testeOs quartos mais lindos da ficção

Se existe um lugar perfeito para ficar embaixo das cobertas lendo um livro, esse lugar é o nosso quarto. Além de ser um ambiente de descanso e refúgio, o quarto de uma pessoa também é um ótimo jeito de conhecer mais sobre ela. Já reparou que em alguns filmes basta dar uma olhadinha no quarto de um personagem para ter uma boa noção de sua personalidade?

A ficção possui alguns dos quartos mais incríveis que esse mundo já viu! Inspirados pela matéria da Arte Do Cinema, decidimos fazer uma lista com os cinco quartos mais lindos dos nossos livros.

 

Lara Jean – Para todos os garotos que já amei

 

Lara Jean é um ícone! Seja pelo seu jeitinho cativante, seu guarda-roupa cheio de estilo ou seu quarto maravilhoso, ela sabe ser uma inspiração. Apesar de bagunçado, ele é cheio de personalidade e detalhes fofos. Misturando tons pastel, como turquesa e rosa, com móveis vintage, o ambiente tem um charme todo especial.

 

Auggie – Extraordinário

 

Auggie é apaixonado pelo espaço e por Star Wars, e é claro que seu quarto é lotado de referências a tudo isso. Com uma parede azul cheia de estrelas, esse é o local perfeito para o menino viver suas épicas aventuras. Além dos brinquedos, a decoração também conta com um tapete fofíssimo da Millenium Falcon!

 

Simon – Com amor, Simon

 

Olha, precisamos confessar: invejamos muito o quarto do Simon! Além da escrivaninha espaçosa, o cômodo tem uma das melhores camas do mundo. Ela fica em um cantinho aconchegante com direito a piscas-piscas e paredes que funcionam como um quadro-negro. É ou não é o quarto dos sonhos?

 

Elio – Me chame pelo seu nome

 

Foto: Giulio Ghirardi

Elio fica um pouco chateado quando precisa ceder seu quarto para Oliver, hóspede da família, mas quem não ficaria, né? Um dos principais cenários de Me chame pelo seu nome é a belíssima casa onde o rapaz passa o verão com seus pais, localizada na região rural do norte da Itália. O quarto dele é bastante simples, mas o encanto está nos livros espalhados pelo cômodo e nos pôsteres incríveis da década de 1980.

 

Hazel Grace – A culpa é das estrelas

 

Por causa de sua doença, Hazel Grace passa bastante tempo no seu quarto. Por isso, ela caprichou no seu cantinho, deixando o espaço confortável e com a sua cara. A cama é rodeada por uma estante recheada de livros e as árvores pintadas nas paredes dão um toque apaixonante ao lugar.

 

testeEu, John Green e os infinitos dentro de nós

Por Leticia Vallecilo*

Existem histórias que passam rápido, outras que ficam por um tempo, mas tem aquelas que nunca realmente vão embora, que nos acompanham desde a primeira leitura até as adaptações cinematográficas e que nos deixam morrendo de vontade de ler todos os livros do autor. Certa vez, um escritor entrou na minha vida em forma de metáforas, amor e lágrimas, and this, kids, is How I Met John Green (caso não tenha entendido a referência, deixarei um texto para você nas sugestões lá no final).   

Se alguém me pergunta por que ler um livro do John Green, a resposta vem fácil: porque ter um livro dele nas mãos é como estar com um amigo. Eles te fazem rir, emocionam, fazem o tempo passar mais rápido naqueles momentos chatos, ensinam lições importantes, mostram pontos de vista diferentes e, quando você termina, quando finalmente precisa deixá-los, a vontade que fica é de abraçá-los com força e não largar nunca mais. Mas, como acontece com todo bom amigo, os anos de distância não diminuem o sentimento.

