica Wikipédia, Tânia foi casada com Jorginho Guinle, fato que não cito em meu trabalho.

O próprio Jorginho, em sua biografia, não fala nada sobre ela. Logo, quem está com a verdade? Ora, como diria o cronista Antônio Maria, “os romances de Jorginho começavam e acabavam em notícia”. Sendo assim, fica fácil encontrar o porquê da ausência de Tânia em diversos livros sobre a família Guinle.

O romance começou em agosto de 1975. A primeira aparição pública do casal foi na antiga casa de espetáculos carioca Canecão, em Botafogo. Eles foram com amigos ver o show de Chico Buarque e Maria Bethânia. Dias depois, ela, jovem e bela, fez o namorado acompanhá-la até o recém-inaugurado restaurante Natural, em Ipanema, reduto de jovens surfistas e cocotas. Um ambiente inabitual para um playboy do calibre de Jorginho.

Ele estava tão apaixonado que na fase inicial do namoro deu uma Brasília branca para a namorada. Rodavam pelo circuito Rio, Teresópolis, Nova York e Paris. Não demorou muito e Tânia foi morar no apartamento dele, na praia do Flamengo. Para os padrões de hoje, a união seria considerada um casamento, mesmo não havendo um laço oficial nem filhos.

Então, qual o motivo para Jorginho omitir o nome de Tânia em sua biografia? Um inesperado encontro ocorrido em dezembro de 1978, na boate Hippopotamus, em Ipanema, pode ser uma boa pista. Segundo o colunista social Zózimo Barrozo do Amaral, Jorginho, ao chegar à Hippo, teve o desprazer de encontrar Tânia com o ator Raul Cortez.

A manchete da capa da Interview estampada por Tânia trazia uma frase que resume bem esse romance:  “Eu nunca fui uma cortesã de Jorge Guinle nem de ninguém. Serei Tânia Caldas forever!”

testeAs mulheres do meu livro IV

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A atriz e inventora Hedy Lamarr (fonte)

A austríaca Hedy Lamarr foi um ícone do cinema internacional. Ao aparecer nua, simulando um orgasmo, no filme tcheco Êxtase, de 1933, embalou o sonho de milhões de homens em todo o planeta. Em 1949, ela apimentaria o épico Sansão e Dalila com cenas bastante sensuais para a época, especialmente por se tratar de obra com temática bíblica. Mas Hedy também ficou conhecida por sua capacidade intelectual. Em 1940, em plena Segunda Guerra, ela patenteou um aparelho que despistava as transmissões de rádio — engenhoca tida como mãe da telefonia celular.

Hedy Lamarr, personagem do meu livro Os Guinle, foi uma das muitas namoradas de Jorginho Guinle. Um caso bem diferente dos outros namoros do playbloy com estrelas de Hollywood. Afinal, o affaire com Marilyn Monroe aconteceu quando ela era uma garota de programa desconhecida. Com Rita Hayworth, o romance se deu na fase decadente da atriz. Já com Hedy, a aproximação ocorreu em 1958, com ela no auge.

Jorginho revelou em sua autobiografia detalhes sexuais de algumas ex-namoradas, mas o seu relato sobre Hedy é diferente dos demais, já que ele a considerava muito inteligente. Sem contar que ela entendia profundamente de arte moderna, o que o impressionava. Segundo ele, foi graças ao namoro com Hedy que conheceu o pintor francês Pierre Soulages, os americanos Jackson Pollock e Franz Kline, o alemão Hans Hartung, entre outros artistas.

Jorginho conta ainda que Hedy pensava em casamento. Como se sabe, isso não aconteceu. Aliás, o namoro acabou de forma abrupta. Ela lhe pediu de presente uma obra de arte bem cara do suíço Alberto Giacometti e Jorginho não pôde regalar a amada por causa de uma viagem urgente ao Rio de Janeiro. Quem quiser saber mais detalhes sobre a versão de Hedy sobre o episódio é só ler Os Guinle.

testeAs mulheres do meu livro III

Rita Hayworth em Gilda (fonte)

Rita Hayworth (fonte)

Rita Hayworth (1918-1987) era considerada por muitos a mulher mais bela do cinema americano. Com sua atuação em Gilda, de 1946, ela se tornou um mito do cinema mundial. No filme, em uma cena marcante, faz um falso striptease e tira lentamente uma luva comprida de um dos braços. Rita foi casada cinco vezes. Entre seus maridos estavam o príncipe e playboy Aly Khan, o cantor Dick Haymes e o cineasta Orson Welles. Já na lista dos homens que namorou, consta o nosso maior playboy, Jorginho Guinle.

