teste17 livros para conhecer na Bienal do Livro Rio

A Bienal do Livro Rio é o maior evento literário do país e começa nesta quinta-feira. São muitos autores, encontros, sessões de autógrafos, marcadores, momentos inesquecíveis e, claro, livros com desconto!

Para ajudar os leitores que estarão por lá, selecionamos alguns títulos muito legais para diferentes estilos:

Para quem gosta de livros com histórias românticas:

Amor & Gelato — Paixões, segredos e um verão inesquecível na Itália! Essa é a trama do romance de estreia de Jenna Evans Welch.

Depois da morte da mãe, Lina tem que realizar um último pedido: ir até a Itália para conhecer o seu pai. Do dia para a noite, ela se vê na encantadora paisagem da Toscana, passeando pelos famosos pontos turísticos que no passado marcaram a juventude da mãe. Guiada por um antigo diário, Lina agora vai construir a própria história, descobrir o amor e aprender a lidar com o luto.

 

Os 27 crushes de Molly — De Becky Albertalli, autora de Simon vs. a agenda Homo sapiens, que participou da Bienal do Livro de São Paulo no ano passado.

O livro conta a história de Molly, uma garota que já viveu muitas paixões, mas só dentro da própria cabeça. Aos 17 anos, ela acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que Molly precisa ser mais corajosa, a garota não consegue suportar a ideia de levar um fora. Então, age com muito cuidado. Para ela, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas. 

Box de Para todos os garotos que já amei — Vamos lançar o box da trilogia completa de Jenny Han, autora que participa do evento em 2 de setembro.

O box inclui os três livros e um pôster exclusivo autografado para os fãs brasileiros.

Para todos os garotos que já amei conta a história de Lara Jean, uma garota romântica, descendente de coreanos, apaixonada por doces e que gosta de escrever cartas secretas para suas paixões. 

Lara Jean não tem coragem de se declarar e prefere manter essas cartas em segredo. Porém, um dia, elas são enviadas misteriosamente para os destinatários e agora todos vão saber o que ela sempre tentou esconder.

 

Em busca de abrigo — O romance de estreia de Jojo Moyes conta a história de três mulheres que precisam lidar com a quebra de laços familiares aparentemente indestrutíveis.

Joy mora numa mansão fria no sul da Irlanda com seu marido, cuja saúde está se deteriorando depressa. Kate e Sabine, respectivamente filha e neta de Joy, moram no subúrbio da Inglaterra e têm uma relação conturbada. Quando as três mulheres finalmente se reencontram há conflito entre amor e obrigação, mães e filhas e diferentes escolhas de vida.

 

Para quem gosta de bons livros com MUITO desconto:

Teremos muitos livros com preços especiais na Bienal, mas selecionamos alguns títulos que você não pode deixar de conhecer!

Mosquitolândia — Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para morar com o pai e a madrasta no árido Mississippi. Para fugir dessa nova vida e buscar seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, ela embarca em um ônibus e encontra companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho, numa odisseia contemporânea tão hilária quanto emocionante.

 

Perdão, Leonard Peacock — O livro de Matthew Quick, autor que já participou da Bienal em 2013, narra o drama de um estudante que planeja assassinar seu ex-melhor amigo para depois se matar com a arma que pertenceu ao avô no dia do seu aniversário. Antes, no entanto, ele pretende entregar três presentes para três pessoas que lhe são importantes.

 

A visita cruel do tempoNa obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, Jennifer Egan combina diferentes pontos de vista sobre histórias que se entrelaçam de maneiras inesperadas. 

Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Sasha é sua assistente cleptomaníaca. E é a partir da história desses dois personagens que a autora retrata, em uma narrativa caleidoscópica, a passagem do tempo e a transformação das relações. Da São Francisco dos anos 1970 até a Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan cria um romance de estilo ímpar sobre continuidade e rupturas, memória e expectativas.

 

Para quem gosta de romances jovens bem construídos e inesquecíveis:

Enquanto o novo livro de John Green, Tartarugas até lá embaixo, não chega às livrarias, indicamos A culpa é das estrelas e Quem é você, Alasca?, que também estarão com desconto especial no nosso estande! É uma oportunidade de conhecer duas das mais importantes obras do autor.

 

Para quem gosta de livros nerds e geeks:

Geekerela — O divertido romance de Ashley Poston  traz a clássica história da Cinderela para os dias atuais e aborda temas como internet, independência da mulher, indústria do cinema e cultura nerd.