Eu tinha 18 anos, fazia faculdade do outro lado da cidade e passava muita raiva nos transportes públicos quando decidi que era hora de trazer Hazel Grace e Augustus Waters para me ajudarem a enfrentar essa odisseia diária. Eu posso até não lembrar o que jantei ontem ou quem disputou a semifinal da Copa do Mundo, mas é impossível esquecer onde estava quando a cena da capela me fez chorar compulsivamente em público. “POR QUE FAZ ISSO COMIGO?”, pensei, em caps lock. “Sabe de nada, inocente”, respondeu a versão imaginada do John Green na minha cabeça. 

As cento e vinte três caixas de lenços de papel foram só uma amostra do novo mundo que se abriria para mim, e não demorou muito para que eu desse gargalhadas com o Colin de O teorema Katherine (que tem uma habilidade sobre-humana de se apaixonar por meninas chamadas Katherine). Alguns anos depois, esbarrei com uma edição de Cidades de papel na estante da casa de uma prima. Eu pedi umas quarenta vezes, o que pode ou não ter envolvido tentativas de chantagem emocional, mas ela não quis me emprestar, porque era o “xodó” dela. Não teve jeito, eu precisei seguir a vida me contentando em assistir à adaptação de A culpa é das estrelas (e chorar nas mesmas cenas) mais um milhão de vezes e em ver a Cara Delevingne sendo linda no filme inspirado em Cidades de papel.

Foi aí que eu entrei na Intrínseca e Quem é você, Alasca? logo cruzou o meu caminho. Uma ida de ônibus para São Paulo e eu já estava arrebatada: nossa, que história! (Muitas pessoas me diziam que Alasca era melhor que Culpa, mas, como uma cinéfila que não consegue escolher entre Titanic e E.T., recomendo que leiam os dois.) Pouco mais de um ano depois, recebemos o grande e esperado lançamento do autor, Tartarugas até lá embaixo (que eu li antes da minha prima porque o mundo dá voltas), e é obvio que após tantos livros e filmes inspirados nas obras dele eu já era uma fã de carteirinha (ou Nerdfighter, if you know what i mean).

De todos os livros do John Green, Tartarugas foi o único com o qual tive a oportunidade de trabalhar no departamento de marketing. Foi uma sensação totalmente diferente, porque me apaixonar pela Aza junto com tantos leitores tornou essa história ainda mais especial. Se tinha algo que faltava para o John marcar um “J” no meu coração, agora está tudo mais que completo. E, embora seja difícil encontrar quem veja o mesmo mundo que o meu, graças a ele eu encontrei milhares.

Por isso digo que os livros do John são aqueles amigos que ficam para sempre. Faz cinco anos desde que aprendi que “Alguns infinitos são maiores que outros”, e, mesmo depois de tanto tempo, de conhecer a complexidade da Alasca, de rir com as confusões do Colin, de explorar os mistérios da Margo e de mergulhar nos pensamentos da Aza, aqueles Hazel e Gus do primeiro livro estarão sempre convidados para cruzar a cidade — e a vida — junto comigo, porque o nosso infinito é maior que aquele entre 0,1 e 1.000.000.

P.S.: Todas as referências de Cidades de papel deste texto foram baseadas no filme, pois apesar dos anos e das voltas do universo, Julia jamais me emprestou seu exemplar.

Leticia Vallecilo tem uma prima egoísta, já assistiu a How I Met Your Mother quatro vezes e felizmente não precisa mais cruzar a cidade todos os dias.

teste“Quem é você, Alasca?” vai virar série

A plataforma de streaming Hulu anunciou que vai adaptar Quem é você, Alasca? para uma minissérie de oito episódios, ainda sem data de estreia prevista. Josh Schwartz, criador de Gossip Girl e The O.C., será o produtor executivo.

O livro de John Green conta a história de Miles Halter, um adolescente cansado de sua vida sem graça. Em busca de um Grande Talvez, ele se matricula no internato Culver Creek, onde conhece Alasca Young. Inteligente, engraçada, enigmática e incrivelmente sexy, a menina vai arrastar Miles para seu labirinto e catapultá-lo sem misericórdia na direção do Grande Talvez. Depois de Alasca, nada mais será o mesmo.