O namoro foi até longo, durou dois anos. Em sua biografia, ele relata que o affaire teve início em 1962, no Rio de Janeiro. Rita viera passar o Carnaval na cidade e ficara hospedada no Copacabana Palace, de Octávio Guinle, tio de Jorginho. Mas foi no Baile do Havaí, no Iate Clube, que tudo começou. Ela já não estava tão em alta, andava depressiva e bebia muito. No fim da noite, os dois foram para um dos barcos ancorados no deque.

Durante o Carnaval, badalaram na boate Blue Angel, em Copacabana, se esbaldaram nos bailes do Copa e do Theatro Municipal (ela, de baiana). Também foram ver os desfiles e Rita, toda de vermelho, sambou na frente de uma das escolas e desfilou por uns cem metros. O público delirou.

Jorginho não revela muitas intimidades sobre ela. Mas as poucas histórias que narra, do início da carreira da atriz, ainda como Rita Cansino, até sua fase mais decadente, são, no mínimo, saborosas. Eles já se conheciam desde a década de 1940 e, segundo o playboy, ela era “xucra”. Jorginho era amigo de Aly Khan, portanto recebeu informações de quem convivera bastante com ela.

Em sua biografia, ele menciona alguns “escandalosos incidentes” protagonizados pela beldade, quase todos relacionados com o excesso de bebida. Já no livro Os Guinle, eu falo sobre a capacidade intelectual de Rita. Aparentemente, ela tinha dificuldades de se relacionar com os homens. Tanto que, conta-se, justificava seus vários fracassos amorosos com a seguinte frase: “A maioria dos homens se apaixona por Gilda, mas acorda comigo.”

testeAs mulheres do meu livro II

Jayne Mansfield e Jorginho Guinle (fonte)

Jayne Mansfield e Jorginho Guinle (fonte)

A atriz Jayne Mansfield, a grande rival de Marilyn Monroe na década de 1950, não deveria entrar nas minhas crônicas sobre as mulheres de Os Guinle, já que não é personagem da saga que escrevi sobre essa conhecida família carioca. Não a incluí no livro porque, embora tenha sido uma das amantes hollywoodianas de Jorginho Guinle, a relação de nosso playboy com ela era mais motivada pelo sexo, conforme ele relata em sua biografia. Loura, alta e de seios fartos, Jayne fez mais sucesso, na verdade, como playmate da Playboy do que como atriz.

Segundo Jorginho, a moça, ainda que bela, carecia de alguma sensibilidade. Ele conta que uma vez eles estavam num cabaré da Broadway quando, de repente, ela pediu: “Vamos dançar?” O cabaré era um sofisticado endereço especializado em jazz criado apenas para os apaixonados por boa música. Grandes nomes, como o saxofonista Coleman Hawkins e o baterista Gene Krupa, faziam de tudo para se apresentar ali. Jorginho dançou com ela e o casal foi até aplaudido, mas ele morreu de vergonha, pois considerava uma ofensa aos músicos dançar naquele ambiente.

Jayne, porém, tinha seus trunfos: era totalmente desinibida para o sexo e isso Jorginho adorava. Uma vez, em Nova York, ele foi buscá-la no aeroporto. Foi em um carro escolhido por ela, um Rolls-Royce antigo, bem mais alto que os demais. Mesmo com a presença do motorista, em determinada parte do trajeto ela anunciou: “Vou fazer sexo com você aqui!”. Nas palavras de Jorginho, ele ficou bem constrangido ao receber sexo oral daquele jeito, “vendo os carros passando ao lado, logo abaixo de nós”.

