testeO instinto de Jennifer Egan

por Marcelo Costa*

Jennifer Egan decidiu que queria seguir a carreira de escritora no meio de um mochilão pela Europa no começo dos anos 1980, quando tinha dezenove anos. Ela nasceu em Chicago em 1962, cresceu em São Francisco (quem leu Circo invisível percebe isso com facilidade), fez faculdade na Pensilvânia, namorou Steve Jobs (que instalou um Mac em seu quarto) e seguiu a carreira de jornalista, mas nunca abandonou o desejo de ser escritora — atualmente mora no Brooklyn com o marido, diretor de teatro, dois filhos e um gato.

Praia de Manhattan, o novo romance de Egan, acaba de ganhar edição nacional. O processo de escrita envolveu muita pesquisa jornalística e um aprofundamento na história de Nova York durante a Segunda Guerra Mundial. “Um livro de época?”, pergunta o leitor. E a resposta é… mais ou menos. Egan caminhou por tantos modelos de escrita em vinte e poucos anos de carreira que se sentiu à vontade para deixar a história conduzi-la, mesmo que não tivesse esse estilo em boa conta quando começou a escrever. Por isso, talvez seja interessante rememorar como ela chegou até aqui.

Seu romance de estreia, Circo invisível, foi lançado em 1995 (repare: entre o desejo de se tornar escritora e a realização foram quase quinze anos!), atraiu boas críticas e um contrato de adaptação para o cinema (lançado em 2001 e estrelado por Cameron Diaz, o filme Invisible Circus ganhou o nome Uma História a Três no Brasil). A narrativa se desenrola de modo mais tradicional, direto e sem floreios, mas repleta de citações de rock e proto-punk californiano dos anos 1970, refletindo os impactos da contracultura na vida de uma jovem.

Dois mochilões pela Europa (bingo!) movem Circo invisível enquanto a personagem Phoebe tenta recriar os passos da irmã, Faith, encerrados de forma trágica em Cinque Terre, uma das regiões mais belas da Itália. O leitor segue Egan nesse road book trágico, e a escritora parece reforçar a tese de que somos fruto do ambiente em que crescemos, algo que nunca irá se separar de nós (ou, como diria Mano Brown, “você sai do gueto mais o gueto nunca sai de você”), e isso é de suma importância na maneira como cada um lida com o autoconhecimento (bastante profundidade num romance aparentemente tradicional, não é mesmo?).

Passaram-se seis anos até que Jennifer Egan surgisse com um novo livro: lançado em 2001, Olhe para mim foi finalista do National Book Award e avançou no território que a escritora ainda iria desbravar com os livros futuros. Em entrevista ao jornal inglês The Guardian, publicada em setembro de 2017, Egan comentava o quanto a narrativa convencional a incomodava, e, voltando no tempo, fica fácil perceber o motivo da trama multicamadas de Olhe para mim: a escritora não queria se repetir e desejava levar seus personagens a novos caminhos.

Dessa forma, Olhe para mim se apoia no drama e no suspense de seus personagens de modo a mostrar o vazio de um mundo refém das expectativas alheias e da imagem que cada pessoa imagina lhe ser imposta. Quase como uma dupla de doppelgängers, duas mulheres chamadas Charlotte passam por arquétipos de tragédia pessoal: a primeira, mais velha, é uma modelo que sofre um acidente e vê a estrutura de seu rosto ser tomada por oitenta pinos de titânio. A segunda, mais jovem, se apaixona por um homem enigmático, e o leitor imagina o equivalente a outro acidente conforme a garota se apega. São dois desastres (sociais) inquietantes.

Cinco anos separam Olhe para mim de O Torreão (2006), e Egan cria uma reviravolta em sua escrita apoiando-se, desta vez, no romance gótico e experimental. O personagem principal é Danny, um loser que vai ao encontro do primo na Europa, um cara que planeja transformar um velho castelo num resort espiritual. Em outra dimensão encontra-se Ray (o personagem principal… opa!), um homem preso por assassinato que flerta com a professora Holly. Egan pula de um personagem para outro sem perder o poder de condução da narrativa, manipulando o leitor com armadilhas perspicazes em um romance que mistura desespero, ironia e inteligência.