Quando Elle, nerd de carteirinha, descobre que sua série favorita vai ganhar um remake hollywoodiano, ela fica dividida. Antes de morrer, o pai lhe transmitiu a paixão por aquele verdadeiro clássico da ficção científica, e agora ela não quer que suas lembranças sejam arruinadas por astros pop e fãs que nunca ouviram falar da série.

 

Deuses americanos — A obra de Neil Gaiman já foi adaptada para a TV e é um dos livros mais comentados desde então!

O livro acompanha Shadow Moon, que passou quase três anos na cadeia contando os dias para voltar para casa. Pouco antes do fim da pena, ele fica sem rumo na vida ao descobrir que a esposa faleceu em um acidente.

Após o velório, ele conhece o sr. Wednesday — um homem com olhar enigmático e sempre com um sorriso insolente no rosto  —, que  lhe oferece um emprego. É na nova função que Shadow começa a desvendar a real identidade do chefe e a se dar conta de que os Estados Unidos, ao receberem pessoas de todos os cantos do mundo, também se tornaram a morada de deuses dos mais variados panteões.

 

Para quem gosta de mistérios e de narrativas com muitas reviravoltas:

Por trás de seus olhos — Esse é o tipo de livro que não podemos falar muito porque existe um grande risco de soltar um spoiler, mas podemos garantir que você precisa conhecê-lo durante a Bienal.

Um suspense com personagens escorregadios e um desfecho imprevisível e perturbador.

 

Até que a culpa nos separe — Novo romance de Liane Moriarty, autora de Pequenas grandes mentiras e O segredo do meu marido.

A história começa com um convite inesperado para um churrasco de domingo em Sydney, na Austrália. Três famílias resolvem passar uma tarde tranquila em uma bela casa sem imaginar como suas vidas mudariam para sempre a partir daquele dia.

Sem conhecer direito os anfitriões, Clementine, uma mulher casada e com duas filhas, acompanha a amiga de infância, Erika, quando um episódio assustador acontece no evento.

 

Para quem gosta de livros com personagens cativantes e mensagens importantes:

Fantasma — Se você estiver procurando um livro rápido, que pareça com uma série na Netflix e ao mesmo tempo fale sobre temas como bullying, representatividade e preconceito de uma forma sensível, não pode deixar de conhecer a obra de Jason Reynolds!

Fantasma é um garoto que sempre soube que correr era o seu forte, mas nunca levou a atividade muito a sério. Até que, certo dia, ele disputa uma corrida contra um dos melhores atletas de uma equipe que está treinando na pista de atletismo do parque. E vence. O treinador quer que ele entre para a equipe de qualquer jeito. O problema é que Fantasma tem muita raiva dentro de si e também um passado que tenta desesperadamente deixar para trás.

 

Extraordinário — Não tem como fazer uma lista sobre a Bienal e não incluir Extraordinário. O filme inspirado no livro estreia em novembro, e tem muita gente que ainda não se encantou (e chorou) com Auggie.

Extraordinário conta a história de Auggie Pullman, um garoto que tem uma deformidade facial e enfrenta o grande desafio de frequentar a escola pela primeira vez. Com momentos comoventes e outros descontraídos, o livro consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos a seu redor: família, amigos e comunidade.

 

Apenas uma garota — Uma história sobre aceitação e as primeiras experiências de uma adolescente trans!

Prestes a entrar na vida adulta, Amanda Hardy acabou de mudar de cidade, mas a verdadeira mudança de sua vida vai ser encarar algo muito mais importante: a afirmação de sua identidade. Tudo que ela mais quer é viver como qualquer outra garota. E, embora acredite firmemente que toda mudança traz a promessa de um recomeço, ainda não se sente livre para criar laços afetivos.

 

Para quem gosta de thriller psicológico:

Piano vermelhoO novo livro de Josh Malerman, autor que foi destaque na Bienal em 2015 com Caixa de pássaros, nos deixa com medo e assustados o tempo todo!

Escute o áudio e conheça a história:

 

Para quem curte mitologia:

Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos — Com dados importantes, entrevistas exclusivas e muitas reflexões, o guia foi pensado para ajudar o guerreiro viking recém-chegado ao Hotel Valhala a começar o treinamento para o Ragnarök com o pé direito, evitando qualquer constrangimento desnecessário na pós-vida viking. 