Quem é você, Alasca? foi lançado pela Intrínseca em 2014 e ganhou uma edição especial em 2015. Os fãs de Alasca também vão se apaixonar pelo livro mais recente de John Green, Tartarugas até lá embaixo, que também tem filme confirmado pela Fox. 

O primeiro livro do autor a ser adaptado para as telas foi A Culpa é das Estrelas, em 2014. O filme se tornou um fenômeno mundial e transformou Shailene Woodley e Ansel Elgort em grandes estrelas. Em 2015, Cidades de Papel teve estreia mundial no Brasil e contou com a presença do próprio John Green! Protagonizado por Nat Wolff e Cara Delevingne, o longa arrecadou 85,4 milhões de dólares no mundo todo.

 

testeLivros para um carnaval literário

Seja você um folião recluso ou alguém que gosta de curtir o bloco na rua, separamos dicas de leituras incríveis para aqueles (poucos) momentos de descanso durante o Carnaval:

A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson

Poucas épocas do ano pedem tanto o botão do f*da-se ligado quanto o Carnaval, não é mesmo? Em A sutil arte de ligar o f*da-se, Mark Manson usa toda a sua sagacidade e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão.

Saiba seus limites, aproveite a festa, e, para o resto, ligue o f*da-se até a Quarta-Feira de Cinzas!

Leonardo da Vinci, de Walter Isaacson

Filho ilegítimo, à margem da educação formal, gay, distraído e, por vezes, herético, o Leonardo desenhado na biografia de Walter Isaacson é uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los.

Depois de conhecer a pessoa por trás das obras de arte, temos certeza que Da Vinci adoraria conhecer o Carnaval brasileiro.

Mais escuro, de E L James

E L James revisita Cinquenta tons mais escuros com um mergulho mais profundo e sombrio na história de amor que envolveu milhões de leitores em todo o mundo.

O relacionamento quente e sensual de Anastasia Steele e Christian Grey chega ao fim com muitas acusações e sofrimento, mas Grey não consegue tirar Ana da cabeça. Determinado a reconquistá-la, ele tenta suprimir seus desejos mais obscuros e sua necessidade de controle absoluto, aceitando a amar Ana nos termos estabelecidos por ela.

 

Me chame pelo seu nome, de André Aciman

A casa onde Elio passa os verões fica em um verdadeiro paraíso da costa italiana. Filho de um importante professor universitário, ele está bastante acostumado à rotina de, em todos os verões, hospedar na casa da família um novo escritor que, em troca da boa acolhida, ajuda seu pai com correspondências e outras tarefas. Quando chega Oliver, o novo hóspede, acontece uma revolução na vida de Elio. Me chame pelo seu nome explora a paixão com delicadeza inigualável, em uma narrativa magnética, inquieta e sensual.

 

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty, e Como eu era antes de você, de Jojo Moyes

Esse é o Carnaval do poder feminino! Para entrar no clima, indicamos duas leituras com mulheres incrivelmente fortes, cada uma a sua maneira: Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty – que inspirou a premiadíssima série da HBO, Big Little Lies -, e Como eu era antes de você, de Jojo Moyes, que lançou o desfecho da trilogia no último dia 8, Ainda sou eu!

 

Mindhunter, de John Douglas e Mark Olshaker

Um fascinante relato da vida de um agente especial do FBI e da mente dos mais perturbados assassinos em série que ele perseguiu. A história de Douglas serviu de inspiração para a série homônima da Netflix, que conta com a direção de David Fincher (Garota Exemplar e Clube da Luta) e um elenco formado por Jonathan Groff, Holt McCallany e Anna Torv.

 

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, de Felipe Castilho

Que tal viajar para a última cidade do mundo durante o feriado?  Conheça Untherak, seus becos e histórias que farão qualquer bloco superlotado parecer tranquilo. Localizada aos pés do monte Ahtul, ao lado dos Grandes Pântanos, a cidade abriga humanos e kaorshs, gigantes e anões,  gnolls e sinfos que vivem para servir à deusa Una.