As duas histórias (e os dois personagens principais) se fundem e se separam continuamente em O Torreão, uma mescla de real e imaginário que constrói uma sala de espelhos na cabeça do leitor, que é transportado para dentro de um labirinto literário repleto de “alçapões metaficcionais e de armadilhas”, como pontuou a divertida crítica do The New York Times na época do lançamento do livro, e acrescentou que: “Egan sustenta a consciência de que o texto está sendo manipulado por seu autor ao mesmo tempo em que transmite caráter e história com convicção perfeita e apaixonada.” Uou.

Jennifer Egan iria ainda mais longe com A visita cruel do tempo (2010), um livro que conta cinco décadas na vida de diversos personagens, entrelaçados em pequenos contos. A obra busca exibir as cicatrizes da passagem dos anos e apontar a decadência da cultura norte-americana ao mesmo tempo em que investiga tempo e desejo. O pulo do gato foi o formato. Egan exercita uma pirotecnia técnica maluca que, felizmente, deu muito certo, seja quando a trama é contada através de slides, seja quando o narrador em segunda pessoa assume a voz narrativa. E isso é só o começo…

A visita cruel do tempo transformou Jennifer Egan numa book star, espécie de rock star da literatura (já que a música permeia lindamente as páginas do livro), devido à conquista de prêmios badalados como o National Book Critics Circle Award, o Los Angeles Times Book Prize e o sonhado Pulitzer de ficção, reconhecimento mais que merecido para uma escritora que não havia repetido fórmulas e sempre buscava avançar em sua literatura por caminhos que a instigassem a fugir de uma narrativa convencional. O sucesso de A visita cruel do tempo também a colocou entre os hot writers. Segundo Egan, foi um salto quântico numa carreira que, enfim, chega ao quinto livro: Praia de Manhattan, lançado nos Estados Unidos em 2017.

Na entrevista ao Guardian, Egan conta que pensou em seguir o mesmo modelo que a alçou ao sucesso em A visita cruel do tempo. Em Praia de Manhattan, sua ideia inicial, aliás, era conectar a Segunda Guerra Mundial com 11 de Setembro, o fim de algo que começou com a vitória dos Aliados e a transformação dos Estados Unidos numa superpotência. Porém, as primeiras tentativas de escrita não a empolgaram, e ela logo deixou que a história a levasse, o que fez de Praia de Manhattan um romance de época de mais de 400 páginas (os ingleses vão mais longe e o descrevem como romance vitoriano!).

No centro da trama está Anna, uma garota que precisa lidar com o sumiço do pai enquanto cuida da irmã, se envolve com a máfia e ainda batalha por uma vaga na equipe de mergulhadores do Arsenal de Marinha, um estaleiro utilizado para recuperar navios danificados na Segunda Guerra Mundial. Retornando aos tempos de jornalista, Egan pesquisou o cenário da época por mais de dez anos, e entrevistou pessoas que viviam em Nova York ou trabalharam no estaleiro, assim como ex-marinheiros e até um mergulhador russo.

O resultado deste mergulho histórico é um livro envolvente com um enorme potencial cinematográfico. Ainda que a escritora tenha abandonado os saltos no tempo e as quebras bruscas de narrativa, isso não quer dizer que Praia de Manhattan seja completamente convencional, já que a escritora alterna temporalmente alguns períodos da narrativa (sem se desvencilhar da verossimilhança característica do estilo) e brinca de maneira inteligente com os personagens que contam a história, seja numa casa pobre de uma família irlandesa no Brooklyn, numa boate frequentada por grandes nomes de Hollywood ou num barco tentando atravessar o Atlântico.

Destaque nas listas de grandes livros de ficção de 2017 do National Book Award e da revista Time, Praia de Manhattan flagra Jennifer Egan se despindo das artimanhas inteligentes que fizeram de A visita cruel do tempo um clássico moderno e mostra uma escritora fiel ao objetivo de não se repetir, mérito raro em um establishment pop que defende a repetição de um êxito até o esgotamento da fórmula. Jennifer Egan, porém, prefere seguir seu instinto, ainda que mantenha o cerne de sua literatura (a ideia de que o ambiente molda a pessoa) em destaque. Para o leitor, mais um grande livro que soa como o final de um grande ciclo e deixa a questão: O que ela irá fazer no próximo? Daqui a cinco anos a gente descobre. Por enquanto, volte no tempo e mergulhe nessa praia.

