testeLivros que não conseguimos parar de ler

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Existem alguns livros que nos fascinam tanto que é impossível parar de ler até chegarmos à última página. Seja pelo suspense que despertam, pela vontade de saber o que vai acontecer com os personagens ou por querer desvendar mistérios, algumas obras nos encantam e nos deixam vidrados de uma maneira única.

Selecionamos alguns títulos publicados pela Intrínseca que podem ser lidos de uma vez só:

Para quem curte terror psicológico:

Caixa de pássaros — Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de Pássaros é um thriller tenso e aterrorizante que explora a essência do medo. Cinco anos depois de um surto sem explicação ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ninguém sabe o que causa, mas basta uma olhadinha para fora para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Malorie sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas terá que enfrentar o medo de encarar o mundo fora da casa em que está trancada.

Para quem curte suspense:

Garota exemplarGillian Flynn cria um retrato cruel sobre como as mentiras podem construir um casamento. E também destruí-lo. O livro se alterna entre duas perspectivas opostas e conflitantes, estabelecendo uma atmosfera capaz de fazer o leitor mudar de opinião a cada capítulo. Na manhã do quinto aniversário de casamento, Amy desaparece da nova casa, às margens do rio Mississippi. Tudo indica se tratar de um sequestro, e Nick imediatamente chama a polícia, mas logo as suspeitas recaem sobre ele. Exibindo uma estranha calma e contando uma história bem diferente da relatada por Amy em seu diário, ele parece cada dia mais culpado, embora continue a alegar inocência. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, porém, fica claro que a verdade não é o forte do casal.

Para quem curte ficção científica:

Aniquilação — No primeiro livro da trilogia Comando Sul, somos apresentados a um grupo de quatro mulheres enviado para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não serem contaminadas pela Área X.

Para quem gosta de histórias de amor e de desvendar a identidade dos personagens:

Simon vs. a agenda Homo Sapiens — Simon troca e-mails anônimos com Blue. Eles são dois garotos gays que só confiam um no outro para se abrir e discutir sobre suas identidades, desejos e medos mais íntimos. Durante a troca de mensagens os dois acabam se apaixonando. O livro discute também o que deve ser o padrão. Por que a heterossexualidade é o padrão?  Por que ser branco é o padrão? Simon discute todos esses estereótipos de um jeito muito fofo.

Para quem ama mistério:

S. — Projeto de J.J. Abrams, criador de Lost, S. está longe de ser um livro convencional. Com ao menos quatro histórias que se desdobram ao mesmo tempo, S. é um livro-jogo com várias possibilidades de leitura, que instiga o leitor a decifrar os mistérios, códigos e pistas contidos em toda a obra. Seja nas notas, nas margens ou nos outros itens da caixa, há sempre algo além do que se vê aguardando para ser descoberto.

Para quem gosta de livros com reviravoltas:

A verdade sobre o caso Harry Quebert — Marcus Goldman, um jovem escritor americano que está sofrendo com bloqueio criativo, procura o renomado romancista e seu ex-professor de faculdade Harry Quebert. Surpreendido por um mistério que envolve seu mentor na morte de uma jovem de quinze anos, Marcus precisa correr contra o tempo para tentar inocentar o amigo, descobrir quem matou Nola Kellergan e escrever um livro bem-sucedido.

Para quem gosta de histórias que envolvam crimes:

Todos envolvidos — A obra é inspirada na semana de protestos, assaltos e saques ocorrida em 1992, em Los Angeles, depois do julgamento que absolveu três policiais acusados de agir com violência contra um taxista negro. O livro narra como gangues latinas, imigrantes e traficantes se aproveitaram da situação para acertarem as contas com seus rivais.

Para quem curte thriller com espionagem e conspiração:

O nadador — Livro de estreia de Joakim Zander, O nadador é um thriller de suspense que percorre diversos pontos do planeta. O autor, que já viveu em diversos lugares do mundo como representante do Parlamento Europeu, utiliza sua experiência pessoal para tornar ainda mais rica a ambientação dos diversos países retratados no livro.

Para quem gosta de histórias com segredos:

Temporada de acidentes — Todo mês de outubro, inexplicavelmente, Cara e sua família se tornam vulneráveis a acidentes. Algumas vezes, são apenas cortes e arranhões — em outras, acontecem coisas horríveis. A temporada de acidentes faz parte da vida de Cara desde que ela se entende por gente. E esta promete ser uma das piores. No meio de tudo, ainda há segredos de família e verdades dolorosas, que Cara está prestes a descobrir. Neste outubro, ela vai se apaixonar perdidamente e mergulhar fundo na origem sombria da temporada de acidentes.