O caso com ela durou dois anos no total, um tempo longo para os padrões do playboy, e ele logo explica: “Não foram dois anos corridos, mas indo e voltando, e ela não tinha esse negócio de querer amarrar-se.” Além de desinibida, Jayne era realmente diferente, já que a maioria das mulheres que namorou só queria mesmo era arranjar casamento, inclusive as atrizes de Hollywood, conforme narra.

testeAs mulheres do meu livro I

Marilyn Monroe (fonte)

Marilyn Monroe (fonte)

Nunca pensei que um dia escreveria um livro em que tivesse como personagens atrizes de Hollywood. O cinema americano não está no foco do trabalho que faço, pois sou mais ligado a temas da história do Brasil. Mas em Os Guinle algumas estrelas cinematográficas de primeira grandeza são citadas com um objetivo muito claro: ajudar o leitor a entender um dos personagens do livro, o playboy Jorginho Guinle (1916-2004), filho de Carlos e Gilda Guinle.

Nesta crônica destaco Norma Jeane Mortenson, mais conhecida como Marilyn Monroe (1926-1962). Em toda a história do cinema, poucas mulheres deixaram uma marca tão forte na cultura de seu tempo. Marilyn foi um verdadeiro ícone do século XX e suas imagens seguem fazendo sucesso – com o vestido branco levantado no filme O pecado mora ao lado (The seven year itch, de 1955), cantando o inesquecível “Parabéns para você”, em 1962, no aniversário do presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, seu rosto na colorida serigrafia de Andy Warhol feita após a morte de Marylin são algumas dessas imagens.

Jorginho Guinle morou nos Estados Unidos entre 1939 e 1947. Em seu livro biográfico ele diz ter tido “alguns encontros” com Marilyn, a “idolatrada sex symbol”. Ele visitava constantemente uma certa casa, em Hollywood, que era de propriedade da atriz Mae West. O local era frequentado por gente como os futuros presidentes americanos Ronald Reagan e John Kennedy. O endereço era famoso por conta das beldades que recepcionavam tão ilustres visitantes.

Mae West garantia o sigilo do que acontecia entre os visitantes e as moças, suas amigas. Jorginho diz que ela era o “sex-relations” da turma. Uma delas, Marylin, linda e jovem, virava muitas cabeças. Aos vintes anos, era pobre. Mas, segundo Jorginho, era profissional. “Ela tinha total desinibição, qualidade fundamental para o sexo perfeito. Esse é o momento em que os sentidos e a cabeça funcionam como parceiros. Para se conseguir prazer prolongado, geral, o prazer total, é preciso falar durante o ato. Palavras e pensamentos devem estar presentes. Senão, vira uma coisa puramente animal, decepcionante.”

A julgar pelos depoimentos de Jorginho, o playboy milionário e Marylin Monroe se conheceram muito bem ao longo de algumas siestas na badalada casa de Mae West.

testeIonita

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Ionita Salles Pinto (fonte)

O telefone não parou na semana passada. Muitas pessoas ligaram querendo saber detalhes sobre a morte de Ionita Salles Pinto, no último dia 28, aos 69 anos. Ela foi a segunda esposa de Jorginho Guinle e é mãe de Georgiana, única filha daquele que era considerado um dos maiores playboys do país. Embora eu seja apenas o biógrafo dos Guinle, muita gente me toma como sendo da família. Eu não a conheci e, portanto, não tenho maiores informações. Resolvi, então, dar uma olhada em minhas anotações.

Ionita, que se assinava Stamato, foi atriz na década de 1960. Em 1966, participou da comédia Todas as mulheres do mundo, de Domingos de Oliveira, que fez muito sucesso. Além dela, o premiado longa-metragem trazia outras jovens beldades, como Leila Diniz, Ana Maria Magalhães e Irma Álvarez.

Se, por um lado, a vida amorosa de Jorginho era rica, por outro, era paupérrima. Ele colecionou casos com atrizes do cinema americano, namorou beldades do jet set internacional e, em meados da década de 1940, casou-se à sorrelfa com a americana Dolores. Pelos relatos, no entanto, não consegui perceber em nenhuma dessas relações, nem mesmo com a esposa, indícios de amor ou paixão.

O romance de Ionita e Jorginho começou entre 1967 e 1968. Hoje, tenho convicção de que ele se apaixonou perdidamente por ela. Tanto que no Carnaval de 1968 fez algo inédito e inesperado. Bastou Ionita dançar com um amigo para que ele protagonizasse um ataque de ciúmes em público — já Dolores sempre se divertia com outros homens nos bailes e ele não se incomodava. Jorginho vivia tão grudado em Ionita que, aos poucos, a imprensa carioca inventou o termo “os Jorginho Guinle” para se referir ao casal.