>> Confira a entrevista com Jennifer Egan sobre Praia de Manhattan

 

Marcelo Costa é editor do site Scream & Yellum dos principais veículos independentes de cultura pop do país. Já passou pelas redações do jornal Notícias Populares e dos portais Zip.NetUOLTerra e iG, além de ter colaborado com as revistas Billboard BrasilRolling Stone e GQ Brasil, entre outras. Participou da Academia do VMB MTV, do júri do Prêmio Multishow e do júri do Prêmio Bravo. Desde 2012 integra a APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).

testeLançamentos de junho

Confira as sinopses dos nossos lançamentos do mês:

Praia de Manhattan, de Jennifer Egan

O novo livro de Jennifer Egan, vencedora do Pulitzer por A visita cruel do tempo, acompanha Anna Kerrigan e Dexter Styles em um universo noir povoado por gângsteres, mergulhadores e banqueiros durante os tempestuosos anos 1940.

Com quase 12 anos, Anna acompanha o pai à casa de Styles, uma figura enigmática que pode ser crucial para a sobrevivência de sua família. Anos depois, o pai de Anna desaparece. Já adulta, ela se torna a primeira mulher mergulhadora e conserta os navios que vão ajudar o país durante a Segunda Guerra Mundial. É nesse cenário que, em uma noite de folga, reencontra Styles em uma boate. Certa de que ele pode ajudar a desvendar os segredos que envolvem a história do pai, Anna inicia uma relação tão improvável quanto perigosa.

 

A essência do mal, de Luca D’Andrea

Jeremiah Salinger ganha a vida fazendo documentários, até que se muda com a família para uma região remota da Itália. Lá, após sofrer um acidente de helicóptero, ele passa a ser atormentado pela ideia de que existe nas montanhas ao redor uma força que não consegue entender: A Besta.

Anos depois, ele fica sabendo um crime antigo que marcou a população da região: o trágico assassinato e desmembramento de três jovens. Para solucionar o mistério, Jeremiah mergulha de cabeça em um quebra-cabeças macabro e fascinante.

 

A princesa prometida, de William Goldman

Buttercup é uma camponesa que se apaixona perdidamente por Westley, o jovem humilde que trabalha na fazenda do pai dela. Juntos, eles descobrem o amor verdadeiro, mas um trágico acidente os separa. Anos depois, a jovem é pedida em casamento pelo sádico príncipe Humperdinck. Mas nada, nem um poderoso tirano amante da caça, é capaz de impedir esse amor, e o destemido Westley vai fazer de tudo para resgatar sua princesa prometida a outro.

Em uma paródia dos épicos clássicos, William Goldman escreveu um romance hilário com direito a tudo que o gênero permite: piratas, duelos de esgrima, traições, tramas políticas e um romance apaixonante.

 

O que Alice esqueceu, de Liane Moriarty

Alice tinha certeza de que era feliz: aos 29 anos, casada, aguardando o nascimento do primeiro filho e rodeada por uma linda família. Mas tudo vira de pernas para o ar quando ela acorda no chão da academia dez anos depois. Enquanto tenta descobrir o que aconteceu nesse período, Alice percebe que se tornou alguém muito diferente: uma pessoa que não tem quase nada em comum com quem ela era na juventude e, pior, de quem não gosta nem um pouco.

Ao retratar a vida doméstica moderna provocando no leitor muitas risadas e surpresas, Liane Moriarty constrói uma narrativa ao mesmo tempo ágil e leve sobre recomeços, o que queremos lembrar e o que nos esforçamos para esquecer.

testeOs melhores jovens escritores americanos da década

A cada dez anos, a revista Granta seleciona os autores mais promissores dos Estados Unidos e do Reino Unido com menos de 40 anos. Dentre os 21 escritores da lista divulgada esta semana, três são publicados pela Intrínseca.

 

Aos 28 anos, Emma Cline foi aclamada pela crítica por sua estreia literária. De acordo com a vencedora do Pulitzer Jennifer Egan, As garotas “reverbera com uma prosa surpreendente, brilhante e repleta de vitalidade”. O livro já foi publicado em mais de 35 países e será lançado no Brasil em maio.

A narrativa de Cline foi inspirada no impacto causado pelos assassinatos cometidos pelo culto de Charles Manson nos Estados Unidos na década de 1960 e narra o processo de crescimento pessoal de um grupo de jovens. As garotas é um retrato atemporal das turbulências, das vulnerabilidades e da força das mulheres em sua passagem à maturidade — e de como, com apenas um passo errado, tudo pode acabar terrivelmente mal.

