testeA era da destruição chega a Black Hammer

Em maio, a Intrínseca vai lançar Black Hammer: Era da destruição ­– Parte 1, terceiro volume da série de Jeff Lemire e Dean Ormston.

Eleita a Melhor Série Original de 2017 pelo Eisner Awards, principal prêmio internacional de quadrinhos, Black Hammer é uma das HQs mais bem-sucedidas dos últimos tempos. A história dos cinco heróis decadentes que se veem presos em uma cidade fora dos limites do tempo — e de suas tentativas de escapar desse purgatório — conquistou muitos fãs no Brasil e no mundo.

Na primeira parte de Era da destruição, grandes segredos começam a ser revelados quando os ex-heróis recebem uma visita inesperada que tanto pode lhes mostrar o caminho para casa, como ser um prenúncio do caos e da destruição que estão por vir.

E se você ficou ansioso para a segunda parte dessa história, pode ficar tranquilo: ela já está garantida aqui no Brasil! Ainda não temos previsão de publicação, mas garantimos que vai ser tão eletrizante quanto os outros volumes da série.

Black Hammer: Era da destruição ­– Parte 1 chega às livrarias no dia 2 de maio.

testeBlack Hammer ganha adaptação para TV e cinema

Os direitos de Black Hammer foram adquiridos pela Legendary Entertainment, produtora de vários filmes de sucesso, como Batman Begins, Círculo de Fogo e Jurassic World. A história ganhará adaptações para as telas de cinema e para a TV, ainda sem data de estreia.

Black Hammer se destaca entre as produções de Jeff Lemire, um dos maiores nomes dos quadrinhos atualmente. Eleita a Melhor Série Original de 2017 pelo Eisner Awards, o principal prêmio internacional de quadrinhos, a obra explora os percalços na vida de heróis em decadência.

Black Hammer é minha declaração de amor aos super-heróis. É muito mais que um livro: trata-se de todo um universo, composto por muitas séries, e isso vai se desdobrar em vários projetos para a TV e o cinema”, disse o autor.

Uma das coisas que mais atraiu a produtora foi a possibilidade de expandir o mundo de Black Hammer com novas ideias de Jeff Lemire. O autor estará envolvido nos roteiros das adaptações: “Quanto mais projetos eu tenho, mais criativo sou. Quanto mais eu puder fazer, mais farei.”

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testeAs origens secretas de Black Hammer

 
Black Hammer é recheado de referências e todo mundo sabe disso. A criação de Jeff Lemire é uma ode aos quadrinhos clássicos de super-heróis, seja com homenagens diretas ou com pequenos easter eggs. Porém, o mais interessante na obra é o diálogo histórico que o autor constrói entre as gerações de personagens ao explorar a evolução psicológica dos superseres – das eras mais inocentes dos gibis até o niilismo e a questionamentos filosóficos da pós-modernidade.

Em 1938, Superman fazia sua primeira aparição, em Action Comics #1, dando início à era de popularização dos super-heróis. Um ano depois surgia o Capitão Marvel, posteriormente renomeado Shazam — fonte de inspiração para o alter ego de Gail Gibbons, a Menina de Ouro. Ao contrário do Shazam, Gail não se transforma em adulta ao dizer a palavra mágica: ela retorna a sua forma infantil, e isso a deixa completamente transtornada. Fruto do otimismo e da bravura de sua década, a heroína entra em conflito consigo mesma logo que os anos começam a passar, cada vez querendo ficar mais tempo em sua forma heroica para conservar o vigor da infância.


 
Mas a maior parte dos personagens de Black Hammer vem da era de prata: Abraham Slam, Libélula e Coronel Weird, por exemplo. Apesar de Abe ser inspirado em dois heróis de épocas distintas (Capitão América e Demolidor), sua personalidade é um claro reflexo do herói idealista. Ele é a encarnação do sonho americano: acredita que, com esforço suficiente, tudo é possível. Talvez por isso seja o único conformado com a vidinha pacata na fazenda. A satisfação de ter ganhado a última grande batalha é o suficiente para Slam.

A história da origem de Libélula está fortemente ligada ao Homem-Coisa e ao Monstro do Pântano, heróis criados para aproveitar a onda dos quadrinhos pulp de terror que inundou o mercado americano nos anos 1970. A quebra da quarta parede, recurso utilizado por Lemire no primeiro volume, é uma narrativa típica das antologias de contos do gênero.


 
Por fim, como representante da era de bronze temos o Guerreiro de Marte, claramente inspirado no Caçador de Marte, da DC. O desenvolvimento de personagem além da persona heroica remete diretamente ao clima noir das histórias do Batman, que nesse período recuperava o clima soturno após a série de TV de sucesso dos anos 1960. Sua sexualidade e sua relação com Gail também remetem aos temas polêmicos desse período, como o uso de drogas e o surgimento de personagens declaradamente homossexuais.