No início de 1969, o playboy perdeu treze quilos. Seria devido à tristeza pela morte recente de seu pai, Carlos Guinle? Uma simples dieta? Ou a causa seria a paixão por Ionita? Acho que o seu emagrecimento foi causado por amor. Talvez até por isso no ano seguinte tenha nascido Georgiana. O casal viveu muito bem até 1975, quando se separou.

Ionita entrou para a família na fase decadente dos Guinle. O Rio de Janeiro não era mais capital. Depois, em 1964, eles entraram em rota de colisão com o regime militar. Com a morte de Carlos, a decadência desse ramo da família se acentuou. Assim, a segunda esposa de Jorginho acabaria sendo tragada pelos fatos.

Por sete anos seguidos, entre 1968 e 1975, Ionita viveu um período de fausto e glória. No entanto, a opção pela relação com o playboy custou-lhe a carreira artística. Assim como o ex-marido, ela teve um fim de vida difícil. Doente e sem recursos, foi ajudada por um par de amigos. Sem nenhum favor, Ionita foi um marco na vida afetiva de um homem que, ao que tudo indica, não conhecia o amor.

testeGrande Gala no Municipal

Espetáculo de reinauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro © Pedro França

Espetáculo de reinauguração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
© Pedro França

Em boa parte do século XX, o belíssimo Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi palco de grandes estreias. Fundado em 1909 como uma das joias da reforma urbana implementada na cidade pelo prefeito Pereira Passos, era o teatro mais importante do Brasil, atraindo estrelas internacionais que iam do bailarino russo Nijinski e da cantora lírica americana Maria Callas ao pianista polonês Arthur Rubinstein.

A primeira noite de um espetáculo era chamada de Grande Gala. Além de o preço do bilhete ser mais elevado do que o habitual, a sofisticação imperava: as mulheres tinham de ir de longo e os homens, de smoking. Nessas noites em que a alta sociedade carioca se reunia no foyer da casa para ver e ser vista, os Guinle eram presença obrigatória.

Aliás, a relação deles com o Municipal foi intensa. A matriarca Guilhermina não perdia a oportunidade de subir suas escadarias, em plena Cinelândia. Carlos Guinle, no fim da vida, se ocupou do patrocínio de alguns espetáculos. Arnaldo mantinha em seu nome uma das frisas como se fosse uma cadeira cativa de estádio de futebol. E foi no majestoso restaurante do Theatro, o Assírius (hoje Café do Theatro), uma réplica do estilo assírio, que Arnaldo conheceu o músico Pixiguinha, em cuja carreira investiu.

O Theatro era tão associado ao mundo do divertimento sofisticado que, na década de 1950, passou a sediar o baile de Carnaval mais exclusivo do país. A banda ficava no palco e as cadeiras da plateia eram retiradas para dar espaço ao salão da festa. Foi nesses bailes, cuja cobertura, pela imprensa, fazia as delícias da classe média, que o playboy Jorginho Guinle, filho de Carlos, apareceu várias vezes acompanhado de charmosas atrizes do cinema americano.

Outro marca do baile era a realização dos concursos de fantasia de alto luxo. O evento emprestava ao Carnaval carioca um certo clima europeu, pois muitas dessas fantasias lembravam as vestimentas dos foliões do famoso Carnaval de Veneza.

Os tempos mudaram e, com ele, um dado muito positivo: a preocupação com a preservação do espaço, não mais se permitindo carnavais em seu interior. Por outro lado, perdeu-se também boa parte do glamour e do encantamento que envolvia o Theatro. E o que é pior: encolheu-se a agenda das atrações internacionais. Em 2014, a imprensa especializada criticou a qualidade de sua temporada e considerou sua vida artística mais fraca que a dos teatros de São Paulo, Buenos Aires e Santiago do Chile.

O Municipal ainda busca se manter como uma casa de espetáculos diferenciada, impondo regras de conduta, como a proibição do uso de bermudas em suas dependências, e não tolerando com atrasos dos  espectadores. Em outras cidades, as Grandes Galas seguem existindo com esplendor. Mas, no Rio de Janeiro, elas acabaram, levando com elas inúmeras histórias, assim como a era dos Guinle.