Nascida na Califórnia, Emma Cline tem trabalhos de ficção publicados em importantes veículos como Tin House, Granta e The Paris Review. Em 2014, foi agraciada com o Paris Review Plimpton Prize.

 

Aos 38 anos, Lauren Groff já recebeu diversos prêmios literários e é autora de Destinos e fúrias, romance finalista do National Book Award e que figurou na lista de melhores livros de 2015 do ex-presidente americano Barack Obama.

Publicado no Brasil em 2016, Destinos e fúrias narra, a partir de duas perspectivas, as verdades e as mentiras de um casamento e como os segredos podem ser a chave para o sucesso de uma relação. Na obra, Lotto e Mathilde se conhecem ainda jovens, nos últimos meses da faculdade. Perdidamente apaixonados e destinados ao sucesso, antes da formatura já estão casados. Seguem-se anos difíceis, mas românticos. Uma década depois, o caminho torna-se mais sólido: ele é um dramaturgo famoso e ela se dedica integralmente ao sucesso do marido. Mas a vida dos dois, invejada por muitos como a verdadeira definição de parceria bem-sucedida, não é exatamente o que parece.

Nascida em Nova York, Lauren Groff é autora de outros três best-sellers e foi finalista do Orange Prize para Novos Escritores e do L.A. Times Book Prize. Seus contos foram publicados em revistas como The New Yorker, Harper’s Bazaar, Tin House e The Atlantic, assim como em diversas antologias.

 

Anthony Marra tem 32 anos e é autor de Uma constelação de fenômenos vitais. Publicado pela Intrínseca em 2014, o livro narra a vida de um grupo de pessoas que passa por situações extremas.

Interessado em contar uma história de superação, amizade e amor que se passasse em um local devastado pela violência — a Chechênia no período entreguerras —, Marra criou um romance em que nenhum personagem é desprezado e conexões complexas interligam os passados de companheiros extremamente improváveis.

Nascido em Washington, Marra recebeu o Pushcart Prize, o Narrative Prize (ambos em 2010) e o Whiting Award (2012). Em 2014 recebeu o prêmio John Leonard oferecido pelo National Book Critics Circle, além de ter sido finalista em 2013 do National Book Award e do Flaherty-Dunnan First Novel Prize.

Confira a lista completa da Granta.

testeClube de leitura: A visita cruel do tempo

Por Bruno Leite*

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Depois de um ano de clube de leitura, já conversamos sobre várias obras que aguçaram, de muitas formas, nossas percepções do que consideramos “leitura” e do que é “ser leitor”. Muitos livros nos deixaram alucinados, torcendo, chorando, com o coração sangrando e até nos levaram a produzir fanfics — como descobrimos nos nossos encontros sobre os romances de Jojo Moyes, O leitor do trem das 6h27 e A verdade sobre o caso Harry Quebert. Quebramos a cabeça com as intrincadas tramas de Até você ser minha, S., e A febre. Rimos e nos deleitamos com Alucinadamente feliz… Mas acredito que nada nos fará refletir tanto quanto A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan.

Mediar um bate-papo sobre o romance de Egan (uma vencedora do Pultizer de Ficção!) será um salto muito grande para mim: engasgo toda vez que tento descrever este livro, as palavras me escapam… Mas vamos lá! Simplificando: A visita cruel do tempo apresenta, por meio de inúmeros pontos de vista, as histórias de um grupo de pessoas que têm algum tipo de ligação com o produtor musical Bennie Salazar. Cada capítulo é narrado por um desses personagens, com uma linguagem e em um tempo diferentes, formando assim um grande painel de relatos e de situações ao longo de quase 50 anos. (Esse cálculo é só um chute. Desculpem-me. Sou de humanas.)

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Existe na obra uma unidade musical e, obrigado, Bennie, por isso! O punk, o post punk, o hardcore, está tudo lá, e a trilha sonora vai permeando o livro de som e fúria, fazendo com que as máculas de cada personagem se transformem em combustível para que eles mesmos façam o romance avançar. E vocês: o que vocês acham da trilha? Foi apropriada? Já conheciam alguns dos artistas citados? Tem algum outro a indicar? Aliás, se vocês ainda não ouviram, eu compilei (quase) todos eles nessa playlist:

>> Leia mais sobre Bennie Salazar

Outra força muito importante do livro são as memórias, que nada mais são do que uma maneira orgânica de trazer o tempo passado para o presente e mostrar seus desdobramentos no futuro. Vocês enxergam isso como um recurso da autora para manifestar o estilhaçamento dos sonhos dos personagens? Vale acreditar que as memórias são cruéis com os personagens por fazer com que eles se conscientizem de suas fraquezas?