 

Estande da Intrínseca na Bienal
Endereço: Pavilhão Azul (3) entre a rua E e a rua F
Horário de funcionamento:
31 de agosto: 13h às 22h
7 de setembro (feriado): 10h às 22h
Durante a semana: 9h às 22h
Finais de semana: 10h às 22h
Confira o mapa

testeAmor, segredos e um verão inesquecível

Por Fabiane Pereira*

A arte tem várias funções e todas elas são legítimas mas, talvez, nos transportar pra outra realidade de maneira fluida, numa travessia sem esforço, seja aquela que eu mais procure quando pego um livro e me entrego ao prazer da leitura. E foi exatamente isso que encontrei em Amor & Gelato, de Jenna Evans Welch. Leve e divertido, o romance nos fisga logo nas primeiras páginas porque a história da Lina poderia ser minha, sua ou da nossa melhor amiga.

A autora conhece bem Florença, cidade italiana em que se passa a história, porque viveu parte de sua adolescência lá. Quando isso acontece, fica mais fácil ainda para o escritor transportar o leitor para dentro da história. Por isso, mal abri o livro e já me senti uma típica italiana.

Por outro lado, Lina, a jovem protagonista, demorou um pouco mais para “se sentir em casa”. Logo no início do romance, Lina perde a mãe e fica sem chão. Perdi meu pai pela mesma doença que levou a mãe dela e sei exatamente como é passar por isso. Achamos que nada mais vai voltar a fazer sentido e que temos que cumprir todas as promessas que fazemos aos nossos entes queridos no leito de morte.

Munida desse sentimento, Lina fica com a missão de realizar o último pedido da mãe: viver um tempo na Itália e conhecer seu pai. De uma hora para outra, a jovem se vê órfã e obrigada a ir em busca de um homem completamente desconhecido. Lina parte para a Toscana para morar com o “pai” numa casa localizada dentro de um cemitério — na verdade, trata-se de um memorial para soldados americanos vitimados durante a Segunda Guerra Mundial. É óbvio que, apesar das belezas arquitetônicas, da história da cidade e das comidas maravilhosas, o que Lina mais quer é ir embora correndo e deixar para trás toda aquela estranheza. E atire a primeira pedra quem não ia querer o mesmo.

É difícil reaprender a respirar quando estamos sem chão. Assim como Lina, já perdi a conta das vezes em que o ar me faltou. Seja por medo, espanto, surpresa, luto, paixão, entusiasmo… Mas o tempo vai passando e, de repente, as coisas começam a mudar. No caso de Lina, o recomeço vem quando ela recebe um antigo diário que sua mãe escreveu na época em que também morou na Itália. É então que nós, leitores, descobrimos suas origens e os segredos de sua família junto com ela.

No meio desse turbilhão de emoções, Lina ainda conhece Ren e Thomas, dois meninos lindos que vão mexer ainda mais com seu coração. Porque quando a vida decide virar de cabeça para baixo, ela vai com tudo.

Lendo assim você pode pensar que Amor & Gelato é um grande drama, mas não! O livro é muito divertido e mostra com delicadeza a trajetória de Lina descobrindo o amor e a si mesma. Além disso, é uma deliciosa viagem pelos mais românticos pontos turísticos de Florença, com direito a tudo de mais intenso que o lugar pode oferecer.

No meio do livro, me peguei pensando em Elis Regina cantando a canção de Belchior: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.” O diário da mãe de Lina torna-se um verdadeiro guia afetivo e a faz descobrir lugares incríveis que foram importantes para sua mãe e, anos mais tarde, se tornam também marcantes para a sua própria história.

Lina, mesmo reticente no início, seguiu os passos da mãe e, sem querer dar spoiler, não se arrependeu. Longe de mim querer aconselhar alguém a partir das minhas verdades porque acredito (mesmo) que temos certa permissão do universo até os 18 anos já que tudo que vem depois desta idade é “punk”, mas, às vezes, seguir (algumas) orientações pode nos ajudar a traçar bons caminhos.

Assim como Lina, conheci a Itália orientada pela minha mãe. E pelos olhos de Lina, revi a linda Ponte Vecchio, andei de scooter, saboreei os gelatos mais deliciosos que já provei, senti o vento bagunçar meus cabelos e cheguei a ter os mesmos calafrios a cada flerte dela. Quando terminei o livro, abri um site de viagens e fui pesquisar as promoções aéreas Rio-Toscana. Aposto que você fará o mesmo.