Cumprindo sua missão milenar, eles coexistem em relativa paz. Até que a kaorsh Yanisha descobre um segredo capaz de abalar as estruturas do Palácio. Junto com a esposa, Raazi, ela arquiteta um plano tão corajoso quanto arriscado, que terá como cenário o Festival da Morte.

 

Tartarugas até lá embaixo, de John Green

O mais pessoal de todos os livros do autor de A culpa é das estrelas, Tartarugas até lá embaixo é recheado de frases sublinháveis, amizades cativantes, fanfics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses. Um livro sobre as mais incríveis surpresas que surgem ao longo da vida de todos nós.

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Extraordinário, de R. J. Palacio

Auggie Pullman é um menino com uma severa deformidade facial que precisa enfrentar o estranhamento e o preconceito de crianças e adultos. O livro, que foi adaptado para os cinemas em 2017, se tornou uma ode à empatia, à tolerância e à gentileza. “Escolha ser gentil”: um mantra, uma atitude, uma mensagem valiosa para a atualidade.

 Simon vs. a agenda Homo sapiens, de Becky Albertalli

Simon tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois. Tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo cairá na boca de todos. Pior: sua relação com Blue poderá chegar ao fim, antes mesmo de começar.

testeMagnus Chase, Somos todos extraordinários e outros vencedores do prêmio Goodreads

O Goodreads Choice Awards é uma votação anual feita entre os usuários do Goodreads, plataforma digital de catálogo e resenha de livros, que escolhem os melhores títulos do ano. Foram selecionados 20 livros de 20 categorias diferentes para disputar o prêmio final. A votação, que está rolando desde 31 de outubro, chegou ao fim, e os vencedores foram anunciados!

Pelo sétimo ano seguido, Rick Riordan ficou em primeiro lugar na categoria Infantojuvenil com O navio dos mortos, último livro da trilogia Magnus Chase e os deuses de Asgard. O autor também abocanhou o segundo lugar com A profecia das sombras, segundo livro da série As provações de Apolo. O sexto lugar da categoria ficou com Vejo você no espaço. Em Livros Ilustrados, Somos todos extraordinários foi o grande vencedor.

Little Fires Everywhere, segundo livro de Celeste Ng, autora de Tudo o que nunca contei, ocupou o topo do pódio na categoria Ficção. O livro será lançado pela Intrínseca no primeiro semestre de 2018. A história se passa em um bairro pacato de Cleveland, onde Elena Richardson mora. Mia Warren, artista e mãe solteira, chega ao lugar e muda a dinâmica das relações, ameaçando o status quo do lugar. Elena tentará desvendar os segredos da nova moradora para retomar seu lugar na hierarquia, mas sua obsessão terá um custo.

Tartarugas até lá embaixo, o livro mais recente de John Green, ficou em segundo lugar em Livro Jovem Adulto. Agora e para sempre, Lara Jean ficou em quinto e Geekerela em sexto. Neil Gaiman arrebatou o segundo lugar de Melhor Fantasia com Mitologia Nórdica. Quem era ela conquistou a sétima posição na categoria Mistério & Thriller e Projeto desfazer ficou em oitavo lugar em História & Biografia.

testeNovo Livro de John Green, Tartarugas até lá embaixo, vai virar filme

Apaixonados por Hazel e Gus, mais uma história inesquecível de John Green será adaptada para os cinemas! A Fox 2000 acaba de comprar os direitos de Tartarugas até lá embaixo, novo livro do autor, que conta a história de Aza Holmes, uma garota de 16 anos que sofre de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e tenta se libertar das espirais de pensamento que a aprisionam.