>> Leia também: Grandes pausas do rock’n’roll, por Jennifer Egan

Notei que a síndrome de impostor tem sido bem divulgada — a saber, aquela pressão que todo mundo sente ao pensar que talvez os outros não nos considerem tão bons, ou, pior, que na verdade somos pura mentira e carão, o que nos força a fazer mais e melhor — e, no linguajar corporativo, ela faz todo sentido. Mas, transpondo isso para a personagem que mais amo nesse livro, a Sasha, vocês acham que o baú de guardados dela, as pressões e as sabotagens a que ela se presta representam isso? O que vocês acharam da Sasha?

No tarô de Marselha, temos a carta do Juízo Final, que, por mais que tenha esse nome medonho, significa que você terá exatamente aquilo que cultivou, que é a hora de colher os frutos da terra. Vocês acreditam que essa carta representa com perfeição o destino de todos os personagens? Houve pessoas que não mereceram a implacável visita do tempo? Para quem ela foi mais generosa?

Essas e outras impressões serão discutidas com muito pó de ouro — sim, providenciaremos! — no dia 11 de agosto, no auditório da Livraria Cultura do Shopping Bourbon. Para se inscrever, vocês já sabem: basta mandar um e-mail para o renato.costa@livrariacultura.com.br informando nome e colocando logo em baixo a palavra SARDAS, com três exclamações.

 

Bruno Leite é estudante de Letras, trabalha há oito anos no mercado editorial e é colaborador no blog O Espanador.

testeAutores que já participaram da FLIP

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A charmosa cidade de Paraty recebe todos os anos autores conhecidos mundialmente durante a Festa Literária Internacional de Paraty. Para relembrar os escritores que já participaram da FLIP, um dos principais eventos literários do país, preparamos uma lista.

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O escritor, diretor e cartunista Riad Sattouf, de O árabe do futuro, é uma das atrações da programação principal da FLIP neste ano. O autor participa da mesa “De balões e blasfêmias” neste sábado, 4 de julho, às 15h.

O árabe do futuro – Nascido na França em 1978, filho de pai sírio e mãe bretã, Riad Sattouf viveu uma infância peculiar. Ele tinha apenas três anos quando o pai recebeu um convite para lecionar em uma universidade da Líbia. Em Trípoli, o menino entrou em contato com uma cultura completamente distinta e precisou superar o estranhamento diante de novos costumes – experiência que se repetiria pouco depois na Síria, quando o pai foi trabalhar lá. Com o olhar inocente de uma criança, Riad oferece um importante relato sobre os contrastes entre a vida na França socialista de Mitterand e os regimes autoritários na Líbia de Kadafi e na Síria de Hafez al-Assad.

A verdade sobre o caso Harry Quebert, de Joël Dicker

Jovem escritor americano sofrendo com bloqueio criativo, Marcus Goldman procura o renomado romancista e seu ex-professor de faculdade Harry Quebert. Surpreendido por um mistério que envolve seu mentor na morte de uma jovem de quinze anos, Marcus precisa correr contra o tempo para tentar inocentar o amigo, descobrir quem matou Nola Kellergan e escrever um livro bem-sucedido.

+ Os últimos dias de nossos pais

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas – 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidade versus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.

+ Circo invisível

Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver

Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

+ A nova república

 Cozinhar, de Michael Pollan

Nos dias de hoje, diante de uma vida atribulada, as pessoas pensam cada vez mais em comida, embora dediquem cada vez menos tempo ao preparo de suas refeições. Preocupam-se com a quantidade de calorias ingeridas e com a qualidade dos ingredientes, mas reservam mais horas para assistir aos programas de culinária na TV do que efetivamente passam dentro da cozinha. E enchem a despensa com produtos industrializados supostamente “saudáveis”. Nesse cenário tão contraditório, o escritor Michael Pollan convida o leitor a redescobrir a experiência fascinante de transformar os alimentos. A partir dos quatro elementos da natureza — fogo, água, ar e terra —, ele nos mostra o calor ancestral do churrasco, o caldo perfumado dos assados de panela, a leveza dos pães integrais e a magia da fermentação de um chucrute. Ao relatar suas experiências pessoais com os processos de preparação da comida, Pollan mergulha numa história tão antiga quanto a da própria humanidade e propõe uma redescoberta de sabores e valores esquecidos.

link-externoIntrínseca na FLIP 2015

testeQual livro combina com o seu amor?