Para quem tem interesse em histórias com conflitos entre culturas:

O árabe do futuro Riad Sattouf, um consagrado quadrinista filho de mãe francesa e de pai sírio, conta o choque cultural que viveu quando, ainda criança, foi para a Síria e a Líbia. E também do retorno da família à França. Depois de viver em lugares tão diferentes, Riad se tornou um completo estrangeiro, com uma visão crítica, afiada e muito bem-humorada sobre o mundo. Um livro de memórias contado em quadrinhos.

testeUm mergulho com Joakim Zander

Por João Lourenço*

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Primeiro romance do sueco Joakim Zander, O nadador é um thriller de espionagem surpreendente e, como nas melhores obras do gênero, cheio de intrigas e suspense, perseguições e tiroteios. Aqui, vale o velho clichê aplicado aos livros que magnetizam a atenção do leitor: é impossível parar de ler.

Tudo começa no início de 1980, em Damasco, na Síria. Um agente americano, depois de uma operação malsucedida, precisa abandonar a filha recém-nascida para manter um disfarce. Enquanto isso, em uma ilha remota no oeste da Suécia, uma menina, Klara Walldeen, cresce sem pai. Agora, trinta anos depois, ela descobre um segredo que foi ocultado à custa de muitas vidas.

nadadorgrandeDepois desse início explosivo, Zander apresenta Mahmoud Shammosh, um estudante de doutorado. na Suécia, George Lööw, um jovem lobista, e, claro, o nadador, um agente aposentado que busca esquecer os erros de um passado turbulento. Juntos, eles precisam encontrar e desvendar esse segredo e, para se salvarem, terão que remexer em suas memórias e revelar quem realmente são.

A história, ambientada em vários países, percorre cantos remotos da Suécia, passa por Estados Unidos e Bélgica, e chega ao Afeganistão devastado pelos conflitos recentes. “Queria escrever algo sobre as relações entre o mundo ocidental e o Oriente Médio. As memórias da minha adolescência na Síria e em Israel ainda estavam muito frescas. E, por ter trabalhado no Parlamento Europeu, também estava interessado em desvendar até onde as pessoas vão em busca do poder”, explica o autor.

Nascido em Estocolmo, Zander cresceu em Söderköping, pequena cidade na costa leste da Suécia. Quando tinha 15 anos, seu pai conseguiu um emprego na ONU e a família se mudou para Damasco e, depois, para Israel. Memórias desse período no Oriente Médio inspiraram O nadador, assim como os dez anos em que o autor trabalhou no Parlamento Europeu. “Sempre quis ser escritor, esse era meu sonho de criança, mas não tive coragem de ir atrás, então acabei virando advogado. E também demorou um tempo até eu encontrar uma história que pudesse chamar de minha.”

A complexa trama de O nadador é contada por meio de inúmeros pontos de vista, além de viajar no tempo, alternando acontecimentos passados e presentes. Zander mostra que domina muito bem seu ofício: escreve com fluidez e sabedoria, saltando entre os vários narradores sem perder o ritmo da história e construindo personagens verossímeis que vivem o conflito de ter que encarar seus segredos para, enfim, livrarem-se dos fantasmas do passado.

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Joakim Zander (Foto: Viktor Fremling)

Tendo como inspiração J.D. Salinger, Faulkner e John le Carré (“Quando se trata de romances de espionagem e suspense, não há ninguém melhor do que Carré”, ressalta o autor), Zander diz que também é admirador de Stieg Larsson: “Ele abriu as portas para muitos autores escandinavos. As pessoas começaram a prestar atenção na literatura daqui graças a nomes como ele.” O autor conta que começou a escrever O nadador depois de ler Sobre a escrita, de Stephen King: “Ele me fez perceber que eu não tinha disciplina para ser um escritor. Então, fiz uma promessa de escrever pelo menos mil palavras por dia. A maior parte do livro foi escrita de madrugada. Não queria que interferisse no meu trabalho nem na minha vida familiar.”

Desde criança, Zander foi incentivado pelos pais a buscar uma carreira artística. “Aos 18 anos eu tinha certeza de que seria um escritor de sucesso, mas não era obstinado o bastante. Acho que se eu pudesse dar um conselho para alguém que está começando, seria esse: ‘Criatividade é bom, mas disciplina é melhor ainda’.”

Após o sucesso do romance, Zander abandonou o trabalho como advogado no Parlamento Europeu. Atualmente, vive na Suécia com a mulher e as duas filhas. O nadador já foi vendido para 28 países e teve os direitos de adaptação para o cinema ou minissérie para TV adquiridos.

 

João Lourenço é jornalista. Passou pela redação da FFWMAG, colaborou com a Harper’s Bazaar e com a ABD Conceitual, entre outras publicações estrangeiras de moda e design. Atualmente está em Nova York tentando escrever seu primeiro romance.