Essa será a terceira adaptação cinematográfica de John Green. Lançado em 2014, A Culpa é das Estrelas se tornou um fenômeno mundial, arrecadando 307,2 milhões de dólares e transformando Shailene Woodley e Ansel Elgort em grandes estrelas. Em 2015, Cidades de Papel teve estreia mundial aqui no Brasil com a presença do próprio John Green! Protagonizado por Nat Wolff e Cara Delevingne, o longa arrecadou 85,4 milhões de dólares no mundo todo.

No canal que divide com o irmão Hank, Vlogbrothers, o autor falou sobre suas expectativas para o filme e já perguntou aos leitores: que atriz seria perfeita para interpretar Aza Holmes?

testeEspelho, espelho meu: existe alguém mais ferrado do que eu?

Estreia da atriz Cara Delevingne na literatura, Jogo de espelhos é um romance reconfortante e inspirador

Por Pedro Martins*

É cada vez mais difícil encontrar histórias jovens que não pequem pela mesmice. Felizmente, não é o caso de Jogo de espelhos, romance de estreia da atriz Cara Delevingne em parceria com a escritora Rowan Coleman, que retratam a adolescência por uma lente genuína e inspiradora.

Ser jovem não é fácil. Muitos esquecem, mas trata-se de um período em que olhar para o espelho e se sentir bem chega a ser questão de sorte. Afinal, na maioria das vezes, aquele reflexo nem sequer lhe representa. É só uma farsa; um escudo cuidadosamente projetado, construído e reformado a cada dia. É compreensível que muitos prefiram fechar as cortinas para se manter a salvo da crueldade do mundo.

Mas este não é o caso de Naomi, Rose, Leo e Red, que são obrigados a formar uma banda para um projeto escolar e, por ironia do destino, chegam ao sucesso. Tão diferentes entre si, através da música eles encontram um caminho para enfrentar seus problemas: a amizade.

No entanto, tudo desmorona quando Naomi desaparece misteriosamente e, semanas depois, é encontrada entre a vida e a morte no rio Tâmisa. Em coma, ela não pode revelar aos amigos e aos familiares seus porquês. Todos sabem que Naomi costumava fugir de casa, mas dessa vez foi diferente. A dúvida que paira no ar é: teria sido uma tentativa de suicídio ou um ataque?

Premissa parecida com a de Cidades de Papel, certo? Errado! As motivações para os sumiços de Margo e Naomi não têm nada em comum. Enquanto John Green se propõe a contar uma história despretensiosa e poética de amor juvenil, Delevingne vai de alcoolismo a transtornos mentais. Suas metáforas, poucas e certeiras, não romantizam as situações.

Profunda em sua leveza, a escrita de Cara e Rowan empresta grande verdade à história. No ritmo da própria adolescência, os diálogos e os dilemas saltam às páginas, fazendo a trama avançar em tom de urgência. Apesar de não impressionar, o enredo investigativo tampouco decepciona, entrelaçando-se com o que há de melhor no livro: os personagens. Com suas explosões emocionais, Red, Leo e Rose em poucas páginas despertam empatia do leitor e tornam a história encantadora – mesmo que de maneira angustiante.

Em Jogo de espelhos há pouco espaço para o riso. Faz sentido: na juventude, não são raros os momentos que vivemos mergulhados no medo e no suspense. E isso de forma alguma torna o livro chato. Pelo contrário: através da escrita, Delevingne encontrou o caminho para a empatia, sentimento que tanto falta ao que a indústria do entretenimento tem produzido.

Alcoolismo, drogas, conflitos de sexualidade, ausência paterna, abusos, bullying, depressão… As figuras carimbadas do universo adolescente estão por toda a trama, mas escritas sob um olhar fresco que as afasta do clichê. Delevingne definitivamente não está preocupada em cumprir a check-list da duramente criticada geração mimimi. Nada soa forçado ou está para uma falsa militância. Acima de tudo, Jogo de espelhos traz conforto e inspiração àqueles que se sentem perdidos – para quem Cara dedica o livro.