 

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Assim como na literatura, tudo pode acontecer em uma história de amor. Suspense, comédia, drama, intrigas e reconciliações. Para celebrar o Dia dos Namorados, listamos 15 livros para todos os gostos e queremos saber: que tipo de história combina mais com o seu par?

 

Toda luz que não podemos ver, de Anthony DoerrMarie-Laure, cega aos seis anos, vive em Paris com o pai, chaveiro responsável pelas fechaduras do Museu de História Natural. Na Alemanha, o curioso órfão Werner se encanta pelo rádio. Combinando lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, Toda luz que não podemos ver, premiado com o Pulitzer de Ficção de 2015, narra um tocante romance sobre o que há além do mundo visível. [Confira no Skoob]

link-externoConheça Anthony Doerr

 

Um mais um, de Jojo Moyes — O novo livro da autora de Como eu era antes de você conta a história de Jess, uma mãe solteira e falida que precisa levar a filha Tanzie para a Olimpíada de Matemática na Escócia. Ed Nicholls é um geek milionário e estranho que oferece uma carona até a cidade onde acontecerá a disputa. A engraçada viagem até o destino provará que os opostos se atraem e que é possível encontrar o amor nos lugares mais improváveis. [Confira no Skoob]

 

Lugares escuros, de Gillian Flynn Aos sete anos, Libby Day sobreviveu ao terrível assassinato de sua família e testemunhou contra o irmão, que acabou condenado à prisão perpétua. Vinte e quatro anos depois, a ambígua personagem de Gillian Flynn, autora de Garota exemplar, é procurada por um grupo de pessoas obcecadas pelo crime e começa a investigar o passado. [Confira no Skoob]
link-externoGillian Flynn em defesa das vilãs

 

O capital no século XXI, de Thomas Piketty Nenhum livro sobre economia publicado nos últimos anos provocou o furor causado por esse estudo do francês Thomas Piketty sobre a concentração de riqueza e a evolução da desigualdade. [Confira no Skoob]

 

A arte de pedir, de Amanda Palmer Mobilizadora de multidões on-line, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. No livro, a cantora, compositora, ícone indie e feminista mostra que pedir é digno e necessário. Longe de ser um manual, o livro é uma provocação que incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e pedir ajuda. [Confira no Skoob]
link-externoA arte de ser Amanda Palmer

 

Cidades de papel, de John Green Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que, certo dia, ela invade o quarto dele pela janela, convocando-o a fazer parte de um plano de vingança. E ele, é claro, aceita. [Confira no Skoob]
link-externoO capitão John Green

 

Nós, de David Nicholls Douglas é um bioquímico de 54 anos, casado com Connie e pai de Albie, um jovem que acabou de entrar para a faculdade. Certa noite, ele é acordado pela esposa, que decide pedir o divórcio. Porém, eles estão prestes a embarcar em uma viagem em família pela Europa. Do mesmo autor de Um diaNós traz uma irresistível reflexão sobre relacionamentos. [Confira no Skoob]
link-externoDia de fã: um encontro com David Nicholls

 

A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Recebeu o Pulitzer e o National Book Critics Circle Award de 2011. [Confira no Skoob]
link-externoA metáfora de Jennifer Egan ou “tudo começou aqui”

 

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han — Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. São confissões sinceras, sem joguinhos ou fingimentos. Até que, um dia, são misteriosamente enviadas aos destinatários e, de repente, a vida amorosa de Lara Jean se transforma. [Confira no Skoob]

 

Os filhos de Anansi, de Neil Gaiman Embrenhando-se no território da mitologia africana, a narrativa de Neil Gaiman leva o leitor a mergulhar nessa história fantástica e bem-humorada sobre relações familiares, profecias terríveis e divindades vingativas. Nova edição do clássico do autor com conteúdo extra e orelha assinada por Fábio Moon. [Confira no Skoob]
link-externoSobre ter pais constrangedores e se identificar com Neil

 

Salinger, de David Shields e Shane Salerno — A biografia de Salinger foi produzida ao longo de nove anos por David Shields e Shane Salerno, que colheram relatos de mais de 200 pessoas. A personalidade multifacetada do autor do clássico O apanhador no campo de centeio é relatada nas vozes de amigos, colegas do exército, parentes, editores, críticos literários etc. [Confira no Skoob]