>> Leia um trecho de Amor & Gelato

 

Fabiane Pereira é jornalista, pós-graduada em jornalismo cultural pela ESPM e em formação do escritor pela PUC-Rio. É mestranda em comunicação, cultura e tecnologia da informação no Instituto Universitário de Lisboa. É curadora do projeto literário Som & Pausa e toca vários outros projetos pela sua empresa, a Valentina Comunicação. Foi apresentadora do programa Faro MPB, na MPB FM, e atualmente comanda o boletim Faro Pelo Mundo, na mesma emissora.

testePaixões, segredos e um verão inesquecível na Itália

Antes de morrer, a mãe de Lina faz um último pedido a ela: que a filha passe passar um verão na Itália. Do dia para a noite, Lina se vê longe da melhor amiga e no pior lugar possível naquele momento, pois nem mesmo a lindíssima paisagem da Toscana alivia a barra de ter que morar em uma casa construída dentro de um cemitério.

Sim, porque sua mãe queria que ela morasse por um tempo com um antigo amigo, Howard, responsável pelo memorial aos soldados americanos vitimados durante a Segunda Guerra Mundial. E tem um pequeno detalhe: esse homem, que Lina nunca viu na vida, pode ser seu pai.

É nesse turbilhão de emoções que Lina conhece o encantador ítalo-americano Lorenzo e recebe um presente inesperado: o antigo diário em que a mãe, ainda jovem, narra suas paixões e descobertas durante o tempo em que morou na Itália.

No apaixonante Amor & gelato, romance de estreia da americana Jenna Evans Welch, que também passou parte da adolescência em Floresça, acompanhamos Lina descobrindo os segredos de sua família, a maravilhosa culinária local e que a Itália é o melhor lugar do mundo para se apaixonar — mas o pior para ter o coração partido.

Leia um trecho do romance que chega às livrarias a partir de 21 de julho:

 

Você já teve dias ruins, não é? Sabe aqueles em que o alarme não toca, o pão praticamente pega fogo na torradeira e você lembra tarde demais que todas as suas roupas estão encharcadas, esquecidas na máquina de lavar? Aí você entra correndo na escola, quinze minutos atrasada, rezando para ninguém notar que seu cabelo está igual ao da noiva do Frankenstein, mas bem na hora em que senta no seu lugar, o professor berra um “Atrasada hoje, Lina?” e todo mundo olha para você.

Aposto que você já teve dias assim. Todos nós temos. Mas e quanto aos dias péssimos? Aqueles tão tensos e horríveis que trituram as coisas de que você gosta só pelo prazer de cuspi-las na sua cara?

O dia em que minha mãe me contou sobre Howard se encaixa perfeitamente na categoria dos péssimos, mas, na época, isso era a menor das minhas preocupações.

Eu tinha começado o segundo ano do ensino médio duas semanas antes e estava voltando com minha mãe de uma consulta médica dela. O silêncio reinava dentro do carro, exceto pelo comercial no rádio com as vozes de dois imitadores do Arnold Schwarzenegger, e, embora fosse um dia quente, minhas pernas estavam arrepiadas. Naquela manhã, eu havia chegado em segundo lugar na minha primeira maratona estudantil e não conseguia acreditar em como aquilo se tornara insignificante.

Minha mãe desligou o rádio.

— Como está se sentindo, Lina?

Sua voz estava calma, mas quando olhei para ela comecei a chorar de novo. Ela estava muito pálida e magra. Como eu não tinha notado que ela emagrecera tanto?

— Não sei — respondi, tentando manter a voz calma. — Acho que estou em choque.

Ela assentiu, parando no sinal. O sol fazia de tudo para nos ofuscar, e eu olhei diretamente para ele, mesmo com os olhos ardendo. Este é o dia em que tudo vai mudar, pensei. De agora em diante, haverá o antes e o depois de hoje.

Minha mãe pigarreou e se empertigou como se tivesse algo importante a me dizer.

— Lina, já contei sobre a vez em que me desafiaram a nadar num chafariz?

Eu me virei para ela.

— O quê?

— Lembra que contei que passei um ano estudando em Florença? Eu tinha saído para tirar fotos com um pessoal da minha turma, e o dia estava tão quente que achei que fosse derreter. Um amigo meu, Howard, me desafiou a entrar num chafariz.

Não se esqueçam de que tínhamos acabado de receber a pior notícia do mundo. A pior.

— … Eu assustei um grupo de turistas alemães. Eles estavam posando para uma foto, e quando saí da água um deles perdeu o equilíbrio e quase caiu no chafariz comigo. Eles ficaram furiosos, então Howard gritou que eu estava me afogando e pulou na minha direção.