*Pedro Martins descobriu a magia da leitura aos oito anos por meio dos livros de J.K. Rowling. Essa paixão o levou a ser gerente de conteúdo do Potterish.com e o empurrou em direção ao jornalismo, possibilitando-o escrever sobre literatura para diversos portais, do britânico The Guardian ao brasileiro Omelete.

testePor que o livro de Cara Delevingne é o espelho dos Millennials

*Por João Lourenço 

Ela vem de família influente. Check. Ela é amiga de Taylor Swift e das irmãs Kardashian. Check. Ela já namorou Michelle Rodriguez e Harry Styles. Check. Ela é uma das top models mais bem pagas e requisitadas da atualidade. Check. Ela poderia ser apenas mais uma celebridade que muitos invejam, mas ela é Cara Delevingne: uma mulher inquieta que recusa rótulos.

Foi na Vogue Itália que ela apareceu pela primeira vez em um editorial de moda. Tinha 10 anos. Em seguida, foi descoberta no colégio pela mesma agente responsável pela carreira da top Kate Moss. Desde então, o rosto da inglesa, conhecido por sobrancelhas expressivas, estampou capas de revistas pelo globo. Ela também é garota propaganda de marcas como Burberry, Chanel e Dolce & Gabbana. Em 2012, após ser considerada a modelo do ano pelo badalado British Fashion Awards, sua carreira ganhou novo patamar.

Delevingne aproveitou a popularidade para se arriscar no cinema. Chegou a fazer teste para o papel de Anastasia Steele em Cinquenta Tons de Cinza. Após participação ligeira no drama histórico Anna Karenina, de Joe Wright, deu vida a Margo Roth, protagonista de Cidades de papel — longa baseado no livro homônimo de John Green. Na época do lançamento do filme, Green disse que ninguém entendeu a personagem como Cara Delenvigne. De designers a diretores, todos que trabalham com a modelo a elogiam. Delevingne tem humor contagiante. Em menos de um ano, teve papel de destaque em dois blockbusters: Esquadrão Suicida e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Aos 25 anos, Delevingne já viveu várias “personagens”. A mais recente: escritora de ficção. O romance Jogo de espelhos foi assinado em parceria com a escritora de best-sellers Rowan Coleman. Nele, Delevingne apresenta um retrato honesto sobre os conflitos existenciais da geração Millennials. Jogo de espelhos começa com quatro adolescentes desajustados que aparentemente não têm muito em comum. Leo, Rose, Naomi e Red se encontram naquele período chato e desconfortável de autodescoberta. Apesar das diferenças, formam uma banda para um projeto escolar: Mirror, Mirror. O som da banda é o bom e velho rock’n’roll, com covers de AC/DC e composições próprias (letras de algumas canções estão no livro). Mirror, Mirror conquista fãs e seguidores. Os quatro deixam de ser “invisíveis”. E, por meio da música, formam uma turma incomum: da gostosona à esquisitona, eles são muito diferentes um do outro.  

Como diz o ditado, “tudo que é bom dura pouco”. E a carreira da banda segue outro rumo quando a baixista, Naomi, desaparece. Depois de quase um mês de buscas, ela é encontrada entre a vida e a morte no rio Tâmisa. Teria sido uma tentativa de suicídio? Ou foi jogada lá? Naomi era um elo forte entre os integrantes da Mirror, Mirror. Agora, com a baixista em coma, os três precisam se virar. Rose se joga em festas e Leo começa a apresentar um humor sombrio. Resta a Red a missão de descobrir o que aconteceu com a amiga. Inicia-se, então, uma investigação marcada pela revelação dos segredos mais íntimos de cada um.

Em Jogo de espelhos, Delevingne revela mais um talento, a literatura. A sensação é de que ela aprendeu alguns truques com o amigo John Green. Assim como o autor, ela desenvolve personagens adolescentes complexos e de fácil identificação. Com estrutura simples e acessível, o livro tem humor, suspense e plot twists capazes de surpreender até os leitores mais atentos.