A união de todos no exílio resulta na narrativa gráfica pós-moderna: uma família disfuncional dividindo o mesmo espaço, com uma narrativa baseada quase exclusivamente em diálogos e nos conflitos internos de cada ex-herói, sem um foco tão grande nos vilões ou na ameaça do mês. O desenvolvimento de personagens está acima da ação, e isso irrita alguns deles.


 
Se Alan Moore desconstruiu o gênero ao dar profundidade aos heróis urbanos em Watchmen e Kurt Busiek narrou com maestria o ponto de vista de pessoas comuns em um mundo habitado por deuses em Marvels, Lemire desmistifica todos os conceitos construídos em 80 anos de indústria e eleva o desenvolvimento de personagens a um novo patamar.

testeConfira a capa e a data de lançamento do segundo volume de Black Hammer

Vocês pediram e nós ouvimos! Em outubro, a Intrínseca vai lançar a continuação de Black Hammer: Origens secretas, a premiada graphic novel de Jeff Lemire, Dean Ormston e Dave Stewart.

Em Black Hammer: O evento, uma visita inesperada consegue romper as barreiras invisíveis que levam até a fazenda e começa a investigar o passado da cidade misteriosa. Enquanto descobrimos mais sobre o episódio que levou os heróis ao exílio, essa visita traz consigo a chance de o supergrupo finalmente escapar do purgatório.

O segundo volume da série conta ainda com a arte do espanhol David Rubín em uma história que mostra como o Coronel Weird conheceu sua companheira robô, Talky Walky.

Eleita a Melhor Série Original de 2017 pelo Eisner Awards, principal prêmio internacional de quadrinhos, Black Hammer faz referências aos heróis da era de ouro das HQs e subverte estereótipos clássicos os colocando em situações dos dias atuais.

Black Hammer: O evento chega ao Brasil no dia 25 de outubro.

Animados com a novidade?

testeA reinvenção dos super-heróis

Por Érico Assis*

Superman completou oitenta anos em 2018. Com ele nasceram os gibis de super- heróis, misto de YouTube, Playstation e Netflix na infância dos nossos bisavós, só que em revistinhas de papel fuleiro ao preço de um saco de balas. Oito décadas depois, gibis de super-heróis custam tanto ou mais que uma caixa de bombons finos e atendem sobretudo a um pequeno grupo de marmanjos. As editoras desses gibis ainda existem porque viraram fazendinhas onde estúdios de cinema colhem ideias para fazer bilhões.

E aí vêm Jeff Lemire e Dean Ormstron e criam um gibi sobre super-heróis numa fazendinha.

 

Black Hammer, lançado em maio pela Intrínseca, é um fenômeno de crítica. E não só aos olhos dos tais marmanjos, mas também de outros leitores e outras leitoras de outros quadrinhos mundo afora. Todos encontraram algo de inovador na criação de Lemire e Ormstron.

O que sabemos da história é o seguinte: os maiores heróis de Spiral City sumiram depois de salvar a cidade de um monstrão. Foram parar numa fazenda que ninguém tem ideia de onde fica, onde funciona uma força invisível que só os deixa ir de seu lar até a cidadezinha mais próxima. Eles sabem que não podem sair dali porque um deles tentou – e teve uma morte horrível. Dez anos depois, eles continuam na fazenda, ainda sem entender o que aconteceu.

Os heróis de Black Hammer são decalcados de figuras conhecidas para quem já deu uma espiada em gibis – ou nos filmes e desenhos animados – de super-herói. Abraham Slam era tipo um Capitão América. Barbalien é referência direta ao Caçador de Marte, o alien da Liga da Justiça que pode assumir qualquer forma. A Menina de Ouro é uma inversão dupla do Shazam, o garoto que se transformava em super-adulto com uma palavra mágica. Madame Libélula é daquelas figuras espectrais que servia de mestre de cerimônias em gibi de terror. Coronel Weird segue a moda Adam Strange, aventureiro espacial da DC Comics. E tem ainda Talky-Walky, uma robô inteligente da categoria genérica dos robôs inteligentes.

Some a cada um deles dez anos de frustração, a troca da antiga vida de aventuras pela existência bucólica, o mistério de sua condição e a morte do colega – cujo nome, macabramente, dá título à série – e você perceberá a nuvem de desesperança que paira sobre a trama. Quando entramos na história, porém, há algum sinal de que as coisas vão mudar…

O que se encontra de inovador em Black Hammer está justamente no conceito: super-heróis numa fazendinha. Por mais que os flashbacks mostrem as carreiras heroicas dos personagens – em pastiches dos estilos narrativos de gibis de várias épocas –, o presente deles é um tempo de tédio, de tempo morto, de vidinha cotidiana em que nada acontece. E a sensação de que não há nada a fazer porque uma barreira invisível (literalmente) não os deixa seguir com a vida.