 

Navegue a lágrima, de Leticia Wierzchowski Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Ao entrelaçar as lembranças da editora Heloísa à trajetória dos antigos moradores da casa, Leticia Wierzchowski expõe o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo até nas relações mais sólidas. [Confira no Skoob]
link-externoLeia as colunas de Leticia Wierzchowski

 

O árabe do futuro, de Riad Sattouf Filho de mãe francesa, nascida na Bretanha, e de pai sírio, de uma aldeia próxima a Homs, o premiado quadrinista Riad Sattouf retrata, de forma bem-humorada, o choque cultural experimentado por uma criança criada na França socialista de Mitterrand ao vivenciar os regimes autoritários da Síria de Hafez al-Assad e da Líbia de Kadafi. [Confira no Skoob]
link-externoRevivendo o passado através de O árabe do futuro

 

Caixa de pássaros, de Josh Malerman Há algo que não pode ser visto. Algo que enlouquece as pessoas e as leva a cometer atos violentos seguidos de suicídio. Basta uma olhada para fora e a vida corre risco. A população foi aconselhada a trancar as portas e as janelas e a andar vendada. Com uma narrativa cheia de suspense e terror psicológico, Caixa de pássaros conta a história assustadora de um surto inexplicável em Michigan. [Confira no Skoob]
link-externoPássaros no escuro

 

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. O famoso ator está com oitenta e dois anos, mas ainda não se sente preparado para ver as cortinas se fecharem uma última vez. Desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [Confira no Skoob]
link-externoComo Chaplin enganou a morte

testeLançamentos de março

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A Segunda Pátria, de Miguel Sanches Neto — Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, Getúlio Vargas alia-se ao Terceiro Reich. Neste cenário alternativo, o escritor paranaense desenvolve uma surpreendente história de amor enquanto subverte os fatos para criar um Brasil que não está nos livros de história, mas que nem por isso deixa de ser assustadoramente plausível. [+]
Leia um trecho.
link-externoLeia também: Biografia de um livro

Pequenas grandes mentiras, de Liane Moriarty — Em seu novo romance, a autora do best-seller O segredo do meu marido coloca em cena ex-maridos e segundas esposas, mães e filhas, bullying e escândalos familiares para nos lembrar das perigosas meias verdades que contamos a nós mesmos para sobreviver. [+]
Leia um trecho

Circo invisível, de Jennifer Egan — O surpreendente romance de estreia de Jennifer Egan, escritora norte-americana que recebeu o Prêmio Pulitzer de Ficção pelo livro A visita cruel do tempo, em 2011, narra a história de uma família marcada pelos extremos dos anos 1960 e aborda os impactos provocados pela morte, pela utopia e pelo tempo. [+]
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Ordem, de Hugh Howey — No segundo volume da trilogia Silo, a história volta a um período anterior, explicando como o mundo de Juliette foi transformado. O livro revela as decisões, tomadas por alguns poucos poderosos, que foram o estopim das bilhões de mortes que deixaram a humanidade em vias de extinção. [+]
Leia um trecho

A arte de pedir, de Amanda Palmer — Cantora, compositora, ícone indie e feminista, Amanda Palmer é o retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público. Em A arte de pedir, ela incita o leitor a superar seus medos e reconhecer o valor de precisar e de pedir ajuda. [+]
Leia um trecho
link-externoLeia também: conheça Amanda Palmer

Selva de Gafanhotos, de Andrew Smith — Um mal resolvido triângulo amoroso-sexual, insetos gigantes, um cientista louco, um fabuloso bunker subterrâneo e muita confusão. Engraçado, intenso e complexo, Selva de Gafanhotos fala de um jeito inovador sobre a adolescência. [+]
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Um brinde a isso, de Betty Halbreich com Rebecca Paley — Há quase 40 anos, Betty Halbreich comanda o departamento de compras personalizadas da loja Bergdorf Goodman, ícone do consumo de luxo de Nova York. Combinando moda com relatos sobre sua vida pessoal, Betty mostra que o verdadeiro estilo de uma mulher não está impresso nos cortes, tecidos e etiquetas que ela veste, mas na história que tem para contar. [+]

A última dança de Chaplin, de Fabio Stassi — Na noite de Natal de 1971, Charlie Chaplin recebe a visita da Morte. Com 82 anos e desesperado por acompanhar o crescimento do filho mais novo, o ator propõe à Morte um acordo: se conseguir fazê-la rir, ganhará mais um ano de vida. [+]
Leia um trecho