Prisão, pais ausentes, alcoolismo, bullying, automutilação, estupro, crises de identidade e conflitos de sexualidade são alguns dos temas abordados pela autora. O pulo do gato de Delevingne é saber equilibrar assuntos “tabus” com o bom humor inglês, o que ajuda o leitor a respirar em meio a tantas reviravoltas.

Fruto da geração que cresceu com as mídias digitais, Delevingne consegue trazer para as páginas do livro a linguagem instantânea da web. Ela tem sensibilidade para retratar com franqueza a vulnerabilidade emocional e física de uma geração que gosta de se expor nas redes sociais e, ao mesmo tempo, tenta esconder suas fragilidades. Na apresentação de Jogo de espelhos, a autora explica: “Nunca foi tão difícil ser jovem, principalmente com a pressão cada vez maior de parecer perfeito.Vivemos em um mundo onde as pessoas julgam antes de tentar entender ou ao menos considerar o que o outro está passando.”

Sobre sua vida pessoal, a modelo/atriz/autora costuma falar com naturalidade. Assim como os personagens de Jogo de espelhos, ela enfrentou problemas de depressão e crise de identidade. Aos 20 anos, se assumiu bissexual. E, hoje, não perde a oportunidade de defender os direitos das mulheres e das minorias em entrevistas e nas redes sociais. Porém, haters gonna hate. E sempre aparece um para mostrar o quanto ainda precisamos evoluir enquanto civilização.

Ao mesmo tempo em que está sempre sorrindo e fazendo piadas, Delevingne não tem medo de expor medos e fraquezas. A mulher brincalhona que vejo ao abrir seu Instagram (@caradelevingne) passa a mensagem de que devemos ser gentis uns com os outros. Afinal, desconhecemos as batalhas alheias. Jogo de espelhos segue essa mesma ideia: fala sobre abraçar a si mesmo e aos outros, independentemente das diferenças.

Vida longa à nova autora.

 

>> Leia um trecho de Jogo de espelhos

 

*João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.

testeOs melhores livros do ano, segundo o Goodreads

Todo ano, o Goodreads, uma plataforma digital de catálogo e resenha de livros, realiza o Goodreads Choice Awards, uma votação entre os usuários para premiar os melhores livros do ano. Ao longo de um mês, os leitores podem votar nos seus livros favoritos das 20 categorias disponíveis. No dia 14 de novembro começou a rodada final, e a Intrínseca tem vários títulos na disputa!

E os indicados são:

Na categoria de Melhor Livro Jovem Adulto, Tartarugas até lá embaixo, novo livro de John Green sobre uma adolescente com TOC e sua busca por um bilionário desaparecido; Geekerela, uma releitura de Cinderela para o mundo nerd; e Agora e para sempre, Lara Jean, a conclusão da série Para todos os garotos que já amei. Em Infantojuvenil, Vejo você no espaço, A profecia das sombras, da série As provações de Apolo e O navio dos mortos, da série Magnus Chase e os deuses de Asgard, ambos escritos por Rick Riordan. Em Livros Infantis, aparece Somos todos extraordinários, a versão ilustrada de Extraordinário. Em Fantasia, é a vez Mitologia nórdica, de Neil Gaiman. Quem era ela está concorrendo em Mistério & Thriller, e Projeto Desfazer, de Michael Lewis, em História & Biografia.

E temos uma novidade! No primeiro semestre de 2018, publicaremos Little Fires Everywhere, de Celeste Ng, ainda sem título em português definido, que está concorrendo ao prêmio de Melhor Ficção. A história se passa em bairro pacato em Cleveland, onde Elena Richardson mora.  Mia Warren, artista e mãe solteira, chega ao lugar e muda a dinâmica das relações, ameaçando o status quo do lugar. Elena tentará desvendar os segredos da nova moradora para retomar seu lugar na hierarquia, mas sua obsessão terá um custo.

A votação vai até o dia 27 de novembro, e os vencedores serão anunciados no dia 5 de dezembro. Não se esqueça de votar!