Abraham Slam começa um romance com a garçonete do café local. Barbalien engata uma amizade com algo a mais com o pároco local (e faz a gente pensar se conceitos como homossexualidade ou bissexualidade se aplicam a um alienígena). Coronel Weird, pelo jeito, enlouqueceu – mas talvez já fosse louco.

A Menina de Ouro tem a história mais cruel: antes uma criança que ganhava superpoderes ao dizer sua palavra mágica, agora é uma mulher de 55 anos travada na versão infantil. Ela envelheceu, mas em Black Hammer não consegue voltar a sua forma original.

 

Menina de Ouro

Barbalien: O guerreiro de Marte

Madame Libélula

Abraham Slam

Coronel Weird

Jeff Lemire, que concebeu a série, tem uma carreira sui generis. Cresceu numa fazendinha no Canadá, formou-se em cinema e entrou para o mundo dos quadrinhos perto dos 30 anos. Hoje com 42, ele acumulou um currículo gigante: escreveu X-Men, Liga da Justiça, Wolverine, Homem-Animal, Arqueiro Verde, Gavião Arqueiro, John Constantine, Thanos e outros. Chegou a escrever oito revistas mensais simultaneamente – duas das quais ele desenhava. Também manteve uma carreira paralela aos super-heróis em HQs que tanto escreve quanto desenha, geralmente com personagens sem capas, garras ou raios, como Condado de Essex, Sweet Tooth, O Soldador Subaquático, Trillium, Nada a Perder e Royal City.

Lançada em 2016 nos EUA, Black Hammer ganhou o Prêmio Eisner de melhor série estreante no ano seguinte e concorre em cinco categorias no Eisner 2018 (os resultados serão anunciados em 20 de julho). A resposta positiva da crítica e dos leitores fez a série virar um universo: a revista mensal se encerrou e a narrativa foi desmembrada em minisséries com nomes de inspiração pulp, como Sherlock Frankenstein and the Legion of Evil, Doctor Star and the Kingdom of Lost Tomorrows. A Intrínseca já confirmou que vai lançar os dois próximos volumes: The Event e Age of Doom (ainda sem título em português definido).

Muitos esperam que aconteça com Black Hammer o que tem acontecido com todo gibi de sucesso: um bom contrato para virar filme ou série da Netflix. O que seria bastante irônico. Não há nada anunciado até o momento, e Lemire nem tem essa perspectiva de que sua criação é uma crítica aos gibis de heróis como fazendinha de Hollywood. Como escreve nos posfácio do primeiro volume, ele só quer escrever “histórias humanas e realistas sobre famílias e cidades pequenas”. Famílias e cidadezinhas com aliens, raios nos olhos, vacas a ordenhar e superdoses de depressão – como toda família, como toda cidadezinha.

Se interessou? Leia um trecho de Black Hammer: Origens secretas

Érico Assis é tradutor e jornalista especializado em quadrinhos. Foi editor convidado de O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015 (editora Narval). 

 

testeBlack Hammer terá continuações publicadas no Brasil

A Intrínseca vai lançar o segundo e o terceiro volumes de Black Hammer, a premiada graphic novel de Jeff Lemire, Dean Ormston e Dave Stewart. The Event e Age of Doom ainda não possuem data nem título em português confirmados. O primeiro volume, Origens secretas, chegou às livrarias brasileiras no início de maio.

Abraham Slam, Menina de Ouro, Coronel Weird, Madame Libélula e Barbalien eram os maiores heróis do mundo, mas depois da grande batalha final ficaram presos em uma cidade rural. Mesmo depois de dez anos, eles ainda não descobriram como chegaram lá e, principalmente, por que não conseguem sair. Seu antigo líder tentou escapar desse misterioso purgatório, mas teve um trágico fim.

No segundo volume, The Event, uma jovem consegue atravessar as barreiras invisíveis da cidade e, enquanto remexe o passado de cada um, dá uma nova esperança aos heróis.

 Eleita a Melhor Série Original de 2017 pelo Eisner Awards, principal prêmio internacional de quadrinhos, Black Hammer faz referências aos heróis da era de ouro de HQs. Seus personagens são complexos e humanos, e a maestria de Dave Stewart ao brincar com cores fortes e impactantes acompanha os dilemas dos personagens.

O primeiro volume, Origens secretas, reúne os primeiros seis fascículos originais e conta ainda com posfácio do autor, perfis da construção de personagens e esboços originais.