Filhotes submarinos, de Seth Casteel — Depois do sucesso de Cachorros submarinos, o premiado fotógrafo e ativista em defesa dos direitos dos animais Seth Casteel retrata cachorrinhos na primeira fase da vida. São mais de 80 cliques inéditos de filhotes cheios de energia e disposição dentro d’água. [+]
Leia um trecho

Dentista sinistra, de David Walliams — Alfie tem 12 anos e um coração enorme, tão grande quanto seu medo de dentista. Ele não sabe o que fazer quando o obrigam a se consultar com a nova dentista da cidade: uma mulher mais arrepiante que prova de matemática. [+]
Leia um trecho

testeTempo de Flip

Lionel Shriver Jennifer Egan

O celular não pega. As ruas são confusas e andar é um perigo — quando finalmente é possível se equilibrar nas pedras centenárias que pavimentam Paraty, está na hora de ir embora. Todo ano é a mesma história, e sempre voltamos todos, mais ou menos ali pelo sétimo mês do ano, à próxima Festa Literária Internacional de Paraty. Para as duas escritoras que assessorei no evento, veteranas em festivais de literatura mundo afora, a Flip também deixou saudade.

A norte-americana Lionel Shriver, criadora do psicopata que assombra mães no mundo inteiro em Precisamos falar sobre o Kevin, não esquece a Flip 2010 — “a melhor festa literária de que já participei, com toda franqueza”, derramou-se em artigo escrito para o Blog da Intrínseca.

Dois anos depois, a Pulitzer de Literatura Jennifer Egan também se rasgou em elogios em uma mensagem para o nosso editor: “foi o ponto alto de 2012”. Naquele ano ela viajou o mundo com seu premiado A visita cruel do tempo — não é pouco. Veio com as crianças e o marido, bateu papo com o ídolo Ian McEwan e ouviu dele que Caixa preta, conto de Egan escrito para o Twitter, era a obra mais sensacional daquele ano.

De volta a Paraty, com os olhos pregados no chão de pedras e a atenção voltada para nossos escritores convidados em 2014 — o romancista Joël Dicker e o ensaísta Michael Pollan —, vamos lá conversar sobre livros maravilhosos e criar lembranças inesquecíveis. Fazer o quê? É tempo de Flip!

*Por Juliana Cirne, gerente de comunicação da Intrínseca.

testeA visita cruel do tempo: o desafio da adaptação

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Como transpor um romance tão complexo como A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, para a televisão sem perder a qualidade e mantendo a inovadora narrativa da obra? Seria esse um livro impossível de ser adaptado para as telas?

De acordo com o Hollywood.com, portal norte-americano especializado em cinema e entretenimento, se é difícil imaginar o livro de Egan (vencedor do Pulitzer de Ficção de 2011, que apresenta estrutura fragmentada e pouco convencional, com narradores que se alternam no tempo e no espaço) como filme, mais difícil ainda é pensá-lo como série de televisão. Diante do desafio aparentemente incontornável, a HBO abriu mão dos direitos de adaptação do livro alegando dificuldades em verter o título para a TV.

No entanto, para satisfação do público, o canal a cabo Sundance Channel — criado pela mesma instituição que realiza o principal festival de cinema independente dos Estados Unidos — assumiu o desafio de verter A visita cruel do tempo para a TV. Ainda não há previsão para o início das gravações, mas o projeto foi recebido com entusiasmo pela equipe do Sundance e pela crítica especializada.

Leia a matéria na íntegra aqui (em inglês): http://goo.gl/K9Vu9V

testeJENNIFER EGAN É RECOMENDADA EM LISTA DE CLÁSSICOS

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Jennifer Egan, ganhadora do Prêmio Pulitzer de 2011 com A visita cruel do tempo, divide espaço com nomes como George Orwell, Gabriel García Márquez e Aldous Huxley em lista organizada pelo site Flavorwire das 50 obras menos conhecidas de gigantes literários.

O livro indicado aos leitores é o primeiro romance da escritora, The Invisible Circus (ainda sem título em português), que será publicado no Brasil pela Intrínseca. Os organizadores da lista consideraram a história brilhante, mesmo sem o experimentalismo presente nas obras posteriores da autora.

Confira a lista completa (em inglês): http://flavorwire.com/409359/50-of-the-best-books-you-havent-read-by-authors-you-already-love/view-all