Ela olhou para mim e deu um sorrisinho.

— Hã… mãe? É engraçado e tal, mas por que você está me contando isso agora?

— Eu só queria falar do Howard. Ele era muito divertido.

O sinal abriu, e ela pisou no acelerador.

O quê?, pensei. O quê? O quê? O quê?

 

A princípio, achei que a história do chafariz fosse um mecanismo de defesa, como se talvez ela achasse que falar sobre um velho amigo pudesse nos fazer esquecer aqueles dois blocos de concreto que pendiam sobre nossa cabeça. Inoperável. Incurável. Mas então ela me contou outra história. E mais uma depois dessa. E chegou ao ponto em que ela começava a falar e, depois de três palavras, eu sabia que ia mencionar o tal de Howard. E quando finalmente me contou o porquê de todas aquelas histórias sobre o amigo, bem… Digamos apenas que a ignorância é uma bênção.

— Lina, eu quero que você vá para a Itália.

Estávamos no meio de novembro, e eu havia me sentado diante da cama de hospital dela com uma pilha de revistas velhas de beleza que roubara da sala de espera. Eu tinha passado os últimos dez minutos fazendo um quiz chamado “Numa escala de frio a fervente: quão sexy você é?”, e fiz sete pontos num total de dez.

— Itália? — perguntei, meio distraída.

A pessoa que fizera o quiz antes de mim gabaritou, e eu estava tentando descobrir como isso era possível.

— Falei que quero que você vá morar na Itália. Depois.

Aquilo chamou minha atenção. Para começar, eu não acreditava no depois. Sim, o câncer da minha mãe estava progredindo exatamente do jeito que os médicos explicaram que aconteceria, mas eles não sabiam de tudo. Naquela manhã mesmo, eu tinha salvado nos meus favoritos uma matéria sobre uma mulher que subira o Monte Kilimanjaro depois de vencer um câncer. E tem outra coisa: Itália?

— Mas por quê? — perguntei, sem ser grosseira.

Era importante não contrariar minha mãe. Evitar estresse ajuda na recuperação.

— Quero que você fique com o Howard. O ano que passei na Itália significou muito para mim, e quero que você viva a mesma experiência.

Olhei o botão para chamar as enfermeiras. Ficar com Howard na Itália? Será que tinham dado morfina demais a ela?

— Lina, olhe para mim. — Ela usou seu tom autoritário que dizia “Mocinha, eu sou sua mãe”.

— Howard? O cara de quem você não para de falar?

— Sim. Ele é o melhor homem que já conheci. Vai mantê-la a salvo.

— A salvo de quê?

Eu olhei para ela, e de repente comecei a ficar ofegante. Minha mãe estava falando sério. Será que tinha algum saco de papel por ali?

Ela balançou a cabeça, com os olhos brilhando.

— Vai ser… difícil. Não precisamos falar disso agora, mas queria que você ouvisse de mim mesma sobre essa decisão. Você vai precisar de alguém. Depois. E acho que ele é a melhor pessoa.

— Mãe, isso nem faz sentido. Por que eu iria morar com um desconhecido?

Eu me levantei e comecei a vasculhar as gavetas na mesinha de cabeceira dela. Devia ter um saco de papel em algum lugar.

— Lina, sente-se.

— Mas, mãe…

— Sente-se. Você vai ficar bem. Você vai conseguir. Sua vida vai seguir em frente e vai ser maravilhosa.

— Não. Você vai conseguir. Às vezes as pessoas se recuperam.

— Lina, Howard é um amigo maravilhoso. Você vai amá-lo.

— Duvido. E se ele é um amigo tão bom assim, por que nunca o conheci?

Desisti de encontrar um saco, então me joguei de novo na cadeira e coloquei a cabeça entre os joelhos.

Ela se sentou com dificuldade, depois estendeu a mão, tocando as minhas costas.

— As coisas eram meio complicadas entre nós, mas ele quer conhecê-la. E disse que adoraria que você ficasse com ele. Prometa que vai tentar. Pelo menos por alguns meses.

Bateram à porta. Nós duas erguemos o rosto e vimos uma enfermeira com um uniforme azul-bebê.

— Só vim checar como vocês estão — disse ela, cantarolando.

Ou estava ignorando ou não percebeu minha expressão.

Numa Escala de Tranquilo a Tenso, o quarto estava mais ou menos 100 para 10.

— Bom dia. Eu estava dizendo à minha filha que ela deve ir para a Itália.

— Itália — repetiu a enfermeira, com um suspiro. — Passei minha lua de mel lá. Gelato, a Torre de Pisa, as gôndolas de Veneza… Você vai adorar.

Minha mãe abriu um sorriso triunfante para mim.

— Mãe, não. Eu não vou pra Itália de jeito nenhum.

— Mas, querida, você precisa ir — insistiu a enfermeira. — Vai ser uma experiência única.

No fim das contas, a enfermeira estava certa sobre uma coisa: eu precisava ir. Mas ninguém me deu nenhuma pista do que eu encontraria quando chegasse lá.

 

testeLançamentos de julho

Piano vermelho, de Josh Malerman: Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição.

Breve história de sete assassinatos, de Marlon James: Livro vencedor do Man Booker Prize de 2015, cujo autor é destaque da Festa Literária de Paraty, em julho. Em 3 de dezembro de 1976, às vésperas das eleições na Jamaica e dois dias antes de Bob Marley realizar o show Smile Jamaica para aliviar as tensões políticas em Kingston, sete homens não identificados invadiram a casa do cantor com metralhadoras em punho. O violento ataque feriu Marley, a esposa e o empresário, entre várias outras pessoas. Poucas informações oficiais foram divulgadas sobre os atiradores. Uma obra brilhante e arrebatadora que explora um período de grande instabilidade na história da Jamaica.

Em busca de abrigo, de Jojo Moyes: Tocante romance de estreia de Jojo Moyes, Em busca de abrigo é uma trama sobre três gerações de mulheres em uma família que não se conhece de verdade, tão cheia de surpresas quanto a vida real. Uma prévia do talento de Jojo Moyes para escrever sobre relacionamentos, família e, sobretudo, amor.

As upstarts, de Brad Stone: O livro conta a história dos dois grandes expoentes da chamada economia do compartilhamento: a Uber e o Airbnb. Por meio de sua análise bem embasada e entrevistas com os fundadores das duas empresas, vemos como o enorme ímpeto e autoconfiança de um empreendedor pode mudar o mundo e gerar fortunas, mas também turvar seu discernimento e ameaçar tudo o que foi conquistado.

O árabe do futuro 3: Uma juventude no Oriente Médio (1985-1987), de Riad Sattouf: terceiro volume da premiada série O árabe do futuro, que narra a infância nada comum do quadrinista Riad Sattouf, passada entre a Líbia, a Bretanha e a Síria. No mais novo capítulo da história do adorável menino de cabeleira loura e cacheada e de sua família itinerante, vemos um Riad no alto de seus sete anos, tentando a seu modo se adequar aos costumes e às dinâmicas do vilarejo em que mora na Síria e se entrosar com seus primos e amigos da escola.

Amor & gelato, de Jenna Evans Welch: Um verão na Itália, uma antiga história de amor e um segredo de família. Depois da morte da mãe, Lina tem que realizar um último pedido: ir até a Itália para conhecer o seu pai. Do dia para a noite, ela se vê na encantadora paisagem da Toscana, passeando pelos famosos pontos turísticos que no passado marcaram a juventude da mãe. Guiada por um antigo diário, Lina agora vai construir a própria história, descobrir o amor e aprender a lidar com o luto.

Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos, de Rick Riordan: Muitos já ouviram falar do corajoso exército de Odin e dos grandiosos guerreiros vikings que vivem em Valhala, treinando dia e noite para lutar no Ragnarök… Porém, poucos sabem que muitos desses guerreiros chegam ao Hotel Valhala sem a mínima ideia do que estão fazendo ali. Para resolver esse problema, o livro Hotel Valhala: Guia dos mundos nórdicos, um companion book da série Magnus Chase e os deuses de Asgard, oferece todo o conhecimento de que um novo hóspede precisa para sobreviver durante a hospedagem eterna na pós-vida viking.

Como as crianças aprendem, de Paul Tough: agora relançado com novo título, foi publicado no Brasil originalmente em 2014 como Uma questão de caráter. O livro permaneceu por mais de um ano na lista de mais vendidos do The New York Times e foi traduzido para 27 idiomas.

Como ajudar as crianças a aprenderem, de Paul Tough: Um guia prático que oferece a pais, responsáveis, professores e legisladores ferramentas para ampliar seu entendimento das necessidades de investimento e inovação quando se trata de educar crianças em circunstâncias adversas.